Dieta mediterrânea: como adaptar com ingredientes brasileiros

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 27/10/2025 Saiba como seguir o padrão alimentar usando ingredientes brasileiros, com adaptações simples, sabor acessível e foco na saúde de longo prazo. Por décadas, a dieta mediterrânea tem sido apontada como uma das formas mais eficientes de se alimentar com saúde, sabor e equilíbrio. Ela nasce da tradição de países como Itália, Grécia e Espanha, onde as refeições são preparadas com ingredientes frescos e compartilhadas em torno da mesa, sempre com calma, respeito ao tempo e valorização do ato de comer. De acordo com a nutricionista Sabrina Theil, pessoas que seguem a dieta mediterrânea têm risco significativamente menor de desenvolver doenças cardíacas graves, como infarto e AVC. Mas será mesmo possível seguir essa dieta vivendo no Brasil, longe do Mediterrâneo? A nutricionista afirma que sim e mais do que possível, é totalmente viável com o que se encontra na feira e no mercado brasileiro. O que é, de fato, a dieta mediterrânea? Antes de tudo, a nutricionista aponta que a dieta mediterrânea não é uma lista rígida de alimentos ou um plano de emagrecimento. Ela é o reflexo de um estilo de vida tradicional de povos litorâneos da Europa, marcado pelo uso de ingredientes naturais, sazonais e minimamente processados. Sabrina explica que sua base é simples: comer comida de verdade, preparada com calma e consumida em convivência. A nutricionista lembra que, talvez, o grande segredo da dieta mediterrânea esteja menos no “o que comer” e mais em “como comer”: sem pressa, longe de telas e com presença. É uma cultura alimentar que preza pela qualidade, não pela quantidade. Benefícios comprovados pela ciência A popularidade da dieta mediterrânea não se deve à moda, mas à ciência. A nutricionista aponta que estudos comprovaram seus efeitos em diferentes aspectos da saúde: Adaptação à brasileira Para a nutricionista, o erro de muitos brasileiros ao tentar seguir a dieta mediterrânea é buscar alimentos importados e caros, como queijos europeus ou azeites premium, acreditando que isso garante autenticidade. Esse caminho, além de inviável, desvia da essência do mediterrâneo, que é a simplicidade. “Não precisamos importar cultura alimentar. No Brasil, temos feijão, frutas, castanhas e hortaliças que cumprem o mesmo papel nutricional com muito mais frescor”, explica Sabrina. Se no Mediterrâneo usa-se o grão-de-bico, o Brasil possui o feijão em suas diferentes variedades (preto, carioca, fradinho, jalo) rico em proteínas vegetais, fibras e minerais. As oleaginosas europeias (como nozes e amêndoas) podem ser substituídas por castanha-de-caju, castanha-do-pará e amendoim. Frutas como figo e romã encontram equivalentes tropicais como manga, acerola, goiaba e abacaxi, ricas em vitamina C e compostos antioxidantes. No campo dos vegetais, não é necessário depender de rúcula ou berinjela: a couve, o ora-pro-nóbis, a taioba, o jiló e o maxixe cumprem com excelência a missão de variedade de cores, fibras e nutrientes. A sardinha, tão valorizada na Grécia, também é abundante na costa brasileira, acessível e rica em ômega-3. Em regiões afastadas do litoral, peixes congelados de boa procedência ou receitas com ovos e leguminosas mantêm o equilíbrio proteico. Até mesmo o azeite, embora continue sendo a principal gordura recomendada, pode ter consumo parcial complementado por óleos de girassol ou canola em contextos de custo elevado. Para Sabrina, a chave é reduzir o uso de gorduras saturadas, como manteiga e banha, e privilegiar gorduras monoinsaturadas. Erros comuns ao tentar seguir a dieta mediterrânea Mesmo com boas intenções, muitos brasileiros acabam distorcendo o verdadeiro espírito da dieta mediterrânea ao tentar incorporá-la à rotina. Para a nutricionista, o erro está em copiar o cardápio europeu sem compreender o princípio central dessa cultura alimentar: equilíbrio, simplicidade e variedade. Alguns erros mais frequentes são: Mais que dieta, um estilo de vida A essência mediterrânea também convida a resgatar hábitos perdidos: comer na mesa, longe de telas, mastigar devagar, sentir o sabor. Valorizar aquilo que é feito em casa, priorizar a feira em vez de pacotes e entender a refeição como ritual, não como obrigação. “É uma cultura alimentar que une prazer, presença e saúde. No fim, é menos sobre o Mediterrâneo e mais sobre reconectar-se com a comida de verdade”, conclui Sabrina.

O perigo do consumo excessivo de açúcar

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/10/2025 A ingestão acima do ideal impacta diretamente o funcionamento do corpo e o equilíbrio metabólico O Halloween não é uma tradição brasileira, mas a comemoração caiu no gosto do público — inclusive entre os adultos. Escritórios promovem festas temáticas, academias entram no clima e, em casa, é difícil resistir aos doces que sobram das brincadeiras das crianças. Chocolates, balas e sobremesas carregadas de caldas e recheios passam a circular com mais frequência, e o que parece uma diversão inofensiva pode, na verdade, trazer riscos à saúde. Uma revisão publicada na revista britânica The BMJ, chamada “Dietary sugar consumption and health: umbrella review“, mostrou que o consumo excessivo de açúcar está associado a 45 efeitos negativos no organismo, entre eles obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, depressão e envelhecimento precoce. Embora o açúcar tenha um papel cultural e emocional importante, presente em comemorações, recompensas e até no afeto, a ciência vem reforçando que o consumo acima do ideal impacta diretamente o funcionamento do corpo e o equilíbrio metabólico. Riscos do açúcar para os sistemas do organismo Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é limitar o consumo de “açúcares livres” a menos de 25 gramas por dia, o equivalente a seis colheres de chá. No entanto, boa parte da população ultrapassa facilmente essa quantidade já no café da manhã. O médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e em Metabolômica pela Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa, explica que o açúcar em excesso interfere em praticamente todos os sistemas do organismo. “O corpo humano não foi projetado para lidar com o volume de açúcar presente na alimentação moderna. Esse consumo contínuo causa picos de glicose e insulina, aumenta a inflamação, desregula hormônios e acelera o envelhecimento celular”, afirma. Impacto do açúcar no metabolismo O açúcar é uma fonte rápida de energia, mas, quando ingerido em excesso, o que o corpo não usa é transformado em gordura e armazenado, especialmente na região abdominal. Isso contribui para a resistência à insulina, quadro em que o organismo perde a capacidade de usar a glicose de forma eficiente. “Esse é o primeiro passo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia”, explica o médico. Além do impacto metabólico, o açúcar também afeta o cérebro. Seu consumo em excesso estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer, o que explica o comportamento compulsivo. “O açúcar ativa os mesmos circuitos cerebrais de recompensa que algumas drogas. Por isso, quanto mais a pessoa consome, mais sente necessidade de consumir de novo”, destaca Danilo Almeida. Fontes escondidas de açúcar O açúcar não está apenas em sobremesas e refrigerantes. Ele aparece, muitas vezes disfarçado, em alimentos considerados “salgados” ou “saudáveis”. Pães de forma, molhos prontos, iogurtes, cereais matinais e até produtos light e zero podem conter grandes quantidades de açúcares adicionados. “O consumidor precisa ler o rótulo. Ingredientes como xarope de glicose, maltodextrina, dextrose e frutose são diferentes nomes para o mesmo açúcar”, alerta o médico. Segundo ele, mesmo os sucos de fruta industrializados e as bebidas à base de plantas podem conter grandes quantidades de açúcares livres, já que a estrutura da fruta é rompida e a fibra, responsável por retardar a absorção da glicose, é perdida. Consequências silenciosas A ingestão excessiva de açúcar também pode influenciar o equilíbrio hormonal, a imunidade e a saúde mental. “O excesso de glicose circulante aumenta o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica. Com o tempo, isso prejudica a função das mitocôndrias (as ‘usinas de energia’ das células) e reduz a capacidade de regeneração do organismo”, explica Danilo Almeida. A longo prazo, esse desequilíbrio contribui para fadiga constante, dificuldade de concentração, aumento da gordura visceral e maior risco de doenças crônicas. Em homens, pode até reduzir os níveis de testosterona; em mulheres, agrava desequilíbrios hormonais ligados à síndrome dos ovários policísticos (SOP). Como reduzir o consumo sem abrir mão do sabor Para equilibrar o paladar, o médico recomenda substituir os açúcares simples por fontes naturais e alimentos integrais, ricos em fibras e nutrientes. “As fibras desaceleram a absorção da glicose e evitam os picos de insulina. Além disso, o consumo de gorduras boas e proteínas em todas as refeições ajuda a controlar o apetite e reduzir a vontade de comer doce”, orienta. Boas estratégias incluem: Adoçar menos é um hábito treinável O paladar é adaptável e, com o tempo, o organismo aprende a apreciar sabores menos intensos. “Depois de algumas semanas reduzindo o açúcar, o cérebro reconfigura a percepção do doce. Aquilo que antes parecia ‘sem graça’ passa a ter sabor suficiente”, explica o médico. Ele lembra ainda que a qualidade do sono e o manejo do estresse influenciam o desejo por doces. “Pessoas cansadas e ansiosas tendem a buscar açúcar como compensação emocional. Por isso, cuidar da mente também é uma forma de cuidar do metabolismo”, afirma.  Para Danilo Almeida, não há problema em comer um doce de vez em quando. “O perigo está na rotina, no açúcar que aparece todos os dias, em pequenas doses, sem que a gente perceba”, finaliza. Por Paula de Paula

O revolucionário implante ocular que ajuda pacientes cegos a ler de novo

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 20/10/2025 Um grupo de pacientes cegos conseguiu voltar a ler após receber um implante revolucionário nos olhos que foi testado em um hospital em Londres. Um cirurgião que inseriu os microchips em cinco pacientes no hospital Moorfields Eye, em Londres, afirma que os resultados do estudo são “incríveis”. Sheila Irvine, de 70 anos, que é registrada como cega, disse à BBC que a sensação de poder ler e fazer palavras cruzadas novamente é algo “de outro mundo”. “É lindo, maravilhoso. Me dá muito prazer.” A tecnologia, desenvolvida por um estudo internacional, oferece esperança a pessoas com atrofia geográfica (AG), uma forma avançada de degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A DMRI é uma das principais causas de perda da visão a partir dos 50 anos, segundo a Retina Brasil, uma organização sem fins lucrativos que atua em prol da saúde ocular no Brasil. Em pessoas com essa condição, uma pequena área da retina na parte posterior do olho é gradualmente danificada, resultando em visão turva ou distorcida. Cores e detalhes finos são frequentemente perdidos. O novo procedimento envolve a inserção de um minúsculo microchip fotovoltaico quadrado de 2 mm, com a espessura de um fio de cabelo humano, sob a retina. Os pacientes usam um óculos com uma câmera de vídeo embutida. A câmera envia um sinal infravermelho de imagens de vídeo para o implante na parte posterior do olho, que as envia para um pequeno processador de bolso para serem aprimoradas e tornadas mais nítidas. As imagens são então enviadas de volta ao cérebro do paciente, através do implante e do nervo óptico, recuperando em parte a visão. Os pacientes passaram meses aprendendo a interpretar as imagens. Mahi Muqit, cirurgião oftalmológico do hospital Moorfields Eye, que liderou a parte britânica do estudo, disse à BBC que se trata de uma “tecnologia pioneira e transformadora”. “Este é o primeiro implante que conseguiu dar aos pacientes uma visão significativa que eles podem usar em sua vida diária, como para ler e escrever. Eu acho que este é um grande avanço”, disse ele. Como funciona o implante Na pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, 38 pacientes com atrofia geográfica em cinco países europeus participaram do teste do implante Prima, fabricado pela Science Corporation, empresa de biotecnologia da Califórnia. Dos 32 pacientes que receberam o implante, 27 conseguiram voltar a ler usando a visão central. Após um ano, isso representou uma melhora na leitura de 25 letras, ou cinco linhas, em uma tabela oftalmológica. No caso de Sheila, sua evolução foi ainda mais drástica. Sem o implante, ela é completamente incapaz de ler. Mas quando filmamos Sheila lendo uma tabela oftalmológica no Hospital Moorfields, ela não cometeu um único erro. Depois de completar o exame, ela deu um soco no ar em comemoração. A tarefa exige muita concentração. Sheila precisa colocar um travesseiro sob o queixo para estabilizar a imagem da câmera, que consegue focar apenas uma ou duas letras por vez. Em alguns momentos, ela precisou que o dispositivo fosse ligado no modo de ampliação, especialmente para distinguir entre as letras C e O. Sheila começou a perder a visão central há mais de 30 anos, devido à perda de células na retina. Ela descreve sua visão como se tivesse dois discos pretos em cada olho. Sheila se locomove usando uma bengala branca porque sua visão periférica, muito limitada, é completamente turva. Ela não consegue ler nem as maiores placas na rua. Ela diz que chorou quando teve que abrir mão da carteira de motorista. Depois de colocar um implante há cerca de três anos, ela está encantada com seu progresso, assim como a equipe médica do Moorfields. “Eu consigo ler minhas correspondências, livros e fazer palavras cruzadas e Sudoku”, diz ela. Quando perguntada se algum dia pensou que voltaria a ler, Sheila respondeu: “Nem pensar!” “É incrível. Estou muito feliz. A tecnologia está evoluindo tão rápido, é incrível que eu faça parte disso.” Sheila não usa o dispositivo quando está ao ar livre. Em parte, isso ocorre porque ele exige muita concentração – sua cabeça precisa ficar bem parada para ler. Ela também não quer se tornar excessivamente dependente do dispositivo. Em vez disso, ela diz que “apressa suas tarefas” em casa todos os dias antes de se sentar e colocar os óculos especiais. O implante Prima ainda não foi licenciado, portanto, não está disponível fora dos ensaios clínicos. Ainda não está claro quanto poderia custar se um dia for lançado comercialmente. No entanto, Mahi Muqit disse esperar que ele esteja disponível para alguns pacientes do serviço público de saúde britânico (o NHS) “dentro de alguns anos”.

Como são os cérebros dos ‘superidosos’ e qual a probabilidade de termos um como o deles?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/10/2025 “Seu hipocampo era lindo”, afirma a médica Tamar Gefen ao se recordar da estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória. A neuropisóloga havia ficado fascinada com a arquitetura daquela parte do cérebro. “Seus neurônios eram grandes e saudáveis. Me lembro de pensar como era incrível que uma estrutura tão complexa e impressionante pudesse armazenar memórias tão terríveis.” Gefen, uma das pesquisadoras do Programa de Superenvelhecimento da Universidade Northwestern, em Chicago, se referia ao cérebro de uma “superidosa”, que ela estudou em vida e que, mesmo após sua morte, continua examinando. Embora a paciente fosse uma sobrevivente do Holocausto, a pesquisadora não se esquece de quão feliz, forte e divertida ela era. “Já se passaram mais de 10 anos, mas penso nela o tempo todo.” Foi o que ela contou a Martin Wilson, autor do artigo What We Can Learn From SuperAgers (O que podemos aprender com os superidosos, na tradução livre para o português), publicado na Northwestern Magazine. Nos 25 anos do programa, há cientistas e participantes que se conhecem há muitos anos e, como mostra a experiência de Gefen, a conexão com as pessoas que doaram seus cérebros pode se tornar muito profunda. “Temos pessoas que faleceram há mais de 20 anos e cujos cérebros ainda são usados nos estudos”, disse Molly Mather, uma das pesquisadoras e professora assistente de Psiquiatria e ciências do comportamento na Universidade de Northwestern. “Se constrói uma relação de confiança e, quando decidem doar o cérebro após a morte, sabem para onde ele vai e quem irá estudá-lo”, acrescenta. “Eles querem fazer parte da pesquisa no futuro.” O cérebro que inspirou tudo O termo sugeraging (superidoso, em português) foi cunhado no Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Universidade de Northwestern. Para entender a origem de seu programa de envelhecimento, é preciso voltar a meados da décadas de 1990, quando algo aconteceu por pura “casualidade”. “Recebemos a autópsia cerebral post-mortem de uma mulher de 81 anos”, relatam os autores do artigo científico The first 25 years of the Northwestern University SuperAging Program (Os primeiros 25 anos do programa de Superenvelhecimento da Universidade de Northwestern, na tradução livre para o português). Tratava-se de alguém que havia participado de um estudo liderado por uma médica em Miami e que “não havia apresentado evidências de declínio funcional”. Na verdade, em testes de memória, ela obteve pontuações “superiores” para sua idade e semelhantes às de pessoas de 50 anos. Algo que surpreendeu os pesquisadores foi a detecção de um único emaranhado neurofibrilar em uma seção do córtex entorrinal, uma região conectada a várias áreas do cérebro e considerada fundamental na consolidação da memória espacial, episódica e autobiográfica. Os emaranhados neurofibrilares são espécies de nós de pequenas fibras da proteína tau — essencial para o funcionamento do cérebro — que se entrelaçam dentro dos neurônios. Sua formação faz parte da degeneração neurofibrilar, um processo em que a proteína tau começa a falhar, e cuja acumulação está associada ao declínio cognitivo e à doença de Alzheimer. De acordo com os pesquisadores, a detecção de um único emaranhado naquela mulher de 81 anos foi “uma ocorrência rara para essa idade, mesmo entre pessoas sem anomalias cognitivas conhecidas”. “A implicação resultante de que o envelhecimento não causa necessariamente uma perda significativa de memória” foi uma das ideias que motivaram a criação do programa em 2000. Esse primeiro cérebro era muito singular porque a maioria das pessoas, à medida que envelhece, desenvolve alguns emaranhados e também algumas placas de outra proteína chamada amiloide. “Quando mais velho você for, maior a probabilidade desses emaranhados se desenvolverem”, diz Mather. Em entrevista ao programa Health Check, da BBC, a médica Sandra Weintraub, uma das principais pesquisadoras do estudo e professora na Universidade de Northwestern, relembrou o início da pesquisa: “Nosso primeiro cérebro superidoso tinha um emaranhado, e pensamos: ‘Meu Deus, descobrimos o segredo para preservar o cérebro: não produzir emaranhados!’. Mas outro cérebro superidoso que recebemos em seguida tinha tantos emaranhados quanto de alguém que receberia um diagnóstico póstumo de doença de Alzheimer.” Quem são os superidosos? Com o termo “superidosos”, os cientistas do Programa de Superenvelhecimento definem pessoas de 80 anos ou mais que alcançam pontuações iguais às de indivíduos que são 20 ou 30 anos mais jovens em testes de memorização de listas de palavras. Eles utilizam o Teste de Aprendizagem Verbal de Rey, uma ferramenta amplamente usada em neuropsicologia para avaliar, entre outros aspectos, a memória. Outros instrumentos são utilizadas para analisar demais funções cognitivas. Os pesquisadores escolheram a memória episódica como principal marcador porque “é a capacidade que mais se deteriora” no processo de envelhecimento médio, explicam no artigo. Assim, para classificar alguém como superidoso, os cientistas estabeleceram um critério bastante rigoroso: ter memória equivalente a de alguém pelo menos 30 anos mais jovem. E os resultados impressionam. “É uma surpresa ver um nonagenário capaz de se lembrar de tanta informação nova, quando às vezes vejo pacientes de 50 ou 60 anos com dificuldades em um teste de memória bem mais simples”, afirma Mather. “É uma experiência realmente reveladora ver quão amplo é o espectro das diferentes trajetórias que o envelhecimento pode tomar.” Os superidosos desafiam a ideia de que o declínio cognitivo é inevitável com o envelhecimento. Tradicionalmente, diz a neurocientista, o estudo do cérebro envelhecido foca nas patologias, nas mudanças que provocam sintomas. Estudar os superidosos exige uma mudança de perspectiva, de ver “o que permanece intacto, o que permite que o cérebro continue funcionando em um nível realmente alto”. “Não se trata apenas da ausência da doença, mas também de identificar o que funciona bem e como aproveitar esse conhecimento para beneficiar outras pessoas.” Como são os cérebros dos superidosos? Os pesquisadores do programa conseguiram estabelecer que os superidosos possuem um fenótipo neuropsicológico e neurobiológico que os distingue de pessoas da mesma idade. Segundo Mather, um dos primeiros achados indica que seus cérebros se assemelham mais aos de pessoas de cinquenta e sessenta anos. “Parece que o encolhimento do cérebro, que normalmente ocorre com o envelhecimento, é menos evidente em pessoas

Como proteger seus joelhos de problemas futuros

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 06/10/2025 Os primeiros sinais de desgaste podem aparecer já na casa dos 30 anos: aquela dor incômoda que surge quando o tempo muda, a rigidez matinal ao levantar da cama ou até aquela hesitação antes de se agachar. Todos esses são indícios de que os joelhos já não funcionam tão bem quanto antes. Isso tende a ser mais evidente em quem pratica esportes regularmente ou tem trabalhos que exigem esforço físico. Mas há outros fatores que podem agravar o problema: ganho de peso, doenças autoimunes e até a genética aceleram o desgaste da articulação. Também não surpreende que os joelhos sofram tanto. Pesquisas indicam que, apenas ao caminhar, a força exercida sobre eles equivale a uma vez e meia o peso do corpo. Depois da dor nas costas, as dores nos joelhos são a queixa musculoesquelética mais frequente entre os idosos, impactando desde a mobilidade até a qualidade de vida. “O joelho é uma das articulações mais complexas do corpo,” explica Anikar Chhabra, cirurgião ortopédico e chefe de medicina esportiva da Mayo Clinic, nos Estados Unidos. “A cada passo, ele suporta toda a carga do nosso peso.” Há boas razões para dedicar atenção à saúde dos joelhos desde cedo, o que pode fazer a diferença tanto agora quanto no futuro. E a boa notícia é que existem passos simples que todos nós podemos adotar para garantir a mobilidade por mais tempo. Os joelhos dependem diretamente de quatro grupos musculares ao seu redor: isquiotibiais (superiores da coxa), glúteos, quadríceps e panturrilhas. Esses músculos dão sustentação, estabilidade e absorvem impactos. “Quando esses músculos não trabalham em conjunto, a sobrecarga vai direto para a articulação. É aí que surge a dor,” diz Chhabra. Pesquisas mostram que fortalecer esses grupos musculares por meio de exercícios ajuda a evitar a degeneração da cartilagem que leva à osteoartrite, retardando ou até prevenindo a necessidade de prótese no joelho. Além disso, manter os músculos fortes pode reduzir a carga sobre a articulação e aliviar a dor em estágios iniciais da doença. Segundo Alexis Colvin, professora de cirurgia ortopédica na Escola de Medicina Icahn, em Nova York, os exercícios também podem melhorar a saúde das próprias células da cartinagem. “Dentro do joelho, existe um líquido chamado sinovial, que funciona como um óleo lubrificante,” diz. “O exercício estimula sua produção, reduzindo rigidez e inflamação, além de proteger a cartilagem.” Determinados exercícios ainda ajudam a fortalecer os ossos do joelho, reduzindo o risco de osteoporose ou de perda óssea ao redor da articulação com o avançar da idade. Para os idosos, lembra Chhabra, o fortalecimento dos músculos que cercam o joelho também diminui a chance de quedas. Mas os exercícios para os joelhos podem trazer outros benefícios surpreendentes e muitas vezes negligenciados, como melhorar a propriocepção – a consciência subconsciente de onde estão as partes do nosso corpo no espaço. Esse “sexto sentido” ajuda a melhorar a mobilidade e o equilíbrio. “Os exercícios para o joelho contribuem para essa percepção,” diz Chhabra. “É basicamente treinar a mente para se conectar ao joelho, o que reduz o risco de quedas.” Colvin afirma que nunca é cedo demais para começar a fortalecer os joelhos. Embora a maior parte das pesquisas sobre os benefícios desse tipo de exercício seja feita com idosos que já têm osteoartrite, estudos com adolescentes que praticam esportes mostraram que o fortalecimento dos joelhos, mesmo nessa idade, pode reduzir bastante o risco de lesões. Para o restante da população, Colvin recomenda começar por volta dos 30 anos. “É nessa fase que começamos a perder massa muscular e densidade óssea, ainda que de forma muito lenta. Por isso, é um bom momento para dar atenção a isso, caso o fortalecimento não faça parte da sua rotina de exercícios,” ela explica. Que tipo de exercícios devemos fazer? Para manter os principais grupos musculares fortes, Chhabra sugere dedicar 15 minutos por dia, três a quatro vezes por semana, a diferentes exercícios para os joelhos – todos podem ser feitos em casa, sem a necessidade de equipamentos especiais. Ainda assim, ele recomenda procurar um fisioterapeuta ou treinador de força para garantir a execução correta. Aqui estão cinco exercícios rápidos e caseiros que ajudam bastante. Como regra geral, Colvin indica começar com duas séries de 10 repetições – ou seja, realizar o exercício 10 vezes, descansar e depois repetir mais 10 vezes. Subidas em degraus (step-ups) Basta usar um degrau ou escada baixa. Com o pé de sua preferência, suba até ficar com os dois pés no degrau e depois desça. A cada vez, alterne o pé que inicia o movimento. “É um exercício de baixo impacto porque utiliza apenas o peso do corpo,” explica Chhabra. “Trabalha os músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) e, sobretudo, os quadríceps, que ficam na parte da frente da coxa. Os quadríceps são fundamentais para a articulação do joelho, porque a patela se aproxima mais do fêmur quando estão enfraquecidos, aumentando o atrito e a dor.” Quadríceps mais fracos também sobrecarregam a articulação em que a patela desliza sobre o osso da coxa, o que causa dor e estalos. Agachamentos Chhabra recomenda que seus pacientes façam agachamentos todas as manhãs e todas as noites antes de dormir. “Isso fortalece os quadríceps e os glúteos, que são essenciais para aliviar a sobrecarga sobre o joelho,” diz. “Também ajuda na propriocepção. Agachamentos repetidos apenas com o peso do corpo trazem muitos benefícios.” Para quem passa longos períodos sentado, séries curtas de 15 agachamentos a cada 30 minutos também estimulam a produção das proteínas necessárias para o crescimento muscular e da força. Pesquisas indicam que o agachamento melhora a densidade mineral óssea e reduz o risco de quedas na velhice. Embora não se saiba se previnem a osteoartrite, ajudam a estabilizar o joelho, reduzem a dor e melhoram a qualidade de vida de quem já tem a condição. Chhabra alerta, porém, em relação ao agachamento profundo – quando os joelhos se dobram além de 90 graus. A comunidade científica é dividida sobre o tema: alguns estudos mostram que,

Suplementação de colágeno: funciona ou é dinheiro jogado fora?

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 01/10/2025 Proteína produzida naturalmente pelo organismo está presente em tecidos como pele, cartilagens, tendões, ligamentos e ossos. Firmeza na pele, redução de rugas, fortalecimento de tecidos e até ajuda na saúde óssea e muscular. Quando o assunto é benefícios do colágeno, a lista de problemas que os suplementos prometem combater é enorme. Mas, será que essa prática é realmente garantida ou apenas dinheiro investido sem retorno algum? Antes de tudo, e importante entender o que é o colágeno. Em conversa com a CNN, o biomédico Thiago Martins, mestre em medicina estética, explica que trata-se de uma proteína estrutural produzida naturalmente pelo organismo. “Representa cerca de 30% de todas as proteínas do corpo humano e está presente em tecidos como pele, cartilagens, tendões, ligamentos e ossos”. Sua principal função, então, é atuar como uma “cola” que mantém as células unidas, sendo fundamental para a integridade e regeneração dos tecidos. Na pele, é responsável por sua firmeza e sustentação. “Já nas articulações e nos ossos, promove resistência e flexibilidade, prevenindo desgastes e lesões”, comenta. De acordo com o profissional, entre 25 e 30 anos, a produção natural do colágeno pelo organismo começa a diminuir de forma gradual, cerca de 1% a 1,5% ao ano. “Isso ocorre por uma desaceleração dos processos metabólicos e pela menor atividade dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno. Com o tempo, essa redução impacta diretamente na qualidade da pele e de outros tecidos”, diz. Também à CNN, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, também explica que essa queda está relacionada ao envelhecimento fisiológico. “Há uma redução na atividade celular e um aumento na degradação das fibras de colágeno existentes, processo agravado por fatores como exposição solar excessiva, tabagismo, estresse e alimentação inadequada. Esses elementos aceleram a quebra do colágeno e dificultam sua reposição”, acrescenta. Teoria e prática da suplementação de colágeno Na prática, a suplementação de colágeno, especialmente em sua forma hidrolisada (peptídeos de colágeno), pode sim trazer benefícios reais, desde que seja bem formulada e utilizada continuamente. “Diversos estudos apontam melhora na hidratação, elasticidade e densidade da pele após alguns meses de uso. No entanto, ela não deve ser encarada como solução isolada. Procedimentos dermatológicos como lasers, ultrassom microfocado e bioestimuladores injetáveis são ferramentas eficazes para estimular a produção endógena de colágeno, e, nesse contexto, a suplementação pode atuar como um reforço complementar, otimizando os resultados e favorecendo a recuperação dos tecidos”, explica Lucas. “O principal desafio é garantir que os peptídeos de colágeno sejam efetivamente absorvidos pelo intestino e atinjam os tecidos-alvo em concentração suficiente para estimular os fibroblastos. Além disso, a escolha do tipo certo de colágeno e a presença de nutrientes auxiliares são determinantes para o sucesso da suplementação. A qualidade do produto e o uso contínuo também fazem diferença”, adiciona. Mitos e verdades sobre suplementação de colágeno Faz bem à pele? “Verdade. Estudos clínicos têm demonstrado que a suplementação com peptídeos de colágeno pode trazer benefícios para a pele, como melhora da hidratação, elasticidade e redução de linhas finas. No entanto, é fundamental que a suplementação faça parte de um plano de cuidados integrado, que inclua proteção solar, alimentação balanceada e, quando indicado, tratamentos dermatológicos específicos”, entrega Lucas. Protege as articulações? “A ideia de que a suplementação de colágeno pode proteger as articulações tem um fundo de verdade, mas é importante entender os limites dessa ação. Pesquisas recentes sugerem que o uso de colágeno hidrolisado, especialmente quando associado à vitamina C, pode ajudar na manutenção da cartilagem e na redução de dores articulares leves, principalmente em pessoas com início de desgaste nas articulações ou em praticantes de atividade física intensa”, explica à CNN o ortopedista Daniel Oliveira, especialista em coluna vertebral. “No entanto, é essencial saber que os efeitos são geralmente sutis e que o colágeno não é uma solução milagrosa. Ele deve ser visto como um aliado dentro de um plano mais amplo de cuidados com as articulações, que inclui uma boa alimentação, exercícios físicos regulares, controle do peso e, quando necessário, acompanhamento médico e fisioterapia”, diz. Melhora a imunidade e amplia a longevidade? “Mito. Nenhuma ação isolada, suplemento ou alimento específico é capaz, por si só, de melhorar a imunidade e ampliar a longevidade. Essa é uma afirmação simplista, que desconsidera a complexidade do processo de envelhecimento e os múltiplos fatores que influenciam a saúde ao longo da vida”, conclui a geriatra Simone de Paula Pessoa Lima à CNN.

Sono na terceira idade: como melhorar a qualidade e evitar riscos à saúde

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/03/2025 Médico explica por que distúrbios do sono são tão comuns em idosos. Por que os distúrbios do sono são tão comuns em idosos? Há algumas explicações para isso. A primeira delas é a mudança de rotina típica dessa faixa etária. A mobilidade diminui, e o idoso já não produz como no passado. Ficar mais tempo dentro de casa, não ter horários fixos para as refeições, reuniões ou outras atividades interfere na rotina diurna e, consequentemente, afeta a qualidade do sono. Costumo dizer que o sono é preparado desde o momento em que acordamos. Se as atividades não são regradas, o sono também não será. Outra alteração importante é a própria mudança fisiológica que a terceira idade acarreta: o idoso torna-se mais matutino, ou seja, tende a dormir mais cedo e acordar mais cedo. Além disso, a fragmentação do sono e os cochilos diurnos tornam-se mais frequentes. Essas mudanças fisiológicas ocorrem, principalmente, devido à redução na produção de melatonina. Por fim, vale destacar que, nessa faixa etária, há maior probabilidade de distúrbios do sono, como insônia e apneia do sono, decorrente do relaxamento da musculatura do pescoço. Essas duas condições contribuem para um sono mais interrompido. Os impactos das noites mal dormidas na saúde do idoso O fato de o idoso acordar várias vezes à noite pode contribuir para a exacerbação do sistema nervoso autônomo simpático. Em outras palavras, é como se, durante a noite, o indivíduo ativasse repetidamente o sistema de alerta, o mesmo que entra em ação quando tomamos um susto. Esse mecanismo gera aumento dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória, além de liberar substâncias como adrenalina e noradrenalina. Esses efeitos podem trazer consequências cardiovasculares, como maior risco de hipertensão arterial, arritmias e infarto agudo do miocárdio. Além disso, a privação do sono compromete a eficiência do sistema glinfático, responsável pela limpeza do cérebro. Esse sistema “varre” proteínas resultantes da atividade cerebral, e o acúmulo de algumas delas, como a beta-amiloide e a tau, está associado a doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer. Alterações cognitivas são comuns nessa faixa etária, e cabe ao médico avaliar criteriosamente se são esperadas para a idade ou se indicam um quadro patológico que requer intervenção precoce. A depressão em idosos, frequentemente causada por mudanças nas relações familiares e, por vezes, pela exclusão social, pode ser agravada pela má qualidade do sono. Estratégias para melhorar a qualidade do sono na terceira idade *Texto escrito pelo otorrinolaringologista e médico do sono Danilo Sguillar (CRM 130.313 / RQE 148609), professor do Instituto do Sono e secretário do Departamento de Medicina do Sono da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia

Como parar de roncar? Ciência aponta quatro hábitos para um sono tranquilo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 26/08/2025 Pequenas mudanças de hábito e tratamentos simples podem reduzir ou até eliminar o ronco, melhorando a qualidade do sono e da saúde O ronco é um problema comum, mas que vai muito além de um simples incômodo noturno. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira do Sono, 40% da população adulta sofre com o problema. Os ruídos durante o sono podem resultar em noites mal dormidas, fadiga diurna, queda no desempenho e, em alguns casos, até mesmo estarem associados a problemas mais graves. Diante disso, surge a pergunta: como parar de roncar? Para o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, especialista em Medicina do Sono e diretor do Laboratório do Sono do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), algumas ações simples, mas eficazes podem ser aplicadas para evitar que o problema se agrave. Causas do ronco De acordo com Lorenzi, o ronco é causado por uma obstrução da via aérea superior na região da faringe, na área da garganta. Ele pode ocorrer por alguns fatores específicos, por exemplo, a anatomia dessa parte do corpo. “As causas do ronco estão relacionadas a uma anatomia desfavorável, ou seja, uma via aérea estreita na região da garganta. Um dos fatores que podem agravar esse estreitamento é a posição ao dormir. Quando a pessoa está de barriga para cima, há maior tendência ao ronco do que quando dorme de lado. Isso acontece porque, nessa posição, a língua tende a cair para trás em direção à parede da faringe, reduzindo ainda mais o espaço para a passagem do ar”, destaca o especialista. Outra característica que pode influenciar na ocorrência do ronco é a obesidade, de acordo com o pneumologista. O médico afirma que o aumento de peso tem relação direta com a possibilidade de a via aérea superior ficar mais estreita, devido ao acúmulo de gordura. “O ganho de peso não acontece apenas de forma externa: ele também afeta estruturas internas. A língua, por exemplo, é um músculo que pode acumular gordura, assim como a região da faringe. Esse acúmulo reduz o espaço disponível para a passagem do ar durante o sono, favorecendo o surgimento do ronco”, explica Lorenzi. Ainda, a obstrução nasal também pode contribuir para o ronco. O médico especialista explica que quando o nariz está obstruído, a pessoa tende a respirar pela boca. Esse movimento desloca a base da língua para trás, aumentando a chance de ronco. O ideal é que a língua permaneça posicionada no céu da boca, logo atrás dos dentes incisivos superiores, o que ajuda a manter a via aérea mais estável durante o sono. 4 maneiras comprovadas de parar de roncar Geraldo Lorenzi Filho aponta algumas medidas cientificamente comprovadas para reduzir ou até eliminar o ronco. Algumas delas podem ser adotadas imediatamente e já trazerem resultados perceptíveis. 1. Dormir de lado A posição ao dormir tem grande influência sobre o ronco. De barriga para cima, a língua tende a cair para trás, em direção à parede da faringe, estreitando ainda mais a passagem de ar. Dormir de lado ajuda a estabilizar a língua e manter a via aérea mais livre. Uma dica que o especialista dá é usar um travesseiro mais alto, que sustente bem a cabeça, e colocar outro entre as pernas para manter o corpo alinhado durante a noite. 2. Buscar perder de peso A obesidade é um fator muito associado ao ronco. O excesso de gordura na língua e na região da faringe reduz o espaço para a passagem do ar. Segundo Dr. Lorenzi, estudos mostram que, a cada 10% de perda de peso, a apneia do sono melhora em cerca de 26% a 30%. Isso também vale para o ronco: emagrecer pode trazer uma melhora significativa. 3. Evitar álcool ou substâncias relaxantes O consumo de bebidas alcoólicas ou de certos medicamentos relaxantes antes de dormir aumenta o risco de ronco. Isso acontece porque essas substâncias relaxam excessivamente a musculatura da garganta, facilitando a obstrução da via aérea. Evitar o álcool, especialmente nas horas que antecedem o sono, pode fazer diferença na redução do ronco. 4. Exercitar a garganta Assim como qualquer outro músculo do corpo, a musculatura da garganta pode ser fortalecida com exercícios. Atividades indicadas por fonoaudiólogos ajudam a tonificar a região, evitando o relaxamento excessivo que favorece o ronco. Lorenzi explica que essa prática reduz o problema e pode melhorar casos de apneia leve e até moderada. Além disso, a prática regular de exercícios físicos no dia a dia também auxilia, já que contribui para a substituição de massa gorda por massa magra. É importante lembrar que dormir bem é essencial para a saúde física e mental. O ronco não deve ser visto apenas como um detalhe sem importância, mas como um sinal de que algo pode estar comprometendo a qualidade do sono. Se as medidas aqui indicadas não funcionarem, é fundamental buscar ajuda médica especializada em sono.

Médico explica ação da melatonina na qualidade do sono

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/03/2025 Diretor do Laboratório do Sono do InCor esclarece mitos e verdades sobre o uso da melatonina e sua eficácia na melhoria do sono. Durante a Semana Mundial do Sono, o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do InCor, compartilhou informações valiosas sobre o uso da melatonina e seus efeitos na qualidade do sono. Em entrevista à CNN, o especialista abordou questões importantes sobre este hormônio, que tem ganhado popularidade como suplemento para problemas de sono. De acordo com o Lorenzi, uma das principais vantagens da melatonina é sua segurança. “A grande vantagem é que melatonina não faz mal”, afirmou o especialista, tranquilizando aqueles que consideram seu uso. No entanto, ele ressaltou que, apesar de ser segura, a eficácia da melatonina como indutor do sono não é tão significativa quanto muitos acreditam. Função e limitações da melatonina O especialista explicou que a melatonina é um hormônio naturalmente produzido pelo corpo à noite, quando há menos luminosidade, sinalizando que é hora de dormir. Contudo, Lorenzi alertou que tomar melatonina enquanto se mantém exposto à luz de dispositivos eletrônicos pode anular seus efeitos: “Você tomar melatonina e ficar no celular, ligadão com aquela luz, não vai funcionar, não vai ajudar”. Quanto à eficácia, o médico indicou que, em geral, a melatonina tem um efeito pequeno na indução do sono. Ele mencionou que pode ser mais benéfica para idosos com pouca exposição à luz, mas não deve ser considerada uma solução milagrosa para problemas de sono. Lorenzi enfatizou que a melatonina “pode ajudar a manter um ambiente interno favorável para o sono”, mas não é um indutor direto. Ele também alertou sobre o efeito placebo, sugerindo que muitas pessoas podem sentir benefícios simplesmente por acreditar na eficácia do suplemento. Por fim, o especialista ressaltou a importância de considerar os hábitos diários e o estilo de vida ao abordar problemas de sono, em vez de depender exclusivamente de suplementos. “A gente precisa falar muito mais do teu dia, dos teus hábitos, do que chegar lá e falar ‘agora eu vou desligar a chave’. Em geral, isso não funciona”, concluiu Lorenzi, destacando a necessidade de uma abordagem mais holística para melhorar a qualidade do sono.