Como a fome interfere no humor, segundo pesquisadores

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 28/12/2025 Estudo fornece evidências da importância da percepção consciente dos estados corporais internos na regulação das emoções. Quando estamos com fome, costumamos ficar mal-humorados. Um novo estudo do Hospital Universitário de Bonn, da Universidade de Bonn e do Centro Hospitalar Universitário de Tübingen mostra que a relação entre fome e humor não é causada por processos metabólicos inconscientes. Os pesquisadores alemães examinaram como os níveis de glicose, a sensação de fome e o humor se influenciam mutuamente em 90 adultos saudáveis ao longo de um período de quatro semanas. “Quando os níveis de glicose caem, o humor também piora. Mas esse efeito só ocorre porque as pessoas sentem mais fome. Em outras palavras, não é o nível de glicose em si que influencia o humor, mas sim a intensidade com que percebemos conscientemente essa falta de energia”, explica Kristin Kaduk, pesquisadora de pós-doutorado no Hospital Universitário de Psiquiatria e Psicoterapia de Tübingen. O estudo fornece evidências da importância da interocepção — a percepção consciente dos estados corporais internos — na regulação das emoções. Segundo os pesquisadores, sentir conscientemente o próprio corpo pode funcionar como uma espécie de amortecedor para o humor. “Uma boa percepção dos sinais do próprio corpo parece ajudar a manter a estabilidade emocional – mesmo quando os níveis de energia oscilam”, frisa o professor Nils Kroemer, que trabalha em Tübingen no Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Hospital Universitário. Além dessas observações, os pesquisadores consideram as evidências apontadas no estudo como uma base importante para futuras pesquisas em pacientes com distúrbios metabólicos ou mentais. “Uma melhor compreensão de como a percepção corporal e o humor estão relacionados pode ajudar a aprimorar as abordagens terapêuticas a longo prazo – por exemplo, por meio de treinamento direcionado da interocepção ou estimulação não invasiva do nervo vago, que conecta os órgãos ao cérebro e influencia a interocepção.”, cita Nils Kroemer. O estudo foi publicado na revista eBioMedicine no início deste mês.
Filtro ajuda contra microplásticos descartados pelas lava-roupas

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 29/12/2025 Pesquisadores da Alemanha criam equipamento inspirado nas guelras dos peixes para reter poluentes da água descartada pelas máquinas de lavar. A tecnologia consegue capturar 99,6% das partículas plásticas de um ciclo de lavagem. A água residual das máquinas de lavar roupa é uma das principais fontes de poluição por microplásticos. Durante a lavagem, pequenas partículas de plástico se desprendem dos tecidos e, ao chegarem às estações de tratamento de esgoto, acabam acumuladas no lodo que frequentemente é utilizado como fertilizante, contaminando solos agrícolas. Diante disso, pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, desenvolveram um filtro, inspirado na natureza, que retém microplásticos presentes na água descartada pelas lavadoras. A tecnologia reproduz o sistema de arcos branquiais de peixes filtradores, espécies adaptadas para capturar organismos planctônicos (plâncton) para nutrição. O estudo, detalhado na revista npj Emerging Contaminants, mostra que o novo filtro se destaca por não entupir com facilidade e por apresentar eficiência superior à de modelos convencionais, sendo capaz de reter 99,6% das partículas plásticas em um ciclo de lavagem. O sistema de arcos branquiais é composto por estruturas cartilaginosas ou ósseas situadas na cabeça e no pescoço dos peixes. Esses arcos têm a função de sustentar as brânquias, que são essenciais para a respiração. O sistema também envolve músculos e ligamentos que possibilitam a movimentação dos arcos, facilitando o processo respiratório. Nas espécies filtradoras, esse mecanismo possui um formato de funil, sendo mais largo na região da boca e estreitando-se em direção ao esôfago. As paredes desse funil são formadas pelos próprios arcos branquiais, que apresentam estruturas semelhantes a pentes, revestidas por pequenos dentes. Esse conjunto cria uma espécie de malha, uma “peneira”, amparada e esticada pelos arcos. Processo Durante a alimentação, a água atravessa a parede permeável do funil, é filtrada e, livre de partículas, retorna ao ambiente pelas brânquias. O plâncton é grande demais para passar por essa estrutura; por isso, ele fica retido. Devido ao formato de funil, ele desliza em direção à garganta, onde se acumula até ser engolido pelo peixe, o que esvazia e limpa o sistema, segundo a pesquisa. Na criação do novo filtro, os cientistas variaram tanto o tamanho da malha da estrutura da peneira quanto o ângulo de abertura do funil. Leandra Hamann, bióloga da Universidade de Bonn e coautora do estudo, explicou ao Correio que os peixes filtradores utilizam uma técnica semelhante à filtração cruzada, e descreveu o funcionamento da tecnologia: “A água flui ao longo de um elemento filtrante (parte interna do filtro) em formato de cone (imitando o sistema de arcos branquiais), com ângulo de ataque baixo, o que mantém as fibras de microplástico rolando ou em suspensão, em vez de aderirem à malha. A água limpa passa lateralmente pela malha, enquanto as fibras são direcionadas para a saída e retidas”. Essa malha é feita de náilon, material que, segundo Hamann, não deve gerar mais microplásticos. “No futuro, a malha também poderá ser feita de aço inoxidável para reduzir o uso de plásticos no filtro”, acrescentou. Vantagens e futuro O equipamento chama a atenção pela flexibilidade. De acordo com a pesquisadora, o tamanho da malha e o design da entrada podem ser variados para assim atender às restrições da lavadora, como espaço disponível, vazão e carga de partículas. “O sistema é modular e pode ser adaptado para diferentes máquinas de lavar e para a modernização de máquinas mais antigas.” O filtro de microplásticos tem uma geometria de fluxo cruzado que mantém as fibras em movimento ao longo da malha, evitando seu acúmulo. Ele também conta com um mecanismo de autolimpeza periódica, no qual válvulas mudam temporariamente o fluxo para expulsar as fibras acumuladas para um compartimento separado. Dessa forma, “cerca de 85% das fibras retidas são removidas antes mesmo de alcançarem o interior do filtro, reduzindo drasticamente o risco de bloqueio”, frisa Hamann. A equipe, até o momento, apresentou uma prova de conceito em laboratório, baseada em um protótipo. “Esperamos que alguma empresa adote o design inovador e o otimize ainda mais para melhorar a eficiência da filtragem e a fabricação. Presumo que isso possa levar de um a dois anos, pois são necessários mais testes”, diz a bióloga. Embora o desenvolvimento de soluções para o descarte das fibras coletadas não tenha sido foco do projeto, a pesquisadora lembra que métodos eficazes existem. Entre eles, a compactação e secagem do material filtrado, permitindo que o usuário descarte apenas um pequeno grânulo de resíduos após vários ciclos de lavagem, um processo simples e de baixo impacto. *Estagiária sob supervisão de Lourenço Flores Preocupação crescente A microbiologista clínica Fabíola Castro explica que microplásticos são partículas de plástico com tamanho inferior a 5 mm, menor que um grão de arroz, em qualquer dimensão. Eles representam um poluente emergente de relevância global, com forte base científica indicando: alta persistência e distribuição em ambientes naturais, interações biológicas potencialmente prejudiciais, exposição humana contínua e capacidade de atuar como vetor de outras substâncias tóxicas. “Embora a magnitude dos efeitos na saúde humana ainda esteja sendo elucidada, a literatura científica considera esse tema como uma das fronteiras atuais de pesquisa ambiental e toxicológica”, afirma Castro.
Cobogó: a ‘invenção’ brasileira de 100 anos que pode ser aliada hoje contra o calor intenso

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 28/12/2025 Nascido no Recife, os cobogós se popularizam em projetos pelo Brasil no século 20, mas caíram no esquecimento. Em tempos de calor extremo, ele tem muito a ensinar. No ponto mais alto do sítio histórico de Olinda, em Pernambuco, o enorme reservatório de água dos anos 1930 não passa despercebido: tem o tamanho de um prédio de seis andares, fica em frente à principal igreja da cidade e destoa do conjunto arquitetônico ao redor. Mas o que faria esse prisma retangular de concreto entrar na história da arquitetura brasileira está apenas em dois dos lados de sua fachada. Em vez de ser uma caixa-d’água comum, com quatro lados “cegos” (sem nenhuma abertura), o prédio projetado pelo arquiteto Luiz Nunes utiliza um elemento construtivo que havia sido criado no Recife alguns anos antes: o cobogó. Era a primeira vez que um edifício de expressão aparecia “vazado” – um estilo que seria replicado nas décadas seguintes em dezenas de prédios do Rio de Janeiro, de Brasília e de São Paulo, além de casas Brasil afora. Depois de cair em certo esquecimento, a peça tem sido redescoberta por arquitetos nos últimos anos e é vista com potencial de refrescar ambientes em tempos de calor extremo. É que o cobogó faz uma barreira contra o Sol, ao mesmo tempo que deixa passar alguma luminosidade. Também oferece alguma privacidade para quem está dentro, que consegue ver quem está fora. E, o mais importante, permite que o vento circule. Essa peça, que surgiu na indústria da construção pernambucana, acabou fazendo parte de estratégias usadas pelos arquitetos modernistas do século 20 para amenizar o calor em épocas em que o ar-condicionado não havia se popularizado ou sequer sido introduzido no Brasil. “Ele pode criar uma zona de proteção ou de transição num edifício, funcionando como ‘colchão’ de ar”, explica a arquiteta Guilah Naslavsky, especialista em modernismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “O cobogó é uma solução bioclimática, um ícone que combina a sustentabilidade com a poética da arquitetura brasileira”, afirma Marcella Arruda, co-curadora da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Na caixa-d’água de Olinda, por exemplo, a fachada de cobogós, ao ser barreira de Sol e permitir a passagem de vento, auxiliava para amenizar o calor incidente nas tubulações, preservando e resfriando a temperatura das águas no tanque. É uma “climatização passiva” que ocorre no edifício por si só. Hoje, os prédios construídos no quente Recife, como em tantas cidades brasileiras, pouco utilizam dessas estratégias que fizeram na história ali. Em endereços mais nobres, fachadas são completamente fechadas em vidros verdes e azuis, um material conhecido por absorver e irradiar calor. Muitas vezes, sem varandas. Era para ser um tijolo, virou símbolo Nas suas pesquisas para o livro Cobogó de Pernambuco, o arquiteto Cristiano Borba encontrou a patente de peça construtiva, datada de 1929. Apesar de não existir uma explicação registrada sobre a escolha do nome, a história que se conta passa bem longe de uma origem africana ou indígena – como a sonoridade da palavra pode indicar. O Dicionário Aurélio sacramentou: “co-bo-gó” une as iniciais dos três engenheiros residentes no Recife por trás da criação. Cobogó, conforme a sua patente, portanto, seria a peça quadrada específica com fileiras de oito furos vista na caixa-d’água de Olinda. Todos os outros tipos de elementos vazados que vieram depois, com diversos desenhos e formatos, teoricamente não seriam um cobogó. “É um grande caso de chamar o todo pela parte”, explica Borba, doutor em Desenvolvimento Urbano pela UFPE. Algo que acontece ao chamarmos curativos de “band-aid” ou lâminas de barbear de “gilette”, por exemplo. Toda a funcionalidade que o cobogó demonstraria ter, porém, não era o objetivo inicial dos três engenheiros por trás da invenção, conta a pesquisadora Guilah Naslavsky. O trio não estava atrás de um elemento vazado para ventilar, mas de um bloco de cimento pré-fabricado, mais prático e barato para construção, “para ser usado basicamente como um tijolo”, resume. Ou seja, um elemento industrial, que poderia ser produzido em larga escala e estar presente na estrutura das grandes construções. A ideia dos engenheiros era que o cobogó pudesse ser preenchido ou deixado aberto, conforme o desejo do construtor. “Eles não tinham uma preocupação muito plástica ou estética. Queriam construir rápido e muito”, completa Borba. Foi o uso dado pelo efervescente cenário arquitetônico moderno do Recife que fez essa peça construtiva ganhar outros usos. E, assim, a caixa-d’água de Olinda, num ponto cultural de destaque em Pernambuco, é o ponto inicial dessa transformação. A parede vazada permitia a permanência por mais tempo dentro da estrutura, com proteção do sol e com o vento passando, num uso mais parecido com o que se dá hoje. “É muito normal que, depois, venham as soluções mais populares, as não eruditas, que acabaram fugindo do padrão dos oito furinhos”, explica Borba. Para o pesquisador, o custo menor do que outros materiais e a certa proteção à entrada de animais ou pessoas, fez essa ideia se espalhar. Nas casas do interior nordestino, eles foram enchendo jardins, muros, varandas e quintais. “Então isso vai ganhando esse apelo de fato e se criando uma identidade visual popular”, diz Borba. Depois do Grande Recife, o Rio de Janeiro teve os primeiros projetos de destaque com uso de cobogós, como os edifícios ao redor do Parque Guinle, em Laranjeiras. Na recém-construída Brasília dos anos 1960 – nas palavras de Cristiano Borba, uma “filhote de arquitetos nordestinos” -, os cobogós, impulsionados pelo modernismo de Oscar Niemeyer, viraram parte da identidade. Até hoje, prédios das regiões nobres brasilienses são famosos por suas fachadas com aberturas. “Brasília era o grande laboratório de experimentação de todos os arquitetos modernos. Ali, foram surgindo os primeiros cobogós de autor, com assinatura, projetados para edifícios específicos”, explica. Em escritórios de arquitetura atuais, o cobogó vive uma fase de resgate do passado – além de ser incentivado pelo seu efeito de luzes e vento. Ele também aparece até como um divisor de ambientes internos, permitindo luminosidade entre a cozinha e
Seu psicólogo é de carne e osso — mas pode estar usando IA na terapia: entenda os riscos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 12/12/2025 Fazer terapia com um chatbot pode não ser uma boa ideia por uma série de motivos, como muitos especialistas têm alertado. Mas e quando os próprios terapeutas passam a usar inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, para auxiliar em suas tarefas, seja para transcrição de sessões ou até discutir casos? Empresas já estão oferecendo esse serviço aos profissionais. Há ferramentas para transcrição de sessões, sugestões de análise técnica, evolução do paciente, supervisão e sugestões de abordagens. “Você ainda perde tempo escrevendo resumo de sessão?”, diz o anúncio de uma dessas ferramentas, no Instagram, a PsicoAI. Outra plataforma, a PsiDigital, promete automatização de relatórios e laudos, criação de página de divulgação personalizada e até “sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica.” (veja entrevista com criador da plataforma abaixo) As empresas dizem que essas tecnologias não devem substituir os profissionais, mas apoiá-los. A adesão profissional é uma realidade. A BBC News Brasil procurou 50 psicólogos nas redes sociais e questionou se eles fazem uso de algum tipo de IA no trabalho. Dos que responderam, dez confirmaram que fazem uso da tecnologia para tarefas como transcrições de sessões de terapia e resumos. O uso de IA entre estes profissionais não é proibido. Em julho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu que o uso “já vem sendo incorporado ao cotidiano em múltiplos contextos de atuação” e ressaltou a necessidade da supervisão crítica e discernimento ético, mas sem restrições específicas. E diz que cabe a cada profissional a avaliação de limites e riscos dessas ferramentas. Psicólogos testam usos com consentimento de paciente Maísa Brum é psicóloga especializada em avaliação neuropsicológica. Seu trabalho envolve realizar longas entrevistas com pacientes, coletar dados e depois produzir laudos técnicos com essas informações. Por algum tempo, ela terceirizou essa tarefa de transformar anotações em um documento técnico para um estagiário. Mas logo percebeu que os textos chegavam sempre com um mesmo padrão, “pouco humanizados” e, ao questioná-lo, descobriu que ele estava usando o ChatGPT para a tarefa. “O laudo tem sempre uma sequência, com descrição dos dados, objetivo da avaliação, testes que foram aplicados. É um esqueleto técnico”, explica. Foi aí que ela decidiu aprender mais sobre a tecnologia. Fez alguns cursos e então incorporou algumas dessas ferramentas em parte de suas tarefas. Hoje ela usa um gravador com IA embutida, que transcreve as entrevistas com os pacientes e devolve já com uma linha do tempo dos fatos e informações no formato necessário para escrever o laudo, que depois é revisado manualmente. Um formulário de consentimento é dado a cada paciente para que saibam que estão sendo gravados com a tecnologia. “Tem sido muito útil e facilitado bastante a minha vida de escrita”, afirmou, destacando que apaga os arquivos após uso para evitar armazenamento externo. Maísa diz que o recurso serve apenas como apoio, não como ferramenta diagnóstica. “Minha grande preocupação é no uso inadequado da IA para terceirizar o pensamento crítico e o raciocínio clínico”. Eduardo Araújo, psicólogo e professor universitário, diz que tem usado IA para análise e organização de dados, mas não diretamente com pacientes e sim em pesquisas, como fez em seu mestrado na área. Ele fez um experimento com o ChatGPT, quando analisava dados em uma tabela com centenas de pacientes. O objetivo do estudo era identificar a influência de experiências traumáticas em crianças e adolescentes, a partir de uma lista com dados de mais de 500 pacientes, de forma anonimizada. “Para esse tipo de tarefa, de análise de dados, acaba sendo muito útil.” Araújo avalia que é preciso ter cautela com ferramentas que prometem ajudar com diagnóstico. Ele diz que a tecnologia acelera tarefas burocráticas, mas nunca deve formular hipóteses diagnósticas no lugar do profissional. “Quando você pesquisa algum sintoma na internet, se levar a sério o que vem de resultado, você acha que vai morrer. Com a IA não é diferente: se você coloca algum sintoma, a resposta me dá uma gravidade diferente daquilo que se perceberia na clínica, em contato com a pessoa.” ‘A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar’ A psicóloga Patrícia Mourão De Biase disse à BBC News Brasil que entrou em contato com IA por curiosidade, principalmente com o boom de informação sobre o tema que recebeu neste ano. “Temos a opção de sermos atropelados ou entender o que está acontecendo e caminhar junto”, diz ela. De Biase diz que, desde a pandemia, tem havido mais flexibilização entre psicólogos no uso de tecnologias, principalmente em relação ao atendimento remoto de pacientes. “Ficamos mais flexíveis para entender esses movimentos da tecnologia. A categoria sempre foi mais quadradinha nesse sentido, mas precisou se adaptar. Vejo ainda muitos colegas se esquivando da IA.” De Biase, que presta serviço para empresas e também atende em consultório, diz que tem utilizado a ferramenta para automatizar tarefas burocráticas e também para criar novos conteúdos para suas sessões. “Crio enquetes e passo tarefas de casa para os pacientes. Isso refresca a conexão entre uma sessão e outra.” Ela diz que a IA também tem sido usar para “pensar junto” com os psicólogos. “Quando acaba a sessão, colocamos conteúdo e a própria IA diz: poderia abordar por aqui, por ali. Não tenho preconceito com isso, embora eu não use no dia a dia.” Outra tarefa que se tornou comum é a de transcrição e transformação das sessões em prontuário, que depois são revisados de forma manual. “É importante que os pacientes estejam de acordo, que assinem um documento. Mas até hoje ninguém recusou”, diz. A psicóloga avalia que a tecnologia não vai substituir a profissão. “Tem gente que não sabe nem o que perguntar ao ChatGPT. Ele é bom? Sim, pode ajudar em algo pontual, em um momento de ansiedade, de angústia. Mas se não aprendemos direito a perguntar, provavelmente ele não vai entregar. Nada precisa jogar fora. Pegue o que o chat disse e depois leve para a sessão, converse com o terapeuta sobe isso.” “Gerenciar o tempo é padrão ouro para todos. e a IA
Celular Seguro passa a bloquear também aparelhos sem o app instalado

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 12/12/2025 O bloqueio pode ser feito de outro aparelho, tablet ou computador Oussama El Ghaouri – repórter da Rádio Nacional A partir de agora, quem for vítima de furto ou roubo de celular ou quem perdeu o aparelho pode registrar a ocorrência pelo aplicativo Celular Seguro usando outro aparelho telefônico, tablet ou computador. E não é mais necessário informar o IMEI do celular, uma espécie de CPF do aparelho, nem ter registro prévio no aplicativo. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Basta baixar o app e entrar no Celular Seguro por meio de outro dispositivo, fazer o registro em até 15 dias, indicando a data e o horário do ocorrido, bem como a linha telefônica utilizada no celular. Segundo o Ministério da Justiça, com isso, é possível bloquear a linha telefônica, os aplicativos financeiros, o IMEI do aparelho ou, ainda, cadastrar no modo recuperação. Lançado em dezembro de 2023, o Celular Seguro tem hoje 3,6 milhões de pessoas cadastradas, de acordo com o governo. E o objetivo é que o usuário, a partir do aplicativo, emita um único alerta para agilizar o bloqueio de aparelhos, reduzindo prejuízos financeiros por golpes digitais, além de facilitar a recuperação de celulares pelas polícias estaduais.
Como descobrir se o vídeo que você está vendo é real ou gerado por IA

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/11/2025 Pronto! Está chegando a sua vez de ser enganado. Talvez você até já tenha sido. Nos últimos seis meses, os geradores de vídeo por inteligência artificial (IA) ficaram tão bons que a nossa relação com as câmeras está azedando. Isso é o que vai acabar acontecendo alguma hora, na melhor das hipóteses: você será enganado várias vezes, até que não aguentará mais e passará a questionar tudo o que vê. Bem-vindo ao futuro! Mas, por enquanto, ainda existem alguns sinais de alerta para identificar quando um vídeo é real ou não. Um desses pontos se destaca. Se você assistir a um vídeo com baixa qualidade de imagem (filmagem borrada ou granulada), pode ligar o seu “desconfiômetro”: você pode estar assistindo a um vídeo gerado por IA. “É um dos primeiros pontos que procuramos”, afirma o professor de Ciências da Computação Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Ele é pioneiro no campo forense digital e fundador da empresa de detecção de deepfakes (imagens falsas) GetReal Security. É verdade que as ferramentas de vídeo com IA ficarão cada vez melhores e este conselho, em breve, será inútil. Poderá levar meses ou, talvez, anos. É difícil dizer, desculpe! Mas, se você navegar pelas nuances desse assunto comigo por um minuto, esta dica pode evitar que você assista a algum lixo criado com IA, até aprender a mudar a forma em que você encara a verdade. Sejamos claros. Não se trata de uma prova concreta. A verdade é que os vídeos de IA não costumam ter má qualidade. As melhores ferramentas de IA podem fornecer clipes bonitos e sofisticados. E os clipes de baixa qualidade também não são, necessariamente, feitos com IA. “Se você observar algo realmente com má qualidade, isso não significa que ela seja fake. Não há nenhum significado nefasto nisso”, afirma o professor Matthew Stamm, chefe do Laboratório de Segurança da Informação e Multimídia da Universidade Drexel, nos Estados Unidos. A questão, na verdade, é que os vídeos de IA borrados e pixelados são aqueles com maior probabilidade de nos enganar, pelo menos por enquanto. Eles são um sinal para observarmos mais de perto o que estamos assistindo. “Os principais geradores de texto para vídeo como o Veo, da Google, e o Sora, da OpenAI, ainda produzem pequenas inconsistências”, explica Farid. “Mas não são mãos com seis dedos ou texto truncado. É algo mais sutil.” Mesmo os modelos mais avançados de hoje em dia, muitas vezes, introduzem problemas como texturas de pele excepcionalmente macias, padrões estranhos ou inconstantes dos cabelos e das roupas ou pequenos objetos de fundo que se movem de formas impossíveis ou não realistas. Tudo isso passa facilmente despercebido. Mas, quanto mais clara for a imagem, maior é a probabilidade de observarmos esses sinais de erros de IA. Daí vem a vantagem dos vídeos de menor qualidade. Quando você pede à IA algo que pareça ter sido filmado em um telefone antigo ou em uma câmera de segurança, por exemplo, ela pode esconder os itens que poderiam revelar se tratar de inteligência artificial. Nos últimos meses, alguns vídeos populares criados por IA enganaram inúmeras pessoas. E todos eles tinham um ponto em comum. Um vídeo falso, mas divertido, de coelhos silvestres pulando sobre um trampolim teve mais de 240 milhões de visualizações no TikTok. Milhões de pessoas românticas online clicaram no botão de “curtir” em um clipe que mostrava duas pessoas se apaixonando no metrô de Nova York, nos Estados Unidos. Elas enfrentaram a mesma decepção quando se descobriu que o vídeo era fake. Eu mesmo caí em um vídeo viral de um pastor americano, em uma igreja conservadora, dando um sermão surpreendentemente de esquerda. “Os bilionários são a única minoria de quem devemos ter medo”, berrava ele, com sotaque do sul dos EUA. “Eles têm o poder de destruir este país!” Fiquei perplexo. Será que as nossas fronteiras políticas realmente desapareceram? Não. Era simplesmente IA. Resolução, qualidade e duração O ponto em comum é que todos esses vídeos pareciam ter sido filmados de forma rudimentar. Os coelhos de IA foram apresentados como uma filmagem feita à noite, por câmeras de segurança baratas. O casal no metrô? Pixelado. O pastor imaginário? O vídeo parecia ter sido filmado de longe demais, com forte zoom. E estes não eram os únicos sinais de alerta desses vídeos. “Os três pontos que você deve observar são a resolução, a qualidade e a duração”, segundo Farid. Vamos começar pela duração, que é o mais fácil. “Na sua maioria, os vídeos de IA são muito curtos, menores até que os clipes que costumamos observar no TikTok ou no Instagram, de cerca de 30 a 60 segundos. A imensa maioria dos vídeos que me solicitam verificar tem seis, oito ou 10 segundos de duração.” Isso ocorre porque gerar vídeos com IA é caro. Por isso, a maior parte das ferramentas oferece, no máximo, clipes curtos. Além disso, quanto mais longo for o vídeo, maior a probabilidade de que a IA apresente falhas. “Você pode costurar diversos vídeos de IA, mas irá observar um corte a cada cerca de oito segundos”, explica Farid. Os outros dois fatores — a qualidade e a resolução — apresentam relação entre si, mas são diferentes. A resolução indica o número ou o tamanho dos pixels em uma imagem. E o processo de compressão reduz o tamanho de um arquivo de vídeo, extraindo seus detalhes. Muitas vezes, ela deixa para trás padrões de blocos e extremidades borradas. Na verdade, Farid afirma que os fakes de baixa qualidade são tão convincentes que os criadores mal intencionados degradam seu trabalho de propósito. “Se eu estiver tentando enganar as pessoas, o que faria? Eu geraria meu vídeo fake, reduziria a resolução de forma que você ainda pudesse assistir, mas retirando todos os pequenos detalhes. Depois, eu acrescentaria compressão, que ofuscaria ainda mais os possíveis sinais.” “Esta é uma técnica comum”, segundo ele. A questão é que, neste exato momento, as gigantes da tecnologia estão gastando bilhões de dólares para tornar a IA ainda
É melhor cozinhar com azeite, manteiga ou margarina? Como escolher o melhor para você

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 12/10/2025 As prateleiras dos supermercados estão repletas de diversos tipos de óleo de cozinha. Eles variam das garrafas mais baratas de óleo de soja, canola e girassol até os mais caros, de oliva, abacate e coco, que afirmam trazer benefícios à saúde. Os óleos e gorduras fazem parte de um debate nutricional há anos. Para tentar entender sua importância, é preciso observar os diferentes tipos de gordura que cada um deles contém. Nem todas as gorduras se comportam da mesma forma no corpo. Algumas aumentam o colesterol e outras ajudam a reduzi-lo. O colesterol é uma substância graxa natural produzida no fígado. Ele também pode ser encontrado em alguns dos alimentos que ingerimos. Níveis muito altos de colesterol podem gerar acúmulo de gordura depositada nas paredes internas dos vasos sanguíneos, causando seu estreitamento ou bloqueio. Níveis muito altos de colesterol podem gerar acúmulo de gordura depositada nas paredes internas dos vasos sanguíneos, causando seu estreitamento ou bloqueio. Com tantas mensagens conflitantes, saber qual produto devemos escolher, muitas vezes, pode parecer assustador. A professora de Nutrição e Saúde Populacional Nita Forouhi, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, conta ao programa de rádio Sliced Bread, da BBC, que nenhum óleo isoladamente detém a solução mágica para a boa saúde. Ela comenta três mitos comuns sobre os óleos de cozinha. 1. Não elimine os óleos mais baratos Os tipos de óleo mais baratos, como o de canola e de girassol, costumam ter má fama. Há quem afirme que eles são ultraprocessados e podem causar inflamações, com consequentes prejuízos à saúde cardiovascular. Mas não há evidências que confirmem esta afirmação. Na verdade, estes óleos contêm baixo teor (5-10%) de gorduras saturadas prejudiciais à saúde e alto teor de gorduras mono e póli-insaturadas mais saudáveis. E as gorduras póli-insaturadas (incluindo ômega-3 e ômega-6) são essenciais para a saúde do cérebro e do coração. Forouhi destaca que estes óleos são “absolutamente bons para nós. Não é uma mera opinião, existem muitas pesquisas a respeito.” A professora explica que é possível reduzir o risco de doenças “quando gorduras saturadas [que podem aumentar o colesterol ruim], como manteiga, banha ou ghee, são substituídas por esses óleos”. Óleo de canola ou girassol costuma ser mais barato, representando uma opção econômica para frituras em casa. 2. Margarina pode ajudar a reduzir o colesterol ruim A margarina possui má reputação há anos. Muitos de nós acreditamos que deveríamos evitá-la porque ela costumava conter gorduras trans prejudiciais, fortemente relacionadas a doenças cardiovasculares. Mas as margarinas atuais “contêm teor de gorduras trans próximo de zero”, segundo Forouhi. “Por isso, de fato, ela pode fazer parte de uma alimentação saudável e reduzir o colesterol ruim.” A manteiga também não deve ser totalmente eliminada do cardápio. “Se você adora manteiga na sua torrada, por exemplo, certamente pode comê-la”, orienta Forouhi. Você pode usar manteiga e margarina para cozinhar, mas a professora recomenda substituí-las, às vezes, por óleo, que contém menos gordura saturada. As orientações de saúde britânicas aconselham a manter a ingestão de gordura saturada abaixo de 10% das calorias. E é mais fácil atingir este nível usando óleo para cozinhar, em vez de manteiga. 3. Não use azeite de oliva para fritura de imersão Diferentes tipos de óleo apresentam comportamento diferente quando aquecidos, o que faz com que alguns deles sejam inadequados para uso em frituras. O azeite de oliva extravirgem, por exemplo, contém antioxidantes e compostos benéficos, mas seu baixo ponto de fumaça faz com que ele seja mais adequado para uso em saladas ou para regar pratos prontos, não para fritura de imersão. O ponto de fumaça é a temperatura em que as gorduras do óleo começam a se decompor, liberando compostos indesejáveis que podem fazer com que o sabor do óleo fique amargo, queimado ou desagradável. O dono de restaurante Tim Hayward conta que usa azeite de oliva comum para frituras rasas. Mas, para fritura de imersão, como batatas fritas ou peixe empanado, é melhor usar óleo de canola ou girassol, que suportam altas temperaturas sem se decomporem. Estudos também demonstraram que os óleos aquecidos acima do seu ponto de fumaça liberam subprodutos químicos tóxicos. Mas Forouhi afirma que este tipo de cozimento não é muito comum em casa e que estudos de saúde a longo prazo ainda demonstram que os óleos vegetais “sem exceção estão relacionados a melhores resultados para doenças crônicas”. Quais óleos devo usar? Se você estiver procurando uma estratégia simples de cozinha, aqui estão algumas indicações: De forma geral, Nita Forouhi afirma que é melhor observar a dieta como um todo, sem se obcecar com qual óleo deve ser usado. “Eu recomendaria considerar o sabor e o custo, experimentando diferentes tipos de óleo que tragam benefícios à saúde”, conclui a professora. Ouça neste link o episódio do programa Sliced Bread (em inglês), da BBC Rádio 4, que deu origem a esta reportagem.
Acordar bem mesmo dormindo pouco: mito ou realidade científica?

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 01/10/2025 Embora alguns digam acordar dispostos com poucas horas de sono, estudos indicam que a privação crônica traz prejuízos silenciosos ao corpo e à mente. Você provavelmente já ouviu alguém afirmar que “funciona bem” dormindo apenas cinco horas por noite, por exemplo. Em um mundo acelerado, em que a luz elétrica, televisão e celulares estendem artificialmente o dia, o sono acaba ficando em segundo plano. Mas será que é realmente possível viver bem dormindo pouco? A resposta, segundo a ciência, é mais complexa do que parece. Para Geraldo Lorenzi Filho, especialista em medicina do sono e diretor do laboratório do sono do InCor, a quantidade necessária de descanso varia de pessoa para pessoa e ao longo da vida. “Um bebê dorme 16 a 18 horas por dia. Uma criança, muitas horas também. O adolescente ainda precisa dormir bastante, mas o adulto tende a dormir menos”, explica. A média, no entanto, recomenda que adultos precisam de uma noite de sono que dure entre sete e oito horas. “Dormir menos de seis horas está associado a diversos problemas de saúde”, alerta o médico. Dormidores curtos, uma exceção e não regra Existem casos raros de pessoas que realmente parecem se dar bem com pouco sono. “De fato, existem os dormidores curtos, que são uma faixa muito pequena da população. Muitas vezes, com cinco horas de sono, eles ficam bem”, diz Lorenzi. Por outro lado, há quem precise de mais de oito horas para se sentir descansado. O grande equívoco está em achar que todos podem se encaixar nessa primeira categoria. “É difícil encontrar alguém que esteja realmente muito bem dormindo pouco. Muitas vezes, a pessoa acha que está descansada, mas já está vivendo com um déficit de sono”, pontua o especialista. A sociedade restrita de sono Segundo Lorenzi, o problema não é apenas individual, mas coletivo. “Nós somos uma sociedade restrita de sono desde a invenção da luz elétrica, e agora com os celulares, que te conectam ao mundo digital, isso se intensificou. Esses são os grandes ladrões de sono”, afirma. Ele explica que pequenas perdas acumuladas fazem diferença. “Se a pessoa tira 15 ou 20 minutos de sono todos os dias, ao longo do tempo ela vai acumulando déficit. Ela não percebe direito que está cansada, fica mal-humorada e acredita que está bem, mas na realidade não está.” Uma forma de identificar isso é observar se, nos fins de semana, dorme-se muito mais do que nos dias úteis. “Esse é um indicativo de que você está restrito de sono, ou seja, dormindo menos do que deveria”, esclarece. Distúrbios que atrapalham o descanso Além da rotina, distúrbios podem prejudicar o sono. “Às vezes, o adulto quer dormir, mas não consegue. Pode ser que ele tenha algum problema intrínseco do sono. A apneia, por exemplo, é muito comum. A pessoa vai dormir, fica acordando porque respira mal, acumula déficit de sono e fica cansada ao longo dos dias”, explica o médico. Esse ciclo costuma ser agravado pelo uso de estimulantes. “A pessoa começa a tomar cafeína para compensar o cansaço, mas isso piora a qualidade do sono e vira um círculo vicioso.” Por que o sono é insubstituível Para além da sensação de repouso, o sono cumpre funções vitais. “Dormir é essencial para o clareamento de radicais livres e substâncias tóxicas do cérebro, para a fixação da memória e para o bom equilíbrio psicológico. Não é luxo, é uma necessidade fisiológica”, reforça Lorenzi. Mesmo aqueles que se dizem adaptados a dormir pouco podem estar em risco. O médico cita um estudo realizado no InCor: “Pessoas que dormiram durante cinco noites menos de cinco horas, mesmo dizendo que estavam bem, apresentaram alterações da atividade simpática e do endotélio vascular. Isso mostra que o organismo estava sob estresse, mesmo que a pessoa não tivesse consciência disso.” A mensagem do especialista é clara: dormir pouco, em média, não é saudável. “Dormir pouco acaba sendo um estresse psicológico e físico para as pessoas. O corpo paga a conta, mesmo quando a gente acha que está bem”, resume Lorenzi. Sentir-se disposto após poucas horas de sono pode até acontecer em situações pontuais, transformar isso em hábito é arriscado. A ciência confirma: o sono é tão importante quanto alimentação equilibrada e atividade física, e não deve ser negligenciado.
Gelo na nuca ajuda a diminuir ansiedade? Entenda se truque funciona mesmo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/09/2025 O uso de estratégias caseiras deve ser avaliado com cautela e não pode substituir acompanhamento clínico. A avaliação por um médico especialista é insubstituível e sempre deve ser priorizada. Nos últimos meses, vídeos nas redes sociais popularizaram uma técnica simples contra a ansiedade: encostar um cubo de gelo na nuca. A promessa é que o frio ajude a interromper os sintomas de crise, como palpitação e falta de ar, trazendo calma quase imediata. Embora muitos relatem alívio, especialistas afirmam que os efeitos podem variar. O gelo pode, em alguns casos, ajudar na regulação do corpo, mas não deve ser visto como tratamento para transtornos de ansiedade. Profissionais reforçam que apenas acompanhamento médico e psicoterápico garantem diagnóstico correto e segurança. O truque ganhou destaque pela facilidade de aplicação. No entanto, médicos e psicólogos lembram que ansiedade não é um quadro único: envolve diferentes níveis, sintomas e origens. Por isso, o uso de estratégias caseiras deve ser avaliado com cautela e não pode substituir acompanhamento clínico. O que acontece no corpo Segundo o psiquiatra Leonardo Fernandez Meyer, mestre e Doutor em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), a ansiedade é uma resposta do organismo a situações de estresse. Quando se torna patológica, causa sofrimento e compromete a vida diária. “O contato com superfícies geladas pode trazer alívio temporário da crise por diminuir alterações do organismo secundárias aos sintomas ansiosos, como aceleração dos batimentos cardíacos, suor excessivo e respiração acelerada”, explica. Essas alterações estão ligadas à ativação do sistema simpático, responsável pela liberação de adrenalina. O frio ajuda a ativar o sistema parassimpático, que reduz essas reações fisiológicas e promove equilíbrio. Técnicas complementares, como respiração lenta e profunda e alongamento muscular, também podem ajudar. Para quem enfrenta crises, a recomendação prática é buscar um local tranquilo, sentar, controlar a respiração e, se possível, usar água fria ou gelo no rosto. Meyer reforça ainda que são medidas de alívio imediato, mas não substituem avaliação médica. O papel do nervo vago O psicólogo e psicanalista Francisco Nogueira, membro efetivo do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, explica que a teoria mais citada sobre o gelo na nuca envolve o nervo vago, responsável por funções como digestão, frequência cardíaca e respiratória. Estimular esse nervo poderia ajudar a regular sintomas ligados à ansiedade. Apesar disso, o especialista ressalta que não há comprovação científica suficiente. “Algumas pessoas podem se acalmar com o gelo, mas não sabemos se é pela estimulação do nervo ou pelo contexto de cuidado. O gesto de alguém oferecer o gelo e acolher já pode trazer sensação de segurança”, afirma. Quando procurar ajuda médica Os especialistas reforçam que crises de ansiedade podem se confundir com problemas cardíacos ou respiratórios. Por isso, apenas exames clínicos e avaliação médica podem descartar doenças mais graves. Entre os sinais de alerta estão crises frequentes, sensação de paralisia, medo intenso e prejuízos no trabalho ou na vida pessoal. “A busca por estratégias paliativas pode mascarar uma condição clínica grave e retardar o tratamento adequado”, destaca Meyer. Nogueira acrescenta que, em muitos casos, pacientes chegam à psicoterapia após passarem por diferentes especialistas e exames clínicos. Quando não há diagnóstico físico, os sintomas podem estar ligados a fatores psíquicos. Nesse contexto, a ansiedade deve ser encarada como parte da experiência humana, que só exige tratamento quando limita a vida cotidiana. Ele reforça que sentimentos como medo ou ansiedade têm função adaptativa e podem preparar o corpo para enfrentar desafios. O tratamento deve ser procurado quando esses sintomas deixam de cumprir esse papel e passam a impedir a pessoa de viver bem.
O que significa quando a orelha esquenta?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 16/09/2025 Além da superstição, a orelha quente pode indicar desde situações simples do dia a dia até sinais que exigem a avaliação de um médico. O ditado popular afirma que, quando a orelha esquenta, alguém está falando de você, mas a medicina tem explicações para essa sensação. A verdade é que o aquecimento da orelha pode ser um sintoma de diversas condições, das mais comuns às mais preocupantes. Felipe de Garcia Mauro, otorrinolaringologista, esclarece que a sensação pode ser tanto físicas quanto emocionais, explicando a origem dessa famosa percepção. O que pode causar o sintoma? Segundo Mauro, a sensação de orelha quente pode ser atribuída a traumas repetitivos ou prolongados, como dormir sobre a mesma orelha por um longo período. Além disso, a lista de possíveis causas é longa, incluindo inflamações, infecções locais e infecções relacionadas a brincos ou piercings. O médico também menciona a condrite, uma inflamação na cartilagem da orelha. Em casos mais graves, a orelha quente pode ser um sintoma de doenças sistêmicas, como a pericondrite ou policondrite recidivante, que afetam diversas cartilagens do corpo e podem levar a deformidades. Quando o aquecimento é motivo de preocupação: Mauro alerta que a orelha quente deve ser motivo de preocupação médica quando o paciente apresenta dor intensa, suspeita de infecção (como otite), ou traumas locais extensos. Outros sinais de alerta são: febre, mal-estar geral e a percepção de lesões ou machucados na pele da orelha. Nesses casos, a recomendação é procurar ajuda profissional imediatamente. O médico também faz um alerta importante: “É bastante comum encontrarmos traumatismos de repetição, principalmente os pacientes que coçam bastante o ouvido por dentro ou tem o hábito de introduzir cotonete ou algum outro dispositivo” como tampas de caneta ou outros objetos. Essa automutilação pode levar a inflamações e infecções locais, causando a sensação de desconforto. A orelha e a saúde mental O especialista ressalta a relação entre a orelha quente e a saúde mental. “Pacientes com transtornos relacionados à saúde mental, que são portadores de ansiedade ou depressão, eles podem ser candidatos a, entre aspas, cutucar o ouvido de forma exagerada”, afirma Mauro. Nesses casos, o tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo não apenas o otorrinolaringologista para tratar a infecção ou o trauma, mas também outros profissionais para um acompanhamento a longo prazo. O objetivo é ajudar o paciente a “não se automutilar novamente”, focando não apenas no sintoma físico, mas em sua causa emocional.

