Gripe, resfriado, covid-19 ou dengue: entenda diferenças e sintomas

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 06/08/2025 O inverno favorece a incidência de doenças respiratórias, devido às temperaturas baixas e ao tempo seco. Já no verão, as chuvas trazem consigo uma explosão de casos de uma doença já conhecida entre os brasileiros: a dengue. Febre, dores de cabeça e no corpo, cansaço e mal-estar são alguns de seus sintomas, que também costumam ser manifestações relatadas por quem contrai covid-19, gripe ou até mesmo resfriados. Portanto, como diferenciar cada uma dessas doenças? Alguns sinais, como o modo de evolução dos sintomas, podem até dar algumas pistas, mas só um exame de sangue pode confirmar o diagnóstico, advertem especialistas em saúde. Em comum, todas essas doenças são causadas por vírus. No entanto, eles são distintos: a covid-19 é provocada pelo Sars-CoV-2, da família do coronavírus; a gripe, pelo vírus da família influenza; o resfriado, por rinovírus, adenovírus e parainfluenza; e a dengue, por flavivírus. E, no caso da covid-19, gripes e resfriados, há outro elemento unificador: o modo de transmissão é por gotículas de secreções respiratórias de uma pessoa infectada. Já a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Confira abaixo outras diferenças. Dengue Disponíveis nos tocadores de podcast Ouça aqui Fim do Que História! É uma infecção viral transmitida principalmente por meio da picada de um mosquito fêmea infectado por um flavivírus, geralmente o Aedes aegypti (também responsável pela transmissão do vírus chikungunya, febre amarela e Zika). Há quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4), cada um com interações diferentes com os anticorpos humanos. Ou seja, as pessoas têm quatro possibilidades de serem infectadas. Seu sintoma clássico é a febre alta, que aparece abruptamente no começo da infecção. No caso da covid-19, esse sinal não necessariamente é o primeiro e em muitos casos pode nem aparecer. Os sintomas respiratórios, bastante comuns na covid-19, também são raros “na dengue, que não costuma causar sintomas respiratórios como coriza (nariz escorrendo), obstrução nasal (nariz entupido) ou tosse”, explicou a médica infectologista Melissa Falcão, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, em entrevista recente à BBC News Brasil. Covid-19 Em todas as variáveis, a infecção pelo coronavírus Sars-CoV-2 pode se dar sem ou com sintomas, que vêm alterando bastante a depender da variante ligada à infecção. A covid-19, doença causada por esse vírus, pode se apresentar em três formas: leve, moderada ou grave. O diagnóstico pode ser feito por exame clínico e por testes de laboratório, ou comprados em farmácia, em amostras colhidas no nariz, principalmente. Os sintomas mais comuns (quando se fala da “versão” do vírus logo no início da pandemia, em 2020) eram tosse seca, febre, cansaço e perda de olfato e de paladar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) listava também sintomas menos comuns (dor de cabeça, garganta, diarreia, olhos vermelhos e irritados, e erupções na pele) e sintomas graves (falta de ar, perda de mobilidade e fala, dor no peito e confusão mental). Mas, ao longo do tempo, diversas variantes e subvariantes foram identificadas. A última delas, a variante XFG, foi identificada no Brasil em julho, mas não representa alto risco, segundo documento da Organização Mundial da Saúde (OMS). De maneira geral, os sintomas da covid-19, de acordo com o Ministério da Saúde são tosse, dor de garganta, coriza, perda de olfato, dor abdominal e fadiga. Esses sintomas são os mais comuns, segundo levantamentos e estudos de especialistas ao redor do mundo, mas não quer dizer que sejam os únicos. Há dezenas de sinais associados à doença (como lesões na pele, queda de cabelo, confusão mental e ansiedade), tanto no momento da infecção quanto depois, na condição conhecida como covid longa (que afeta milhões de pacientes ao redor do mundo por semanas, meses ou até anos). O agravamento dos sintomas da covid-19 não costuma ser tão acelerado como é no caso da dengue, mas ainda pode matar. Vale lembrar que na última semana de janeiro de 2022 morriam cerca de 300 pessoas por dia da doença, mais do que a dengue matou no ano inteiro de 2021. Gripe A gripe é causada pelo vírus da influenza, que possui uma extensa família, com centenas de mutações. Esse é o motivo pelo qual a vacina contra a gripe precisa ser atualizada e administrada todos os anos. A gripe pode ter sintomas bem parecidos aos da covid-19, mas seu período de incubação tende a ser mais curto, ou seja, os sintomas surgem rápido (de um dia para o outro, muitas vezes) e a piora no quadro tende a ser aguda. No caso da covid, o período de incubação é mais longo — o organismo pode levar até cinco dias para manifestar os sintomas, o que explica o grande número dos chamados “falsos negativos”, ou seja, pessoas infectadas com o coronavírus, mas que obtêm diagnóstico negativo ao realizarem o teste. Além disso, sem apresentar sintomas, o indivíduo pode acabar infectando outras pessoas. Os sintomas mais comuns da gripe são: tosse (geralmente seca), febre, dor de cabeça, dores no corpo e mal-estar e cansaço. Podem ocorrer dor de garganta, diarreia (especialmente em crianças) e coriza ou congestão nasal (nariz entupido). Perda de paladar e olfato não é uma manifestação comum em casos de infecção pelo vírus influenza, diferentemente da covid-19. Apesar disso, como mencionado anteriormente, esse sintoma já não vem mais sendo mais relatado com frequência em infecções pela variante ômicron, a mais prevalente no Brasil. Resfriado Os resfriados são provocados por outros tipos de vírus: rinovírus, adenovírus e parainfluenza. Diferentemente da gripe, o início dos sintomas tende a ser gradual e eles costumam ser leves. Dor de garganta, coriza e congestão nasal são algumas de suas manifestações mais comuns. Uma tosse leve pode surgir, assim como febre (normalmente baixa), mas esses são sintomas pouco frequentes. Diarreia, dor de cabeça e falta de ar também são raros. Os resfriados costumam melhorar em poucos dias. Com reportagem de Cristiane Martins, de Londres. Esta reportagem foi originalmente publicada em fevereiro de 2022.
Solidão altera funcionamento cerebral e comportamentos

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/08/2025 Em experimento, animais criados isolados demonstraram menor separação entre circuitos neurais, com prejuízo ao processamento de estímulos como olfato, visão e tato. Pesquisadores explicam que mecanismos são semelhantes em humanos. Experiências precoces de isolamento social podem moldar o cérebro negativamente, aumentando o risco de doenças psiquiátricas e mentais no futuro. A conclusão, publicada na revista Nature Communications, é de pesquisadores sul-coreanos, que usaram um modelo animal para estudar como fatores externos moldam a atividade cerebral. “A forma que o cérebro se organiza é crucial para processarmos adequadamente os estímulos ao nosso redor”, destaca Jung Hee Lee, autora senior do estudo e pesquisadora da Universidade Sungkyunkwan, na Coreia do Sul. “Quando essa organização é comprometida, como no caso do isolamento social, há maior risco de disfunções cognitivas e emocionais.” Isso foi observado em laboratório: camundongos criados isolados demonstraram menor segregação entre redes cerebrais — ou seja, menos distinção entre áreas que deveriam funcionar de forma independente, como as dedicadas ao olfato, à visão ou ao tato. No experimento, camundongos machos foram divididos em três grupos logo após o desmame: um foi mantido sozinho em gaiolas comuns (modelo de isolamento social), outro permaneceu com os demais em condições padrão, e um terceiro foi alojado com os animais restantes em ambientes enriquecidos. Após sete semanas, os pesquisadores avaliaram a atividade cerebral dos roedores com diferentes técnicas de ressonância magnética funcional (fMRI), que permitem observar como o cérebro responde a estímulos e como suas redes se conectam em repouso. Estímulos Os cientistas submeteram os animais a quatro tipos de estímulo: visual, tátil (pelo toque dos bigodes e das patas), olfativo e multimodal (combinando sentidos). Os camundongos isolados tiveram hiperatividade em áreas como o córtex olfativo, mas menor resposta em regiões visuais e associativas. Além disso, suas redes cerebrais estavam menos segregadas — ou seja, havia mais “ruído” entre sistemas sensoriais que deveriam operar de forma independente. Já os roedores criados em ambientes estimulantes tiveram respostas sensoriais mais refinadas e organizadas, com maior ativação de áreas superiores do córtex visual e somatossensorial. Também mantiveram melhor segregação das redes neurais, característica importante para o processamento eficaz de informações e para a saúde mental. Mecanismos Embora o estudo tenha sido feito em roedores, os autores destacam que os mecanismos básicos de organização cerebral são conservados entre espécies. Estudos anteriores em humanos já haviam mostrado que o isolamento social pode afetar negativamente estruturas cerebrais e funções cognitivas — especialmente quando ocorre durante a infância ou adolescência. “Modelos animais são essenciais para entendermos como fatores ambientais alteram o cérebro. Esses dados sugerem que ambientes sociais e fisicamente enriquecidos podem ter efeitos protetores contra distúrbios do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH, e até mesmo contra transtornos de humor”, diz Seong-Gi Kim, coautor do estudo. “O isolamento social impacta diretamente regiões como o hipocampo (relacionado à memória e ao aprendizado), o córtex pré-frontal (responsável por funções executivas como atenção, tomada de decisão e controle emocional) e a amígdala, que regula respostas emocionais”, enumera Emily Pires, especialista em neurociência e diretora do centro de treinamento BrainEstar, em São Paulo. “A falta de conexão social leva a um estado de estresse crônico que afeta a neuroplasticidade e reduz o volume dessas áreas, comprometendo funções cognitivas importantes.” Segundo a especialista, crianças estão entre os grupos mais vulneráveis à experiência do isolamento. “Crianças e adolescentes merecem atenção, pois estão em fase de desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais fundamentais”, explica. Porém, idosos e pessoas com histórico de depressão, ansiedade ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade também são prejudicados pela falta de contato social. “Essas pessoas tendem a ter redes neurais mais sensíveis ao estresse e à desconexão social, o que agrava quadros já existentes”, diz Emily Pires. Potencial expressivo Os pesquisadores sul-coreanos também testaram o comportamento dos camundongos em situações que medem memória, dor, ansiedade, locomoção e preferência sensorial. Os animais do grupo enriquecido demonstraram maior interesse por estímulos visuais e melhor memória olfativa, enquanto os isolados apresentaram sinais de ansiedade e respostas exageradas a cheiros, mas com prejuízos na memória e menor interesse por estímulos visuais. A análise das conexões cerebrais em repouso revelou outro dado: os camundongos isolados desenvolveram hiperconectividade entre diferentes áreas sensoriais, além de uma menor organização modular do cérebro. Isso significa que suas redes neurais estavam mais misturadas, com menos separação entre os sistemas de percepção — algo que pode comprometer a clareza e a precisão das respostas do organismo aos estímulos do ambiente. Transtornos Essa desorganização funcional, observada por meio de métricas como coeficiente de agrupamento e modularidade, também é encontrada em seres humanos com transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia ou transtornos do espectro autista, segundo estudos prévios. “Mais do que simplesmente detectar se o cérebro responde a um estímulo, queremos entender como as redes cerebrais cooperam ou se separam, e como isso influencia o comportamento e a saúde mental”, explicam os autores, no artigo. Segundo os pesquisadores, o estudo abre caminho para futuras estratégias terapêuticas. “A estimulação sensorial e social pode ser um recurso promissor para intervenções em distúrbios do desenvolvimento neurológico. Nossas descobertas sugerem que, mesmo em cérebros imaturos, há grande plasticidade e potencial de reorganização”, concluem os pesquisadores.
Quais vitaminas são essenciais para a saúde e quais alimentos oferecem a maior variedade?

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/08/2025 O falecido e grande comediante australiano Barry Humphries (famoso por sua personagem Dame Edna) falou certa vez, com humor, sobre os benefícios da couve para a saúde. Segundo ele, bastava um “punhado” para fornecer vitaminas, minerais e oligoelementos essenciais em quantidade suficiente para mantê-lo no banheiro por dois dias inteiros. Ao que parece, o sabor não compensava uma segunda porção. Em um mundo em que os “superalimentos” são comercializados por sua suposta capacidade de fornecer todos os nutrientes que necessitamos, vale a pena se perguntar: quais vitaminas são realmente essenciais? E, além da couve (que eu até gosto bastante), quais outros alimentos nos ajudam a cobrir nossas necessidades diárias? Vitamina A Comecemos pela mais importante: a vitamina A. Também conhecida como retinol, ela está presente em alimentos como ovos, peixes gordurosos e laticínios. Desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde da pele e do sistema imunológico. Mas ela é provavelmente mais conhecida por sua contribuição para a visão. A vitamina A se liga aos pigmentos sensíveis à luz de células dos cones e bastonetes da retina, o que ajuda na visão, especialmente em condições de pouca luminosidade. A deficiência de vitamina A, ainda que pouco comum em países ricos, pode levar a graves problemas de visão, até a cegueira. Outra fonte importante de vitamina A é o betacaroteno, encontrado em frutas e verduras de cores vivas, como cenouras, pimentões, espinafre e abóbora. O corpo converte o betacaroteno em vitamina A, por isso associamos as cenouras à visão no escuro. Vitamina B A vitaminas B é, na verdade, uma família de oito nutrientes diferentes, cada um com seu próprio número e função. A vitamina B1 (tiamina) ajuda o sistema nervoso e favorece a digestão. Pessoas com alcoolismo crônico correm um risco elevado de deficiência dessa vitamina, o que pode levar à síndrome de Wernicke-Korsakoff, um distúrbio neurológico grave que afeta a memória e os movimentos. A B2 (riboflavina) e a B3 (niacina) têm funções similares, enquanto a B9 (folato) e a B12 (cobalamina) são essenciais para a produção de glóbulos vermelhos. A falta de qualquer uma delas pode causar anemia. O folato é especialmente importante no início da gravidez, pois ajuda a prevenir defeitos do tubo neural, como a espinha bífida. Por isso, é recomendado para pessoas grávidas ou que estejam tentando engravidar. As vitaminas do complexo B estão presentes em todo o tipo de alimento, desde legumes e grãos até carnes, peixes e laticínios, uma ampla família de nutrientes encontrada em uma grande variedade de alimentos. Vitamina C A vitamina C (ácido ascórbico) é aquela a que recorremos quando nos sentimos mal, seja por um vírus ou por uma ressaca, e é conhecida como a vitamina da “cura” com razão. Ela ajuda na cicatrização de feridas, na reparação de tecidos e contribui para manutenção dos vasos sanguíneos e ossos. A deficiência de vitamina C provoca o escorbuto, uma doença que antes era comum entre os marinheiros, com sintomas que incluem fadiga, hematomas, depressão e problemas nas gengivas. Felizmente, a vitamina C é encontrada em muitas frutas e vegetais, especialmente nos cítricas. Por isso, os marinheiros britânicos do século 19 recebiam limas como forma de prevenir o escorbuto, o que lhes rendeu o apelido de “limeys”. Vitamina D A vitamina D é essencial para os ossos, os dentes e os músculos. Ela pode ser absorvida por meio da alimentação — principalmente de peixes gordurosos, ovos e carnes —, mas o corpo também a produz na pele graças à luz solar. No verão, a maioria das pessoas obtém vitamina D suficiente ao passar um tempo ao ar livre. Contudo, nos meses de inverno, é necessário inclui-la na alimentação e, em alguns casos, por meio de suplementos. A deficiência é mais comum em áreas com baixa exposição ao sol e pode causar ossos moles e enfraquecidos, além de sintomas como dor óssea, fraturas e deformidades, incluindo a clássica aparência de pernas arqueadas. Nas crianças, essa condição é conhecida como raquitismo; nos adultos, recebe o nome de osteomalácia. Vitamina E Frequentemente esquecida, a vitamina E ajuda a proteger as células, favorece a visão e fortalece o sistema imunológico. Ela é encontrada em oleaginosas, sementes e óleos vegetais, e costuma ser fácil obtê-la em quantidades suficientes por meio de uma alimentação variada. “Vitamina F” Na realidade, não é uma vitamina, a “vitamina F” é apenas um apelido para dois ácidos graxos ômega: o ácido alfa-linolênico (ALA) e o ácido linoleico (LA). Essas gorduras essenciais favorecem o funcionamento do cérebro, reduzem a inflamação e ajudam a manter a pele e as membranas celulares saudáveis. Como tecnicamente não são vitaminas, não vamos nos aprofundar nelas. Vitamina K Não, não pulamos as vitaminas G a J: simplesmente os nomes foram alterados ao passar dos anos. Mas vitamina K é real e fundamental para a coagulação do sangue. As deficiências são mais comuns em crianças e podem causar hematomas e hemorragias difíceis de controlar. Os suplementos são eficazes e geralmente administrados logo depois do nascimento. A maioria dos adultos obtém a quantidade suficiente através de alimentos como verduras de folhas verdes e cereais. O grande “vencedor” Todas essas vitaminas são importantes, e todas são encontradas em uma grande variedade de alimentos do dia a dia. Mas, qual alimento oferece a maior variedade? A couve, o peixe e os ovos ocupam o segundo, terceiro e quarto lugar, respectivamente. Mas o número um é: o fígado. Sim, o fígado. Esse alimento que muitos de nós temiam quando crianças e que costumava ser servido nos refeitórios escolares. Mas que também é rico em vitaminas A, B, D e K. Na verdade, é tão rico em vitamina A que recomenda-se a consumi-lo apenas uma vez por semana para evitar a toxicidade, e não consumi-lo de forma alguma durante a gravidez. *Dan Baumgardt é professor na Escola de Fisiologia, Farmacologia e Neurociência da Universidade de Bristol. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).
Café da manhã e hormônio do estresse: tomar café depois das 9h afeta o corpo? O que diz a ciência sobre jejum matinal e cortisol

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 31/07/2025 Estudo com 100 mil pessoas indica que adiar a primeira refeição eleva em 59% o risco de diabetes tipo 2 e pode desregular o ritmo circadiano. Tomar café da manhã depois das 9h pode afetar o equilíbrio hormonal e aumentar o risco de doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2. Estudos mostram que quem toma café da manhã mais cedo tem menor risco de resistência insulínica, obesidade e síndrome metabólica. Além disso, o horário da primeira refeição influencia diretamente os níveis de cortisol — hormônio ligado ao estresse e à regulação da energia — e o funcionamento do relógio biológico. O cortisol é um hormônio que tem um pico nos primeiros 30 a 45 minutos após o despertar e queda gradual ao longo do dia. O pico ajuda a pessoa a se sentir alerta e aumenta ligeiramente a glicose para fornecer energia através da mobilização dos estoques energéticos. Durante um jejum prolongado, os níveis de insulina diminuem e o corpo começa a usar estoques de gordura como fonte de energia. Isso pode melhorar a sensibilidade à ação da insulina e reduzir os níveis de açúcar e gordura no sangue. Mas o horário do jejum importa. Comer muito tarde (café da manhã e/ou jantar) e pular o café da manhã pode desalinhar o relógio biológico e contribuir para distúrbios metabólicos, segundo o médico endocrinologista Fernando Valente. O que é o cortisol e por que ele importa de manhã? Cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, que têm várias funções, como regular o metabolismo, modular os níveis de açúcar no sangue, de pressão arterial e de inflamação, tendo uma influência direta no ciclo sono-vigília. Ele é responsável pelo ânimo, pelo vigor, pelo foco e tem uma função positiva na imunidade. “Embora seja conhecido como o ‘hormônio do estresse’, ele é essencial para manter a nossa energia, foco, imunidade e metabolismo em equilíbrio. Afinal, o ‘estresse’ de forma equilibrada nos promove movimento, ação e nos tira da inércia”, explica a nutricionista clínica e comportamental e terapeuta integrativa Adriana Loyola. O pico matinal do cortisol é saudável e necessário, porque ele nos ajuda a liberar glicose para gerar energia, melhora a concentração, e até influencia positivamente o humor e a motivação. Qual a relação entre jejum prolongado, glicose e saúde metabólica? Valente explica que comer muito tarde (café da manhã e/ou jantar) e pular o café da manhã pode desalinhar o relógio biológico e contribuir para distúrbios metabólicos. O metabolismo humano é mais eficiente pela manhã e comer nas primeiras horas do dia – antes das 9h, principalmente – melhora a regulação da glicose, de insulina e do apetite ao longo do dia, destaca a médica endocrinologista Daniela Fernandes. Valente defende que o ideal é tomar café da manhã cedo (antes de 8 horas). Isso se alinha ao pico de cortisol e, de acordo com alguns estudos, pode reduzir o risco de obesidade, diabetes e doenças metabólicas. Entre 7 e 8 horas o corpo está mais preparado para metabolizar os nutrientes de forma eficiente, segundo o médico. Loyola afirma que mais importante do que comer de 3 em 3 horas ou fazer jejum é a constância do número de refeições do dia, calorias e meta proteica que o indivíduo faz durante o longo prazo. Há risco real de desenvolver doenças por tomar café tarde? Estudos da crononutrição mostram que postergar o café da manhã para depois das 9h da manhã está associado a um aumento do risco de resistência à insulina e alterações na regulação da glicose. Isso acontece porque o corpo é mais sensível à insulina nas primeiras horas do dia, e ignorar essa janela pode desorganizar o ritmo circadiano e gerar estresse metabólico, explica Loyola. Além disso, quem atrasa muito a primeira refeição tende a concentrar a ingestão calórica mais para o final do dia, o que também está ligado ao aumento de peso, inflamação e desregulação hormonal — fatores que favorecem o desenvolvimento do diabetes. “Isso não significa que todo café da manhã tardio será prejudicial. Mas para pessoas com tendência à hipoglicemia, histórico familiar de diabetes ou que já apresentam resistência à insulina, atrasar demais a alimentação pela manhã pode piorar o quadro”, diz Loyola. Valente afirma que tomar o café da manhã tarde pode resultar em desalinhamento do ritmo circadiano, maior risco de obesidade, diabetes, hipertensão, outras doenças metabólicas e até doenças cardiovasculares. Estudos têm mostrado que o jejum intermitente faz a pessoa emagrecer, mas ocorre também uma grande perda de massa magra, o que não é bom para um emagrecimento saudável. O que comer para ajudar a equilibrar hormônios de manhã? Para favorecer o equilíbrio hormonal pela manhã, o ideal é priorizar alimentos que sustentem a energia de forma estável, sem provocar picos de glicose ou estresse metabólico, como: 📋 Carboidratos complexos são encontrados em grãos integrais, legumes e tubérculos (como batatas e mandioca). Além de glicose, são ricos em fibras, vitaminas e minerais, que são importantes para a saúde de forma geral. “Ficar sem carboidratos de manhã não é necessariamente um problema. Pode ser positivo em dietas cetogênicas, mas a ausência total de carboidratos pode resultar, para algumas pessoas, em cansaço e irritabilidade. É importante que o café da manhã tenha fibras, proteínas de alta qualidade e gorduras boas (insaturadas)”, acrescenta Valente. Café da manhã cedo pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2, aponta estudo Um estudo do ISGlobal que acompanhou mais de 100 mil participantes na França durante cerca de sete anos apontou que um café da manhã cedo pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Mas o jejum prolongado só foi associado a um menor risco de diabetes entre os participantes que tomavam café da manhã cedo (antes das 8h) e jantavam cedo. O estudo concluiu que pessoas que tomam café da manhã após as 9h apresentam um risco 59% maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aquelas que tomam café da manhã antes das 8h. Mas mais estudos são necessários para confirmar esses dados. A equipe de pesquisa
Marcadores antecipam diagnósticos de doenças renais frequentes nos diabéticos

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 30/07/2025 A diferença verificada na taxa de filtração glomerular e no fator de diferenciação do crescimento-15 pode ajudar na identificação de pacientes vulneráveis, contribuindo para tratamentos personalizados com mais qualidade de vida. Pessoas com diabetes, em geral, podem desenvolver doença renal com complicações fatais. Pesquisadores do Departamento de Nefrologia da Faculdade de Medicina da Universidade Juntendo, em Tóquio, descobriram que dois marcadores sanguíneos simples são capazes de prever de forma independente quem apresenta risco elevado de declínio da função renal e morte precoce. A diferença estimada na taxa de filtração glomerular e no fator de diferenciação do crescimento-15 são descobertas que ajudam na identificação de pacientes vulneráveis, abrindo chances para tratamentos que retardam a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida. “Atualmente, a TFGe e a albumina urinária, usadas na prática clínica de rotina, não são suficientes para prever com precisão os desfechos renais em indivíduos com diabetes”, afirmou Tomohito Gohda, professor associado do Departamento de Nefrologia da Faculdade de Medicina da Universidade Juntendo, no Japão. “O desenvolvimento de novos biomarcadores que complementam esses marcadores existentes pode permitir a identificação mais precoce e conveniente de pacientes com alto risco de progressão da doença renal e mortalidade.” O estudo publicado no Journal of Cachexia, sob coordenação de Gohda, mostra os dois marcadores sanguíneos identificados. No artigo científico, os pesquisadores mencionam a diferença estimada da taxa de filtração glomerular (TFGeDiff) e os níveis do fator de diferenciação do crescimento-15 (FDG-15), que na forma apresentada podem prever de forma independente a progressão da doença renal e a mortalidade em pessoas com diabetes. As complicações renais no diabetes costumam progredir silenciosamente, colocando os pacientes em risco antes do aparecimento de quaisquer sintomas. Identificar quem está sob ameaça de declínio rápido da função renal ou morte precoce tem sido um desafio para a medicina, que segue utilizando marcadores tradicionais como creatinina sérica e albumina urinária, que nem sempre antecipam eventuais sinais de complicações renais. Experiência A equipe de pesquisa analisou dados de 638 adultos japoneses que vivem com diabetes mellitus. Os participantes foram observados por um período de mais de cinco anos, quando 11,8% apresentaram declínio significativo da função renal e 6,9% morreram de várias causas. Amostras de sangue foram usadas para calcular a eGFRdiff, uma medida que reflete as diferenças entre as estimativas de função renal baseadas em cistatina C e creatinina, e para determinar os níveis séricos de GDF-15, uma proteína cada vez mais reconhecida como um marcador de inflamação e fragilidade. A análise revelou que pacientes com valores mais baixos de eGFRdiff enfrentaram um risco dramaticamente maior de progressão da doença renal crônica (DRC), enquanto aqueles com níveis elevados de GDF-15 apresentaram maior risco de aumento da mortalidade. Especificamente, cada aumento de 10 unidades na eGFRdiff reduziu o risco de progressão da DRC em 33%, enquanto níveis mais altos de GDF-15 foram fortemente associados a um aumento do risco de morte em 235%. “O eGFRdiff pode contribuir para a estratificação precoce do risco de doença renal diabética e auxiliar no desenvolvimento de estratégias de tratamento personalizadas, o que pode levar a uma melhor qualidade de vida para indivíduos com diabetes e à redução dos custos com assistência médica”, ressaltou Gohda. Detalhes A diferença na TFGe, que pode refletir perda de massa muscular e alterações metabólicas, foi mais fortemente associada à progressão da doença renal. Por outro lado, a GDF-15, uma citocina responsiva ao estresse associada à inflamação, previu melhor o risco de mortalidade. Essa distinção sugere que o uso conjunto dos dois marcadores pode aumentar a precisão na identificação de quais pacientes são mais vulneráveis a complicações graves. O diabetes é uma das principais causas de DRC, que pode progredir para doença renal terminal, exigindo diálise — um tratamento com impactos profundos na vida dos pacientes e altos custos para os sistemas de saúde. A detecção precoce do risco renal por meio da eTFGdiff e do GDF-15 pode permitir que os médicos adaptem os tratamentos, retardando ou até mesmo prevenindo a progressão da doença e potencialmente salvando vidas. Ao identificar esses marcadores simples, o estudo oferece alternativa para um tratamento personalizado e proativo aprimorado no diabetes — um avanço crítico, já que as taxas de diabetes e as complicações seguem desafiando o mundo. “Nossos resultados sugerem que a fragilidade e a sarcopenia, causadas por inflamação e anormalidades metabólicas, podem contribuir para a progressão da DRC e mortalidade em indivíduos com diabetes mellitus”, observou Gohda. “A avaliação da eTFGdiff pode aprimorar a identificação de indivíduos de alto risco.” Elber Rocha, médico nefrologista e coordenador do Programa de Transplantes do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) Como avalia esses novos marcadores identificados no estudo? Podem indicar um avanço no tratamento do diabetes? Sem dúvida, os marcadores eGFRdiff e GDF-15 representam um avanço promissor na estratificação de risco de pacientes com diabetes. Tradicionalmente, utilizamos creatinina e albuminúria para avaliar o risco renal, mas esses marcadores nem sempre captam precocemente os indivíduos mais vulneráveis. O estudo liderado pelo Dr. Gohda destaca que a diferença entre as estimativas de TFG por creatinina e cistatina C (eGFRdiff) é capaz de sinalizar risco de progressão da doença renal, enquanto níveis elevados de GDF-15 — um marcador inflamatório e de fragilidade — se associam a maior risco de mortalidade. Ambos, de forma complementar, oferecem aos médicos uma ferramenta simples e acessível para identificar precocemente pacientes com risco aumentado, o que pode orientar intervenções mais precisas. Será que, a partir daí, é possível imaginar uma espécie de “prevenção” às consequências do diabetes na área renal? Sim. A grande promessa desses marcadores é justamente permitir uma abordagem mais preventiva e personalizada. Se conseguimos identificar pacientes com alto risco de perda renal ou morte antes mesmo do surgimento de alterações clássicas nos exames, podemos agir de forma antecipada: intensificando o controle glicêmico, ajustando medicamentos com impacto renal, promovendo mudanças de estilo de vida e, eventualmente, encaminhando mais cedo para o nefrologista. Além disso, esses dados reforçam a importância
6 dicas para incluir mais proteínas nas refeições

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 30/07/2025 Veja como consumir esse nutriente de maneira saudável para manter o bem-estar do corpo e aumentar a massa muscular As proteínas são uma matéria-prima importante para a saúde do corpo. Responsáveis por parte da composição de todas as células e tecidos, formam músculos, esqueleto, pele, cabelos e unhas e constituem órgãos como coração, pulmão e rins. Além disso, também formam substâncias vitais para funcionamento e defesa do organismo, como hormônios, enzimas, neurotransmissores e anticorpos. No entanto, para obter todos os seus benefícios, incluí-la nas refeições diárias é um critério fundamental que, muitas das vezes, não é cumprido devido à correria do dia a dia. Assim, muitas pessoas não consomem a quantidade recomendada de proteínas ou, ainda, exageram na dose, o que pode provocar fraqueza muscular, queda de cabelo, alterações na pele, problemas imunológicos etc. Apesar disso, a boa notícia é que é possível incluir as proteínas nas refeições de forma saudável. Abaixo, com ajuda da nutricionista Liz Galvão, parceira da Verde Campo, empresa de produtos sem lactose, listamos algumas dicas! 1. Utilize diversas fontes O corpo humano pode obter proteínas a partir de fontes vegetais, como feijões, amendoim, soja, castanhas, espinafre, brócolis, chia, linhaça, aveia e lentilha, e por fontes animais, como leite, carnes, ovos, iogurte e queijo. Variar o cardápio com opções criativas pode ajudar a incluir proteínas desde as principais refeições até o lanchinho na hora da correria. Por exemplo: no café da manhã, ovos com queijo e sementes; nos lanches, iogurtes com castanhas ou granolas saudáveis; no almoço e jantar, carnes com cereais e leguminosas. Planejar as refeições é fundamental para o sucesso da alimentação. Ainda, evita que você fique “comendo qualquer coisa” ou até que deixe de comer — o que também não é o ideal. 3. Invista em lanches práticos Sabemos que, hoje em dia, a maioria das pessoas vive uma rotina intensa. Então, ter opções que facilitam ajuda bastante, como os iogurtes e shakes proteicos, produtos cujo segmento continua a crescer. É interessante optar por marcas que se preocupem com os ingredientes de boa qualidade e que auxiliem no bem-estar. 4. Utilize pasta de oleaginosas como acompanhamento Nos lanches práticos, vale investir também em pasta de amendoim, de castanha-de-caju, de amêndoas ou de nozes, pois elas são ótimas fontes de proteína vegetal e gorduras boas. Para isso, basta incluí-las como acompanhamento de frutas, pães integrais, panquecas ou até smoothies, isso ajuda a manter a quantidade de proteína diária e ainda adiciona mais sabor às refeições. 5. Use suplementos com moderação e orientação Se você tem dificuldade em atingir a quantidade ideal de proteína com a alimentação, suplementos como whey protein (ou versões vegetais, como proteína de arroz ou ervilha) podem ser aliados, desde que indicados por um nutricionista. 6. Consulte um especialista Em tempos de informações propagadas na internet, é preciso ficar atento. Fazer uma dieta por conta própria não é a melhor solução para ter resultados satisfatórios. Procure um nutricionista para te orientar, calcular as suas necessidades individuais de acordo com o seu organismo e objetivos. Ter uma dieta pré-estabelecida e um acompanhamento constante ajuda a manter a rotina de alimentação e conquistar o bem-estar. Por Liz Galvão e Redação EdiCase
Demência pode ser prevenida com hábitos simples, mostra estudo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 29/07/2025 Estudo com mais de 2 mil pessoas acima de 60 anos e em risco de declínio cognitivo mostra que conjunto de estratégias estruturadas, como adotar uma dieta saudável e rotina de atividades físicas regulares, ajuda a retardar a neurodegeneração. Um programa estruturado de mudanças de hábitos, incluindo exercícios físicos, dieta equilibrada e atividades cognitivas, pode melhorar significativamente a função cerebral de idosos com risco elevado de demência. A conclusão é de um estudo norte-americano que acompanhou 2.111 voluntários entre 60 e 79 anos ao longo de dois anos, publicado na revista científica Jama, divulgado na Conferência Internacional de Alzheimer (AAIC), realizada on-line. O estudo US Pointer usou dados de cinco centros de pesquisa dos Estados Unidos e considerou abordagens multidisciplinares no enfrentamento à demência. Os pesquisadores compararam duas estratégias de prevenção: uma estruturada, com orientação contínua, atividades em grupo e metas de saúde, e outra autoguiada, com recomendações básicas para mudanças de estilo de vida, mas sem supervisão intensiva. Segundo os resultados, ambas as abordagens contribuíram para uma melhora na função cognitiva global dos participantes. No entanto, a evolução foi mais acentuada no grupo que seguiu o programa estruturado. A diferença foi de 0,029 desvio padrão — medida estatística usada na pesquisa. Embora pareça pequena, foi considerada significativa e clinicamente relevante pelos cientistas. Os ganhos cognitivos foram particularmente visíveis nas funções executivas (capacidade de planejar, organizar e tomar decisões) e na velocidade de processamento das informações. Já a memória episódica apresentou resultados semelhantes entre os grupos. “As intervenções não farmacológicas são promissoras porque atacam diversos fatores de risco de forma simultânea. Estamos falando de medidas de baixo custo, seguras e acessíveis, que podem beneficiar milhões de pessoas”, afirma a pesquisadora principal, Laura D. Baker, da Escola de Medicina da Wake Forest University. No grupo estruturado, os participantes tiveram 38 encontros presenciais em equipe ao longo de dois anos, com acompanhamento de profissionais de saúde e metas de exercícios físicos — como 150 minutos semanais de atividade aeróbica e treino de resistência muscular. Também receberam incentivos para seguir a dieta Mind, que combina elementos do regime mediterrâneo e da Dash (um programa alimentar para saúde cardiovascular), priorizando vegetais, azeite, oleaginosas, grãos integrais e frutos vermelhos, como o mirtilo. O programa incluiu sessões de treino cognitivo on-line, atividades sociais e monitoramento regular de indicadores cardiovasculares, como pressão arterial, colesterol e glicemia. Já no grupo autoguiado, os voluntários participaram de apenas seis encontros presenciais e receberam materiais educativos, sem acompanhamento sistemático. Os pesquisadores afirmam que o estudo pode orientar políticas públicas voltadas para a prevenção do declínio cognitivo. Programas de saúde comunitários, academias públicas e centros de convivência para idosos poderiam adotar estratégias semelhantes, com foco em quatro pilares: atividade física regular, alimentação balanceada, estímulo mental e engajamento social. “O potencial de melhorar a cognição com menos recursos e menor sobrecarga para os participantes é convincente”, atesta Laura D. Baker. “Isso destaca que, embora nem todos tenham o mesmo acesso ou capacidade de aderir a intervenções comportamentais mais intensivas, mesmo mudanças modestas podem proteger o cérebro.” Atuando no tratamento de doenças neurodegenerativas, o neurocirurgião funcional e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp) Marcelo Valadares destaca que, mesmo na terceira idade, é possível adiar a demência. Segundo o médico, um dos pilares da prevenção é manter-se ativo fisicamente, embora com limitações. Acompanhamento de quadros como perda auditiva, depressão e doenças cardiovasculares deve ser intensificado, ensina. “Ficar isolado, sem propósito ou sem conversa faz o cérebro envelhecer mais rápido.” Externos O neurocirurgião destaca que fatores externos também podem contribuir para a demência. A exposição cumulativa à poluição atmosférica é um deles. Histórico de traumatismo craniano também influencia, pois cicatrizes neurológicas tendem a enfraquecer as defesas do cérebro ou desencadear processos degenerativos de forma silenciosa. Marcelo Valadares lembra que é importante se dedicar a atividades diversas. “A interação de diferentes estímulos é o que mais fortalece o cérebro”, diz. O médico cita outro estudo, além do publicado no Jama, realizado com idosos em situações de risco de demência. Assim como a de agora, a pesquisa demonstrou que a combinação de alimentação saudável, exercícios, treino cognitivo e controle clínico reduziu em até 30% o declínio cognitivo em dois anos de acompanhamento. Próxima fronteira “À medida que a incidência da demência cresce em todo o mundo, o estudo US Pointer reforça uma mensagem vital para a saúde pública: o comportamento saudável tem um impacto poderoso na saúde do cérebro. Esta é uma oportunidade crucial para a saúde pública. A intervenção foi eficaz em um grupo amplo e representativo — independentemente de sexo, etnia, risco genético ou estado de saúde cardíaca — demonstrando sua aplicabilidade e escalabilidade. Os resultados positivos nos incentivam a considerar o potencial de uma combinação de um programa de estilo de vida e tratamento medicamentoso como a próxima fronteira em nossa luta contra o declínio cognitivo e, possivelmente, a demência.” Joanne Pike, doutora em Saúde Pública, presidente e CEO da Associação de Alzheimer Poluentes afetam o cérebro Uma análise de estudos com dados de quase 30 milhões de pessoas destacou o papel que a poluição do ar — incluindo a proveniente das emissões de escapamentos de automóveis — desempenha no aumento do risco de demência. Estima-se que o declínio cognitivo afete mais de 57,4 milhões de pessoas em todo o mundo, número que deverá quase triplicar para 152,8 milhões de casos até 2050. A poluição do ar foi recentemente identificada como um fator de risco para demência, com vários estudos apontando o dedo para uma série de poluentes. No entanto, a força das evidências e a capacidade de determinar um efeito causal têm sido variáveis. Em um artigo publicado na revista The Lancet Planetary Health, uma equipe liderada por pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Conselho de Pesquisa Médica (MRC) da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, realizou uma revisão sistemática e meta-análise da literatura científica existente para examinar essa ligação mais a fundo. Os pesquisadores encontraram uma associação positiva e estatisticamente significativa entre três tipos de poluentes atmosféricos e demência. Foram eles: matéria
Até que ponto é normal ficar com as costas curvadas ao envelhecer?

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/06/2025 Leve arqueamento da coluna pode ser parte do envelhecimento, mas curvaturas acentuadas sinalizam riscos como osteoporose e hérnias; saiba quando é hora de procurar ajuda médica À medida que os anos passam, o corpo humano enfrenta uma série de transformações naturais. Uma das mudanças mais visíveis em algumas pessoas é a postura encurvada, com as costas arqueadas e os ombros projetados para a frente. Mas, afinal, essa curvatura é sempre sinal de um problema ou pode fazer parte do envelhecimento normal? A coluna vertebral, estrutura responsável por sustentar nosso corpo e permitir movimentos, tem curvaturas naturais que ajudam na distribuição do peso e na absorção de impactos. Essas curvas — a lordose (na região cervical e lombar) e a cifose (na região torácica) — são importantes para o equilíbrio e a mobilidade. No entanto, com o passar dos anos, é comum que essas curvaturas se acentuem. “Nossa coluna é formada por vértebras e discos. Os discos são formados por colágeno, água e ácido hialurônico. Quando envelhecemos, vamos perdendo esses componentes e os discos vão desgastando sua estrutura”, explica o ortopedista e cirurgião da coluna Luciano Miller, do Hospital Israelita Albert Einstein. “Por isso, é comum diminuirmos de tamanho e há risco de desenvolvermos hérnia e estenose lombar.” Uma leve acentuação da cifose torácica pode ser considerada parte do processo natural de envelhecimento, especialmente em pessoas sedentárias, que passam muito tempo com posturas inadequadas ou que sofreram pequenas perdas de massa muscular ao longo do tempo. Nesses casos, a alteração na postura é chamada de cifose postural, costuma ser leve e não causa dor ou limitações significativas. Em geral, essa curvatura nas costas é revertida com exercícios, alongamentos e postura adequada. Contudo, quando a curvatura se torna muito acentuada, prejudica visivelmente a postura, e pode causar dores, dificuldade para se mover ou até comprometimento respiratório. Esse quadro é conhecido como hipercifose e tem relação com a perda da estrutura do disco e alteração das vértebras por perda da massa óssea com uma cifose progressiva. “Cifose e lordose são curvas normais para equilibrarmos nosso corpo como uma mola na posição ereta. A hipercifose é quando essa curva é muito grande [acima de 50 graus] medida no perfil. A escoliose é um desvio da coluna no plano frontal, definida com uma angulação maior que 10 graus. As pessoas desenvolvem escoliose e hipercifose por uma mistura de predisposição genética e de alterações da estrutura muscular e ligamentar”, explica o ortopedista. Essa condição é mais comum em idosos e pode ter diferentes causas, sendo a mais frequente a fratura por compressão vertebral, geralmente associada à osteoporose – doença que enfraquece os ossos e os torna mais suscetíveis a quebras. Nesses casos, não se trata apenas de má postura. “Com a osteoporose, as vértebras vão enfraquecendo e perdendo altura, aumentando a cifose”, pontua Miller. Além da osteoporose, outras causas podem ser doenças degenerativas da coluna, como a espondilose, condições musculares que comprometem a força e o tônus, ou ainda fatores genéticos. Em alguns casos, a hipercifose também pode ser consequência de um histórico de má postura desde a juventude, que se agrava com a idade. “Naturalmente, vamos aumentando a cifose devido a perda de massa muscular, envelhecimento do disco e perda da altura das vértebras por osteoporose. Nos casos de doenças, essas alterações são muito mais graves, com angulações muito grandes que causam dor”, observa o cirurgião. É importante diferenciar uma postura levemente curvada, que não afeta a qualidade de vida, de uma curvatura excessiva, que pode ser sinal de problema. Para isso, é importante estar atento a sinais como: dor persistente nas costas, especialmente na parte superior da coluna; diminuição perceptível na estatura; dificuldade para levantar a cabeça ou manter o olhar na linha do horizonte; perda de equilíbrio ou quedas frequentes; dificuldade para respirar profundamente e curvatura visivelmente aumentada em pouco tempo. Ao identificar qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar um médico, geralmente um ortopedista ou reumatologista. O diagnóstico precoce permite adotar medidas para evitar a progressão da curvatura e tratar possíveis causas subjacentes. Miller ressalta que manter uma boa postura é uma das principais formas de prevenir problemas na coluna. A prática regular de exercícios físicos, especialmente os que fortalecem a musculatura das costas e do abdômen (como pilates, ioga, musculação, natação e alongamento) pode fazer toda a diferença — quando bem orientados. Além disso, manter uma alimentação rica em cálcio e bons níveis de vitamina D também é essencial para a saúde óssea. “As mulheres devem ficar atentas principalmente quando estiverem próximas da menopausa e os homens na andropausa”, orienta o médico. Outras recomendações importantes são evitar o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o sedentarismo, pois essas medidas contribuem para manter a coluna saudável mesmo com o avançar da idade. “Em relação à nossa postura, sempre temos que nos preocupar” alerta o médico do Einstein.
Benefícios da vitamina D: por que ela é tão importante para a saúde

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 06/06/2025 Entenda os benefícios da vitamina D para o corpo e saiba quais sinais indicam deficiência e quando buscar orientação médica. A vitamina D é um nutriente indispensável para o bom funcionamento do corpo e impacta diretamente a nossa saúde e qualidade de vida. Conhecida como “vitamina do sol”, a substância é fundamental para fortalecer os ossos, reforçar o sistema imunológico, proteger o coração e até promover o equilíbrio emocional. Não é à toa que os benefícios da vitamina D são tão reconhecidos pelos profissionais de saúde. Manter níveis adequados de vitamina D é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças e garantir o bom desempenho de diversas funções do organismo. Seus benefícios vão muito além da saúde óssea, influenciando positivamente a imunidade, a saúde cardiovascular, a força muscular e o bem-estar mental. Para que serve a vitamina D no organismo? A vitamina D é uma substância lipossolúvel, ou seja, ela se dissolve em gordura e pode ser armazenada pelo corpo. Sua principal função é auxiliar na absorção de cálcio e fósforo, minerais essenciais para a formação e manutenção dos ossos e dentes. Entender essa função básica é fundamental para reconhecer os benefícios da vitamina D para o esqueleto e a estrutura corporal. Essa vitamina também é importante na sua relação com a saúde cardiovascular. Estudos indicam que níveis adequados da substância estão associados a um menor risco de doenças do coração, pois ajudam a regular a pressão arterial e a reduzir a inflamação dos vasos sanguíneos. Outro ponto é que a vitamina D está envolvida na função muscular, prevenindo fraqueza e reduzindo o risco de quedas, especialmente em idosos. Ao considerar todos esses fatores, fica claro como os benefícios da vitamina D se estendem a várias áreas da saúde. Quais são os principais benefícios da vitamina D? Os benefícios da vitamina D são amplos e impactam diferentes sistemas do corpo. Confira abaixo os principais: Fortalecimento dos ossos e dentes A vitamina D é essencial para a absorção do cálcio, prevenindo doenças como a osteoporose e o raquitismo. Ela também ajuda na mineralização óssea, tornando os ossos mais resistentes e saudáveis. Reforço do sistema imunológico Essa vitamina desempenha um papel fundamental na regulação do sistema imune, ajudando a prevenir doenças infecciosas, como gripes e resfriados. Estudos também sugerem que ela pode reduzir o risco de doenças autoimunes, como esclerose múltipla e artrite reumatoide, ampliando ainda mais os benefícios da vitamina D. Prevenção de doenças cardiovasculares Pesquisas apontam que a vitamina D pode contribuir para a saúde cardiovascular, reduzindo inflamações e ajudando a controlar a pressão arterial. Dessa forma, incluir os benefícios da vitamina D na rotina de cuidados diários pode ser um método eficiente para reduzir o risco de hipertensão, infarto e AVC. Melhora da saúde mental Estudos sugerem que a vitamina D também pode estar relacionada à melhora do humor e à prevenção de transtornos como a depressão. Assim, entre os diversos benefícios da vitamina D, destaca-se também o seu impacto positivo sobre o equilíbrio emocional e a saúde mental. O que a falta de vitamina D pode causar? A deficiência de vitamina D pode gerar vários problemas de saúde, afetando diferentes áreas do corpo. Os principais sintomas da falta de vitamina D incluem: Além disso, a deficiência prolongada dessa vitamina pode levar ao desenvolvimento de doenças mais graves, como osteoporose, raquitismo (em crianças), doenças cardiovasculares e transtornos metabólicos. Como garantir bons níveis de vitamina D? A principal forma de obter vitamina D é através da exposição solar. Quando a pele entra em contato com a luz do sol, o corpo sintetiza a vitamina D naturalmente. No entanto, fatores como uso excessivo de protetor solar, pouca exposição ao sol e idade avançada podem dificultar essa produção. 1. Exposição solar Para garantir bons níveis de vitamina D, recomenda-se tomar sol por pelo menos 15 a 30 minutos ao dia, preferencialmente nos horários de menor intensidade (antes das 10h e depois das 16h). 2. Alimentação rica em vitamina D Embora a principal fonte seja a luz solar, alguns alimentos também contêm vitamina D. Entre os mais recomendados estão: 3. Suplementação Em casos de deficiência ou dificuldade em obter vitamina D de forma natural, a suplementação pode ser necessária. Sempre consulte um médico ou nutricionista para avaliar a necessidade de suplementação de vitamina D e a dosagem correta. A maioria dos suplementos de vitamina D são facilmente encontrados em farmácias e podem ser adquiridos dependendo das suas necessidades. Os benefícios da vitamina D para a saúde são amplos, indo desde a manutenção da saúde óssea até a prevenção de doenças crônicas. A deficiência dessa vitamina pode causar sérios problemas, tornando essencial garantir bons níveis por meio da exposição solar, alimentação e, quando necessário, suplementação. Mantenha sua saúde em dia e aproveite todas as vantagens da vitamina D.
Estudo mostra o que é preciso para envelhecer bem e com qualidade

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 20/07/2025 Segundo pesquisa, são necessários tratamentos específicos de saúde, utilizar senolíticos (medicamentos que eliminam células envelhecidas e danificadas), além de mudar hábitos de vida e adotar políticas públicas efetivas No mundo em que mais de 1 bilhão de pessoas já ultrapassaram os 60 anos e, no Brasil com 32 milhões de homens e mulheres acima dessa idade, pensar em uma vida longeva com qualidade passou a ser prioridade. Uma equipe de cientistas europeus acaba de publicar um estudo em que alerta o quanto é urgente adotar políticas públicas que programem a velhice e previnam as doenças “típicas” dessa faixa etária, além da emergência nas mudanças de hábitos, incluindo alimentação saudável, exercícios físicos e redução de situações de estresse. Artistas, como o multi-instrumentista Hermeto Pascoal, de 89 anos, provam isso ao deixar que a sensibilidade e a leveza os guiem. De forma semelhante, age Dona Onete, de 86 anos, que sugere abandonar os maus pensamentos para viver bem. Porém, os cientistas preferem ir pela razão. A programação para um envelhecimento com qualidade de vida e a prevenção também são as premissas defendidas pelos profissionais de distintas áreas da saúde que lidam com idosos. O Correio ouviu médicos, fisioterapeutas e psicólogos que atuam diretamente com pessoas acima dos 60 anos. Todos foram unânimes na defesa da adoção de medidas de políticas públicas para o tema e das alterações cotidianas para a longevidade. Recomendações que os cientistas europeus ratificaram no estudo recém-publicado. Publicado na revista científica Agim, o estudo “Repensando os cuidados de saúde por meio da biologia do envelhecimento” envolveu pesquisadores do Instituto Europeu de Pesquisa para Biologia do Envelhecimento (ERIBA), da Universidade Médica de Groningen (UMCG) e da Universidade de Groningen (RUG). A proposta é adotar medidas preventivas, por meio da biologia do envelhecimento, e assim, estender a expectativa de vida, garantindo saúde às pessoas e menos despesas aos cofres públicos com atendimentos e tratamentos para quem sofre de comorbidades “preveníveis”. Batalha Para o pesquisador Marco Demaria, do Instituto Europeu de Pesquisa para Biologia do Envelhecimento (ERIBA), primeiro autor do estudo, trata-se de uma batalha em que é preciso “atacar” o processo biológico do envelhecimento, prevenindo as doenças crônicas e, paralelamente, colocando em prática políticas de atendimento à saúde que corroborem com esse esforço. Segundo ele, ao incentivar essas mudanças, casos de câncer, doenças cardíacas e diabetes tipo 2 diminuirão. De acordo com o cientista, os cuidados para o envelhecer bem passam por três pilares: identificar eventuais problemas de saúde e tratá-los; utilizar novas ferramentas de prevenção, como senolíticos (medicamentos que eliminam células envelhecidas e danificadas que podem contribuir para o envelhecimento e doenças relacionadas) e células senescentes prejudiciais, e rapalogs (medicamentos preventivos de doenças relacionadas ao envelhecimento que regulam o metabolismo celular e previnem futuros problemas), além de mudanças de estilo de vida e adoção de políticas públicas efetivas. No estudo, os pesquisadores observaram que as queixas mais comuns entre os idosos passam por doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, osteoartrite, neurodegeneração e câncer. Também há a chamada “polifarmácia” , que é o uso de múltiplos medicamentos para tratar doenças coexistentes que acabam causando complicações adicionais, como efeitos colaterais e aumento de hospitalizações. “A prevenção de danos relacionados ao envelhecimento exige uma mudança sistêmica em direção à pesquisa preditiva e preventiva, com ênfase em dados multiômicos, intervenções no estilo de vida e intervenções no início da vida”, ressaltou Demaria. Prevenção No estudo e na prática, pesquisadores e profissionais de saúde defendem que a prevenção é fundamental para assegurar um envelhecimento com qualidade. São escolhas cotidianas que mudam a perspectiva futura, ressaltam os cientistas e os médicos, fisioterapeutas e psicólogos, como a adoção de exercícios físicos, alimentação saudável, sono de qualidade e redução do estresse. Para Marco Túlio Cintra, médico, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e professor adjunto do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o processo vai além das escolhas individuais, é preciso adotar políticas públicas urgentes. “Temos de mudar muito a realidade brasileira”, ressaltou. “(É preciso) modificar com mais mobilidade, mais acesso à educação e à saúde, melhoria de diagnóstico precoce, fora os próprios idosos que precisam ter mais oportunidade para viverem ativos.” A psicóloga Marcelle Passarinho Maia, coordenadora da Psicologia do Hospital Anchieta Ceilândia, acrescentou que a atenção com o envelhecimento deve começar muito antes da idade madura. “É recomendável que a reflexão comece na juventude, mas, idealmente, deve se intensificar na meia-idade. A partir dos 40 anos, é preciso ter mais consciência dos riscos de saúde associados ao envelhecimento e buscar implementar mudanças em seus estilos de vida”, reiterou. Priscilla Mussi, geriatra e coordenadora de Geriatria do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, e do programa Cuidar Idoso, relembrou a sabedoria popular para ratificar a urgência desses cuidados. “É aquele velho ditado ‘a gente colhe o que planta’. Se você fizer atividade física, alimentar bem, controlar o estresse, ter um bom propósito de vida e dormir bem, a chance de alcançar 90-100 anos com qualidade é muito alta. Meus pacientes centenários dizem que o maior segredo é não ficar parado física, mental e emocionalmente.” Hudson Azevedo Pinheiro, presidente de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) seção DF, fisioterapeuta especialista em gerontologia com doutorado em ciências e tecnologias em saúde pela Universidade de Brasília (UnB), ressalta: “Desde o nascimento, a gente envelhece. Então o processo de envelhecimento é dinâmico, acontece desde o momento que a gente é concebido porque vão acontecendo essas mudanças. Os comportamentos sedentários, como muito tempo em tela. É preciso prestar atenção sobre casos de família, como as situações de hipertensão e diabetes. Então, bons hábitos.” *Colaborou Pedro Ibarra Mais tempo e dignidade *Sugestões feitas por especialistas brasileiros de distintas áreas de saúde ouvidos pelo Correio. Segredo “Segredo mesmo não tem. Eu deixo o universo mandar. Todo dia acordo, escuto o passarinho, até o silêncio, e já vem música nova na cabeça. Não premedito nada; sinto e toco. Quando a criatividade flui, a mente fica limpa. Somos todos semelhantes, irmãos, ninguém é dono do som.

