Whey protein: como o suplemento ajuda a ganhar músculos e para quem é indicado

Imagem: Reprodução Internet/Designed by Freepik. Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Data: 06/02/2025 Muito popular nas academias mundo afora, o pó feito com soro do leite é considerado uma alternativa prática para ingerir quantidades significativas de proteína, mas especialistas recomendam alguns cuidados. As proteínas estão presente em todo o corpo — nos músculos, ossos, pele, cabelo e praticamente em todos os tecidos e órgãos. Para que seu corpo funcione bem no dia a dia, mais de 10 mil tipos delas — formadas por diferentes combinações de aminoácidos, os “blocos de construção” desse macronutriente — estão trabalhando em processos complexos no organismo. É com elas que reparamos tecidos, transportamos substâncias pelo sangue e produzimos hormônios e anticorpos. Mas em meio a tantos processos importantes, um de seus poderes é que recebe a maior popularidade: seu papel na construção de massa muscular. Durante exercícios de resistência, como musculação, ocorrem pequenas lesões nas fibras musculares. Para repará-las e fortalecê-las, o corpo utiliza os aminoácidos que vêm das proteínas, promovendo o crescimento e a adaptação dos músculos ao esforço. Sem uma ingestão adequada de proteínas, o processo que levaria ao ganho de massa muscular fica incompleto. As principais fontes desse macronutriente são carnes, ovos, laticínios e leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico. E, desde a década de 1980, também se tornaram populares as opções de “soroproteínas” em pó, popularmente chamadas de whey protein (ou simplesmente whey) — um jeito considerado “mais prático” para ingerir doses significativas de proteína. Como o whey protein ajuda no ganho de músculos Se o objetivo é aumentar a quantidade de músculos, uma pessoa precisa consumir entre 1,4 e 2 gramas de proteína por quilo do seu peso, de acordo com a recomendação da Sociedade Internacional de Nutrição e Esporte. Isso, claro, aliado à prática de atividades físicas focadas no ganho de massa muscular, como a musculação. Para uma pessoa que pesa 70 kg, por exemplo, a recomendação seria ingerir cerca de 119 gramas de proteína por dia. Distribuído ao longo do dia, um exemplo de consumo — considerando apenas a ingestão proteica, sem levar em conta outros nutrientes — poderia incluir: No entanto, é comum que nem sempre seja priorizada a proteína ao montar as refeições. Em situações assim, o whey protein surge como uma alternativa prática para complementar a ingestão do macronutriente. O suplemento é composto por proteínas extraídas do soro do leite, rico em aminoácidos essenciais, fundamentais para a recuperação e o crescimento muscular. Além disso, é uma solução conveniente para quem busca aumentar a ingestão proteica de forma simples e eficaz. “Cerca de 80% das proteínas do leite são caseína, usada na produção de queijo, iogurte e coalhada, enquanto os 20% restantes correspondem ao soro, conhecido como whey protein — que permanecem solúveis quando a caseína é removida”, explica Veridiana Vera de Rosso, do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (ISS/Unifesp) – Campus Baixada Santista. “É uma fonte de proteína de alta qualidade, rapidamente absorvida pelo organismo.” Para fim de comparação, uma dose do suplemento, tomada em um copo de água ou leite, geralmente tem cerca de 25 gramas de proteína — o mesmo que um bife de carne bovina de 120 g, ou quatro ovos, ou um filé de frango de 100 g. “O whey pode ser indicado para pacientes com sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular e força, comum em idosos”, afirma Daniela Gomes, nutróloga do Hospital Albert Sabin, de São Paulo. O processo natural de perda progressiva de massa muscular e força começa a acontecer, embora lentamente, a partir dos 30 anos de idade. Quando se atinge os 50 anos, começa a ocorrer uma perda mais significativa de massa muscular, que pode chegar a 2% por ano. De acordo com Gomes, o whey é geralmente recomendado no pós-treino, pois sua rápida absorção auxilia na recuperação muscular e na síntese de proteínas. No entanto, se o objetivo for apenas aumentar a ingestão diária de proteínas, o suplemento pode ser consumido em qualquer horário, desde que a quantidade total ao longo do dia seja suficiente para atender às necessidades do organismo. Os tipos de whey protein Embora exista uma quantidade de proteína recomendada, isso pode variar de acordo com o peso, a massa muscular e, principalmente, o nível de atividade física de uma pessoa, explica Veridiana Vera de Rosso. “Uma pessoa sedentária, por exemplo, precisa de menos proteína do que um atleta, que possui uma alta demanda metabólica.” A especialista aconselha que um nutricionista seja procurado para entender se realmente há necessidade de consumir o suplemento e qual seria a dose ideal e melhor versão de whey. “O que temos visto hoje é que muitas pessoas começam a treinar e já assumem que precisam tomar creatina ou whey protein, sem avaliar se há realmente essa necessidade”, diz ela. “O acompanhamento nutricional é essencial para tomar decisões mais seguras e adequadas.” Existem três principais tipos de whey no mercado, que se diferenciam por absorção e processamento da proteína pelo corpo e pela composição nutricional: Whey protein concentrado Esta versão tem menos concentração de proteína. O restante é composto por carboidratos (lactose) e gorduras — o que o torna mais barato. Seu processamento na fabricação é menos intenso, o que mantém mais nutrientes do leite, como imunoglobulinas e lactoferrina. Whey protein isolado Contém 90% ou mais de proteína, com menos gordura e lactose — uma boa opção para quem tem sensibilidade ou intolerância. Essa versão passa por um processo de filtragem mais rigoroso, removendo a maior parte dos carboidratos e gorduras. Tem rápida absorção, ideal para consumo pós-treino. Whey protein hidrolisado “O whey hidrolisado passa por um processo de hidrólise enzimática, que simula a digestão no nosso organismo, quebrando as proteínas em aminoácidos”, explica De Rosso. “Isso facilita a absorção, pois o corpo não precisa digeri-las completamente antes da assimilação”, prossegue a especialista. “No entanto, seja isolado, concentrado ou hidrolisado, o whey protein tem alta digestibilidade e é rapidamente absorvido pelo organismo.” Essa versão é indicada para pessoas com problemas digestivos, intolerância à lactose severa ou atletas que buscam absorção ultrarrápida, e costuma ser mais cara. Opções veganas Embora o whey protein seja originalmente uma proteína derivada do soro do leite, existem versões veganas de proteína em pó. Ao consumir proteínas de
Contra inflamações, dieta mediterrânea é aliada da boca, mostra estudo

Imagem: Reprodução Internet/Designed by Freepik. Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Data: 16/09/2025 Padrão alimentar foi associado a uma redução de 65% no risco de gengivite grave em estudo que avaliou o impacto do que se come na saúde oral. O consumo de carne vermelha e ultraprocessados aumentou marcadores inflamatórios. Reconhecida pelos benefícios cardiovasculares, metabólicos e neurológicos, a dieta mediterrânea também desempenha um importante papel na saúde bucal. Um estudo conduzido por pesquisadores do King’s College London, no Reino Unido, e da Universidade de Catânia, na Itália, mostra que pessoas que seguem esse padrão alimentar têm menor risco de desenvolver periodontite grave, doença inflamatória crônica que afeta as gengivas e pode levar à perda dentária. O artigo foi publicado no Journal of Periodontology. Segundo os autores, que avaliaram 200 pacientes atendidos em hospitais do Reino Unido entre 2023 e 2024, o consumo frequente de carne vermelha está associado a quadros mais severos de periodontite. Por outro lado, frutas, legumes e leguminosas demonstraram efeito protetor, reduzindo marcadores de inflamação no organismo. O estudo britânico confirma os resultados de um artigo de revisão publicado no ano passado no Journal of Oral Microbiology, que incluiu dados de milhares de pessoas. Na pesquisa atual, os cientistas mediram desde a profundidade de bolsas periodontais — espaços entre a gengiva e o dente, resultantes da inflamação — até níveis de proteínas inflamatórias, como interleucina-6 (IL-6) e proteína C-reativa (PCR). Em seguida, aplicaram modelos estatísticos para verificar associações entre hábitos alimentares, marcadores biológicos e saúde gengival. Gravidade A análise revelou que seguir um padrão alimentar condizente com a dieta mediterrânea reduziu em cerca de 65% o risco de formas severas de periodontite. Já o consumo frequente de carne vermelha e derivados praticamente triplicou a probabilidade de gengivite grave. A periodontite é uma condição microbiana e inflamatória que destrói os tecidos de sustentação dos dentes. Já é bem conhecido que os efeitos da doença extrapolam a boca: estudos associam o problema a doenças cardiovasculares, diabetes e até quadros neurológicos. Na pesquisa britânica, a interleucina-6, um marcador inflamatório, apareceu em níveis mais altos em pessoas com doença periodontal avançada. Segundo os autores, os dados reforçam que a inflamação periodontal tem impacto além da cavidade oral — e que a alimentação pode modular essa resposta. A dieta mediterrânea é caracterizada por alto consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas; ingestão moderada de peixes, laticínios e vinho; e baixo consumo de carnes vermelhas e processadas. Esse padrão alimentar é rico em fibras, antioxidantes e ácidos graxos insaturados, compostos que reduzem o estresse oxidativo e regulam a produção de citocinas inflamatórias. Crônicas No estudo, o consumo frequente de vegetais e leguminosas esteve inversamente relacionado a biomarcadores inflamatórios como IL-6, IL-1, IL-10 e IL-17. Isso sugere que os efeitos benéficos vão além da boca, fortalecendo a hipótese de que a nutrição saudável protege contra inflamações crônicas sistêmicas. Já a carne vermelha, especialmente em excesso, pode aumentar o risco de inflamação devido à presença de ferro heme, que favorece a formação de radicais livres. Além disso, ambientes ricos em proteínas e ligeiramente alcalinos — típicos de quem consome muita proteína de origem animal — favorecem o crescimento de bactérias periodontopatogênicas, como Porphyromonas gingivalis, associada à progressão da periodontite. “O microbioma da boca é formado por trilhões de microrganismos que, quando em desequilíbrio, podem favorecer o surgimento de doenças periodontais. A dieta mediterrânea contribui para manter o equilíbrio por ser rica em alimentos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes”, esclarece o nutricionista Guilherme Lopes, do Grupo Mantevida. “Frutas, vegetais, azeite de oliva, grãos integrais, nozes e peixes ajudam a modular a composição bacteriana da boca, fortalecendo a imunidade local e reduzindo a inflamação gengival.” Da mesma forma, a alimentação pode prejudicar a saúde bucal, lembra o cirurgião-dentista Gustavo Delmondes, de Brasília. “Os alimentos que consumimos impactam tanto na integridade dos dentes quanto na saúde da gengiva. Uma dieta rica em açúcares simples e ultraprocessados favorece a formação de placa bacteriana e aumenta o risco de cáries. Além disso, carências nutricionais podem comprometer a imunidade e deixar a boca mais suscetível a inflamações, como a gengivite e a periodontite.” Três perguntas para Ilana Marques, cirurgiã-dentista da IGM Odontologia para Família Como os hábitos alimentares influenciam a saúde da boca? Os hábitos alimentares estão diretamente ligados ao desenvolvimento da doença cárie e das doenças gengivais. Isso porque determinados alimentos — especialmente os ricos em açúcares simples e ultraprocessados — favorecem bactérias que desestabilizam o microbioma oral, levando à produção de ácidos que atacam o esmalte. Por outro lado, existem alimentos chamados neutralizadores, como queijos, iogurte natural sem açúcar, nozes e vegetais fibrosos, que estimulam a salivação e ajudam a restabelecer o pH da boca após a ingestão de alimentos ácidos ou açucarados. Esse equilíbrio entre o que agride e o que protege é fundamental para manter a saúde bucal. A chamada dieta mediterrânea pode ajudar a prevenir doenças bucais? Sim. O padrão mediterrâneo é considerado um dos mais protetores para a saúde, inclusive bucal. Ele se caracteriza pelo baixo consumo de ultraprocessados e açúcares e pela abundância de frutas, verduras, legumes, azeite de oliva, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3. Embora inclua alimentos naturalmente ácidos, como frutas cítricas e vinho tinto, a dieta mediterrânea também oferece uma variedade de alimentos neutralizadores, que reduzem o impacto da acidez e ajudam a preservar o esmalte dental. Além disso, seu perfil anti-inflamatório contribui para a prevenção de doenças gengivais. Que tipo de pesquisa ainda falta para um avanço na compreensão da relação entre dieta, microbioma e saúde bucal? Ainda faltam estudos longitudinais que avaliem não apenas o impacto do açúcar ou da frequência alimentar, mas também o papel dos alimentos neutralizadores no reequilíbrio do pH oral após refeições ácidas. Também é necessário mapear como diferentes padrões alimentares modulam o microbioma oral a longo prazo e identificar a proporção ideal entre alimentos potencialmente prejudiciais (ácidos e fermentáveis) e os alimentos que ajudam a neutralizar seus efeitos. Esse tipo de dado permitirá recomendações ainda mais específicas para a prevenção de lesões de cárie e doenças
Por que alguns matemáticos querem acabar com o infinito: ‘É uma ilusão’

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Designed by Freepik| Data: 09/09/2025 Encontrei há alguns dias um artigo na revista New Scientist com o título: “Por que os matemáticos querem destruir o infinito… e talvez consigam”. Não resisti à curiosidade de ler. Confesso que o infinito me fascina. Para mim, o infinito é liberdade criativa, intelectual e emocional. Também fico maravilhada quando penso que podemos conceber um conceito tão assombroso desde pequenos: “Ao infinito e além!”, diz o personagem Buzz Lightyear, de Toy Story. Talvez seja porque o intuímos ao olhar para o horizonte. Ou porque o sentimos quando descobrimos nossa capacidade de amar. Por tudo isso, a ideia de que alguém queira destruir o infinito me deixou alarmada, principalmente por se tratar de matemáticos. Afinal, a matemática também me fascina há muito tempo. Meus conhecimentos matemáticos são limitados, mas suficientes para saber como os matemáticos da Grécia Antiga observavam o enigmático infinito com tanta atenção. Eles incluem desde Zenão de Eleia (cerca de 490 a.C.- cerca de 430 a.C.), com seus famosos paradoxos sobre este conceito e sua manifestação no movimento e na continuidade, até Arquimedes de Siracusa (c.287 a.C.-c.212 a.C.), que explorou o infinito e demonstrou como somar um número infinito de parcelas para resolver problemas geométricos, antecedendo o cálculo infinitesimal. No século 17, Isaac Newton (1643-1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) desenvolveram e formalizaram este ramo fundamental da matemática, baseado no estudo das mudanças e do movimento. Também relembro meu assombro quando soube que o matemático alemão Georg Cantor (1845-1918), nascido na Rússia, demonstrou que não havia um único infinito, mas vários — e que alguns eram maiores que outros. Com a sua teoria dos conjuntos, Cantor apresentou a primeira teoria matemática que possibilitou lidar com o imensurável. Desde então, o infinito se tornou uma pedra angular da matemática, da física contemporânea e, consequentemente, do nosso mundo, incluindo o cotidiano. Afinal, ele desempenha um papel essencial na nossa ciência e tecnologia. Mas de onde veio o desejo de eliminá-lo? “O infinito não é mais do que uma ilusão”, afirma o professor Doron Zeilberger, da Universidade Rutgers em Nova Jérsei, nos Estados Unidos. Ele é um matemático ilustre e multipremiado. Mas também é um dissidente, por ser um importante ultrafinitista — a autodenominação deste grupo de matemáticos, filósofos, especialistas em informática e físicos, considerados radicais décadas atrás, mas que, agora, estão sendo ouvidos, embora continuem formando uma reduzida minoria. Eles questionam o conceito de infinito e defendem que até números finitos, mas enormes, como 10⁹⁰, talvez sejam insignificantes. Afinal, se contássemos cada átomo do universo observável, nunca atingiríamos este número. Qual seria, então, o sentido de falar dele? Ilusão “Na minha filosofia, a matemática tomou o caminho errado ao abraçar o infinito”, segundo Zeilberger. “As pessoas não perceberam porque era como uma ilusão de óptica, como a antiga crença de que a Terra seria plana.” “As pessoas acreditaram que o Universo é infinito e alguns ainda acreditam nisso, mas outras pensam que é finito. Não é limitado, porque sempre podemos seguir adiante, mas é finito, como o nosso planeta.” Ilimitado, mas não infinito? Pode ser. Teoricamente, alguém poderia dar a volta ao mundo sem parar por um tempo indefinido, mas isso não significa que a Terra seja infinita. “Assim, acredito que este seja um universo matemático”, prossegue Zeilberger. “Mas, com a invenção deste conceito artificial de infinito, tudo passou a ser muito intrincado, elaborado e retorcido.” “Não posso dizer que a matemática clássica seja logicamente errônea, mas é desnecessariamente complicada. Olhando para trás, se eles tivessem percebido que o mundo é finito e que existe um número que é o maior possível, tudo seria mais simples.” Mas, se existe um número natural máximo, o que acontece se somarmos 1 a ele, que é uma das provas de que existe o infinito? Simplesmente, segundo Zeilberger, em uma circularidade muito elegante, voltaríamos ao zero… o que, no nosso exemplo de dar a volta ao mundo indefinidamente, seria como se, em algum momento, chegássemos ao nosso ponto de partida original. “O que defendo é algo análogo à revolução de Albert Einstein (1879-1955), que demonstrou que a velocidade da luz é a mais rápida que existe. Você não consegue ultrapassar cerca de 300 mil km por segundo”, prossegue Zeilberger. “Einstein teve sorte e chegou a um número concreto. Eu não tenho ideia de qual seja esse número maior, mas é irrelevante, você pode chamá-lo de qualquer forma.” “A questão é que, com ele, você pode recriar toda a matemática e torná-la muito mais simples. Mas reconheço que fazer isso seria realmente muito tedioso.” O ponto é que os ultrafinitistas propõem uma solução radical: eliminar o infinito e nos limitar a números “factíveis”, para descomplicar a ciência e torná-la mais prática. Matemáticos rebeldes Mas o que faz com que um número seja “factível”? Rohit Parikh, da Universidade da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos, desenvolveu uma das primeiras teorias ultrafinistas formais, na década de 1970. Foi ele quem introduziu a noção de “números factíveis”. Para ele, a chave está em manter conexão com a atividade humana. “É preciso fixar um limite em algum ponto”, segundo Parikh. “As coisas precisam estar conectadas à atividade humana.” Se um número não poder ser nomeado, calculado, armazenado, transmitido ou até individualizado de forma coerente sob restrições físicas, será que ele realmente existe como objeto matemático? Vamos pensar, por exemplo, no número de Skewes, que aparece na teoria dos números. Ele é tão extremamente grande que parece ter mais dígitos do que cabem no Universo. Mesmo sendo absurdamente alto, ele foi valioso por diversas razões. Uma delas foi mostrar até onde pode ir a matemática em busca da certeza, demonstrando que os resultados podem estar corretos, mesmo se forem inúteis na prática direta. Isso causaria a rejeição dos ultrafinitistas. O número de Skewes e muitos outros muito menores estariam muito acima desse limite que eles defendem que deveria ser traçado. Mas qual seria este limite? É costume mencionar uma história curiosa sobre o pai do ultrafinitismo moderno, o matemático Alexander Esenin-Volpin (1924-2016). Ele foi um importante ativista pelos direitos humanos na União
63% dos idosos brasileiros já sofreram quedas, mais que no resto do mundo

Imagem: Designed by Freepik Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Data: 15/09/2025 Estudo revela ainda que 90% vivem com medo de cair, o que expõem vulnerabilidade dos idosos no Brasil Fernanda Bassette, da Agência Einstein Quedas frequentes e o medo constante de cair têm comprometido seriamente a qualidade de vida de pessoas idosas no Brasil. Segundo o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), esses episódios já são a principal causa de lesões graves entre a população idosa, afetando diretamente a mobilidade, a saúde mental e a independência funcional. Dados nacionais mostram que um em cada quatro idosos sofre ao menos uma queda por ano, índice que sobe para 40% entre aqueles com mais de 80 anos. Agora, um novo levantamento realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Itajubá (MG) e do Centro Universitário Ages (BA) revela uma realidade ainda mais alarmante. O estudo, conduzido com 400 idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde no bairro do Belenzinho, na zona leste da capital paulista, encontrou uma prevalência de quedas de 63%, muito acima da média global estimada de 25% a 33%. Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia. “O estudo que realizamos revelou números muito acima da média global: 63% dos idosos relataram já ter caído e 90% disseram sentir medo de cair. Parte dessa diferença pode ser explicada pelas condições do próprio bairro e das moradias”, afirma o professor doutor Luciano Vitorino, autor da pesquisa. “A maioria das casas era simples, com pouca ou nenhuma adaptação para segurança. Como cerca de dois terços das quedas acontecem dentro de casa, esse cenário potencializa o risco”, disse ele, que também atua em envelhecimento, saúde mental e espiritualidade em saúde. Além das residências, o pesquisador destacou que o ambiente urbano também se mostrou desfavorável, potencializando o risco de quedas. “Somam-se a isso os desafios do espaço público na região, com calçadas irregulares, escadas sem corrimão e iluminação precária, o que agrava a insegurança para se locomover”, disse Vitorino. A prevalência do medo de cair também chamou atenção dos pesquisadores: nove em cada dez idosos atendidos na UBS paulistana relataram viver com esse receio. “Esse medo não é apenas um reflexo emocional, mas um fator que contribui ativamente para novas quedas. O idoso se movimenta menos, perde força muscular e equilíbrio, e o risco aumenta ainda mais”, alertou o professor. A pesquisa também mostrou que o medo de cair tem relação direta com a perda da autonomia. “Muitas vezes, uma primeira queda é um evento muito traumático. O medo, embora seja bom por um lado porque traz mais cautela, quando em excesso, imobiliza o idoso, que deixa de sair de casa e fazer atividades simples. Isso pode levar à ansiedade, depressão e até ao isolamento social”, afirma a geriatra Thais Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita. Para Vitorino, o medo de cair cria um ciclo perigoso. “A pessoa evita caminhar, perde força, e com isso, o risco de cair aumenta. Sem mobilidade, há também comprometimento da saúde cardiovascular, pulmonar e metabólica. A autonomia é afetada, e o idoso passa a depender mais de familiares”, frisou. Segundo a geriatra do Einstein, o perfil da amostra analisada ajuda a entender os altos índices. “Era uma população mais doente: 92% dos idosos participantes tinham alguma doença crônica, 90% usavam medicamentos, e 62% relataram ter uma percepção ruim da própria saúde. Além disso, 54% disseram não estar satisfeitos com a vida, o que é um indicativo importante de possíveis quadros de depressão e ansiedade, que são fatores de risco para queda”, destacou. A médica lembra que, entre os idosos, a queda é um dos principais sinais de alerta nas consultas geriátricas. “Faz parte da consulta de rotina perguntar sobre histórico de quedas. Se um idoso relata ter caído no último ano, isso já acende uma luz vermelha. A maior preocupação é a consequência, como uma fratura de quadril, que pode exigir cirurgia e comprometer para sempre a autonomia”, afirmou. Fatores de risco Entre os fatores que aumentam o risco de queda, o estudo apontou a idade avançada, o sexo feminino, a percepção negativa da saúde, hospitalizações recentes e o declínio da função cognitiva. “Mulheres são mais vulneráveis porque têm maior prevalência de osteoporose e menor massa muscular após a menopausa. Além disso, muitas passam mais tempo em casa, justamente o ambiente onde acontecem a maioria das quedas”, ressaltou Vitorino. A condição socioeconômica também pesa. “Moradias simples, sem adaptações, associadas a bairros com infraestrutura precária, formam um ambiente de alto risco. E as comorbidades, como diabetes, doenças cardiovasculares e neurológicas, também contribuem, pois afetam mobilidade e atenção, além de exigirem uso de medicamentos que podem causar tontura ou sonolência”, explicou o pesquisador. A geriatra do Einstein reforça essa análise e destaca a relevância do perfil clínico dos participantes. “O estudo mostra que 70% dos idosos avaliados tinham doenças cardíacas e 50% apresentavam condições neurológicas. Sabemos que problemas como AVC [Acidente Vascular Cerebral] ou neuropatias comprometem diretamente a mobilidade, o que naturalmente aumenta o risco de quedas”, afirmou. Prevenção das quedas A boa notícia é que muitas quedas podem ser prevenidas. “Nosso objetivo não é só evitar quedas, mas garantir que as pessoas possam envelhecer com segurança e dignidade. Isso inclui preservar a capacidade de se locomover, cuidar da própria higiene, participar da vida social e manter sua independência”, disse Vitorino. Entre as ações eficazes, os especialistas ressaltam a importância dos exercícios físicos, especialmente os de resistência, que fortalecem a musculatura. “Não basta caminhar, é preciso ganhar massa muscular. Pode ser com o peso do próprio corpo, por meio da calistenia, mas preservar e ganhar músculo é essencial”, disse Ioshimoto. Além disso, uma boa alimentação, rica em proteínas, ajuda a manter a saúde óssea e muscular. Ambientes seguros, especialmente dentro de casa, também são essenciais para garantir a segurança dos mais velhos. Em casa, pequenas adaptações fazem diferença, entre elas, instalar barras de apoio em banheiros, eliminar tapetes soltos, melhorar a iluminação, nivelar degraus e organizar móveis para criar espaços de circulação livre. Nas unidades básicas de saúde, as estratégias incluem avaliação periódica
Por que mudamos de voz ao falar outro idioma

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 20/08/2025 Se você fala mais de um idioma, já deve ter notado: sua voz não soa igual. Pessoalmente, percebo que meu tom fica mais fino em inglês, mais sutil e pausado em francês, e mais animado e rápido em espanhol — como se cada língua revelasse uma faceta diferente da minha personalidade. Segundo a linguística, essa percepção não é apenas subjetiva: nossos corpos, cérebros e até identidades se ajustam ao “papel” que cada idioma exige. “É como o trabalho de um ator: incorporamos características da comunidade de fala e construímos ‘outro eu’ naquela língua. Somos nós mesmos, mas diferentes”, descreve Ana Paula Petriu Ferreira, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que pesquisou no doutorado justamente por que mudamos de voz e se essa percepção é real. Na linguística, explica ela, essas percepções são construções culturais. “O alemão, por exemplo, tem sons produzidos no fundo do trato vocal, o que transmite a impressão de dureza. Já o francês é mais ‘anteriorizado’ e com vogais arredondadas — daí o famoso biquinho.” Como os sons são produzidos em diferentes idiomas O modo como soamos em cada língua — e como nossas vozes são percebidas por outros — é resultado de vários fatores. Primeiro, vale lembrar como a voz é formada: as pregas vocais geram o som, que é amplificado no trato vocal, articulado e transformado na fala que ouvimos. “Tudo isso é controlado pelo sistema nervoso central e influenciado por aspectos emocionais: se estamos animados, nervosos, ansiosos ou tristes, a voz muda”, explica Renata Azevedo, fonoaudióloga e docente na Universidade Federal de São Paulo. Ela aponta que fatores educacionais, regionais e culturais também têm grande peso. “Cada idioma possui sons específicos: no inglês, por exemplo, há fonemas que não existem no português e vice-versa. Um falante de inglês pode ter dificuldade com o som ‘ão’ e transformá-lo em algo mais aberto, como ‘cal’ no lugar de ‘cão’.” Além disso, há diferenças prosódicas e culturais. “O volume de voz num jantar italiano costuma ser mais alto do que num jantar japonês. Mesmo dentro de uma mesma cultura, a personalidade influencia — velocidade da fala, projeção vocal, articulação, melodia e até o uso de gestos.” A identificação com a cultura de um idioma e o contexto em que ele é usado também moldam nossa sonoridade. Ana Paula Petriu Ferreira, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, compara o processo ao trabalho de um ator. “Incorporamos características da comunidade de fala e construímos ‘outro eu’ naquela língua. Somos nós mesmos, mas diferentes.” Segundo ela, esse “figurino vocal” envolve tanto a curva de aprendizagem da língua quanto afinidade cultural. “Quando usamos uma língua estrangeira, normalmente é em um contexto específico, e isso influencia como queremos soar. No meu caso, uso inglês no trabalho e assumo características vocais diferentes das que uso com minha família. O contexto, o objetivo e o papel social influenciam muito.” A pesquisa de doutorado de Ferreira trouxe evidências concretas desse fenômeno. Durante nove meses nos Estados Unidos, ela gravou brasileiros falando português e inglês em diferentes situações — como leitura de textos e falas espontâneas. Os resultados mostraram que, ao falar português, os participantes, principalmente mulheres, tendiam a suavizar a voz, falando de forma mais leve e fluida. Já em inglês, a voz ficava mais grave e firme, e algumas mulheres chegavam a adotar um efeito mais “arrastado” no final das frases, parecido com o que se ouve em falantes norte-americanos. Trata-se de um som mais lento, quase sussurrado, com um efeito de “chiado baixo”. Para verificar se essas diferenças eram percebidas por outras pessoas, a pesquisadora reproduziu os trechos para ouvintes bilíngues. Eles descreveram as vozes usando termos simples — mais grave, mais aguda, mais suave, mais firme — e também com impressões sobre a personalidade transmitida: empolgada, contida, confiante ou insegura. A maior parte dos ouvintes percebeu diferenças claras entre as vozes em português e inglês, confirmando que a mudança vocal não é só impressão: é real, mensurável e visível mesmo para quem não sabe detalhes técnicos. Segundo Ferreira, essa adaptação vocal também reflete diferenças culturais: brasileiros bilíngues, ao falar inglês, podem ajustar a voz para soar mais próximos das características percebidas como típicas de falantes dos Estados Unidos — mais graves, firmes e assertivos. Ainda assim, a pesquisadora ressalta que essa é uma área pouco explorada, e que ainda há muitas questões sobre como aprendemos os elementos de ritmo, entonação e expressividade de uma segunda língua. Falantes bilíngues Mesmo quem cresce ouvindo e falando mais de um idioma desde muito jovem ainda apresenta pequenas variações vocais entre as línguas. Segundo Ferreira, o bilinguismo é um conceito amplo, definido de formas diferentes dependendo do contexto. “Pesquisas, como uma dos anos 1990 com catalão e espanhol, mostram que esses bilíngues têm menos variação de voz entre as línguas, mas sempre existe uma língua dominante — aquela em que a pessoa se sente mais segura e desenvolve melhor suas habilidades.” Já quem aprende uma segunda língua mais tarde, na adolescência ou na vida adulta, tende a apresentar diferenças maiores entre a voz na língua materna e na nova língua, especialmente no início do aprendizado. “Quando alguém está começando a aprender uma língua estrangeira, a voz se ajusta de formas mais evidentes, variando ritmo, tom e entonação entre os idiomas. À medida que a proficiência aumenta e a pessoa se sente mais confortável, essas diferenças diminuem”, explica Renata Azevedo, fonoaudióloga e docente na Universidade Federal de São Paulo. Azevedo destaca ainda que a variabilidade da voz também depende do contexto de uso. “O contato frequente com a nova língua é essencial. Quanto mais praticamos, mais natural se torna a adaptação vocal, permitindo que a ‘outra versão’ de nós mesmos em cada idioma se manifeste com segurança e fluidez.” O que ajuda ao aprender um novo idioma Aprender uma nova língua envolve mais do que estudar gramática e vocabulário. Alguns fatores fazem grande diferença: praticar regularmente, se expor a situações reais de comunicação, ouvir falantes nativos, consumir música, filmes e literatura no idioma, e se
Insônia? Sono quebrado? Um guia para noites bem dormidas

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 18/08/2025 A ciência e a sabedoria ancestral indicam alguns caminhos para fugir de um dos males da vida contemporânea – a falta de descanso satisfatório. Cerca de um terço da população adulta em todo o mundo – especialmente em locais urbanos – sofrem de algum nível de insônia. Isso vale também no Brasil, onde 30% das pessoas com mais de 16 anos relataram ter com frequência problemas como dificuldade para dormir, manter o sono ou dormir demais, segundo uma pesquisa Datafolha de setembro de 2024. Questões como gênero e renda interferem na qualidade do sono. Na pesquisa Datafolha, mulheres reclamaram mais de dificuldades para dormir – 35% disseram ter problemas frequentes, ante 26% dos homens. Nas classes D e E, 37% dos entrevistados relataram queixas frequentes, enquanto na classe C essa incidência foi de 29%, e de 25% nas classes A e B. O desconforto causado pelo calor é outro fator que atravessa as noites mal dormidas. Estudos mostram que mesmo ondas de calor curtas, com duração de um ou dois dias, podem reduzir a duração do sono em mais de uma hora por noite. O calor interfere no processo natural de resfriamento do corpo, que é crucial para iniciar e manter o sono. Por isso, um ambiente fresco, além de escuro e silencioso, pode ser decisivo para uma noite tranquila. Há outras dicas simples para um descanso mais satisfatório. Confira: Exercício físico durante o dia Além de todos os outros benefícios para a saúde, há evidências científicas de que exercício físico melhora a qualidade e a duração do sono, especialmente para pessoas com distúrbios do sono. Em média, adultos que praticam pelo menos 30 minutos de exercício por dia dormem, em média, 15 minutos a mais do que aqueles que não praticam. Do outro lado, estudos mostram que o sono insuficiente ou de baixa qualidade, com muitas interrupções, pode levar a níveis mais baixos de atividade física no dia seguinte, além de problemas de saúde. Exercício físico aumenta a produção de melatonina, um hormônio que regula os ciclos de sono-vigília. Isso ajuda a adormecer mais rapidamente. Atividade física ajuda a regular a temperatura corporal – o corpo aquecido durante o movimento contribui para um resfriamento posterior, facilitando o sono. Exercícios também reduzem o estresse, que é um fator comum que dificulta adormecer e permanecer dormindo. Exercício aeróbico de intensidade moderada, como caminhada rápida, dança, hidroginástica ou natação, são os mais recomendados para quem sofre de insônia. Evitar tomar café à noite Metade da cafeína presente no café permanece no organismo por 6 a 8 horas após o consumo. Por isso, tomar café à tarde ou à noite tem grande potencial de reduzir a duração do sono. Pesquisadores que compararam vários estudos sobre o tema, em uma meta-análise, recomendam consumir café ou qualquer outra bebida com cafeína, como chá verde ou chá preto, no máximo 8,8 horas antes de dormir. Menos tela Outro grande culpado pelas perturbações do sono é o uso de telas antes de dormir. Uma pesquisa conduzida em 2022 na Noruega, com dados coletados de mais de 45 mil adultos entre 18 e 28 anos, concluiu que uma hora de uso de tela na cama aumenta o risco de insônia em 59% e reduz a duração do sono em uma média de 24 minutos por noite. O estudo é uma entre as muitas evidências de que o uso de celular ou laptop antes de dormir afeta negativamente os hábitos de sono. Existe a crença de que a luz azul emitida pelas telas engana o corpo, fazendo-o pensar que é hora de acordar. Mas isso não é totalmente verdade. Óculos ou aplicativos que bloqueiam a luz azul em seu celular ou laptop não necessariamente melhoram o sono — o que é mais eficaz é diminuir o brilho ou reduzir o tempo de uso de telas. Em vez de encarar uma tela, tentar ler um livro momentos antes do sono pode ser uma boa estratégia para dormir melhor. Respiração profunda Algumas pessoas recomendam o método de respiração “4-7-8”, baseado em técnicas milenares de ioga. A prática, com esse nome, foi popularizada pelo médico americano Andrew Weil e consiste num passo a passo simples, que pode ser feito estando deitado. Recomenda-se colocar a ponta da língua contra a saliência atrás dos dentes superiores e expirar completamente. Em seguida, é preciso inspirar pelo nariz contando até quatro, prender a respiração contando até sete, e expirar lentamente pela boca contando até oito. Quem pratica esse método de respiração garante que ele é capaz de acalmar uma pessoa em apenas alguns ciclos, ajudando a adormecer mais rapidamente, especialmente quando se está ansioso ou estressado. Alguns estudos sugerem efeitos positivos, como melhora na frequência cardíaca e na regulação da pressão arterial, além de redução da ansiedade. No entanto, as alegações de que a técnica é um “tranquilizante natural para o sistema nervoso”, como sugere Weil, não foram comprovadas cientificamente. De toda forma, a técnica não tem contraindicações, induz a um estado mais meditativo. E é de graça.
Aos 96 anos, mulher compartilha dicas para seguir aproveitando a vida

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 11/07/2025 Betty Parker fala sobre a importância de ser feliz ao invés de apenas aumentar a expectativa de vida. Aos 96 anos, Betty Parker está cansada de ouvir sobre as dores dos outros. Em vez disso, ela preenche seu diário com todas as coisas boas que ainda faz: colhendo rosas do seu jardim, lendo, jogando cartas com seu grupo de amigos e assando tortas quando recebe visitas. Certo, ela admite que talvez não tenha mais energia para fazer tortas e que provavelmente deveria comprar algo no supermercado da próxima vez. Mesmo assim, Parker disse que seus 90 anos foram repletos de propósito e conexão – algo com que muitas pessoas lutam, independentemente da idade. Comportamentos saudáveis, como alimentação nutritiva e treinamento de força, são importantes para viver mais, mas a solidão e o isolamento social também são fatores importantes a serem enfrentados para ter mais anos e aproveitá-los, disse a gerontologista Dra. Kerry Burnight, da Califórnia, que também é filha de Parker. “A expectativa de vida, em geral, melhorou na última geração. Mas queremos garantir que as pessoas vivam anos bons, em vez de apenas viverem mais”, disse o Dr. John Batsis, geriatra e professor associado da Faculdade de Medicina da UNC e da Escola Gillings de Saúde Pública Global em Chapel Hill, Carolina do Norte. Um geriatra é um médico especializado no cuidado de adultos mais velhos, enquanto um gerontologista estuda o envelhecimento tanto da perspectiva biológica quanto social e psicológica, disse Burnight. Burnight considera quatro fatores os mais importantes para aproveitar ao máximo seus anos mais longos e saudáveis: crescimento, conexão, adaptação e doação. E, felizmente, assim como você pode se exercitar diariamente para manter seu corpo saudável, ela diz que você pode exercitar sua força interior para melhorar suas conexões e seu senso de propósito. Comece sempre que puder Não é muito cedo ou muito tarde para começar a criar uma vida que você aproveite. Se você ainda não se aposentou, pode ser uma boa ideia começar a pensar em como serão seus dias quando parar de trabalhar, disse Batsis. “O precipício da aposentadoria, por assim dizer, é muito difícil para indivíduos que trabalharam a vida toda”, acrescentou. Pode parecer que, de repente, você perde tudo – o senso de propósito, como preenche seus dias e com quem se conecta – quando não vai mais trabalhar todos os dias, especialmente se não tiver feito um plano, disse ele. Em vez de fazer uma mudança tão drástica, Batsis aconselha as pessoas a começarem a adotar hobbies e atividades que gostariam de fazer na aposentadoria, enquanto ainda estão trabalhando. Se você já se aposentou, pode encontrar oportunidades para construir novas coisas que ama, disse Burnight. Se você sempre quis publicar um livro, 80 anos não é idade para começar a escrever. Na verdade, você ainda pode ter muito tempo pela frente para investir em suas paixões, disse ela. “Ainda não é tarde demais. Na verdade, é o momento perfeito para realmente nos aprofundarmos e redefinirmos isso”, disse Burnight, autora do livro a ser lançado “Joyspan: A Arte e a Ciência de Prosperar na Segunda Metade da Vida”. Não pare de crescer Palavras-cruzadas diárias ou sudoku são uma boa maneira de exercitar seu cérebro, mas para manter suas habilidades cognitivas e aumentar o prazer de viver a velhice, é importante fazer coisas difíceis, disse Burnight. “Novas experiências ativam a neuroplasticidade… ou seja, a capacidade do nosso cérebro de continuar crescendo”, disse ela. “Se você faz as mesmas coisas de sempre, não está se preparando para um crescimento contínuo.” Um dos pacientes de Batsis começou a jogar golfe depois de se aposentar, mas também começou a tocar um instrumento musical: violão. Nunca tinha feito isso antes, e ele não se considerava inclinado à música, mas a atividade abriu um mundo totalmente novo para ele, disse Batsis. Agora, o paciente toca violão e também frequenta shows locais, o que talvez não acontecesse de outra forma, ele acrescentou. Batsis recomenda tentar encontrar um hobby que o mantenha fisicamente ativo. Quanto menos você se movimenta, mais fraco fica, e por isso, ele disse que encontrar algo que interrompa um padrão sedentário pode ser útil para manter mais atividades disponíveis à medida que você envelhece. O segredo, no entanto, é encontrar algo que você goste – não se forçar a fazer atividades que você acha que deveria fazer na velhice, disse Batsis. Se você nunca gostou de livros, provavelmente não se sentirá motivado a se tornar um leitor na aposentadoria, acrescentou. “As pessoas precisam encontrar algo que seja do seu interesse, porque quanto mais interessante for, mais dispostas estarão a se envolver nesse tipo de atividade”, disse Batsis. Para os cuidadores, Burnight alerta para não fazer pelos seus entes queridos algo que eles próprios podem fazer, o que varia de acordo com suas habilidades ou limitações físicas. Fazer coisas desafiadoras é importante e útil, disse ela. Diversifique seu portfólio social Cerca de uma vez por mês, Parker se reúne com um grupo que ela chama de “os jovens” para jogar canastra, jogo que ela ensinou a eles. “As jovens” são um grupo de mulheres na faixa dos 60 anos que ela conheceu por meio da nora. Embora sejam bem mais novas do que ela, Parker disse que valoriza ter um grupo diversificado de amigas. Isso é ainda mais verdadeiro porque ela já viveu mais tempo do que o marido e outras pessoas próximas, disse ela. “Assim como diversificamos nosso portfólio financeiro, socialmente queremos ter amigos de diferentes idades, amigos do seu bairro, bem como amigos do passado”, disse ela. Se você precisa se conectar com mais pessoas do seu passado, Burnight recomenda usar as mídias sociais para entrar em contato com pessoas com quem você pode ter perdido contato ao longo dos anos. As pessoas geralmente ficam felizes em ouvir de um velho amigo, disse ela. Ela disse que até mesmo pequenas interações com um vizinho ou em sua cafeteria podem levar a relacionamentos mais significativos. Seu conselho mais importante é ser amigo,
São Pedro: como um pescador pobre se tornou o primeiro papa da Igreja

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 27/06/2025 Em latim, chama-se anulus piscatoris. Em bom português, é o anel do pescador. Na joia, há a imagem em baixo relevo de Simão Pedro, o apóstolo, pescando a bordo de um barco. De acordo com a tradição católica, o primeiro papa a usar esse símbolo foi Damásio I (305-384), que comandou a Igreja por 18 anos na segunda metade do século 4°. A mensagem remonta ao evangelho de São Marcos, mais especificamente à passagem que define os apóstolos — e, por extensão, os religiosos que os sucederam — como “pescadores de homens”. Pela tradição católica, o primeiro papa foi o homem que tem sua imagem ali impressa: Pedro, um dos doze homens que foram escolhidos pelo próprio Jesus Cristo para acompanhá-lo e auxiliá-lo em suas andanças repletas de pregações e relatos de milagres. O Dia de São Pedro ocorre em 29 de junho, mês em que o santo é celebrado ao lado de São João e Santo Antônio nas famosas festas juninas brasileiras. E quem foi esse apóstolo, de fato? Por que é considerado o primeiro papa? Era mesmo um homem simples, um pescador pobre? Não é tão fácil separar biografia de mito no caso de uma figura alçada à santidade há quase 2 mil anos, é claro. No fim, os elementos mais detalhados sobre sua vida estão mesmo na Bíblia, salpicados em diversas passagens — Pedro é o apóstolo de Cristo com mais menções no livro sagrado. “Tudo o que sabemos, concretamente, sobre Pedro está nos evangelhos”, comenta o pesquisador e estudioso da vida de santos José Luís Lira, fundador da Academia Brasileira de Hagiologia e professor da Universidade Estadual Vale do Aracaú, do Ceará. “Existem pesquisas posteriores, mas a fonte mais confiável é a Bíblia.” Segundo o texto sagrado, ele e seu irmão, André, viviam da pesca no imenso lago conhecido como mar da Galileia. “Eles teriam sido os primeiros a ouvir o chamado de Jesus”, diz Lira. Acredita-se que Pedro havia nascido no povoado de Betsaida e, na época, morava na cidade de Cafarnaum. De origem simples, ele deve ter impressionado Jesus pelo seu jeito. “Os evangelhos deixam claro que era uma pessoa de personalidade forte e espírito de liderança”, comenta a vaticanista Mirticeli Medeiros, pesquisadora de história do catolicismo na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. “Tanto que o próprio Jesus se hospedou em sua casa quando iniciou sua missão. Talvez por causa desse seu jeito, o Messias o tenha escolhido como seu mais importante colaborador.” Professor na Faculdade de Teologia São Bento, padre Jorge Luiz Neves da Silva enaltece o fato de ele ter sido um pescador iletrado e, mesmo assim, assumido papel importante na missão cristã. “Os evangelhos são unânimes nessa realidade e é preciso ter em conta a lógica da vocação na sagrada escritura: é uma constante que sejam chamadas as figuras que não seriam naturalmente escolhidas sob a perspectiva humana”, comenta. Antes do encontro com Cristo, ele não era um religioso. “Sabe-se que fora casado porque nos evangelhos lemos que Jesus curou a sogra dele. Jesus era de Nazaré e se mudou, em sua vida pública, para Cafarnaum. Morou na casa de Pedro. Não é claro se sua mulher ainda era viva”, contextualiza Lira. “Em dado momento do evangelho de Mateus, Pedro pergunta a Jesus se é lícito pagar impostos, e o mestre afirma que sim. E pede para que Pedro pagasse seu imposto e o de Jesus também, com uma moeda que encontraria na boca de um peixe que pescaria. É um milagre, mas, se observa a importância do apóstolo. É ele também que reconhece que Jesus é o filho de Deus”, acrescenta o hagiólogo. “A ele Jesus determina ‘apascentar as ovelhas’ e diz, ‘tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha Igreja’, ou seja, sobre sua liderança. O interessante é que o próprio texto bíblico afirma que o apóstolo que Jesus amava era João, mas foi a Pedro que ele confiou a Igreja, mesmo considerando que ele era impetuoso às vezes, aparentemente corajoso, forte”, completa. Pedra fundamental A passagem bíblica que justifica o entendimento dele como primeiro papa da Igreja está no capítulo 16 do evangelho escrito por São Mateus. Nela, Jesus olha para o apóstolo Simão e afirma: “Pois eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Quem era Simão torna-se Pedro. E Pedro porque pedra. Daí o entendimento cristalizado, com o passar dos anos, de que ele teria então sido nomeado o primeiro líder da Igreja, a rocha sobre a qual a nova religião seria erguida. Baseada em suas pesquisas sobre a história do cristianismo, Medeiros pondera: é preciso compreender o que significava “papa” naquele contexto primitivo. “É preciso entender esse título como ele era empregado nos primórdios do cristianismo”, explica. “A palavra, cujo significado é ‘pai’, era bastante difundida entre os primeiros cristãos”, pontua. Ela lembra que, então, não era apenas “o bispo de Roma” que merecia tal tratamento. “Vários bispos eram chamados assim, bem como alguns sábios da própria comunidade”, acrescenta. “É tão verdade que, até hoje, o líder máximo da Igreja Copta, no Egito, também é chamado de ‘papa’”, exemplifica. “Por isso mesmo, nós, historiadores, preferimos chamá-lo de ‘bispo de Roma’ quando tratamos do ‘papado’ dos primeiros séculos do cristianismo.” Ela ressalta que o papado, enquanto instituição, ainda não existia. O primeiro movimento em direção a reconhecer uma primazia do bispo de Roma sobre os demais data do século 3°, sob o comando do papa Calisto 1° (155-222). “Damásio 1° ampliou essa discussão [no século seguinte], pontuando que existia uma autoridade moral da qual o bispo de Roma era revestido, que o distinguiria dos demais”, conta Medeiros. “A instituição ‘papado’, que assume um papel jurídico e institucional, só foi acontecer com Leão 1°, no século 5°, e Gregório Magno, no século 6°. No século 8°, essa instituição começou a se consolidar, pois o papa não somente se destacava como uma autoridade religiosa, mas também temporal”, argumenta ela. Lideranças e divergências Padre Silva ressalta que as
A verdadeira história dos ataques de tubarão que inspiraram o lendário filme de Steven Spielberg, que completa 50 anos

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/06/2025 Verão de 1916. Perto do litoral do Estado americano de Nova Jersey, nadava mar adentro um jovem tubarão de 2,7 metros de comprimento. Ele logo roubaria da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) as manchetes da imprensa dos Estados Unidos. Aquela criatura marinha era pouco conhecida pela ciência na época. Mas o grande tubarão-branco estava destinado a exercer enorme influência sobre a cultura popular americana e mundial no futuro. O animal se tornaria o astro do primeiro fenômeno de bilheteria do verão no cinema moderno – o filme Tubarão (1975), de Steven Spielberg, cuja estreia completou 50 anos no último dia 20 de junho. Foram os eventos verificados em Nova Jersey que fizeram com que o grande tubarão-branco fosse recordado muito depois do término da Primeira Grande Guerra. O animal que protagonizou aquela série de ataques, até então sem precedentes, gerou uma onda de terror, ao se deslocar por mais de 100 km ao longo das praias do Atlântico Norte, em plena temporada de férias. As vítimas A primeira vítima foi encontrada em Beach Haven, em Nova Jersey. Seu nome era Charles Vansant (1892-1916). Recém-formado na Universidade da Pensilvânia, Vansant era filho de um médico da Filadélfia, nos Estados Unidos. A notícia passou quase despercebida. As pessoas que ouviram seus gritos na praia pensavam que ele estivesse brincando. Os cientistas afirmavam que os tubarões não tinham “força na mandíbula” suficiente para atravessar ossos humanos. Aquele foi o primeiro ataque mortal de um tubarão registrado na história dos Estados Unidos. Mas quase ninguém ficou sabendo. No segundo caso, banhistas encontraram um corpo humano mordido e ensanguentado na areia. Eles saíram correndo da praia gritando, apavorados. De repente, o “monstro marinho” chegou à primeira página do jornal The New York Times. Outro banhista horrivelmente destroçado foi retirado do estuário de um rio. A vítima morreu pouco depois. E outro homem tentou lutar com o tubarão e também acabou morto. Temendo perder a receita do período de férias, os prefeitos da região negaram o ocorrido. Mas o medo fez com que os balneários turísticos fechassem e os políticos pediram ajuda aos cientistas. Um especialista do Museu de História Natural dos Estados Unidos teve dificuldades para identificar o assassino. Ele finalmente reconheceu o “devorador de homens” como sendo da espécie Carcharodon carcharias, o grande tubarão-branco. Uma onda de pânico fez com que homens enfurecidos tomassem espingardas e tridentes e se lançassem para caçar o tubarão, até que o animal atacou um bote e foi morto pelo seu dono, que se transformou em herói. Mais estranho que a ficção Este roteiro parece familiar? Pois é a verdadeira história de Tubarão, o lendário filme de Steven Spielberg. Em 1974, o escritor americano Peter Benchley (1940-2006) levou a história dos balneários de Nova Jersey para Amity, um lugar fictício no Estado americano de Long Island. Seu romance tem o mesmo nome do filme, Jaws (Tubarão, Ed. Darkside Books, 2021). O tubarão de Benchley mata quatro pessoas, uma delas em um estuário. Um homem luta contra o tubarão e também morre. O prefeito nega o que está acontecendo e protege os dólares do turismo, até que o horror dos fatos o leva a recorrer a um cientista. O ictiólogo do aquário de Nova York tem dificuldade para identificar a espécie, até encontrar o célebre “comedor de homens” – o Carcharodon carcharias, o tubarão-branco. O cientista, então, alerta as pessoas sobre os incidentes de 1916. Grupos de homens enfurecidos lideram uma caça ao tubarão. E o animal finalmente morre quando ataca o bote de um homem, que acaba sendo um herói. Quando entrevistei Benchley, ele declarou que o romance surgiu do seu interesse pelos ataques de tubarões, incluindo as proezas de Frank Mundus (1925-2008), praticante da pesca esportiva de Long Island, que capturou um grande tubarão-branco com peso recorde de 1.554 kg. Mas, no prólogo de uma edição posterior do livro, Benchley fez referência ao ocorrido em 1916. Ele destacou que os tubarões ficavam em uma única região, matando várias pessoas. “Declarei várias vezes em entrevistas que cada um dos incidentes descritos em Tubarão […] realmente aconteceu”, destacou Benchley. Seu romance foi uma sensação cultural em todo o mundo. O então presidente cubano Fidel Castro (1926-2016), por exemplo, declarou que Tubarão representaria uma metáfora sobre o capitalismo predador. Outros afirmaram que a história seria uma referência ao ex-presidente americano Richard Nixon (1913-1994) e ao caso Watergate. O livro de Benchley ocupou os primeiros lugares da lista de best-sellers do The New York Times por quase um ano – 44 semanas. Onda mais forte No verão de 1975, o ano seguinte ao lançamento do livro, Steven Spielberg lançou o filme Tubarão. Um monstro mecânico interpretou o papel-título, do tubarão gigante do litoral de Nova Jersey. A partir dali, o simples ato de sair para nadar mudou para sempre. Tubarão fez com que Hollywood tivesse seu primeiro fenômeno de bilheteria da temporada de verão no hemisfério norte. O filme serviu de modelo de negócio para outras produções – e inspirou filmes de terror apavorantes. Tubarão também horrorizou os cientistas especializados em tubarões, como George Burgess, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. O filme representou erroneamente o grande tubarão-branco como um vingativo caçador de seres humanos. Na verdade, os tubarões não atacam as pessoas, exceto em poucas ocasiões isoladas. Burgess afirma que o filme inspirou dezenas de torneios de pesca de tubarões na costa leste dos Estados Unidos. Neles, os animais eram mortos “sem constrangimentos”. Com isso, nas últimas décadas, os pescadores ajudaram a dizimar quase todas as espécies de tubarões existentes. Mas Tubarão também fez florescer um movimento de conservação dos tubarões e dos oceanos, aumentando e melhorando o financiamento para as pesquisas do setor. Os cientistas, agora, ressaltam o conceito de que os tubarões fazem parte do meio ambiente. A intenção é tentar evitar que os animais sejam demonizados, segundo o cientista. Burgess catalogou o responsável pelos ataques de 1916 no Registro Internacional de Ataques de Tubarões como um grande tubarão-branco, mas outros cientistas defendem que teria se tratado de um tubarão-touro. Este é um mistério que nunca será resolvido. * Michael Capuzzo é jornalista e autor dos best-sellers Close to Shore (“Perto da costa”, em
IA no celular: o que vale a pena usar? g1 testou funções no iPhone 16e, Moto Razr 60 Ultra e Galaxy S25 Edge

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 30/06/2025 Cada marca diz que as funções de inteligência artificial do seu smartphone é algo imprescindível de usar. Mas é mais comum esquecer que o recurso está disponível. Já percebeu que toda propaganda de celular fala de inteligência artificial? Parece que é algo imprescindível, que vai mudar a vida de quem tiver aquele aparelho de última geração. Na prática, está mais para esquecível. Por exemplo: usar a IA para resumir mensagens longas pode ser útil. Mas é mais fácil ler ou lembrar que a função de resumo está lá disponível? Por outro lado, tem coisas úteis ou divertidas que a IA das marcas pode ajudar a fazer no smartphone. Dá para apagar ou modificar partes de fotos, gerar imagens artificiais para mandar no WhatsApp e gravar e transcrever ligações telefônicas. Ou pedir para um robô de chat, como o ChatGPT ou Gemini, falar com você e descrever o ambiente ao redor. Apple, Motorola, Samsung e quase todos os fabricantes apostam em IAs próprias para dizer que são mais “espertas” que a dos concorrentes. Para complicar ainda mais a situação das marcas de celulares, os próprios robozinhos de chat por IA – ChatGPT, Gemini, Copilot e tantos outros – têm suas versões que rodam em qualquer smartphone, até mesmo os mais antigos. O Guia de Compras testou as funcionalidades de IA presentes em três celulares diferentes lançados em 2025 (iPhone 16e, Moto Razr 60 Ultra e Galaxy S25 Edge) para entender o que é legal, o que é útil e o que não é legal nelas. O iPhone 16e vem com a Apple Intelligence integrada ao sistema operacional do telefone e aos aplicativos da própria marca, como e-mail, mensagens, notas, Pages (editor de texto) e galeria de fotos. Mas dá para copiar e usar as informações geradas ou modificadas em outros apps, como o WhatsApp e redes sociais. A filosofia da Apple para IA é bastante parecida com a da Samsung. Ambas inseriram muitas funcionalidades similares (edição de fotos e texto, transcrições, resumos, assistentes de voz) nos seus aparelhos. O iPhone 16e é o mais barato dos três modelos avaliados. Saía por R$ 4.000 nas lojas da internet em junho. O que é legal? A função Limpeza, presente no app Fotos, serve para qualquer imagem – a foto não precisa ter sido feita pelo iPhone. Ela funciona muito bem para detalhes pequenos, como pessoas ao fundo em uma paisagem, detectando de forma automática que tem algo indesejado no local. Para remover outros itens, basta selecionar na tela e as coisas desaparecem. Montagem com a foto original (no topo, à esquerda) com edições feitas no iPhone (topo à direita), Motorola (embaixo à esquerda) e Samsung (embaixo à direita) — Foto: Henrique Martin/g1 Para itens maiores – como uma mão na frente do rosto – a Limpeza não funciona direito e borra a imagem. O app Playground serve para criar imagens geradas por IA: basta descrever o que você quer ou usar uma foto como base e adicionar temas, fantasias, acessórios e lugares. Nem sempre adianta selecionar novos itens – se a IA não souber como lidar com aquilo, ela diz que não consegue. O resultado é formado por imagens com aquele “jeitão artificial” que só as IAs conseguem, mas pode ser algo divertido. Depois, é só salvar e compartilhar nas redes sociais ou no WhatsApp. O que é útil? A Apple Intelligence entende comandos e mostra resultados em português. Quando você escreve um texto no app de notas, por exemplo, é possível usar a IA para revisar os textos e ajustar o tom (profissional, amigável ou conciso). A IA da Apple até reescreve ou resume em tópicos toda a informação do texto. Veja na imagem abaixo: Estilos de texto da Apple Intelligence: de cima para baixo, amigável, profissional e conciso. — Foto: Reprodução Nas funções de telefone e no aplicativo gravador de voz, uma ferramenta muito útil é a de gravação (de ligações ou de conversas) e transcrição automática do texto. Dá até para transcrever depois da gravação, se quiser. O ChatGPT serve como um complemento à Apple Intelligence. O robô de conversas da OpenAI está integrado à assistente digital Siri. Basta pressionar o botão de liga e desliga (ou falar “E aí, Siri?”) e fazer a pergunta. A resposta pode ser via ChatGPT ou uma busca no Google. A Inteligência Visual é uma das coisas mais interessantes para utilizar e descobrir. Não é um app, é apenas um atalho na Central de Controle do iPhone. Ao ser ativada, a função abre a câmera, com duas opções abaixo: perguntar (ao ChatGPT) ou buscar (no Google). Optando por perguntar, a resposta será a foto com uma descrição do que tem ali. Não precisa falar, é automático. É uma função que deve ser muito útil em viagens, para entender sobre locais turísticos, ou mesmo no supermercado, para avaliar ingredientes em um produto. Ou ver o chat elogiando seu gato. É uma função similar ao Gemini Live, do Google, nos celulares com sistema Android. Só que a versão dos concorrentes perrmite “bater papo” com a IA em tempo real – com perguntas, respostas e comentários. O que não é legal? A Apple Intelligence classifica as notificações quando o iPhone está com a tela bloqueada, mas parece que não diferencia nada direito. O app Mensagens permite criar emojis personalizados com IA (chamados de Genmojis), mas não dá para compartilhar no app de mensagens mais usado pelos brasileiros (WhatsApp). No Moto Razr 60 Ultra, a ferramenta integrada se chama Moto AI. É um aplicativo que já veio instalado no celular dobrável e que ajuda em duas áreas principais: criatividade e produtividade. A fabricante optou por oferecer mais recursos integrados a parceiros de IA (como Meta e Perplexity.ai) em comparação com os concorrentes. O smartphone é o mais caro entre os testados, sendo vendido por R$ 10 mil nas lojas on-line em junho. O que é legal? Na parte de criatividade do Moto AI, a ferramenta de imagens (Image Studio) é bastante completa. Ela permite gerar imagens a partir de descrições em textos, criar figurinhas e avatares (a partir de fotos) e desenhar para criar ilustrações automáticas. Tudo é bem fácil de salvar

