O mercado bilionário dos aplicativos que salvam a comida de ir para o lixo no Brasil e no mundo

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 07/01/2026 Em uma tarde na cidade de São Paulo, o publicitário Arthur Santana Domingues, de 23 anos, abre o aplicativo da Food To Save no celular, empolgado para comprar comida acessível para um lanche. Na tela, surge uma “sacola surpresa” de uma padaria próxima, com pães, bolos e salgados por menos da metade do preço. Arthur não pensa duas vezes antes de garantir a oferta. “É sempre uma experiência divertida, pela curiosidade do que vem dentro. Quando tem mais itens, eu sinto que o valor vale a pena”, conta o publicitário, que conhece a Food To Save desde 2022, após ver vídeos promocionais nas redes sociais. “Eu acho muito legal poder economizar e ainda ajudar o meio ambiente.” A brasileira Food To Save foi lançada em 2021e afirma ser a maior plataforma do tipo no país, conectando milhares de estabelecimentos a consumidores. O acesso ao aplicativo é gratuito, assim como a participação das empresas na plataforma. Quando um cliente compra uma sacola com preço definido pelo estabelecimento, uma parte do valor pago fica com a plataforma — em um modelo que se repete ao redor do mundo. Lucas Infante, CEO e cofundador da Food To Save, conta que a empresa surgiu de uma experiência própria: em 2017, durante uma temporada na Espanha, percebeu o tamanho do desperdício no mercado de uma grande rede. Hoje, a plataforma está presente em 14 Estados e 100 cidades brasileiras. Na outra ponta, estão empresas parceiras, como as redes varejistas Cacau Show, Supernosso, Angeloni e Hortifruti Natural da Terra. A St. Marche, rede paulistana de supermercados, participa da Food To Save desde agosto de 2024, quando iniciou um piloto em três lojas. Antes da parceria, produtos próximos da validade eram direcionados a ações internas de redução de perdas e, em alguns casos, descartados. “A plataforma nos foi apresentada como uma solução inovadora para reduzir desperdício de alimentos que fez muito sentido para o nosso modelo de operação”, explica Karina Bandeira, diretora de Vendas e Operações da St. Marche. Segundo ela, a decisão de aderir foi motivada por temas já importantes para a companhia, como o combate ao desperdício de alimentos e a redução de quebras (perda financeira causada por produtos que não podem mais ser vendidos por vencimento, deterioração, danos ou descarte), além de transformar os produtos próximos da validade em receita em vez de perdas. Até setembro de 2025, o St. Marche vendeu 84.284 sacolas-surpresa e evitou mais de R$ 2,7 milhões em quebras. As sacolas incluem itens de hortifruti, padaria, mercearia e produtos refrigerados. Em 2024, segundo um relatório próprio, a Food do Save evitou que mais de 4 mil toneladas de alimentos fossem parar no lixo e evitou a emissão de 10 mil toneladas de CO₂. Além disso, gerou R$ 30 milhões em receita adicional para parceiros e proporcionou R$ 110 milhões em economia aos consumidores — o equivalente ao plantio de 1,6 milhão de árvores ou ao fornecimento de energia para 5 mil casas durante um ano, segundo a própria plataforma. “Quando um alimento é perdido ou desperdiçado, não se perde apenas aquele quilo de comida — perde-se também a terra utilizada para cultivá-lo, a água usada, transporte, embalagem e trabalho humano envolvido”, explica Cláudio Goldberg, especialista em varejo e professor de Gestão e Planejamento Estratégico na Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com dados divulgados pela Food to Save, seu faturamento vem crescendo: R$ 30 milhões em 2023, R$ 70 milhões em 2024, e a projeção é de atingir R$ 160 milhões em 2025 (os valores são nominais, ou seja, não consideram a inflação do período). A plataforma brasileira é inspirada na dinamarquesa Too Good To Go, referência no setor e que tem mais de 100 milhões de usuários e 175 mil estabelecimentos parceiros em 19 países. Além disso, oferece a Too Good To Go Platform, um sistema corporativo que ajuda varejistas a gerenciarem excedentes antes do descarte. O sucesso do Too Good To Go inspirou iniciativas semelhantes ao redor do mundo, que buscam oferecer descontos em produtos próximos do vencimento ou fora do padrão estético. Os itens são entregues em kits “surpresa”, sem que os consumidores saibam exatamente quais produtos e em quais quantidades eles serão entregues. No Reino Unido, o Olio estimula a troca de alimentos entre vizinhos; na Suécia, o Karma conecta restaurantes e cafés; e, no Canadá e Estados Unidos, o Flashfood atua em supermercados, oferecendo descontos em produtos próximos do vencimento. Um estudo da consultoria Boston Consulting Group, em parceria com a ONG World Wide Fund for Nature, projeta que o mercado global de soluções para redução de perdas de alimentos pode movimentar até US$ 700 bilhões até 2030. O custo invisível de jogar comida fora Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP), diz à BBC News Brasil que o uso da tecnologia para evitar o desperdício de comida representa “um avanço real, ainda que inicial”. “Isso se traduz em redução de emissões, pois o lixo orgânico em aterros sanitários gera metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO₂”, explica, ressaltando que evitar o desperdício é uma forma direta de mitigar as mudanças climáticas. Outro efeito desse tipo de iniciativa é a mudança cultural que começa a ser semeada. “Esses apps ajudam a reduzir desperdício, mas também educam sobre validade, aproveitamento dos alimentos e o valor da comida.” Entretanto, um desafio que permanece, para ele, é o desperdício em outras fases da cadeia da produção de alimentos. “Os aplicativos atuam principalmente no varejo e no final da cadeia, não abordando em grande escala as perdas que ocorrem na produção, transporte e armazenamento. Para ampliar o impacto, eles podem se conectar a feiras, CEASAs [Centrais Estaduais de Abastecimento] e agricultores familiares, onde o desperdício também é muito alto.” Cláudio Goldberg aponta que esse tipo de iniciativa precisa de “fatores estruturais” para dar certo, como infraestrutura adequada — com armazenamento, transporte refrigerado e pontos de coleta — e integração tecnológica com o
Máquinas já ‘pensam’ como humanos? O que teste criado há 75 anos revela sobre era da inteligência artificial

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 09/01/2026 Podemos distinguir se estamos conversando com outro ser humano ou com uma inteligência artificial (IA)? Durante muito tempo, esta tem sido uma das perguntas feitas pelas pessoas ao avaliarem o quão inteligentes os computadores realmente são. Ela se origina do Teste de Turing, elaborado pelo matemático e cientista da computação inglês Alan Turing em 1950 — transformando, pela primeira vez, o pensamento filosófico sobre a inteligência das máquinas em um teste empírico. De acordo com o teste, se o comportamento de um computador fosse indistinguível do de um humano, então ele seria considerado como alguém que exibe um comportamento “inteligente”. Mas quando um chatbot de IA supostamente passou no teste pela primeira vez em 2014, em vez de ser um momento decisivo, isso alimentou uma controvérsia. Um jogo de imitação O Teste de Turing é um jogo de imitação onde uma pessoa conversa, via texto, tanto com outro ser humano quanto com um computador. Elas podem fazer as perguntas que desejarem antes de terem que decidir qual é o humano e qual é a máquina. “Turing afirmou que, se as pessoas não conseguissem distinguir de forma confiável entre humanos e máquinas, então não teríamos base para dizer que o humano podia pensar, mas a máquina não”, diz Cameron Jones, professor assistente de psicologia na Universidade Stony Brook, em Nova York (EUA). Turing previu que, até o ano 2000, os computadores seriam capazes de se passar por humanos após cinco minutos de questionamento, em pelo menos 30% das vezes. ‘Sem jogar de forma justa’ Em 2014, um chatbot de IA chamado Eugene Goostman convenceu 33% dos juízes de que era humano no Teste de Turing — ultrapassando o limite estabelecido pelos organizadores da competição. Comunicando-se em inglês, ele adotou a personalidade de um menino ucraniano de 13 anos. Markus Pantsar, filósofo e palestrante convidado na Universidade RWTH Aachen, na Alemanha, diz que isso significava que ele não estava “jogando o jogo de forma justa”. “As deficiências do chatbot meio que se ajustavam às deficiências no domínio da língua inglesa de um adolescente ucraniano”, argumenta ele. Desde então, ferramentas mais avançadas teriam passado no Teste de Turing. Em um artigo publicado no início de 2025, Jones descobriu que o ChatGPT 4.5 da OpenAI foi julgado como humano em 73% das vezes — com mais frequência do que o seu homólogo humano. O Llama 3.1 da Meta foi julgado como humano em 56% das vezes. “Acho difícil argumentar que os modelos não passaram no teste, dado que são julgados como humanos significativamente mais vezes do que as pessoas”, diz ele. Mas alguns permanecem céticos sobre se isso prova que os computadores realmente podem pensar. O argumento do quarto chinês Em 1980, o filósofo John Searle propôs um experimento mental chamado “o argumento do quarto chinês”. Ele funciona assim: um homem inglês que não entende chinês é trancado em um quarto com alguns caracteres chineses e instruções em inglês sobre como usá-los. Pessoas fora do quarto passam bilhetes para ele com perguntas escritas em chinês, e ele usa as instruções para formular respostas, também em chinês. Para quem está de fora, pareceria que o homem sabe falar chinês, mas ele não entende verdadeiramente o que está dizendo. Alguns argumentam que o mesmo poderia ser dito sobre os computadores, que são meramente programados para dar respostas apropriadas. “Embora o Teste de Turing afirme identificar inteligência, ele tenta principalmente identificar se uma máquina consegue imitar humanos bem o suficiente”, diz George Mappouras, um engenheiro de software baseado na Califórnia, que criou sua própria alternativa ao Teste de Turing. Ele dá um exemplo para ilustrar isso. “Você pode abrir qualquer bot de IA e pedir primeiro que ele explique como funciona um relógio analógico, e ele explicará com precisão”, diz ele. Mas se você pedir para ele gerar a imagem de um relógio marcando uma hora específica, os modelos de IA atuais provavelmente falharão. “Ele não entende realmente a informação”, afirma. Outros, como Pantsar, pensam que o Teste de Turing coloca ênfase demais na capacidade do computador de enganar o juiz. “O comportamento inteligente real pode incluir enganar, mas, fundamentalmente, essa não é a parte principal”, argumenta ele. Testes alternativos Pantsar criou o Teste de Inteligência Baseado em Comunidade (CBIT) — uma das muitas alternativas propostas ao longo dos anos. Ao contrário do Teste de Turing, realizado em laboratório, no cenário dele um sistema de IA é colocado dentro de uma comunidade existente — por exemplo, uma comunidade online de matemáticos — sem o conhecimento deles. Depois de algum tempo, os membros são testados para verificar se perceberam que se tratava de uma máquina ou não. Ainda há algum nível de decepção, mas Pantsar acredita que a maior parte do teste envolveria o sistema “comportando-se de maneira humana”, e não “personificando” humanos — o que ele afirma ser uma distinção importante. “A inteligência deve ser avaliada em circunstâncias naturais — o tipo de ambiente em que realmente interagimos”, argumenta o filósofo. Ele diz que seu teste também incentiva os desenvolvedores a focarem em se um sistema de IA é útil ao criá-lo, em vez de se ele passaria ou não em um teste de enganação. Mappouras, por outro lado, elaborou um teste que, segundo ele, analisa uma medida de inteligência mais concreta. Ele acredita que a inteligência artificial geral — um conceito teórico onde uma máquina tem a mesma capacidade intelectual que um humano — seria alcançada se uma máquina pudesse “propor algum novo conhecimento científico e explicá-lo”, desde que ela já conheça toda a informação necessária. Apesar das críticas, alguns acreditam que o Teste de Turing ainda tem um lugar na pesquisa moderna de IA. Jones diz que o fato de ele ser aberto e as perguntas não serem claramente definidas permite testar “algum tipo de inteligência dinâmica e flexível”. “Se substituirmos isso por apenas outro parâmetro estático, acho que estaremos interpretando mal o que Turing pretendia”, afirma. ‘Uma batalha perdida’ Independentemente do teste utilizado, Pantsar acredita que, à medida que os sistemas de
Como inteligência artificial está ressuscitando estrelas de cinema

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/08/2023 A maioria dos atores sonha em construir uma carreira que sobreviva mesmo após a morte. Poucos conseguem – o show business pode ser um lugar difícil para obter sucesso. Mas aqueles que conquistam seu objetivo podem alcançar uma espécie de imortalidade nas telas e além delas. Um dos ícones que conseguiu o feito é o ator de cinema americano James Dean, que morreu em 1955 em um acidente de carro depois de estrelar apenas três filmes, todos muito aclamados. No entanto, agora, quase sete décadas depois de sua morte, Dean foi escalado como estrela de um novo filme chamado Back to Eden (De volta ao Éden, em tradução livre). Um clone digital do ator – criado com tecnologia de inteligência artificial semelhante à usada para gerar deepfakes – caminhará, falará e interagirá na tela com outros atores do filme. A tecnologia está na vanguarda das imagens geradas por computador (CGI) de Hollywood. Mas também é fonte de preocupação para atores e roteiristas que entraram em greve em Hollywood pela primeira vez em 43 anos. Eles temem ser substituídos por algoritmos de IA – algo que eles argumentam que sacrificará a criatividade em prol do lucro. A atriz Susan Sarandon está entre aqueles que falaram sobre suas preocupações publicamente, alertando que a IA poderia fazê-la “dizer e fazer coisas sobre as quais não tenho escolha”. A ressurreição digital de Dean não é o primeiro episódio em que atores falecidos aparentemente voltaram à vida na tela com a ajuda de tecnologia digital avançada e uma pitada da magia de Hollywood. Carrie Fisher, Harold Ramis e Paul Walker são apenas algumas das celebridades notáveis que reprisaram papéis icônicos no cinema postumamente. A cantora brasileira Elis Regina também ressuscitou recentemente para um anúncio da Volkswagen, no qual apareceu fazendo dueto com a filha Maria Rita. Essas aparições na tela representam o que Travis Cloyd, executivo-chefe da agência de mídia imersiva WorldwideXR (WXR), chama de representações de “tela plana passiva, 2D”, semelhantes a deepfakes. Esta é a segunda vez que o clone digital de Dean é escalado para um filme. Em 2019, foi anunciado que ele seria ressuscitado em CGI para um filme chamado Finding Jack (À Procura de Jack, em português), que foi posteriormente cancelado. Cloyd confirmou à BBC, no entanto, que Dean estrelará Back to Eden, um filme de ficção científica em que “uma visita fora deste mundo para encontrar a verdade leva a uma viagem pela América com a lenda James Dean”. A clonagem digital de Dean também representa uma mudança significativa no que é possível. Seu avatar de IA não apenas poderá desempenhar um papel de tela plana em Back to Eden e em uma série de filmes subsequentes, mas também interagir com o público em plataformas interativas, incluindo realidade aumentada, realidade virtual e jogos. A tecnologia vai muito além da reconstrução digital passiva ou da tecnologia deepfake que sobrepõe o rosto de uma pessoa ao corpo de outra. Levanta a perspectiva de os atores – ou qualquer outra pessoa – alcançarem uma espécie de imortalidade que de outra forma teria sido impossível, com carreiras que continuam muito depois de as suas vidas terem terminado. Mas ela também traz à tona alguns pontos controversos. Quem detém os direitos sobre o rosto, a voz e a personalidade de alguém após sua morte? Que controle eles podem ter sobre a direção de sua carreira após a morte – um ator que fez seu nome estrelando dramas corajosos poderia de repente aparecer em uma comédia boba ou mesmo em pornografia? E a imagem pode ser usada para anúncios? E indo ainda além, por que não deixar as celebridades descansarem em paz? O primo de Dean, Marc Winslow, que passou a infância em uma fazenda em Illinois com o ator, a quem ele carinhosamente chama de Jimmy, afirma que é o inegável apelo de seu primo, que transcende gerações, que o tornam uma escolha atraente para um papel grande no cinema moderno. “Se há duas ou três pessoas em uma cena, seus olhos vão direto para ele”, diz ele. “Sabe, não acho que alguém será capaz de substituí-los, mas é possível que eles consigam fazer isso na tela e tornar muito realista.” Clones digitais A imagem de Dean é uma das centenas representadas pela WRX e sua empresa parceira CMG Worldwide – incluindo Amelia Earhart, Bettie Page, Malcolm X e Rosa Parks. Quando Dean morreu, há 68 anos, ele deixou para trás uma coleção robusta de sua imagem em filmes, fotografias e áudio – o que Cloyd do WRX chama de “material de origem”. Cloyd diz que para obter uma representação realista de Dean, inúmeras imagens são digitalizadas, sintonizadas em alta resolução e processadas por uma equipe de especialistas digitais utilizando tecnologias avançadas. Adicione áudio, vídeo e IA e, de repente, esses materiais se tornam os blocos de construção de um clone digital que parece, soa, se move e até responde a comandos como Dean. O que Dean não deixou para trás foi uma pegada digital, ao contrário das celebridades de hoje que se envolvem nas redes sociais, tiram selfies privadas, enviam textos e e-mails, utilizam motores de busca, fazem compras online e compram receitas médicas online. Essas atividades fornecem enormes quantidades de dados sobre como pensamos e agimos que poderiam ser potencialmente utilizados para transformar um clone digital superficial em um inteligente que pode conversar de forma convincente com os vivos. Agora existem até empresas que permitem aos usuários fazer upload de dados digitais de entes queridos falecidos para criar “deadbots” que conversam com os vivos do mundo da morte. Quanto mais material de origem, mais preciso e inteligente será o deadbot, o que significa que os herdeiros das celebridades modernas podem potencialmente permitir que clones convincentes e realistas de seus parentes falecidos continuem trabalhando na indústria cinematográfica – e interagindo de forma quase autônoma – para sempre. Prevendo uma realidade assim para seu futuro, o ator Tom Hanks falou sobre o tema recentemente em um podcast, chamado Adam Buxton Podcast. “Eu poderia ser atropelado por um ônibus amanhã e pronto, mas minhas performances
Nem 21 °C, nem 24 °C: a temperatura ideal do ar-condicionado para gastar menos luz

Fonte: TudoGostoso | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 04/01/2026 Ajustar o termostato corretamente pode representar uma economia significativa ao final do mês. Com a chegada do verão, o ar-condicionado deixa de ser luxo e passa a ser item de sobrevivência em muitas casas. O problema é que, junto com o alívio do calor, vem o susto na conta de luz. Muita gente acredita que programar o aparelho em 21 °C ou 22 °C é a melhor forma de resfriar o ambiente mais rápido, enquanto outros apostam nos “clássicos” 24 °C como solução equilibrada. Mas especialistas em eficiência energética alertam: nenhuma dessas temperaturas é a mais econômica. A faixa que equilibra conforto e economia De acordo com análises de eficiência energética e orientações de técnicos em climatização, a temperatura mais indicada para economizar energia no ar-condicionado fica entre 25 °C e 26 °C. Essa faixa é suficiente para reduzir a sensação de calor na maioria dos ambientes residenciais e, ao mesmo tempo, diminuir o esforço do compressor. O motivo é simples: quanto maior a diferença entre a temperatura externa e a temperatura programada no aparelho, maior será o consumo de eletricidade. Em dias de calor intenso, com termômetros acima dos 35 °C, ajustar o ar para valores muito baixos exige funcionamento contínuo e prolongado, o que pesa diretamente na conta de luz. Por que 21 °C ou 22 °C fazem o gasto disparar Programar o ar-condicionado em temperaturas muito baixas não significa resfriar o ambiente mais rápido. Na prática, o equipamento trabalha no limite por mais tempo, tentando alcançar um valor que muitas vezes é desnecessário para o conforto humano. Além do maior consumo, esse uso contínuo acelera o desgaste do compressor e reduz a vida útil do aparelho. Mesmo os 24 °C, que parecem uma escolha intermediária, ainda exigem mais esforço do sistema do que a faixa recomendada, sobretudo em casas com pouca ventilação natural ou grande incidência de sol. Outro ponto importante é que o corpo humano não precisa de ambientes excessivamente frios para se sentir confortável. Muitas vezes, a sensação de abafamento está mais ligada à umidade do ar do que à temperatura em si. Umidade, ventilação e tipo de equipamento fazem diferença Em regiões mais úmidas, baixar demais a temperatura não resolve o desconforto. Nesses casos, especialistas recomendam utilizar o modo Dry (desumidificação), que reduz a umidade do ambiente sem resfriar excessivamente o espaço, melhorando a sensação térmica com menor gasto energético. Outra estratégia eficiente é combinar o ar-condicionado ajustado entre 25 °C e 26 °C com ventiladores de teto ou de coluna. O movimento do ar potencializa a sensação de frescor e permite manter o termostato em temperaturas mais altas sem perda de conforto. O tipo de aparelho também influencia. Equipamentos com tecnologia Inverter são mais eficientes quando mantêm uma temperatura estável, pois ajustam a potência gradualmente. Hábitos simples que reduzem o consumo Além de ajustar corretamente a temperatura, algumas práticas fazem diferença real no gasto mensal de energia. Entre as principais recomendações dos especialistas estão: Essas medidas, quando aplicadas em conjunto, podem reduzir o consumo do ar-condicionado em 20% a 30% ao longo do verão, segundo estimativas de técnicos do setor energético. Conforto térmico não é gelar ao máximo Um erro comum é associar conforto a temperaturas muito baixas. Na realidade, o corpo se adapta melhor a ambientes levemente frescos, especialmente quando há circulação de ar e controle da umidade. Outro ponto relevante é a regularidade. Ligar e desligar o ar constantemente ou mudar o termostato o tempo todo gera picos de consumo. O ideal é escolher a faixa correta e manter o aparelho funcionando de forma contínua e moderada.
Como a fome interfere no humor, segundo pesquisadores

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 28/12/2025 Estudo fornece evidências da importância da percepção consciente dos estados corporais internos na regulação das emoções. Quando estamos com fome, costumamos ficar mal-humorados. Um novo estudo do Hospital Universitário de Bonn, da Universidade de Bonn e do Centro Hospitalar Universitário de Tübingen mostra que a relação entre fome e humor não é causada por processos metabólicos inconscientes. Os pesquisadores alemães examinaram como os níveis de glicose, a sensação de fome e o humor se influenciam mutuamente em 90 adultos saudáveis ao longo de um período de quatro semanas. “Quando os níveis de glicose caem, o humor também piora. Mas esse efeito só ocorre porque as pessoas sentem mais fome. Em outras palavras, não é o nível de glicose em si que influencia o humor, mas sim a intensidade com que percebemos conscientemente essa falta de energia”, explica Kristin Kaduk, pesquisadora de pós-doutorado no Hospital Universitário de Psiquiatria e Psicoterapia de Tübingen. O estudo fornece evidências da importância da interocepção — a percepção consciente dos estados corporais internos — na regulação das emoções. Segundo os pesquisadores, sentir conscientemente o próprio corpo pode funcionar como uma espécie de amortecedor para o humor. “Uma boa percepção dos sinais do próprio corpo parece ajudar a manter a estabilidade emocional – mesmo quando os níveis de energia oscilam”, frisa o professor Nils Kroemer, que trabalha em Tübingen no Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Hospital Universitário. Além dessas observações, os pesquisadores consideram as evidências apontadas no estudo como uma base importante para futuras pesquisas em pacientes com distúrbios metabólicos ou mentais. “Uma melhor compreensão de como a percepção corporal e o humor estão relacionados pode ajudar a aprimorar as abordagens terapêuticas a longo prazo – por exemplo, por meio de treinamento direcionado da interocepção ou estimulação não invasiva do nervo vago, que conecta os órgãos ao cérebro e influencia a interocepção.”, cita Nils Kroemer. O estudo foi publicado na revista eBioMedicine no início deste mês.
Filtro ajuda contra microplásticos descartados pelas lava-roupas

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 29/12/2025 Pesquisadores da Alemanha criam equipamento inspirado nas guelras dos peixes para reter poluentes da água descartada pelas máquinas de lavar. A tecnologia consegue capturar 99,6% das partículas plásticas de um ciclo de lavagem. A água residual das máquinas de lavar roupa é uma das principais fontes de poluição por microplásticos. Durante a lavagem, pequenas partículas de plástico se desprendem dos tecidos e, ao chegarem às estações de tratamento de esgoto, acabam acumuladas no lodo que frequentemente é utilizado como fertilizante, contaminando solos agrícolas. Diante disso, pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, desenvolveram um filtro, inspirado na natureza, que retém microplásticos presentes na água descartada pelas lavadoras. A tecnologia reproduz o sistema de arcos branquiais de peixes filtradores, espécies adaptadas para capturar organismos planctônicos (plâncton) para nutrição. O estudo, detalhado na revista npj Emerging Contaminants, mostra que o novo filtro se destaca por não entupir com facilidade e por apresentar eficiência superior à de modelos convencionais, sendo capaz de reter 99,6% das partículas plásticas em um ciclo de lavagem. O sistema de arcos branquiais é composto por estruturas cartilaginosas ou ósseas situadas na cabeça e no pescoço dos peixes. Esses arcos têm a função de sustentar as brânquias, que são essenciais para a respiração. O sistema também envolve músculos e ligamentos que possibilitam a movimentação dos arcos, facilitando o processo respiratório. Nas espécies filtradoras, esse mecanismo possui um formato de funil, sendo mais largo na região da boca e estreitando-se em direção ao esôfago. As paredes desse funil são formadas pelos próprios arcos branquiais, que apresentam estruturas semelhantes a pentes, revestidas por pequenos dentes. Esse conjunto cria uma espécie de malha, uma “peneira”, amparada e esticada pelos arcos. Processo Durante a alimentação, a água atravessa a parede permeável do funil, é filtrada e, livre de partículas, retorna ao ambiente pelas brânquias. O plâncton é grande demais para passar por essa estrutura; por isso, ele fica retido. Devido ao formato de funil, ele desliza em direção à garganta, onde se acumula até ser engolido pelo peixe, o que esvazia e limpa o sistema, segundo a pesquisa. Na criação do novo filtro, os cientistas variaram tanto o tamanho da malha da estrutura da peneira quanto o ângulo de abertura do funil. Leandra Hamann, bióloga da Universidade de Bonn e coautora do estudo, explicou ao Correio que os peixes filtradores utilizam uma técnica semelhante à filtração cruzada, e descreveu o funcionamento da tecnologia: “A água flui ao longo de um elemento filtrante (parte interna do filtro) em formato de cone (imitando o sistema de arcos branquiais), com ângulo de ataque baixo, o que mantém as fibras de microplástico rolando ou em suspensão, em vez de aderirem à malha. A água limpa passa lateralmente pela malha, enquanto as fibras são direcionadas para a saída e retidas”. Essa malha é feita de náilon, material que, segundo Hamann, não deve gerar mais microplásticos. “No futuro, a malha também poderá ser feita de aço inoxidável para reduzir o uso de plásticos no filtro”, acrescentou. Vantagens e futuro O equipamento chama a atenção pela flexibilidade. De acordo com a pesquisadora, o tamanho da malha e o design da entrada podem ser variados para assim atender às restrições da lavadora, como espaço disponível, vazão e carga de partículas. “O sistema é modular e pode ser adaptado para diferentes máquinas de lavar e para a modernização de máquinas mais antigas.” O filtro de microplásticos tem uma geometria de fluxo cruzado que mantém as fibras em movimento ao longo da malha, evitando seu acúmulo. Ele também conta com um mecanismo de autolimpeza periódica, no qual válvulas mudam temporariamente o fluxo para expulsar as fibras acumuladas para um compartimento separado. Dessa forma, “cerca de 85% das fibras retidas são removidas antes mesmo de alcançarem o interior do filtro, reduzindo drasticamente o risco de bloqueio”, frisa Hamann. A equipe, até o momento, apresentou uma prova de conceito em laboratório, baseada em um protótipo. “Esperamos que alguma empresa adote o design inovador e o otimize ainda mais para melhorar a eficiência da filtragem e a fabricação. Presumo que isso possa levar de um a dois anos, pois são necessários mais testes”, diz a bióloga. Embora o desenvolvimento de soluções para o descarte das fibras coletadas não tenha sido foco do projeto, a pesquisadora lembra que métodos eficazes existem. Entre eles, a compactação e secagem do material filtrado, permitindo que o usuário descarte apenas um pequeno grânulo de resíduos após vários ciclos de lavagem, um processo simples e de baixo impacto. *Estagiária sob supervisão de Lourenço Flores Preocupação crescente A microbiologista clínica Fabíola Castro explica que microplásticos são partículas de plástico com tamanho inferior a 5 mm, menor que um grão de arroz, em qualquer dimensão. Eles representam um poluente emergente de relevância global, com forte base científica indicando: alta persistência e distribuição em ambientes naturais, interações biológicas potencialmente prejudiciais, exposição humana contínua e capacidade de atuar como vetor de outras substâncias tóxicas. “Embora a magnitude dos efeitos na saúde humana ainda esteja sendo elucidada, a literatura científica considera esse tema como uma das fronteiras atuais de pesquisa ambiental e toxicológica”, afirma Castro.
Cobogó: a ‘invenção’ brasileira de 100 anos que pode ser aliada hoje contra o calor intenso

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 28/12/2025 Nascido no Recife, os cobogós se popularizam em projetos pelo Brasil no século 20, mas caíram no esquecimento. Em tempos de calor extremo, ele tem muito a ensinar. No ponto mais alto do sítio histórico de Olinda, em Pernambuco, o enorme reservatório de água dos anos 1930 não passa despercebido: tem o tamanho de um prédio de seis andares, fica em frente à principal igreja da cidade e destoa do conjunto arquitetônico ao redor. Mas o que faria esse prisma retangular de concreto entrar na história da arquitetura brasileira está apenas em dois dos lados de sua fachada. Em vez de ser uma caixa-d’água comum, com quatro lados “cegos” (sem nenhuma abertura), o prédio projetado pelo arquiteto Luiz Nunes utiliza um elemento construtivo que havia sido criado no Recife alguns anos antes: o cobogó. Era a primeira vez que um edifício de expressão aparecia “vazado” – um estilo que seria replicado nas décadas seguintes em dezenas de prédios do Rio de Janeiro, de Brasília e de São Paulo, além de casas Brasil afora. Depois de cair em certo esquecimento, a peça tem sido redescoberta por arquitetos nos últimos anos e é vista com potencial de refrescar ambientes em tempos de calor extremo. É que o cobogó faz uma barreira contra o Sol, ao mesmo tempo que deixa passar alguma luminosidade. Também oferece alguma privacidade para quem está dentro, que consegue ver quem está fora. E, o mais importante, permite que o vento circule. Essa peça, que surgiu na indústria da construção pernambucana, acabou fazendo parte de estratégias usadas pelos arquitetos modernistas do século 20 para amenizar o calor em épocas em que o ar-condicionado não havia se popularizado ou sequer sido introduzido no Brasil. “Ele pode criar uma zona de proteção ou de transição num edifício, funcionando como ‘colchão’ de ar”, explica a arquiteta Guilah Naslavsky, especialista em modernismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “O cobogó é uma solução bioclimática, um ícone que combina a sustentabilidade com a poética da arquitetura brasileira”, afirma Marcella Arruda, co-curadora da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Na caixa-d’água de Olinda, por exemplo, a fachada de cobogós, ao ser barreira de Sol e permitir a passagem de vento, auxiliava para amenizar o calor incidente nas tubulações, preservando e resfriando a temperatura das águas no tanque. É uma “climatização passiva” que ocorre no edifício por si só. Hoje, os prédios construídos no quente Recife, como em tantas cidades brasileiras, pouco utilizam dessas estratégias que fizeram na história ali. Em endereços mais nobres, fachadas são completamente fechadas em vidros verdes e azuis, um material conhecido por absorver e irradiar calor. Muitas vezes, sem varandas. Era para ser um tijolo, virou símbolo Nas suas pesquisas para o livro Cobogó de Pernambuco, o arquiteto Cristiano Borba encontrou a patente de peça construtiva, datada de 1929. Apesar de não existir uma explicação registrada sobre a escolha do nome, a história que se conta passa bem longe de uma origem africana ou indígena – como a sonoridade da palavra pode indicar. O Dicionário Aurélio sacramentou: “co-bo-gó” une as iniciais dos três engenheiros residentes no Recife por trás da criação. Cobogó, conforme a sua patente, portanto, seria a peça quadrada específica com fileiras de oito furos vista na caixa-d’água de Olinda. Todos os outros tipos de elementos vazados que vieram depois, com diversos desenhos e formatos, teoricamente não seriam um cobogó. “É um grande caso de chamar o todo pela parte”, explica Borba, doutor em Desenvolvimento Urbano pela UFPE. Algo que acontece ao chamarmos curativos de “band-aid” ou lâminas de barbear de “gilette”, por exemplo. Toda a funcionalidade que o cobogó demonstraria ter, porém, não era o objetivo inicial dos três engenheiros por trás da invenção, conta a pesquisadora Guilah Naslavsky. O trio não estava atrás de um elemento vazado para ventilar, mas de um bloco de cimento pré-fabricado, mais prático e barato para construção, “para ser usado basicamente como um tijolo”, resume. Ou seja, um elemento industrial, que poderia ser produzido em larga escala e estar presente na estrutura das grandes construções. A ideia dos engenheiros era que o cobogó pudesse ser preenchido ou deixado aberto, conforme o desejo do construtor. “Eles não tinham uma preocupação muito plástica ou estética. Queriam construir rápido e muito”, completa Borba. Foi o uso dado pelo efervescente cenário arquitetônico moderno do Recife que fez essa peça construtiva ganhar outros usos. E, assim, a caixa-d’água de Olinda, num ponto cultural de destaque em Pernambuco, é o ponto inicial dessa transformação. A parede vazada permitia a permanência por mais tempo dentro da estrutura, com proteção do sol e com o vento passando, num uso mais parecido com o que se dá hoje. “É muito normal que, depois, venham as soluções mais populares, as não eruditas, que acabaram fugindo do padrão dos oito furinhos”, explica Borba. Para o pesquisador, o custo menor do que outros materiais e a certa proteção à entrada de animais ou pessoas, fez essa ideia se espalhar. Nas casas do interior nordestino, eles foram enchendo jardins, muros, varandas e quintais. “Então isso vai ganhando esse apelo de fato e se criando uma identidade visual popular”, diz Borba. Depois do Grande Recife, o Rio de Janeiro teve os primeiros projetos de destaque com uso de cobogós, como os edifícios ao redor do Parque Guinle, em Laranjeiras. Na recém-construída Brasília dos anos 1960 – nas palavras de Cristiano Borba, uma “filhote de arquitetos nordestinos” -, os cobogós, impulsionados pelo modernismo de Oscar Niemeyer, viraram parte da identidade. Até hoje, prédios das regiões nobres brasilienses são famosos por suas fachadas com aberturas. “Brasília era o grande laboratório de experimentação de todos os arquitetos modernos. Ali, foram surgindo os primeiros cobogós de autor, com assinatura, projetados para edifícios específicos”, explica. Em escritórios de arquitetura atuais, o cobogó vive uma fase de resgate do passado – além de ser incentivado pelo seu efeito de luzes e vento. Ele também aparece até como um divisor de ambientes internos, permitindo luminosidade entre a cozinha e
Seu psicólogo é de carne e osso — mas pode estar usando IA na terapia: entenda os riscos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 12/12/2025 Fazer terapia com um chatbot pode não ser uma boa ideia por uma série de motivos, como muitos especialistas têm alertado. Mas e quando os próprios terapeutas passam a usar inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, para auxiliar em suas tarefas, seja para transcrição de sessões ou até discutir casos? Empresas já estão oferecendo esse serviço aos profissionais. Há ferramentas para transcrição de sessões, sugestões de análise técnica, evolução do paciente, supervisão e sugestões de abordagens. “Você ainda perde tempo escrevendo resumo de sessão?”, diz o anúncio de uma dessas ferramentas, no Instagram, a PsicoAI. Outra plataforma, a PsiDigital, promete automatização de relatórios e laudos, criação de página de divulgação personalizada e até “sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica.” (veja entrevista com criador da plataforma abaixo) As empresas dizem que essas tecnologias não devem substituir os profissionais, mas apoiá-los. A adesão profissional é uma realidade. A BBC News Brasil procurou 50 psicólogos nas redes sociais e questionou se eles fazem uso de algum tipo de IA no trabalho. Dos que responderam, dez confirmaram que fazem uso da tecnologia para tarefas como transcrições de sessões de terapia e resumos. O uso de IA entre estes profissionais não é proibido. Em julho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu que o uso “já vem sendo incorporado ao cotidiano em múltiplos contextos de atuação” e ressaltou a necessidade da supervisão crítica e discernimento ético, mas sem restrições específicas. E diz que cabe a cada profissional a avaliação de limites e riscos dessas ferramentas. Psicólogos testam usos com consentimento de paciente Maísa Brum é psicóloga especializada em avaliação neuropsicológica. Seu trabalho envolve realizar longas entrevistas com pacientes, coletar dados e depois produzir laudos técnicos com essas informações. Por algum tempo, ela terceirizou essa tarefa de transformar anotações em um documento técnico para um estagiário. Mas logo percebeu que os textos chegavam sempre com um mesmo padrão, “pouco humanizados” e, ao questioná-lo, descobriu que ele estava usando o ChatGPT para a tarefa. “O laudo tem sempre uma sequência, com descrição dos dados, objetivo da avaliação, testes que foram aplicados. É um esqueleto técnico”, explica. Foi aí que ela decidiu aprender mais sobre a tecnologia. Fez alguns cursos e então incorporou algumas dessas ferramentas em parte de suas tarefas. Hoje ela usa um gravador com IA embutida, que transcreve as entrevistas com os pacientes e devolve já com uma linha do tempo dos fatos e informações no formato necessário para escrever o laudo, que depois é revisado manualmente. Um formulário de consentimento é dado a cada paciente para que saibam que estão sendo gravados com a tecnologia. “Tem sido muito útil e facilitado bastante a minha vida de escrita”, afirmou, destacando que apaga os arquivos após uso para evitar armazenamento externo. Maísa diz que o recurso serve apenas como apoio, não como ferramenta diagnóstica. “Minha grande preocupação é no uso inadequado da IA para terceirizar o pensamento crítico e o raciocínio clínico”. Eduardo Araújo, psicólogo e professor universitário, diz que tem usado IA para análise e organização de dados, mas não diretamente com pacientes e sim em pesquisas, como fez em seu mestrado na área. Ele fez um experimento com o ChatGPT, quando analisava dados em uma tabela com centenas de pacientes. O objetivo do estudo era identificar a influência de experiências traumáticas em crianças e adolescentes, a partir de uma lista com dados de mais de 500 pacientes, de forma anonimizada. “Para esse tipo de tarefa, de análise de dados, acaba sendo muito útil.” Araújo avalia que é preciso ter cautela com ferramentas que prometem ajudar com diagnóstico. Ele diz que a tecnologia acelera tarefas burocráticas, mas nunca deve formular hipóteses diagnósticas no lugar do profissional. “Quando você pesquisa algum sintoma na internet, se levar a sério o que vem de resultado, você acha que vai morrer. Com a IA não é diferente: se você coloca algum sintoma, a resposta me dá uma gravidade diferente daquilo que se perceberia na clínica, em contato com a pessoa.” ‘A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar’ A psicóloga Patrícia Mourão De Biase disse à BBC News Brasil que entrou em contato com IA por curiosidade, principalmente com o boom de informação sobre o tema que recebeu neste ano. “Temos a opção de sermos atropelados ou entender o que está acontecendo e caminhar junto”, diz ela. De Biase diz que, desde a pandemia, tem havido mais flexibilização entre psicólogos no uso de tecnologias, principalmente em relação ao atendimento remoto de pacientes. “Ficamos mais flexíveis para entender esses movimentos da tecnologia. A categoria sempre foi mais quadradinha nesse sentido, mas precisou se adaptar. Vejo ainda muitos colegas se esquivando da IA.” De Biase, que presta serviço para empresas e também atende em consultório, diz que tem utilizado a ferramenta para automatizar tarefas burocráticas e também para criar novos conteúdos para suas sessões. “Crio enquetes e passo tarefas de casa para os pacientes. Isso refresca a conexão entre uma sessão e outra.” Ela diz que a IA também tem sido usar para “pensar junto” com os psicólogos. “Quando acaba a sessão, colocamos conteúdo e a própria IA diz: poderia abordar por aqui, por ali. Não tenho preconceito com isso, embora eu não use no dia a dia.” Outra tarefa que se tornou comum é a de transcrição e transformação das sessões em prontuário, que depois são revisados de forma manual. “É importante que os pacientes estejam de acordo, que assinem um documento. Mas até hoje ninguém recusou”, diz. A psicóloga avalia que a tecnologia não vai substituir a profissão. “Tem gente que não sabe nem o que perguntar ao ChatGPT. Ele é bom? Sim, pode ajudar em algo pontual, em um momento de ansiedade, de angústia. Mas se não aprendemos direito a perguntar, provavelmente ele não vai entregar. Nada precisa jogar fora. Pegue o que o chat disse e depois leve para a sessão, converse com o terapeuta sobe isso.” “Gerenciar o tempo é padrão ouro para todos. e a IA
Celular Seguro passa a bloquear também aparelhos sem o app instalado

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 12/12/2025 O bloqueio pode ser feito de outro aparelho, tablet ou computador Oussama El Ghaouri – repórter da Rádio Nacional A partir de agora, quem for vítima de furto ou roubo de celular ou quem perdeu o aparelho pode registrar a ocorrência pelo aplicativo Celular Seguro usando outro aparelho telefônico, tablet ou computador. E não é mais necessário informar o IMEI do celular, uma espécie de CPF do aparelho, nem ter registro prévio no aplicativo. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Basta baixar o app e entrar no Celular Seguro por meio de outro dispositivo, fazer o registro em até 15 dias, indicando a data e o horário do ocorrido, bem como a linha telefônica utilizada no celular. Segundo o Ministério da Justiça, com isso, é possível bloquear a linha telefônica, os aplicativos financeiros, o IMEI do aparelho ou, ainda, cadastrar no modo recuperação. Lançado em dezembro de 2023, o Celular Seguro tem hoje 3,6 milhões de pessoas cadastradas, de acordo com o governo. E o objetivo é que o usuário, a partir do aplicativo, emita um único alerta para agilizar o bloqueio de aparelhos, reduzindo prejuízos financeiros por golpes digitais, além de facilitar a recuperação de celulares pelas polícias estaduais.
Como descobrir se o vídeo que você está vendo é real ou gerado por IA

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/11/2025 Pronto! Está chegando a sua vez de ser enganado. Talvez você até já tenha sido. Nos últimos seis meses, os geradores de vídeo por inteligência artificial (IA) ficaram tão bons que a nossa relação com as câmeras está azedando. Isso é o que vai acabar acontecendo alguma hora, na melhor das hipóteses: você será enganado várias vezes, até que não aguentará mais e passará a questionar tudo o que vê. Bem-vindo ao futuro! Mas, por enquanto, ainda existem alguns sinais de alerta para identificar quando um vídeo é real ou não. Um desses pontos se destaca. Se você assistir a um vídeo com baixa qualidade de imagem (filmagem borrada ou granulada), pode ligar o seu “desconfiômetro”: você pode estar assistindo a um vídeo gerado por IA. “É um dos primeiros pontos que procuramos”, afirma o professor de Ciências da Computação Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Ele é pioneiro no campo forense digital e fundador da empresa de detecção de deepfakes (imagens falsas) GetReal Security. É verdade que as ferramentas de vídeo com IA ficarão cada vez melhores e este conselho, em breve, será inútil. Poderá levar meses ou, talvez, anos. É difícil dizer, desculpe! Mas, se você navegar pelas nuances desse assunto comigo por um minuto, esta dica pode evitar que você assista a algum lixo criado com IA, até aprender a mudar a forma em que você encara a verdade. Sejamos claros. Não se trata de uma prova concreta. A verdade é que os vídeos de IA não costumam ter má qualidade. As melhores ferramentas de IA podem fornecer clipes bonitos e sofisticados. E os clipes de baixa qualidade também não são, necessariamente, feitos com IA. “Se você observar algo realmente com má qualidade, isso não significa que ela seja fake. Não há nenhum significado nefasto nisso”, afirma o professor Matthew Stamm, chefe do Laboratório de Segurança da Informação e Multimídia da Universidade Drexel, nos Estados Unidos. A questão, na verdade, é que os vídeos de IA borrados e pixelados são aqueles com maior probabilidade de nos enganar, pelo menos por enquanto. Eles são um sinal para observarmos mais de perto o que estamos assistindo. “Os principais geradores de texto para vídeo como o Veo, da Google, e o Sora, da OpenAI, ainda produzem pequenas inconsistências”, explica Farid. “Mas não são mãos com seis dedos ou texto truncado. É algo mais sutil.” Mesmo os modelos mais avançados de hoje em dia, muitas vezes, introduzem problemas como texturas de pele excepcionalmente macias, padrões estranhos ou inconstantes dos cabelos e das roupas ou pequenos objetos de fundo que se movem de formas impossíveis ou não realistas. Tudo isso passa facilmente despercebido. Mas, quanto mais clara for a imagem, maior é a probabilidade de observarmos esses sinais de erros de IA. Daí vem a vantagem dos vídeos de menor qualidade. Quando você pede à IA algo que pareça ter sido filmado em um telefone antigo ou em uma câmera de segurança, por exemplo, ela pode esconder os itens que poderiam revelar se tratar de inteligência artificial. Nos últimos meses, alguns vídeos populares criados por IA enganaram inúmeras pessoas. E todos eles tinham um ponto em comum. Um vídeo falso, mas divertido, de coelhos silvestres pulando sobre um trampolim teve mais de 240 milhões de visualizações no TikTok. Milhões de pessoas românticas online clicaram no botão de “curtir” em um clipe que mostrava duas pessoas se apaixonando no metrô de Nova York, nos Estados Unidos. Elas enfrentaram a mesma decepção quando se descobriu que o vídeo era fake. Eu mesmo caí em um vídeo viral de um pastor americano, em uma igreja conservadora, dando um sermão surpreendentemente de esquerda. “Os bilionários são a única minoria de quem devemos ter medo”, berrava ele, com sotaque do sul dos EUA. “Eles têm o poder de destruir este país!” Fiquei perplexo. Será que as nossas fronteiras políticas realmente desapareceram? Não. Era simplesmente IA. Resolução, qualidade e duração O ponto em comum é que todos esses vídeos pareciam ter sido filmados de forma rudimentar. Os coelhos de IA foram apresentados como uma filmagem feita à noite, por câmeras de segurança baratas. O casal no metrô? Pixelado. O pastor imaginário? O vídeo parecia ter sido filmado de longe demais, com forte zoom. E estes não eram os únicos sinais de alerta desses vídeos. “Os três pontos que você deve observar são a resolução, a qualidade e a duração”, segundo Farid. Vamos começar pela duração, que é o mais fácil. “Na sua maioria, os vídeos de IA são muito curtos, menores até que os clipes que costumamos observar no TikTok ou no Instagram, de cerca de 30 a 60 segundos. A imensa maioria dos vídeos que me solicitam verificar tem seis, oito ou 10 segundos de duração.” Isso ocorre porque gerar vídeos com IA é caro. Por isso, a maior parte das ferramentas oferece, no máximo, clipes curtos. Além disso, quanto mais longo for o vídeo, maior a probabilidade de que a IA apresente falhas. “Você pode costurar diversos vídeos de IA, mas irá observar um corte a cada cerca de oito segundos”, explica Farid. Os outros dois fatores — a qualidade e a resolução — apresentam relação entre si, mas são diferentes. A resolução indica o número ou o tamanho dos pixels em uma imagem. E o processo de compressão reduz o tamanho de um arquivo de vídeo, extraindo seus detalhes. Muitas vezes, ela deixa para trás padrões de blocos e extremidades borradas. Na verdade, Farid afirma que os fakes de baixa qualidade são tão convincentes que os criadores mal intencionados degradam seu trabalho de propósito. “Se eu estiver tentando enganar as pessoas, o que faria? Eu geraria meu vídeo fake, reduziria a resolução de forma que você ainda pudesse assistir, mas retirando todos os pequenos detalhes. Depois, eu acrescentaria compressão, que ofuscaria ainda mais os possíveis sinais.” “Esta é uma técnica comum”, segundo ele. A questão é que, neste exato momento, as gigantes da tecnologia estão gastando bilhões de dólares para tornar a IA ainda

