Exercício físico pode aumentar chance de sobrevivência de pacientes com câncer, indica pesquisa

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/06/2025 Um programa de exercícios voltado a pacientes com câncer colorretal pode reduzir o risco de morte em um terço, revela um importante estudo internacional. Os pesquisadores disseram que “não se trata de uma grande quantidade” de exercícios e que qualquer tipo de atividade física, desde natação até aulas de salsa, já conta pontos positivos. Os resultados podem mudar a forma como esse tipo de tumor é tratado em todo o mundo, avaliam especialistas. Cientistas já investigam se programas de exercícios também poderiam melhorar a sobrevida de pessoas com outras doenças, como o câncer de mama. No estudo, o programa de exercícios começou logo após a quimioterapia e os pacientes foram acompanhados por anos. O objetivo era fazer com que as pessoas praticassem pelo menos o dobro da quantidade de exercícios estabelecida nas diretrizes para a população em geral. Isso significa de três a quatro sessões de caminhada rápida por semana, com duração de 45 a 60 minutos, estima a professora Coyle. Os participantes também tiveram acesso sessões semanais de treinamento presencial durante os primeiros seis meses. Posteriormente, esses encontros foram reduzidos a uma vez por mês. O estudo, que envolveu 889 pacientes, incluiu metade dos voluntários no programa de exercícios. A outra parcela apenas recebeu folhetos que traziam informações sobre um estilo de vida saudável. Os resultados publicados no periódico acadêmico New England Journal of Medicine revelaram que em cinco anos: Enquanto isso, oito anos após o início do tratamento contra o câncer: Como exercícios físicos ajudam a combater o câncer? Não se sabe exatamente por que o exercício tem esse efeito benéfico, mas especialistas suspeitam que ele pode influenciar em fatores como a produção de hormônios do crescimento (que podem acelerar a multiplicação das células tumorais), nos níveis de inflamação e no funcionamento do sistema imunológico — que patrulha todo o corpo em busca de células doentes. O pesquisador Joe Henson, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, classifica os resultados como “empolgantes”. “Vi em primeira mão como os treinos reduziram a fadiga, melhoraram o humor e aumentaram a força física das pessoas”, conta ele. “Sabemos que a atividade física regula diversos processos biológicos importantes que podem explicar esses resultados, e pesquisas futuras nos ajudarão a descobrir por que o exercício tem um impacto tão positivo”, conclui ele. O câncer colorretal é o quarto tipo de câncer mais comum no Brasil (atrás dos tumores de pele não melanoma, de mama e de próstata), com cerca de 45,6 mil pessoas diagnosticadas com a doença a cada ano. A enfermeira Caroline Geraghty, da Cancer Research UK, uma associação britânica que fomenta pesquisas em oncologia no Reino Unido, entende que o estudo “tem o potencial de transformar a prática clínica”. “Mas isso apenas acontecerá se os serviços de saúde tiverem o financiamento e a equipe necessários para tornar isso uma realidade para todos os pacientes”, conclui ela.
As quatro dicas de ouro de Harvard para diminuir consumo de açúcar

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/06/2025 Com pequenas mudanças na rotina, é possível diminuir o consumo de açúcar, melhorar a saúde física e mental e evitar doenças crônicas. Um docinho de vez em quando não faz mal, mas o excesso de açúcar na alimentação pode trazer consequências sérias para a saúde. Estudos científicos feitos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, apontam que o consumo elevado de açúcar está ligado ao aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares, acne e até alguns tipos de câncer. Além disso, o impacto vai além do físico: o açúcar também pode afetar negativamente a saúde mental, contribuindo para sintomas de depressão, oscilações de humor e queda nos níveis de energia. A boa notícia é que adotar hábitos saudáveis pode fazer uma grande diferença. De acordo com especialistas da Harvard Health, pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir o consumo de açúcar de forma natural e sem sacrifícios extremos. Confira: 1. Comece o dia com um bom café da manhã Pular o café da manhã pode parecer inofensivo, mas pode aumentar a vontade de consumir doces ao longo do dia. “Comece o dia com uma refeição nutritiva e substancial para evitar desejos. Aveia cortada em aço, ovos e frutas são boas opções para o café da manhã”, orienta a publicação da Harvard. A primeira refeição do dia não precisa ser grande, mas deve incluir alimentos saudáveis e energéticos. Isso contribui para um melhor controle do apetite e favorece escolhas alimentares mais conscientes. 2. Afaste as tentações Ter doces e alimentos industrializados em casa não é um problema — o desafio está em como organizá-los. Uma dica valiosa é manter guloseimas fora do alcance dos olhos e colocar frutas, castanhas e outros lanches saudáveis em locais visíveis e de fácil acesso. Segundo os especialistas, com o tempo o paladar se adapta e a vontade por doces diminui naturalmente. 3. Dê preferência aos alimentos integrais e não processados Priorizar alimentos naturais e minimamente processados também é uma estratégia eficaz. Eles tendem a ser mais nutritivos e menos calóricos, além de não conterem açúcares adicionados. “Consumir mais desses alimentos pode substituir as fontes processadas de açúcares adicionados na dieta”, afirma a Harvard Health. Começar as refeições com vegetais, proteínas e carboidratos saudáveis também é uma boa prática, pois ajuda a reduzir a ingestão de doces ou sobremesas. 4. Leia os rótulos com atenção Nem sempre o açúcar está onde se espera. Molhos para salada, temperos prontos, pães e até iogurtes considerados “fitness” podem conter grandes quantidades de açúcar escondido. Por isso, ler os rótulos dos alimentos é um passo importante. A recomendação é observar a lista de ingredientes e preferir produtos com menos aditivos e nomes complicados — geralmente, quanto mais natural, melhor. Atenção redobrada com bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos de caixinha, considerados uma das piores formas de consumo de açúcar por sua rápida absorção e pouco valor nutricional. Menos é mais Reduzir o açúcar não significa eliminá-lo completamente da vida. O equilíbrio é o mais importante. Com mudanças simples e conscientes no dia a dia, é possível manter uma alimentação mais saudável, com mais disposição e menos riscos para a saúde. Afinal, cuidar do que se coloca no prato também é uma forma de autocuidado.
Caminhar diariamente previne 13 tipos de câncer, diz estudo de Oxford

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/06/2025 O estudo revelou que caminhar 7 mil passos por dia pode reduzir em até 16% o risco de desenvolver 13 tipos de câncer. A intensidade não é o fator principal, mas sim a quantidade de passos. Um estudo conduzido pela Universidade de Oxford revelou que a caminhada diária pode reduzir significativamente o risco de desenvolver 13 tipos diferentes de câncer. A pesquisa acompanhou mais de 85 mil adultos no Reino Unido durante seis anos, com resultados animadores. Os participantes que caminharam 7 mil passos por dia apresentaram uma redução de 11% no risco de câncer, em comparação com aqueles que caminharam 5 mil passos. Aqueles que alcançaram 9 mil passos diários tiveram uma redução ainda maior, de 16%. Um ponto crucial que o estudo destaca é que o ritmo da caminhada não influenciou significativamente na redução do risco de câncer. Ou seja, a intensidade (velocidade) não é o fator mais importante, mas sim o número total de passos dados a cada dia. Isso demonstra que o essencial é se movimentar. Trocar o tempo sentado por atividades leves ou moderadas também se mostrou benéfico na redução do risco de câncer. No entanto, substituir atividades leves por moderadas não ofereceu benefícios adicionais. O estudo analisou especificamente 13 tipos de câncer: esôfago, fígado, pulmão, rim, gástrico, endometrial, leucemia mieloide, mieloma, cólon, cabeça e pescoço, reto, bexiga e mama. Durante o período da pesquisa, 3% dos participantes desenvolveram um desses tipos de câncer. Os mais comuns foram: Níveis mais elevados de atividade física foram mais fortemente associados à redução do risco de seis tipos de câncer: gástrico, de bexiga, de fígado, de endométrio, de pulmão e de cabeça e pescoço. Essa pesquisa mostra que o benefício vai além da saúde geral ou do emagrecimento, sendo uma importante estratégia na prevenção do câncer. As descobertas apoiam as diretrizes de saúde pública que defendem o aumento da atividade física e destacam a caminhada como uma forma acessível de exercício que contribui significativamente para a redução do risco de câncer.
Como saber se sua dor de cabeça é, na verdade, enxaqueca crônica

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/09/2017 Você acha que é normal ter dores de cabeça muito fortes de vez em quando. A dor é tanta que fica difícil abrir os olhos, se mover, conversar com as pessoas e se concentrar. Quando você está estressado – e no caso das mulheres, no período menstrual – essas “super dores de cabeça” costumam acontecer mais. Mas geralmente, basta tomar um analgésico ou um cafezinho, e ela melhora. Não há com o que se preocupar, certo? Errado. “Não é normal ter enxaqueca, mas a maioria das pessoas não sabe que sofre desse problema”, disse à BBC Brasil o neurologista sul-africano Andrew Blumenfeld, um dos maiores especialistas do tema no mundo, e diretor do Headache Center, na Califórnia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca é a sexta doença mais incapacitante no mundo. A definição da OMS é baseada no conceito geral de enxaqueca, mas ela pode ser episódica (que acontece só de vez em quando) e crônica (que ocorre com frequência). Segundo Blumenfeld, as pessoas que já tem enxaqueca episódica são fortes candidatas a virar “enxaquecosos crônicos”, mas nem os médicos têm conseguido alertá-los para a situação. “Os dados mostram que 80% dos pacientes que têm casos crônicos não são diagnosticados porque os médicos não conhecem bem os critérios de diagnóstico, eles só foram definidos nos últimos anos”, diz. Por causa disso, a maior parte das pessoas acaba fazendo tratamento apenas nos momentos de dor, com remédios ou cafeína – o que, em excesso, pode até piorar a condição. Tenho ou não tenho? Há mais de cem tipos de dores de cabeça e todas elas são, de acordo com o neurologista, sintomas de algo que está acontecendo no corpo. Mas a enxaqueca é considerada uma síndrome, que inclui a dor de cabeça, mas tem outras características específicas. A enxaqueca precisa obedecer a pelo menos dois destes quatro critérios: – Dor em um só lado da cabeça (qualquer lado); – Dor que lateja; – Dor que piora com os movimentos; – Dor que é está entre moderada e severa – ou entre 5 e 10 numa escala em que 10 é insuportável. “Nesta escala, 6 a 7 provavelmente significa que você não quer que as pessoas falem com você e não consegue trabalhar bem. Com 8, 9 ou 10 você provavelmente estará na cama vomitando”, explica Blumenfeld. Além de dois dos critérios acima, também é preciso ter ao menos uma destas duas condições: – Náusea; – Sensibilidade à luz ou ao barulho. Em alguns casos, os médicos também notam a ocorrência da aura – um fenômeno que começa como um ponto cego pequeno na sua visão, que se expande lentamente, durante 20 a 30 minutos. “Também é comum que apareçam linhas em zique-zague ou um pouco de mudanças de brilho dentro desse ponto. Isso será visto em um lado só, mas por ambos os olhos. E se você fechar os olhos, ainda vai ver, porque é um efeito do cérebro, não é um problema com os olhos. Ele quer dizer que a parte do cérebro que interpreta o que você vê está desligando”, diz. Crônica Se você já percebeu que tem enxaqueca, mas descartou a possibilidade de que ela seja crônica porque só sofre de vez em quando, pense novamente. A enxaqueca crônica corresponde a pelo menos 10% dos casos, afirma Blumenfeld. E, para caracterizá-la, não é preciso ter enxaquecas fortes sempre, nem todos os dias, nem há muito tempo. “A principal diferença está no número de dias em que a pessoa convive com a dor de cabeça em um mês”, afirma Blumenfeld. Um “diário de dores de cabeça” pode ser útil para saber se ela ainda é episódica ou pode ser crônica. Caso uma pessoa sinta dor de cabeça em 15 ou mais dias do mês, 8 desses dias sejam de enxaqueca, e isso tenha acontecido pelo menos em três meses do ano, ela é uma forte candidata à enxaqueca crônica. Mas o que significa exatamente ser um “enxaquecoso”? “É como se o cérebro do enxaquecoso não tolerasse muitas mudanças. Então dormir uma hora a menos, comer fora de hora, levar uma fechada no trânsito podem ser gatilhos para a dor. Ele não suporta essas flutuações”, explica o neurologista brasileiro Marcelo Ciciarelli, professor da USP-Ribeirão Preto e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia, à BBC Brasil. Este cérebro mais sensível tem menos capacidade de inibir a hiperexcitação que ativa as terminações nervosas que transmitem a sensação de dor para o sistema nervoso central. Por isso é que até um toque de telefone insistente, um pequeno aborrecimento com alguém ou uma casa muito bagunçada podem ser motivo de enxaqueca. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, 18% da população brasileira sofre com a enxaqueca. E de acordo com dados do Ministério da Saúde, ela atinge cerca de 5 a 25% das mulheres e 2 a 10% dos homens – principalmente as pessoas que estão entre 25 e 45 anos. Stress e hormônios Além desta hipersensibilidade, os cientistas também acreditam que a genética pode ter influência nas enxaquecas, assim como fatores externos. Nenhum deles, no entanto, é considerado o único responsável. “O maior gatilho da enxaqueca, de longe, é o stress”, diz Blumenfeld. Mas o segundo gatilho mais forte atinge especialmente as mulheres – e é o que as torna mais vulneráveis. “A queda dos níveis de estrogênio durante a menstruação ou a menopausa faz com que a frequência de dores de cabeça aumente. Mas se a mulher não tiver essa predisposição genética para a enxaqueca, isso não acontece.” Os neurologistas, no entanto, ainda tentam entender exatamente a conexão da enxaqueca com doenças como depressão, ansiedade, insônia e até obesidade. “Os dados nos mostram que elas estão ligadas, provavelmente pela genética”, afirma o sul-africano. “Entre os pacientes de enxaqueca crônica, ao menos 40% deles têm depressão e 30% têm ansiedade.” Outro mistério ainda por desvendar é que tipo de mudanças a enxaqueca pode causar no cérebro. Os pesquisadores já observam, em exames de
Comer cereais no café da manhã realmente faz bem à saúde?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 26/05/2025 Costumamos ouvir com frequência que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. E que, se escolhermos bem os alimentos, uma refeição matinal nutritiva pode ajudar a manter nossa energia e concentração para qualquer desafio que vier à nossa frente. Ainda assim, a decisão sobre o que comer no café da manhã – ou o que oferecer aos nossos filhos, quando for o caso – às vezes pode parecer avassaladora. Se você preferir os cereais matinais (como fazem 53% da população americana, todas as semanas), você tem muitas opções à sua escolha. Pode ser mingau de aveia, granola, muesli, farelo, flocos de milho ou de arroz. As opções são infinitas, cada uma com uma caixa colorida que promete fornecer uma refeição saudável e nutritiva. Mas, embora os cereais matinais sejam tradicionalmente observados desta forma, cientistas alertam que eles são lanches ultraprocessados e, por isso, não são bons para a nossa alimentação. Então, qual é a verdade? E qual tipo de cereais deveríamos estar (ou não) comendo? Vamos começar por alguns fatos. Os cereais são gramíneas da família Poaceae, cultivadas para obter seus grãos ou sementes comestíveis. Os cereais usados na alimentação incluem trigo, arroz, aveia, cevada e milho. Todos eles possuem três componentes comestíveis principais. Existe a camada externa, ou pericarpo, que é um dos componentes do farelo. Ele é rico em fibras, vitaminas do complexo B e traços de minerais. Depois, vem o endosperma, rico em amido e proteínas, para sustentar o embrião da planta em desenvolvimento. Por fim, o gérmen contém o embrião e é rico em óleo, vitaminas e minerais. Uma das primeiras pessoas a ter a ideia de transformar os grãos em cereais matinais foi o médico americano John Harvey Kellogg (1852-1943). Na época, ele era superintendente do Sanatório de Battle Creek, uma espécie de híbrido entre um hospital e um resort de saúde. Para melhorar a alimentação dos pacientes, Kellogg desenvolveu, patenteou e apresentou uma série de novos alimentos, como a granola e os flocos de milho. Com o passar dos anos, eles passaram a ser tão onipresentes que, agora, existem dezenas de versões genéricas no mercado. A produção de cereais matinais, atualmente, é uma atividade industrial. Depois da colheita dos grãos, os cereais matinais passam por diversas etapas de processamento até serem embalados e transportados para as prateleiras dos supermercados. Alguns cereais, como os flocos de farelo, são produzidos com os grãos inteiros. Em outros, como certos tipos de flocos de milho, os grãos são picados entre grandes rolos metálicos para retirar a camada externa, na forma de farelo. Alguns cereais passam por outras etapas de processamento, para moer os grãos e transformá-los em farinha. O produto resultante é misturado com aromatizantes, sal, adoçantes e outros ingredientes, como vitaminas e minerais. Eles são, então, cozidos e moldados em flocos, argolas ou outras formas. Por fim, o cereal é assado ou torrado, para gerar sua textura crocante. Como os cereais são fortificados com vitaminas e minerais, eles são considerados, há muito tempo, uma forma eficaz de garantir que as pessoas recebam os nutrientes de que elas precisam. Isso é especialmente útil para indivíduos com dietas restritas, que podem ter dificuldade para obter as vitaminas necessárias por meio da alimentação. As dietas vegetarianas e veganas, por exemplo, costumam conter baixo teor de vitamina B12. Já uma pessoa com intolerância à lactose pode evitar o consumo de leite e, com isso, não ingerir cálcio e vitamina D em quantidade suficiente. À medida que envelhecemos, também absorvemos certos nutrientes com menos eficiência, o que pode aumentar o risco de desnutrição. Da mesma forma, crianças e mulheres grávidas também enfrentam maior risco de deficiências nutricionais. Pesquisas confirmam que o consumo de cereais matinais fortificados pode trazer benefícios. Estudos demonstraram, por exemplo, que muitas pessoas em todo o mundo apresentam deficiência de nutrientes importantes. Paralelamente, um estudo realizado nos Estados Unidos concluiu que, sem a fortificação dos alimentos, grande parcela das crianças e adolescentes não conseguiria ingerir micronutrientes em quantidade suficiente, o que causa riscos de problemas de saúde a longo prazo. Muitos cereais matinais também contêm alto teor de fibras, um nutriente que alimenta as bactérias “boas” dos nossos intestinos. E 90% das pessoas não consomem este nutriente em quantidade suficiente. “De forma geral, os cereais fortificados podem fazer contribuição útil para algumas das vitaminas e minerais de que, no Reino Unido, alguns de nós temos deficiência”, afirma a professora de nutrição Sarah Berry, do King’s College de Londres. Berry destaca, por exemplo, que, no Reino Unido, quase 50% das meninas com 11 a 18 anos de idade apresentam baixa ingestão de ferro. E, nos Estados Unidos, 14% dos adultos ingerem este nutriente em quantidades inadequadas. “Mas é preciso equilibrar isso com o fato de que existem muitos cereais com alto teor de açúcar, baixo teor de fibras e alto índice glicêmico, o que significa que eles não irão manter você alimentado por muito tempo”, explica Berry. Existem também outras formas de obter essas vitaminas e minerais que podem ser melhores para a nossa alimentação, como frutas, sementes, legumes e verduras, destaca a professora. Quais são as opções? Alguns cereais matinais contêm alto teor de fibra, vitaminas e minerais. Mas muitos deles também têm alto teor de açúcar, sal e gorduras não saudáveis. A Fundação Britânica do Coração é uma entidade que financia pesquisas cardiovasculares no Reino Unido. Ela indica que uma porção de 30 g de flocos de milho cobertos com açúcar, por exemplo, contém cerca de 11 g de açúcar, ou 12% da ingestão total recomendada máxima do produto no país. Nos Estados Unidos, não existe um limite recomendado para o total de açúcares, mas a ingestão diária de referência é de 50 g por dia, com base em uma dieta de 2 mil calorias. Comparativamente, uma porção de 45 g de granola com frutas secas, nozes e sementes contém 9,6 g de açúcar (10,7% da ingestão recomendada total). A ingestão de uma quantidade tão grande de açúcar de uma vez pode gerar grandes picos de açúcar no sangue. Estes picos, ao longo do tempo, podem aumentar o risco de desenvolver diabetes, doenças cardíacas e outras condições de saúde. As pessoas que sofrem picos e quedas bruscas de açúcar no sangue também apresentam inclinação a sentir fome mais cedo, o que
A incrível conexão entre intestino e cérebro que influencia a saúde e as emoções

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/05/2025 Sabemos que o sistema digestivo e o sistema nervoso estão conectados. Mas como essa relação se estabelece? E é possível fortalecer esse ‘relacionamento’ para uma vida mais saudável — e feliz? Nosso intestino abriga mais de 100 milhões de células nervosas e é responsável pela produção de 95% da serotonina, um neurotransmissor relacionado ao bem-estar. Recentemente, novas evidências científicas reforçaram a importância da microbiota intestinal — um grupo de trilhões e trilhões de bactérias, vírus, fungos e outros agentes microscópicos — para a saúde do corpo e da mente. Isso mostra como o intestino e o cérebro estão conectados e se influenciam mutuamente. Você provavelmente já teve “borboletas no estômago” ao se apaixonar por alguém, sentiu náuseas antes de uma reunião importante ou ficou enfezado (ou, literalmente, cheio de fezes) durante um período de constipação. Mas como essa conexão entre órgãos tão diferentes funciona na prática? E será que é possível fortalecer essa ligação para uma vida mais saudável e feliz? O eixo intestino-cérebro Esses dois órgãos estão conectados de três maneiras diferentes, explica a gastroenterologista Saliha Mahmood Ahmed, embaixadora da Bowel Research UK, uma organização britânica que faz pesquisas e campanhas sobre o sistema digestivo. A primeira delas é o nervo vago, uma estrutura muito importante do sistema nervoso que liga diretamente o cérebro a vários órgãos, como o coração e os intestinos. Em segundo lugar, o cérebro e o intestino se comunicam com a ajuda de hormônios. Essas substâncias, como a grelina e o GLP-1, são produzidas por glândulas e enviam sinais por todo o corpo. O terceiro mecanismo envolve o sistema imunológico. “Muitas pessoas pensam que essas células de defesa vivem apenas no sangue ou nos gânglios linfáticos, mas, na verdade, uma grande proporção delas opera no intestino e serve como mediador entre o cérebro e todo o organismo”, diz Ahmed. O neurogastroenterologista Pankaj Pasricha, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, destaca que essa conexão especial ocorre porque o cérebro precisa de muita energia para funcionar — e o intestino é a nossa usina de energia. Ele ressalta que o cérebro representa apenas 2% do nosso peso corporal, mas consome 20% da energia produzida no corpo. O papel do intestino é justamente “quebrar” os alimentos em moléculas simples e absorvê-las para fornecer o “combustível” para o funcionamento de todo o organismo. Mas essa é uma relação mútua. Em outras palavras, o cérebro influencia o intestino — mas o intestino também influencia o cérebro. E podemos pensar em vários exemplos disso em nossa vida cotidiana. Quando enfrentamos uma situação perigosa ou ameaçadora, ou mesmo um evento muito importante, como uma reunião no trabalho, uma das primeiras respostas fisiológicas ocorre na barriga. Nessas situações, podemos experimentar náuseas, cólicas ou até diarreia. Além disso, quando estamos apaixonados, sentimos as famosas “borboletas no estômago”, ou aquela sensação emocional relacionada à excitação de estar perto de alguém de quem gostamos muito. Por outro lado, se você estiver constipado e não for ao banheiro por vários dias, isso pode causar irritação e estresse — algo que em português descrevemos como “enfezado”, cujo significado literal é “cheio de fezes”. Um mundo inteiro dentro da sua barriga Nosso intestino abriga entre 10 e 100 trilhões de células de outros organismos, o que inclui bactérias, vírus, fungos, protozoários e outros agentes microscópicos. Esse número supera a quantidade de células “próprias” que uma pessoa possui. Especialistas explicam que essa comunidade abundante tem uma relação simbiótica conosco. Elas obtêm nutrientes dos alimentos que ingerimos, mas também nos ajudam a digerir alguns ingredientes que não somos capazes de processar sozinhos. Nas últimas duas décadas, o conhecimento sobre a microbiota e a influência dela em nossa saúde cresceu consideravelmente. Ahmed explica que novas ferramentas e testes desenvolvidos por cientistas ajudaram a mensurar os microrganismos que habitam o intestino e também a entender como eles influenciam o desenvolvimento de certas doenças. “Alterações no equilíbrio da microbiota, o que chamamos de disbiose, têm sido associadas a quase todas as doenças conhecidas pelos seres humanos”, acrescenta Pasricha. Em 2011, o neurogastroenterologista liderou um estudo pioneiro com cobaias. No trabalho, ele observou que a irritação gástrica nos primeiros dias de vida “pode ??induzir um aumento duradouro da depressão e de comportamentos ansiosos”. Outras pesquisas mostraram que a disbiose — ou uma microbiota intestinal desequilibrada — está associada à obesidade, às doenças cardiovasculares e até mesmo ao câncer. No entanto, Pasricha ressalta que não temos evidências suficientes para estabelecer uma relação clara de causa e efeito, ou se problemas encontrados na microbiota intestinal são de fato a origem de diversas doenças. “Existem algumas evidências, tanto em estudos com animais quanto em pesquisas com humanos, de que é possível ter problemas que começam no intestino e que podem causar ansiedade ou depressão. Mas será que essas doenças acontecem por causa do intestino? Ainda não sabemos”, afirma ele. A receita para uma boa microbiota Dadas as recentes descobertas sobre a microbiota e a conexão intestino-cérebro, será que é possível alcançar um equilíbrio perfeito dos agentes microscópicos que vivem na nossa barriga? Ahmed explica que não há uma “receita de bolo” aqui, pois cada pessoa tem uma composição diferente de bactérias, vírus e outros agentes. “O microbioma de cada pessoa é muito diferente. Não é como se estivéssemos no mesmo ponto de partida que qualquer outro ser humano”, diz ela. Mas os especialistas afirmam que existem algumas intervenções gerais que são consideradas benéficas para a saúde intestinal. Ter uma dieta variada e equilibrada, por exemplo, é um bom começo. Probióticos — ou alimentos que contêm certos tipos de bactérias benéficas para o sistema digestivo, como iogurtes naturais, kefir e kombucha — e prebióticos — ou seja, ingredientes ricos em fibras que nutrem a microbiota, como frutas e vegetais — também devem ser protagonistas das refeições. “Eu diria que a diversidade na dieta é muito importante, especialmente quando pensamos nos alimentos de origem vegetal que devem ser consumidos”, diz Ahmed. A gastroenterologista recomenda que todos reflitam sobre a quantidade de frutas, verduras, grãos integrais, leguminosas, nozes, sementes e especiarias incluídos em cada
5 frutas com teor surpreendente de proteína

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 16/05/2025 A nutricionista Andrea Delgado, da Clínica Mayo (EUA), relaciona cinco frutas que podem fornecer boa parte das nossas necessidades diárias de proteína, além de outros nutrientes. Poucas pessoas olham para um maracujá e pensam em proteína. Mas esta fruta originária do Caribe, além de fornecer nutrientes valiosos, como vitaminas, sais minerais, antioxidantes e, principalmente, fibras, pode ser uma inesperada e útil ferramenta para ganhar massa muscular. “As pessoas se surpreendem ao observar que certas frutas superam 4 g de proteína em uma porção razoável”, segundo a nutricionista Andrea Delgado, da Clínica Mayo, nos Estados Unidos. “O segredo costuma estar nas sementes.” Todos os tipos de nutrientes são importantes na nossa alimentação. “O corpo também necessita de fibras, carboidratos e gorduras saudáveis”, mas incorporar estas frutas “pode fazer a diferença” no momento de ajudar a fortalecer os músculos, explica Delgado à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. A nutricionista selecionou cinco frutas que podemos acrescentar à nossa dieta quando tentarmos aumentar nosso consumo de proteína para reconstruir nossos músculos depois do exercício físico. 1. Maracujá O maracujá é a primeira fruta da lista de Delgado, com quase 5 g de proteína por copo. O segredo está na densidade das suas sementes. Elas concentram aminoácidos que são perdidos quando peneiramos a polpa. Por isso, a nutricionista recomenda consumir a fruta inteira. E, no caso de suco, não coar as sementes. “Se você coar o suco, fica principalmente com o açúcar”, explica ela. “Você deve liquefazer a fruta inteira e beber as sementes.” Além de proteínas, o maracujá fornece fibras solúveis, magnésio e compostos fenólicos que ajudam a modular a pressão arterial. Por isso, uma batida de maracujá depois do exercício fornece os eletrólitos e quase tanta proteína quanto uma colherada de proteína comercial em pó. E ainda traz os antioxidantes naturais da própria fruta. 2. Goiaba Continuando a lista, Delgado recomenda a goiaba. Segundo ela, esta fruta tropical fornece 4 g de proteína por copo e o dobro da quantidade diária recomendada de vitamina C. “O teor de proteína provém sobretudo das sementes”, destaca a nutricionista. “Por isso, a polpa moída é preferível, em relação ao suco clarificado.” Rica em carotenoides anti-inflamatórios, a goiaba ajuda na recuperação muscular. E também desempenha papel antioxidante, prevenindo os efeitos do envelhecimento. Uma porção representa mais de 300% da vitamina C diária necessária, favorecendo a síntese de colágeno e a função imunológica. Delgado afirma que a goiaba triturada com iogurte natural não só conserva as sementes da fruta – e, consequentemente, a proteína – como também agrega cálcio e probióticos, que são fundamentais para a nossa nutrição. 3. Romã A romã é outra excelente opção, segundo Delgado, devido à quantidade de nutrientes que ela acrescenta à alimentação. A cobertura avermelhada da romã oferece 4 g de proteína por copo, além de polifenóis, que a Clínica Mayo relaciona à saúde cardiovascular e à ação antioxidante. Estudos desenvolvidos pela instituição indicam que o suco de romã poderia colaborar para a manutenção de níveis saudáveis de pressão arterial e colesterol. A fibra das suas sementes também favorece a digestão e prolonga a saciedade. E sua coloração rubi indica a presença de antocianinas, que são compostos anti-inflamatórios relacionados à saúde dos nervos e cardiovascular. Além disso, a versatilidade do seu sabor a transforma em um acompanhamento nutritivo ideal para todos os tipos de saladas e sobremesas. 4. Jaca Delgado inclui na sua lista duas opções de frutas que passam por algum tipo de cozimento. Isso faz com que seu consumo seja muito prático, no momento do exercício físico. A nutricionista explica que a jaca seca é usada na cozinha vegana como substituto da carne. Ela é servida cozida, salteada ou assada no forno. A fruta fornece até 2,5 g de proteína por porção, segundo Delgado, além de minerais como potássio e magnésio, fundamentais para a saúde dos ossos. Ela destaca que a maior parte das suas fibras e proteínas se mantém após o cozimento. 5. Damasco seco Já o damasco seco contém seus nutrientes concentrados. Ele fornece até 4 g de proteína por copo. Delgado destaca também sua praticidade: “Eles são leves e oferecem mais proteína do que muitas barrinhas comerciais.” E o abacate? Quando comecei a escrever esta reportagem, considerei imediatamente que Delgado começaria falando do abacate. E fiquei surpreso ao ver que a fruta nem mesmo consta da sua lista. “Em comparação com outras frutas secas ou desidratadas, o abacate fornece menos proteína”, explica ela. “Seu valor principal está nas gorduras monoinsaturadas, não no seu perfil proteico.” “Sim, ele contém proteína, mas é pouca: cerca de 1,8 gramas por copo.” A nutricionista indica que, para mantermos consumo adequado de proteína, deveríamos tentar consumir 1-1,2 g de proteína por kg de peso do corpo, o que equivale a 65-78 g diários de proteína para alguém que pese 65 kg. “Obter 5 g de um copo de maracujá não parece muito, mas colabora – e oferece vitaminas, fibras e antioxidantes que nunca estarão presentes em um suplemento”, conclui Andrea Delgado.
Como a IA ajudou a aliviar minha dor nas costas

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 18/05/2025 Quando eu comecei a sentir dor nas costas, em outubro de 2024, a causa não era clara. Talvez tenha acontecido algo enquanto eu levantava meus sobrinhos. Ou, mais provável, que eu tenha me machucado ao levantar a cama para que a minha esposa colocasse um tapete embaixo. Independentemente do motivo, o excesso de confiança na minha força me rendeu uma lesão na lombar. Dias depois, a dor atingiu meu nervo ciático, na minha perna esquerda. Ficar em pé era tranquilo, mas sentar era uma tortura. Para conseguir dormir, eu tinha que colocar um travesseiro debaixo das pernas, tentando conter os choques que eu sentia. No meio de dezembro, eu decidi procurar um médico em Washington, nos Estados Unidos, onde eu moro. Ele fez alguns testes de movimento comigo, me pediu uns exames de raio-X, e me encaminhou para a fisioterapia com um diagnóstico: radiculopatia lombar. Do início da dor até eu começar o tratamento, foram cerca de três meses. Alguns podem considerar um processo relativamente rápido. Ainda assim, é muito tempo para algo tão comum e debilitante como uma dor na lombar. Desde o início de janeiro, vou à clínica uma vez por semana e sou atendido por fisioterapeutas. Falo sobre as dores que eu estou sentindo, recebo uma massagem e faço alguns exercícios e alongamentos. Minha dor ainda não passou, mas finalmente está sob controle. Eu quis destacar que vou à clínica porque eu também tenho experimentado um outro de tipo de fisioterapia que está sendo muito usada no Reino Unido: a guiada por inteligência artificial. Um novo tipo de fisioterapia Minha fisioterapeuta britânica é parcialmente humana. Na verdade, trata-se de uma aplicativo com uma série de vídeos gravados por uma fisioterapeuta de verdade, mas operados por inteligência artificial, que personaliza as minhas sessões baseadas nas minhas respostas à uma série de perguntas. Tudo feito pelo celular. O serviço é oferecido pela empresa Flok Health, a primeira clínica de inteligência artificial a ser usada pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, sigla em inglês). Ele já foi aprovado pela Comissão de Qualidade do Cuidado do país, registrado como prestador de serviços de saúde, e começou a atender pacientes, como eu, no fim de 2024. O motivo é simples: várias pessoas sofrem com dor na lombar e têm dificuldade para conseguir atendimento. Esse problema afeta cerca de 223 milhões de pessoas no mundo, e é a principal causa de incapacidade. Só na Inglaterra, aproximadamente 350 mil pessoas estavam na fila de espera para receber tratamento por causa de problemas musculoesqueléticos em setembro de 2024 — a maior fila de espera do sistema de saúde britânico. Segundo o governo do Reino Unido, apenas em 2022, foram perdidos 23,4 milhões de dias de trabalho por causa desses problemas não tratados, gerando um enorme custo econômico, e também humano. A promessa da Flok é começar a atender pacientes imediatamente, aliviando a sobrecarga do NHS e tratar a dor nas costas antes que ela piore. A missão é nobre, mas eu me pergunto: Será que a inteligência artificial é a solução? ‘Fiquei em choque ao ver como é o acesso à saúde para a população’ Além de ser médico formado, Finn Stevenson também foi atleta profissional de remo no programa de desenvolvimento olímpico da Grã-Bretanha. Quem já remou sabe que o esporte é um excelente exercício físico, mas pode ser brutal para as costas se a postura não estiver perfeita. Enquanto atleta profissional, Stevenson tinha acesso aos melhores médicos e fisioterapeutas para tratar qualquer lesão. Mas quando ele deixou o remo e sua dor nas costas voltou, ele percebeu como era difícil conseguir tratamento como uma pessoa comum. “Foi um choque ver como é o acesso à saúde para 99,5% da população”, disse Stevenson, hoje CEO da Flok. “Em teoria, eu estava bem preparado para lidar com isso. Eu tinha uma formação acadêmica, três anos de fisioterapia profissional. Se eu estava tendo dificuldade, outras pessoas provavelmente também estavam.” Stevenson e Ric da Silva, co-fundador da Flok e hoje chefe de tecnologia, se conheceram quando trabalhavam na CMR Surgical, uma startup britânica onde eles construíam juntos robôs para cirurgias de tecidos moles. Mas com a Flok, o objetivo é oferecer tratamento para pessoas que não precisam de cirurgia, focando em casos mais simples e fáceis de tratar. “Existem muitas condições em que isso é possível, que você não precisa fazer um raio-X, de trabalho humano ou medicação”, diz da Silva. “O que você precisa são 10 minuto de alongamento alguns dias na semana, e isso resolverá seu problema”, destacou. A ideia é que isso aliviará a carga de trabalho de profissionais de saúde para que eles possam se dedicar a pacientes com problemas mais complexos, que realmente precisam de atendimento especializado. Enquanto o boom da inteligência artificial nos últimos anos tem sido impulsionado por avanços em IA generativa, a Flok aposta em outro caminho. “Nós desenvolvemos uma linguagem específica para descrever o raciocínio clínico”, explica Stevenson. Como não se trata de um robô tipo o ChatGPT, que prevê a próxima palavra de uma sequência, não há o risco da chamada “alucinação”, quando os algoritmos inventam informações, algo que gera muita preocupação no uso de IA na medicina. Em vez disso, a IA da Flok funciona mais como um livro de “escolha sua própria aventura”, em que há mais de um bilhão de combinações possíveis de intervenções, segundo Stevenson. O poder da inteligência artificial permite que tudo isso seja entregue de forma integrada. “O software é um modelo de entrega extremamente eficaz quando você sabe exatamente o que quer oferecer — e só precisa fazer isso de maneira mais escalável.” Atualmente, a Flok está expandindo suas operações. Seu serviço foi lançado primeiro na Escócia, no fim do ano passado, e recentemente assinou contratos em alguns lugares da Inglaterra. Nos próximos 12 meses, Stevenson diz que espera cobrir pelo menos metade do Reino Unido. A empresa também está expandindo as áreas de dor para serem tratadas, como osteoartrite de quadril e joelhos, e saúde pélvica da
O ignorado impacto na saúde de quem reclama o tempo todo

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 24/11/2024 Imaginemos uma situação muito comum. Duas pessoas caminham apressadamente e se encontram na rua. Eles podem ser amigos, colegas de trabalho ou conhecidos. Um deles cumprimenta o outro, dizendo “olá, como vai?” ou “tudo bem?”. Automaticamente, o outro responde “vamos indo” ou “caminhando, dentro do possível”. E cada um segue o seu caminho. O tom de queixa parece algo típico de um encontro como esse. De fato, é muito frequente ouvir reclamações sobre o trânsito, o clima, o trabalho ou as dificuldades econômicas. Para muitos, é algo inofensivo e até terapêutico, já que serve de alívio emocional. Mas já foi demonstrado que o lamento crônico traz impactos significativos para a saúde mental, emocional e até física – tanto de quem reclama quanto de quem ouve as queixas. Fenômeno cotidiano Abordaremos aqui a expressão recorrente de insatisfação, frustração ou mal-estar, causada por situações percebidas como negativas. Este é um fenômeno quase universal, que pode ser extrapolado para contextos familiares, sociais e profissionais. Longe de uma visão cataclísmica, reclamar ocasionalmente é um aspecto normal da experiência humana. O desgaste emocional e fisiológico ocorre quando este estado de espírito negativo invade nossa rotina diária. Mas por que reclamamos tanto? Especialistas acreditam que as queixas agem como mecanismo de enfrentamento. Através delas, liberamos tensões ou buscamos aprovação. Concretamente, já se observou que nós reclamamos para buscar a aceitação da nossa opinião ou percepção, como se fosse um loop. Até aqui, a reclamação funciona como uma estratégia de apresentação perante o nosso grupo social. Ela é uma função adaptativa do ser humano. O problema surge quando ela passa a ser crônica, estendendo-se a inúmeros contextos. É uma situação que se agrava com o uso e abuso das redes sociais. Nelas, pessoas influentes entre os mais jovens costumam dedicar grande parte do seu conteúdo a atacar isso e aquilo, como estratégia de captação de seguidores ou para criar debates e intercâmbio de comentários. Diversas pesquisas confirmaram que o cérebro humano foi desenhado para identificar ameaças e problemas, o que explica por que é tão fácil se fixar no negativo e porque algumas pessoas se queixam mais do que outras. Trata-se de um mecanismo evolutivo de função protetora: o cérebro tende a se fixar no negativo porque isso permitia que se enfrentasse um perigo real e aumentava as chances de sobrevivência. Mas esse efeito, chamado de viés de negatividade, pode ser contraproducente no entorno moderno. Manter o foco no negativo de maneira contínua pode alterar a forma como as pessoas vêem o mundo e interagem com outras. Alguns estudos destacam que o ato de se lamentar pode causar mudanças estruturais no cérebro que, por sua vez, dificultam a resolução de problemas e afetam as funções cognitivas. Isso significa que as pessoas queixosas podem sofrer redução de funções como a resolução de problemas, a tomada de decisões ou o planejamento – o que gera ainda mais frustrações e, consequentemente, mais queixas. Também se observou que a reclamação cotidiana está correlacionada com a sintomatologia ansiosa depressiva. Concretamente, ela traz pensamentos intrusivos, ruminações, baixa autoestima, cansaço e fadiga mental. Por isso, os indivíduos que não param de se lamentar por tudo costumam ser mais pessimistas e menos resilientes frente às adversidades. Estratégias para mudar de atitude Algumas das formas de interação e enfrentamento mais recomendadas pela psicologia são as seguintes: 1. Praticar a gratidão. Concentrar a atenção no momento presente, com foco no que já temos, favorece o agradecimento. Registrar em um diário tudo aquilo que nos faz sentir gratidão ajuda a mudar a perspectiva. 2. Buscar soluções. Fazer, por exemplo, uma lista de possíveis ações para melhorar uma situação nos oferece uma sensação de controle e reduz a frustração. 3. Prestar atenção às nossas palavras. A psiconeurolinguística nos ensina que ter consciência da linguagem que empregamos e modificá-la para que seja mais positiva ou neutra pode nos ajudar a alterar os padrões de pensamento. 4. Estabelecer limites com os demais. Este é um mecanismo de proteção. Ele inclui, por exemplo, evitar conversas concentradas demais no negativo ou propor um enfoque mais construtivo para os problemas. Ter consciência do hábito nocivo de reclamar sem descanso e tentar mudá-lo, sem dúvida, é essencial para melhorar a qualidade de vida. É um propósito que faz parte do crescimento pessoal de cada indivíduo e pode ser reforçado com o apoio da terapia psicológica. Antes de se queixar outra vez, considere os efeitos cerebrais, emocionais e sociais da sua atitude. E lembre-se: a reclamação não é algo negativo, desde que não seja crônica. Não somos perfeitos, somos humanos. * María J. García-Rubio é professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Internacional de Valência, na Espanha. Ela também é uma das diretoras da Cátedra VIU-NED de neurociência global e mudanças sociais e membro do Grupo de Pesquisa sobre Psicologia e Qualidade de Vida (PsiCat) da Universidade Internacional de Valência. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em espanhol.
O que a cera do ouvido pode revelar sobre sua saúde

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 01/05/2025 Estudos mostram que é possível diagnosticar sinais de doenças, como câncer e problemas cardíacos, a partir da É alaranjada, é grudenta, e provavelmente é a última coisa sobre a qual você gostaria de falar em uma conversa. Ainda assim, a cera do ouvido tem atraído cada vez mais a atenção dos cientistas, que querem usá-la para aprender mais sobre doenças e outras condições como câncer, doenças cardíacas e distúrbios metabólicos, como diabetes do tipo 2. O nome correto dessa substância pegajosa é cerúmen, e trata-se de um misto de secreções de dois tipos de glândulas — as ceruminosas e as sebáceas — que revestem o canal auditivo externo. Essas secreções se misturam aos pelos, células mortas da pele e outros detritos até atingir a consistência de uma cera que todos nós conhecemos. Uma vez formada no canal auditivo, a substância é transportada por um tipo de mecanismo semelhante ao de uma esteira, agarrando-se a células da pele enquanto se move de dentro para fora do ouvido, algo que acontece em uma velocidade extremamente baixa, de aproximadamente um vigésimo de milímetro por dia. A função principal da cera do ouvido ainda é debatida, mas é mais provável que ela sirva para manter o canal auditivo limpo e lubrificado. No entanto, ela também funciona como uma armadilha eficaz, impedindo que bactérias, fungos e outros visitantes indesejados, como insetos, encontrem o caminho até nossas cabeças. Até aqui, tudo soa um pouco nojento. E, talvez por causa de sua aparência não tão agradável, a cera do ouvido tenha sido menos estudada por pesquisadores quando comparada a outras secreções corporais. Mas isso está começando a mudar, graças à uma série de descobertas científicas surpreendentes. A primeira delas é que a cera do ouvido pode conter uma quantidade enorme de informações sobre uma pessoa, algumas triviais e outras mais importantes. Por exemplo, a grande maioria de pessoas com ascendência europeia ou africana tem uma cera de ouvido úmida, na cor amarela ou laranja, e com aspecto pegajoso. Já 95% das pessoas do leste asiático têm uma cera de ouvido seca, na cor cinza, e que não é grudenta. O gene responsável pela produção da cera úmida e seca é chamado ABCC11, que também está ligado a um outro traço curioso: o odor das axilas. Cerca de 2% das pessoas, principalmente as com cera seca, têm uma versão desse gene que faz com que suas axilas não tenham cheiro. Contudo, talvez a descoberta mais útil relacionada à cera do ouvido é o que ela pode revelar sobre a nossa saúde. Pistas importantes Em 1971, Nicholas L Petrakis, professor de medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco, descobriu que mulheres caucasianas, afro-americanas e alemãs nos Estados Unidos, todas com “cera de ouvido úmida”, tinham aproximadamente quatro vezes mais chances de morrer de câncer de mama do que as japonesas e taiwanesas que tinham a cera do ouvido seca. Mais recentemente, em 2010, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Tóquio coletaram amostras de sangue de 270 pacientes mulheres com câncer de mama invasivo, e 273 voluntárias que não tinham a doença. Eles descobriram que as japonesas com câncer de mama tinham até 77% mais chances de ter o gene associado à cera do ouvido úmida do que as voluntárias saudáveis. Apesar disso, as descobertas permanecem controversas, e estudos em grande escala na Alemanha, Austrália e Itália não encontraram diferenças no risco de câncer de mama entre pessoas com cera úmida e seca, embora o número de pessoas que têm cera de ouvido seca nesses países seja muito pequeno. O que está mais bem estabelecido é a relação entre algumas doenças sistêmicas e as substâncias encontradas na cera do ouvido. Tome como exemplo a leucinose, mais conhecida como “doença da urina de xarope de bordo”, um distúrbio genético que impede o corpo de quebrar certos aminoácidos encontrados na comida. Isso leva a um acúmulo de compostos voláteis no sangue e na urina, dando à urina um cheiro característico de xarope. A molécula responsável pelo cheiro adocicado da urina é o sotolon, e ela também pode ser encontrada na cera do ouvido de pessoas com essa condição. Isso significa que a doença poderia ser diagnosticada por meio de um cotonete no ouvido, uma forma muito mais barata e simples do que um teste genético. “A cera do ouvido realmente cheira a xarope de bordo, então, dentro de 12 horas após o nascimento do bebê, quando você sente esse cheiro distinto, ele indica que há um problema no metabolismo”, diz Rabi Ann Musah, química ambiental da Universidade do Estado da Louisiana. A covid-19 também pode ser detectada, em alguns casos, por meio da cera do ouvido, e essa substância também pode indicar se uma pessoa tem diabetes do tipo 1 ou 2. Estudos iniciais sugerem que é possível dizer se uma pessoa tem uma doença cardíaca através da cera do ouvido, embora ainda seja mais fácil diagnosticar essa condição por meio de exames de sangue. Há ainda a doença de Ménière, um distúrbio no ouvido interno que faz com que a pessoa tenha vertigens e perda da audição. “Esses sintomas podem ser muito debilitantes”, afirma Musah. “Incluem náuseas intensas e vertigens, o que torna impossível dirigir ou ir a lugares desacompanhado. Eventualmente, a pessoa perde completamente a audição no ouvido afetado.” Recentemente, Musah liderou um grupo que descobriu que a cera do ouvido dos pacientes com a doença de Ménière tinha níveis mais baixos de três ácidos graxos do que a de pessoas saudáveis. Essa é a primeira vez que se encontra algum tipo de biomarcador para a condição, que geralmente é diagnosticada por exclusão — um processo que pode levar anos. A descoberta aumenta a esperança de que, no futuro, a cera do ouvido possa ser usada pelos médicos para diagnosticar essa condição de forma mais rápida. “Nosso interesse na cera do ouvido como indicadora de doenças está voltado para aquelas doenças muito difíceis de diagnosticar usando fluidos como sangue e urina, e

