Suplementação de colágeno: funciona ou é dinheiro jogado fora?

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 01/10/2025 Proteína produzida naturalmente pelo organismo está presente em tecidos como pele, cartilagens, tendões, ligamentos e ossos. Firmeza na pele, redução de rugas, fortalecimento de tecidos e até ajuda na saúde óssea e muscular. Quando o assunto é benefícios do colágeno, a lista de problemas que os suplementos prometem combater é enorme. Mas, será que essa prática é realmente garantida ou apenas dinheiro investido sem retorno algum? Antes de tudo, e importante entender o que é o colágeno. Em conversa com a CNN, o biomédico Thiago Martins, mestre em medicina estética, explica que trata-se de uma proteína estrutural produzida naturalmente pelo organismo. “Representa cerca de 30% de todas as proteínas do corpo humano e está presente em tecidos como pele, cartilagens, tendões, ligamentos e ossos”. Sua principal função, então, é atuar como uma “cola” que mantém as células unidas, sendo fundamental para a integridade e regeneração dos tecidos. Na pele, é responsável por sua firmeza e sustentação. “Já nas articulações e nos ossos, promove resistência e flexibilidade, prevenindo desgastes e lesões”, comenta. De acordo com o profissional, entre 25 e 30 anos, a produção natural do colágeno pelo organismo começa a diminuir de forma gradual, cerca de 1% a 1,5% ao ano. “Isso ocorre por uma desaceleração dos processos metabólicos e pela menor atividade dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno. Com o tempo, essa redução impacta diretamente na qualidade da pele e de outros tecidos”, diz. Também à CNN, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, também explica que essa queda está relacionada ao envelhecimento fisiológico. “Há uma redução na atividade celular e um aumento na degradação das fibras de colágeno existentes, processo agravado por fatores como exposição solar excessiva, tabagismo, estresse e alimentação inadequada. Esses elementos aceleram a quebra do colágeno e dificultam sua reposição”, acrescenta. Teoria e prática da suplementação de colágeno Na prática, a suplementação de colágeno, especialmente em sua forma hidrolisada (peptídeos de colágeno), pode sim trazer benefícios reais, desde que seja bem formulada e utilizada continuamente. “Diversos estudos apontam melhora na hidratação, elasticidade e densidade da pele após alguns meses de uso. No entanto, ela não deve ser encarada como solução isolada. Procedimentos dermatológicos como lasers, ultrassom microfocado e bioestimuladores injetáveis são ferramentas eficazes para estimular a produção endógena de colágeno, e, nesse contexto, a suplementação pode atuar como um reforço complementar, otimizando os resultados e favorecendo a recuperação dos tecidos”, explica Lucas. “O principal desafio é garantir que os peptídeos de colágeno sejam efetivamente absorvidos pelo intestino e atinjam os tecidos-alvo em concentração suficiente para estimular os fibroblastos. Além disso, a escolha do tipo certo de colágeno e a presença de nutrientes auxiliares são determinantes para o sucesso da suplementação. A qualidade do produto e o uso contínuo também fazem diferença”, adiciona. Mitos e verdades sobre suplementação de colágeno Faz bem à pele? “Verdade. Estudos clínicos têm demonstrado que a suplementação com peptídeos de colágeno pode trazer benefícios para a pele, como melhora da hidratação, elasticidade e redução de linhas finas. No entanto, é fundamental que a suplementação faça parte de um plano de cuidados integrado, que inclua proteção solar, alimentação balanceada e, quando indicado, tratamentos dermatológicos específicos”, entrega Lucas. Protege as articulações? “A ideia de que a suplementação de colágeno pode proteger as articulações tem um fundo de verdade, mas é importante entender os limites dessa ação. Pesquisas recentes sugerem que o uso de colágeno hidrolisado, especialmente quando associado à vitamina C, pode ajudar na manutenção da cartilagem e na redução de dores articulares leves, principalmente em pessoas com início de desgaste nas articulações ou em praticantes de atividade física intensa”, explica à CNN o ortopedista Daniel Oliveira, especialista em coluna vertebral. “No entanto, é essencial saber que os efeitos são geralmente sutis e que o colágeno não é uma solução milagrosa. Ele deve ser visto como um aliado dentro de um plano mais amplo de cuidados com as articulações, que inclui uma boa alimentação, exercícios físicos regulares, controle do peso e, quando necessário, acompanhamento médico e fisioterapia”, diz. Melhora a imunidade e amplia a longevidade? “Mito. Nenhuma ação isolada, suplemento ou alimento específico é capaz, por si só, de melhorar a imunidade e ampliar a longevidade. Essa é uma afirmação simplista, que desconsidera a complexidade do processo de envelhecimento e os múltiplos fatores que influenciam a saúde ao longo da vida”, conclui a geriatra Simone de Paula Pessoa Lima à CNN.
Sono na terceira idade: como melhorar a qualidade e evitar riscos à saúde

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/03/2025 Médico explica por que distúrbios do sono são tão comuns em idosos. Por que os distúrbios do sono são tão comuns em idosos? Há algumas explicações para isso. A primeira delas é a mudança de rotina típica dessa faixa etária. A mobilidade diminui, e o idoso já não produz como no passado. Ficar mais tempo dentro de casa, não ter horários fixos para as refeições, reuniões ou outras atividades interfere na rotina diurna e, consequentemente, afeta a qualidade do sono. Costumo dizer que o sono é preparado desde o momento em que acordamos. Se as atividades não são regradas, o sono também não será. Outra alteração importante é a própria mudança fisiológica que a terceira idade acarreta: o idoso torna-se mais matutino, ou seja, tende a dormir mais cedo e acordar mais cedo. Além disso, a fragmentação do sono e os cochilos diurnos tornam-se mais frequentes. Essas mudanças fisiológicas ocorrem, principalmente, devido à redução na produção de melatonina. Por fim, vale destacar que, nessa faixa etária, há maior probabilidade de distúrbios do sono, como insônia e apneia do sono, decorrente do relaxamento da musculatura do pescoço. Essas duas condições contribuem para um sono mais interrompido. Os impactos das noites mal dormidas na saúde do idoso O fato de o idoso acordar várias vezes à noite pode contribuir para a exacerbação do sistema nervoso autônomo simpático. Em outras palavras, é como se, durante a noite, o indivíduo ativasse repetidamente o sistema de alerta, o mesmo que entra em ação quando tomamos um susto. Esse mecanismo gera aumento dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória, além de liberar substâncias como adrenalina e noradrenalina. Esses efeitos podem trazer consequências cardiovasculares, como maior risco de hipertensão arterial, arritmias e infarto agudo do miocárdio. Além disso, a privação do sono compromete a eficiência do sistema glinfático, responsável pela limpeza do cérebro. Esse sistema “varre” proteínas resultantes da atividade cerebral, e o acúmulo de algumas delas, como a beta-amiloide e a tau, está associado a doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer. Alterações cognitivas são comuns nessa faixa etária, e cabe ao médico avaliar criteriosamente se são esperadas para a idade ou se indicam um quadro patológico que requer intervenção precoce. A depressão em idosos, frequentemente causada por mudanças nas relações familiares e, por vezes, pela exclusão social, pode ser agravada pela má qualidade do sono. Estratégias para melhorar a qualidade do sono na terceira idade *Texto escrito pelo otorrinolaringologista e médico do sono Danilo Sguillar (CRM 130.313 / RQE 148609), professor do Instituto do Sono e secretário do Departamento de Medicina do Sono da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia
Como parar de roncar? Ciência aponta quatro hábitos para um sono tranquilo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 26/08/2025 Pequenas mudanças de hábito e tratamentos simples podem reduzir ou até eliminar o ronco, melhorando a qualidade do sono e da saúde O ronco é um problema comum, mas que vai muito além de um simples incômodo noturno. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira do Sono, 40% da população adulta sofre com o problema. Os ruídos durante o sono podem resultar em noites mal dormidas, fadiga diurna, queda no desempenho e, em alguns casos, até mesmo estarem associados a problemas mais graves. Diante disso, surge a pergunta: como parar de roncar? Para o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, especialista em Medicina do Sono e diretor do Laboratório do Sono do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), algumas ações simples, mas eficazes podem ser aplicadas para evitar que o problema se agrave. Causas do ronco De acordo com Lorenzi, o ronco é causado por uma obstrução da via aérea superior na região da faringe, na área da garganta. Ele pode ocorrer por alguns fatores específicos, por exemplo, a anatomia dessa parte do corpo. “As causas do ronco estão relacionadas a uma anatomia desfavorável, ou seja, uma via aérea estreita na região da garganta. Um dos fatores que podem agravar esse estreitamento é a posição ao dormir. Quando a pessoa está de barriga para cima, há maior tendência ao ronco do que quando dorme de lado. Isso acontece porque, nessa posição, a língua tende a cair para trás em direção à parede da faringe, reduzindo ainda mais o espaço para a passagem do ar”, destaca o especialista. Outra característica que pode influenciar na ocorrência do ronco é a obesidade, de acordo com o pneumologista. O médico afirma que o aumento de peso tem relação direta com a possibilidade de a via aérea superior ficar mais estreita, devido ao acúmulo de gordura. “O ganho de peso não acontece apenas de forma externa: ele também afeta estruturas internas. A língua, por exemplo, é um músculo que pode acumular gordura, assim como a região da faringe. Esse acúmulo reduz o espaço disponível para a passagem do ar durante o sono, favorecendo o surgimento do ronco”, explica Lorenzi. Ainda, a obstrução nasal também pode contribuir para o ronco. O médico especialista explica que quando o nariz está obstruído, a pessoa tende a respirar pela boca. Esse movimento desloca a base da língua para trás, aumentando a chance de ronco. O ideal é que a língua permaneça posicionada no céu da boca, logo atrás dos dentes incisivos superiores, o que ajuda a manter a via aérea mais estável durante o sono. 4 maneiras comprovadas de parar de roncar Geraldo Lorenzi Filho aponta algumas medidas cientificamente comprovadas para reduzir ou até eliminar o ronco. Algumas delas podem ser adotadas imediatamente e já trazerem resultados perceptíveis. 1. Dormir de lado A posição ao dormir tem grande influência sobre o ronco. De barriga para cima, a língua tende a cair para trás, em direção à parede da faringe, estreitando ainda mais a passagem de ar. Dormir de lado ajuda a estabilizar a língua e manter a via aérea mais livre. Uma dica que o especialista dá é usar um travesseiro mais alto, que sustente bem a cabeça, e colocar outro entre as pernas para manter o corpo alinhado durante a noite. 2. Buscar perder de peso A obesidade é um fator muito associado ao ronco. O excesso de gordura na língua e na região da faringe reduz o espaço para a passagem do ar. Segundo Dr. Lorenzi, estudos mostram que, a cada 10% de perda de peso, a apneia do sono melhora em cerca de 26% a 30%. Isso também vale para o ronco: emagrecer pode trazer uma melhora significativa. 3. Evitar álcool ou substâncias relaxantes O consumo de bebidas alcoólicas ou de certos medicamentos relaxantes antes de dormir aumenta o risco de ronco. Isso acontece porque essas substâncias relaxam excessivamente a musculatura da garganta, facilitando a obstrução da via aérea. Evitar o álcool, especialmente nas horas que antecedem o sono, pode fazer diferença na redução do ronco. 4. Exercitar a garganta Assim como qualquer outro músculo do corpo, a musculatura da garganta pode ser fortalecida com exercícios. Atividades indicadas por fonoaudiólogos ajudam a tonificar a região, evitando o relaxamento excessivo que favorece o ronco. Lorenzi explica que essa prática reduz o problema e pode melhorar casos de apneia leve e até moderada. Além disso, a prática regular de exercícios físicos no dia a dia também auxilia, já que contribui para a substituição de massa gorda por massa magra. É importante lembrar que dormir bem é essencial para a saúde física e mental. O ronco não deve ser visto apenas como um detalhe sem importância, mas como um sinal de que algo pode estar comprometendo a qualidade do sono. Se as medidas aqui indicadas não funcionarem, é fundamental buscar ajuda médica especializada em sono.
Seminário Sobre Solidão 22/10/2025

Médico explica ação da melatonina na qualidade do sono

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/03/2025 Diretor do Laboratório do Sono do InCor esclarece mitos e verdades sobre o uso da melatonina e sua eficácia na melhoria do sono. Durante a Semana Mundial do Sono, o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do InCor, compartilhou informações valiosas sobre o uso da melatonina e seus efeitos na qualidade do sono. Em entrevista à CNN, o especialista abordou questões importantes sobre este hormônio, que tem ganhado popularidade como suplemento para problemas de sono. De acordo com o Lorenzi, uma das principais vantagens da melatonina é sua segurança. “A grande vantagem é que melatonina não faz mal”, afirmou o especialista, tranquilizando aqueles que consideram seu uso. No entanto, ele ressaltou que, apesar de ser segura, a eficácia da melatonina como indutor do sono não é tão significativa quanto muitos acreditam. Função e limitações da melatonina O especialista explicou que a melatonina é um hormônio naturalmente produzido pelo corpo à noite, quando há menos luminosidade, sinalizando que é hora de dormir. Contudo, Lorenzi alertou que tomar melatonina enquanto se mantém exposto à luz de dispositivos eletrônicos pode anular seus efeitos: “Você tomar melatonina e ficar no celular, ligadão com aquela luz, não vai funcionar, não vai ajudar”. Quanto à eficácia, o médico indicou que, em geral, a melatonina tem um efeito pequeno na indução do sono. Ele mencionou que pode ser mais benéfica para idosos com pouca exposição à luz, mas não deve ser considerada uma solução milagrosa para problemas de sono. Lorenzi enfatizou que a melatonina “pode ajudar a manter um ambiente interno favorável para o sono”, mas não é um indutor direto. Ele também alertou sobre o efeito placebo, sugerindo que muitas pessoas podem sentir benefícios simplesmente por acreditar na eficácia do suplemento. Por fim, o especialista ressaltou a importância de considerar os hábitos diários e o estilo de vida ao abordar problemas de sono, em vez de depender exclusivamente de suplementos. “A gente precisa falar muito mais do teu dia, dos teus hábitos, do que chegar lá e falar ‘agora eu vou desligar a chave’. Em geral, isso não funciona”, concluiu Lorenzi, destacando a necessidade de uma abordagem mais holística para melhorar a qualidade do sono.
Hipertensão: por que a pressão ’12 por 8′ passou a ser considerada alta por médicos

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/09/2025 A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, publicada em setembro, apertou as metas sobre a pressão considerada ideal, ou saudável. A partir de agora, o tradicional 12 por 8 — antes considerado um valor normal, ou “limítrofe” — já passa a ser considerado um quadro que merece atenção de profissionais da saúde. O novo documento segue a mesma linha de outros consensos publicados recentemente, como é o caso de uma nova abordagem de tratamento adotada por médicos europeus a partir de 2024. A nova diretriz assinada por diversos especialistas da área simplifica alguns conceitos e recomenda um tratamento mais intenso logo nos primeiros estágios da doença. Em resumo, as metas de pressão ficaram assim: Vale destacar que esses números levam em conta a medida da pressão feita no consultório, por um especialista, em pelo menos duas ocasiões. O número mais alto corresponde à pressão do sangue nas artérias quando o coração bate, conhecida como pressão arterial sistólica. E o número mais baixo é a pressão entre as batidas, conhecida como pressão arterial diastólica. Com isso, uma pressão normal passa a ser aquela que fica abaixo de 119 por 79 mmHg, num número que fica mais ou menos no popular 11 por 7. Segundo a diretriz, o objetivo é intensificar o tratamento em estágios iniciais, para que a pressão arterial fique dentro da meta especialmente entre pessoas com risco aumentado de doenças cardiovasculares. Como você vai entender ao longo da reportagem, as novas classificações também alteram os esquemas de tratamento medicamentoso e os cuidados de estilo de vida. Um problema monumental O descontrole da pressão arterial é o principal fator de risco por trás de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “As doenças cardiovasculares são as que mais matam no Brasil e no mundo. No nosso país, por exemplo, uma pessoa morre a cada 90 segundos por causa de algum problema no coração ou nos vasos sanguíneos”, estimou o médico Fábio Argenta, membro do Conselho de Ética Profissional e do Comitê de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em entrevista à BBC News Brasil em outubro de 2024. “A hipertensão é o principal fator de risco não apenas para infarto e AVC, mas também está relacionada com insuficiência cardíaca, insuficiência renal, cegueira e até demência”, pontuou o especialista. E é curioso pensar como algo tão relevante — e tão frequente — não chama a atenção e não é visto como uma grande ameaça pela maioria das pessoas. O médico Carlos Alberto Machado, assessor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), calcula que quase 1,2 bilhão de pessoas sofrem com a hipertensão no planeta. “O grande problema é que mais da metade nem sabe que é hipertensa. Entre aquelas que sabem, só metade faz o tratamento. E entre quem faz tratamento, apenas metade tem a pressão controlada”, resumiu o cardiologista. Para o especialista, as mudanças nas diretrizes europeias anunciadas em 2024 ajudaram a chamar atenção para o aumento da pressão arterial, mesmo que ela ainda não tenha alcançado os índices compatíveis com um quadro de hipertensão. “Eles reforçam que esse risco cardiovascular já começa com uma pressão relativamente baixa”, disse ele. “Precisamos levantar a bandeira de que o adequado não é mais o 12 por 8”, complementou Argenta. A estratificação de risco da pressão alta Mas o que todas essas mudanças de critérios significam na prática? Para aqueles que estão com a pressão arterial dentro dos valores adequados (abaixo de 12 por 7, em média), vida normal: não é preciso fazer nada em específico. Para os hipertensos, não há dúvidas de que é necessário começar um tratamento medicamentoso, além de incentivar uma série de mudanças no estilo de vida — sobre as quais falaremos adiante — para diminuir o risco de vários problemas de saúde. Já para os que estão com a pressão acima de 130 por 80 mmHg (13 por 8) — a recomendação da nova diretriz é passar pela chamada “estratificação de risco”. Em resumo, o médico vai avaliar uma série de indicadores de saúde para estimar a probabilidade de o indivíduo sofrer algum desfecho cardiovascular mais grave (como infarto ou AVC). Na hora de fazer essa conta, os especialistas consideram questões como o diagnóstico de outras doenças cardíacas ou a presença de outras enfermidades crônicas, como diabetes tipo 2, colesterol elevado, obesidade… Se o risco de o paciente sofrer algum desfecho cardiovascular nos próximos anos for mais baixo, a recomendação é promover uma série de mudanças de estilo de vida e reavaliar a pressão arterial em um ano. Agora, se esse risco for mais elevado, o documento indica fazer as mudanças de estilo de vida e, após três meses, iniciar o tratamento medicamentoso para os indivíduos cuja pressão seguir acima de 130 por 80 mmHg. Já para o grupo em que risco é médio e merece uma série de ponderações, o médico deve considerar fatores relacionados à etnia, sexo, deprivação socioeconômica, doenças autoimunes, entre outros, para definir o melhor caminho — pode ser necessário, por exemplo, testar as mudanças de estilo de vida por um ano ou fazer uma reavaliação após três meses para checar a necessidade de entrar com os remédios. Hipertensão e mudanças no estilo de vida Manter-se no peso (ou emagrecer), adotar uma dieta variada e equilibrada, ter uma rotina regular de atividade física, não fumar, evitar bebidas alcoólicas e reduzir o consumo de sal são as recomendações clássicas para baixar a pressão. Mas as diretrizes europeia e brasileira trouxeram duas novidades relevantes nessa seara. Primeiro, aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio — que, ao contrário do sódio encontrado no sal de cozinha, abaixa a pressão. Em segundo lugar, investir em treinamentos isométricos e de resistência, como os exercícios feitos na academia. O consenso brasileiro também chama a atenção para a importância das “práticas de espiritualidade e controle de estresse”. Os médicos ouvidos pela BBC News Brasil entendem que as novas recomendações de estilo de vida são bem-vindas, mas devem ser adotadas com alguns cuidados e
5 dicas para lidar com o estresse

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 20/09/2025 Quando as férias acabam e tudo o que fica parece ser uma lembrança distante, a rotina volta a todo vapor. Essa energia de voltar à ativa pode deixar um sentimento de esgotamento em muitas pessoas. O estresse, em pequenas doses, pode nos ajudar a manter a energia, mas, se não for controlado, pode prejudicar nossa saúde, humor e relacionamentos. O cortisol, frequentemente rotulado como o hormônio do estresse, virou um termo da moda no bem-estar, mas ele não é o inimigo — é o que nos ajuda a acordar, ficar alerta e lidar com os desafios. Aqui estão cinco maneiras simples e comprovadas pela ciência de gerenciar o estresse e retomar o controle. 1. Pare de se estressar com isso Ironicamente, ficar preocupado com os efeitos do estresse pode fazer com que ele piore. Quanto mais falamos sobre os danos que o estresse causa, começamos a pensar “agora estou estressado e sei que está me fazendo muito mal”. Então tente não se preocupar muito com como você está se sentindo. O estresse é parte normal da vida e é inevitável, especialmente durante grandes desafios como o luto, cuidar de entes queridos e crianças pequenas, ou lidar com as incertezas do trabalho. Em vez de entrar em pânico por estar estressado, aceite que isso acontece e se lembre de que isso não vai durar para sempre. 2. Mexa-se A melhor maneira de controlar o estresse fisicamente é se exercitar. O exercício físico faz o mesmo que o estresse com o seu corpo: aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial, acelera a respiração e libera adrenalina e cortisol. Ao se exercitar, seu corpo aprende a controlar os picos de cortisol e a lidar com essas oscilações, para que você esteja mais bem equipado para lidar com os maiores estresses da vida. Se você está ficando estressado pensando em qual exercício vai fazer ou em qual academia se inscrever, se lembre de que qualquer forma de exercício é válida. Não precisa ser nada muito demorado ou estressante – uma simples caminhada, corrida leve ou qualquer atividade que você goste resolverá o problema. 3. Priorize o sono Tente ir para a cama mais cedo e acordar mais ou menos no mesmo horário pela manhã para que seu corpo entre na rotina. Se você se vira na cama à noite e não consegue dormir, não se preocupe. Seu corpo pode funcionar com menos sono ocasionalmente e, com o tempo, seus ritmos naturais se recalibrarão. 4. Foque em você Gerenciar o estresse não se trata apenas de evitar os aspectos negativos, mas também de se fortalecer ativamente. Certifique-se de se alimentar bem, com muitas frutas, vegetais, alimentos integrais e proteínas de boa qualidade para abastecer seu corpo. Tente também reservar um tempo de qualidade sozinho, onde você possa relaxar e recarregar as energias. Atenção plena também pode ajudar – não se trata de usar um aplicativo de meditação ou ficar sentado em silêncio, mas de ser intencional na maneira como você encara sua vida. Reserve alguns minutos para pensar no dia ou na semana que tem pela frente, no que pode ser desafiador e em como você pode controlar seu ritmo. Tente, por exemplo, se planejar com antecedência, preparar as refeições em grandes quantidades, pois isso pode aliviar um pouco o estresse à noite, depois do trabalho. 5. Converse sobre o que está acontecendo Preocupações como dinheiro, emprego e família podem se agravar rapidamente quando mantidas reprimidas. Compartilhar suas preocupações com alguém em quem você confia alivia a carga e lhe dá perspectiva, mesmo que essa pessoa não consiga resolver seu problema. Às vezes, apenas dizer em voz alta já faz com que o problema pareça mais administrável. Descubra mais dicas sobre como lidar com o estresse no Morning Live (em inglês). Reportagem de Yasmin Rufo.
As 7 condições de saúde que mostram por que levar celular ao banheiro não é uma boa ideia

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/09/2025 Ficar sentado no vaso sanitário com o celular quando “a natureza chama” pode parecer um hábito inofensivo. Mas pesquisas indicam que prolongar o tempo no toalete pode aumentar o risco de contrair diversos problemas de saúde. Relacionamos abaixo os principais deles. 1. Hemorroidas Um estudo recente concluiu que o uso de smartphones na hora de fazer o número 2 está relacionado a um aumento de 46% do risco de desenvolver hemorroidas. Uma visita saudável ao banheiro deve durar apenas dois a três minutos, mas o estudo demonstrou que 37% dos participantes que usavam o telefone no vaso sanitário podem passar ali mais de cinco minutos. As hemorroidas são vasos sanguíneos aumentados que surgem na abertura anal ou em volta dela. Elas ocorrem devido ao aumento da pressão nos coxins anais, uma parte do tecido esponjoso em volta do ânus. Esses coxins permitem a expansão do ânus ao expelir as fezes. Ficar sentado por muito tempo no vaso sanitário causa aumento da pressão sobre os coxins, o que leva às hemorroidas, da mesma forma que quando forçamos os movimentos intestinais. Estima-se que 50% a 85% das pessoas em todo o mundo sofram de hemorroidas. Seus sintomas incluem sangramentos dolorosos, irritação, coceira e desconforto. Mas elas nem sempre apresentam sintomas. Algumas pessoas têm hemorroidas sem saber. As hemorroidas também podem gerar complicações como anemia, devido ao sangramento prolongado, e estrangulamento ou coagulação no interior da hemorroida. Ambos podem causar fortes dores. 2. Fissuras ou rasgos anais Ficar sentado por muito tempo no banheiro pode causar rasgos ou fissuras anais. Trata-se de pequenos cortes da mucosa anal. As fissuras anais são frequentemente acompanhadas por dores consideráveis, que podem ser comparadas com a passagem de vidro quebrado durante o movimento intestinal, acompanhadas por sangue vermelho brilhante. A mucosa anal é fina e ficar sentado no vaso sanitário por tempo demais causa acúmulo de sangue, o que estica a mucosa e a deixa mais propensa a lesões durante a passagem das fezes. 3. Prolapso As fezes podem não ser a única coisa que sai do corpo depois que nos sentamos no vaso sanitário. Prolongar o tempo no banheiro pode aumentar o risco de que o reto saia do corpo. Esta condição é conhecida como prolapso retal. Um caso incomum ocorreu em um homem que costumava passar até 30 minutos no vaso sanitário, jogando no smartphone. Um dia, ele encontrou cerca de 14 cm do seu reto se protuberando para fora do corpo, enquanto tentava um movimento intestinal. Ficar sentado por tempo prolongado no vaso sanitário aumenta a pressão no abdômen, o que também causa maior pressão sobre os músculos do assoalho pélvico. Estes músculos ajudam a manter dentro do corpo os nossos órgãos internos, incluindo o reto. Mas a pressão prolongada pode enfraquecer esses músculos. Nas mulheres, esta ocorrência também pode causar o prolapso de outros órgãos pélvicos, como o útero. O prolapso retal, muitas vezes, é doloroso. Você precisará ir ao hospital para que o órgão possa ser reinserido. Se houver recorrência ou em casos particularmente extremos, será necessário cirurgia. 4. Úlceras e feridas de pressão Ficar sentado no vaso sanitário por tempo prolongado pode aumentar o risco de ocorrência de úlceras de pressão na pele em contato com o assento do vaso, particularmente entre os idosos. As úlceras de pressão causam dores. Passar muito tempo sentado comprime os tecidos, reduzindo a corrente sanguínea. Isso resulta no acúmulo de substâncias tóxicas no sangue, o que prejudica os tecidos e causa seu rompimento. 5. Hérnia de hiato Ficar sentado por muito tempo no banheiro com dificuldade para defecar pode contribuir para o desenvolvimento de hérnia de hiato, principalmente em caso de susceptibilidade, como pessoas obesas ou com mais de 50 anos de idade. A hérnia de hiato surge quando parte do estômago e outros órgãos abdominais deslizam através da abertura no diafragma (um músculo em forma de cúpula que nos ajuda a respirar) e acabam na caixa torácica. As hérnias de hiato são comuns e afetam 20% das pessoas. Elas costumam resultar em indigestão, dores estomacais e desconforto em volta das costelas e do peito. É possível tratá-las com medicamentos, para reduzir a quantidade de ácido produzida pelo estômago. Em casos mais graves, elas exigem cirurgia. 6. Neuropatia do assento sanitário Ficar sentado por muito tempo no vaso sanitário comprime os principais nervos e vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo de sangue para as pernas. Isso pode fazer com que suas pernas fiquem dormentes. Este fenômeno é conhecido como neuropatia do vaso ou do assento sanitário. Normalmente, ela passa em poucos minutos. Mas houve estudos de caso em que os pacientes desmaiaram sobre o vaso sanitário após uma noite de bebida e acabaram passando a noite ali. Eles ficaram totalmente dormentes e não conseguiam se mover. Em um caso extremo, um homem desenvolveu gangrena, sepse e, infelizmente, morreu depois de adormecer no vaso sanitário. 7. Desmaio O tempo prolongado no vaso sanitário, aliado à força para defecar, também pode acabar em desmaio. Esta condição é conhecida como síncope vasovagal. Ela ocorre quando fazer força por muito tempo no banheiro irrita os nervos vagos. Estes nervos controlam muitas funções automáticas do corpo, incluindo os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea. No caso de síncope por defecação, a pressão sanguínea pode cair subitamente quando nos levantamos do vaso. Os batimentos cardíacos também diminuem, causando vertigens, tontura e desmaio. A forma saudável de fazer cocô Para reduzir o risco de sofrer alguma destas condições, passe o mínimo de tempo possível sentado no banheiro. Você também poderá mudar de posição ao usar o vaso. Evidências indicam que a melhor posição para defecar é agachado, o que reduz a tensão e a força necessária. Mas outros estudos demonstraram que esta posição pode aumentar o risco de outros problemas de saúde, como AVC e lesões do tendão de Aquiles. Outros conselhos incluem comer mais fibras e beber água, se você passar regularmente mais de cinco minutos para resolver a questão. Estas medidas podem ajudar você a fazer cocô de forma mais saudável e evitar que você faça força durante seus movimentos intestinais. * Adam Taylor é professor de Anatomia da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).
Estudo mostra como exercícios físicos podem proteger o corpo mesmo sem o uso de medicamento

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 17/09/2025 Pesquisa apresentada em congresso mostra que exercícios físicos são eficazes para reduzir o risco de complicações cardiovasculares em pessoas com obesidade, mas sem diabetes, independentemente do uso de remédios para emagrecer. Manter a perda de peso com exercícios regulares pode ser mais eficaz para a saúde cardiovascular do que o uso de medicamentos para emagrecer que simulam a ação do hormônio GLP-1. A conclusão é de um estudo com adultos obesos, mas sem diabetes, apresentado por pesquisadores da Universidade de Copenhague na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Viena, na Áustria. Os autores compararam a prática regular de exercícios com a ação da liraglutida, medicamento para tratar diabetes tipo 2 e obesidade. Diversos estudos demonstraram que a substância também reduz o desenvolvimento de aterosclerose em adultos acima do peso saudável — uma das principais causas subjacentes de doenças cardiovasculares. Na pesquisa, os cientistas da universidade dinamarquesa constataram que esse efeito protetor foi mais evidente entre pessoas que aderiram a um programa de atividades físicas. “Nossas descobertas revelam que a prática regular de exercícios é crucial para ajudar pessoas que vivem com obesidade a obter todos os benefícios cardiovasculares após uma perda de peso substancial”, disse o autor principal, Rasmus Sandsdal, da Universidade de Copenhague. Rompimento A doença cardiovascular é a principal causa de morte no mundo e frequentemente se origina da aterosclerose, uma condição crônica na qual a inflamação e os depósitos de gordura causam o endurecimento e o estreitamento das artérias. Com o tempo, as placas podem se romper, causando complicações graves, como ataques cardíacos e derrames. A obesidade causa inflamação crônica de baixo grau, que pode levar à disfunção endotelial, uma condição na qual os vasos sanguíneos tornam-se incapazes de se contrair e relaxar adequadamente e ao desenvolvimento do problema. Tanto o exercício físico quanto os medicamentos do tipo GLP-1RAs demonstraram reduzir o risco de eventos cardiovasculares associados à obesidade, como insuficiência cardíaca e ataques cardíacos. Porém, pouco se sabe sobre seu impacto no desenvolvimento de aterosclerose durante a manutenção da perda de peso. Para explorar isso mais a fundo, os pesquisadores dinamarqueses conduziram um ensaio clínico controlado por placebo com 215 adultos entre 18 e 65 anos, vivendo com obesidade (índice de massa corporal acima de 32 kg/m²) que não tinham diabetes ou outra doença crônica grave no início do ensaio. Inicialmente, os participantes tiveram de aderir a uma dieta hipocalórica de 800 kcal por dia, ao longo de oito semanas. Divisão Os 195 voluntários que haviam perdido pelo menos 5% do peso corporal (redução média de 12%, ou 13,1 kg) foram aleatoriamente divididos para, ao longo de um ano, aderirem a uma estratégia de manutenção do peso. As opções eram: exercício de intensidade moderada a vigorosa, 150 minutos por semana combinado a um placebo; tratamento com liraglutida (3mg dia); combinação de exercício (150 minutos por semana e liraglutida), ou apenas placebo. Os níveis sanguíneos dos biomarcadores inflamatórios interleucina-6 e de outros associados à função cardiovascular foram medidos no início da dieta hipocalórica, no começo da fase de manutenção do peso e após um ano. Os participantes também realizaram uma ultrassonografia da artéria carótida. Passado um ano, tanto os participantes que se exercitaram quanto aqueles em tratamento com liraglutida mantiveram o peso. No entanto, o estudo constatou que aqueles que seguiram um programa de atividades físicas — com ou sem a liraglutida — tinham níveis mais baixos de biomarcadores inflamatórios, comparado aos sedentários. Endotélio Além disso, o exercício teve um impacto favorável nos biomarcadores da função endotelial, em comparação com os participantes que não fizeram atividade física e reduziu a espessura da artéria carótida. Esses efeitos não foram observados entre os voluntários tratados com liraglutida. “O exercício regular parece conferir um efeito protetor contra o desenvolvimento de aterosclerose em pessoas que tentam manter a perda de peso”, comenta Sandsdal. “Como tanto o exercício quanto o tratamento com GLP-1RA foram bem-sucedidos na manutenção do peso perdido, parece que o primeiro desempenha um papel importante na mitigação dos fatores de risco cardiovascular de forma independente do peso”, complementa. O exercício beneficia a saúde de inúmeras maneiras, incluindo a melhoria da composição corporal e o aumento da aptidão cardiorrespiratória. Esses ganhos contribuem coletivamente para a melhoria da saúde cardiometabólica. “A mensagem mais importante de nossas descobertas é que, para aqueles que tentam manter a perda de peso, o exercício é crucial para melhorar a saúde a longo prazo”, disse a autora correspondente, Signe Sorensen Torekov, da Universidade de Copenhague. “Dados os custos sociais e econômicos substanciais das doenças cardiovasculares relacionadas à obesidade, essas descobertas destacam o exercício regular como um componente crítico do controle de peso e da saúde cardíaca.” Os pesquisadores observam que pesquisas futuras devem investigar os efeitos combinados da adesão aos exercícios e dos novos GLP-1RAs para períodos de tratamento superiores a um ano. “Canetinhas” alteram o paladar Um em cada cinco usuários de medicamentos GLP-1, as “canetas emagrecedoras”, perceberam a doçura com mais intensidade e um número semelhante se mostrou mais sensível ao sal, segundo uma pesquisa apresentada ontem na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Viena, Áustria. Segundo o estudo, as mudanças foram associadas à redução do apetite. “Terapias à base de incretina, como ozempic, wegovy e mounjaro, são amplamente utilizadas para o controle do peso, mas seu efeito na percepção do paladar ainda não está claro”, afirmou Othmar Moser, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, que liderou a pesquisa. “Se as mudanças no paladar estiverem associadas a um maior controle do apetite e à perda de peso, isso poderá ajudar os médicos a selecionar melhor as terapias, fornecer aconselhamento dietético mais personalizado e melhorar os resultados do tratamento a longo prazo para os pacientes.” Moser e colegas da Universidade Médica de Viena entrevistaram centenas de indivíduos com sobrepeso e obesidade que tomavam ozempic, wegovy ou mounjaro para perda de peso, sobre seu paladar e apetite. A duração mediana do tratamento foi semelhante para os três grupos: entre
Dieta mediterrânea: entenda quais os benefícios para a saúde

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/09/2025 Com azeite, peixes, frutas e vegetais, a dieta mediterrânea protege o coração, previne doenças e melhora a qualidade de vida. Quando o assunto é alimentação saudável, a dieta mediterrânea é uma das mais citadas pelos especialistas. Originada em países como Itália, Grécia e Espanha, ela reflete o modo de comer dessas populações ao longo de séculos: refeições simples, equilibradas e baseadas em alimentos frescos e sazonais. De acordo com a nutricionista Débora Palos, da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, essa é justamente a chave do sucesso. “A dieta mediterrânea não é sobre restrição, mas sobre equilíbrio e qualidade”, afirma a especialista. O que colocar no prato na dieta mediterrânea A nutricionista explica que o cardápio mediterrâneo tem alguns pilares bem definidos. Ela afirma que o diferencial está justamente na simplicidade. “A essência da dieta mediterrânea está em comer com prazer e calma, preferencialmente em companhia. Ela valoriza o convívio à mesa, o respeito à cultura alimentar, a prática de atividade física e o equilíbrio do descanso, porque tão importante quanto o que se come é a forma e o ambiente em que se come”, destaca Débora. A nutricionista ainda pontua quais alimentos devem ser consumidos e quais devem ser evitados. Benefícios da dieta mediterrânea As vantagens desse padrão alimentar vão muito além da teoria. “Temos grandes estudos científicos que comprovam os benefícios da dieta mediterrânea”, aponta Débora. Ela cita um estudo realizado na Espanha, que acompanhou mais de 7.400 pessoas em risco cardiovascular: “Esse estudo mostrou que a dieta mediterrânea reduziu em cerca de 30% o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular em comparação a uma dieta de baixa gordura”, afirma a especialista. Outro marco para a nutricionista foi um estudo feito na França. “Pacientes que já haviam sofrido um infarto e passaram a seguir a dieta mediterrânea tiveram até 70% menos chance de novos eventos cardíacos. Foi uma das primeiras grandes provas do poder cardioprotetor dessa alimentação”, diz Débora. A especialista ainda explica que a dieta pode prevenir doenças no coração. “O azeite de oliva, as oleaginosas e os peixes são ricos em gorduras boas, que reduzem o colesterol ruim e aumentam o bom. Além disso, compostos antioxidantes, como os polifenóis, ajudam a reduzir a inflamação e o estresse oxidativo, que são gatilhos para problemas cardiovasculares”, explica. Ela também destaca os efeitos sobre a pressão arterial e glicemia. “É um padrão alimentar rico em potássio, magnésio e fibras, nutrientes que ajudam no controle da pressão. E como tem baixo consumo de açúcares simples e ultraprocessados, melhora a sensibilidade à insulina e reduz o risco de diabetes tipo 2.” Como começar na prática Para quem deseja adotar o padrão mediterrâneo, Débora recomenda mudanças simples e progressivas no dia a dia: A dieta mediterrânea se destaca porque é equilibrada, saborosa e sustentável. “Não é uma dieta da moda. É um padrão alimentar que a ciência comprova como protetor do coração, da mente e da saúde como um todo”, resume Débora Palos. Segundo a nutricionista, o segredo está em olhar para a alimentação como parte de um todo.

