Como evitar chulé e o pé de atleta: dermatologista explica cuidados simples e eficazes

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 16/08/2025 Os pés têm cerca de 250 mil glândulas sudoríparas e, com a umidade e o calor, tornam-se ambiente ideal para fungos e bactérias. Se a gente der um “zoom” na nossa pele, vai encontrar milhões de bactérias. E as áreas mais quentes e úmidas, como os pés, são a moradia preferida desses microrganismos. A região entre os dedos dos pés retém bastante umidade, principalmente quando estão constantemente cobertos por meias e sapatos fechados. E o resultado é aquele cheiro inconfundível de chulé. Mas como evitá-lo? O ser humano tem cerca de 250 mil glândulas sudoríparas na sola de cada pé, quantidade comparável à das mãos. E elas têm função de regular a temperatura. Já as glândulas sebáceas são poucas na sola dos pés e estão mais presentes no dorso. E a combinação de suor, sebo e umidade também colabora para esse ambiente mais propício ao crescimento de microrganismos. Além das bactérias, os fungos também fazem a festa nos pés suados. São eles que causam uma das infecções dermatológicas mais comuns, o chamado pé-de-atleta. A doença causa coceira, descamação, rachaduras e é altamente contagiosa. O Bem-Estar conversou com o médico dermatologista Cauê Cedar, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, para tirar algumas dúvidas. O ideal é lavar cos pés com água morna e sabonete, utilizando uma esponja macia para remover a sujeira e células mortas, especialmente entre os dedos. É importante secar bem, com toalha limpa, inclusive entre os dedos. E não é obrigatório o uso de sabonetes específicos. Não é recomendado usar sapato sem meia. E sapatos e meias são de uso pessoal. Confira abaixo 15 perguntas e respostas respondidas pelo especialista sobre o assunto e saiba mais: 1.O que podemos encontrar nos pés em relação aos microrganismos? Os pés são um ambiente ideal para microrganismos como bactérias e fungos, devido à alta umidade, presença de células mortas, suor e calor. Isso favorece o crescimento e a proliferação dos microrganismos. A pouca exposição e falta de circulação do ar também dificultam a evaporação da umidade. 2.Como a umidade e o calor nos pés contribuem para o mau cheiro? A umidade e calor favorecem a proliferação de bactérias que se alimentam do suor e das células mortas da pele. O mau cheiro, conhecido como chulé (bromidrose plantar), é resultado da liberação de compostos químicos por bactérias e fungos. 3.O uso constante de meias e sapatos fechados pode favorecer o surgimento do chulé? Sim. Durante o inverno, por exemplo, o uso constante de sapatos fechados e meias, junto com a falta de limpeza adequada e repetição de meias e sapatos, favorece o acúmulo de bactérias e o mau cheiro. 4.Qual é a importância de lavar os pés diariamente? Como lavar? Precisa de sabão especial? A higienização diária ajuda a controlar bactérias, fungos, resíduos e a umidade. O ideal é lavar com água morna e sabonete, utilizando uma esponja macia para remover sujeira e células mortas, especialmente entre os dedos, e também no peito do pé e na sola. Além disso, é importante secar bem, com toalha limpa, e inclusive entre os dedos. O uso de secador pode ajudar, desde que seja feito com cuidado para não queimar a pele. E não é obrigatório o uso de sabonetes específicos. Em casos de problemas recorrentes, podem ser usados sabonetes antibacterianos ou antifúngicos, mas estes não são recomendados para uso diário. O sabonete mais neutro possível, como glicerina ou hidratante comum, é o ideal. Nesse momento de cuidado, é importante olhar seus pés, perceber se tem alguma lesão, bolha ou algo suspeito. Em caso positivo, procurar um dermatologista. 5.O uso de talco nos pés é recomendado para prevenir o mau cheiro? Funciona? Sim, é uma boa estratégia para controle da transpiração e do mau odor. Existem produtos específicos para os pés, que devem ser aplicados com os pés limpos e secos. Se houver alergia ou irritação, o uso deve ser interrompido. Sprays e aerossóis próprios para os pés também são boas estratégias. 6.Podemos usar produtos para axilas nos pés? Algumas formulações podem deixar a pele dos pés mais sensibilizada do que a das axilas, causando danos à pele, alergia, irritação, coceira e até feridas. Não há contraindicação absoluta, mas depende de cada caso. Peles de áreas diferentes do corpo reagem de formas diferentes aos produtos. 7.A umidade também pode causar pé de atleta? Sim. O pé de atleta (frieira) é uma infecção fúngica que costuma começar entre os dedos. Em geral, os fungos e bactérias vivem normalmente na nossa pele. Mas em contextos de maior calor e umidade, podem causar infecções e doenças. Os sintomas principais do pé de atleta são coceira, descamação e mau odor. Algumas pessoas relatam o surgimento de uma “massinha” entre os dedos. E qualquer pessoa pode contrair a condição. Para tratar, primeiro, é preciso revisar os hábitos de higiene. O tratamento pode incluir medicamentos tópicos ou, em casos mais graves, medicamentos sistêmicos (via oral). O pé de atleta é contagioso. Por isso, não se deve compartilhar meias ou calçados. Parte do tratamento inclui cuidados com meias e sapatos. 8.Quais hábitos podem ajudar a prevenir chulé e infecções fúngicas nos pés? 9.Passar a meia com ferro ajuda a eliminar microrganismos? Pode ajudar, mas pode também diminuir a resistência do tecido. Secar ao sol já é uma boa forma de controle. 11. O que fazer se a pessoa precisa usar o mesmo sapato todos os dias? Neste caso, a atuação é na redução de danos. É importante higienizar o calçado com desinfectante de superfícies e deixá-lo arejando (por exemplo, em uma janela ou área de serviço). A pessoa pode usar o produto líquido, com um pano/lenço, ou aerossol, três vezes por semana, conforme indicação do produto. 10.Alguns tipos de sapatos podem causar mais chulé? Sim. Sapatos emborrachados e muito fechados dificultam a ventilação, o que favorece a proliferação de fungos e bactérias. 11.Por que não devemos compartilhar meias e calçados? Sapatos e meias são de uso pessoal. Compartilhar meias e calçados aumenta o risco de passar fungos e bactérias de uma pessoa para outra.
Como gatos com demência podem ajudar a encontrar cura para o Alzheimer

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/08/2025 Gatos desenvolvem demência de forma semelhante aos humanos com Alzheimer, o que gera expectativas de avanços nas pesquisas sobre a doença, segundo cientistas. Demência é um termo geral para sintomas como perda de memória e raciocínio prejudicado, enquanto Alzheimer é uma doença neurodegenerativa específica que provoca esses sintomas. Especialistas da Universidade de Edimburgo realizaram exames post-mortem nos cérebros de 25 gatos que apresentaram sintomas de demência em vida, incluindo confusão, distúrbios do sono e aumento da vocalização. Eles encontraram acúmulo de beta-amiloide, uma proteína tóxica e uma das características definidoras do Alzheimer. A descoberta foi considerada por cientistas como um “modelo natural perfeito para o Alzheimer”, que poderá ajudá-los a explorar novos tratamentos para humanos. Robert McGeachan, líder do estudo na Royal (Dick) School of Veterinary Studies da Universidade de Edimburgo, afirmou: “A demência é uma doença devastadora — seja em humanos, gatos ou cães”. “Nossas descobertas destacam as semelhanças impressionantes entre a demência felina e a doença de Alzheimer em pessoas”, disse. “Isso abre a possibilidade de investigar se novos tratamentos promissores para o Alzheimer humano também poderiam beneficiar nossos animais de estimação idosos.” Imagens de microscopia de gatos mais velhos que anteriormente apresentaram sintomas de demência felina revelaram um acúmulo de beta-amiloide nas sinapses — as junções entre as células cerebrais. As sinapses permitem a passagem de mensagens entre as células cerebrais, e a perda delas causa redução da memória e das habilidades de raciocínio em humanos com Alzheimer. A equipe acredita que a descoberta em gatos pode ajudá-los a compreender melhor esse processo, oferecendo um modelo valioso para estudar a demência em pessoas. Anteriormente, os pesquisadores estudaram roedores geneticamente modificados, embora essa espécie não desenvolva demência naturalmente. “Como os gatos desenvolvem naturalmente essas alterações cerebrais, eles podem oferecer um modelo da doença mais preciso do que os animais de laboratório tradicionais, beneficiando tanto as espécies quanto seus cuidadores”, disse McGeachan. A pesquisa beneficiará os gatos? Os pesquisadores encontraram evidências de que células de suporte do cérebro — chamadas astrócitos e microglia — englobaram as sinapses afetadas. Esse processo, conhecido como poda sináptica, é importante durante o desenvolvimento cerebral, mas também contribui para a demência. A professora Danielle Gunn-Moore, especialista em medicina felina da escola de veterinária, disse que a descoberta também pode ajudar a compreender e a manejar a demência felina. “A demência felina é extremamente angustiante para o gato e para seu dono”, afirmou. “É por meio de estudos como este que entenderemos a melhor forma de tratá-los. Isso será maravilhoso para os gatos, seus donos, pessoas com Alzheimer e seus familiares.” O grupo de defesa dos direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) disse que o estudo parece ter sido conduzido de maneira “respeitosa e não invasiva” em cérebros de gatos que já haviam morrido. No entanto, ressaltou que se oporia a qualquer pesquisa que envolvesse experimentos futuros com gatos vivos. O estudo, financiado pela fundação Wellcome e pelo UK Dementia Research Institute, foi publicado no European Journal of Neuroscience e contou com cientistas das Universidades de Edimburgo e Califórnia, do UK Dementia Research Institute e do Scottish Brain Sciences.
Proposta de médico brasileiro muda abordagem de doenças metabólicas

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/08/2025 Em artigo em revisão científica, o médico Amélio Godoy propõe uma nova visão sobre doenças como diabetes tipo 2 e esteatose hepática: “Tudo começa no fígado” Uma mudança de perspectiva pode transformar a forma como doenças metabólicas são compreendidas e tratadas. O médico endocrinologia, mestre e doutor em ciências médicas Amélio Godoy propôs, em revisão científica, que o ponto de partida dessas condições, antes atribuídas apenas ao pâncreas ou ao excesso de peso, pode estar, na verdade, no fígado e no tipo de gordura acumulada no corpo. Para ele, não importa apenas o local onde se engorda, mas também onde não há acúmulo de gordura. A proposta acompanha a recente mudança internacional no nome da chamada “doença hepática gordurosa não alcoólica” (NAFLD, na sigla em inglês), que agora passa a ser chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica). “O antigo nome colocava a culpa na ausência de álcool, como se isso definisse a doença. Mas o problema não é o álcool, é o metabolismo”, explica Godoy. Segundo ele, a nova nomenclatura ajuda a reforçar a principal causa da condição: obesidade e distúrbios metabólicos, como diabetes tipo 2. “Não importa se você engorda, importa onde você não engorda”, enfatiza o médico. Segundo Godoy, o tecido adiposo abdominal (visceral) é o que mais oferece riscos, enquanto a gordura glúteo-femoral, nos quadris e coxas, é protetora. Além disso, quando o corpo não consegue armazenar gordura onde deveria, ela passa a se acumular em órgãos como fígado, pâncreas, rim e coração, num fenômeno chamado de gordura ectópica. É esse depósito indevido que pode dar início a uma cascata de distúrbios metabólicos. O magro metabolicamente obeso Outra proposta importante da revisão é prestar atenção em pacientes com peso aparentemente saudável, mas com sinais de doenças metabólicas, os chamados “magros metabolicamente obesos”. “Essas pessoas não têm gordura visível, mas apresentam alterações típicas de quem tem obesidade: triglicérides altos, glicemia alterada, HDL baixo”, destaca. Essa condição é associada, muitas vezes, a lipodistrofias, que são falhas na formação ou armazenamento de gordura. Por isso, ele alerta: nem todo magro está saudável, e muitos casos passam despercebidos pelos médicos. A revisão propõe uma nova classificação das doenças cardiometabólicas em quatro estágios, iniciando com a disfunção do tecido adiposo e avançando para acúmulo de gordura ectópica e falência de órgãos. Para Godoy, o que antes era visto como doenças separadas — hepática, cardiovascular, renal, diabética — deve ser compreendido como parte de um único espectro de desordem metabólica. “Não adianta pensar só que é do rim, só que é do fígado, ou só do coração. A doença é uma só. É metabólica”, defende. A revisão assinada por Amélio Godoy convida médicos e cientistas a olharem além dos exames de sangue ou da balança. Para ele, a chave está no tipo e no local da gordura, e o caminho para o tratamento passa por compreender o corpo como um sistema interligado. Como funciona O Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D’Or São Luiz é realizado de 7 a 9 de agosto, no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Serão discutidos temas relevantes da prática clínica do cardiologista, com apresentações interativas e discussão de casos clínicos. A programação foi planejada para abordar toda a complexidade da cardiologia.
6 dicas para cuidar das varizes e evitar trombose no inverno

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/08/2025 É fundamental manter-se ativo, hidratar-se bem e usar roupas adequadas que não dificultem a circulação sanguínea. Os dias frios podem até parecer um alívio para quem sofre com varizes e desconfortos nas pernas, pois aliviam a dor, o inchaço e a sensação de peso. No entanto, essa mesma condição climática pode elevar o risco de trombose venosa profunda (TVP), como explica a cirurgiã vascular Aline Simplício. “O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, o que diminui o calibre das veias e pode reduzir o inchaço. Mas essa melhora costuma ser temporária. Se a pessoa ficar muito tempo parada, o sangue tende a se acumular nas pernas, aumentando o risco de trombose”, explica a médica. Devido a isso, é essencial redobrar os cuidados com as pernas no período. “[…] É por isso que, mesmo no frio, é fundamental manter-se ativo, hidratar-se bem e usar roupas adequadas que não dificultem a circulação”, recomenda Aline Simplício. A seguir, Aline Simplício compartilha 6 dicas práticas para proteger as pernas do frio e da trombose. Confira! 1. Mexa-se Caminhadas dentro de casa, alongamentos e até subir escadas já fazem diferença. 2. Use roupas adequadas Evite peças de roupa muito apertadas que dificultam a circulação. 3. Hidrate-se bem Mesmo no frio, o corpo precisa de água para manter o sangue fluindo sem dificuldade. 4. Fique atento aos sinais Dor, inchaço repentino, vermelhidão ou endurecimento nas pernas merecem avaliação médica. 5. Aproveite a estação para tratar as varizes O inverno pode ser um bom momento para tratar as varizes. Usar meias de compressão é mais confortável nessa época, e a menor exposição ao sol ajuda a evitar manchas na pele após procedimentos como a escleroterapia. 6. Cuide da circulação Manter a circulação saudável é essencial em todas as estações. “Movimentar o corpo e se cuidar no inverno faz diferença na saúde vascular e, também, na qualidade de vida como um todo”, concluí Aline Simplício. Por Andressa Marques
Existe exame para prevenir infarto? Cardiologista responde

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/08/2025 Exame de imagem identifica placas de gordura ou cálcio nas artérias e orienta estratégias de prevenção de traumas cardiovasculares. O coração raramente grita por socorro — ele sussurra. E esses sussurros, muitas vezes silenciosos e invisíveis, precisam ser identificados antes que se transformem em uma emergência. Uma dúvida comum nos consultórios médicos é: existe exame capaz de prevenir um infarto? Segundo o cardiologista Hugo Zampa, da Rede D’Or, a resposta é sim. O exame indicado para essa finalidade é a angiotomografia coronariana, que detecta a presença de placas de gordura ou cálcio nas artérias do coração. Essas obstruções, explica o médico, podem levar a um infarto. “É um exame rápido, fácil de fazer e que fornece informações semelhantes às de um cateterismo, mas de forma não invasiva”, afirma. Apesar do nome técnico, o procedimento é mais simples do que parece. O paciente recebe um contraste — uma substância à base de iodo aplicada por via intravenosa durante exames de imagem — com baixíssimo risco de efeitos colaterais e, graças às novas tecnologias, há poucas contraindicações. A principal restrição, segundo Zampa, ocorre em casos de alergia severa a substância, especialmente quando há histórico de reações graves. A angiotomografia pode ser solicitada mesmo na ausência de sintomas, desde que o paciente apresente fatores de risco, como histórico familiar, colesterol elevado, hipertensão ou diabetes. “Quando detectamos uma placa vulnerável, com chance de causar infarto, conseguimos agir com rapidez e evitar complicações”, explica o cardiologista. Zampa faz um alerta importante: os sintomas cardíacos nem sempre seguem o padrão clássico de dor no peito irradiando para o braço esquerdo. “Qualquer dor entre a cicatriz umbilical e as costas pode estar relacionada ao coração”, destaca. “Mulheres e idosos, por exemplo, tendem a apresentar esses sinais atípicos.” A possibilidade de identificar essas placas antes que causem um infarto é uma grande vantagem. Isso permite iniciar um tratamento mais eficaz e evitar o agravamento do quadro. “Se já há placas formadas, podemos puxar o freio de mão e até reverter o processo”, afirma. O cardiologista reforça: o infarto é o momento em que o coração sofre. O ideal é agir antes disso acontecer. “Quando o paciente já chega infartado, o processo de reversão é muito mais difícil. A prevenção ainda é o melhor caminho para garantir qualidade de vida.” Se você tem fatores de risco ou dúvidas sobre sua saúde cardiovascular, procure um especialista. “O cardiologista saberá avaliar a necessidade de exames e indicar os melhores caminhos para cuidar do seu coração”, orienta Zampa.
Registros cerebrais de demência podem ajudar a prevenir e a tratar os sintomas

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/08/2025 Pesquisadores identificam, no cérebro, níveis alterados de substâncias químicas associados ao risco futuro de demência. O desequilíbrio foi identificado em idosos com hábitos poucos saudáveis. Escolhas cotidianas — como padrões de sono, atividade física, alimentação e vida social — podem deixar rastros químicos no cérebro ligados ao risco futuro de demência, mesmo em indivíduos sem sintomas de perda cognitiva. A descoberta, publicada na revista Cerebral Cortex, é da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália, e, segundo os autores, abre caminho para estratégias preventivas mais precoces. A pesquisa examinou 79 idosos cognitivamente saudáveis para investigar se o estilo de vida influencia sinais neuroquímicos precoces relacionados à demência. No ano passado, a Comissão Lancet sobre Demência — um painel de cientistas independentes — estimou que até 45% dos casos de comprometimento cognitivo associado à idade podem ser prevenidos com a adoção de hábitos saudáveis. Com o exame de imagem ressonância magnética com espectroscopia (MRS), os cientistas mensuraram a concentração de determinados neuroquímicos em áreas-chave do cérebro: o GABA, que atua como um “sistema de freio”, regulando a atividade neuronal, e as substâncias tNAA e tCho, associadas à saúde e comunicação dos neurônios. As medições ocorreram no córtex sensório-motor, responsável por funções de movimento e sensação, e no córtex pré-frontal, essencial para decisões complexas e planejamento. Movimento “Descobrimos que pontuações mais altas de risco de demência modificável estavam associadas a menores concentrações de GABA em regiões do cérebro ligadas ao movimento e à percepção sensorial”, disse, em nota, Jacob Levenstein, autor principal. Além disso, no córtex pré-frontal, pessoas com risco elevado de demência tinham níveis mais baixos de tNAA e tCho. “Essas substâncias químicas são detectadas mesmo em cérebros considerados saudáveis, sem prejuízos cognitivos ou comportamentais aparentes”, destacou Levenstein. Segundo o pesquisador, os resultados sugerem que escolhas de estilo de vida pouco saudáveis podem prejudicar a capacidade do cérebro de se autorregular. Os autores observam, no estudo, que os três marcadores neuroquímicos foram identificados em idosos saudáveis. Isso significa que eles podem desempenhar um papel fundamental na detecção precoce da demência, anos antes de os primeiros sintomas surgirem, oferecendo uma vantagem para a prevenção e a atuação médica. “Esses fatores são modificáveis. Você pode adotar escolhas simples todos os dias que melhoram significativamente sua trajetória cerebral”, reforça a coautora do artigo, Sophie Andrews, que recomenda atividade física, melhorar a qualidade do sono, cuidar da saúde mental e seguir uma dieta estilo mediterrâneo. Sono “Cuidar do cérebro não exige fórmulas mirabolantes. São atitudes simples, feitas com constância, que constroem uma mente mais forte e resiliente”, concorda a neurocirurgiã Danielle de Lara, de Blumenau (SC). A médica recomenda ao menos sete horas de sono: “Ele é o momento em que o cérebro organiza aprendizados, remove toxinas e se regenera”, explica (veja quadro nesta página). Com o envelhecimento global, a demência afeta aproximadamente 55 milhões de pessoas, podendo triplicar até 2050. O estudo publicado na revista Cerebral Cortex reforça que os fatores de risco não se manifestam apenas na cognição prejudicada, mas deixam vestígios neuroquímicos anos antes disso. Os autores observam que o estudo, porém, é transversal — ele identifica associações, não causalidade. Para validar o potencial dos marcadores como sinais precursores, os pesquisadores pretendem acompanhar os participantes ao longo dos anos para observar se quem tem as alterações químicas desenvolverá um quadro clínico de demência. Se confirmada, a descoberta contribuirá para o desenvolvimento de biomarcadores precoces e personalizados, alegam. Conexões fortalecidas Segundo a neurocirurgiã Danielle de Lara, boas escolhas diárias são a chave para preservar a saúde cerebral e afastar doenças como a demência e o Alzheimer. A médica destaca cinco hábitos que ajudam no bom funcionamento do cérebro. Sono: “O sono não é um descanso qualquer. Ele é o momento em que o cérebro organiza aprendizados, remove toxinas e se regenera”, diz Danielle de Lara. “Além disso, estudos mostram que dormir menos de sete horas por noite aumenta o risco de declínio cognitivo.” Alimentação: frutas, vegetais, azeite de oliva, castanhas e peixes como salmão e sardinha são aliados da saúde cerebral. “Além disso, alimentos ricos em colina, como ovos e brócolis, foram associados a menor risco de Alzheimer em estudos recentes com idosos”, reforça a neurocirurgiã. Atividade físicas: atividades aeróbicas e de força estimulam a produção de substâncias que fortalecem as conexões entre os neurônios, o que ajuda a proteger e melhorar o humor. Atividade mental: ler, aprender um idioma, tocar um instrumento ou até sair da rotina estimulam o cérebro a formar novas conexões. “A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reinventar. E ela só se ativa quando saímos do piloto automático”, orienta a médica. Vínculos: “A ciência já mostrou que vínculos sociais fortes reduzem o risco de demência. A solidão e o isolamento afetam diretamente a saúde cerebral. Relações saudáveis são um alimento poderoso para a mente”, lembra a neurocirurgiã.
O ‘efeito porta’: por que esquecemos o que íamos fazer quando mudamos de cômodo?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/08/2025 Pesquisas revelam que as falhas de memória quando entramos em um novo ambiente não se devem à distância, nem ao tempo decorrido, mas ao simples fato de mudarmos de “cena”. Você chega à cozinha com uma ideia clara na cabeça. Mas, ao cruzar a porta, algo se dilui e você não lembra o que veio fazer. Você fica, então, alguns segundos em frente à geladeira, como se o frio pudesse refrescar a intenção que se perdeu com a mudança de ambiente. A psicologia cognitiva estudou este fenômeno e ele é conhecido como “efeito porta” (doorway effect ou location updating effect, em inglês). Basta atravessar uma porta para que o cérebro interprete que uma função terminou e outra começou. Isso ocorre porque nossa memória semântica (que usamos para recordar conceitos) funciona melhor quando está associada à memória episódica (que empregamos para recordar lugares). E esta última está vinculada a chaves contextuais. Por isso, quando voltamos ao contexto original (sempre dissimulando um pouco, se houver alguém presente), costumamos recuperar as informações perdidas. Essa farsa efêmera bem que poderia ser representada em um teatro, como o simbólico e carnavalesco Grande Teatro Falla de Cádiz, na Espanha, em frente ao qual escrevo estas palavras. Abrem-se as cortinas e surgem pessoas em trajes de mergulho No final da década de 1970, o psicólogo britânico Alan Baddeley, mundialmente conhecido pelos seus estudos da memória, realizou com seus colegas diversos estudos com um elenco curioso. No seu experimento mais conhecido, ele pediu a uma equipe universitária de mergulho que memorizasse listas de palavras em dois ambientes distintos: embaixo d’água e em terra firme. Depois, ele avaliou a capacidade dos participantes de recordar aquelas palavras, tanto no mesmo ambiente de aprendizado quanto no outro. O resultado foi claro. Os que aprenderam e recordaram no mesmo lugar (água-água ou terra-terra) atingiram melhores resultados. E, com o passar do tempo, diversos outros estudos confirmaram que o contexto e o próprio estado de espírito desempenham papel fundamental nas funções da memória. Mudança de cena: surge o esquecimento Em outras palavras, a memória é como uma atriz de teatro, que interpreta especialmente bem seu papel se a decoração, o vestuário e a própria iluminação forem os mesmos dos ensaios. Mas, se ela não tiver estudado bem o roteiro, irá sucumbir a uma mudança de cena que inclua atravessar uma porta. A denominação “efeito porta” foi empregada pela primeira vez em 2011, mas o fenômeno começou a ser estudado em 2006. Nesse primeiro estudo, a equipe de pesquisa solicitou aos participantes que memorizassem objetos presentes em um espaço virtual e se movimentassem em seguida (virtualmente) para outra sala. Eles descobriram que, no exato momento de atravessar a porta, a capacidade de recordar aqueles objetos diminuía significativamente. Diversas pesquisas posteriores reforçaram que se trata de um princípio geral de atualização da memória. Além disso, ficou demonstrado que a queda de rendimento não se devia à distância percorrida, nem à passagem do tempo, mas ao simples fato de mudar de “cena”. Estes resultados sustentam a ideia do “modelo de horizonte de eventos”. Modificando-se o contexto, as informações associadas são segmentadas e se tornam menos acessíveis. E o esquecimento ocorre até mesmo quando simplesmente imaginamos que estamos cruzando uma porta. O ato final que revela a trama Como demonstramos ao longo deste artigo, não é a porta em si que apaga nossa memória, mas a mudança de cenário. O cérebro interpreta que um novo ato está começando e desvincula parcialmente as informações do ato anterior. Nesta linha de pensamento, diversos estudos recentes, utilizando realidade virtual, também confirmaram que o importante é a transição entre os ambientes, não o fato de atravessar a porta. Uma das principais razões desses lapsos parece ser a atividade multitarefa. Quando realizamos várias ações de uma vez, o cérebro divide sua atenção como pode e alguma informação fica nos “camarins”. Nossa capacidade cognitiva é limitada e, quando o contexto se altera, as tarefas que não têm prioridade podem se desvanecer.
Como fortalecer os músculos dos pés pode beneficiar o corpo inteiro

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/08/2025 Quando foi a última vez que você tentou mexer os dedos dos pés? Se estiver com qualquer dificuldade em executar essa tarefa, essa reportagem é para você. Os pés são obras fascinantes de engenharia biomecânica. Dentro de uma estrutura triangular surpreendentemente forte vivem 26 ossos, 33 articulações e mais de 100 músculos, ligamentos e tendões que trabalham juntos para mantê-los firmes, amortecer os passos e impulsionar o corpo para a frente. “Trata-se de uma estrutura pequena, mas muito complexa: diversas partes trabalham em uníssono para que possamos absorver impactos e transmitir forças para todo o corpo“, detalha a podóloga e médica esportiva Josefina Toscano à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. E, apesar da importância dessas estruturas, na maioria das vezes nem pensamos nelas. “A maioria das pessoas está acostumada a se preocupar apenas com os calçados, mas não entende que os pés têm uma função específica”, disse a treinadora de alto desempenho Alicia García. “Quando você explica tudo o que passa pelos pés de alguém, isso muda a vida dela”, complementa ela. A boa notícia é que, com algumas mudanças de hábitos e exercícios simples, os pés podem ganhar mais força e controle rapidamente. Entenda a seguir o que os pés fazem, como eles se conectam ao resto do corpo, o que acontece dentro dessas estruturas, qual o papel dos calçados — e três exercícios práticos para começar a fortalecê-los hoje mesmo. Força nos pés Um pé saudável é rígido e flexível. “Ele é um triângulo que deve ser rígido para a propulsão ao caminhar e, ao mesmo tempo, ser capaz de flexionar para amortecer o impacto”, diz Toscano. Esse movimento ocorre sempre que damos um passo: quando levantamos os dedos dos pés (especialmente o dedão), o arco do pé se eleva no que é conhecido como mecanismo de guincho, ao criar tensão e gerar eficiência para a impulsão. Quando aterrissamos, o arco cede o suficiente para amortecer o impacto. Nessa arquitetura, a fáscia plantar atua como um cordão forte que conecta os três vértices desse triângulo: o dedão, o mindinho e o calcanhar. “A fáscia determina se o pé é elástico, absorve impactos e nos permite manter o equilíbrio”, disse García. Quando essa estrutura perde o tônus ou o arco cede, o sistema começa a distribuir mal as cargas, e as demais articulações precisam compensar. O pé também tem a função de estabilizar. Quanto mais estável for o suporte, melhor será o funcionamento de tudo o que é colocado sobre ele: tornozelos, joelhos, quadris e coluna, lista Toscano. É por isso que um pé com bom amortecimento e a capacidade de se enrijecer quando necessário não só torna o caminhar mais fluido, como também previne dores nas costas. Como se não bastasse, os pés também são um órgão sensorial. “As terminações nervosas dos pés se conectam com o cérebro e fornecem informações para nos posicionarmos. Com os olhos fechados, dependemos exclusivamente desses sinais”, lembra García. Isso é o que se conhece como propriocepção: o sistema que antecipa os ajustes que o corpo precisa fazer para evitar quedas. Em pessoas com problemas de propriocepção, tropeços bobos terminam em tombos graves. Para García, existe um teste simples que pode ser feito para avaliar a saúde dos pés. “Há um exercício que pratico bastante todos os dias: estabilidade em um único apoio.” “Basicamente, você fica sobre um pé, levanta a outra perna, e fica assim por pelo menos 30 segundos ou 1 minuto”, descreve ela. “Se você atualmente não consegue ficar em pé sobre uma perna por 30 segundos ou um minuto, ou isso exige um esforço enorme, então é necessário trabalhar muito mais esses pés”, complementa ela. Os pés são os responsáveis pelo primeiro passo na cadeia cinética do movimento. Para explicar esse papel, Toscano divide os músculos dos pés em dois tipos: os músculos intrínsecos, que se originam e se inserem dentro do pé, e os músculos extrínsecos, que se originam na perna e se estendem para dentro do pé. “Os músculos intrínsecos sustentam o arco plantar; os músculos extrínsecos fornecem grande parte da estabilidade do tornozelo e ajudam a elevar o arco. Eles trabalham em coordenação”, diferencia ele. Isso significa que, quando uma parte do pé não está fazendo sua função, outra deve intervir para substituí-lo. “Se uma estrutura não está funcionando hoje, ela ‘pede’ para a outra fazer sua parte. E essa outra fará o melhor que puder mas, a médio prazo, ocorre uma lesão por uso excessivo”, explica Toscano. Na prática, um pé hiperpronado (que “cai” excessivamente para dentro) empurra o joelho para dentro. Isso gera o que é conhecido como valgo dinâmico, que pode, em última análise, causar dor no joelho ou no quadril. “Vemos muitas patologias de joelhos cuja origem não está no joelho em si, mas na falta de função e de estabilidade do pé”, diz Toscano. Para García, esses tipos de problemas são comuns em muitos dos corredores com quem ela treina: esses atletas têm força da cintura para cima, mas falta trabalhar a musculatura nas extremidades inferiores. “Eu os coloco em um único suporte e eles não conseguem manter o equilíbrio. Aí vêm as torções, as tendinopatias, a condromalácia, a dor lombar… Tudo começa com os pés”, observa ela. E você não precisa sofrer uma lesão para perceber que algo não vai bem. Toscano diz que sinais como falta de equilíbrio, torções frequentes no tornozelo ou sensação de fadiga exagerada nas pernas podem sugerir que os pés não estão tolerando bem as cargas. Para García, há também uma desconexão com o corpo que está relacionada a um elemento cultural. “Não movemos os dedos, nem temos consciência de que eles estão se mexendo. Recuperar essa consciência já muda a maneira como andamos.” Já que os pés são tão importantes, que tipo de calçado devemos usar para manter a saúde deles? Isso depende de cada indivíduo e de quaisquer condições potenciais que possam afetar essa parte do corpo — embora Toscano afirme que há evidências de que calçados
O que a velocidade do andar revela sobre nossa saúde física e mental

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/06/2025 Pode parecer algo banal, mas a velocidade em que você caminha do ponto A para o ponto B pode trazer grandes revelações sobre o funcionamento interno do seu corpo e da sua mente. Pesquisas demonstraram que a velocidade dos nossos passos até as lojas, o parque local ou o ponto de ônibus pode prever sua chance de ser hospitalizado, sofrer um ataque cardíaco ou até morrer. De fato, a velocidade de caminhada de uma pessoa pode ser empregada até para revelar seu nível de envelhecimento cognitivo. A velocidade dos passos é uma forma de avaliar a capacidade funcional de uma pessoa — ou seja, sua capacidade de realizar tarefas diárias pela casa e manter sua independência. É normal que as pessoas caminhem com mais lentidão à medida que envelhecem. Mas um declínio acentuado da velocidade de uma pessoa pode indicar que algo mais sério está acontecendo. “A redução da velocidade normal dos passos de uma pessoa, muitas vezes, está associada à deterioração da sua saúde em geral”, segundo a professora de medicina Christina Dieli-Conwright, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard. Ela estuda os efeitos dos exercícios sobre o prognóstico de câncer. “É possível que aquela pessoa tenha uma condição crônica, que faça com que ela não se movimente muito ou passe a ser sedentária”, explica ela. “Isso significa que, muito provavelmente, ela sofreu redução da força muscular e da mobilidade das juntas, o que, infelizmente, gera outros declínios de saúde.” Técnica simples Para realizar o teste de velocidade ao andar, você precisa apenas de um cronômetro e de uma forma de medir a distância, como uma trena. Existem duas versões do teste. Se você estiver em um espaço aberto, com muito espaço disponível, tente o teste de velocidade andando 10 metros. Primeiramente, meça 5 metros, seguidos por mais 10 metros. Para começar, recomenda-se andar 5 metros para atingir sua velocidade normal, depois andar nesta velocidade por 10 metros. Para calcular sua velocidade, simplesmente divida 10 metros pelo número de segundos que você levou para andar aquela distância. Se você estiver em casa e o espaço for mais limitado, você pode tentar o teste de velocidade ao andar quatro metros. Neste teste, meça um metro, seguido por quatro metros. A ideia é usar o primeiro metro para atingir sua velocidade e cronometrar quanto tempo você leva para andar os quatro metros restantes na sua velocidade habitual. Para calcular sua velocidade, divida quatro metros pelo número de segundos que você levou para andar aquela distância. Existem também muitos aplicativos para celular, que você pode usar para medir sua velocidade ao andar. Eles incluem rastreadores fitness como Walkmeter, MapMyWalk, Strava e Google Fit. Estes aplicativos usam o GPS para acompanhar a distância e o tempo, permitindo que você calcule sua velocidade. Faça sua comparação Para ter uma ideia em comparação com outras pessoas, a velocidade média dos passos de uma pessoa com 40 a 49 anos de idade é de 1,39 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens. Se você tiver 50 a 59 anos, a velocidade média é de 1,31 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens. Entre 60 e 69 anos, a velocidade média ao caminhar cai para 1,24 m/s para as mulheres e 1,43 m/s para os homens. Para as pessoas entre 70 a 79 anos, a velocidade média é de 1,13 m/s para as mulheres e 1,26 m/s para os homens. E, para pessoas com 80 a 89 anos de idade, a velocidade média dos passos é de cerca de 0,94 m/s para as mulheres e 0,97 m/s para os homens. Estudos demonstraram que a velocidade dos passos é um indicador significativo da expectativa de vida entre os idosos. Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, reuniram os resultados de nove estudos. Somados, eles acompanharam mais de 34 mil adultos moradores de comunidades com 65 anos de idade ou mais, por seis até 21 anos. Nos estudos, a velocidade dos passos apresentou associação significativa com a estimativa de vida. Homens que andavam mais lentamente com 75 anos de idade, por exemplo, tinham 19% de possibilidade de viver por mais 10 anos, em comparação com homens com velocidades mais altas, com 87% de chance de sobrevivência. Uma explicação é que as pessoas que já não estão bem tendem a perder a mobilidade. Mas um estudo realizado na França em 2009 concluiu que, mesmo entre adultos saudáveis com mais de 65 anos, participantes que andavam com baixa velocidade apresentaram cerca de três vezes mais probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares durante o período do estudo, em comparação com os que andavam com mais rapidez. “Andar parece ser algo tão simples que a maioria de nós não pensa sobre isso — nós apenas caminhamos”, afirma a pesquisadora Line Rasmussen, do Departamento de Psicologia e Neurociências da Universidade Duke, no Estado americano da Carolina do Norte. “Mas caminhar, na verdade, depende de muitos sistemas diferentes do corpo trabalhando em conjunto”, explica Rasmussen. “Seus ossos e músculos carregam e movem você, seus olhos ajudam você a olhar para onde está indo, seu coração e os pulmões circulam sangue e oxigênio e o seu cérebro e os nervos coordenam tudo isso.” À medida que envelhecemos, segundo Rasmussen, o funcionamento desses sistemas começa a perder velocidade. E andar mais devagar pode ser um reflexo desse declínio geral e um sinal do avanço do envelhecimento. Este fenômeno não se aplica apenas aos idosos. Em um estudo de 2019, Rasmussen e seus colegas descobriram que, mesmo entre pessoas com 45 anos de idade, a velocidade dos passos de uma pessoa pode prever o envelhecimento do seu cérebro e do corpo. Rasmussen e os demais pesquisadores da Universidade Duke examinaram 904 pessoas com 45 anos de idade, que fizeram parte do Estudo Multidisciplinar sobre Saúde e Desenvolvimento de Dunedin. Trata-se de um projeto de pesquisa longitudinal que acompanhou a vida de mais de mil pessoas nascidas entre 1972 e 1973 na cidade de Dunedin, na Nova Zelândia. Os participantes tiveram suas funções cognitivas e condições de saúde avaliadas regularmente ao longo de toda a vida.
Os melhores alimentos para uma vida saudável e com menos estresse — e os piores para isso

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/06/2025 Você já se sentiu inchado, cansado ou simplesmente indisposto sem nenhum motivo aparente? Pode ser que seu intestino esteja tentando te dizer algo. A saúde intestinal vai muito além da digestão — ela é a base da imunidade, do bem-estar mental e da nossa sensação geral de vitalidade. O microbioma intestinal, composto por trilhões de bactérias e micróbios, prospera com uma alimentação balanceada e rica em nutrientes. No entanto, escolhas alimentares inadequadas podem perturbar esse delicado ecossistema, podendo levar a problemas digestivos, inflamação e doenças crônicas. Julie McDonald, professora do Centro de Biologia de Resistência Bacteriana da Universidade Imperial College London, no Reino Unido, afirma que os desequilíbrios intestinais podem se manifestar de várias maneiras, não apenas por meio de sintomas digestivos. O microbioma intestinal de cada pessoa é tão único quanto a impressão digital. Isso significa que, embora alguns indivíduos tenham sistemas digestivos naturalmente resilientes, outros podem ser mais suscetíveis a distúrbios. A genética, o meio ambiente, a alimentação e até mesmo fatores relacionados ao início da vida — como se a pessoa nasceu de cesárea ou parto normal —, desempenham um papel na formação da saúde intestinal. Esta natureza única do nosso microbioma representa um desafio para os pesquisadores. Embora os cientistas tenham conseguido identificar os principais grupos de bactérias benéficas, a identificação exata dos micróbios responsáveis por problemas de saúde e doenças continua sendo complexa. Você é o que come “As escolhas alimentares têm um profundo efeito na diversidade do microbioma intestinal”, diz o médico Benjamin Mullish, pesquisador clínico da Universidade Imperial College London. “Vimos, em estudos, que mudanças na dieta, como a redução da ingestão de carne ou o aumento de fibras, podem provocar alterações significativas nas bactérias intestinais.” Por exemplo, pesquisas sugerem que a introdução de produtos lácteos fermentados, como iogurte e kefir, pode estimular o crescimento de bactérias benéficas como lactobacillus e bifidobacterium, mesmo sem aumentar a diversidade geral do microbioma. Mas a alimentação não é o único fator determinante. Outras influências importantes sobre a nossa saúde intestinal incluem: Um estudo japonês recente descobriu que comer mais grãos, legumes e verduras pode reduzir o estresse ao estimular bactérias intestinais benéficas. O estudo, realizado com cerca de mil adultos saudáveis, predominantemente do sexo feminino, constatou que uma dieta rica em nutrientes benéficos, como probióticos e alimentos ricos em fibras, pode ajudar a proliferar a bactéria Lachnospira, que é crucial para manter a saúde e a integridade intestinal. Mullish também destaca a conexão entre o intestino e o cérebro: “O nervo vago liga o cérebro ao intestino, e neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, têm origem no intestino.” “Pesquisas recentes sugerem que a saúde intestinal pode influenciar o comportamento, os níveis de estresse e até mesmo o bem-estar mental.” Melhores alimentos para um intestino saudável Os alimentos fermentadoscontêm probióticos — bactérias vivas que podem ajudar a equilibrar o microbioma intestinal. Estudos sugerem que o consumo de alimentos ricos em probióticos pode melhorar a digestão, reduzir o inchaço e auxiliar na imunidade. Os alimentos fermentados mais populares incluem: Dica: comece com pequenas porções, se você não estiver acostumado a comer alimentos fermentados, para evitar desconforto digestivo. A fibra atua como um prebiótico, alimentando as bactérias intestinais benéficas, como as encontradas nos alimentos probióticos, e promovendo a regularidade digestiva. Pesquisas indicam que uma dieta rica em fibras pode reduzir o risco de doenças gastrointestinais e ajudar no controle do peso. Entre os alimentos ricos em fibras, estão: Dica: aumente gradualmente a ingestão de fibras para evitar inchaço ou desconforto. Beba bastante água para ajudar na digestão. Os polifenóis são compostos vegetais com propriedades antioxidantes que aumentam a diversidade do microbioma intestinal e reduzem a inflamação. As fontes de polifenóis incluem: Dica: combinar alimentos ricos em polifenóis com gorduras saudáveis (como de abacate ou nozes) pode melhorar a absorção. O caldo de ossos é rico em colágeno e aminoácidos como a glutamina, que podem ajudar a manter a integridade do revestimento intestinal e reduzir a inflamação. No entanto, são necessárias mais pesquisas para confirmar esses benefícios. Dica: use em sopas ou saboreie sozinho. Piores alimentos para a saúde intestinal Os alimentos ultraprocessados geralmente contêm aditivos artificiais, conservantes e emulsificantes que podem alterar a composição das bactérias intestinais e contribuir para a inflamação. Exemplos comuns incluem: Dica: opte por lanches minimamente processados, como nozes, frutas ou granola caseira. Certos adoçantes artificiais, como o aspartame e a sacarina, foram associados a alterações negativas nas bactérias intestinais e no metabolismo da glicose. Eles são encontrados com frequência em: Dica: escolha alternativas naturais, como estévia ou fruta-do-monge. Uma dieta rica em açúcar promove o crescimento de bactérias intestinais nocivas e inflamação, ao mesmo tempo em que reduz as bactérias benéficas. Os alimentos ricos em açúcar refinado incluem: Dica: sacie a vontade de comer doce com frutas inteiras ou chocolate amargo. Todas as bebidas alcoólicas podem afetar negativamente o intestino, perturbando os padrões de sono, afetando o bem-estar mental e alterando a composição da microbiota intestinal. Embora o vinho tinto seja rico em polifenóis, a nutricionista Kirsten Jackson, especialista em síndrome do intestino irritável, disse à BBC que a ideia de que faz bem à saúde intestinal é enganosa, já que todos os benefícios são neutralizados pelo teor alcoólico do vinho. Dica: beba com moderação, e harmonize com alimentos benéficos ao intestino. Uma dieta rica em carne vermelha e processada tem sido associada a desequilíbrios no microbioma intestinal e ao aumento do risco de câncer colorretal. Considere limitar a ingestão e optar por proteínas magras, como peixes, aves ou alternativas à base de vegetais. Dica: experimente adotar “dias sem comer carne” para ajudar a reduzir gradualmente seu consumo. Pequenas mudanças, grande impacto McDonald enfatiza que aumentar a ingestão de fibras alimentares é uma das maneiras mais simples de melhorar a saúde intestinal. “As fibras nutrem os micróbios benéficos, promovendo a saúde digestiva e a imunidade.” A nutricionista Kirsten Jackson sugere a adoção de uma dieta diversificada, à base de vegetais, com pelo menos 30 gramas de fibra diariamente. Segundo ela, isso deve incluir grãos integrais, nozes, sementes, frutas, legumes e verduras, de modo a nutrir os

