Hipertensão: por que a pressão ’12 por 8′ passou a ser considerada alta por médicos

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/09/2025 A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, publicada em setembro, apertou as metas sobre a pressão considerada ideal, ou saudável. A partir de agora, o tradicional 12 por 8 — antes considerado um valor normal, ou “limítrofe” — já passa a ser considerado um quadro que merece atenção de profissionais da saúde. O novo documento segue a mesma linha de outros consensos publicados recentemente, como é o caso de uma nova abordagem de tratamento adotada por médicos europeus a partir de 2024. A nova diretriz assinada por diversos especialistas da área simplifica alguns conceitos e recomenda um tratamento mais intenso logo nos primeiros estágios da doença. Em resumo, as metas de pressão ficaram assim: Vale destacar que esses números levam em conta a medida da pressão feita no consultório, por um especialista, em pelo menos duas ocasiões. O número mais alto corresponde à pressão do sangue nas artérias quando o coração bate, conhecida como pressão arterial sistólica. E o número mais baixo é a pressão entre as batidas, conhecida como pressão arterial diastólica. Com isso, uma pressão normal passa a ser aquela que fica abaixo de 119 por 79 mmHg, num número que fica mais ou menos no popular 11 por 7. Segundo a diretriz, o objetivo é intensificar o tratamento em estágios iniciais, para que a pressão arterial fique dentro da meta especialmente entre pessoas com risco aumentado de doenças cardiovasculares. Como você vai entender ao longo da reportagem, as novas classificações também alteram os esquemas de tratamento medicamentoso e os cuidados de estilo de vida. Um problema monumental O descontrole da pressão arterial é o principal fator de risco por trás de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “As doenças cardiovasculares são as que mais matam no Brasil e no mundo. No nosso país, por exemplo, uma pessoa morre a cada 90 segundos por causa de algum problema no coração ou nos vasos sanguíneos”, estimou o médico Fábio Argenta, membro do Conselho de Ética Profissional e do Comitê de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em entrevista à BBC News Brasil em outubro de 2024. “A hipertensão é o principal fator de risco não apenas para infarto e AVC, mas também está relacionada com insuficiência cardíaca, insuficiência renal, cegueira e até demência”, pontuou o especialista. E é curioso pensar como algo tão relevante — e tão frequente — não chama a atenção e não é visto como uma grande ameaça pela maioria das pessoas. O médico Carlos Alberto Machado, assessor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), calcula que quase 1,2 bilhão de pessoas sofrem com a hipertensão no planeta. “O grande problema é que mais da metade nem sabe que é hipertensa. Entre aquelas que sabem, só metade faz o tratamento. E entre quem faz tratamento, apenas metade tem a pressão controlada”, resumiu o cardiologista. Para o especialista, as mudanças nas diretrizes europeias anunciadas em 2024 ajudaram a chamar atenção para o aumento da pressão arterial, mesmo que ela ainda não tenha alcançado os índices compatíveis com um quadro de hipertensão. “Eles reforçam que esse risco cardiovascular já começa com uma pressão relativamente baixa”, disse ele. “Precisamos levantar a bandeira de que o adequado não é mais o 12 por 8”, complementou Argenta. A estratificação de risco da pressão alta Mas o que todas essas mudanças de critérios significam na prática? Para aqueles que estão com a pressão arterial dentro dos valores adequados (abaixo de 12 por 7, em média), vida normal: não é preciso fazer nada em específico. Para os hipertensos, não há dúvidas de que é necessário começar um tratamento medicamentoso, além de incentivar uma série de mudanças no estilo de vida — sobre as quais falaremos adiante — para diminuir o risco de vários problemas de saúde. Já para os que estão com a pressão acima de 130 por 80 mmHg (13 por 8) — a recomendação da nova diretriz é passar pela chamada “estratificação de risco”. Em resumo, o médico vai avaliar uma série de indicadores de saúde para estimar a probabilidade de o indivíduo sofrer algum desfecho cardiovascular mais grave (como infarto ou AVC). Na hora de fazer essa conta, os especialistas consideram questões como o diagnóstico de outras doenças cardíacas ou a presença de outras enfermidades crônicas, como diabetes tipo 2, colesterol elevado, obesidade… Se o risco de o paciente sofrer algum desfecho cardiovascular nos próximos anos for mais baixo, a recomendação é promover uma série de mudanças de estilo de vida e reavaliar a pressão arterial em um ano. Agora, se esse risco for mais elevado, o documento indica fazer as mudanças de estilo de vida e, após três meses, iniciar o tratamento medicamentoso para os indivíduos cuja pressão seguir acima de 130 por 80 mmHg. Já para o grupo em que risco é médio e merece uma série de ponderações, o médico deve considerar fatores relacionados à etnia, sexo, deprivação socioeconômica, doenças autoimunes, entre outros, para definir o melhor caminho — pode ser necessário, por exemplo, testar as mudanças de estilo de vida por um ano ou fazer uma reavaliação após três meses para checar a necessidade de entrar com os remédios. Hipertensão e mudanças no estilo de vida Manter-se no peso (ou emagrecer), adotar uma dieta variada e equilibrada, ter uma rotina regular de atividade física, não fumar, evitar bebidas alcoólicas e reduzir o consumo de sal são as recomendações clássicas para baixar a pressão. Mas as diretrizes europeia e brasileira trouxeram duas novidades relevantes nessa seara. Primeiro, aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio — que, ao contrário do sódio encontrado no sal de cozinha, abaixa a pressão. Em segundo lugar, investir em treinamentos isométricos e de resistência, como os exercícios feitos na academia. O consenso brasileiro também chama a atenção para a importância das “práticas de espiritualidade e controle de estresse”. Os médicos ouvidos pela BBC News Brasil entendem que as novas recomendações de estilo de vida são bem-vindas, mas devem ser adotadas com alguns cuidados e

5 dicas para lidar com o estresse

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 20/09/2025 Quando as férias acabam e tudo o que fica parece ser uma lembrança distante, a rotina volta a todo vapor. Essa energia de voltar à ativa pode deixar um sentimento de esgotamento em muitas pessoas. O estresse, em pequenas doses, pode nos ajudar a manter a energia, mas, se não for controlado, pode prejudicar nossa saúde, humor e relacionamentos. O cortisol, frequentemente rotulado como o hormônio do estresse, virou um termo da moda no bem-estar, mas ele não é o inimigo — é o que nos ajuda a acordar, ficar alerta e lidar com os desafios. Aqui estão cinco maneiras simples e comprovadas pela ciência de gerenciar o estresse e retomar o controle. 1. Pare de se estressar com isso Ironicamente, ficar preocupado com os efeitos do estresse pode fazer com que ele piore. Quanto mais falamos sobre os danos que o estresse causa, começamos a pensar “agora estou estressado e sei que está me fazendo muito mal”. Então tente não se preocupar muito com como você está se sentindo. O estresse é parte normal da vida e é inevitável, especialmente durante grandes desafios como o luto, cuidar de entes queridos e crianças pequenas, ou lidar com as incertezas do trabalho. Em vez de entrar em pânico por estar estressado, aceite que isso acontece e se lembre de que isso não vai durar para sempre. 2. Mexa-se A melhor maneira de controlar o estresse fisicamente é se exercitar. O exercício físico faz o mesmo que o estresse com o seu corpo: aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial, acelera a respiração e libera adrenalina e cortisol. Ao se exercitar, seu corpo aprende a controlar os picos de cortisol e a lidar com essas oscilações, para que você esteja mais bem equipado para lidar com os maiores estresses da vida. Se você está ficando estressado pensando em qual exercício vai fazer ou em qual academia se inscrever, se lembre de que qualquer forma de exercício é válida. Não precisa ser nada muito demorado ou estressante – uma simples caminhada, corrida leve ou qualquer atividade que você goste resolverá o problema. 3. Priorize o sono Tente ir para a cama mais cedo e acordar mais ou menos no mesmo horário pela manhã para que seu corpo entre na rotina. Se você se vira na cama à noite e não consegue dormir, não se preocupe. Seu corpo pode funcionar com menos sono ocasionalmente e, com o tempo, seus ritmos naturais se recalibrarão. 4. Foque em você Gerenciar o estresse não se trata apenas de evitar os aspectos negativos, mas também de se fortalecer ativamente. Certifique-se de se alimentar bem, com muitas frutas, vegetais, alimentos integrais e proteínas de boa qualidade para abastecer seu corpo. Tente também reservar um tempo de qualidade sozinho, onde você possa relaxar e recarregar as energias. Atenção plena também pode ajudar – não se trata de usar um aplicativo de meditação ou ficar sentado em silêncio, mas de ser intencional na maneira como você encara sua vida. Reserve alguns minutos para pensar no dia ou na semana que tem pela frente, no que pode ser desafiador e em como você pode controlar seu ritmo. Tente, por exemplo, se planejar com antecedência, preparar as refeições em grandes quantidades, pois isso pode aliviar um pouco o estresse à noite, depois do trabalho. 5. Converse sobre o que está acontecendo Preocupações como dinheiro, emprego e família podem se agravar rapidamente quando mantidas reprimidas. Compartilhar suas preocupações com alguém em quem você confia alivia a carga e lhe dá perspectiva, mesmo que essa pessoa não consiga resolver seu problema. Às vezes, apenas dizer em voz alta já faz com que o problema pareça mais administrável. Descubra mais dicas sobre como lidar com o estresse no Morning Live (em inglês). Reportagem de Yasmin Rufo.

As 7 condições de saúde que mostram por que levar celular ao banheiro não é uma boa ideia

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/09/2025 Ficar sentado no vaso sanitário com o celular quando “a natureza chama” pode parecer um hábito inofensivo. Mas pesquisas indicam que prolongar o tempo no toalete pode aumentar o risco de contrair diversos problemas de saúde. Relacionamos abaixo os principais deles. 1. Hemorroidas Um estudo recente concluiu que o uso de smartphones na hora de fazer o número 2 está relacionado a um aumento de 46% do risco de desenvolver hemorroidas. Uma visita saudável ao banheiro deve durar apenas dois a três minutos, mas o estudo demonstrou que 37% dos participantes que usavam o telefone no vaso sanitário podem passar ali mais de cinco minutos. As hemorroidas são vasos sanguíneos aumentados que surgem na abertura anal ou em volta dela. Elas ocorrem devido ao aumento da pressão nos coxins anais, uma parte do tecido esponjoso em volta do ânus. Esses coxins permitem a expansão do ânus ao expelir as fezes. Ficar sentado por muito tempo no vaso sanitário causa aumento da pressão sobre os coxins, o que leva às hemorroidas, da mesma forma que quando forçamos os movimentos intestinais. Estima-se que 50% a 85% das pessoas em todo o mundo sofram de hemorroidas. Seus sintomas incluem sangramentos dolorosos, irritação, coceira e desconforto. Mas elas nem sempre apresentam sintomas. Algumas pessoas têm hemorroidas sem saber. As hemorroidas também podem gerar complicações como anemia, devido ao sangramento prolongado, e estrangulamento ou coagulação no interior da hemorroida. Ambos podem causar fortes dores. 2. Fissuras ou rasgos anais Ficar sentado por muito tempo no banheiro pode causar rasgos ou fissuras anais. Trata-se de pequenos cortes da mucosa anal. As fissuras anais são frequentemente acompanhadas por dores consideráveis, que podem ser comparadas com a passagem de vidro quebrado durante o movimento intestinal, acompanhadas por sangue vermelho brilhante. A mucosa anal é fina e ficar sentado no vaso sanitário por tempo demais causa acúmulo de sangue, o que estica a mucosa e a deixa mais propensa a lesões durante a passagem das fezes. 3. Prolapso As fezes podem não ser a única coisa que sai do corpo depois que nos sentamos no vaso sanitário. Prolongar o tempo no banheiro pode aumentar o risco de que o reto saia do corpo. Esta condição é conhecida como prolapso retal. Um caso incomum ocorreu em um homem que costumava passar até 30 minutos no vaso sanitário, jogando no smartphone. Um dia, ele encontrou cerca de 14 cm do seu reto se protuberando para fora do corpo, enquanto tentava um movimento intestinal. Ficar sentado por tempo prolongado no vaso sanitário aumenta a pressão no abdômen, o que também causa maior pressão sobre os músculos do assoalho pélvico. Estes músculos ajudam a manter dentro do corpo os nossos órgãos internos, incluindo o reto. Mas a pressão prolongada pode enfraquecer esses músculos. Nas mulheres, esta ocorrência também pode causar o prolapso de outros órgãos pélvicos, como o útero. O prolapso retal, muitas vezes, é doloroso. Você precisará ir ao hospital para que o órgão possa ser reinserido. Se houver recorrência ou em casos particularmente extremos, será necessário cirurgia. 4. Úlceras e feridas de pressão Ficar sentado no vaso sanitário por tempo prolongado pode aumentar o risco de ocorrência de úlceras de pressão na pele em contato com o assento do vaso, particularmente entre os idosos. As úlceras de pressão causam dores. Passar muito tempo sentado comprime os tecidos, reduzindo a corrente sanguínea. Isso resulta no acúmulo de substâncias tóxicas no sangue, o que prejudica os tecidos e causa seu rompimento. 5. Hérnia de hiato Ficar sentado por muito tempo no banheiro com dificuldade para defecar pode contribuir para o desenvolvimento de hérnia de hiato, principalmente em caso de susceptibilidade, como pessoas obesas ou com mais de 50 anos de idade. A hérnia de hiato surge quando parte do estômago e outros órgãos abdominais deslizam através da abertura no diafragma (um músculo em forma de cúpula que nos ajuda a respirar) e acabam na caixa torácica. As hérnias de hiato são comuns e afetam 20% das pessoas. Elas costumam resultar em indigestão, dores estomacais e desconforto em volta das costelas e do peito. É possível tratá-las com medicamentos, para reduzir a quantidade de ácido produzida pelo estômago. Em casos mais graves, elas exigem cirurgia. 6. Neuropatia do assento sanitário Ficar sentado por muito tempo no vaso sanitário comprime os principais nervos e vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo de sangue para as pernas. Isso pode fazer com que suas pernas fiquem dormentes. Este fenômeno é conhecido como neuropatia do vaso ou do assento sanitário. Normalmente, ela passa em poucos minutos. Mas houve estudos de caso em que os pacientes desmaiaram sobre o vaso sanitário após uma noite de bebida e acabaram passando a noite ali. Eles ficaram totalmente dormentes e não conseguiam se mover. Em um caso extremo, um homem desenvolveu gangrena, sepse e, infelizmente, morreu depois de adormecer no vaso sanitário. 7. Desmaio O tempo prolongado no vaso sanitário, aliado à força para defecar, também pode acabar em desmaio. Esta condição é conhecida como síncope vasovagal. Ela ocorre quando fazer força por muito tempo no banheiro irrita os nervos vagos. Estes nervos controlam muitas funções automáticas do corpo, incluindo os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea. No caso de síncope por defecação, a pressão sanguínea pode cair subitamente quando nos levantamos do vaso. Os batimentos cardíacos também diminuem, causando vertigens, tontura e desmaio. A forma saudável de fazer cocô Para reduzir o risco de sofrer alguma destas condições, passe o mínimo de tempo possível sentado no banheiro. Você também poderá mudar de posição ao usar o vaso. Evidências indicam que a melhor posição para defecar é agachado, o que reduz a tensão e a força necessária. Mas outros estudos demonstraram que esta posição pode aumentar o risco de outros problemas de saúde, como AVC e lesões do tendão de Aquiles. Outros conselhos incluem comer mais fibras e beber água, se você passar regularmente mais de cinco minutos para resolver a questão. Estas medidas podem ajudar você a fazer cocô de forma mais saudável e evitar que você faça força durante seus movimentos intestinais. * Adam Taylor é professor de Anatomia da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

Estudo mostra como exercícios físicos podem proteger o corpo mesmo sem o uso de medicamento

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 17/09/2025 Pesquisa apresentada em congresso mostra que exercícios físicos são eficazes para reduzir o risco de complicações cardiovasculares em pessoas com obesidade, mas sem diabetes, independentemente do uso de remédios para emagrecer. Manter a perda de peso com exercícios regulares pode ser mais eficaz para a saúde cardiovascular do que o uso de medicamentos para emagrecer que simulam a ação do hormônio GLP-1. A conclusão é de um estudo com adultos obesos, mas sem diabetes, apresentado por pesquisadores da Universidade de Copenhague na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Viena, na Áustria. Os autores compararam a prática regular de exercícios com a ação da liraglutida, medicamento para tratar diabetes tipo 2 e obesidade. Diversos estudos demonstraram que a substância também reduz o desenvolvimento de aterosclerose em adultos acima do peso saudável — uma das principais causas subjacentes de doenças cardiovasculares.  Na pesquisa, os cientistas da universidade dinamarquesa constataram que esse efeito protetor foi mais evidente entre pessoas que aderiram a um programa de atividades físicas. “Nossas descobertas revelam que a prática regular de exercícios é crucial para ajudar pessoas que vivem com obesidade a obter todos os benefícios cardiovasculares após uma perda de peso substancial”, disse o autor principal, Rasmus Sandsdal, da Universidade de Copenhague.  Rompimento A doença cardiovascular é a principal causa de morte no mundo e frequentemente se origina da aterosclerose, uma condição crônica na qual a inflamação e os depósitos de gordura causam o endurecimento e o estreitamento das artérias. Com o tempo, as placas podem se romper, causando complicações graves, como ataques cardíacos e derrames.  A obesidade causa inflamação crônica de baixo grau, que pode levar à disfunção endotelial, uma condição na qual os vasos sanguíneos tornam-se incapazes de se contrair e relaxar adequadamente e ao desenvolvimento do problema.  Tanto o exercício físico quanto os medicamentos do tipo GLP-1RAs demonstraram reduzir o risco de eventos cardiovasculares associados à obesidade, como insuficiência cardíaca e ataques cardíacos. Porém, pouco se sabe sobre seu impacto no desenvolvimento de aterosclerose durante a manutenção da perda de peso. Para explorar isso mais a fundo, os pesquisadores dinamarqueses conduziram um ensaio clínico controlado por placebo com 215 adultos entre 18 e 65 anos, vivendo com obesidade (índice de massa corporal acima de 32 kg/m²) que não tinham diabetes ou outra doença crônica grave no início do ensaio. Inicialmente, os participantes tiveram de aderir a uma dieta hipocalórica de 800 kcal por dia, ao longo de oito semanas.  Divisão Os 195 voluntários que haviam perdido pelo menos 5% do peso corporal (redução média de 12%, ou 13,1 kg) foram aleatoriamente divididos para, ao longo de um ano, aderirem a uma estratégia de manutenção do peso. As opções eram: exercício de intensidade moderada a vigorosa, 150 minutos por semana combinado a um placebo; tratamento com liraglutida (3mg dia); combinação de exercício (150 minutos por semana e liraglutida), ou apenas placebo. Os níveis sanguíneos dos biomarcadores inflamatórios interleucina-6 e de outros associados à função cardiovascular foram medidos no início da dieta hipocalórica, no começo da fase de manutenção do peso e após um ano. Os participantes também realizaram uma ultrassonografia da artéria carótida. Passado um ano, tanto os participantes que se exercitaram quanto aqueles em tratamento com liraglutida mantiveram o peso. No entanto, o estudo constatou que aqueles que seguiram um programa de atividades físicas — com ou sem a liraglutida — tinham níveis mais baixos de biomarcadores inflamatórios, comparado aos sedentários.  Endotélio Além disso, o exercício teve um impacto favorável nos biomarcadores da função endotelial, em comparação com os participantes que não fizeram atividade física e reduziu a espessura da artéria carótida. Esses efeitos não foram observados entre os voluntários tratados com liraglutida.  “O exercício regular parece conferir um efeito protetor contra o desenvolvimento de aterosclerose em pessoas que tentam manter a perda de peso”, comenta Sandsdal. “Como tanto o exercício quanto o tratamento com GLP-1RA foram bem-sucedidos na manutenção do peso perdido, parece que o primeiro desempenha um papel importante na mitigação dos fatores de risco cardiovascular de forma independente do peso”, complementa.  O exercício beneficia a saúde de inúmeras maneiras, incluindo a melhoria da composição corporal e o aumento da aptidão cardiorrespiratória. Esses ganhos contribuem coletivamente para a melhoria da saúde cardiometabólica. “A mensagem mais importante de nossas descobertas é que, para aqueles que tentam manter a perda de peso, o exercício é crucial para melhorar a saúde a longo prazo”, disse a autora correspondente, Signe Sorensen Torekov, da Universidade de Copenhague. “Dados os custos sociais e econômicos substanciais das doenças cardiovasculares relacionadas à obesidade, essas descobertas destacam o exercício regular como um componente crítico do controle de peso e da saúde cardíaca.” Os pesquisadores observam que pesquisas futuras devem investigar os efeitos combinados da adesão aos exercícios e dos novos GLP-1RAs para períodos de tratamento superiores a um ano. “Canetinhas” alteram o paladar Um em cada cinco usuários de medicamentos GLP-1, as “canetas emagrecedoras”, perceberam a doçura com mais intensidade e um número semelhante se mostrou mais sensível ao sal, segundo uma pesquisa apresentada ontem na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Viena, Áustria. Segundo o estudo, as mudanças foram associadas à redução do apetite. “Terapias à base de incretina, como ozempic, wegovy e mounjaro, são amplamente utilizadas para o controle do peso, mas seu efeito na percepção do paladar ainda não está claro”, afirmou Othmar Moser, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, que liderou a pesquisa. “Se as mudanças no paladar estiverem associadas a um maior controle do apetite e à perda de peso, isso poderá ajudar os médicos a selecionar melhor as terapias, fornecer aconselhamento dietético mais personalizado e melhorar os resultados do tratamento a longo prazo para os pacientes.” Moser e colegas da Universidade Médica de Viena entrevistaram centenas de indivíduos com sobrepeso e obesidade que tomavam ozempic, wegovy ou mounjaro para perda de peso, sobre seu paladar e apetite. A duração mediana do tratamento foi semelhante para os três grupos: entre

Dieta mediterrânea: entenda quais os benefícios para a saúde

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/09/2025 Com azeite, peixes, frutas e vegetais, a dieta mediterrânea protege o coração, previne doenças e melhora a qualidade de vida. Quando o assunto é alimentação saudável, a dieta mediterrânea é uma das mais citadas pelos especialistas. Originada em países como Itália, Grécia e Espanha, ela reflete o modo de comer dessas populações ao longo de séculos: refeições simples, equilibradas e baseadas em alimentos frescos e sazonais. De acordo com a nutricionista Débora Palos, da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, essa é justamente a chave do sucesso. “A dieta mediterrânea não é sobre restrição, mas sobre equilíbrio e qualidade”, afirma a especialista. O que colocar no prato na dieta mediterrânea A nutricionista explica que o cardápio mediterrâneo tem alguns pilares bem definidos. Ela afirma que o diferencial está justamente na simplicidade. “A essência da dieta mediterrânea está em comer com prazer e calma, preferencialmente em companhia. Ela valoriza o convívio à mesa, o respeito à cultura alimentar, a prática de atividade física e o equilíbrio do descanso, porque tão importante quanto o que se come é a forma e o ambiente em que se come”, destaca Débora. A nutricionista ainda pontua quais alimentos devem ser consumidos e quais devem ser evitados. Benefícios da dieta mediterrânea As vantagens desse padrão alimentar vão muito além da teoria. “Temos grandes estudos científicos que comprovam os benefícios da dieta mediterrânea”, aponta Débora. Ela cita um estudo realizado na Espanha, que acompanhou mais de 7.400 pessoas em risco cardiovascular: “Esse estudo mostrou que a dieta mediterrânea reduziu em cerca de 30% o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular em comparação a uma dieta de baixa gordura”, afirma a especialista. Outro marco para a nutricionista foi um estudo feito na França. “Pacientes que já haviam sofrido um infarto e passaram a seguir a dieta mediterrânea tiveram até 70% menos chance de novos eventos cardíacos. Foi uma das primeiras grandes provas do poder cardioprotetor dessa alimentação”, diz Débora. A especialista ainda explica que a dieta pode prevenir doenças no coração. “O azeite de oliva, as oleaginosas e os peixes são ricos em gorduras boas, que reduzem o colesterol ruim e aumentam o bom. Além disso, compostos antioxidantes, como os polifenóis, ajudam a reduzir a inflamação e o estresse oxidativo, que são gatilhos para problemas cardiovasculares”, explica. Ela também destaca os efeitos sobre a pressão arterial e glicemia. “É um padrão alimentar rico em potássio, magnésio e fibras, nutrientes que ajudam no controle da pressão. E como tem baixo consumo de açúcares simples e ultraprocessados, melhora a sensibilidade à insulina e reduz o risco de diabetes tipo 2.” Como começar na prática Para quem deseja adotar o padrão mediterrâneo, Débora recomenda mudanças simples e progressivas no dia a dia: A dieta mediterrânea se destaca porque é equilibrada, saborosa e sustentável. “Não é uma dieta da moda. É um padrão alimentar que a ciência comprova como protetor do coração, da mente e da saúde como um todo”, resume Débora Palos. Segundo a nutricionista, o segredo está em olhar para a alimentação como parte de um todo.

Setembro Amarelo: Falar Salva Vidas. Um Guia sobre Prevenção ao Suicídio e Saúde Mental

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O mês de Setembro é mundialmente dedicado à prevenção do suicídio, uma causa de saúde pública urgente e que demanda a atenção de todos nós. A campanha Setembro Amarelo busca quebrar o silêncio, desmistificar o tema e, principalmente, divulgar que a ajuda está disponível e que a vida é sempre a melhor escolha. A AAPBB, comprometida com o bem-estar integral de seus associados, abraça esta campanha com o máximo de seriedade e apoio. Quebrando o Tabu: Por que Falar sobre o Assunto é Vital? Por muito tempo, o suicídio foi um tema cercado de tabus e desinformação. Hoje, sabemos que falar sobre o assunto de forma responsável é uma das ferramentas mais poderosas de prevenção. A conversa aberta e empática pode:– Reduzir o estigma associado aos transtornos mentais e ao ato de buscar ajuda.– Oferecer alívio para quem está em sofrimento, mostrando que não está sozinho.– Conectar pessoas a redes de apoio e a tratamentos profissionais. Atenção aos Sinais: Como Oferecer Ajuda? É importante estarmos atentos às pessoas ao nosso redor. Mudanças drásticas de comportamento, isolamento social, frases de desesperança ou despedida podem ser sinais de alerta. Se você está preocupado com alguém, a melhor atitude é se aproximar com empatia:– Ouça sem Julgamentos: Ofereça um espaço seguro para que a pessoa possa falar sobre seus sentimentos.– Demonstre seu Apoio: Deixe claro que você se importa e que está ali para ajudar.– Incentive a Busca por Ajuda Profissional: Ajude a pessoa a encontrar o contato de um psicólogo, psiquiatra ou de um serviço público de saúde mental. A Ajuda Está a um Telefonema de Distância: Ligue 188 O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza um trabalho incrível de apoio emocional e prevenção do suicídio. O serviço é para todos que precisam conversar, sob total sigilo.– Telefone: 188 (a ligação é gratuita de qualquer telefone, fixo ou celular)– Disponibilidade: 24 horas por dia, todos os dias da semana.– Outros Canais: O CVV também atende por chat e e-mail através do site www.cvv.org.br. A Mensagem da AAPBB Neste Setembro Amarelo, a AAPBB reforça seu compromisso com a vida. Aos nossos associados, amigos e familiares: cuidem de sua saúde mental com o mesmo empenho com que cuidam da saúde física. Participem de atividades em grupo, mantenham seus laços sociais e não hesitem em pedir ajuda. Cada vida é preciosa e insubstituível. Salve o número do CVV (188) no seu celular e compartilhe este artigo. Essa informação pode salvar uma vida.

5 coisas que todos deveriam saber antes de tomar suplementos alimentares

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 16/08/2025 De colágeno em pó até gomas para imunidade, os suplementos alimentares estão em toda parte: nos feeds do Instagram, nas prateleiras dos supermercados e nos nossos armários de banheiro. Eles prometem melhorar o sono, deixar a pele brilhante, aumentar a concentração ou até prolongar a nossa vida. São comercializados como soluções rápidas para as angústias da saúde moderna. Sou nutricionista e as pessoas me perguntam frequentemente se vale a pena tomar suplementos. Minha resposta é: depende. Pelas afirmações que circulam na internet, poderíamos pensar que eles podem curar quase tudo. Alguns suplementos realmente desempenham papel importante em certas circunstâncias. Mas eles, muitas vezes, são mal compreendidos e exageradamente comercializados. Muitas pessoas não conhecem os riscos, as limitações e os truques publicitários por trás dos rótulos. Aqui estão cinco pontos que eu gostaria que mais pessoas conhecessem antes de comprar suplementos alimentares. 1. Comece com os alimentos, não com os suplementos Se você não consegue um nutriente na alimentação, o suplemento é quase sempre a melhor opção. A Agência de Padrões Alimentícios do Reino Unido define suplemento alimentar como produto “destinado a corrigir deficiências nutricionais, manter a ingestão adequada de certos nutrientes ou sustentar funções fisiológicas específicas”. Em outras palavras, os suplementos existem para ajudar na sua dieta, não para substituir alimentos reais. Os alimentos integrais oferecem muito mais do que nutrientes isolados. Peixes oleosos como o salmão, por exemplo, não fornecem apenas as gorduras ômega-3, mas também proteínas, vitamina D, selênio e outros compostos benéficos. Eles interagem de formas que não compreendemos totalmente e é difícil, quando não impossível, replicar seus efeitos combinados na forma de suplemento alimentar. Os cientistas tentaram isolar os “ingredientes ativos” nas frutas, legumes e verduras para recriar seus benefícios em cápsulas, sem sucesso. Aparentemente, as vantagens vêm dos alimentos completos, não dos compostos separados. Mas é preciso ressaltar que existem circunstâncias em que os suplementos são necessários. O ácido fólico, por exemplo, é recomendado antes e durante a gravidez para reduzir o risco de defeitos do tubo neural no feto. A vitamina D é aconselhada durante os meses de inverno, quando a luz do sol é limitada. E as pessoas que seguem alimentação vegana podem precisar de vitamina B12, que é encontrada principalmente em produtos animais. 2. Você pode não perceber que está tomando demais É muito mais fácil tomar uma quantidade excessiva de uma substância com suplementos do que consumindo alimentos. A curto prazo, isso pode gerar efeitos colaterais como náuseas ou diarreias. Mas o excesso de uso a longo prazo pode trazer sérias consequências. Muitas pessoas passam anos tomando suplementos sem saber se eles são necessários ou qual quantidade é excessiva. Vitaminas solúveis em gorduras, como A, D, E e K, são armazenadas no corpo e não excretadas. O excesso de vitamina D, por exemplo, pode gerar acúmulo de cálcio, o que pode prejudicar os rins e o coração, além de enfraquecer os ossos. Por outro lado, altas doses de vitamina A podem causar lesões do fígado, defeitos de nascimento em caso de gravidez e redução da densidade óssea. Mesmo as vitaminas solúveis em água podem causar problemas. O uso excessivo a longo prazo de vitamina B6, por exemplo, foi relacionado a lesões nervosas. Como a maioria das pessoas não verifica regularmente seus níveis de nutrientes no sangue, elas muitas vezes só percebem que algo está errado quando surgem os sintomas. 3. Não confie nos conselhos das redes sociais Basta passar alguns minutos na internet e provavelmente veremos suplementos alimentares sendo promovidos como “fortalecedores da imunidade”, “naturais” ou “desintoxicantes”. Estas palavras podem parecer convincentes, mas não têm definição científica. Elas são termos de marketing. A Agência de Padrões Alimentícios britânica deixa claro que os suplementos alimentares “não são produtos medicinais” e “não podem exercer ação farmacológica, imunológica ou metabólica”. Ainda assim, muitas afirmações encontradas online sugerem o contrário. Em inglês, este tipo de publicidade costuma ser chamado de healthwashing. Ele dá a impressão de que os suplementos têm poderes que eles não têm. Os suplementos alimentares não estão sujeitos à mesma regulamentação e exigência de testes dos medicamentos. Ou seja, eles podem ser mal formulados, sua dosagem pode estar errada ou podem ser mal rotulados. A Agência de Padrões de Publicidade do Reino Unido (ASA, na sigla em inglês) definiu regras sobre a publicidade de produtos de saúde, incluindo nas redes sociais. Mas sua execução é difícil, especialmente com o marketing de influenciadores e esquemas de afiliados. Os esquemas de marketing multinível (MMN), ou marketing de rede, aumentam ainda mais a complexidade da questão. Vendedores, muitas vezes sem formação médica, promovem produtos usando experiências pessoais, em vez de evidências científicas. A ASA fornece orientações específicas sobre como os vendedores de MMN podem anunciar suplementos alimentares. Mas estas regras são frequentemente ignoradas, raramente fiscalizadas e, muitas vezes, são beneficiadas por falhas nas regulamentações. Tudo isso faz com que surjam afirmações realmente espantosas. 4. A indústria de suplementos se preocupa mais com as vendas que com a ciência O mercado global de suplementos alimentares soma mais de 100 bilhões de libras (cerca de R$ 731 bilhões). Como qualquer outra indústria importante, seu objetivo é crescer e dar lucro. E isso influencia como os produtos são desenvolvidos e comercializados. Se um suplemento realmente funcionasse, ele seria recomendado pelos médicos, não pelos influenciadores. Alguns suplementos são sustentados por evidências, mas eles costumam ser os menos chamativos, como ferro e vitamina D. Muitos outros são anunciados com afirmações que vão muito além do que mostram as pesquisas e, muitas vezes, por pessoas sem formação em nutrição ou assistência médica. 5. Alguns suplementos não são seguros para todos O fato de estar à venda não significa que um suplemento alimentar é seguro. Até produtos rotulados como “naturais” podem interagir com remédios ou causar danos. A erva-de-são-joão, que às vezes é usada para tratamento de depressão, pode ter perigosos efeitos colaterais se for tomada junto com certos medicamentos antidepressivos, contraceptivos e de controle da pressão alta. A vitamina K também pode interferir com medicamentos anticoagulantes, como a varfarina. E o ferro em altas dosagens pode causar problemas digestivos e afetar a forma de absorção de alguns antibióticos. Muitos suplementos alimentares não foram testados para determinar sua segurança durante a gravidez. Sabe-se

Lombalgia: qualidade muscular reduz o desconforto

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 24/08/2025 Estudo revela que a qualidade — e não só a quantidade — muscular pode prevenir o problema, que afeta 619 milhões de pessoas no mundo. Gordura infiltrada nas fibras está associada ao sintoma. Com mais de 619 milhões de casos no mundo, a dor lombar crônica é, hoje, a principal causa de incapacidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de afetados vai aumentar, chegando a 843 milhões nos próximos 25 anos. Em busca de estratégias preventivas e de tratamento, pesquisadores investigam novos alvos de intervenção. Um deles pode ser a gordura intramuscular, segundo um estudo com 27 mil pessoas, publicado na revista The Lancet Regional Health – Europe.  Na pesquisa, os autores analisaram exames de ressonância magnética de 30.868 participantes da Coorte Nacional Alemã (NAKO), conduzida entre 2014 e 2019. Do total, 27.518 pessoas preencheram os critérios para a avaliação. Aproximadamente 22% relataram dor lombar persistente por mais de três meses, condição classificada como crônica. Além do banco de dados, os cientistas empregaram inteligência artificial para medir tanto a massa magra quanto a gordura intermuscular (InterMat) — tecido adiposo que se infiltra entre os músculos esqueléticos. A metodologia permitiu identificar, em grande escala, padrões de composição muscular associados ao sintoma. A análise mostrou que pessoas com maior proporção de gordura intermuscular têm risco significativamente mais alto de sofrer dor lombar crônica. Cada aumento de duas unidades no escore da InterMAT elevava em 22% a sensação. Por outro lado, maior quantidade de massa muscular magra esteve associada a um efeito protetor: para cada aumento equivalente, a chance de dor diminuía em 13%. “Os resultados sugerem que não basta olhar apenas para o volume muscular, mas também para sua qualidade. O acúmulo de gordura entre as fibras parece estar diretamente ligado ao sofrimento crônico”, explicaram os autores, liderados pela Universidade Técnica de Berlim, na Alemanha. Outra descoberta considerada relevante pelos pesquisadores foi a relação em “U” com a atividade física. Pessoas que relataram níveis moderados de exercício tiveram menor prevalência de dor (19,4%), enquanto sedentários e aqueles com atividade intensa demonstraram percentuais maiores, de 24,6% e 22%, respectivamente. Isso sugere que tanto a falta quanto o excesso de esforço podem ser fatores de risco.  “O estudo mostra que ganhar massa muscular magra é importante, mas não compensa totalmente o excesso de gordura intramuscular”, destaca Rodrigo Vetorazzi, coordenador da ortopedia do Hospital Albert Sabin (HAS-SP). “Ou seja, não basta apenas fortalecer a musculatura; é necessário também adotar medidas que reduzam a infiltração gordurosa muscular, como atividade física regular (resistida e aeróbica), alimentação adequada e controle metabólico. O objetivo deve ser músculo mais forte e de melhor qualidade, e não apenas de maior volume”, ensina o médico.  Os pesquisadores ressaltam que, por ser um estudo observacional, não é possível afirmar que a gordura intermuscular cause dor lombar — apenas que existe forte associação. Ainda assim, especialistas avaliam que a descoberta abre caminho para estratégias de prevenção e tratamento mais individualizados. “Apenas quantificar peso corporal ou massa muscular — o que mais fazemos hoje em dia —, talvez não seja suficiente, e teremos que identificar a qualidade muscular. Na prática clínica, podemos usar essa informação como um marcador para dor”, acredita Vetorazzi.  Lúcio Gusmão, ortopedista especialista em dor crônica e aguda da Rede Cade, lembra que a gordura localizada é um dos potencializadores mais fortes da doença, mas que existem outras causas que precisam ser levadas em consideração. “Permanecer muito tempo em pé ou sentado e até mesmo cadeiras e colchões inadequados podem contribuir para o quadro. Estresse, ansiedade e depressão também são condições que se destacam como fatores de risco”, lembra.  Especialista em medicina do esporte, o ortopedista Pedro Ribeiro, de Brasília, diz que, hoje, uma das principais estratégias preventivas para a dor lombar é o fortalecimento do core, composto por músculos na região do abdômen, das costas, da pelve e dos quadris. “Esse fortalecimento do core abdominal pode ajudar muito a estabilização da região lombar e a redução nas lesões”, diz.  “Obviamente, esses exercícios devem ser individualizados”, observa. Piscina como aliada Fazer exercícios dentro d’água é uma boa alternativa para pessoas que sofrem de lombalgia crônica, segundo um estudo da Universidade de Concordia, no Canadá, que comparou os efeitos de um programa de fisioterapia aquática, o SwinEx, com tratamento convencional ao longo de 10 semanas. Os 34 participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: piscina e solo.  Todos os voluntários passaram por ressonâncias magnéticas antes e depois do programa, para medir alterações no volume e na composição dos músculos paravertebrais — fundamentais para a estabilidade da coluna. Também foram avaliados força muscular, dor, qualidade de vida e fatores psicológicos, como ansiedade e depressão.  Os dois grupos apresentaram melhora na força dos músculos extensores da lombar. No entanto, apenas os pacientes que praticaram exercícios na água tiveram aumento significativo no volume de determinados músculos paravertebrais, especialmente o multífido e o eretor da espinha, em níveis superiores da coluna. Houve, ainda, correlação entre esse resultado e a melhora na qualidade de vida física e na redução de sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a ideia de que a terapia aquática pode ser uma alternativa eficaz para pacientes que sentem dor ou medo de realizar exercícios em solo. A flutuação reduz a sobrecarga na coluna e permite movimentos mais seguros, além de proporcionar confiança a pessoas que evitam atividades físicas por receio de piorar os sintomas. “A água cria um ambiente em que muitos conseguem se mover com menos dor e, consequentemente, manter a regularidade do tratamento”, destacam, no artigo.  “Os exercícios aquáticos promovem fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, melhora do controle motor e da postura, além de reduzir fatores de risco associados, como sedentarismo, sobrecarga mecânica e medo de movimento”, ensina Hugo de Luca Corrêa, doutor em Educação Física e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB). “Esses mecanismos podem atuar tanto na recuperação, quanto na prevenção da progressão ou surgimento de novos episódios de dor lombar”,

Como a sensibilidade ao ruído perturba a mente, o cérebro e o corpo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 24/08/2025 Os médicos, muitas vezes, ignoram a sensibilidade ao ruído, mas ela pode causar efeitos de longo prazo à nossa saúde mental e física. Toc, toc, toc. Toc, toc, toc. Ele está de volta: o ruído incessante dos meus novos vizinhos do andar de cima. Claramente, eles ainda estão em processo de pendurar quadros ou montar a nova mobília. No edifício bem isolado onde moro no centro de Berlim, na Alemanha, o ruído do apartamento vizinho estava muitos decibéis abaixo do nível que incomodaria qualquer pessoa. Mas, para mim, é um barulho muito irritante. Uma grave sensação de estresse corre pelo meu corpo. E a ansiedade é ainda pior. Quando eles vão terminar? Aquele não é o único ruído que me perturba. Percebo o baque suave através do meu teto quando as pessoas vão para a cama. Em algum lugar do edifício, ouço o barulho alto de um aspirador de pó e o som abafado de uma máquina de lavar. No outro, é o cachorro dachsund do vizinho que está latindo para ganhar um petisco. E nem vou falar dos sopradores de folhas e das lavadoras de alta pressão no lado de fora do prédio. O ruído, por menor que seja, interrompe minha concentração e prejudica minha paz de espírito. Faço parte do grupo de 10% a 40% da população em geral que tem sensibilidade a ruídos. Em outras palavras, o barulho me perturba e irrita mais do que a média das pessoas. É fácil refutar a sensibilidade ao ruído como sendo uma falha de personalidade, um sintoma a mais do fato de ser beligerante, queixosa e irritável de forma geral. Mas, nos últimos anos, cientistas descobriram que esta condição tem raízes biológicas reais. O cérebro das pessoas sensíveis ao ruído reage aos sons de forma diferente. E algumas realmente podem nascer com isso. O ruído afeta não só o humor imediato dessas pessoas, mas também sua saúde mental e física de longo prazo. Existem soluções simples para esta condição, mas conhecer os seus efeitos pode ajudar as pessoas sensíveis a ruídos a tomar medidas para tornar suas vidas mais toleráveis. “Poderíamos dizer que essa é uma daquelas questões frequentemente menosprezadas… que são simplesmente descartadas pelos profissionais de saúde”, afirma o neurocientista Daniel Shepherd, da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia. Apenas nos últimos anos, “as pessoas realmente começaram a dizer ‘OK, isso realmente prejudica a experiência dos pacientes’”, segundo ele. “Precisamos realmente começar a cuidar disso.” A sensibilidade ao ruído não é um diagnóstico médico formal. As pessoas podem descobrir se são sensíveis ao ruído preenchendo questionários, como a escala de sensibilidade ao ruído de Weinstein, que inclui 21 questões. Elas incluem, por exemplo, se você se irrita com pessoas sussurrando e abrindo embalagens de doces no cinema, com pessoas fazendo barulho quando você está tentando dormir ou trabalhar e até se o som da música perturba você quando tenta se concentrar em alguma coisa. A sensibilidade ao ruído é diferente de outras condições relacionadas ao som, como a misofonia, explica a médica Jennifer Brout, fundadora da Rede Internacional de Pesquisa sobre a Misofonia, com sede nos Estados Unidos. A misofonia é a baixa tolerância a certos sons específicos, como mastigar, limpar a garganta, batidas ou cliques. Estes ruídos ativam sensações intensas de repulsa ou raiva, segundo Brout. A sensibilidade ao ruído também é diferente da hiperacusia, que faz as pessoas sentirem dores ou desconforto extremo ao perceberem o som como se fosse mais alto do que a realidade. Já a sensibilidade ao ruído é uma reatividade geral a todos os sons, independentemente do seu volume real ou percebido. As pessoas sensíveis a ruídos acham o som, no mínimo, perturbador e ficam incomodadas, sentem raiva ou até medo ou ansiedade. “Eu me lembro de uma pessoa que descreveu a sensibilidade como ter um mosquito voando à sua volta”, conta Shepherd. “Você simplesmente não consegue ignorar.” Para as pessoas que têm medo dos ruídos, esta condição pode deixá-las estressadas a ponto de desencadear uma reação de lutar ou fugir. “Seus batimentos cardíacos aumentam, sua pressão sanguínea sobe”, explica o psiquiatra Stephen Stansfeld, professor emérito da Universidade Queen Mary de Londres. E a qualidade do sono também pode ser prejudicada. Em um estudo de 2021 na China, pesquisadores acompanharam os padrões de sono de 500 adultos e os níveis de ruído noturno ao longo de uma semana. Eles concluíram que o ruído em si não afetou a qualidade do sono das pessoas, mas indivíduos sensíveis ao ruído costumavam achar seu sono menos restaurador. Eles avaliaram seu sono como menos repousante e afirmaram que se sentiam mais mal-humorados e com menos energia ao longo do dia. Efeitos à saúde física A exposição aos ruídos também foi relacionada a efeitos de longo prazo à saúde, incluindo doenças cardíacas e diabetes. E as pessoas sensíveis a ruídos podem sofrer mais impactos à sua saúde mental, segundo Stansfeld. Em um estudo de 2021, ele e seus colegas examinaram 2.398 homens da cidade de Caerphilly, no País de Gales, que foram expostos a diferentes níveis de ruído do trânsito. E os mais sensíveis ao ruído apresentaram maior propensão a sofrer de ansiedade e depressão a longo prazo. Isso pode ocorrer, em parte, porque as pessoas ansiosas são mais vigilantes em relação ao que acontece perto delas e, portanto, mais propensas a perceber barulhos. Mas também é possível que a sensibilidade ao ruído aumente a ansiedade. Em 2023, uma pesquisa reuniu 1.244 adultos que moram perto de aeroportos na França e concluiu que as pessoas gravemente perturbadas pelo nível de ruído das aeronaves (especialmente alguns indivíduos sensíveis a ruídos) eram mais propensos a avaliar sua saúde em geral como ruim. Mas por que algumas pessoas apresentam reação mais negativa ao ruído do que outras? Estudos do cérebro de pessoas sensíveis a ruídos revelam algumas indicações a este respeito. Shepherd e seus colegas conectaram aparelhos às pessoas, para medir a atividade elétrica no cérebro. Eles descobriram que os participantes que não eram sensíveis a ruídos mostravam atividade cerebral maior apenas quando os pesquisadores os expunham a sons ameaçadores. Já entre as pessoas sensíveis a ruídos, “seus cérebros costumavam acelerar independentemente

Saiba por que as frutas são grandes aliadas do funcionamento intestinal

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 25/08/2025 Ricas em fibras e nutrientes, veja também as frutas que são mais eficientes para prisão de ventre. Desde o começo dos tempos, as frutas são um dos principais alimentos consumidos pelo ser-humano. De formas, cores e tamanhos variados, esses alimentos crescem pelo mundo todo, cada qual com seu aspecto único em sabor, cheiro e nutrição. O homem faz alterações genéticas nesses alimentos há 10 mil anos, desde a época em que dominou a agricultura. Os “snacks da natureza” acompanham nossa dieta há tanto tempo, que já não é mais possível encontrá-los da sua forma original. A banana, por exemplo, em sua versão original, é pequena, com pouca “carne” e cheia de sementes. Ao longo dos séculos, os humanos foram descobrindo as qualidades das frutas para a saúde, e os benefícios que cada uma trazia em situações diversas. Ricas em fibras e nutrientes são ótimos reguladores naturais para a flora intestinal. Em entrevista ao Correio, a nutricionista Gabrieli Comachio destaca que algumas frutas são mais eficientes para manter o bom funcionamento do intestino.  “As frutas fontes de fibras solúveis e insolúveis contribuem de forma importante para a nutrição da microbiota intestinal. Especialmente aquelas que podem ser consumidas com casca, como: maçã, pêssego, damasco e frutas vermelhas e arroxeadas como: morango, acerola, framboesa, amora e jabuticaba.” pontuou Gabrieli. Já para prisão de ventre são recomendadas frutas ricas em fibras e contém grandes porções de água. Essas frutas estimulam os movimentos naturais do intestino, contribuindo para uma boa saúde intestinal. Veja os benefícios na lista: Mamão O mamão é conhecido por ser uma fruta boa para a constipação. Contendo altas quantidades de água e fibra, essa fruta também é rica em papaína, uma enzima que melhora a absorção dos nutrientes e diminuí na produção de gases. Laranja Por ser composta basicamente por água e fibras, a laranja é um ótimo alimento para prisão de ventre. Além disso, o alimento possuí substâncias que equilibram a microbiota intestinal, favorecendo o ambiente para bactérias benéficas. Jaca Também rica em fibras, a jaca é extremamente eficiente para uma boa saúde intestinal. Suas propriedades ajudam a formar o bolo fecal, além de facilitar no processo de digestão e contribuir na redução do colesterol. Ameixa A ameixa possui uma substância chamada sorbitol, um tipo de açúcar que tem efeitos laxantes. Também são ricas em fibras solúveis e insolúveis, o que contribui para o amolecimento das fezes. Kiwi O kiwi é uma fruta cítrica, também rica em fibras. Essa fruta é frequentemente associada ao aumento do número de vezes que o indivíduo vai ao banheiro. Manga Além de serem ótimas contra a constipação por sua alta quantidade de fibras, as mangas também são conhecidas por aumentar a imunidade, diminuir os riscos de problemas de visão e fazer bem para a pele. Abacaxi O abacaxi tem altas quantidades de água e fibras, favorecendo um melhor trânsito intestinal. Possuí a enzima bromelina, que possuí propriedades anti-inflamatórias, além de auxiliar na digestão.