Registros cerebrais de demência podem ajudar a prevenir e a tratar os sintomas

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/08/2025 Pesquisadores identificam, no cérebro, níveis alterados de substâncias químicas associados ao risco futuro de demência. O desequilíbrio foi identificado em idosos com hábitos poucos saudáveis. Escolhas cotidianas — como padrões de sono, atividade física, alimentação e vida social — podem deixar rastros químicos no cérebro ligados ao risco futuro de demência, mesmo em indivíduos sem sintomas de perda cognitiva. A descoberta, publicada na revista Cerebral Cortex, é da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, e, segundo os autores, abre caminho para estratégias preventivas mais precoces.  A pesquisa examinou 79 idosos cognitivamente saudáveis para investigar se o estilo de vida influencia sinais neuroquímicos precoces relacionados à demência. No ano passado, a Comissão Lancet sobre Demência — um painel de cientistas independentes — estimou que até 45% dos casos de comprometimento cognitivo associado à idade podem ser prevenidos com a adoção de hábitos saudáveis.  Com o exame de imagem ressonância magnética com espectroscopia (MRS), os cientistas mensuraram a concentração de determinados neuroquímicos em áreas-chave do cérebro: o GABA, que atua como um “sistema de freio”, regulando a atividade neuronal, e as substâncias tNAA e tCho, associadas à saúde e comunicação dos neurônios. As medições ocorreram no córtex sensório-motor, responsável por funções de movimento e sensação, e no córtex pré-frontal, essencial para decisões complexas e planejamento. Movimento “Descobrimos que pontuações mais altas de risco de demência modificável estavam associadas a menores concentrações de GABA em regiões do cérebro ligadas ao movimento e à percepção sensorial”, disse, em nota, Jacob Levenstein, autor principal. Além disso, no córtex pré-frontal, pessoas com risco elevado de demência tinham níveis mais baixos de tNAA e tCho.  “Essas substâncias químicas são detectadas mesmo em cérebros considerados saudáveis, sem prejuízos cognitivos ou comportamentais aparentes”, destacou Levenstein. Segundo o pesquisador, os resultados sugerem que escolhas de estilo de vida pouco saudáveis podem prejudicar a capacidade do cérebro de se autorregular.  Os autores observam, no estudo, que os três marcadores neuroquímicos foram identificados em idosos saudáveis. Isso significa que eles podem desempenhar um papel fundamental na detecção precoce da demência, anos antes de os primeiros sintomas surgirem, oferecendo uma vantagem para a prevenção e a atuação médica. “Esses fatores são modificáveis. Você pode adotar escolhas simples todos os dias que melhoram significativamente sua trajetória cerebral”, reforça a coautora do artigo, Sophie Andrews, que recomenda atividade física, melhorar a qualidade do sono, cuidar da saúde mental e seguir uma dieta estilo mediterrâneo.  Sono “Cuidar do cérebro não exige fórmulas mirabolantes. São atitudes simples, feitas com constância, que constroem uma mente mais forte e resiliente”, concorda a neurocirurgiã Danielle de Lara, de Blumenau (SC). A médica recomenda ao menos sete horas de sono: “Ele é o momento em que o cérebro organiza aprendizados, remove toxinas e se regenera”, explica (veja quadro nesta página).  Com o envelhecimento global, a demência afeta aproximadamente 55 milhões de pessoas, podendo triplicar até 2050. O estudo publicado na revista Cerebral Cortex reforça que os fatores de risco não se manifestam apenas na cognição prejudicada, mas deixam vestígios neuroquímicos anos antes disso.  Os autores observam que o estudo, porém, é transversal — ele identifica associações, não causalidade. Para validar o potencial dos marcadores como sinais precursores, os pesquisadores pretendem acompanhar os participantes ao longo dos anos para observar se quem tem as alterações químicas desenvolverá um quadro clínico de demência. Se confirmada, a descoberta contribuirá para o desenvolvimento de biomarcadores precoces e personalizados, alegam. Conexões fortalecidas  Segundo a neurocirurgiã Danielle de Lara, boas escolhas diárias são a chave para preservar a saúde cerebral e afastar doenças como a demência e o Alzheimer. A médica destaca cinco hábitos que ajudam no bom funcionamento do cérebro.  Sono: “O sono não é um descanso qualquer. Ele é o momento em que o cérebro organiza aprendizados, remove toxinas e se regenera”, diz Danielle de Lara. “Além disso, estudos mostram que dormir menos de sete horas por noite aumenta o risco de declínio cognitivo.” Alimentação: frutas, vegetais, azeite de oliva, castanhas e peixes como salmão e sardinha são aliados da saúde cerebral. “Além disso, alimentos ricos em colina, como ovos e brócolis, foram associados a menor risco de Alzheimer em estudos recentes com idosos”, reforça a neurocirurgiã. Atividade físicas: atividades aeróbicas e de força estimulam a produção de substâncias que fortalecem as conexões entre os neurônios, o que ajuda a proteger e melhorar o humor.  Atividade mental: ler, aprender um idioma, tocar um instrumento ou até sair da rotina estimulam o cérebro a formar novas conexões. “A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reinventar. E ela só se ativa quando saímos do piloto automático”, orienta a médica. Vínculos: “A ciência já mostrou que vínculos sociais fortes reduzem o risco de demência. A solidão e o isolamento afetam diretamente a saúde cerebral. Relações saudáveis são um alimento poderoso para a mente”, lembra a neurocirurgiã. 

O ‘efeito porta’: por que esquecemos o que íamos fazer quando mudamos de cômodo?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/08/2025 Pesquisas revelam que as falhas de memória quando entramos em um novo ambiente não se devem à distância, nem ao tempo decorrido, mas ao simples fato de mudarmos de “cena”. Você chega à cozinha com uma ideia clara na cabeça. Mas, ao cruzar a porta, algo se dilui e você não lembra o que veio fazer. Você fica, então, alguns segundos em frente à geladeira, como se o frio pudesse refrescar a intenção que se perdeu com a mudança de ambiente. A psicologia cognitiva estudou este fenômeno e ele é conhecido como “efeito porta” (doorway effect ou location updating effect, em inglês). Basta atravessar uma porta para que o cérebro interprete que uma função terminou e outra começou. Isso ocorre porque nossa memória semântica (que usamos para recordar conceitos) funciona melhor quando está associada à memória episódica (que empregamos para recordar lugares). E esta última está vinculada a chaves contextuais. Por isso, quando voltamos ao contexto original (sempre dissimulando um pouco, se houver alguém presente), costumamos recuperar as informações perdidas. Essa farsa efêmera bem que poderia ser representada em um teatro, como o simbólico e carnavalesco Grande Teatro Falla de Cádiz, na Espanha, em frente ao qual escrevo estas palavras. Abrem-se as cortinas e surgem pessoas em trajes de mergulho No final da década de 1970, o psicólogo britânico Alan Baddeley, mundialmente conhecido pelos seus estudos da memória, realizou com seus colegas diversos estudos com um elenco curioso. No seu experimento mais conhecido, ele pediu a uma equipe universitária de mergulho que memorizasse listas de palavras em dois ambientes distintos: embaixo d’água e em terra firme. Depois, ele avaliou a capacidade dos participantes de recordar aquelas palavras, tanto no mesmo ambiente de aprendizado quanto no outro. O resultado foi claro. Os que aprenderam e recordaram no mesmo lugar (água-água ou terra-terra) atingiram melhores resultados. E, com o passar do tempo, diversos outros estudos confirmaram que o contexto e o próprio estado de espírito desempenham papel fundamental nas funções da memória. Mudança de cena: surge o esquecimento Em outras palavras, a memória é como uma atriz de teatro, que interpreta especialmente bem seu papel se a decoração, o vestuário e a própria iluminação forem os mesmos dos ensaios. Mas, se ela não tiver estudado bem o roteiro, irá sucumbir a uma mudança de cena que inclua atravessar uma porta. A denominação “efeito porta” foi empregada pela primeira vez em 2011, mas o fenômeno começou a ser estudado em 2006. Nesse primeiro estudo, a equipe de pesquisa solicitou aos participantes que memorizassem objetos presentes em um espaço virtual e se movimentassem em seguida (virtualmente) para outra sala. Eles descobriram que, no exato momento de atravessar a porta, a capacidade de recordar aqueles objetos diminuía significativamente. Diversas pesquisas posteriores reforçaram que se trata de um princípio geral de atualização da memória. Além disso, ficou demonstrado que a queda de rendimento não se devia à distância percorrida, nem à passagem do tempo, mas ao simples fato de mudar de “cena”. Estes resultados sustentam a ideia do “modelo de horizonte de eventos”. Modificando-se o contexto, as informações associadas são segmentadas e se tornam menos acessíveis. E o esquecimento ocorre até mesmo quando simplesmente imaginamos que estamos cruzando uma porta. O ato final que revela a trama Como demonstramos ao longo deste artigo, não é a porta em si que apaga nossa memória, mas a mudança de cenário. O cérebro interpreta que um novo ato está começando e desvincula parcialmente as informações do ato anterior. Nesta linha de pensamento, diversos estudos recentes, utilizando realidade virtual, também confirmaram que o importante é a transição entre os ambientes, não o fato de atravessar a porta. Uma das principais razões desses lapsos parece ser a atividade multitarefa. Quando realizamos várias ações de uma vez, o cérebro divide sua atenção como pode e alguma informação fica nos “camarins”. Nossa capacidade cognitiva é limitada e, quando o contexto se altera, as tarefas que não têm prioridade podem se desvanecer.

Como fortalecer os músculos dos pés pode beneficiar o corpo inteiro

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/08/2025 Quando foi a última vez que você tentou mexer os dedos dos pés? Se estiver com qualquer dificuldade em executar essa tarefa, essa reportagem é para você. Os pés são obras fascinantes de engenharia biomecânica. Dentro de uma estrutura triangular surpreendentemente forte vivem 26 ossos, 33 articulações e mais de 100 músculos, ligamentos e tendões que trabalham juntos para mantê-los firmes, amortecer os passos e impulsionar o corpo para a frente. “Trata-se de uma estrutura pequena, mas muito complexa: diversas partes trabalham em uníssono para que possamos absorver impactos e transmitir forças para todo o corpo“, detalha a podóloga e médica esportiva Josefina Toscano à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. E, apesar da importância dessas estruturas, na maioria das vezes nem pensamos nelas. “A maioria das pessoas está acostumada a se preocupar apenas com os calçados, mas não entende que os pés têm uma função específica”, disse a treinadora de alto desempenho Alicia García. “Quando você explica tudo o que passa pelos pés de alguém, isso muda a vida dela”, complementa ela. A boa notícia é que, com algumas mudanças de hábitos e exercícios simples, os pés podem ganhar mais força e controle rapidamente. Entenda a seguir o que os pés fazem, como eles se conectam ao resto do corpo, o que acontece dentro dessas estruturas, qual o papel dos calçados — e três exercícios práticos para começar a fortalecê-los hoje mesmo. Força nos pés Um pé saudável é rígido e flexível. “Ele é um triângulo que deve ser rígido para a propulsão ao caminhar e, ao mesmo tempo, ser capaz de flexionar para amortecer o impacto”, diz Toscano. Esse movimento ocorre sempre que damos um passo: quando levantamos os dedos dos pés (especialmente o dedão), o arco do pé se eleva no que é conhecido como mecanismo de guincho, ao criar tensão e gerar eficiência para a impulsão. Quando aterrissamos, o arco cede o suficiente para amortecer o impacto. Nessa arquitetura, a fáscia plantar atua como um cordão forte que conecta os três vértices desse triângulo: o dedão, o mindinho e o calcanhar. “A fáscia determina se o pé é elástico, absorve impactos e nos permite manter o equilíbrio”, disse García. Quando essa estrutura perde o tônus ou o arco cede, o sistema começa a distribuir mal as cargas, e as demais articulações precisam compensar. O pé também tem a função de estabilizar. Quanto mais estável for o suporte, melhor será o funcionamento de tudo o que é colocado sobre ele: tornozelos, joelhos, quadris e coluna, lista Toscano. É por isso que um pé com bom amortecimento e a capacidade de se enrijecer quando necessário não só torna o caminhar mais fluido, como também previne dores nas costas. Como se não bastasse, os pés também são um órgão sensorial. “As terminações nervosas dos pés se conectam com o cérebro e fornecem informações para nos posicionarmos. Com os olhos fechados, dependemos exclusivamente desses sinais”, lembra García. Isso é o que se conhece como propriocepção: o sistema que antecipa os ajustes que o corpo precisa fazer para evitar quedas. Em pessoas com problemas de propriocepção, tropeços bobos terminam em tombos graves. Para García, existe um teste simples que pode ser feito para avaliar a saúde dos pés. “Há um exercício que pratico bastante todos os dias: estabilidade em um único apoio.” “Basicamente, você fica sobre um pé, levanta a outra perna, e fica assim por pelo menos 30 segundos ou 1 minuto”, descreve ela. “Se você atualmente não consegue ficar em pé sobre uma perna por 30 segundos ou um minuto, ou isso exige um esforço enorme, então é necessário trabalhar muito mais esses pés”, complementa ela. Os pés são os responsáveis pelo primeiro passo na cadeia cinética do movimento. Para explicar esse papel, Toscano divide os músculos dos pés em dois tipos: os músculos intrínsecos, que se originam e se inserem dentro do pé, e os músculos extrínsecos, que se originam na perna e se estendem para dentro do pé. “Os músculos intrínsecos sustentam o arco plantar; os músculos extrínsecos fornecem grande parte da estabilidade do tornozelo e ajudam a elevar o arco. Eles trabalham em coordenação”, diferencia ele. Isso significa que, quando uma parte do pé não está fazendo sua função, outra deve intervir para substituí-lo. “Se uma estrutura não está funcionando hoje, ela ‘pede’ para a outra fazer sua parte. E essa outra fará o melhor que puder mas, a médio prazo, ocorre uma lesão por uso excessivo”, explica Toscano. Na prática, um pé hiperpronado (que “cai” excessivamente para dentro) empurra o joelho para dentro. Isso gera o que é conhecido como valgo dinâmico, que pode, em última análise, causar dor no joelho ou no quadril. “Vemos muitas patologias de joelhos cuja origem não está no joelho em si, mas na falta de função e de estabilidade do pé”, diz Toscano. Para García, esses tipos de problemas são comuns em muitos dos corredores com quem ela treina: esses atletas têm força da cintura para cima, mas falta trabalhar a musculatura nas extremidades inferiores. “Eu os coloco em um único suporte e eles não conseguem manter o equilíbrio. Aí vêm as torções, as tendinopatias, a condromalácia, a dor lombar… Tudo começa com os pés”, observa ela. E você não precisa sofrer uma lesão para perceber que algo não vai bem. Toscano diz que sinais como falta de equilíbrio, torções frequentes no tornozelo ou sensação de fadiga exagerada nas pernas podem sugerir que os pés não estão tolerando bem as cargas. Para García, há também uma desconexão com o corpo que está relacionada a um elemento cultural. “Não movemos os dedos, nem temos consciência de que eles estão se mexendo. Recuperar essa consciência já muda a maneira como andamos.” Já que os pés são tão importantes, que tipo de calçado devemos usar para manter a saúde deles? Isso depende de cada indivíduo e de quaisquer condições potenciais que possam afetar essa parte do corpo — embora Toscano afirme que há evidências de que calçados

O que a velocidade do andar revela sobre nossa saúde física e mental

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/06/2025 Pode parecer algo banal, mas a velocidade em que você caminha do ponto A para o ponto B pode trazer grandes revelações sobre o funcionamento interno do seu corpo e da sua mente. Pesquisas demonstraram que a velocidade dos nossos passos até as lojas, o parque local ou o ponto de ônibus pode prever sua chance de ser hospitalizado, sofrer um ataque cardíaco ou até morrer. De fato, a velocidade de caminhada de uma pessoa pode ser empregada até para revelar seu nível de envelhecimento cognitivo. A velocidade dos passos é uma forma de avaliar a capacidade funcional de uma pessoa — ou seja, sua capacidade de realizar tarefas diárias pela casa e manter sua independência. É normal que as pessoas caminhem com mais lentidão à medida que envelhecem. Mas um declínio acentuado da velocidade de uma pessoa pode indicar que algo mais sério está acontecendo. “A redução da velocidade normal dos passos de uma pessoa, muitas vezes, está associada à deterioração da sua saúde em geral”, segundo a professora de medicina Christina Dieli-Conwright, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard. Ela estuda os efeitos dos exercícios sobre o prognóstico de câncer. “É possível que aquela pessoa tenha uma condição crônica, que faça com que ela não se movimente muito ou passe a ser sedentária”, explica ela. “Isso significa que, muito provavelmente, ela sofreu redução da força muscular e da mobilidade das juntas, o que, infelizmente, gera outros declínios de saúde.” Técnica simples Para realizar o teste de velocidade ao andar, você precisa apenas de um cronômetro e de uma forma de medir a distância, como uma trena. Existem duas versões do teste. Se você estiver em um espaço aberto, com muito espaço disponível, tente o teste de velocidade andando 10 metros. Primeiramente, meça 5 metros, seguidos por mais 10 metros. Para começar, recomenda-se andar 5 metros para atingir sua velocidade normal, depois andar nesta velocidade por 10 metros. Para calcular sua velocidade, simplesmente divida 10 metros pelo número de segundos que você levou para andar aquela distância. Se você estiver em casa e o espaço for mais limitado, você pode tentar o teste de velocidade ao andar quatro metros. Neste teste, meça um metro, seguido por quatro metros. A ideia é usar o primeiro metro para atingir sua velocidade e cronometrar quanto tempo você leva para andar os quatro metros restantes na sua velocidade habitual. Para calcular sua velocidade, divida quatro metros pelo número de segundos que você levou para andar aquela distância. Existem também muitos aplicativos para celular, que você pode usar para medir sua velocidade ao andar. Eles incluem rastreadores fitness como Walkmeter, MapMyWalk, Strava e Google Fit. Estes aplicativos usam o GPS para acompanhar a distância e o tempo, permitindo que você calcule sua velocidade. Faça sua comparação Para ter uma ideia em comparação com outras pessoas, a velocidade média dos passos de uma pessoa com 40 a 49 anos de idade é de 1,39 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens. Se você tiver 50 a 59 anos, a velocidade média é de 1,31 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens. Entre 60 e 69 anos, a velocidade média ao caminhar cai para 1,24 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens. Para as pessoas entre 70 a 79 anos, a velocidade média é de 1,13 m/s para as mulheres e 1,26 m/s para os homens. E, para pessoas com 80 a 89 anos de idade, a velocidade média dos passos é de cerca de 0,94 m/s para as mulheres e 0,97 m/s para os homens. Estudos demonstraram que a velocidade dos passos é um indicador significativo da expectativa de vida entre os idosos. Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, reuniram os resultados de nove estudos. Somados, eles acompanharam mais de 34 mil adultos moradores de comunidades com 65 anos de idade ou mais, por seis até 21 anos. Nos estudos, a velocidade dos passos apresentou associação significativa com a estimativa de vida. Homens que andavam mais lentamente com 75 anos de idade, por exemplo, tinham 19% de possibilidade de viver por mais 10 anos, em comparação com homens com velocidades mais altas, com 87% de chance de sobrevivência. Uma explicação é que as pessoas que já não estão bem tendem a perder a mobilidade. Mas um estudo realizado na França em 2009 concluiu que, mesmo entre adultos saudáveis com mais de 65 anos, participantes que andavam com baixa velocidade apresentaram cerca de três vezes mais probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares durante o período do estudo, em comparação com os que andavam com mais rapidez. “Andar parece ser algo tão simples que a maioria de nós não pensa sobre isso — nós apenas caminhamos”, afirma a pesquisadora Line Rasmussen, do Departamento de Psicologia e Neurociências da Universidade Duke, no Estado americano da Carolina do Norte. “Mas caminhar, na verdade, depende de muitos sistemas diferentes do corpo trabalhando em conjunto”, explica Rasmussen. “Seus ossos e músculos carregam e movem você, seus olhos ajudam você a olhar para onde está indo, seu coração e os pulmões circulam sangue e oxigênio e o seu cérebro e os nervos coordenam tudo isso.” À medida que envelhecemos, segundo Rasmussen, o funcionamento desses sistemas começa a perder velocidade. E andar mais devagar pode ser um reflexo desse declínio geral e um sinal do avanço do envelhecimento. Este fenômeno não se aplica apenas aos idosos. Em um estudo de 2019, Rasmussen e seus colegas descobriram que, mesmo entre pessoas com 45 anos de idade, a velocidade dos passos de uma pessoa pode prever o envelhecimento do seu cérebro e do corpo. Rasmussen e os demais pesquisadores da Universidade Duke examinaram 904 pessoas com 45 anos de idade, que fizeram parte do Estudo Multidisciplinar sobre Saúde e Desenvolvimento de Dunedin. Trata-se de um projeto de pesquisa longitudinal que acompanhou a vida de mais de mil pessoas nascidas entre 1972 e 1973 na cidade de Dunedin, na Nova Zelândia. Os participantes tiveram suas funções cognitivas e condições de saúde avaliadas regularmente ao longo de toda a vida.

Os melhores alimentos para uma vida saudável e com menos estresse — e os piores para isso

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/06/2025 Você já se sentiu inchado, cansado ou simplesmente indisposto sem nenhum motivo aparente? Pode ser que seu intestino esteja tentando te dizer algo. A saúde intestinal vai muito além da digestão — ela é a base da imunidade, do bem-estar mental e da nossa sensação geral de vitalidade. O microbioma intestinal, composto por trilhões de bactérias e micróbios, prospera com uma alimentação balanceada e rica em nutrientes. No entanto, escolhas alimentares inadequadas podem perturbar esse delicado ecossistema, podendo levar a problemas digestivos, inflamação e doenças crônicas. Julie McDonald, professora do Centro de Biologia de Resistência Bacteriana da Universidade Imperial College London, no Reino Unido, afirma que os desequilíbrios intestinais podem se manifestar de várias maneiras, não apenas por meio de sintomas digestivos. O microbioma intestinal de cada pessoa é tão único quanto a impressão digital. Isso significa que, embora alguns indivíduos tenham sistemas digestivos naturalmente resilientes, outros podem ser mais suscetíveis a distúrbios. A genética, o meio ambiente, a alimentação e até mesmo fatores relacionados ao início da vida — como se a pessoa nasceu de cesárea ou parto normal —, desempenham um papel na formação da saúde intestinal. Esta natureza única do nosso microbioma representa um desafio para os pesquisadores. Embora os cientistas tenham conseguido identificar os principais grupos de bactérias benéficas, a identificação exata dos micróbios responsáveis por problemas de saúde e doenças continua sendo complexa. Você é o que come “As escolhas alimentares têm um profundo efeito na diversidade do microbioma intestinal”, diz o médico Benjamin Mullish, pesquisador clínico da Universidade Imperial College London. “Vimos, em estudos, que mudanças na dieta, como a redução da ingestão de carne ou o aumento de fibras, podem provocar alterações significativas nas bactérias intestinais.” Por exemplo, pesquisas sugerem que a introdução de produtos lácteos fermentados, como iogurte e kefir, pode estimular o crescimento de bactérias benéficas como lactobacillus e bifidobacterium, mesmo sem aumentar a diversidade geral do microbioma. Mas a alimentação não é o único fator determinante. Outras influências importantes sobre a nossa saúde intestinal incluem: Um estudo japonês recente descobriu que comer mais grãos, legumes e verduras pode reduzir o estresse ao estimular bactérias intestinais benéficas. O estudo, realizado com cerca de mil adultos saudáveis, predominantemente do sexo feminino, constatou que uma dieta rica em nutrientes benéficos, como probióticos e alimentos ricos em fibras, pode ajudar a proliferar a bactéria Lachnospira, que é crucial para manter a saúde e a integridade intestinal. Mullish também destaca a conexão entre o intestino e o cérebro: “O nervo vago liga o cérebro ao intestino, e neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, têm origem no intestino.” “Pesquisas recentes sugerem que a saúde intestinal pode influenciar o comportamento, os níveis de estresse e até mesmo o bem-estar mental.” Melhores alimentos para um intestino saudável Os alimentos fermentadoscontêm probióticos — bactérias vivas que podem ajudar a equilibrar o microbioma intestinal. Estudos sugerem que o consumo de alimentos ricos em probióticos pode melhorar a digestão, reduzir o inchaço e auxiliar na imunidade. Os alimentos fermentados mais populares incluem: Dica: comece com pequenas porções, se você não estiver acostumado a comer alimentos fermentados, para evitar desconforto digestivo. A fibra atua como um prebiótico, alimentando as bactérias intestinais benéficas, como as encontradas nos alimentos probióticos, e promovendo a regularidade digestiva. Pesquisas indicam que uma dieta rica em fibras pode reduzir o risco de doenças gastrointestinais e ajudar no controle do peso. Entre os alimentos ricos em fibras, estão: Dica: aumente gradualmente a ingestão de fibras para evitar inchaço ou desconforto. Beba bastante água para ajudar na digestão. Os polifenóis são compostos vegetais com propriedades antioxidantes que aumentam a diversidade do microbioma intestinal e reduzem a inflamação. As fontes de polifenóis incluem: Dica: combinar alimentos ricos em polifenóis com gorduras saudáveis ​​(como de abacate ou nozes) pode melhorar a absorção. O caldo de ossos é rico em colágeno e aminoácidos como a glutamina, que podem ajudar a manter a integridade do revestimento intestinal e reduzir a inflamação. No entanto, são necessárias mais pesquisas para confirmar esses benefícios. Dica: use em sopas ou saboreie sozinho. Piores alimentos para a saúde intestinal Os alimentos ultraprocessados geralmente contêm aditivos artificiais, conservantes e emulsificantes que podem alterar a composição das bactérias intestinais e contribuir para a inflamação. Exemplos comuns incluem: Dica: opte por lanches minimamente processados, como nozes, frutas ou granola caseira. Certos adoçantes artificiais, como o aspartame e a sacarina, foram associados a alterações negativas nas bactérias intestinais e no metabolismo da glicose. Eles são encontrados com frequência em: Dica: escolha alternativas naturais, como estévia ou fruta-do-monge. Uma dieta rica em açúcar promove o crescimento de bactérias intestinais nocivas e inflamação, ao mesmo tempo em que reduz as bactérias benéficas. Os alimentos ricos em açúcar refinado incluem: Dica: sacie a vontade de comer doce com frutas inteiras ou chocolate amargo. Todas as bebidas alcoólicas podem afetar negativamente o intestino, perturbando os padrões de sono, afetando o bem-estar mental e alterando a composição da microbiota intestinal. Embora o vinho tinto seja rico em polifenóis, a nutricionista Kirsten Jackson, especialista em síndrome do intestino irritável, disse à BBC que a ideia de que faz bem à saúde intestinal é enganosa, já que todos os benefícios são neutralizados pelo teor alcoólico do vinho. Dica: beba com moderação, e harmonize com alimentos benéficos ao intestino. Uma dieta rica em carne vermelha e processada tem sido associada a desequilíbrios no microbioma intestinal e ao aumento do risco de câncer colorretal. Considere limitar a ingestão e optar por proteínas magras, como peixes, aves ou alternativas à base de vegetais. Dica: experimente adotar “dias sem comer carne” para ajudar a reduzir gradualmente seu consumo. Pequenas mudanças, grande impacto McDonald enfatiza que aumentar a ingestão de fibras alimentares é uma das maneiras mais simples de melhorar a saúde intestinal. “As fibras nutrem os micróbios benéficos, promovendo a saúde digestiva e a imunidade.” A nutricionista Kirsten Jackson sugere a adoção de uma dieta diversificada, à base de vegetais, com pelo menos 30 gramas de fibra diariamente. Segundo ela, isso deve incluir grãos integrais, nozes, sementes, frutas, legumes e verduras, de modo a nutrir os

Gripe, resfriado, covid-19 ou dengue: entenda diferenças e sintomas

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 06/08/2025 O inverno favorece a incidência de doenças respiratórias, devido às temperaturas baixas e ao tempo seco. Já no verão, as chuvas trazem consigo uma explosão de casos de uma doença já conhecida entre os brasileiros: a dengue. Febre, dores de cabeça e no corpo, cansaço e mal-estar são alguns de seus sintomas, que também costumam ser manifestações relatadas por quem contrai covid-19, gripe ou até mesmo resfriados. Portanto, como diferenciar cada uma dessas doenças? Alguns sinais, como o modo de evolução dos sintomas, podem até dar algumas pistas, mas só um exame de sangue pode confirmar o diagnóstico, advertem especialistas em saúde. Em comum, todas essas doenças são causadas por vírus. No entanto, eles são distintos: a covid-19 é provocada pelo Sars-CoV-2, da família do coronavírus; a gripe, pelo vírus da família influenza; o resfriado, por rinovírus, adenovírus e parainfluenza; e a dengue, por flavivírus. E, no caso da covid-19, gripes e resfriados, há outro elemento unificador: o modo de transmissão é por gotículas de secreções respiratórias de uma pessoa infectada. Já a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Confira abaixo outras diferenças. Dengue Disponíveis nos tocadores de podcast Ouça aqui Fim do Que História! É uma infecção viral transmitida principalmente por meio da picada de um mosquito fêmea infectado por um flavivírus, geralmente o Aedes aegypti (também responsável pela transmissão do vírus chikungunya, febre amarela e Zika). Há quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4), cada um com interações diferentes com os anticorpos humanos. Ou seja, as pessoas têm quatro possibilidades de serem infectadas. Seu sintoma clássico é a febre alta, que aparece abruptamente no começo da infecção. No caso da covid-19, esse sinal não necessariamente é o primeiro e em muitos casos pode nem aparecer. Os sintomas respiratórios, bastante comuns na covid-19, também são raros “na dengue, que não costuma causar sintomas respiratórios como coriza (nariz escorrendo), obstrução nasal (nariz entupido) ou tosse”, explicou a médica infectologista Melissa Falcão, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, em entrevista recente à BBC News Brasil. Covid-19 Em todas as variáveis, a infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2 pode se dar sem ou com sintomas, que vêm alterando bastante a depender da variante ligada à infecção. A covid-19, doença causada por esse vírus, pode se apresentar em três formas: leve, moderada ou grave. O diagnóstico pode ser feito por exame clínico e por testes de laboratório, ou comprados em farmácia, em amostras colhidas no nariz, principalmente. Os sintomas mais comuns (quando se fala da “versão” do vírus logo no início da pandemia, em 2020) eram tosse seca, febre, cansaço e perda de olfato e de paladar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) listava também sintomas menos comuns (dor de cabeça, garganta, diarreia, olhos vermelhos e irritados, e erupções na pele) e sintomas graves (falta de ar, perda de mobilidade e fala, dor no peito e confusão mental). Mas, ao longo do tempo, diversas variantes e subvariantes foram identificadas. A última delas, a variante XFG, foi identificada no Brasil em julho, mas não representa alto risco, segundo documento da Organização Mundial da Saúde (OMS). De maneira geral, os sintomas da covid-19, de acordo com o Ministério da Saúde são tosse, dor de garganta, coriza, perda de olfato, dor abdominal e fadiga. Esses sintomas são os mais comuns, segundo levantamentos e estudos de especialistas ao redor do mundo, mas não quer dizer que sejam os únicos. Há dezenas de sinais associados à doença (como lesões na pele, queda de cabelo, confusão mental e ansiedade), tanto no momento da infecção quanto depois, na condição conhecida como covid longa (que afeta milhões de pacientes ao redor do mundo por semanas, meses ou até anos). O agravamento dos sintomas da covid-19 não costuma ser tão acelerado como é no caso da dengue, mas ainda pode matar. Vale lembrar que na última semana de janeiro de 2022 morriam cerca de 300 pessoas por dia da doença, mais do que a dengue matou no ano inteiro de 2021. Gripe A gripe é causada pelo vírus da influenza, que possui uma extensa família, com centenas de mutações. Esse é o motivo pelo qual a vacina contra a gripe precisa ser atualizada e administrada todos os anos. A gripe pode ter sintomas bem parecidos aos da covid-19, mas seu período de incubação tende a ser mais curto, ou seja, os sintomas surgem rápido (de um dia para o outro, muitas vezes) e a piora no quadro tende a ser aguda. No caso da covid, o período de incubação é mais longo — o organismo pode levar até cinco dias para manifestar os sintomas, o que explica o grande número dos chamados “falsos negativos”, ou seja, pessoas infectadas com o coronavírus, mas que obtêm diagnóstico negativo ao realizarem o teste. Além disso, sem apresentar sintomas, o indivíduo pode acabar infectando outras pessoas. Os sintomas mais comuns da gripe são: tosse (geralmente seca), febre, dor de cabeça, dores no corpo e mal-estar e cansaço. Podem ocorrer dor de garganta, diarreia (especialmente em crianças) e coriza ou congestão nasal (nariz entupido). Perda de paladar e olfato não é uma manifestação comum em casos de infecção pelo vírus influenza, diferentemente da covid-19. Apesar disso, como mencionado anteriormente, esse sintoma já não vem mais sendo mais relatado com frequência em infecções pela variante ômicron, a mais prevalente no Brasil. Resfriado Os resfriados são provocados por outros tipos de vírus: rinovírus, adenovírus e parainfluenza. Diferentemente da gripe, o início dos sintomas tende a ser gradual e eles costumam ser leves. Dor de garganta, coriza e congestão nasal são algumas de suas manifestações mais comuns. Uma tosse leve pode surgir, assim como febre (normalmente baixa), mas esses são sintomas pouco frequentes. Diarreia, dor de cabeça e falta de ar também são raros. Os resfriados costumam melhorar em poucos dias. Com reportagem de Cristiane Martins, de Londres. Esta reportagem foi originalmente publicada em fevereiro de 2022.

Solidão altera funcionamento cerebral e comportamentos

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/08/2025 Em experimento, animais criados isolados demonstraram menor separação entre circuitos neurais, com prejuízo ao processamento de estímulos como olfato, visão e tato. Pesquisadores explicam que mecanismos são semelhantes em humanos. Experiências precoces de isolamento social podem moldar o cérebro negativamente, aumentando o risco de doenças psiquiátricas e mentais no futuro. A conclusão, publicada na revista Nature Communications, é de pesquisadores sul-coreanos, que usaram um modelo animal para estudar como fatores externos moldam a atividade cerebral.  “A forma que o cérebro se organiza é crucial para processarmos adequadamente os estímulos ao nosso redor”, destaca Jung Hee Lee, autora senior do estudo e pesquisadora da Universidade Sungkyunkwan, na Coreia do Sul. “Quando essa organização é comprometida, como no caso do isolamento social, há maior risco de disfunções cognitivas e emocionais.” Isso foi observado em laboratório: camundongos criados isolados demonstraram menor segregação entre redes cerebrais — ou seja, menos distinção entre áreas que deveriam funcionar de forma independente, como as dedicadas ao olfato, à visão ou ao tato.  No experimento, camundongos machos foram divididos em três grupos logo após o desmame: um foi mantido sozinho em gaiolas comuns (modelo de isolamento social), outro permaneceu com os demais em condições padrão, e um terceiro foi alojado com os animais restantes em ambientes enriquecidos. Após sete semanas, os pesquisadores avaliaram a atividade cerebral dos roedores com diferentes técnicas de ressonância magnética funcional (fMRI), que permitem observar como o cérebro responde a estímulos e como suas redes se conectam em repouso. Estímulos Os cientistas submeteram os animais a quatro tipos de estímulo: visual, tátil (pelo toque dos bigodes e das patas), olfativo e multimodal (combinando sentidos). Os camundongos isolados tiveram hiperatividade em áreas como o córtex olfativo, mas menor resposta em regiões visuais e associativas. Além disso, suas redes cerebrais estavam menos segregadas — ou seja, havia mais “ruído” entre sistemas sensoriais que deveriam operar de forma independente. Já os roedores criados em ambientes estimulantes tiveram respostas sensoriais mais refinadas e organizadas, com maior ativação de áreas superiores do córtex visual e somatossensorial. Também mantiveram melhor segregação das redes neurais, característica importante para o processamento eficaz de informações e para a saúde mental. Mecanismos Embora o estudo tenha sido feito em roedores, os autores destacam que os mecanismos básicos de organização cerebral são conservados entre espécies. Estudos anteriores em humanos já haviam mostrado que o isolamento social pode afetar negativamente estruturas cerebrais e funções cognitivas — especialmente quando ocorre durante a infância ou adolescência. “Modelos animais são essenciais para entendermos como fatores ambientais alteram o cérebro. Esses dados sugerem que ambientes sociais e fisicamente enriquecidos podem ter efeitos protetores contra distúrbios do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH, e até mesmo contra transtornos de humor”, diz Seong-Gi Kim, coautor do estudo. “O isolamento social impacta diretamente regiões como o hipocampo (relacionado à memória e ao aprendizado), o córtex pré-frontal (responsável por funções executivas como atenção, tomada de decisão e controle emocional) e a amígdala, que regula respostas emocionais”, enumera Emily Pires, especialista em neurociência e diretora do centro de treinamento BrainEstar, em São Paulo. “A falta de conexão social leva a um estado de estresse crônico que afeta a neuroplasticidade e reduz o volume dessas áreas, comprometendo funções cognitivas importantes.” Segundo a especialista, crianças estão entre os grupos mais vulneráveis à experiência do isolamento. “Crianças e adolescentes merecem atenção, pois estão em fase de desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais fundamentais”, explica. Porém, idosos e pessoas com histórico de depressão, ansiedade ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade também são prejudicados pela falta de contato social. “Essas pessoas tendem a ter redes neurais mais sensíveis ao estresse e à desconexão social, o que agrava quadros já existentes”, diz Emily Pires. Potencial expressivo Os pesquisadores sul-coreanos também testaram o comportamento dos camundongos em situações que medem memória, dor, ansiedade, locomoção e preferência sensorial. Os animais do grupo enriquecido demonstraram maior interesse por estímulos visuais e melhor memória olfativa, enquanto os isolados apresentaram sinais de ansiedade e respostas exageradas a cheiros, mas com prejuízos na memória e menor interesse por estímulos visuais. A análise das conexões cerebrais em repouso revelou outro dado: os camundongos isolados desenvolveram hiperconectividade entre diferentes áreas sensoriais, além de uma menor organização modular do cérebro. Isso significa que suas redes neurais estavam mais misturadas, com menos separação entre os sistemas de percepção — algo que pode comprometer a clareza e a precisão das respostas do organismo aos estímulos do ambiente. Transtornos Essa desorganização funcional, observada por meio de métricas como coeficiente de agrupamento e modularidade, também é encontrada em seres humanos com transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia ou transtornos do espectro autista, segundo estudos prévios. “Mais do que simplesmente detectar se o cérebro responde a um estímulo, queremos entender como as redes cerebrais cooperam ou se separam, e como isso influencia o comportamento e a saúde mental”, explicam os autores, no artigo. Segundo os pesquisadores, o estudo abre caminho para futuras estratégias terapêuticas. “A estimulação sensorial e social pode ser um recurso promissor para intervenções em distúrbios do desenvolvimento neurológico. Nossas descobertas sugerem que, mesmo em cérebros imaturos, há grande plasticidade e potencial de reorganização”, concluem os pesquisadores.

Quais vitaminas são essenciais para a saúde e quais alimentos oferecem a maior variedade?

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/08/2025 O falecido e grande comediante australiano Barry Humphries (famoso por sua personagem Dame Edna) falou certa vez, com humor, sobre os benefícios da couve para a saúde. Segundo ele, bastava um “punhado” para fornecer vitaminas, minerais e oligoelementos essenciais em quantidade suficiente para mantê-lo no banheiro por dois dias inteiros. Ao que parece, o sabor não compensava uma segunda porção. Em um mundo em que os “superalimentos” são comercializados por sua suposta capacidade de fornecer todos os nutrientes que necessitamos, vale a pena se perguntar: quais vitaminas são realmente essenciais? E, além da couve (que eu até gosto bastante), quais outros alimentos nos ajudam a cobrir nossas necessidades diárias? Vitamina A Comecemos pela mais importante: a vitamina A. Também conhecida como retinol, ela está presente em alimentos como ovos, peixes gordurosos e laticínios. Desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde da pele e do sistema imunológico. Mas ela é provavelmente mais conhecida por sua contribuição para a visão. A vitamina A se liga aos pigmentos sensíveis à luz de células dos cones e bastonetes da retina, o que ajuda na visão, especialmente em condições de pouca luminosidade. A deficiência de vitamina A, ainda que pouco comum em países ricos, pode levar a graves problemas de visão, até a cegueira. Outra fonte importante de vitamina A é o betacaroteno, encontrado em frutas e verduras de cores vivas, como cenouras, pimentões, espinafre e abóbora. O corpo converte o betacaroteno em vitamina A, por isso associamos as cenouras à visão no escuro. Vitamina B A vitaminas B é, na verdade, uma família de oito nutrientes diferentes, cada um com seu próprio número e função. A vitamina B1 (tiamina) ajuda o sistema nervoso e favorece a digestão. Pessoas com alcoolismo crônico correm um risco elevado de deficiência dessa vitamina, o que pode levar à síndrome de Wernicke-Korsakoff, um distúrbio neurológico grave que afeta a memória e os movimentos. A B2 (riboflavina) e a B3 (niacina) têm funções similares, enquanto a B9 (folato) e a B12 (cobalamina) são essenciais para a produção de glóbulos vermelhos. A falta de qualquer uma delas pode causar anemia. O folato é especialmente importante no início da gravidez, pois ajuda a prevenir defeitos do tubo neural, como a espinha bífida. Por isso, é recomendado para pessoas grávidas ou que estejam tentando engravidar. As vitaminas do complexo B estão presentes em todo o tipo de alimento, desde legumes e grãos até carnes, peixes e laticínios, uma ampla família de nutrientes encontrada em uma grande variedade de alimentos. Vitamina C A vitamina C (ácido ascórbico) é aquela a que recorremos quando nos sentimos mal, seja por um vírus ou por uma ressaca, e é conhecida como a vitamina da “cura” com razão. Ela ajuda na cicatrização de feridas, na reparação de tecidos e contribui para manutenção dos vasos sanguíneos e ossos. A deficiência de vitamina C provoca o escorbuto, uma doença que antes era comum entre os marinheiros, com sintomas que incluem fadiga, hematomas, depressão e problemas nas gengivas. Felizmente, a vitamina C é encontrada em muitas frutas e vegetais, especialmente nos cítricas. Por isso, os marinheiros britânicos do século 19 recebiam limas como forma de prevenir o escorbuto, o que lhes rendeu o apelido de “limeys”. Vitamina D A vitamina D é essencial para os ossos, os dentes e os músculos. Ela pode ser absorvida por meio da alimentação — principalmente de peixes gordurosos, ovos e carnes —, mas o corpo também a produz na pele graças à luz solar. No verão, a maioria das pessoas obtém vitamina D suficiente ao passar um tempo ao ar livre. Contudo, nos meses de inverno, é necessário inclui-la na alimentação e, em alguns casos, por meio de suplementos. A deficiência é mais comum em áreas com baixa exposição ao sol e pode causar ossos moles e enfraquecidos, além de sintomas como dor óssea, fraturas e deformidades, incluindo a clássica aparência de pernas arqueadas. Nas crianças, essa condição é conhecida como raquitismo; nos adultos, recebe o nome de osteomalácia. Vitamina E Frequentemente esquecida, a vitamina E ajuda a proteger as células, favorece a visão e fortalece o sistema imunológico. Ela é encontrada em oleaginosas, sementes e óleos vegetais, e costuma ser fácil obtê-la em quantidades suficientes por meio de uma alimentação variada. “Vitamina F” Na realidade, não é uma vitamina, a “vitamina F” é apenas um apelido para dois ácidos graxos ômega: o ácido alfa-linolênico (ALA) e o ácido linoleico (LA). Essas gorduras essenciais favorecem o funcionamento do cérebro, reduzem a inflamação e ajudam a manter a pele e as membranas celulares saudáveis. Como tecnicamente não são vitaminas, não vamos nos aprofundar nelas. Vitamina K Não, não pulamos as vitaminas G a J: simplesmente os nomes foram alterados ao passar dos anos. Mas vitamina K é real e fundamental para a coagulação do sangue. As deficiências são mais comuns em crianças e podem causar hematomas e hemorragias difíceis de controlar. Os suplementos são eficazes e geralmente administrados logo depois do nascimento. A maioria dos adultos obtém a quantidade suficiente através de alimentos como verduras de folhas verdes e cereais. O grande “vencedor” Todas essas vitaminas são importantes, e todas são encontradas em uma grande variedade de alimentos do dia a dia. Mas, qual alimento oferece a maior variedade? A couve, o peixe e os ovos ocupam o segundo, terceiro e quarto lugar, respectivamente. Mas o número um é: o fígado. Sim, o fígado. Esse alimento que muitos de nós temiam quando crianças e que costumava ser servido nos refeitórios escolares. Mas que também é rico em vitaminas A, B, D e K. Na verdade, é tão rico em vitamina A que recomenda-se a consumi-lo apenas uma vez por semana para evitar a toxicidade, e não consumi-lo de forma alguma durante a gravidez. *Dan Baumgardt é professor na Escola de Fisiologia, Farmacologia e Neurociência da Universidade de Bristol. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

Café da manhã e hormônio do estresse: tomar café depois das 9h afeta o corpo? O que diz a ciência sobre jejum matinal e cortisol

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 31/07/2025 Estudo com 100 mil pessoas indica que adiar a primeira refeição eleva em 59% o risco de diabetes tipo 2 e pode desregular o ritmo circadiano. Tomar café da manhã depois das 9h pode afetar o equilíbrio hormonal e aumentar o risco de doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2. Estudos mostram que quem toma café da manhã mais cedo tem menor risco de resistência insulínica, obesidade e síndrome metabólica. Além disso, o horário da primeira refeição influencia diretamente os níveis de cortisol — hormônio ligado ao estresse e à regulação da energia — e o funcionamento do relógio biológico. O cortisol é um hormônio que tem um pico nos primeiros 30 a 45 minutos após o despertar e queda gradual ao longo do dia. O pico ajuda a pessoa a se sentir alerta e aumenta ligeiramente a glicose para fornecer energia através da mobilização dos estoques energéticos. Durante um jejum prolongado, os níveis de insulina diminuem e o corpo começa a usar estoques de gordura como fonte de energia. Isso pode melhorar a sensibilidade à ação da insulina e reduzir os níveis de açúcar e gordura no sangue. Mas o horário do jejum importa. Comer muito tarde (café da manhã e/ou jantar) e pular o café da manhã pode desalinhar o relógio biológico e contribuir para distúrbios metabólicos, segundo o médico endocrinologista Fernando Valente. O que é o cortisol e por que ele importa de manhã? Cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, que têm várias funções, como regular o metabolismo, modular os níveis de açúcar no sangue, de pressão arterial e de inflamação, tendo uma influência direta no ciclo sono-vigília. Ele é responsável pelo ânimo, pelo vigor, pelo foco e tem uma função positiva na imunidade. “Embora seja conhecido como o ‘hormônio do estresse’, ele é essencial para manter a nossa energia, foco, imunidade e metabolismo em equilíbrio. Afinal, o ‘estresse’ de forma equilibrada nos promove movimento, ação e nos tira da inércia”, explica a nutricionista clínica e comportamental e terapeuta integrativa Adriana Loyola. O pico matinal do cortisol é saudável e necessário, porque ele nos ajuda a liberar glicose para gerar energia, melhora a concentração, e até influencia positivamente o humor e a motivação. Qual a relação entre jejum prolongado, glicose e saúde metabólica? Valente explica que comer muito tarde (café da manhã e/ou jantar) e pular o café da manhã pode desalinhar o relógio biológico e contribuir para distúrbios metabólicos. O metabolismo humano é mais eficiente pela manhã e comer nas primeiras horas do dia – antes das 9h, principalmente – melhora a regulação da glicose, de insulina e do apetite ao longo do dia, destaca a médica endocrinologista Daniela Fernandes. Valente defende que o ideal é tomar café da manhã cedo (antes de 8 horas). Isso se alinha ao pico de cortisol e, de acordo com alguns estudos, pode reduzir o risco de obesidade, diabetes e doenças metabólicas. Entre 7 e 8 horas o corpo está mais preparado para metabolizar os nutrientes de forma eficiente, segundo o médico. Loyola afirma que mais importante do que comer de 3 em 3 horas ou fazer jejum é a constância do número de refeições do dia, calorias e meta proteica que o indivíduo faz durante o longo prazo. Há risco real de desenvolver doenças por tomar café tarde? Estudos da crononutrição mostram que postergar o café da manhã para depois das 9h da manhã está associado a um aumento do risco de resistência à insulina e alterações na regulação da glicose. Isso acontece porque o corpo é mais sensível à insulina nas primeiras horas do dia, e ignorar essa janela pode desorganizar o ritmo circadiano e gerar estresse metabólico, explica Loyola. Além disso, quem atrasa muito a primeira refeição tende a concentrar a ingestão calórica mais para o final do dia, o que também está ligado ao aumento de peso, inflamação e desregulação hormonal — fatores que favorecem o desenvolvimento do diabetes. “Isso não significa que todo café da manhã tardio será prejudicial. Mas para pessoas com tendência à hipoglicemia, histórico familiar de diabetes ou que já apresentam resistência à insulina, atrasar demais a alimentação pela manhã pode piorar o quadro”, diz Loyola. Valente afirma que tomar o café da manhã tarde pode resultar em desalinhamento do ritmo circadiano, maior risco de obesidade, diabetes, hipertensão, outras doenças metabólicas e até doenças cardiovasculares. Estudos têm mostrado que o jejum intermitente faz a pessoa emagrecer, mas ocorre também uma grande perda de massa magra, o que não é bom para um emagrecimento saudável. O que comer para ajudar a equilibrar hormônios de manhã? Para favorecer o equilíbrio hormonal pela manhã, o ideal é priorizar alimentos que sustentem a energia de forma estável, sem provocar picos de glicose ou estresse metabólico, como: 📋 Carboidratos complexos são encontrados em grãos integrais, legumes e tubérculos (como batatas e mandioca). Além de glicose, são ricos em fibras, vitaminas e minerais, que são importantes para a saúde de forma geral. “Ficar sem carboidratos de manhã não é necessariamente um problema. Pode ser positivo em dietas cetogênicas, mas a ausência total de carboidratos pode resultar, para algumas pessoas, em cansaço e irritabilidade. É importante que o café da manhã tenha fibras, proteínas de alta qualidade e gorduras boas (insaturadas)”, acrescenta Valente. Café da manhã cedo pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2, aponta estudo Um estudo do ISGlobal que acompanhou mais de 100 mil participantes na França durante cerca de sete anos apontou que um café da manhã cedo pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Mas o jejum prolongado só foi associado a um menor risco de diabetes entre os participantes que tomavam café da manhã cedo (antes das 8h) e jantavam cedo. O estudo concluiu que pessoas que tomam café da manhã após as 9h apresentam um risco 59% maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aquelas que tomam café da manhã antes das 8h. Mas mais estudos são necessários para confirmar esses dados. A equipe de pesquisa

Marcadores antecipam diagnósticos de doenças renais frequentes nos diabéticos

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 30/07/2025 A diferença verificada na taxa de filtração glomerular e no fator de diferenciação do crescimento-15 pode ajudar na identificação de pacientes vulneráveis, contribuindo para tratamentos personalizados com mais qualidade de vida. Pessoas com diabetes, em geral, podem desenvolver doença renal com complicações fatais. Pesquisadores do Departamento de Nefrologia da Faculdade de Medicina da Universidade Juntendo, em Tóquio, descobriram que dois marcadores sanguíneos simples são capazes de prever de forma independente quem apresenta risco elevado de declínio da função renal e morte precoce. A diferença estimada na taxa de filtração glomerular e no fator de diferenciação do crescimento-15 são descobertas que ajudam na identificação de pacientes vulneráveis, abrindo chances para tratamentos que retardam a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida. “Atualmente, a TFGe e a albumina urinária, usadas na prática clínica de rotina, não são suficientes para prever com precisão os desfechos renais em indivíduos com diabetes”, afirmou Tomohito Gohda, professor associado do Departamento de Nefrologia da Faculdade de Medicina da Universidade Juntendo, no Japão. “O desenvolvimento de novos biomarcadores que complementam esses marcadores existentes pode permitir a identificação mais precoce e conveniente de pacientes com alto risco de progressão da doença renal e mortalidade.” O estudo publicado no Journal of Cachexia, sob coordenação de Gohda, mostra os dois marcadores sanguíneos identificados. No artigo científico, os pesquisadores mencionam a diferença estimada da taxa de filtração glomerular (TFGeDiff) e os níveis do fator de diferenciação do crescimento-15 (FDG-15), que na forma apresentada podem prever de forma independente a progressão da doença renal e a mortalidade em pessoas com diabetes. As complicações renais no diabetes costumam progredir silenciosamente, colocando os pacientes em risco antes do aparecimento de quaisquer sintomas. Identificar quem está sob ameaça de declínio rápido da função renal ou morte precoce tem sido um desafio para a medicina, que segue utilizando marcadores tradicionais como creatinina sérica e albumina urinária, que nem sempre antecipam eventuais sinais de complicações renais. Experiência A equipe de pesquisa analisou dados de 638 adultos japoneses que vivem com diabetes mellitus. Os participantes foram observados por um período de mais de cinco anos, quando 11,8% apresentaram declínio significativo da função renal e 6,9% morreram de várias causas. Amostras de sangue foram usadas para calcular a eGFRdiff, uma medida que reflete as diferenças entre as estimativas de função renal baseadas em cistatina C e creatinina, e para determinar os níveis séricos de GDF-15, uma proteína cada vez mais reconhecida como um marcador de inflamação e fragilidade. A análise revelou que pacientes com valores mais baixos de eGFRdiff enfrentaram um risco dramaticamente maior de progressão da doença renal crônica (DRC), enquanto aqueles com níveis elevados de GDF-15 apresentaram maior risco de aumento da mortalidade. Especificamente, cada aumento de 10 unidades na eGFRdiff reduziu o risco de progressão da DRC em 33%, enquanto níveis mais altos de GDF-15 foram fortemente associados a um aumento do risco de morte em 235%. “O eGFRdiff pode contribuir para a estratificação precoce do risco de doença renal diabética e auxiliar no desenvolvimento de estratégias de tratamento personalizadas, o que pode levar a uma melhor qualidade de vida para indivíduos com diabetes e à redução dos custos com assistência médica”, ressaltou Gohda. Detalhes A diferença na TFGe, que pode refletir perda de massa muscular e alterações metabólicas, foi mais fortemente associada à progressão da doença renal. Por outro lado, a GDF-15, uma citocina responsiva ao estresse associada à inflamação, previu melhor o risco de mortalidade. Essa distinção sugere que o uso conjunto dos dois marcadores pode aumentar a precisão na identificação de quais pacientes são mais vulneráveis a complicações graves. O diabetes é uma das principais causas de DRC, que pode progredir para doença renal terminal, exigindo diálise — um tratamento com impactos profundos na vida dos pacientes e altos custos para os sistemas de saúde. A detecção precoce do risco renal por meio da eTFGdiff e do GDF-15 pode permitir que os médicos adaptem os tratamentos, retardando ou até mesmo prevenindo a progressão da doença e potencialmente salvando vidas. Ao identificar esses marcadores simples, o estudo oferece alternativa para um tratamento personalizado e proativo aprimorado no diabetes — um avanço crítico, já que as taxas de diabetes e as complicações seguem desafiando o mundo. “Nossos resultados sugerem que a fragilidade e a sarcopenia, causadas por inflamação e anormalidades metabólicas, podem contribuir para a progressão da DRC e mortalidade em indivíduos com diabetes mellitus”, observou Gohda. “A avaliação da eTFGdiff pode aprimorar a identificação de indivíduos de alto risco.” Elber Rocha, médico nefrologista e coordenador do Programa de Transplantes do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) Como avalia esses novos marcadores identificados no estudo? Podem indicar um avanço no tratamento do diabetes? Sem dúvida, os marcadores eGFRdiff e GDF-15 representam um avanço promissor na estratificação de risco de pacientes com diabetes. Tradicionalmente, utilizamos creatinina e albuminúria para avaliar o risco renal, mas esses marcadores nem sempre captam precocemente os indivíduos mais vulneráveis. O estudo liderado pelo Dr. Gohda destaca que a diferença entre as estimativas de TFG por creatinina e cistatina C (eGFRdiff) é capaz de sinalizar risco de progressão da doença renal, enquanto níveis elevados de GDF-15 — um marcador inflamatório e de fragilidade — se associam a maior risco de mortalidade. Ambos, de forma complementar, oferecem aos médicos uma ferramenta simples e acessível para identificar precocemente pacientes com risco aumentado, o que pode orientar intervenções mais precisas. Será que, a partir daí, é possível imaginar uma espécie de “prevenção” às consequências do diabetes na área renal? Sim. A grande promessa desses marcadores é justamente permitir uma abordagem mais preventiva e personalizada. Se conseguimos identificar pacientes com alto risco de perda renal ou morte antes mesmo do surgimento de alterações clássicas nos exames, podemos agir de forma antecipada: intensificando o controle glicêmico, ajustando medicamentos com impacto renal, promovendo mudanças de estilo de vida e, eventualmente, encaminhando mais cedo para o nefrologista. Além disso, esses dados reforçam a importância