Julho Verde e Amarelo: Prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço e às Hepatites Virais

Julho é um mês de dupla conscientização no calendário da saúde, marcado pelas cores verde e amarela. A AAPBB abraça essas importantes campanhas para levar informação e reforçar a importância da prevenção entre nossos associados, aposentados, pensionistas e funcionários da ativa do Banco do Brasil. Entenda o que cada cor representa e como cuidar da sua saúde. Julho Verde: Um Alerta para o Câncer de Cabeça e Pescoço O Julho Verde é dedicado à conscientização e combate ao câncer de cabeça e pescoço, que inclui tumores na boca, laringe, faringe, tireoide e outras áreas. A detecção precoce é a chave para um tratamento bem-sucedido. Julho Amarelo: Combate às Hepatites Virais O Julho Amarelo chama a atenção para as hepatites virais, inflamações no fígado causadas por vírus (Hepatite A, B, C, D e E). As hepatites B e C são as mais preocupantes, pois podem se tornar crônicas e evoluir para cirrose ou câncer de fígado. A AAPBB com Você na Jornada pela Saúde A informação é nossa maior aliada. Neste Julho Verde e Amarelo, a AAPBB incentiva você a cuidar da sua saúde, realizar seus exames de rotina e conversar com seu médico sobre prevenção. Compartilhe essas informações com seus familiares e amigos. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre a orientação de um profissional de saúde. Sua saúde é seu bem mais valioso!
Como lidar com parente com demência: ‘Brigar, reclamar ou insistir só piora as coisas’

Fonte: BBC NEWS Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 21/06/2025 O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que “somos a nossa memória, esse museu imenso de formas inconstantes, esse monte de espelhos quebrados”. Mas, às vezes, como acontece com a demência, essa memória começa a se perder e, em muitos casos, desaparece por completo. Por isso, quando o diagnóstico chega, a dinâmica familiar costuma mudar completamente. As famílias podem ter dúvidas sobre como lidar com a pessoa afetada — que tem dificuldade de reconhecê-las — e qual é a melhor forma de manter sua qualidade de vida. É um período complexo. Ela decidiu reunir toda a sua experiência no livro ¿Qué le pasa a mi madre?, (“O que Está Acontecendo com a Minha Mãe?”, em tradução livre), em que traz, com uma linguagem simples e acolhedora, informações úteis sobre essa doença. A BBC News Mundo — serviço em espanhol da BBC — entrevistou García. Confira alguns trechos da entrevista a seguir. BBC News Mundo – Qual o primeiro conselho você daria a um familiar de uma pessoa com demência? Patricia Gracia García – É um diagnóstico que cai como um balde de água fria, porque você pensa: “Bom, essa é uma doença irreversível e não tem cura.” Mas eu diria que existem tantos tipos de demência quanto de pessoas com demência, e que cada evolução é diferente. Não haverá uma melhora dos sistemas, mas pode haver uma melhora na qualidade de vida, que depende dos cuidados. E, se certos sintomas psiquiátricos forem tratados, eles também podem melhorar. Eu também diria que a informação é poder, e que o melhor é entender o que está acontecendo. Não podemos tentar resolver algo que não tem solução, mas podemos sim enfrentar de uma forma mais saudável, tanto para a pessoa com demência quanto para nós mesmos. Devemos também permitir que elas mantenham a sua autonomia até onde for possível. Em estados avançados, elas não vão conseguir decidir sobre certas coisas, mas podem, por exemplo, escolher o que preferem comer ou o que querem vestir. É preciso ir passo a passo e adaptar o ambiente à pessoa conforme ela passa por cada etapa da doença. BBC News Mundo – Ao que temos que estar atentos? Quais são alguns sintomas prévios ao diagnóstico? García – Além das mudanças cognitivas na memória, podem surgir sintomas psiquiátricos como apatia ou depressão, mudanças na personalidade que tornam a pessoa mais irritável e intolerante à frustração, mais impaciente e sem disposição para ouvir os argumentos dos outros. Mas precisa ser uma mudança de comportamento, algo novo, e que persista ao longo do tempo. É comum também que, movidas pelo medo, as pessoas com histórico de demência na família se preocupem demais com os próprios esquecimentos, mesmo eles sendo normais em alguns casos. BBC News Mundo – Como distinguimos um esquecimento normal de algo que pode indicar uma demência? Patricia García – A chave está em como isso afeta o dia a dia. Com a idade, é normal que a memória ou a velocidade para processar informações diminua, mas isso é compensado com outras habilidades, como sabedoria e experiência. Também temos que pensar que, às vezes, falhas na memória podem acontecer por uma situação de estresse, porque estamos com muita coisa na cabeça. Ter esquecimentos é normal, mas vira um problema quando afeta a nossa capacidade de executar as tarefas do dia a dia. No geral, em casos de demência, quem mais se preocupa é quem está ao redor e não o próprio paciente. Já quando não é demência, é o contrário: a pessoa fica achando que ela tem algum sintoma e isso gera ainda mais nervosismo e ansiedade. Por isso, o mais importante é observar se há algum sinal real de deterioração ou não. BBC News Mundo – Fala-se muito sobre como um diagnóstico de demência afeta os adultos da família, mas e as crianças? Como explicar isso para elas? García – Não temos que esconder nada delas, afinal, a criança vai perceber que tem algo estranho acontecendo. É preciso explicar a elas de uma forma que possam entender, adaptando a linguagem à idade e à capacidade de compreensão, até ao interesse delas, porque algumas vão fazer perguntas. Eu explicaria que uma pessoa tem uma doença no cérebro que faz com que ela se comporte de uma maneira diferente, que para ela as coisas são mais difíceis e ela não se lembra do que fez ou não sabe como dizer o que está sentindo ou precisando. Ou ainda que, às vezes, não consegue reconhecer os lugares onde está e nem as pessoas com quem está conversando. Eu diria também que, apesar de ser uma doença sem cura, nós podemos ajudar quem está passando por isso. Pode ser muito impactante para os familiares, e ainda mais para as crianças, quando, por exemplo, uma pessoa com demência se olha no espelho, acha que está vendo outra pessoa e começa a conversar. Nesse caso, o melhor para as crianças é explicar da forma mais natural que, por causa da doença no cérebro, essa pessoa não reconhece mais a própria imagem. O problema é que, muitas vezes, nem mesmo os adultos compreendem a situação, e por isso é tão importante ter essa informação: para entender, explicar e evitar gerar medo. BBC News Mundo – No livro, você diz que, nesses casos, às vezes não vale a pena insistir na verdade, que ela é relativa. E que o melhor é não discutir. García – É muito comum na demência que a pessoa tenha dificuldade para reconhecer que precisa de ajuda, ou que esteja vendo e ouvindo coisas que não são reais, mas que ela está convencida de que são. Uma estratégia possível é tentar usar alguma pista, como fazer com que ela reconheça uma característica própria — uma pinta, uma cicatriz, um acessório — naquela imagem que vê no espelho, por exemplo. Mas se você perceber que ela não se reconhece e fica inquieta, pode ser melhor cobrir o espelho. Insistir pode não levar a lugar nenhum. Às vezes, a família usa respostas lógicas para explicar as coisas, discute com a pessoa
Ações simples, mas eficientes para viver mais e melhor

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/06/2025 Pesquisa com mais de 70 mil hipertensos constata que o controle de um conjunto de fatores de risco reduz significativamente a mortalidade precoce — menos de 80 anos — por todas as causas, enfatizando a importância de hábitos saudáveis. O controle de oito fatores de risco pode reduzir significativamente — e até eliminar — o risco de morte precoce em pessoas com hipertensão arterial. Segundo um estudo com mais de 70 mil hipertensos, adotar o conjunto de hábitos saudáveis e controlar os indicadores clínicos pode diminuir em até 53% a probabilidade de óbito antes dos 80 anos. A pesquisa, liderada pela Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, foi publicada na revista Precision Clinical Medicine. Os cientistas usaram informações do UK Biobank, o maior banco de dados de saúde do mundo. Ao longo de 14 anos, foram acompanhadas 70 mil pessoas com hipertensão e 224 mil sem o problema. A ideia era entender como gerenciar os fatores de risco afetava a mortalidade precoce dos pacientes. Com base em diretrizes de sociedades médicas bem estabelecidas, os pesquisadores definiram oito fatores de risco no estudo: pressão arterial, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, colesterol LDL (o “ruim”), glicemia, função renal, tabagismo e atividade física. Uma descoberta importante foi a de que pacientes hipertensos que haviam tratado pelo menos quatro dessas variáveis não apresentavam risco de morte precoce maior do que pessoas sem histórico de pressão alta. “Nosso estudo mostra que controlar a pressão arterial não é a única maneira de tratar pacientes hipertensos, pois a pressão pode afetar esses outros fatores”, disse, em nota, o autor correspondente, Lu Qi, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública e Medicina Tropical Celia Scott Weatherhead, da Universidade Tulane. “Ao abordar os fatores de risco individuais, podemos ajudar a prevenir a morte precoce de pessoas com hipertensão.” Definida como pressão arterial acima igual ou acima de 130 mmHg, a hipertensão é o principal fator de risco evitável para morte prematura em todo o mundo. Globalmente, 1,3 bilhão de pessoas têm a condição — um em cada três adultos —, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o problema afeta cerca de 30% da população. Adicional O estudo constatou que abordar cada fator de risco adicional foi associado a um risco 13% menor de morte precoce, sendo 12% menos mortes por câncer e redução de 21% dos óbitos por doença cardiovascular. Essa última é a principal causa de mortalidade prematura em todo o mundo. O controle ideal de risco — ter sete ou mais variáveis monitoradas — foi associado a 40% menos risco de morte precoce, sendo uma redução de 39% de óbito por câncer e 53% por doença cardiovascular. “É importante ressaltar que descobrimos que qualquer risco excessivo de morte precoce relacionado à hipertensão poderia ser totalmente eliminado com o controle desses fatores de risco”, observa Qi. Apenas 7% dos participantes hipertensos tinham sete ou mais fatores de risco monitorados, destacando, segundo os autores, uma grande oportunidade para a prevenção. No Brasil, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que menos de 25% dos pacientes controlam a pressão arterial. Segundo o levantamento da Universidade de Tulane, mulheres e pessoas com mais de 60 anos tendem a monitorar melhor os fatores de risco. Esses grupos também relataram dietas mais saudáveis, maior adesão ao uso de medicamentos e à prática de atividades físicas. Por outro lado, homens mais jovens e não usuários de remédios anti-hipertensivos demonstraram menor grau de controle e maior risco de mortalidade. Os pesquisadores afirmam, também, que os resultados reforçam a importância de um atendimento personalizado e holístico — “não apenas prescrevendo medicamentos para pressão arterial, mas abordando uma gama mais ampla de comportamentos e condições de saúde”. “Não basta controlar a pressão. É preciso olhar o paciente como um todo: peso, colesterol, rim, glicemia, sedentarismo e cigarro. Cada fator importa”, enfatizou Lu Qi. Para Carlos Nascimento, cardiologista da Clínica Metasense, em Brasília, o resultado do estudo norte-americano é uma boa notícia para pessoas dispostas a mudar os hábitos e seguir as recomendações médicas. “Cada fator de risco controlado reduz a morte precoce em até 21% para doenças cardíacas. Quem controlou quatro ou mais fatores, como caminhar 150 minutos por semana ou parar de fumar, teve o mesmo risco de morte que pessoas sem hipertensão”, exemplifica. “Aqui no Brasil, onde 30% dos adultos são hipertensos, isso é um alerta. Ou seja, mexa-se, cuide da sua alimentação, abandone o cigarro, pequenas mudanças podem fazer você viver mais e melhor”, aconselha. Perguntas para Nara Kobbaz, cardiologista e clínica geral Pessoas com hipertensão que conseguiram controlar ao menos quatro desses fatores chegaram a ter risco igual ao de quem nem tinha pressão alta. Isso significa que é possível anular os perigos da hipertensão? Não diria anular, mas controlar e minimizar. Pessoas com hipertensão que conseguiram controlar pelo menos quatro fatores tiveram risco de morte precoce semelhante ao de pessoas sem pressão alta. Isso mostra que a hipertensão não precisa ser uma sentença definitiva, sendo possível neutralizar seus efeitos deletérios. Mas é fundamental entender que isso não significa abandonar o tratamento. Pelo contrário, significa alcançar um cuidado global e estruturado, que vai além do controle da pressão arterial. O que um paciente hipertenso precisa fazer para atingir esse nível de controle? O remédio é uma parte importante do tratamento, mas não resolve tudo. É um aliado importante, mas para atingir um controle eficaz, é muito importante manter uso regular e correto das medicações prescritas, mudar hábitos alimentares (desembrulhar menos, e descascar mais), manter atividade física constante, não fumar (e lembrar que os cigarros eletrônicos são tão nocivos quanto ou até mais que o cigarro convencional), controlar o peso, a glicose e o colesterol periodicamente. Além disso, é essencial que o paciente entenda o porquê de cada recomendação. Como fazer o paciente ter essa compreensão? Isso exige educação continuada e explicação clara por parte da equipe médica. Vivemos numa era de atalhos. É cada vez mais comum o uso desregulado de medicamentos para
Vitamina D pode ser aliada no tratamento do câncer de mama, sugere estudo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/06/2025 Pesquisa brasileira encontra primeiras indicações de que a suplementação desse hormônio pode ajudar a lidar com esse tipo de tumor no futuro. Uma pesquisa realizada no Brasil indica que a suplementação de vitamina D pode, no futuro, reforçar o tratamento contra o câncer de mama. Ao avaliar um grupo de voluntárias diagnosticadas com a doença, os cientistas descobriram que tomar esse hormônio esteve relacionado a uma maior taxa de desaparecimento do tumor (entenda os detalhes ao longo da reportagem). Além de atuar na manutenção da saúde dos ossos e do sistema imunológico, a vitamina D teria o potencial de se ligar diretamente a receptores de células cancerosas e pode impedir a disseminação delas, apontam os especialistas. Os autores do trabalho se mostraram animados com os resultados e entendem que eles podem modificar a forma como essa enfermidade será tratada no futuro. Mas eles mesmos ponderam que são necessários novos estudos, com um número maior de pacientes, para confirmar esses achados iniciais. Como o estudo foi feito A investigação foi conduzida na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no interior de São Paulo. Foram recrutadas 80 mulheres com mais de 45 anos diagnosticadas com câncer de mama. Todas elas fariam o chamado tratamento neoadjuvante, que consiste em passar por sessões de quimioterapia durante seis meses antes de fazer uma cirurgia para a retirada do tumor. “Há um grupo de pacientes que apresenta um câncer de mama grande ou agressivo. Então, antes de remover o tumor com a cirurgia, precisamos começar com algum tipo de medicamento, como a quimioterapia na veia, para diminuir o tamanho dele e posteriormente fazer a operação em condições melhores”, contextualiza o cirurgião oncológico Renato Cagnacci Neto, do Centro de Referência de Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center, na capital paulista. O especialista, que não esteve envolvido com o estudo da Unesp, calcula que a taxa de mulheres com câncer de mama que necessita do tratamento neoadjuvante (químio antes da cirurgia) varia de 20% a 40%, a depender da realidade de cada país. No início do experimento, as voluntárias foram submetidas a exames de sangue para medir o nível de vitamina D que tinham. Na sequência, as pacientes foram divididas em dois grupos. O primeiro passaria a receber, durante o semestre de químio, uma suplementação de vitamina D numa dosagem de 2 mil unidades internacionais (UI). Já segunda turma tomou placebo, uma substância sem nenhum efeito terapêutico. Passados os seis meses, todas fizeram um novo exame de sangue, para ver como os níveis de vitamina D tinham se alterado no período. Os laudos mostraram que o primeiro grupo, que fez a suplementação, estava com uma quantidade maior desse hormônio no organismo. Mas o resultado mais importante veio na sequência: 43% das pacientes que suplementaram a vitamina D apresentaram uma resposta patológica completa (quando avaliações em laboratório dos tecidos removidos durante a cirurgia não encontram mais células tumorais). Já entre aquelas que tomaram apenas placebo, essa taxa ficou em 24%, quase vinte pontos percentuais abaixo. Resultado ‘surpreendente’ A mastologista Michelle Omodei, uma das autoras da pesquisa da Unesp, destaca “o excelente benefício que os resultados podem trazer no tratamento das mulheres com câncer de mama”. “O resultado é maravilhoso e surpreendente”, diz a especialista, que acaba de concluir um doutorado na universidade. Mas como a vitamina D pode atuar contra as células cancerosas? “Esse hormônio parece ter uma ação no microambiente tumoral. As células malignas têm um receptor específico onde a vitamina D se encaixa e pode regular a transcrição de genes específicos”, responde Omodei. “É possível que ela diminua, nesse ambiente tumoral, a inflamação, a invasão e a proliferação das células cancerosas”, especula a médica. A pesquisa brasileira é uma das primeiras a avaliar o papel da vitamina D como uma possível terapia contra os tumores mamários. Investigações anteriores, como um estudo feito na Turquia, até avaliavam essa possibilidade, mas apostavam em doses altíssimas da suplementação desse hormônio, que chegavam até a 50 mil UI por dia. Ao prescrever apenas 2 mil UI diários, o trabalho brasileiro buscou um balanço entre um efeito terapêutico sem aumento no risco de toxicidade, defendem os autores. “E ficamos muito esperançosos, porque a vitamina D é uma medicação de baixo custo, o que pode facilitar o acesso”, avalia Omodei. Ponderações e próximos passos Embora os resultados tenham sido comemorados e bem recebidos, isso não significa que a vitamina D já entre automaticamente no rol de opções terapêuticas contra o câncer de mama. Ela também não substitui outras terapias já consagradas, como a quimioterapia ou a cirurgia. E é importante que pacientes diagnosticadas com esse tumor sigam as recomendações médicas e sempre conversem com o profissional de saúde antes de incluir ou retirar qualquer suplemento ou remédio da rotina. “Até porque a vitamina D pode ser potencialmente tóxica se tomada em grandes quantidades”, alerta Cagnacci Neto. “Essa suplementação não é algo para a paciente fazer sozinha, sem nenhum acompanhamento”, sugere ele. O cirurgião oncológico reforça que “o uso da vitamina D no tratamento do câncer ainda é um tema bem controverso”. “Em linhas gerais, os resultados que temos são confusos. Há estudos que encontraram um papel positivo da suplementação, e outros que observaram o oposto”, complementa médico. Ele também lembra que a ciência é o campo das verdades transitórias. “Os dados que temos até hoje não são tão legais assim. Mas, às vezes, surgem evidências que apontam no caminho contrário. É o caso dessa pesquisa da Unesp, que foi muito bem feita”, elogia ele. Os responsáveis pelo estudo também entendem que o número de voluntárias precisa ser ampliado em futuros testes, para que os resultados sejam mais sólidos. Eles, inclusive, já planejam os próximos passos da pesquisa, que envolvem justamente ampliar o número de participantes e de centros de pesquisa numa rodada de testes clínicos mais robustos. “Os resultados são muito promissores, mas ainda precisamos de mais estudos”, admite Omodei. O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não
O que é a ‘caminhada japonesa’ – e ela realmente traz benefícios à saúde?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 11/06/2025 Uma tendência fitness conhecida como caminhada japonesa está chamando a atenção online, prometendo grandes benefícios à saúde com o mínimo de equipamento e tempo. Baseada em explosões intervaladas de marcha rápida e lenta, a caminhada japonesa foi desenvolvida por Hiroshi Nose e Shizue Masuki, professores na Universidade Shinshu em Matsumoto, no Japão. Ela consiste em alternar entre três minutos de caminhada em uma intensidade mais alta, e três minutos em uma intensidade mais baixa, repetindo essa sequência por pelo menos 30 minutos, quatro vezes por semana. A caminhada de intensidade mais alta deve ser feita em um nível que seja “um pouco difícil”. Neste nível, ainda é possível falar, mas manter uma conversa até o fim seria mais difícil. A caminhada de menor intensidade deve ser feita em um nível “leve”. Neste nível, o ato de conversar deve ser confortável, embora um pouco mais trabalhoso do que uma conversa sem esforço. A caminhada japonesa tem sido comparada ao treinamento intervalado de alta intensidade (Hiit), e tem sido chamada de “caminhada de alta intensidade”, embora seja menos desgastante do que o Hiit autêntico, e seja realizada em intensidades mais baixas. Também é fácil de executar e requer apenas um cronômetro e espaço para caminhar. Ela exige pouco planejamento e consome menos tempo do que outras metas de caminhada, como dar 10 mil passos por dia. Isso a torna adequada para a maioria das pessoas. O que as evidências mostram? A caminhada japonesa oferece benefícios significativos à saúde. Um estudo de 2007 realizado no Japão comparou este método com a caminhada contínua de baixa intensidade, com a meta de alcançar 8 mil passos por dia. Os participantes que seguiram a abordagem da caminhada japonesa apresentaram reduções notáveis no peso corporal. A pressão arterial deles também caiu — mais do que entre aqueles que seguiram a rotina de caminhada contínua de baixa intensidade. A força das pernas e o condicionamento físico também foram medidos neste estudo. Ambos apresentaram melhora significativamente maior nos participantes que seguiram o programa de caminhada japonesa, em comparação com aqueles que realizaram caminhada contínua de intensidade moderada. Um estudo de longo prazo também mostrou que a caminhada japonesa protege contra as reduções de força e condicionamento físico que ocorrem com o envelhecimento. Essas melhorias na saúde também sugerem que a caminhada japonesa pode ajudar as pessoas a viver mais, embora isso ainda não tenha sido estudado diretamente. Há alguns aspectos a serem levados em consideração em relação a esta nova tendência de caminhada. No estudo de 2007, cerca de 22% das pessoas não concluíram o programa de caminhada japonesa. No programa de menor intensidade, com meta de 8 mil passos por dia, aproximadamente 17% não concluíram. Isso significa que a caminhada japonesa pode não ser adequada para todos, e pode não ser mais fácil ou mais atraente do que as metas simples baseadas em passos. Também foi demonstrado que atingir um determinado número de passos por dia ajuda as pessoas a viverem mais. Para pessoas com 60 anos ou mais, a meta deve ser de cerca de 6 mil a 8 mil passos por dia, e de 8 mil a 10 mil para indivíduos com menos de 60 anos. Evidências semelhantes não parecem existir para a caminhada japonesa… ainda. Então, será que essa tendência de caminhar é realmente a solução definitiva? Ou será que importa menos o exercício que você faz, e mais a frequência e a intensidade com que você pratica? É provável que a resposta seja a segunda opção. As pesquisas nos dizem que as pessoas que realizam regularmente mais sessões de atividade física moderada a vigorosa vivem mais, independentemente da duração de cada sessão. Isso significa que devemos nos concentrar em garantir a prática regular de atividade física moderada a vigorosa — e torná-la habitual. Se esta atividade for a caminhada japonesa, então é uma escolha que vale a pena. * Sean Pymer é fisiologista acadêmico clínico de exercícios na Universidade de Hull, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).
Exercício físico pode aumentar chance de sobrevivência de pacientes com câncer, indica pesquisa

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/06/2025 Um programa de exercícios voltado a pacientes com câncer colorretal pode reduzir o risco de morte em um terço, revela um importante estudo internacional. Os pesquisadores disseram que “não se trata de uma grande quantidade” de exercícios e que qualquer tipo de atividade física, desde natação até aulas de salsa, já conta pontos positivos. Os resultados podem mudar a forma como esse tipo de tumor é tratado em todo o mundo, avaliam especialistas. Cientistas já investigam se programas de exercícios também poderiam melhorar a sobrevida de pessoas com outras doenças, como o câncer de mama. No estudo, o programa de exercícios começou logo após a quimioterapia e os pacientes foram acompanhados por anos. O objetivo era fazer com que as pessoas praticassem pelo menos o dobro da quantidade de exercícios estabelecida nas diretrizes para a população em geral. Isso significa de três a quatro sessões de caminhada rápida por semana, com duração de 45 a 60 minutos, estima a professora Coyle. Os participantes também tiveram acesso sessões semanais de treinamento presencial durante os primeiros seis meses. Posteriormente, esses encontros foram reduzidos a uma vez por mês. O estudo, que envolveu 889 pacientes, incluiu metade dos voluntários no programa de exercícios. A outra parcela apenas recebeu folhetos que traziam informações sobre um estilo de vida saudável. Os resultados publicados no periódico acadêmico New England Journal of Medicine revelaram que em cinco anos: Enquanto isso, oito anos após o início do tratamento contra o câncer: Como exercícios físicos ajudam a combater o câncer? Não se sabe exatamente por que o exercício tem esse efeito benéfico, mas especialistas suspeitam que ele pode influenciar em fatores como a produção de hormônios do crescimento (que podem acelerar a multiplicação das células tumorais), nos níveis de inflamação e no funcionamento do sistema imunológico — que patrulha todo o corpo em busca de células doentes. O pesquisador Joe Henson, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, classifica os resultados como “empolgantes”. “Vi em primeira mão como os treinos reduziram a fadiga, melhoraram o humor e aumentaram a força física das pessoas”, conta ele. “Sabemos que a atividade física regula diversos processos biológicos importantes que podem explicar esses resultados, e pesquisas futuras nos ajudarão a descobrir por que o exercício tem um impacto tão positivo”, conclui ele. O câncer colorretal é o quarto tipo de câncer mais comum no Brasil (atrás dos tumores de pele não melanoma, de mama e de próstata), com cerca de 45,6 mil pessoas diagnosticadas com a doença a cada ano. A enfermeira Caroline Geraghty, da Cancer Research UK, uma associação britânica que fomenta pesquisas em oncologia no Reino Unido, entende que o estudo “tem o potencial de transformar a prática clínica”. “Mas isso apenas acontecerá se os serviços de saúde tiverem o financiamento e a equipe necessários para tornar isso uma realidade para todos os pacientes”, conclui ela.
As quatro dicas de ouro de Harvard para diminuir consumo de açúcar

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/06/2025 Com pequenas mudanças na rotina, é possível diminuir o consumo de açúcar, melhorar a saúde física e mental e evitar doenças crônicas. Um docinho de vez em quando não faz mal, mas o excesso de açúcar na alimentação pode trazer consequências sérias para a saúde. Estudos científicos feitos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, apontam que o consumo elevado de açúcar está ligado ao aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares, acne e até alguns tipos de câncer. Além disso, o impacto vai além do físico: o açúcar também pode afetar negativamente a saúde mental, contribuindo para sintomas de depressão, oscilações de humor e queda nos níveis de energia. A boa notícia é que adotar hábitos saudáveis pode fazer uma grande diferença. De acordo com especialistas da Harvard Health, pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir o consumo de açúcar de forma natural e sem sacrifícios extremos. Confira: 1. Comece o dia com um bom café da manhã Pular o café da manhã pode parecer inofensivo, mas pode aumentar a vontade de consumir doces ao longo do dia. “Comece o dia com uma refeição nutritiva e substancial para evitar desejos. Aveia cortada em aço, ovos e frutas são boas opções para o café da manhã”, orienta a publicação da Harvard. A primeira refeição do dia não precisa ser grande, mas deve incluir alimentos saudáveis e energéticos. Isso contribui para um melhor controle do apetite e favorece escolhas alimentares mais conscientes. 2. Afaste as tentações Ter doces e alimentos industrializados em casa não é um problema — o desafio está em como organizá-los. Uma dica valiosa é manter guloseimas fora do alcance dos olhos e colocar frutas, castanhas e outros lanches saudáveis em locais visíveis e de fácil acesso. Segundo os especialistas, com o tempo o paladar se adapta e a vontade por doces diminui naturalmente. 3. Dê preferência aos alimentos integrais e não processados Priorizar alimentos naturais e minimamente processados também é uma estratégia eficaz. Eles tendem a ser mais nutritivos e menos calóricos, além de não conterem açúcares adicionados. “Consumir mais desses alimentos pode substituir as fontes processadas de açúcares adicionados na dieta”, afirma a Harvard Health. Começar as refeições com vegetais, proteínas e carboidratos saudáveis também é uma boa prática, pois ajuda a reduzir a ingestão de doces ou sobremesas. 4. Leia os rótulos com atenção Nem sempre o açúcar está onde se espera. Molhos para salada, temperos prontos, pães e até iogurtes considerados “fitness” podem conter grandes quantidades de açúcar escondido. Por isso, ler os rótulos dos alimentos é um passo importante. A recomendação é observar a lista de ingredientes e preferir produtos com menos aditivos e nomes complicados — geralmente, quanto mais natural, melhor. Atenção redobrada com bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos de caixinha, considerados uma das piores formas de consumo de açúcar por sua rápida absorção e pouco valor nutricional. Menos é mais Reduzir o açúcar não significa eliminá-lo completamente da vida. O equilíbrio é o mais importante. Com mudanças simples e conscientes no dia a dia, é possível manter uma alimentação mais saudável, com mais disposição e menos riscos para a saúde. Afinal, cuidar do que se coloca no prato também é uma forma de autocuidado.
Caminhar diariamente previne 13 tipos de câncer, diz estudo de Oxford

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/06/2025 O estudo revelou que caminhar 7 mil passos por dia pode reduzir em até 16% o risco de desenvolver 13 tipos de câncer. A intensidade não é o fator principal, mas sim a quantidade de passos. Um estudo conduzido pela Universidade de Oxford revelou que a caminhada diária pode reduzir significativamente o risco de desenvolver 13 tipos diferentes de câncer. A pesquisa acompanhou mais de 85 mil adultos no Reino Unido durante seis anos, com resultados animadores. Os participantes que caminharam 7 mil passos por dia apresentaram uma redução de 11% no risco de câncer, em comparação com aqueles que caminharam 5 mil passos. Aqueles que alcançaram 9 mil passos diários tiveram uma redução ainda maior, de 16%. Um ponto crucial que o estudo destaca é que o ritmo da caminhada não influenciou significativamente na redução do risco de câncer. Ou seja, a intensidade (velocidade) não é o fator mais importante, mas sim o número total de passos dados a cada dia. Isso demonstra que o essencial é se movimentar. Trocar o tempo sentado por atividades leves ou moderadas também se mostrou benéfico na redução do risco de câncer. No entanto, substituir atividades leves por moderadas não ofereceu benefícios adicionais. O estudo analisou especificamente 13 tipos de câncer: esôfago, fígado, pulmão, rim, gástrico, endometrial, leucemia mieloide, mieloma, cólon, cabeça e pescoço, reto, bexiga e mama. Durante o período da pesquisa, 3% dos participantes desenvolveram um desses tipos de câncer. Os mais comuns foram: Níveis mais elevados de atividade física foram mais fortemente associados à redução do risco de seis tipos de câncer: gástrico, de bexiga, de fígado, de endométrio, de pulmão e de cabeça e pescoço. Essa pesquisa mostra que o benefício vai além da saúde geral ou do emagrecimento, sendo uma importante estratégia na prevenção do câncer. As descobertas apoiam as diretrizes de saúde pública que defendem o aumento da atividade física e destacam a caminhada como uma forma acessível de exercício que contribui significativamente para a redução do risco de câncer.
Como saber se sua dor de cabeça é, na verdade, enxaqueca crônica

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/09/2017 Você acha que é normal ter dores de cabeça muito fortes de vez em quando. A dor é tanta que fica difícil abrir os olhos, se mover, conversar com as pessoas e se concentrar. Quando você está estressado – e no caso das mulheres, no período menstrual – essas “super dores de cabeça” costumam acontecer mais. Mas geralmente, basta tomar um analgésico ou um cafezinho, e ela melhora. Não há com o que se preocupar, certo? Errado. “Não é normal ter enxaqueca, mas a maioria das pessoas não sabe que sofre desse problema”, disse à BBC Brasil o neurologista sul-africano Andrew Blumenfeld, um dos maiores especialistas do tema no mundo, e diretor do Headache Center, na Califórnia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca é a sexta doença mais incapacitante no mundo. A definição da OMS é baseada no conceito geral de enxaqueca, mas ela pode ser episódica (que acontece só de vez em quando) e crônica (que ocorre com frequência). Segundo Blumenfeld, as pessoas que já tem enxaqueca episódica são fortes candidatas a virar “enxaquecosos crônicos”, mas nem os médicos têm conseguido alertá-los para a situação. “Os dados mostram que 80% dos pacientes que têm casos crônicos não são diagnosticados porque os médicos não conhecem bem os critérios de diagnóstico, eles só foram definidos nos últimos anos”, diz. Por causa disso, a maior parte das pessoas acaba fazendo tratamento apenas nos momentos de dor, com remédios ou cafeína – o que, em excesso, pode até piorar a condição. Tenho ou não tenho? Há mais de cem tipos de dores de cabeça e todas elas são, de acordo com o neurologista, sintomas de algo que está acontecendo no corpo. Mas a enxaqueca é considerada uma síndrome, que inclui a dor de cabeça, mas tem outras características específicas. A enxaqueca precisa obedecer a pelo menos dois destes quatro critérios: – Dor em um só lado da cabeça (qualquer lado); – Dor que lateja; – Dor que piora com os movimentos; – Dor que é está entre moderada e severa – ou entre 5 e 10 numa escala em que 10 é insuportável. “Nesta escala, 6 a 7 provavelmente significa que você não quer que as pessoas falem com você e não consegue trabalhar bem. Com 8, 9 ou 10 você provavelmente estará na cama vomitando”, explica Blumenfeld. Além de dois dos critérios acima, também é preciso ter ao menos uma destas duas condições: – Náusea; – Sensibilidade à luz ou ao barulho. Em alguns casos, os médicos também notam a ocorrência da aura – um fenômeno que começa como um ponto cego pequeno na sua visão, que se expande lentamente, durante 20 a 30 minutos. “Também é comum que apareçam linhas em zique-zague ou um pouco de mudanças de brilho dentro desse ponto. Isso será visto em um lado só, mas por ambos os olhos. E se você fechar os olhos, ainda vai ver, porque é um efeito do cérebro, não é um problema com os olhos. Ele quer dizer que a parte do cérebro que interpreta o que você vê está desligando”, diz. Crônica Se você já percebeu que tem enxaqueca, mas descartou a possibilidade de que ela seja crônica porque só sofre de vez em quando, pense novamente. A enxaqueca crônica corresponde a pelo menos 10% dos casos, afirma Blumenfeld. E, para caracterizá-la, não é preciso ter enxaquecas fortes sempre, nem todos os dias, nem há muito tempo. “A principal diferença está no número de dias em que a pessoa convive com a dor de cabeça em um mês”, afirma Blumenfeld. Um “diário de dores de cabeça” pode ser útil para saber se ela ainda é episódica ou pode ser crônica. Caso uma pessoa sinta dor de cabeça em 15 ou mais dias do mês, 8 desses dias sejam de enxaqueca, e isso tenha acontecido pelo menos em três meses do ano, ela é uma forte candidata à enxaqueca crônica. Mas o que significa exatamente ser um “enxaquecoso”? “É como se o cérebro do enxaquecoso não tolerasse muitas mudanças. Então dormir uma hora a menos, comer fora de hora, levar uma fechada no trânsito podem ser gatilhos para a dor. Ele não suporta essas flutuações”, explica o neurologista brasileiro Marcelo Ciciarelli, professor da USP-Ribeirão Preto e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia, à BBC Brasil. Este cérebro mais sensível tem menos capacidade de inibir a hiperexcitação que ativa as terminações nervosas que transmitem a sensação de dor para o sistema nervoso central. Por isso é que até um toque de telefone insistente, um pequeno aborrecimento com alguém ou uma casa muito bagunçada podem ser motivo de enxaqueca. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, 18% da população brasileira sofre com a enxaqueca. E de acordo com dados do Ministério da Saúde, ela atinge cerca de 5 a 25% das mulheres e 2 a 10% dos homens – principalmente as pessoas que estão entre 25 e 45 anos. Stress e hormônios Além desta hipersensibilidade, os cientistas também acreditam que a genética pode ter influência nas enxaquecas, assim como fatores externos. Nenhum deles, no entanto, é considerado o único responsável. “O maior gatilho da enxaqueca, de longe, é o stress”, diz Blumenfeld. Mas o segundo gatilho mais forte atinge especialmente as mulheres – e é o que as torna mais vulneráveis. “A queda dos níveis de estrogênio durante a menstruação ou a menopausa faz com que a frequência de dores de cabeça aumente. Mas se a mulher não tiver essa predisposição genética para a enxaqueca, isso não acontece.” Os neurologistas, no entanto, ainda tentam entender exatamente a conexão da enxaqueca com doenças como depressão, ansiedade, insônia e até obesidade. “Os dados nos mostram que elas estão ligadas, provavelmente pela genética”, afirma o sul-africano. “Entre os pacientes de enxaqueca crônica, ao menos 40% deles têm depressão e 30% têm ansiedade.” Outro mistério ainda por desvendar é que tipo de mudanças a enxaqueca pode causar no cérebro. Os pesquisadores já observam, em exames de
Comer cereais no café da manhã realmente faz bem à saúde?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 26/05/2025 Costumamos ouvir com frequência que o café da manhã é a refeição mais importante do dia. E que, se escolhermos bem os alimentos, uma refeição matinal nutritiva pode ajudar a manter nossa energia e concentração para qualquer desafio que vier à nossa frente. Ainda assim, a decisão sobre o que comer no café da manhã – ou o que oferecer aos nossos filhos, quando for o caso – às vezes pode parecer avassaladora. Se você preferir os cereais matinais (como fazem 53% da população americana, todas as semanas), você tem muitas opções à sua escolha. Pode ser mingau de aveia, granola, muesli, farelo, flocos de milho ou de arroz. As opções são infinitas, cada uma com uma caixa colorida que promete fornecer uma refeição saudável e nutritiva. Mas, embora os cereais matinais sejam tradicionalmente observados desta forma, cientistas alertam que eles são lanches ultraprocessados e, por isso, não são bons para a nossa alimentação. Então, qual é a verdade? E qual tipo de cereais deveríamos estar (ou não) comendo? Vamos começar por alguns fatos. Os cereais são gramíneas da família Poaceae, cultivadas para obter seus grãos ou sementes comestíveis. Os cereais usados na alimentação incluem trigo, arroz, aveia, cevada e milho. Todos eles possuem três componentes comestíveis principais. Existe a camada externa, ou pericarpo, que é um dos componentes do farelo. Ele é rico em fibras, vitaminas do complexo B e traços de minerais. Depois, vem o endosperma, rico em amido e proteínas, para sustentar o embrião da planta em desenvolvimento. Por fim, o gérmen contém o embrião e é rico em óleo, vitaminas e minerais. Uma das primeiras pessoas a ter a ideia de transformar os grãos em cereais matinais foi o médico americano John Harvey Kellogg (1852-1943). Na época, ele era superintendente do Sanatório de Battle Creek, uma espécie de híbrido entre um hospital e um resort de saúde. Para melhorar a alimentação dos pacientes, Kellogg desenvolveu, patenteou e apresentou uma série de novos alimentos, como a granola e os flocos de milho. Com o passar dos anos, eles passaram a ser tão onipresentes que, agora, existem dezenas de versões genéricas no mercado. A produção de cereais matinais, atualmente, é uma atividade industrial. Depois da colheita dos grãos, os cereais matinais passam por diversas etapas de processamento até serem embalados e transportados para as prateleiras dos supermercados. Alguns cereais, como os flocos de farelo, são produzidos com os grãos inteiros. Em outros, como certos tipos de flocos de milho, os grãos são picados entre grandes rolos metálicos para retirar a camada externa, na forma de farelo. Alguns cereais passam por outras etapas de processamento, para moer os grãos e transformá-los em farinha. O produto resultante é misturado com aromatizantes, sal, adoçantes e outros ingredientes, como vitaminas e minerais. Eles são, então, cozidos e moldados em flocos, argolas ou outras formas. Por fim, o cereal é assado ou torrado, para gerar sua textura crocante. Como os cereais são fortificados com vitaminas e minerais, eles são considerados, há muito tempo, uma forma eficaz de garantir que as pessoas recebam os nutrientes de que elas precisam. Isso é especialmente útil para indivíduos com dietas restritas, que podem ter dificuldade para obter as vitaminas necessárias por meio da alimentação. As dietas vegetarianas e veganas, por exemplo, costumam conter baixo teor de vitamina B12. Já uma pessoa com intolerância à lactose pode evitar o consumo de leite e, com isso, não ingerir cálcio e vitamina D em quantidade suficiente. À medida que envelhecemos, também absorvemos certos nutrientes com menos eficiência, o que pode aumentar o risco de desnutrição. Da mesma forma, crianças e mulheres grávidas também enfrentam maior risco de deficiências nutricionais. Pesquisas confirmam que o consumo de cereais matinais fortificados pode trazer benefícios. Estudos demonstraram, por exemplo, que muitas pessoas em todo o mundo apresentam deficiência de nutrientes importantes. Paralelamente, um estudo realizado nos Estados Unidos concluiu que, sem a fortificação dos alimentos, grande parcela das crianças e adolescentes não conseguiria ingerir micronutrientes em quantidade suficiente, o que causa riscos de problemas de saúde a longo prazo. Muitos cereais matinais também contêm alto teor de fibras, um nutriente que alimenta as bactérias “boas” dos nossos intestinos. E 90% das pessoas não consomem este nutriente em quantidade suficiente. “De forma geral, os cereais fortificados podem fazer contribuição útil para algumas das vitaminas e minerais de que, no Reino Unido, alguns de nós temos deficiência”, afirma a professora de nutrição Sarah Berry, do King’s College de Londres. Berry destaca, por exemplo, que, no Reino Unido, quase 50% das meninas com 11 a 18 anos de idade apresentam baixa ingestão de ferro. E, nos Estados Unidos, 14% dos adultos ingerem este nutriente em quantidades inadequadas. “Mas é preciso equilibrar isso com o fato de que existem muitos cereais com alto teor de açúcar, baixo teor de fibras e alto índice glicêmico, o que significa que eles não irão manter você alimentado por muito tempo”, explica Berry. Existem também outras formas de obter essas vitaminas e minerais que podem ser melhores para a nossa alimentação, como frutas, sementes, legumes e verduras, destaca a professora. Quais são as opções? Alguns cereais matinais contêm alto teor de fibra, vitaminas e minerais. Mas muitos deles também têm alto teor de açúcar, sal e gorduras não saudáveis. A Fundação Britânica do Coração é uma entidade que financia pesquisas cardiovasculares no Reino Unido. Ela indica que uma porção de 30 g de flocos de milho cobertos com açúcar, por exemplo, contém cerca de 11 g de açúcar, ou 12% da ingestão total recomendada máxima do produto no país. Nos Estados Unidos, não existe um limite recomendado para o total de açúcares, mas a ingestão diária de referência é de 50 g por dia, com base em uma dieta de 2 mil calorias. Comparativamente, uma porção de 45 g de granola com frutas secas, nozes e sementes contém 9,6 g de açúcar (10,7% da ingestão recomendada total). A ingestão de uma quantidade tão grande de açúcar de uma vez pode gerar grandes picos de açúcar no sangue. Estes picos, ao longo do tempo, podem aumentar o risco de desenvolver diabetes, doenças cardíacas e outras condições de saúde. As pessoas que sofrem picos e quedas bruscas de açúcar no sangue também apresentam inclinação a sentir fome mais cedo, o que

