Dor nas costas, partos difíceis, dentes apinhados e sinusites: os ‘defeitos’ evolutivos que questionam ideia do ‘design inteligente’ do corpo humano

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Canva | Data: 20/04/2026 O corpo humano é frequentemente descrito como uma maravilha de “design perfeito”: elegante, eficiente e finamente ajustado à sua função. No entanto, ao observá-lo mais atentamente, surge um quadro bem diferente. Longe de ser uma máquina impecável, o corpo se assemelha mais a um mosaico moldado por milhões de anos de experimentação evolutiva. O trade-off evolutivo, ou custo evolutivo, é um ganho que vem acompanhado de uma perda ou limitação. Ou seja, a evolução não cria estruturas do zero; ela modifica o que já existe. E consequentemente, muitos aspectos da anatomia humana são simplesmente soluções “boas o suficiente”: funcionais, mas longe da perfeição. A coluna vertebral A coluna vertebral humana é o melhor exemplo disso. Nossa coluna evoluiu pouco desde nossos ancestrais quadrúpedes e arborícolas, onde funcionava principalmente como uma viga flexível para movimentos suaves de galho em galho, além de proteger a medula espinhal. Quando os humanos adotaram o bipedalismo, a coluna manteve essas funções. Mas também se adaptou à necessidade adicional de sustentar o peso do nosso corpo verticalmente e manter nosso centro de gravidade, permitindo, ao mesmo tempo, que tenhamos a flexibilidade necessária para nos movermos. Essas demandas opostas criam tensão. As curvaturas características da coluna humana ajudam a distribuir o peso, mas também nos predispõem a dores lombares, hérnias de disco e alterações degenerativas que afetam sua função mais importante: proteger a medula espinhal e os nervos ao redor. Essas condições são extraordinariamente comuns, não porque a coluna seja inerentemente defeituosa, mas porque desempenha uma função diferente da atribuída originalmente. O pescoço Outro argumento claro contra um projeto divino é o nervo laríngeo recorrente, que segue um trajeto que simplesmente não faz sentido ter sido inventado assim. Esse nervo, um ramo do nervo vago, controla principalmente as funções de repouso e digestão de nossos órgãos (como a redução da frequência cardíaca e respiratória). O nervo laríngeo também conecta o cérebro à laringe, ajudando a controlar a fala e a deglutição. Logicamente, seria de se esperar que ele utilizasse a rota mais direta para conectar o cérebro à laringe. Em vez disso, ele desce do cérebro para o tórax, contorna uma artéria importante e então retorna à laringe. Esse desvio não é um projeto engenhoso, mas um vestígio histórico de nossos ancestrais semelhantes a peixes, quando o nervo seguia um caminho direto ao redor dos arcos branquiais. À medida que os pescoços se alongaram ao longo do tempo evolutivo, o nervo se esticou em vez de ser redirecionado. Essa ineficiência pode aumentar nossa vulnerabilidade a lesões durante cirurgias. Os olhos Até mesmo nossos olhos refletem um custo evolutivo. Em humanos e outros vertebrados, a retina (a camada sensível à luz na parte posterior do globo ocular) é conectada “de cabeça para baixo”. Isso significa que a luz precisa passar por camadas de fibras nervosas antes de chegar aos fotorreceptores, células especializadas responsáveis por detectar a luz e convertê-la em um impulso nervoso que é enviado ao cérebro. O nervo óptico sai pela parte posterior da retina, criando um ponto cego logo abaixo da linha horizontal do olho, onde a visão não é possível. O cérebro compensa essa deficiência perfeitamente, de modo que raramente a percebemos. Portanto, embora tenhamos desenvolvido uma visão e células fotorreceptoras incríveis, isso teve como custo uma lacuna em nosso campo visual. Os dentes Nossos dentes nos lembram mais uma vez que a evolução prioriza a aptidão em detrimento da durabilidade. Os humanos desenvolvem duas dentições: dentes de leite e dentes permanentes, e só. Uma vez perdidos, os dentes permanentes não são substituídos, ao contrário dos tubarões, que regeneram seus dentes continuamente ao longo da vida. Nos mamíferos, o desenvolvimento dentário é rigorosamente regulado e está ligado ao crescimento complexo da mandíbula e às estratégias de alimentação. Esse sistema funcionou bem para nossos ancestrais, mas torna os humanos modernos vulneráveis ​​a cáries e à perda dentária. Os dentes do siso são outro exemplo de atraso evolutivo. Nossos ancestrais tinham mandíbulas maiores, adaptadas a dietas mais duras que exigiam mastigação intensa. Com o tempo, a dieta humana se tornou mais macia e o tamanho da mandíbula diminuiu. No entanto, o número de dentes não mudou tão rapidamente. Muitas pessoas não têm mais espaço suficiente para os dentes do siso, o que leva à impactação, ao apinhamento e, muitas vezes, à necessidade de extração cirúrgica. Os dentes do siso não são inerentemente inúteis, mas não se encaixam mais confortavelmente nos crânios modernos. A pélvis O parto representa um dos custos evolutivos mais profundos. Assim como a coluna vertebral, a pelve humana precisa equilibrar duas demandas opostas: a locomoção bípede eficiente e o nascimento de bebês com cérebros grandes. Uma pelve estreita facilita a locomoção, mas limita o tamanho do canal vaginal. Por outro lado, os bebês humanos têm cabeças excepcionalmente grandes em relação ao tamanho do corpo, o que resulta em partos difíceis e, às vezes, perigosos, que frequentemente exigem assistência externa. Essa tensão entre mobilidade e tamanho do cérebro moldou não apenas a anatomia, mas também o comportamento social, fomentando o cuidado cooperativo e adaptações culturais em torno do parto. Persistência evolutiva A evolução não elimina necessariamente estruturas, a menos que elas imponham uma grande desvantagem. Portanto, algumas características anatômicas persistem apesar de oferecerem benefícios limitados. O apêndice, antes considerado um vestígio evolutivo completamente inútil, agora acredita-se que tenha funções imunológicas menores. No entanto, ele pode inflamar e causar apendicite, uma condição potencialmente fatal. Da mesma forma, os seios da face têm funções que ainda não são totalmente claras. Eles podem aliviar o peso do crânio ou influenciar a ressonância da voz, e podemos até usar seu tamanho e variabilidade para identificação forense. No entanto, as vias de drenagem dos seios da face desembocam diretamente no nariz, tornando-os propensos a bloqueios e infecções frequentes — um efeito colateral do desenvolvimento, e não uma adaptação deliberada. Até mesmo os minúsculos músculos ao redor das orelhas oferecem pistas sobre nosso passado evolutivo. Em muitos mamíferos, esses pequenos músculos permitem que a aurícula gire,

Março Azul: exames para rastrear câncer de intestino triplicam no SUS

Fonte: Agência EBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 23/03/2026 O maior volume de pesquisas de sangue oculto nas fezes ocorreu em SP Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Publicado em 23/03/2026 – Brasília O número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados via Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou ao longo da última década. Os dados fazem parte de levantamento feito no âmbito da campanha Março Azul e mostram que tanto a pesquisa de sangue oculto nas fezes quanto as colonoscopias registraram expansão significativa na rede pública de saúde. De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes passou de 1.146.998 para 3.336.561 exames realizados no SUS – crescimento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias aumentaram de 261.214 para 639.924 procedimentos no mesmo período – avanço de cerca de 145%. Em 2025, o maior volume de pesquisas de sangue oculto nas fezes foi registrado no estado de São Paulo, com 1.174.403 exames, seguido por Minas Gerais, com 693.289, e Santa Catarina, com 310.391. Na outra ponta, os menores números ocorreram no Amapá, com 1.356 exames, no Acre, com 1.558, e em Roraima, com 2.984. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Análise Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux, o cenário está associado ao avanço de estratégias de conscientização e à maior mobilização promovida por entidades médicas no país. “A campanha Março Azul tem transformado o medo em atitude e esperança”. “A cada ano, mais pessoas deixam de adiar o cuidado com a saúde do intestino e procuram os serviços de saúde para realizar exames, o que se reflete em um aumento expressivo de colonoscopias e testes de rastreamento justamente durante o mês de março.” Segundo ele, esse movimento não acontece por acaso: “É fruto do compromisso de autoridades municipais, estaduais e federais, que abraçaram a causa, iluminaram prédios, organizaram mutirões e levaram a mensagem de prevenção para as ruas, escolas e unidades de saúde”. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Casos recentes O médico lembra que fatos públicos, como o adoecimento e a morte de pessoas públicas em decorrência da doença, trazem o assunto para conversas diárias e ajudam a levantar dúvidas nas pessoas a partir de sinais e sintomas que devem ser avaliados em exames. Numa análise preliminar feita pela campanha, é possível perceber, por exemplo, que a trajetória da doença enfrentada pela cantora Preta Gil coincide com uma evolução nos números dos exames de diagnóstico. Entre a divulgação do diagnóstico da artista, em 2023, e a morte dela, dois anos depois, o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes cresceu 18% no SUS, enquanto o volume de colonoscopias cresceu 23%. “Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman, Roberto Dinamite e outros passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem”, disse. Ele destaca que cada entrevista, postagem ou depoimento dessas personalidades funciona como lembrete poderoso de que o câncer de intestino pode atingir qualquer pessoa, mas que a chance de cura é muito maior quando a doença é descoberta cedo. Campanha Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Este ano, a iniciativa conta ainda com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), além de outras sociedades de especialidades médicas. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é que as mortes prematuras (antes dos 70 anos) por câncer de intestino devem aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. A projeção cita não apenas o envelhecimento populacional, mas também ao crescimento da incidência da doença entre jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento.

O elemento químico que mudou a história da saúde mental

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 03/03/2026 Em julho de 1968, quando Walter Brown começou sua especialização em psiquiatria na Universidade Yale (EUA), sua primeira missão foi evitar que “Mr. G” se reunisse com o então presidente americano. Mr. G era um paciente que havia passado 17 anos internado em hospitais psiquiátricos, ora imobilizado por uma depressão suicida, ora com uma euforia que o fazia imaginar um encontro com o mandatário do país. “Diversas vezes por semana, Mr. G corria em direção à porta. Três enfermeiras e eu precisávamos arrastá-lo para um quarto de reclusão, onde, enquanto eu lutava com ele, uma delas aplicava um sedativo”, escreveu Brown no seu livro Lithium: a Doctor, a Drug and a Breakthrough (Lítio: um médico, uma droga e um avanço, em tradução livre). O paciente tinha psicose maníaco-depressiva ou transtorno bipolar. Seu prognóstico não era nada animador, mas, dois anos depois, Brown voltou a se encontrar com Mr. G. Agora, ele vivia por conta própria, fora dos hospitais e trabalhava em um supermercado. E ainda se lembrava, com uma mescla de assombro e vergonha, do seu desejo de se encontrar com o presidente americano. Um novo medicamento havia estabilizado suas mudanças de humor: o lítio. Ali nasceu o interesse do psiquiatra por aquele metal alcalino e, sobretudo, pelo homem que o transformou na primeira droga psiquiátrica: o médico australiano John Cade. Do Big Bang até a febre do lítio O lítio vem sendo chamado no século 21 de “ouro do futuro”, devido ao seu uso em baterias de produtos eletrônicos e na indústria de veículos automotores. A busca de fontes alternativas de energia para substituir os combustíveis fósseis fez disparar uma corrida pelo lítio, encontrado em grandes quantidades nas salinas de Bolívia, Chile e Argentina. Mas o lítio — o mais leve dos metais — é nosso companheiro desde tempos imemoriais. Os cientistas acreditam que o lítio seja um dos três elementos criados com o Big Bang (origem do universo), ao lado do hidrogênio e do hélio. São eles que ocupam os três primeiros lugares da tabela periódica, que todos nós estudamos nas aulas de química. Em seu livro sobre a tabela periódica, James Russell afirma que os registros do uso terapêutico do lítio remontam ao século 2 d.C., quando o médico grego Sorano de Éfeso recomendava banhos em cachoeiras de águas alcalinas para as pessoas que sofriam de “manias e melancolia”. Em meados do século 20, o lítio voltaria a ser fundamental para o tratamento desses dois estados — “muito para cima” e “muito para baixo”. Para Walter Brown, dois aspectos são fundamentais nessa história: as características da psiquiatria até a conversão do lítio em produto farmacêutico e o contexto que levou à descoberta de John Cade em 1949. “Até aquele momento, não havia drogas para a saúde mental. As pessoas usavam opioides e às vezes recebiam estimulantes ou sedativos. O lítio foi a primeira oportunidade de tratamento eficaz dos sintomas de uma doença psiquiátrica”, declarou Brown à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC. Os tratamentos para a depressão maníaca e outras condições de saúde mental incluíam internações em hospitais psiquiátricos, onde era possível desde induzir o coma com uma dose de insulina até sedar o paciente para terapias de sono profundo. Também eram aplicados choques elétricos e, nos anos 1940 e princípio dos anos 1950, foi muito utilizada a lobotomia (retirada de uma parte do cérebro). John Cade era um psiquiatra jovem e desconhecido. Veterano da Segunda Guerra Mundial, ele trabalhava em um hospital de Melbourne, na Austrália, sem treinamento formal, sem bolsa de estudos e sem colaboradores. Seu laboratório ficava na cozinha do hospital. Há quem diga que sua descoberta ocorreu por acaso, mas Brown não concorda totalmente com essa avaliação. “Em parte do processo, ele teve sorte”, afirmou Brown. “Ele começou a administrar sais de lítio a cobaias e percebeu que elas ficavam relaxadas. Mas é preciso dar-lhe crédito porque ele observou essa reação e imaginou que poderia funcionar com as pessoas, com pacientes maníacos. Dar este salto, para mim, é muito intuitivo e reflete sua capacidade de observar sem preconceitos.” Eduard Vieta, chefe de serviços de psiquiatria e psicologia do Hospital Universitário de Barcelona, na Espanha, afirmou à BBC News Mundo que, embora hoje nos pareça lógico, a revolucionária ideia de Cade de que seria possível tratar as doenças mentais com medicamentos não era assim tão óbvia 70 anos atrás. “Ele formulou uma hipótese, que por fim se demonstrou ser falsa, de que o ácido úrico poderia desempenhar um papel chave (nos tratamentos)”, segundo Vieta. “Como os ácidos não são estáveis como medicamentos, é preciso constituí-los na forma de sal para que possam ser consumidos. Aqui entra em jogo o lítio. Ele misturou lítio ao ácido úrico, criando urato de lítio. Quando administrou essa solução às cobaias, ele observou que elas se tranquilizavam.” Quando Cade administrou urato de lítio aos pacientes, ele comprovou uma melhora — mas a atribuiu ao ácido úrico e não ao lítio. “Mas, depois, ao testar outros sais, não obteve o mesmo resultado. Ele foi inteligente e deduziu que havia sido o lítio que havia melhorado seus pacientes”, acrescentou Vieta. Lítio no sangue Walter Brown disse que sua ideia era escrever uma biografia de Cade. “Mas na pesquisa fiquei sabendo, por exemplo, que o próprio Cade havia suspendido seu trabalho porque seus pacientes ficavam doentes. E outras pessoas assumiram seu lugar. Decidi então escrever a história de uma descoberta científica, de pessoas que aprenderam com outras pessoas”, afirmou. Embora os 10 pacientes iniciais de John Cade tenham demonstrado melhoras em sua saúde mental, alguns deles sofreram severas intoxicações com muita rapidez. O próprio Cade achava que o lítio era perigoso e não deveria ser receitado. Mas outros médicos na Austrália, como Edward Trautner, comprovaram que era possível medir a quantidade de lítio no sangue dos pacientes e assim evitar a intoxicação. Segundo o presidente da Sociedade Argentina de Psiquiatria, Ricardo Corral, existe uma “janela terapêutica” entre um limite mínimo (no qual o lítio não é eficaz) e um máximo (em

O que são os ‘cristais de memória’ que desafiam leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 11/03/2026 Durante uma visita ao Japão em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso. Agora, ele acredita que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados. No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundos. Eles emitem um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo. Mas eles observaram algo incomum na forma em que a luz trafegava através do vidro tratado com laser. A dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul. Mas, neste caso, a luz não se refletia conforme o esperado. “Foi difícil explicar”, afirma Kazansky, professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Ele trabalhava em colaboração com os pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão. “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física.” A desconcertante observação acabou provocando “um autêntico momento Eureka”, segundo Kazansky. Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham esta mesma propriedade. Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses “redemoinhos” de luz são tão minúsculos que acabam sendo imperceptíveis para o olho humano. Mas logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador. “Esta foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz”, explica Kazansky. Agora, 27 anos depois, espera-se que aquela descoberta possa ajudar a resolver um dos problemas mais graves da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados. O nosso problema com dados Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados. A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes). Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço. A ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa. Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente “na nuvem”. Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável. Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais. E seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais. Este dilema vem impulsionando soluções inovadoras. E uma delas é a proposta de Kazansky de gravar dados por meio de lasers. Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft. Os dados são processados e alojados em centros de dados — estruturas gigantescas, quase alienígenas, repletas de filas de servidores de mais de dois metros de altura, que piscam sem intervalos. Essas caixas vibrantes de hardware e cabos devoram energia, tanto para alimentar sua capacidade de computação quanto para os enormes sistemas de refrigeração necessários para evitar que elas se incendeiem. Aliás, um centro de dados não é um lugar agradável para se trabalhar. Quente e ensurdecedor, ele só é adequado para pessoas que conseguem “suportar muitas dores”, segundo uma pesquisa da revista americana The New Yorker em 2025. Em escala global, os centros de dados representam cerca de 1,5% da demanda mundial de eletricidade. Projeções indicam que seu consumo irá duplicar até 2030, quando também poderão gerar 2,5 bilhões de toneladas de emissões de CO₂. Este número equivale a cerca de 40% de todas as emissões anuais dos Estados Unidos. A recente expansão da IA generativa agravou a situação. Ela aumentou drasticamente a demanda por sistemas de computação de alto rendimento, que consomem quantidades colossais de energia e emitem nuvens intensas de calor. A maior parte da energia consumida pelos centros de dados é gasta com “dados quentes”: informações que devem estar disponíveis instantaneamente para acesso rápido e atualizações frequentes. Exemplos são transferências de dinheiro entre contas bancárias e documentos online editados regularmente. Mas a maioria dos dados do mundo não é deste tipo. Até cerca de 80%, na verdade, são “dados frios”: informações de que ninguém necessita imediatamente e que, quando são necessárias, as pessoas estão dispostas a esperar minutos ou até dias para obtê-las. Eles incluem dados de conformidade, como registros financeiros ou processos de auditoria, que bancos e outras empresas devem conservar indefinidamente. Também entram nesta categoria as cópias de segurança dos e-mails ou fotos antigas, além de dados de arquivo. Mas a armazenagem destes dados apresenta problemas. A maior parte deles é atualmente armazenada em discos rígidos, dentro de centros de dados. Eles devem permanecer ligados para que as informações possam ser recuperadas, o que exige energia e sistemas de refrigeração. Outra solução cada vez mais popular é a fita magnética. Ela é armazenada nas próprias instalações do centro de dados ou em bibliotecas de fitas especializadas. As fitas devem ser mantidas sob temperaturas de 16 a 25 °C, o que também implica consumo de energia para manter suas condições ideais. Além disso, elas precisam ser substituídas a cada 10 a 20 anos devido à sua degradação. Neste momento, a fita antiga é descartada como resíduo. O enorme aumento da produção de dados impulsionou forte demanda por fitas magnéticas nos últimos anos. ‘Cristais de memória’ Tudo isso faz com que a busca de soluções alternativas seja cada vez mais urgente. E Kazansky está adotando um enfoque inovador sobre este problema. Nos anos que se seguiram àquela primeira revelação na Universidade de Kyoto, ele descobriu que os

O que você deve comer em cada fase da vida

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 08/03/2026 Crédito,Getty ImagesArticle Information Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo do Reino Unido criou uma política de racionamento, que oferecia provisões semanais às famílias britânicas. A ideia era permitir que as pessoas satisfizessem suas necessidades nutricionais, garantindo que os alimentos fossem distribuídos igualmente em todo o país. Um dos alimentos racionados foi o açúcar. Cada indivíduo podia receber cerca de 227 g do produto por semana. Mas, para sua tristeza, crianças abaixo de dois anos de idade não tinham esse direito. Com o fim do racionamento de açúcar, em 1953, a ingestão média do produto dobrou entre os adultos britânicos. Na época, as pessoas mal sabiam, mas este fato histórico ofereceu aos cientistas do futuro uma ótima oportunidade de determinar os efeitos do consumo de açúcar para a saúde na fase inicial da vida. Em um estudo de 2025, uma equipe global de pesquisadores vasculhou os registros médicos de 63 mil pessoas nascidas no Reino Unido entre 1951 e 1956, quando o racionamento de açúcar estava em vigor. Eles descobriram que as crianças expostas a menos açúcar no útero e nos primeiros 1 mil dias de vida apresentaram 20% menos propensão a desenvolver doenças cardiovasculares com mais idade; 25% menos de desenvolver paradas cardíacas; e 31% menos de ter AVC do que crianças que se alimentaram com doces após o fim do racionamento. Provavelmente não surpreende que esta forte relação entre a ingestão de açúcar e a saúde persista depois que nascemos. Resumidamente, comer muitos doces faz mal para nós, independentemente da idade. Mas, como ocorre com outros alimentos, os benefícios nutricionais dependem do estágio da vida. Bebês e crianças precisam muito da gordura presente no leite integral e seus derivados, por exemplo, mas essa alimentação não seria considerada tão saudável para alguém na casa dos 20 ou 30 anos de idade. Para a cientista nutricional Federica Amati, do Imperial College de Londres, as grandes necessidades de energia das crianças fazem com que elas precisem de alimentos ricos em nutrientes. “Na infância, os alimentos estão literalmente construindo o corpo e o cérebro”, explica ela. “Além das calorias saudáveis, as crianças também precisam de ferro, iodo e uma ampla variedade de vitaminas para aumentar a imunidade, o desenvolvimento cerebral e o crescimento dos músculos.” Isso significa muitas frutas e legumes, grãos integrais, feijões e lentilhas, gorduras de boa qualidade como nozes e sementes e o mínimo de alimentos ultraprocessados. “Da concepção até os primeiros 1 mil dias de vida e na idade escolar, as crianças crescem rapidamente e formam a maior parte da sua massa óssea futura”, prossegue Amati. “É por isso que o cálcio e a vitamina D são nutrientes prioritários nesta fase. Eles são essenciais para o desenvolvimento normal dos ossos e para atingir um pico saudável da massa óssea, o que reduz o risco de osteoporose e fraturas em idade avançada.” Na prática, segundo Almati, isso significa fontes regulares de cálcio, como leite, iogurte, queijo, tofu enriquecido com cálcio ou bebidas vegetais fortificadas, além de vitamina D da exposição ao sol e de alimentos como peixes e ovos. Existem boas evidências de que comer os alimentos certos na infância pode beneficiar a saúde na idade adulta. Em um estudo de 2023, pesquisadores analisaram a alimentação de crianças e a compararam com sua saúde, tanto na infância quanto ao se tornarem adultos. Eles concluíram que as crianças que atenderam a três ou mais recomendações alimentares do Guia Coma Bem do NHS (o serviço público de saúde britânico) aos sete anos de idade apresentaram menos marcadores de risco de doenças cardíacas aos 24 anos, em comparação com as que não seguiram nenhuma das orientações. Adolescentes e jovens adultos A infância é uma fase importante, mas os alimentos que ingerimos na adolescência e na casa dos 20 anos de idade também formam a base para a saúde no futuro. Segundo Amati, é nesta etapa da vida que terminamos de construir os ossos e os músculos e começamos a passar horas estudando, trabalhando e nos socializando. Todas estas atividades aumentam a necessidade de nutrientes. “A adolescência e o início da idade adulta formam outra grande janela de oportunidades para a nutrição”, afirma ela. “Na casa dos 20 anos, o crescimento perde a velocidade, mas esta ainda é uma década fundamental para estabelecer hábitos que irão proteger a saúde do coração e do cérebro com mais idade. Observamos que grande parte das bases para doenças cardiovasculares já se forma nesta faixa etária, embora os sintomas só apareçam muito depois.” Na adolescência, o corpo precisa de vários nutrientes em maior quantidade, em comparação com a idade adulta. Eles incluem cálcio, vitamina D e ferro, que é especialmente importante para a menstruação. Proteínas e vitaminas do complexo B também são importantes, destaca Amati. Mas que forma tem essa alimentação? Amati explica que os adolescentes e jovens adultos devem seguir uma dieta, em grande parte, à base de plantas e evitar alimentos ultraprocessados. Ou seja, com muitas frutas, verduras, cereais integrais, feijões, nozes, lentilhas e sementes. Também é importante incluir uma quantidade apropriada de proteína em cada refeição, que pode ser de origem vegetal, segundo ela. Estudos demonstram que essa alimentação não beneficia apenas o corpo. Ela também pode influenciar a saúde mental. “Existem cada vez mais evidências de que os padrões alimentares da adolescência podem influenciar o risco de problemas de saúde mental“, explica Amati. “Dietas com alto teor de alimentos ultraprocessados e poucos alimentos vegetais integrais são associadas a maiores índices de depressão e ansiedade, enquanto os padrões no estilo mediterrâneo parecem oferecer proteção.” A dieta mediterrânea é rica em verduras, legumes, nozes e azeite de oliva, com pequenas quantidades de aves, peixes e laticínios. A dieta mediterrânea também pode beneficiar homens e mulheres que desejem formar família, o que costuma acontecer na casa dos 20, 30 e 40 anos. Estudos demonstram que a dieta mediterrânea pode influenciar positivamente a fertilidade. Já a dieta ocidental (que tende a ser rica em gorduras saturadas, carne e carboidratos brancos) é correlacionada à infertilidade masculina e feminina. Para as mulheres, estudos também demonstram que uma dieta rica em folato pode ajudar no tratamento da fertilidade. Alimentos com alto teor de folato incluem folhas verdes e escuras, brotos,

Novas diretrizes ampliam o tratamento de fibromialgia pelo SUS

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 28/02/2026 Medidas incluem atividade física e suporte psicológico Alice Rodrigues* A fibromialgia é uma síndrome clínica que atinge de 2,5% a 5% da população brasileira. Neste mês, o Governo Federal anunciou uma série de novas diretrizes que visam ampliar a visibilidade da doença e implementar novas oportunidades de tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS).  Segundo o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, em entrevista concedida ao Tarde Nacional – Amazônia nesta terça-feira (24), a fibromialgia é uma doença que causa dores constantes por todo o corpo, sem qualquer ligação com lesões ou inflamações.  “É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia”, conta.  Segundo estudos revisados pela revista Rheumatology e o National Institutes of Health (NIH), as mulheres representam mais de 80% dos casos, principalmente na faixa de 30 e 50 anos. Não se sabe a origem da doença, mas questões hormonais e genéticas estão entre as possibilidades investigadas.   Diagnóstico – A fibromialgia não é uma doença inflamatória, ela gera uma disfunção dos neurônios ligados à dor, que se tornam excessivamente sensibilizados. Dentre os sintomas mais comuns, estão:  . Dor constante no corpo . Fadiga e falta de energia . Formigamento nas mãos e nos pés . Problemas no sono, incluindo crises de apneia e insônia . Sensibilidade ao toque e a estímulos ambientais, como cheiros e barulhos . Alterações de humor, como depressão e ansiedade . Dificuldades de memória, concentração e atenção Para José Eduardo Martinez, a identificação dos sintomas é uma questão complicada, e gera dificuldade no momento de fechar um diagnóstico.  “O diagnóstico é puramente clínico, é o paciente contando para o seu médico o que ele sente e o médico reconhecendo os sintomas típicos da fibromialgia. Depois, é importante que se faça um bom exame físico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doenças”.  Ele reforça que é importante que o médico verifique se essas possíveis outras doenças não podem estar contribuindo para a dor que o paciente sente. Por exemplo, que o médico saiba distinguir a fibromialgia de outras doenças que podem causar dor articular no corpo, como a artrose. O médico também explica que não existem exames específicos para fibromialgia. O ideal é que o paciente procure um reumatologista para investigar a possibilidade, ou busque atendimento primário onde for possível, como uma Unidade Básica de Saúde.  Tratamento estruturado Em janeiro, através da Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fibromialgia passou a ser reconhecida como deficiência. A medida permite que pessoas com a doença possam acessar serviços garantidos por lei como:  . Cotas em concursos públicos e seleções de emprego. . Isenção de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados. . Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, mediante avaliação pericial. . Benefício de Prestação Continuada (BPC), no caso de baixa renda. . Pensão por morte, em situações em que a incapacidade para o trabalho for comprovada. Outra medida foi implementada esse mês pelo Ministério da Saúde, um planejamento estruturado para o tratamento de fibromialgia pelo SUS, que visa ampliar o acesso a ajuda qualificada e melhorar a vida de quem convive com a síndrome. A cartilha prevê a capacitação de profissionais, e também um tratamento multidisciplinar, com fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional.  A atividade física constante é também importante aliada, que pode ajudar a fortalecer o corpo e melhorar a qualidade de vida. Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tratamentos não fármacos – sem uso de remédios – são tão importantes para auxiliar o paciente quanto os fármacos, que ajudam a regular a percepção de dor.  “Alguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressão, provavelmente o médico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicólogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remédios, para não haver interação”, completou o Martinez.  *Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

Doenças raras: nova tecnologia do SUS reduz tempo de diagnóstico

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/02/2026 Plataforma de sequenciamento de DNA deve atender 20 mil pessoas ao ano Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil O Sistema Único de Saúde (SUS) vai contar com uma tecnologia para agilizar e deixar mais preciso o diagnóstico de doenças raras. A estimativa é que nova plataforma de sequenciamento completo de DNA que vai ser ofertada na rede pública atenda até 20 mil demandas de todo o Brasil por ano e reduza o tempo de espera de um diagnóstico de sete anos para seis meses.    O anúncio foi feito, nesta quinta (26), pelo Ministério da Saúde, em evento em Brasília.  A estimativa é que pelo menos 13 milhões de pessoas tenham doenças raras no País. “Nós colocamos para o SUS o sequenciamento completo do exoma, que é um exame que custaria R$ 5 mil”, detalhou Padilha.  A redução do tempo de diagnóstico é fundamental para o tratamento e para a qualidade de vida dos pacientes, conforme ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que assinou a habilitação de novos serviços para tratamento de doenças raras. Padilha lembrou que o próximo sábado é dia mundial para conscientização sobre doenças raras.   Ampliação de serviços O ministro defendeu que o país tenha autonomia de pesquisa, produção e tratamento de doenças raras, inclusive prevendo transferências de tecnologias de outros centros de ponta nessa área. “Quando a gente amplia esses serviços para estados que não tinham nenhum serviço ainda, a gente está garantindo um acesso mais próximo onde as pessoas vivem e moram”, ponderou.  O coordenador de doenças raras do ministério, Natan Monsores, explicou que todo paciente que for atendido em um serviço de referência ou for identificado dentro de um serviço de referência de triagem neonatal poderá ser encaminhado para os polos de sequenciamento. “Foi um investimento de R$ 26 milhões nesse primeiro ano. Nós conseguimos fazer a oferta desse exame, que em preços de mercado podem chegar até R$ 5 mil, por R$ 1,2 mil”. Monsores esclarece que a resolução diagnóstica é bastante precisa. “É um ganho enorme para a comunidade de pessoas com doenças raras. Fornecendo para os médicos geneticistas, para as equipes de neurologia e de pediatria, uma ferramenta essencial para fechar esse diagnóstico”.  Início com um cotonete A coleta do material é feita com um cotonete na parte interna da bochecha, que colhe células a serem encaminhadas para os laboratórios. Esse teste também pode ser feito com sangue.  “Permite avançar no diagnóstico de deficiências intelectuais, de condições que implicam no atraso do desenvolvimento global das crianças, e também uma enorme diversidade de condições genéticas que podem afetar essas crianças”, diz Monsores. O coordenador disse que existem 11 unidades da federação com serviços ativados. Em 90 dias após ação com a ferramenta, foi possível verificar 412 testes já com sequenciamento feito com 175 laudos. “A nossa perspectiva é fazer a expansão dessa rede para todas as unidades da federação até abril de 2026”.  Outro anúncio do Ministério da Saúde foi o tratamento das crianças com uma terapia gênica inovadora para crianças com atrofia muscular espinhal (AME). “É uma doença que, se não tratada em tempo hábil, é letal. Todas as crianças que receberam essa terapia têm a interrupção da progressão dessa condição”.  Avanços A presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências, Maria Cecília Oliveira, que estava no evento do anúncio, celebrou o que chamou de “avanços” nas políticas públicas relacionadas aos pacientes com doenças raras.  “Eu espero que o programa Agora tem especialistas seja realmente um programa que possa impactar significativamente os pacientes com doenças raras, que é a nossa luta”, disse Maria Cecília.  Outra representante de pacientes nesta condição, Lauda Santos, que é presidente da Associação Maria Vitoria de Doenças Raras e Crônicas (Amaviraras) e cofundadora e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas) destacou a importância da divulgação do serviço para o SUS. Lauda diz entender que um dos maiores desafios do governo é que essas informações cheguem até os pacientes. “As dificuldades continuam. A gente espera que isso mude porque tudo leva um tempo para poder entrar nos trilhos”.  Ela ainda defendeu que deve haver o fortalecimento de entidades que defendam os pacientes e lamentou a carga de impostos para os medicamentos. Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Como conviver com dor nas costas — e aliviar os sintomas

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 10/01/2026 A maioria das pessoas sofre de dores nas costas em algum momento da vida. Normalmente, o incômodo passa após algumas semanas. Mas episódios recorrentes podem debilitar as pessoas, fazendo da vida diária um duro esforço. A espinha dorsal humana está conectada à caixa torácica e aos ossos dos quadris, além de uma série de tendões, ligamentos, cartilagens, músculos e tecidos nervosos. Por isso, as dores nas costas podem surgir em virtude de qualquer problema em uma dessas regiões. Aqui estão cinco indicadores que pessoas de todas as idades podem considerar úteis para evitar e tratar de dores nas costas. Cervical ou lombar? A quantidade de pessoas que sofrem de dores na região lombar deve aumentar em mais de um terço entre 2020 e 2050, segundo a última edição do estudo Global Burden of Disease (GBD, “Carga global das doenças”, em tradução livre), produzido pelos pesquisadores do Instituto de Medidas e Avaliação da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Até 2050, mais de 10% da população mundial será afetada. Apenas os AVCs, doenças cardíacas e pulmonares, diabetes e condições que afligem os recém-nascidos causam mais prejuízo à saúde global do que as dores nas costas, segundo o GBD. A região lombar costuma ser uma fonte mais frequente de dores, pois esta parte do corpo sustenta mais movimentos e absorve mais tensões. Mas também pode haver incômodos na parte superior das costas, normalmente no pescoço e nos ombros. Diagnóstico antes do tratamento O princípio médico de obtenção de diagnóstico antes de iniciar o tratamento é particularmente pertinente para as dores nas costas, pois existem muitas causas possíveis para este tipo de dor. Mas isso também faz com que não haja um único exame para diagnosticar a condição. Os médicos normalmente começam descartando condições potencialmente mortais, como doenças renais ou da vesícula biliar, além de alguns tipos de câncer. E o diagnóstico normalmente requer exame físico, além da verificação do histórico médico do paciente. Exames de sangue conseguem detectar câncer ou inflamações, que podem prejudicar as cartilagens, causando artrite. Exames de imagens, como raio X, tomografia computadorizada, ultrassom ou ressonância magnética, podem ser necessários para examinar as juntas, ossos, discos, órgãos ou tecidos moles. A maioria das dores nas costas é persistente e marcada pela rigidez. Mas um ligamento ou músculo rompido pode causar dores agudas súbitas. Já a dor que irradia para as nádegas e as pernas, causando formigamento ou adormecimento nessas regiões, pode ser sinal de uma condição dos nervos. O eletrodiagnóstico (análise da atividade elétrica nos músculos) também pode diferenciar transtornos dos nervos e dos músculos. Estas técnicas de diagnóstico se aplicam a adultos e crianças. A cirurgiã Areena D’souza, especializada na espinha vertebral, trabalhou como pediatra na Índia e na Inglaterra. Atualmente na Alemanha, a médica conta ao Serviço Mundial da BBC o que ela procura quando os pais trazem seus filhos para o consultório. “As crianças pulam o tempo todo. Eu preciso descobrir: “E já soubemos de aumento das dores dos joelhos e das pernas, mas que ocasionalmente podem ocorrer nas costas”, destaca D’souza, “porque a espinha da criança, às vezes, cresce muito mais rápido que o restante dos ossos.” Mente saudável, corpo saudável A recuperação de alguns pacientes pode ser interrompida, simplesmente pelo medo de recorrência da dor nas costas, segundo especialistas. “O receio de se machucar novamente afeta sua confiança para usar as costas, mesmo que não haja problemas na espinha ou musculares”, conta à BBC Adam Siu, diretor da clínica Down2U Health and Wellbeing, na Inglaterra. “O medo faz com que eles fiquem muito menos ativos. Alguns chegam a suspender atividades de que eles gostam.” O professor de fisioterapia Mark Hancock, da Universidade Macquarie, na Austrália, afirma que “alguns pacientes têm tanto medo de machucar as costas que se retiram da sua vida social”. “Quando você reúne tudo isso — estresse social, preocupação com a dor, costas um pouco irritadas — de repente, você tem um enorme problema.” Tudo isso levou a uma abordagem mais holística. “Todas as orientações, em todo o mundo, falam agora da necessidade de abordar fatores físicos, psicológicos e sociais”, segundo Hancock. “A TCF [terapia cognitivo-funcional] permite que os pacientes interajam com terapeutas, para aprender sobre os diversos fatores que contribuem para a dor.” “Desta forma, pode ser elaborado um plano que inclua alternativas para que eles, gradualmente, voltem a fazer as atividades que adoram”, prossegue o professor. “E, se necessário, os terapeutas podem trabalhar com os pacientes para fazer mudanças de estilo de vida.” Continue a se movimentar Além de recearem que a dor recorrente se agrave, alguns pacientes esperam que o descanso ajude na recuperação. Mas a Associação Britânica de Cirurgiões da Espinha (BASS, na sigla em inglês) afirma que permanecer ativo é a chave para controlar a dor. E todas as pesquisas realizadas nos últimos 10 anos indicam que o descanso pode prolongar o tempo de recuperação. “A coluna espinhal é composta de ossos individuais chamados vértebras. Ela é naturalmente curva em diferentes seções”, explica Siu. “Estas curvas permitem que a coluna sustente o peso e os movimentos do corpo.” “As 24 vértebras superiores são flexíveis, com juntas que as conectam umas às outras, nas costas da coluna. Entre cada uma das vértebras, existe um disco intervertebral.” “Para evitar o enfraquecimento dessa estrutura natural e a função de absorção de choques do disco, é fundamental não permanecer em uma mesma posição por um período prolongado, seja sentado, dobrando as costas ou de pé”, prossegue ele. Mas a nossa vida moderna, muitas vezes, é sedentária e passamos muito tempo sentados trabalhando, jogando, lendo ou observando conteúdo online. Os profissionais que trabalham em escritórios podem descansar das telas ou usar as escadas, para se manterem em movimento. Mas muitos empregos não oferecem esta possibilidade. “Se você for motorista de caminhão, tente se esticar enquanto fica sentado no trânsito”, orienta Siu. “Para trabalhadores da construção civil, que carregam muito peso, é preciso seguir as instruções para evitar lesões e consultar o fisioterapeuta sobre exercícios específicos.” A gravidez

Butantan recruta idosos para ensaio clínico da vacina da dengue

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 13/01/2026 Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil O Instituto Butantan está recrutando, a partir desta terça-feira (13), 767 voluntários de 60 a 79 anos para ensaios clínicos com a sua vacina da dengue, a Butantan-D. Os testes serão realizados ao longo do ano em quatro centros de pesquisa em Porto Alegre e Pelotas (RS) e um em Curitiba (PR). Participam ainda, 230 adultos de 40 a 59 anos como grupo controle em cinco centros de pesquisa no RS e PR. Os 997 participantes do sexo masculino ou feminino, precisam estar saudáveis ou com comorbidades controladas. Será feito um sorteio entre os idosos para receber a vacina (690 participantes) ou o placebo (77 participantes), enquanto os 230 adultos (de 40 a 59 anos) receberão a vacina, sem sorteio para grupo placebo. Segundo o Instituto Butantan, o objetivo dessa fase do estudo é avaliar a segurança e comparar a resposta imunológica por meio de testes laboratoriais para entender se a produção de anticorpos dos participantes idosos é semelhante à do grupo adulto já acompanhado nos estudos anteriores da Butantan-DV. O recrutamento começa no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre (RS) e os interessados em participar podem se inscrever ao preencher um questionário. Em seguida, as inscrições ocorrerão nos outros quatro centros: o Hospital Moinhos de Vento e o Núcleo de Pesquisa Clínica do Rio Grande do Sul (PUCRS), ambos na capital gaúcha; o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh), em Pelotas (RS); e o Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de Curitiba (PR). “A faixa etária de maiores de 60 anos está entre as mais impactadas pela morbidade da dengue, por isso consideramos de suma importância que tal faixa etária tenha a oportunidade de se proteger através da vacinação. Este é o objetivo primordial deste estudo: garantir a segurança para que pessoas entre 60 e 79 anos possam receber a Butantan-DV”, afirmou a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos. De acordo com o gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan Érique Miranda, a maioria dos participantes da pesquisa terá que fazer apenas quatro visitas ao centro durante o estudo. A ideia é fazer um estudo ‘enxuto’ para facilitar a participação das pessoas. “A primeira visita já para tomar a vacina, com retorno em 22 dias; depois em 42 dias; e um ano depois da vacinação para coleta de sangue. Inicialmente 56 idosos terão que fazer mais visitas para coleta de exames de viremia. É um estudo enxuto para facilitar a participação das pessoas”, explicou. Miranda destacou que o Paraná e o Rio Grande do Sul foram escolhidos para o teste por serem centros de baixa prevalência de casos de dengue, com 5 a 10% de casos e que teria uma soroprevalência de até 20%, sendo um bom controle. Também foram avaliadas as possibilidades de incluir regiões com grande parte da população já expostas à dengue, como Recife (PE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN). Entretanto, os resultados poderiam influenciar os resultados pela presença de anticorpos da doença no sangue. A vacina A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de novembro de 2025 para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos. Com dose única, o imunizante foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o Ministério da Saúde já adquiriu as primeiras 1,3 milhão de doses fabricadas pelo Butantan. Elas serão destinadas a agentes de saúde e a pessoas com 59 anos, com expansão gradual para as demais faixas etárias até chegar ao público de 15 anos. Uma parte dessas doses será aplicada pelo SUS, a partir de 17 de janeiro, nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), e Botucatu (SP), na população entre 15 e 59 anos. A estratégia visa avaliar os resultados da vacinação em massa da população desses municípios. O objetivo é vacinar pelo menos 50% dos moradores. “Vários estudiosos apontam a possibilidade de uma alta capacidade de controle da infecção e do quadro epidêmico da dengue se a gente chegar entre 40% e 50% da população vacinada. Vamos começar a vacinação nessas cidades para acompanhar o impacto que isso tem nessas cidades. Vamos acompanhar isso por um período de anos para avaliar aquilo que pode ser uma parte importante da estratégia do resultado da aceleração da vacinação no país”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante cerimônia de assinatura de contrato para compra de vacina da dengue do Butantan, em dezembro do ano passado. Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram encerrados em junho de 2024, quando o último participante completou 5 anos de acompanhamento e os dados mostram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. Os resultados mostram uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme. A vacina mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme no público de 12 a 59 anos. Dengue A dengue é uma doença causada por um vírus que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, dor atrás dos olhos, dor no corpo, manchas avermelhadas na pele, coceira, náuseas e dores musculares e articulares. Uma das principais formas de prevenção da doença é o combate ao mosquito transmissor. Isso pode ser feito eliminando água parada ou objetos que acumulem água como pratos de plantas ou pneus usados.

Anvisa libera novo medicamento para fase inicial do Alzheimer

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 07/01/2026 Remédio é produzido com o anticorpo lecanemabe Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo medicamento, o Leqembi, para tratamento de pacientes diagnosticados na fase inicial da doença de Alzheimer. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 22 do mês passado. O remédio, produzido com o anticorpo lecanemabe, é indicado para retardar o declínio cognitivo das pessoas que já apresentam demência leve causada pela doença.  Segundo o registro da Anvisa, o lecanemabe reduz as placas beta-amiloides no cérebro. O acúmulo dessas placas é uma característica definidora da doença de Alzheimer. O produto é uma solução para diluição para infusão. Estudo  A Anvisa divulgou que o medicamento teve a eficácia clínica avaliada em um estudo principal que envolveu 1.795 pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas betaamiloides no cérebro e receberam o Leqembi ou placebo.  “A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses”, apontou a Anvisa. A avaliação ocorreu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes.  A escala inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pelo comprometimento cognitivo. Segundo o estudo, no subgrupo de 1.521 pessoas, os pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo.