A fascinante história do alho (e quais são suas propriedades medicinais)

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/11/2025 O alho é apreciado há milhares de anos, não só pelo seu sabor intenso e inconfundível, mas pelas suas propriedades medicinais. Conhecido pelos seus efeitos antimicrobianos e antivirais, o alho, há muito tempo, é um produto fundamental na cozinha e nos remédios tradicionais. Originário da Ásia central, o alho foi levado ao longo do tempo, pelas populações migrantes, para a Europa e os Estados Unidos. Atualmente, o maior produtor mundial de alho é a China. O programa de rádio The Food Chain, do Serviço Mundial da BBC, explorou recentemente a rica história do alho e seu significado cultural. E apresentou uma questão importante: o alho é realmente benéfico para nós? Imprescindível na cozinha O alho é um ingrediente essencial na cozinha de inúmeros países. O chef dinamarquês Poul Erik Jenson recebe estudantes do Reino Unido, Austrália, Ásia e Estados Unidos na sua Escola de Gastronomia Francesa, no noroeste da França. Ele garante que nunca teve um aluno que não conhecesse o alho. Para Jenson, o alho enaltece imensamente os alimentos e se pergunta o que seria da cozinha francesa sem ele. “Não acredito que os franceses consigam imaginar um prato salgado sem alho”, afirma ele. “Dos caldos às sopas, em saladas ou pratos com carne, certamente existe um dente de alho em alguma parte. Deixar de usá-lo é inimaginável.” Mas, quando ele era criança em uma região rural da Dinamarca, no início da década de 1970, o alho era virtualmente desconhecido. Jenson recorda que o alho era conhecido principalmente pelo seu odor forte. Mas, quando trabalhadores turcos começaram a imigrar para a Dinamarca, a preparação de alimentos com alho passou a ser uma experiência mais comum. O atual chef de cozinha também se acostumou com o alho nas pizzas italianas. E, hoje em dia, ele também se beneficia do condimento como remédio no inverno. “Minha esposa e eu tomamos um copo de caldo pela manhã, com uma cabeça de alho inteira, espremida”, ele conta. “Não tivemos uma única gripe ou resfriado sério e tenho certeza de que foi graças ao alho.” Longa jornada O significado cultural e espiritual do alho se expandiu já dura milênios. Os gregos antigos deixavam alho nas encruzilhadas, como oferenda a Hécate, a deusa dos feitiços e protetora dos lares. No Egito, os arqueólogos encontraram alho na tumba de Tutancâmon (c.1341 a.C.-c.1323 a.C.), para proteger o famoso faraó na vida após a morte. E, no folclore chinês e filipino, existem lendas de pessoas usando alho para afugentar vampiros. “A receita mais antiga do mundo é um guisado mesopotâmico, de cerca de 3,5 mil anos, contendo dois dentes de alho”, segundo Robin Cherry, autora do livro Garlic: An Edible Biography (“Alho: uma biografia comestível”, em tradução livre). “A menção mais antiga do alho também tem cerca de 3,5 mil anos. Trata-se do papiro de Ebers”, prossegue a escritora. “Ele inclui muitas instruções sobre como usar o alho para curar de tudo, desde mal-estar até parasitas e problemas cardíacos ou respiratórios.” Cherry destaca que o médico e filósofo grego Hipócrates (c.460 a.C. – c.370 a.C.) usava alho em uma série de tratamentos medicinais. Além dele, pensadores e escritores de destaque, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Aristófanes (c.446 a.C.-c. 386 a.C.), também fizeram referência às propriedades medicinais do alho. Da comida dos escravos para os pratos da realeza O alho foi muito popular em civilizações antigas como a Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, China e Índia. Os soldados romanos acreditavam que o alho trazia força e coragem e o espalharam pela Europa durante suas conquistas. O alho era usado como alimento e como remédio, mas houve época em que seu uso culinário estava restrito às classes baixas. “De fato, era um alimento para as pessoas pobres”, segundo Cherry. “Acreditava-se que ele fortalecia as pessoas escravizadas que construíram as pirâmides do Egito e os marinheiros romanos. Era barato e podia disfarçar o sabor desagradável dos alimentos rançosos. Por isso, era considerado algo que só os pobres comiam.” A reputação do alho começou a mudar durante o Renascimento europeu — um período fundamental da história do continente entre os séculos 14 e 16, marcado pelo ressurgimento dos ensinos clássicos e pelo florescimento das artes e das ciências. “O rei Henrique 4° da França (1553-1610) foi batizado com alho e se alimentava muito com o condimento”, prossegue a escritora. “Isso fez com que o alho se tornasse popular.” Cherry destaca ainda que o condimento também ganhou popularidade na Inglaterra vitoriana, no século 19. O alho chegou aos Estados Unidos muito depois, nos anos 1950 e 1960. Levado pelos imigrantes, ele ajudou a reverter estereótipos. “Na verdade, o alho era usado em um sentido muito depreciativo contra judeus, italianos e coreanos”, explica Cherry. “Eles eram chamados de ‘comedores de alho’, o que tinha conotação negativa.” O alho na Medicina Existem atualmente cerca de 600 variedades de alho. Algumas delas só recentemente ficaram disponíveis em todo mundo, como o alho do Uzbequistão, na Ásia Central, e da Geórgia, na região do Cáucaso. Além do seu papel de destaque na cozinha moderna, o alho é usado regularmente para tratar ou reduzir os sintomas do resfriado. Testes clínicos examinaram seus efeitos sobre a pressão arterial, o colesterol e até o câncer, mas com resultados contraditórios. Um pequeno estudo no Irã concluiu que alho com suco de limão ajudou a reduzir o colesterol e a pressão arterial dos participantes em seis meses. Mas um estudo maior, realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, envolveu 200 indivíduos saudáveis durante seis meses e não encontrou reduções significativas dos níveis de colesterol. Um estudo de 2014, realizado na Universidade de Sydney, na Austrália, confirmou as fortes propriedades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas do alho. “O alho contém altos níveis de potássio, fósforo, zinco e enxofre, além de quantidades moderadas de magnésio, manganês e ferro. É como um vegetal milagroso”, afirma a nutricionista pediátrica e porta-voz da Associação Alimentar Britânica, Bahee Van de Bor. “O alho possui compostos encantadores que contêm enxofre, chamados alicinas”, prossegue ela. “Ele é rico em fibras prebióticas, que

Escovar os dentes antes (e não depois) do café da manhã: essa e outras 3 dicas para uma higiene bucal correta

Fonte: Correio Braziliense| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/11/2025 Até as pessoas mais esforçadas podem cometer erros grandes na hora de escovar os dentes. Todos nós achamos que sabemos escovar os dentes. Uma boa lavagem de manhã e à noite, um bom enxágue e, talvez, um enxaguante bucal mentolado, se for o caso. Mas especialistas do setor afirmam que até as pessoas mais esforçadas podem cometer certos erros que destroem todo o seu trabalho. Praveen Sharma, da Faculdade de Odontologia da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, estima que a metade dos adultos britânicos irá desenvolver doenças periodontais em algum momento da vida. E um dos primeiros sinais é o sangramento gengival. “Se as suas gengivas estão sangrando ou inflamadas, é sinal de que você precisa escovar melhor os dentes”, orienta ele. Além das visitas regulares ao dentista, Sharma e os apresentadores do programa What’s Up Docs?, da BBC Rádio 4 (os médicos Xand e Chris van Tulleken), destacam quatro medidas que podemos tomar para melhorar nossa saúde bucal. 1. Escovar bem os dentes uma vez é melhor do que duas vezes rapidamente Um dos grandes mandamentos dentários é escovar os dentes duas vezes por dia. É a recomendação do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês). Mas Sharma destaca que o importante é a qualidade, não a quantidade. “Se você tiver tempo, tudo bem, escove corretamente duas vezes por dia”, explica ele. “Mas é melhor escovar bem uma vez e outra rapidamente, por dois minutos, todos os dias.” Se você só tiver tempo para uma escovação adequada por dia, ele recomenda que seja à noite e que você também use fio dental. É claro que ninguém gosta de usar fio dental. Mas Sharma sugere que o uso de escovas interdentais pode ser mais fácil e menos doloroso. Em relação ao método, cada dente possui três superfícies: a externa, a interna e a oclusal, que usamos para mastigar. É preciso escovar todas elas. Sharma aconselha fazer pequenos movimentos circulares sobre cada superfície, sem aplicar muita pressão. Ele também recomenda atenção especial à união entre o dente e a gengiva, onde podem ocorrer as doenças periodontais. Xand van Tulleken destaca que é importante “se concentrar na sensação das cerdas” e escovar os dentes conscientemente, sem olhar o celular ao mesmo tempo. 2. Escovar os dentes antes do café da manhã, não depois Muitas pessoas escovam os dentes imediatamente depois de comer, o que pode danificar o esmalte. “O ideal é escovar os dentes antes do café da manhã”, segundo Sharma. “Você não irá querer escovar depois de comer algo ácido.” “Se você escovar os dentes depois de comer, é preciso esperar algum tempo entre a refeição e a escovação.” O motivo da espera é que os ácidos dos alimentos e bebidas, especialmente do suco de frutas e do café, podem amolecer o esmalte dos dentes. Escová-los em seguida pode desgastar o esmalte. Chris Van Tulleken recomenda enxaguar a boca com água depois de comer, para retirar parte do ácido, e esperar pelo menos 30 minutos para escovar os dentes após o café da manhã. 3. Não enxaguar depois de escovar Se você cospe, enxágua e faz gargarejos depois de escovar os dentes, talvez seja melhor repensar este processo. “Você deve cuspir sem enxaguar”, recomenda Sharma. O enxágue da boca elimina o flúor concentrado no creme dental restante. Ou seja, você pode simplesmente cuspir o excesso de creme dental, mas deixar a fina camada de flúor dentro da boca, para que ela continue protegendo seus dentes. Se você quiser enxaguar sua boca após a escovação, use um enxaguante bucal. 4. Os cremes dentais mais caros não são melhores Com as gôndolas dos supermercados repletas de cremes dentais branqueadores, com carvão e de regeneração de esmalte, fica fácil imaginar que os cremes mais caros darão um sorriso mais saudável. Mas, segundo Sharma, na verdade não importa qual marca de produto você escolher, desde que ela contenha um ingrediente chave. “Contanto que seu creme dental contenha flúor, realmente não faz muita diferença”, explica ele. Sharma destaca que ele costuma comprar a marca mais barata ou a que estiver em oferta. O flúor ajuda a proteger o esmalte dos dentes e prevenir as cáries e isso é o que realmente importa. Mas o seu dentista poderá recomendar cremes dentais para condições específicas, como gengivas sensíveis.

É sempre necessário tratar a febre? O sintoma que intrigou os médicos durante milênios

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/10/2025 Incômoda e potencialmente prejudicial, a febre é um mecanismo do corpo que auxilia no combate às infecções. Tratar o sintoma, dependendo do caso, pode retardar a recuperação e facilitar a transmissão de doenças. Suores e calafrios comprovam que algo não está bem. Um calor infernal avança até a cabeça, enquanto os calafrios percorrem a sua espinha. Você se sente indefeso, exausto e confuso. “É apenas uma febre”, você pensa. Característica evolutiva de mais de 600 milhões de anos, a febre é companheira habitual de uma enorme variedade de infecções por vírus, bactérias e fungos. Muitos de nós já vivenciamos a febre durante um episódio de gripe, por exemplo. A febre também é um sinal de enfermidades sérias, muitas vezes mortais, ao longo da história humana. E incorporamos seu nome a muitas doenças, como a febre amarela, febre maculosa, febre tifoide, febre oropouche, febre de Lassa e outras. Ainda assim, os seres humanos só conseguiram compreender totalmente como o nosso corpo produz a febre no século 20. Mas por que temos febre? Devemos sempre tratar dela? E quando ela deixa de ser um simples desconforto para se tornar um problema mais sério? Uma pequena sangria Nossos ancestrais tinham total consciência dos perigos da febre e criaram interessantes ideias sobre o funcionamento do nosso corpo, segundo a pesquisadora de ciências humanas e assistência médica Sally Frampton, historiadora da medicina da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Hoje, nós sabemos: ‘Oh, você tem febre, alguma coisa está acontecendo’”, explica ela. “Mas, para muitas pessoas do início do mundo moderno, até o século 19, a sensação era que a febre fosse a doença.” Os gregos antigos tratavam a febre de todas as formas, desde a suspensão da alimentação até a sangria. Estes dois métodos foram usados até o século 19 para tentar baixar a febre. A grande mudança do nosso conhecimento sobre a febre, segundo Frampton, surgiu com a teoria dos germes, que nos trouxe maior conhecimento sobre as infecções. A febre, então, começou a ser considerada um sintoma, não uma doença em si. A teoria dos germes Louis Pasteur (1822-1895) foi o primeiro a publicar a teoria dos germes, em 1861, identificando micro-organismos que invadem o nosso corpo como sendo a causa de doenças. O cientista francês abriu o caminho para que pudéssemos compreender as infecções microbianas como algo que podemos evitar com a higiene. Em 1875, houve um surto de mortes de mães durante o parto em um hospital de Paris, na França, devido à “febre puerperal” (hoje conhecida como infecção pós-parto). Pasteur, então, propôs que a infecção era transmitida pelos médicos e atendentes do hospital. Ele rapidamente orientou os médicos a lavar as mãos e esterilizar seus instrumentos com o uso de calor. Sabemos atualmente que a febre faz parte da reação inata do corpo à infecção. Todo o mundo animal, tanto vertebrados de sangue quente quanto de sangue frio, sofre calafrios causados pela febre, seguidos por suores pegajosos e incessantes. É o sistema de alarme e ataque contra intrusos do nosso corpo. A febre sinaliza que patógenos e outros personagens hostis invadiram nosso corpo e que estamos começando a lutar contra eles. Por mais desagradável que possa ser, a febre ajuda a nos livrarmos desses intrusos. Mas, quando não é examinada, ela pode ser prejudicial. O que é a febre? A febre é geralmente caracterizada por temperatura corporal de cerca de 38 °C ou mais. Ela pode ocorrer quando o nosso corpo reage a infecções, mas também pode ser gerada por doenças autoimunes, doenças inflamatórias ou após a vacinação. Quando o nosso corpo reage à ameaça de um vírus ou micro-organismo patogênico, como infecções fúngicas ou bacterianas, a nossa temperatura corporal aumenta. Este é um mecanismo importante para a nossa reação imunológica, pois faz com que o corpo fique menos acolhedor para os patógenos nocivos. Eles têm dificuldade de se reproduzir e desenvolver dentro de nós a essas temperaturas mais altas. “O corpo detecta algo estranho, como um vírus ou bactéria. O termostato, então, sofre um pequeno ajuste para aumentar a temperatura até o nível em que a resposta a essa ameaça seja mais eficiente”, explica o professor de imunofarmacologia Mauro Perretti, especialista em inflamações da Universidade Queen Mary, em Londres. Com isso, “as células trabalharão melhor; as enzimas funcionarão melhor. É uma reinicialização que, é claro, será transitória.” No nosso corpo, existem janelas minúsculas entre o muito frio, o ideal e o muito quente. Quando a nossa temperatura interna cai abaixo de 35 °C (o que é conhecido como hipotermia), surgem calafrios, desarticulação da fala e respiração lenta. No lado oposto da escala, o aumento da temperatura corporal acima da faixa normal por um período prolongado (hipertermia) pode ser perigoso e prejudicial para os nossos sistemas internos, incluindo o sistema nervoso central, especialmente quando ultrapassa 40 °C, podendo gerar alucinações, convulsões e até a morte. O lado bom da febre A febre envolve o aumento controlado do nosso termostato interno. Mas a hipertermia faz com que a temperatura corporal aumente descontroladamente, sem o ajuste termorregulador. Se a ameaça percebida pelo corpo for vencida, a febre abaixa. O fim de um período de febre surge quando o corpo eliminou a infecção com sucesso, seja isoladamente ou com o apoio da medicina moderna, como antibióticos para infecções bacterianas. O lado positivo da febre é que ela perdura por curto período, já que os muitos sistemas do nosso corpo exigem o retorno ao nível adequado de cerca de 37 °C para sua operação ideal. A febre é uma das bases da inflamação, que é a reação natural do nosso corpo a ameaças como lesões ou infecções. Ao lado da dor, vermelhidão e edema (o acúmulo de fluido caracterizado por inchaço) e da perda das funções normais, a febre ocorre nos sistemas e partes do corpo afetadas, quando o corpo reage a essas ameaças. Juntas, essas reações garantem que o nosso corpo reaja adequadamente ao perigo, seja ele um risco infeccioso ou não infeccioso, segundo Perretti. As crianças têm febre pelas mesmas razões dos adultos. Muitas vezes, elas estão relacionadas a infecções virais ou bacterianas. Mas elas são mais susceptíveis à febre, em grande parte, porque levam mais tempo para calibrar seu termostato interno. Além disso, nas crianças, o hipotálamo (a região do cérebro que produz os

Cogumelos alucinógenos no tratamento contra compulsão

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/10/2025 Revisão de 13 estudos com humanos e animais, financiada pelo governo australiano, mostra potencial da psilocibina, composto alucinógeno encontrado em alguns fungos, para tratar de forma duradoura transtornos como TOC e dismorfia corporal. Composto alucinógeno presente em alguns tipos de cogumelos, a psilocibina tem potencial para tratar transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e condições associadas. Uma revisão de 13 estudos clínicos e pré-clínicos, financiada pelo Conselho Nacional de Saúde da Austrália, constatou que doses únicas da substância reduziram de forma rápida e duradoura os sintomas de compulsão, tanto em pacientes humanos quanto em modelos animais geneticamente modificados. A pesquisa foi publicada na revista Psychedelics. Estima-se que cerca de 3% da população mundial sofra de TOC, e até 40% dos pacientes não respondem adequadamente aos tratamentos atuais — baseados, principalmente, em antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental. O transtorno está entre as 10 principais causas de incapacidade psiquiátrica global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).  “Os resultados convergem para um mesmo ponto: a psilocibina exerce efeitos anticompulsivos robustos e sustentados, muitas vezes após uma única administração”, resume o neurocientista James Gattuso, autor principal do estudo e pesquisador do Instituto Florey de Neurociência e Saúde Mental da Universidade de Melbourne. A revisão inclui tanto experimentos clínicos com pacientes diagnosticados com TOC e transtorno dismórfico corporal quanto estudos em camundongos com comportamentos compulsivos validados em laboratório. Consistência Entre os quatro ensaios clínicos incluídos na revisão, os resultados foram consistentes: melhora expressiva dos sintomas obsessivo-compulsivos em poucos dias, dizem os autores. O primeiro estudo tem quase duas décadas: conduzido em 2006 por Francisco Moreno, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, aplicou doses orais crescentes de psilocibina em nove pacientes com TOC resistente ao tratamento. As reduções nos escores da Escala Yale-Brown — padrão para medir a gravidade do transtorno — variaram de 23% a 100% nas horas seguintes à administração. Pesquisas mais recentes reforçam o potencial terapêutico. Em 2024, o psiquiatra Frank Schneier, da Universidade Columbia, também nos Estados Unidos, investigou 12 adultos com transtorno dismórfico corporal, condição do mesmo espectro diagnóstico que o TOC. Pessoas que sofrem do problema têm uma visão distorcida da imagem do próprio corpo.  Uma dose única de 25mg de psilocibina levou à redução significativa e duradoura dos sintomas por até 12 semanas. Sete dos 12 participantes responderam ao tratamento, e quatro entraram em remissão completa. “O padrão de melhora sugere que o efeito da psilocibina não se restringe a um diagnóstico específico, mas pode beneficiar todo o espectro obsessivo-compulsivo”, comenta Frank Schneier. Em outro estudo, de base populacional, 135 pessoas diagnosticadas com TOC relataram melhora subjetiva após consumir cogumelos contendo psilocibina. Cerca de 30% afirmaram que os benefícios persistiram por mais de três meses, especialmente entre os que haviam feito uso repetido da substância. Para os autores da revisão, os relatos indicam que esquemas de microdosagem ou doses repetidas merecem mais investigações, pois parecem promissores.  Mecanismo Se nos pacientes humanos os resultados já são animadores, nos laboratórios as descobertas são ainda mais intrigantes, disseram os autores. A revisão destaca experimentos com camundongos geneticamente modificados, conhecidos como SAPAP3 knockout, modelo validado para o estudo do TOC. Esses animais exibem comportamentos de autolimpeza excessiva, chegando a causar ferimentos na pele — um paralelo à compulsão em humanos. Nos experimentos, conduzidos em 2024 por dois grupos independentes, uma dose única de psilocibina reduziu o comportamento compulsivo nos camundongos por até seis semanas. Em alguns casos, o efeito persistiu por mais de 40 dias. “Essa replicação independente em diferentes laboratórios é o que torna os resultados tão convincentes”, explica Thibault Renoir, coautor da revisão e pesquisador do Instituto Florey. “Vemos uma resposta duradoura após apenas uma exposição, o que contrasta com os antidepressivos tradicionais, que precisam de uso diário contínuo.” O efeito não se limitou à redução de comportamentos compulsivos. Em alguns estudos, observou-se também aumento da densidade de espinhas dendríticas — pequenas projeções neuronais que formam conexões sinápticas — e elevação na expressão de proteínas associadas à neuroplasticidade, sugerindo que a psilocibina pode remodelar circuitos cerebrais anormais ligados ao TOC. Bloqueio Embora a psilocibina atue principalmente como agonista do receptor 5-HT2A da serotonina — o mesmo responsável por seus efeitos psicodélicos —, a revisão aponta que os efeitos anticompulsivos podem ocorrer mesmo quando esse receptor é bloqueado. Em modelos animais, o uso de antagonistas seletivos não impediu a melhora comportamental. Isso sugere que a substância pode agir por vias neuroplásticas alternativas, talvez modulando outros receptores de serotonina (como 5-HT2C) ou ativando cascatas moleculares associadas ao fator neurotrófico BDNF. Essa descoberta abre um campo de pesquisa promissor, diz o líder do estudo, pois análogos não alucinógenos da psilocibina, como a 1-metilpsilocina, reduziram comportamentos repetitivos em roedores sem induzir efeitos psicodélicos. “Se conseguirmos separar a experiência alucinógena do efeito terapêutico, será possível desenvolver medicamentos seguros, eficazes e acessíveis”, afirma Gattuso. Caminho da substância A aposta dos pesquisadores é que a psilocibina “destrava” o cérebro rígido do TOC ao induzir uma janela de neuroplasticidade: o circuito que antes estava preso em rituais repetitivos fica temporariamente maleável — e essa flexibilidade pode consolidar um novo padrão comportamental com menos compulsão. • Do cogumelo ao cérebro A psilocibina é convertida no organismo na substância psilocina, que se liga a receptores de serotonina no cérebro — especialmente o 5-HT2A, associado a percepção, humor e flexibilidade cognitiva. • Alívio rápido da compulsão Em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno dismórfico corporal, uma única dose reduziu sintomas obsessivos e comportamentos repetitivos em horas ou dias, com efeitos que em alguns casos duraram até 12 semanas. • Circuitos hiperativos O TOC está ligado a uma hiperativação do circuito frontoestriatal (córtex orbitofrontal, cíngulo anterior, núcleo caudado), que fica “preso” em padrões de verificação, medo e ritual. A hipótese dos autores é que a psilocibina ajuda a normalizar esse circuito — soltando o cérebro de loops rígidos. • Neuroplasticidade Em modelos animais que exibem comportamentos compulsivos severos, uma única dose diminuiu a limpeza compulsiva por semanas e foi acompanhada de sinais de reorganização sináptica: ou seja, a substância parece

Saúde Bucal: check-up odontológico é essencial para o bem-estar geral

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 25/10/2025 Descobertas recentes reforçam a importância da saúde bucal para prevenir doenças em todo o corpo. Em um cenário em que a administração da saúde se tornou um diferencial, o Dia Nacional da Saúde Bucal, celebrado no último domingo de outubro, nos convida a uma reflexão importante. A Brazil Health reafirma seu compromisso em oferecer informações confiáveis, levando a excelência médica a um público que busca conhecimento relevante. Na visão da doutora Debora Ayala, profissional com décadas de experiência em odontologia, uma abordagem integrada da saúde revela que a boca vai muito além de sua função básica: é um portal essencial para o equilíbrio do organismo e para uma vida com mais qualidade. Check-up não é luxo, é estratégia Com base em uma vasta experiência clínica e no profundo conhecimento sobre avanços científicos, é fundamental compreender que descuidar da saúde bucal pode trazer consequências sérias. Muito além da higiene diária — indispensável, porém não suficiente —, a proteção e o cuidado com o sorriso, e consequentemente com a saúde geral, dependem principalmente do check-up odontológico regular. Na prática clínica e em pesquisas, a prevenção se mostra o caminho mais eficaz para manter a saúde. O check-up odontológico, portanto, não é um procedimento opcional, mas uma necessidade estratégica que garante o equilíbrio e o bem-estar completo. Diagnóstico precoce evita problemas maiores A detecção precoce e a intervenção eficaz são possíveis graças ao exame clínico feito por um especialista, capaz de identificar problemas antes mesmo que apareçam sintomas. Com essa atenção, é possível evitar tratamentos longos e complicados, garantindo mais qualidade de vida e evitando prejuízos ao tempo e à saúde do paciente. A limpeza profissional realizada no consultório vai além do que conseguimos em casa. Ela remove resíduos que a escova e o fio dental não alcançam, prevenindo inflamações e o avanço de problemas bucais mais graves. Saúde bucal reflete no corpo todo O exame odontológico é abrangente e analisa toda a boca: mucosas, língua, céu da boca e garganta. Essa avaliação completa permite ao dentista identificar, além de problemas dentários, sinais que podem indicar doenças em outras partes do corpo ou até câncer bucal. Assim, manter a saúde da boca se transforma em um passo relevante para o cuidado do corpo como um todo e para garantir disposição e lucidez no dia a dia. Cada paciente possui características anatômicas e hábitos únicos, por isso o check-up é o momento ideal para receber orientações individualizadas. Essa consulta inclui dicas personalizadas de escovação, indicação dos melhores produtos e avaliação do que pode ser ajustado na rotina para aprimorar a higiene bucal. Vale lembrar que a saúde da boca influencia todo o organismo. Problemas bucais podem provocar ou agravar doenças em outros sistemas do corpo, como o coração, quadros de diabetes, o sistema respiratório e até a saúde durante a gestação. Assim, visitar o dentista com frequência é um investimento em sua longevidade, bem-estar físico e mental, autoconfiança e qualidade de vida. Neste Dia Nacional da Saúde Bucal, a Brazil Health, apoiada na experiência da doutora Debora Ayala e no rigor científico, convida você a transformar o check-up odontológico em prioridade. Esse cuidado é o pilar fundamental para um sorriso saudável, que reflete não apenas saúde, mas também bem-estar e plenitude. Cuidar do seu sorriso é o primeiro passo para cuidar de todo o seu corpo. *Texto escrito pela doutora Débora Ayala (CRO/SP 41974), membro da Academia Europeia de Odontologia Estética e da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética

Dieta mediterrânea: como adaptar com ingredientes brasileiros

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 27/10/2025 Saiba como seguir o padrão alimentar usando ingredientes brasileiros, com adaptações simples, sabor acessível e foco na saúde de longo prazo. Por décadas, a dieta mediterrânea tem sido apontada como uma das formas mais eficientes de se alimentar com saúde, sabor e equilíbrio. Ela nasce da tradição de países como Itália, Grécia e Espanha, onde as refeições são preparadas com ingredientes frescos e compartilhadas em torno da mesa, sempre com calma, respeito ao tempo e valorização do ato de comer. De acordo com a nutricionista Sabrina Theil, pessoas que seguem a dieta mediterrânea têm risco significativamente menor de desenvolver doenças cardíacas graves, como infarto e AVC. Mas será mesmo possível seguir essa dieta vivendo no Brasil, longe do Mediterrâneo? A nutricionista afirma que sim e mais do que possível, é totalmente viável com o que se encontra na feira e no mercado brasileiro. O que é, de fato, a dieta mediterrânea? Antes de tudo, a nutricionista aponta que a dieta mediterrânea não é uma lista rígida de alimentos ou um plano de emagrecimento. Ela é o reflexo de um estilo de vida tradicional de povos litorâneos da Europa, marcado pelo uso de ingredientes naturais, sazonais e minimamente processados. Sabrina explica que sua base é simples: comer comida de verdade, preparada com calma e consumida em convivência. A nutricionista lembra que, talvez, o grande segredo da dieta mediterrânea esteja menos no “o que comer” e mais em “como comer”: sem pressa, longe de telas e com presença. É uma cultura alimentar que preza pela qualidade, não pela quantidade. Benefícios comprovados pela ciência A popularidade da dieta mediterrânea não se deve à moda, mas à ciência. A nutricionista aponta que estudos comprovaram seus efeitos em diferentes aspectos da saúde: Adaptação à brasileira Para a nutricionista, o erro de muitos brasileiros ao tentar seguir a dieta mediterrânea é buscar alimentos importados e caros, como queijos europeus ou azeites premium, acreditando que isso garante autenticidade. Esse caminho, além de inviável, desvia da essência do mediterrâneo, que é a simplicidade. “Não precisamos importar cultura alimentar. No Brasil, temos feijão, frutas, castanhas e hortaliças que cumprem o mesmo papel nutricional com muito mais frescor”, explica Sabrina. Se no Mediterrâneo usa-se o grão-de-bico, o Brasil possui o feijão em suas diferentes variedades (preto, carioca, fradinho, jalo) rico em proteínas vegetais, fibras e minerais. As oleaginosas europeias (como nozes e amêndoas) podem ser substituídas por castanha-de-caju, castanha-do-pará e amendoim. Frutas como figo e romã encontram equivalentes tropicais como manga, acerola, goiaba e abacaxi, ricas em vitamina C e compostos antioxidantes. No campo dos vegetais, não é necessário depender de rúcula ou berinjela: a couve, o ora-pro-nóbis, a taioba, o jiló e o maxixe cumprem com excelência a missão de variedade de cores, fibras e nutrientes. A sardinha, tão valorizada na Grécia, também é abundante na costa brasileira, acessível e rica em ômega-3. Em regiões afastadas do litoral, peixes congelados de boa procedência ou receitas com ovos e leguminosas mantêm o equilíbrio proteico. Até mesmo o azeite, embora continue sendo a principal gordura recomendada, pode ter consumo parcial complementado por óleos de girassol ou canola em contextos de custo elevado. Para Sabrina, a chave é reduzir o uso de gorduras saturadas, como manteiga e banha, e privilegiar gorduras monoinsaturadas. Erros comuns ao tentar seguir a dieta mediterrânea Mesmo com boas intenções, muitos brasileiros acabam distorcendo o verdadeiro espírito da dieta mediterrânea ao tentar incorporá-la à rotina. Para a nutricionista, o erro está em copiar o cardápio europeu sem compreender o princípio central dessa cultura alimentar: equilíbrio, simplicidade e variedade. Alguns erros mais frequentes são: Mais que dieta, um estilo de vida A essência mediterrânea também convida a resgatar hábitos perdidos: comer na mesa, longe de telas, mastigar devagar, sentir o sabor. Valorizar aquilo que é feito em casa, priorizar a feira em vez de pacotes e entender a refeição como ritual, não como obrigação. “É uma cultura alimentar que une prazer, presença e saúde. No fim, é menos sobre o Mediterrâneo e mais sobre reconectar-se com a comida de verdade”, conclui Sabrina.

O perigo do consumo excessivo de açúcar

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/10/2025 A ingestão acima do ideal impacta diretamente o funcionamento do corpo e o equilíbrio metabólico O Halloween não é uma tradição brasileira, mas a comemoração caiu no gosto do público — inclusive entre os adultos. Escritórios promovem festas temáticas, academias entram no clima e, em casa, é difícil resistir aos doces que sobram das brincadeiras das crianças. Chocolates, balas e sobremesas carregadas de caldas e recheios passam a circular com mais frequência, e o que parece uma diversão inofensiva pode, na verdade, trazer riscos à saúde. Uma revisão publicada na revista britânica The BMJ, chamada “Dietary sugar consumption and health: umbrella review“, mostrou que o consumo excessivo de açúcar está associado a 45 efeitos negativos no organismo, entre eles obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, depressão e envelhecimento precoce. Embora o açúcar tenha um papel cultural e emocional importante, presente em comemorações, recompensas e até no afeto, a ciência vem reforçando que o consumo acima do ideal impacta diretamente o funcionamento do corpo e o equilíbrio metabólico. Riscos do açúcar para os sistemas do organismo Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é limitar o consumo de “açúcares livres” a menos de 25 gramas por dia, o equivalente a seis colheres de chá. No entanto, boa parte da população ultrapassa facilmente essa quantidade já no café da manhã. O médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e em Metabolômica pela Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa, explica que o açúcar em excesso interfere em praticamente todos os sistemas do organismo. “O corpo humano não foi projetado para lidar com o volume de açúcar presente na alimentação moderna. Esse consumo contínuo causa picos de glicose e insulina, aumenta a inflamação, desregula hormônios e acelera o envelhecimento celular”, afirma. Impacto do açúcar no metabolismo O açúcar é uma fonte rápida de energia, mas, quando ingerido em excesso, o que o corpo não usa é transformado em gordura e armazenado, especialmente na região abdominal. Isso contribui para a resistência à insulina, quadro em que o organismo perde a capacidade de usar a glicose de forma eficiente. “Esse é o primeiro passo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia”, explica o médico. Além do impacto metabólico, o açúcar também afeta o cérebro. Seu consumo em excesso estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer, o que explica o comportamento compulsivo. “O açúcar ativa os mesmos circuitos cerebrais de recompensa que algumas drogas. Por isso, quanto mais a pessoa consome, mais sente necessidade de consumir de novo”, destaca Danilo Almeida. Fontes escondidas de açúcar O açúcar não está apenas em sobremesas e refrigerantes. Ele aparece, muitas vezes disfarçado, em alimentos considerados “salgados” ou “saudáveis”. Pães de forma, molhos prontos, iogurtes, cereais matinais e até produtos light e zero podem conter grandes quantidades de açúcares adicionados. “O consumidor precisa ler o rótulo. Ingredientes como xarope de glicose, maltodextrina, dextrose e frutose são diferentes nomes para o mesmo açúcar”, alerta o médico. Segundo ele, mesmo os sucos de fruta industrializados e as bebidas à base de plantas podem conter grandes quantidades de açúcares livres, já que a estrutura da fruta é rompida e a fibra, responsável por retardar a absorção da glicose, é perdida. Consequências silenciosas A ingestão excessiva de açúcar também pode influenciar o equilíbrio hormonal, a imunidade e a saúde mental. “O excesso de glicose circulante aumenta o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica. Com o tempo, isso prejudica a função das mitocôndrias (as ‘usinas de energia’ das células) e reduz a capacidade de regeneração do organismo”, explica Danilo Almeida. A longo prazo, esse desequilíbrio contribui para fadiga constante, dificuldade de concentração, aumento da gordura visceral e maior risco de doenças crônicas. Em homens, pode até reduzir os níveis de testosterona; em mulheres, agrava desequilíbrios hormonais ligados à síndrome dos ovários policísticos (SOP). Como reduzir o consumo sem abrir mão do sabor Para equilibrar o paladar, o médico recomenda substituir os açúcares simples por fontes naturais e alimentos integrais, ricos em fibras e nutrientes. “As fibras desaceleram a absorção da glicose e evitam os picos de insulina. Além disso, o consumo de gorduras boas e proteínas em todas as refeições ajuda a controlar o apetite e reduzir a vontade de comer doce”, orienta. Boas estratégias incluem: Adoçar menos é um hábito treinável O paladar é adaptável e, com o tempo, o organismo aprende a apreciar sabores menos intensos. “Depois de algumas semanas reduzindo o açúcar, o cérebro reconfigura a percepção do doce. Aquilo que antes parecia ‘sem graça’ passa a ter sabor suficiente”, explica o médico. Ele lembra ainda que a qualidade do sono e o manejo do estresse influenciam o desejo por doces. “Pessoas cansadas e ansiosas tendem a buscar açúcar como compensação emocional. Por isso, cuidar da mente também é uma forma de cuidar do metabolismo”, afirma.  Para Danilo Almeida, não há problema em comer um doce de vez em quando. “O perigo está na rotina, no açúcar que aparece todos os dias, em pequenas doses, sem que a gente perceba”, finaliza. Por Paula de Paula

O revolucionário implante ocular que ajuda pacientes cegos a ler de novo

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 20/10/2025 Um grupo de pacientes cegos conseguiu voltar a ler após receber um implante revolucionário nos olhos que foi testado em um hospital em Londres. Um cirurgião que inseriu os microchips em cinco pacientes no hospital Moorfields Eye, em Londres, afirma que os resultados do estudo são “incríveis”. Sheila Irvine, de 70 anos, que é registrada como cega, disse à BBC que a sensação de poder ler e fazer palavras cruzadas novamente é algo “de outro mundo”. “É lindo, maravilhoso. Me dá muito prazer.” A tecnologia, desenvolvida por um estudo internacional, oferece esperança a pessoas com atrofia geográfica (AG), uma forma avançada de degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A DMRI é uma das principais causas de perda da visão a partir dos 50 anos, segundo a Retina Brasil, uma organização sem fins lucrativos que atua em prol da saúde ocular no Brasil. Em pessoas com essa condição, uma pequena área da retina na parte posterior do olho é gradualmente danificada, resultando em visão turva ou distorcida. Cores e detalhes finos são frequentemente perdidos. O novo procedimento envolve a inserção de um minúsculo microchip fotovoltaico quadrado de 2 mm, com a espessura de um fio de cabelo humano, sob a retina. Os pacientes usam um óculos com uma câmera de vídeo embutida. A câmera envia um sinal infravermelho de imagens de vídeo para o implante na parte posterior do olho, que as envia para um pequeno processador de bolso para serem aprimoradas e tornadas mais nítidas. As imagens são então enviadas de volta ao cérebro do paciente, através do implante e do nervo óptico, recuperando em parte a visão. Os pacientes passaram meses aprendendo a interpretar as imagens. Mahi Muqit, cirurgião oftalmológico do hospital Moorfields Eye, que liderou a parte britânica do estudo, disse à BBC que se trata de uma “tecnologia pioneira e transformadora”. “Este é o primeiro implante que conseguiu dar aos pacientes uma visão significativa que eles podem usar em sua vida diária, como para ler e escrever. Eu acho que este é um grande avanço”, disse ele. Como funciona o implante Na pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, 38 pacientes com atrofia geográfica em cinco países europeus participaram do teste do implante Prima, fabricado pela Science Corporation, empresa de biotecnologia da Califórnia. Dos 32 pacientes que receberam o implante, 27 conseguiram voltar a ler usando a visão central. Após um ano, isso representou uma melhora na leitura de 25 letras, ou cinco linhas, em uma tabela oftalmológica. No caso de Sheila, sua evolução foi ainda mais drástica. Sem o implante, ela é completamente incapaz de ler. Mas quando filmamos Sheila lendo uma tabela oftalmológica no Hospital Moorfields, ela não cometeu um único erro. Depois de completar o exame, ela deu um soco no ar em comemoração. A tarefa exige muita concentração. Sheila precisa colocar um travesseiro sob o queixo para estabilizar a imagem da câmera, que consegue focar apenas uma ou duas letras por vez. Em alguns momentos, ela precisou que o dispositivo fosse ligado no modo de ampliação, especialmente para distinguir entre as letras C e O. Sheila começou a perder a visão central há mais de 30 anos, devido à perda de células na retina. Ela descreve sua visão como se tivesse dois discos pretos em cada olho. Sheila se locomove usando uma bengala branca porque sua visão periférica, muito limitada, é completamente turva. Ela não consegue ler nem as maiores placas na rua. Ela diz que chorou quando teve que abrir mão da carteira de motorista. Depois de colocar um implante há cerca de três anos, ela está encantada com seu progresso, assim como a equipe médica do Moorfields. “Eu consigo ler minhas correspondências, livros e fazer palavras cruzadas e Sudoku”, diz ela. Quando perguntada se algum dia pensou que voltaria a ler, Sheila respondeu: “Nem pensar!” “É incrível. Estou muito feliz. A tecnologia está evoluindo tão rápido, é incrível que eu faça parte disso.” Sheila não usa o dispositivo quando está ao ar livre. Em parte, isso ocorre porque ele exige muita concentração – sua cabeça precisa ficar bem parada para ler. Ela também não quer se tornar excessivamente dependente do dispositivo. Em vez disso, ela diz que “apressa suas tarefas” em casa todos os dias antes de se sentar e colocar os óculos especiais. O implante Prima ainda não foi licenciado, portanto, não está disponível fora dos ensaios clínicos. Ainda não está claro quanto poderia custar se um dia for lançado comercialmente. No entanto, Mahi Muqit disse esperar que ele esteja disponível para alguns pacientes do serviço público de saúde britânico (o NHS) “dentro de alguns anos”.

Como são os cérebros dos ‘superidosos’ e qual a probabilidade de termos um como o deles?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/10/2025 “Seu hipocampo era lindo”, afirma a médica Tamar Gefen ao se recordar da estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória. A neuropisóloga havia ficado fascinada com a arquitetura daquela parte do cérebro. “Seus neurônios eram grandes e saudáveis. Me lembro de pensar como era incrível que uma estrutura tão complexa e impressionante pudesse armazenar memórias tão terríveis.” Gefen, uma das pesquisadoras do Programa de Superenvelhecimento da Universidade Northwestern, em Chicago, se referia ao cérebro de uma “superidosa”, que ela estudou em vida e que, mesmo após sua morte, continua examinando. Embora a paciente fosse uma sobrevivente do Holocausto, a pesquisadora não se esquece de quão feliz, forte e divertida ela era. “Já se passaram mais de 10 anos, mas penso nela o tempo todo.” Foi o que ela contou a Martin Wilson, autor do artigo What We Can Learn From SuperAgers (O que podemos aprender com os superidosos, na tradução livre para o português), publicado na Northwestern Magazine. Nos 25 anos do programa, há cientistas e participantes que se conhecem há muitos anos e, como mostra a experiência de Gefen, a conexão com as pessoas que doaram seus cérebros pode se tornar muito profunda. “Temos pessoas que faleceram há mais de 20 anos e cujos cérebros ainda são usados nos estudos”, disse Molly Mather, uma das pesquisadoras e professora assistente de Psiquiatria e ciências do comportamento na Universidade de Northwestern. “Se constrói uma relação de confiança e, quando decidem doar o cérebro após a morte, sabem para onde ele vai e quem irá estudá-lo”, acrescenta. “Eles querem fazer parte da pesquisa no futuro.” O cérebro que inspirou tudo O termo sugeraging (superidoso, em português) foi cunhado no Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Universidade de Northwestern. Para entender a origem de seu programa de envelhecimento, é preciso voltar a meados da décadas de 1990, quando algo aconteceu por pura “casualidade”. “Recebemos a autópsia cerebral post-mortem de uma mulher de 81 anos”, relatam os autores do artigo científico The first 25 years of the Northwestern University SuperAging Program (Os primeiros 25 anos do programa de Superenvelhecimento da Universidade de Northwestern, na tradução livre para o português). Tratava-se de alguém que havia participado de um estudo liderado por uma médica em Miami e que “não havia apresentado evidências de declínio funcional”. Na verdade, em testes de memória, ela obteve pontuações “superiores” para sua idade e semelhantes às de pessoas de 50 anos. Algo que surpreendeu os pesquisadores foi a detecção de um único emaranhado neurofibrilar em uma seção do córtex entorrinal, uma região conectada a várias áreas do cérebro e considerada fundamental na consolidação da memória espacial, episódica e autobiográfica. Os emaranhados neurofibrilares são espécies de nós de pequenas fibras da proteína tau — essencial para o funcionamento do cérebro — que se entrelaçam dentro dos neurônios. Sua formação faz parte da degeneração neurofibrilar, um processo em que a proteína tau começa a falhar, e cuja acumulação está associada ao declínio cognitivo e à doença de Alzheimer. De acordo com os pesquisadores, a detecção de um único emaranhado naquela mulher de 81 anos foi “uma ocorrência rara para essa idade, mesmo entre pessoas sem anomalias cognitivas conhecidas”. “A implicação resultante de que o envelhecimento não causa necessariamente uma perda significativa de memória” foi uma das ideias que motivaram a criação do programa em 2000. Esse primeiro cérebro era muito singular porque a maioria das pessoas, à medida que envelhece, desenvolve alguns emaranhados e também algumas placas de outra proteína chamada amiloide. “Quando mais velho você for, maior a probabilidade desses emaranhados se desenvolverem”, diz Mather. Em entrevista ao programa Health Check, da BBC, a médica Sandra Weintraub, uma das principais pesquisadoras do estudo e professora na Universidade de Northwestern, relembrou o início da pesquisa: “Nosso primeiro cérebro superidoso tinha um emaranhado, e pensamos: ‘Meu Deus, descobrimos o segredo para preservar o cérebro: não produzir emaranhados!’. Mas outro cérebro superidoso que recebemos em seguida tinha tantos emaranhados quanto de alguém que receberia um diagnóstico póstumo de doença de Alzheimer.” Quem são os superidosos? Com o termo “superidosos”, os cientistas do Programa de Superenvelhecimento definem pessoas de 80 anos ou mais que alcançam pontuações iguais às de indivíduos que são 20 ou 30 anos mais jovens em testes de memorização de listas de palavras. Eles utilizam o Teste de Aprendizagem Verbal de Rey, uma ferramenta amplamente usada em neuropsicologia para avaliar, entre outros aspectos, a memória. Outros instrumentos são utilizadas para analisar demais funções cognitivas. Os pesquisadores escolheram a memória episódica como principal marcador porque “é a capacidade que mais se deteriora” no processo de envelhecimento médio, explicam no artigo. Assim, para classificar alguém como superidoso, os cientistas estabeleceram um critério bastante rigoroso: ter memória equivalente a de alguém pelo menos 30 anos mais jovem. E os resultados impressionam. “É uma surpresa ver um nonagenário capaz de se lembrar de tanta informação nova, quando às vezes vejo pacientes de 50 ou 60 anos com dificuldades em um teste de memória bem mais simples”, afirma Mather. “É uma experiência realmente reveladora ver quão amplo é o espectro das diferentes trajetórias que o envelhecimento pode tomar.” Os superidosos desafiam a ideia de que o declínio cognitivo é inevitável com o envelhecimento. Tradicionalmente, diz a neurocientista, o estudo do cérebro envelhecido foca nas patologias, nas mudanças que provocam sintomas. Estudar os superidosos exige uma mudança de perspectiva, de ver “o que permanece intacto, o que permite que o cérebro continue funcionando em um nível realmente alto”. “Não se trata apenas da ausência da doença, mas também de identificar o que funciona bem e como aproveitar esse conhecimento para beneficiar outras pessoas.” Como são os cérebros dos superidosos? Os pesquisadores do programa conseguiram estabelecer que os superidosos possuem um fenótipo neuropsicológico e neurobiológico que os distingue de pessoas da mesma idade. Segundo Mather, um dos primeiros achados indica que seus cérebros se assemelham mais aos de pessoas de cinquenta e sessenta anos. “Parece que o encolhimento do cérebro, que normalmente ocorre com o envelhecimento, é menos evidente em pessoas

Como proteger seus joelhos de problemas futuros

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 06/10/2025 Os primeiros sinais de desgaste podem aparecer já na casa dos 30 anos: aquela dor incômoda que surge quando o tempo muda, a rigidez matinal ao levantar da cama ou até aquela hesitação antes de se agachar. Todos esses são indícios de que os joelhos já não funcionam tão bem quanto antes. Isso tende a ser mais evidente em quem pratica esportes regularmente ou tem trabalhos que exigem esforço físico. Mas há outros fatores que podem agravar o problema: ganho de peso, doenças autoimunes e até a genética aceleram o desgaste da articulação. Também não surpreende que os joelhos sofram tanto. Pesquisas indicam que, apenas ao caminhar, a força exercida sobre eles equivale a uma vez e meia o peso do corpo. Depois da dor nas costas, as dores nos joelhos são a queixa musculoesquelética mais frequente entre os idosos, impactando desde a mobilidade até a qualidade de vida. “O joelho é uma das articulações mais complexas do corpo,” explica Anikar Chhabra, cirurgião ortopédico e chefe de medicina esportiva da Mayo Clinic, nos Estados Unidos. “A cada passo, ele suporta toda a carga do nosso peso.” Há boas razões para dedicar atenção à saúde dos joelhos desde cedo, o que pode fazer a diferença tanto agora quanto no futuro. E a boa notícia é que existem passos simples que todos nós podemos adotar para garantir a mobilidade por mais tempo. Os joelhos dependem diretamente de quatro grupos musculares ao seu redor: isquiotibiais (superiores da coxa), glúteos, quadríceps e panturrilhas. Esses músculos dão sustentação, estabilidade e absorvem impactos. “Quando esses músculos não trabalham em conjunto, a sobrecarga vai direto para a articulação. É aí que surge a dor,” diz Chhabra. Pesquisas mostram que fortalecer esses grupos musculares por meio de exercícios ajuda a evitar a degeneração da cartilagem que leva à osteoartrite, retardando ou até prevenindo a necessidade de prótese no joelho. Além disso, manter os músculos fortes pode reduzir a carga sobre a articulação e aliviar a dor em estágios iniciais da doença. Segundo Alexis Colvin, professora de cirurgia ortopédica na Escola de Medicina Icahn, em Nova York, os exercícios também podem melhorar a saúde das próprias células da cartinagem. “Dentro do joelho, existe um líquido chamado sinovial, que funciona como um óleo lubrificante,” diz. “O exercício estimula sua produção, reduzindo rigidez e inflamação, além de proteger a cartilagem.” Determinados exercícios ainda ajudam a fortalecer os ossos do joelho, reduzindo o risco de osteoporose ou de perda óssea ao redor da articulação com o avançar da idade. Para os idosos, lembra Chhabra, o fortalecimento dos músculos que cercam o joelho também diminui a chance de quedas. Mas os exercícios para os joelhos podem trazer outros benefícios surpreendentes e muitas vezes negligenciados, como melhorar a propriocepção – a consciência subconsciente de onde estão as partes do nosso corpo no espaço. Esse “sexto sentido” ajuda a melhorar a mobilidade e o equilíbrio. “Os exercícios para o joelho contribuem para essa percepção,” diz Chhabra. “É basicamente treinar a mente para se conectar ao joelho, o que reduz o risco de quedas.” Colvin afirma que nunca é cedo demais para começar a fortalecer os joelhos. Embora a maior parte das pesquisas sobre os benefícios desse tipo de exercício seja feita com idosos que já têm osteoartrite, estudos com adolescentes que praticam esportes mostraram que o fortalecimento dos joelhos, mesmo nessa idade, pode reduzir bastante o risco de lesões. Para o restante da população, Colvin recomenda começar por volta dos 30 anos. “É nessa fase que começamos a perder massa muscular e densidade óssea, ainda que de forma muito lenta. Por isso, é um bom momento para dar atenção a isso, caso o fortalecimento não faça parte da sua rotina de exercícios,” ela explica. Que tipo de exercícios devemos fazer? Para manter os principais grupos musculares fortes, Chhabra sugere dedicar 15 minutos por dia, três a quatro vezes por semana, a diferentes exercícios para os joelhos – todos podem ser feitos em casa, sem a necessidade de equipamentos especiais. Ainda assim, ele recomenda procurar um fisioterapeuta ou treinador de força para garantir a execução correta. Aqui estão cinco exercícios rápidos e caseiros que ajudam bastante. Como regra geral, Colvin indica começar com duas séries de 10 repetições – ou seja, realizar o exercício 10 vezes, descansar e depois repetir mais 10 vezes. Subidas em degraus (step-ups) Basta usar um degrau ou escada baixa. Com o pé de sua preferência, suba até ficar com os dois pés no degrau e depois desça. A cada vez, alterne o pé que inicia o movimento. “É um exercício de baixo impacto porque utiliza apenas o peso do corpo,” explica Chhabra. “Trabalha os músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) e, sobretudo, os quadríceps, que ficam na parte da frente da coxa. Os quadríceps são fundamentais para a articulação do joelho, porque a patela se aproxima mais do fêmur quando estão enfraquecidos, aumentando o atrito e a dor.” Quadríceps mais fracos também sobrecarregam a articulação em que a patela desliza sobre o osso da coxa, o que causa dor e estalos. Agachamentos Chhabra recomenda que seus pacientes façam agachamentos todas as manhãs e todas as noites antes de dormir. “Isso fortalece os quadríceps e os glúteos, que são essenciais para aliviar a sobrecarga sobre o joelho,” diz. “Também ajuda na propriocepção. Agachamentos repetidos apenas com o peso do corpo trazem muitos benefícios.” Para quem passa longos períodos sentado, séries curtas de 15 agachamentos a cada 30 minutos também estimulam a produção das proteínas necessárias para o crescimento muscular e da força. Pesquisas indicam que o agachamento melhora a densidade mineral óssea e reduz o risco de quedas na velhice. Embora não se saiba se previnem a osteoartrite, ajudam a estabilizar o joelho, reduzem a dor e melhoram a qualidade de vida de quem já tem a condição. Chhabra alerta, porém, em relação ao agachamento profundo – quando os joelhos se dobram além de 90 graus. A comunidade científica é dividida sobre o tema: alguns estudos mostram que,