Qual a fruta que pode regenerar o fígado?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/12/2025 Originária da Ásia, ela é rica em antioxidantes que protegem as células e aliviam dores crônicas; saiba como consumir a fruta e suas folhas. Conhecida pelo seu sabor doce e levemente ácido, a nêspera, também conhecida como ameixa amarela, é uma fruta de origem asiática que vai muito além da sobremesa. Seus compostos bioativos têm chamado a atenção por seus potentes benefícios à saúde, especialmente na proteção e regeneração do fígado e no combate a processos inflamatórios no corpo. Tanto a polpa da fruta quanto suas folhas e sementes concentram substâncias com ação antioxidante e anti-inflamatória. Por isso, a nêspera é estudada por sua capacidade de proteger as células contra danos, aliviar dores crônicas e fortalecer um dos órgãos mais importantes do nosso organismo. A nêspera é uma fonte de flavonoides, ácidos fenólicos e carotenoides. Esses compostos agem na defesa das células, neutralizando a ação dos radicais livres, que são moléculas instáveis responsáveis pelo estresse oxidativo e pelo envelhecimento precoce. Essa proteção celular ajuda a manter a saúde do corpo de forma geral. Estudos sobre os extratos da fruta também apontam um potencial na prevenção de doenças neurodegenerativas, reforçando seu valor terapêutico. Ação anti-inflamatória e alívio de dores As folhas da nespereira são especialmente valorizadas por suas propriedades anti-inflamatórias. Elas contêm triterpenos, como os ácidos ursólico e oleanólico, que ajudam a reduzir marcadores inflamatórios no organismo. Essa característica torna o chá de suas folhas um aliado natural para aliviar dores crônicas associadas a condições como a artrite e outros quadros inflamatórios de origem metabólica, proporcionando mais bem-estar. Como consumir a nêspera e suas folhas Além de proteger o fígado, a nêspera possui propriedades antibacterianas e pode auxiliar no controle do diabetes. Para aproveitar seus benefícios, o consumo pode ser feito de diferentes formas, sempre com moderação. O uso regular, principalmente das folhas, deve ser orientado por um profissional de saúde, pois a alta concentração de ativos naturais pode causar efeitos indesejados se consumida em excesso. Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana. *Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria
Estresse, insônia e fadiga: o impacto hormonal do calor extremo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/12/2025 Durante o verão, o aumento das temperaturas eleva o cortisol, interfere na tireoide e pode desregular o ciclo hormonal, afetando sono, humor, níveis de energia e até menstruação. Em dezembro, o Brasil entra em um período de temperaturas elevadas que anuncia oficialmente o início do verão. As ondas de calor cada vez mais intensas não provocam apenas desconforto físico imediato, mas também exercem uma pressão silenciosa sobre o sistema endócrino, afetando a produção e a regulação de hormônios fundamentais para o bem-estar. Embora pouco discutido, esse impacto tem se tornado mais perceptível à medida que o clima extremo se torna mais frequente. De acordo com a endocrinologista Fernanda Parra, o organismo precisa se esforçar muito mais para manter o equilíbrio interno durante períodos prolongados de calor intenso. “O calor excessivo ativa mecanismos de sobrevivência do corpo, elevando hormônios de estresse. A maior parte das pessoas sente isso como irritabilidade, cansaço ou dificuldade para dormir, mas raramente associa ao clima”, explica. Esse estado de alerta constante faz com que o corpo funcione como se estivesse diante de uma ameaça, acionando respostas hormonais que, quando persistem, acabam gerando sintomas desconfortáveis. Uma das principais reações do organismo ao estresse térmico é o aumento do cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Segundo Parra, trata-se de uma resposta natural. O problema é que essa adaptação fisiológica pode gerar sintomas persistentes. Além disso, o corpo também ajusta o funcionamento da tireoide, reduzindo a produção dos hormônios T3 e T4 como forma de diminuir a geração de calor interno. Essa adaptação pode resultar em sensação de lentidão, sonolência e queda no rendimento diário. Nas mulheres, os efeitos do calor sobre o sistema hormonal podem ser ainda mais evidentes. A combinação entre oscilações de cortisol e desidratação tende a interferir na regulação de estrogênio e progesterona. “Não é raro que, no alto verão, a menstruação atrase ou que sintomas pré-menstruais fiquem mais intensos”, observa a endocrinologista. A perda excessiva de líquidos pelo suor também compromete o volume sanguíneo, dificultando o transporte adequado de hormônios pelo corpo, o que pode provocar tonturas, redução da energia e sensação constante de esgotamento. Entre os sinais mais comuns de que o calor pode estar afetando o equilíbrio hormonal estão o sono fragmentado ou a dificuldade para adormecer, irritabilidade frequente, sensação permanente de estresse, alterações no apetite, cansaço desproporcional às atividades realizadas, irregularidades no ciclo menstrual e dores de cabeça mais recorrentes. Parra destaca que muitas pessoas procuram atendimento médico, realizam exames e recebem resultados dentro da normalidade, sem conseguir identificar a origem do mal-estar. “Pequenas flutuações hormonais, que não aparecem nos exames de rotina, podem gerar desconfortos reais. O calor é um gatilho poderoso para essas microalterações”, afirma. Para reduzir os impactos do calor sobre o sistema endócrino, algumas medidas simples podem fazer diferença, como manter hidratação constante — inclusive com reposição de eletrólitos —, evitar exposição ao sol nos horários mais críticos, entre as 10h e as 16h, priorizar ambientes ventilados, usar roupas leves e manter uma rotina regular de alimentação e descanso. Segundo a especialista, reconhecer a influência do clima extremo sobre o funcionamento hormonal é fundamental. “O sistema endócrino é sensível ao ambiente. Cuidar do corpo no calor é uma forma de proteger seu equilíbrio hormonal”, conclui.
OMS reconhece o fim da transmissão do HIV de mãe para filho no país

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 15/12/2025 Anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o maior país do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho, a chamada transmissão vertical, como problema de saúde pública. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, antecipou o anúncio durante o programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, na sexta-feira (15). Segundo Padilha, o Conselho da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) em conjunto com representantes da OMS visitará o Brasil esta semana para a entrega oficial da certificação ao governo brasileiro. “Significa que o Brasil conseguiu eliminar graças ao SUS [Sistema Único de Saúde], aos testes rápidos das unidades básicas de saúde, aos testes do pré-natal, às gestantes que têm HIV tomarem a medicação pelo SUS”, disse Padilha. O ministro lembrou que há algumas décadas o Brasil tinha iniciativas filantrópicas para manutenção de abrigos para órfãos com HIV, que haviam perdido os pais em decorrência da Aids. “Abrigavam aqueles bebês que tinham nascido com HIV e seus pais tinham morrido. A gente não tem mais isso no nosso país, felizmente, nem a transmissão do HIV da gestante para o bebê”, comemorou. Segundo o ministro, o Brasil apresentou um dossiê à organização mundial no mês julho com os dados do SUS no Brasil. Apostas eletrônicas Ao longo do programa, o ministro destacou ainda iniciativas promovidas pela pasta da Saúde como o Observatório Saúde de Apostas Eletrônicas, que reúne uma série de iniciativas de enfrentamento aos riscos à saúde mental associados às apostas eletrônicas. Entre as ações destacadas, Padilha reforçou a disponibilização de uma ferramenta que permite ao cidadão bloquear simultaneamente todas as contas em sites de apostas, por meio do aplicativo Meu SUS Digital. O serviço de teleatendimento psicossocial também será implantado como parte das iniciativas, informou. Segundo o ministro, estudos realizados pela pasta da Saúde apontam que as pessoas se sentem mais à vontade em consultas online com psicólogos e psiquiatras para tratar do assunto. “As pessoas não vão ao Centro de Atenção Psicossocial para isso. Eles têm um número pequeno de atendimentos dessa natureza. Devem chegar, este ano, a 5 mil”, explicou.
Seu psicólogo é de carne e osso — mas pode estar usando IA na terapia: entenda os riscos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 12/12/2025 Fazer terapia com um chatbot pode não ser uma boa ideia por uma série de motivos, como muitos especialistas têm alertado. Mas e quando os próprios terapeutas passam a usar inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, para auxiliar em suas tarefas, seja para transcrição de sessões ou até discutir casos? Empresas já estão oferecendo esse serviço aos profissionais. Há ferramentas para transcrição de sessões, sugestões de análise técnica, evolução do paciente, supervisão e sugestões de abordagens. “Você ainda perde tempo escrevendo resumo de sessão?”, diz o anúncio de uma dessas ferramentas, no Instagram, a PsicoAI. Outra plataforma, a PsiDigital, promete automatização de relatórios e laudos, criação de página de divulgação personalizada e até “sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica.” (veja entrevista com criador da plataforma abaixo) As empresas dizem que essas tecnologias não devem substituir os profissionais, mas apoiá-los. A adesão profissional é uma realidade. A BBC News Brasil procurou 50 psicólogos nas redes sociais e questionou se eles fazem uso de algum tipo de IA no trabalho. Dos que responderam, dez confirmaram que fazem uso da tecnologia para tarefas como transcrições de sessões de terapia e resumos. O uso de IA entre estes profissionais não é proibido. Em julho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu que o uso “já vem sendo incorporado ao cotidiano em múltiplos contextos de atuação” e ressaltou a necessidade da supervisão crítica e discernimento ético, mas sem restrições específicas. E diz que cabe a cada profissional a avaliação de limites e riscos dessas ferramentas. Psicólogos testam usos com consentimento de paciente Maísa Brum é psicóloga especializada em avaliação neuropsicológica. Seu trabalho envolve realizar longas entrevistas com pacientes, coletar dados e depois produzir laudos técnicos com essas informações. Por algum tempo, ela terceirizou essa tarefa de transformar anotações em um documento técnico para um estagiário. Mas logo percebeu que os textos chegavam sempre com um mesmo padrão, “pouco humanizados” e, ao questioná-lo, descobriu que ele estava usando o ChatGPT para a tarefa. “O laudo tem sempre uma sequência, com descrição dos dados, objetivo da avaliação, testes que foram aplicados. É um esqueleto técnico”, explica. Foi aí que ela decidiu aprender mais sobre a tecnologia. Fez alguns cursos e então incorporou algumas dessas ferramentas em parte de suas tarefas. Hoje ela usa um gravador com IA embutida, que transcreve as entrevistas com os pacientes e devolve já com uma linha do tempo dos fatos e informações no formato necessário para escrever o laudo, que depois é revisado manualmente. Um formulário de consentimento é dado a cada paciente para que saibam que estão sendo gravados com a tecnologia. “Tem sido muito útil e facilitado bastante a minha vida de escrita”, afirmou, destacando que apaga os arquivos após uso para evitar armazenamento externo. Maísa diz que o recurso serve apenas como apoio, não como ferramenta diagnóstica. “Minha grande preocupação é no uso inadequado da IA para terceirizar o pensamento crítico e o raciocínio clínico”. Eduardo Araújo, psicólogo e professor universitário, diz que tem usado IA para análise e organização de dados, mas não diretamente com pacientes e sim em pesquisas, como fez em seu mestrado na área. Ele fez um experimento com o ChatGPT, quando analisava dados em uma tabela com centenas de pacientes. O objetivo do estudo era identificar a influência de experiências traumáticas em crianças e adolescentes, a partir de uma lista com dados de mais de 500 pacientes, de forma anonimizada. “Para esse tipo de tarefa, de análise de dados, acaba sendo muito útil.” Araújo avalia que é preciso ter cautela com ferramentas que prometem ajudar com diagnóstico. Ele diz que a tecnologia acelera tarefas burocráticas, mas nunca deve formular hipóteses diagnósticas no lugar do profissional. “Quando você pesquisa algum sintoma na internet, se levar a sério o que vem de resultado, você acha que vai morrer. Com a IA não é diferente: se você coloca algum sintoma, a resposta me dá uma gravidade diferente daquilo que se perceberia na clínica, em contato com a pessoa.” ‘A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar’ A psicóloga Patrícia Mourão De Biase disse à BBC News Brasil que entrou em contato com IA por curiosidade, principalmente com o boom de informação sobre o tema que recebeu neste ano. “Temos a opção de sermos atropelados ou entender o que está acontecendo e caminhar junto”, diz ela. De Biase diz que, desde a pandemia, tem havido mais flexibilização entre psicólogos no uso de tecnologias, principalmente em relação ao atendimento remoto de pacientes. “Ficamos mais flexíveis para entender esses movimentos da tecnologia. A categoria sempre foi mais quadradinha nesse sentido, mas precisou se adaptar. Vejo ainda muitos colegas se esquivando da IA.” De Biase, que presta serviço para empresas e também atende em consultório, diz que tem utilizado a ferramenta para automatizar tarefas burocráticas e também para criar novos conteúdos para suas sessões. “Crio enquetes e passo tarefas de casa para os pacientes. Isso refresca a conexão entre uma sessão e outra.” Ela diz que a IA também tem sido usar para “pensar junto” com os psicólogos. “Quando acaba a sessão, colocamos conteúdo e a própria IA diz: poderia abordar por aqui, por ali. Não tenho preconceito com isso, embora eu não use no dia a dia.” Outra tarefa que se tornou comum é a de transcrição e transformação das sessões em prontuário, que depois são revisados de forma manual. “É importante que os pacientes estejam de acordo, que assinem um documento. Mas até hoje ninguém recusou”, diz. A psicóloga avalia que a tecnologia não vai substituir a profissão. “Tem gente que não sabe nem o que perguntar ao ChatGPT. Ele é bom? Sim, pode ajudar em algo pontual, em um momento de ansiedade, de angústia. Mas se não aprendemos direito a perguntar, provavelmente ele não vai entregar. Nada precisa jogar fora. Pegue o que o chat disse e depois leve para a sessão, converse com o terapeuta sobe isso.” “Gerenciar o tempo é padrão ouro para todos. e a IA
Gripe K é identificada no Brasil: como é a variante do influenza A que gerou alerta da OMS para 2026

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Freeík | Data: 15/12/2025 A Organização Mundial da Saúde emitiu um alerta para a próxima temporada de gripe, prevista para o fim de 2025 e início de 2026, após identificar um aumento da circulação do vírus influenza em várias partes do mundo. No Brasil, autoridades de saúde confirmaram recentemente a detecção da variante genética K do influenza A (H3N2) em amostras analisadas no estado do Pará, segundo o Informe de Vigilância das Síndromes Gripais referente à Semana Epidemiológica 49, divulgado em 12 de dezembro de 2025. O crescimento vem sendo impulsionado sobretudo por uma variante do influenza A (H3N2), que começou a se espalhar mais rapidamente a partir de agosto de 2025 e passou a chamar a atenção de autoridades de saúde. Segundo a OMS, trata-se do chamado subclado (ou variante genética) ‘K’ — também identificado como J.2.4.1 —, uma nova ramificação genética do vírus da gripe sazonal. Apesar do avanço em diferentes países, os dados disponíveis até agora não indicam que essa variante cause quadros mais graves da doença. Ainda assim, o momento preocupa porque coincide com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período em que aumentam os casos de gripe e de outras infecções respiratórias, o que pode pressionar os sistemas de saúde. O termo “gripe K” tem ganhado espaço em redes sociais e manchetes, mas a OMS ressalta que não se trata de um vírus novo. Na prática, trata-se da evolução esperada do influenza A, um vírus conhecido por sofrer mudanças constantes. A ramificação genética K tem algumas alterações genéticas em relação a variantes anteriores e vem sendo identificado com mais frequência em amostras analisadas ao redor do mundo. No comunicado, a OMS faz uma ressalva importante: a atividade global de gripe ainda está, em termos gerais, dentro do esperado para a estação. Ao mesmo tempo, porém, alguns países registraram aumentos mais cedo e mais intensos do que o habitual — um sinal de alerta num cenário em que hospitais já costumam operar sob maior pressão durante o inverno. O que a OMS confirma (e o que ainda não) A OMS descreve o cenário atual como o da gripe sazonal, uma infecção respiratória causada por vírus influenza que circulam globalmente e podem provocar desde sintomas leves até quadros graves, com risco de hospitalização e morte, sobretudo entre os mais vulneráveis. Segundo a organização, os dados epidemiológicos disponíveis até o momento não apontam aumento na gravidade dos casos ligados à variante K. Ainda assim, a OMS classifica o avanço dessa variante como uma “evolução notável”, já que ela vem se espalhando rapidamente em diferentes regiões. Esse tipo de mudança é acompanhado de perto porque o influenza A (H3N2), assim como outros vírus da gripe, passa por alterações genéticas frequentes. Essas transformações podem influenciar tanto como o vírus se espalha quanto o nível de proteção da população, construída a partir de infecções anteriores ou da vacinação. Como a variante K tem se espalhado pelo mundo O alerta da OMS se apoia, sobretudo, na velocidade com que a variante K passou a circular em diferentes regiões. Segundo a organização, desde agosto de 2025 houve um aumento rápido na detecção dessa ramificação genética em vários países, com base em dados de sequenciamento disponíveis. Esse avanço ocorre ao mesmo tempo em que o Hemisfério Norte entra no inverno, período em que tradicionalmente cresce o número de infecções respiratórias. O resultado, segundo a OMS, é um cenário em que a temporada de gripe começou mais cedo em alguns lugares e pode seguir pressionando hospitais na virada do ano — não como um evento futuro distante, mas como algo já em curso. Na América do Sul, até o momento, não há registro da circulação da variante K. Ainda assim, especialistas avaliam que a chegada ao Brasil é uma possibilidade concreta. “A gente só pode imaginar que esse subclado vá chegar ao país. Neste momento em que começam as férias e aumenta a circulação de pessoas entre continentes, a chance de esse clado entrar no Brasil e se espalhar rapidamente é muito grande”, afirma Rosana Richtmann, chefe do departamento de infectologia do Grupo Santa Joana. Na Europa, a OMS identificou um início antecipado da temporada de gripe em relação ao período em que essas infecções costumam ocorrer. O movimento foi medido pelo aumento da positividade dos testes e pela predominância do influenza A(H3N2) tanto na atenção primária quanto em hospitais — um cenário que ajudou a colocar o tema no radar das autoridades sanitárias. Em outras regiões do mundo, o padrão é mais heterogêneo. Em partes do Hemisfério Sul, algumas temporadas de gripe foram mais longas do que o habitual, enquanto em áreas tropicais a circulação do vírus tende a ocorrer de forma mais contínua ao longo do ano Grande parte desse acompanhamento só é possível graças ao Global Influenza Surveillance and Response System (GISRS), rede coordenada pela OMS que reúne mais de 160 instituições em 131 países. O sistema monitora a circulação do vírus influenza ao longo de todo o ano e funciona como um mecanismo global de alerta para mudanças relevantes nos vírus respiratórios. Esse trabalho combina dados clínicos e epidemiológicos com análises laboratoriais e sequenciamento genético, incluindo informações compartilhadas em bases internacionais como o GISAID. É a partir desse conjunto que a OMS consegue identificar padrões de expansão e avaliar riscos potenciais. Apesar da atenção voltada para a variante K, a OMS reforça que a vacinação continua sendo uma ferramenta central. Mesmo com incertezas sobre a proteção contra a doença clínica nesta temporada, estimativas iniciais indicam que a vacina segue reduzindo a necessidade de atendimento hospitalar, tanto entre crianças quanto entre adultos. A organização cita dados preliminares que apontam uma efetividade de cerca de 70% a 75% na prevenção de hospitalizações em crianças de 2 a 17 anos e de 30% a 40% em adultos, ainda que esses percentuais possam variar conforme o grupo e a região. A mensagem é direta: mesmo em um ano marcado por mudanças genéticas do vírus, a vacinação permanece como uma das medidas de saúde pública mais
Saúde libera mosquitos estéreis para frear reprodução do Aedes

Fonte: Agência EBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Freeík | Data: 13/12/2025 Imunização é feita na aldeia Cimbres em Pernambuco Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil O Ministério da Saúde iniciou a liberação de mosquitos Aedes aegypti machos e estéreis na aldeia Cimbres, no município de Pesqueira (PE). Em nota, a pasta informou que já foram soltos 50 mil insetos com o objetivo de fortalecer o controle de arboviroses na região. “A estratégia impede que os mosquitos, ao acasalarem com as fêmeas, produzam descendentes, contribuindo para a redução gradual da população do vetor e da transmissão de vírus”, detalhou o comunicado. De acordo com o ministério, a ação marca o início da aplicação da Técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE) em territórios indígenas. Para as próximas fases, está prevista a liberação semanal de mais de 200 mil mosquitos estéreis. Além da aldeia Cimbres, a tecnologia será implantada também no território Guarita, em Tenente Portela (RS), e em áreas indígenas de Porto Seguro (BA) e de Itamaraju (BA). O investimento inicial é de R$ 1,5 milhão, contemplando produção, logística e monitoramento da estratégia. Ainda segundo a pasta, a continuidade e a expansão das ações vão depender dos resultados alcançados e da avaliação técnica das equipes envolvidas. Os dados vão permitir analisar o impacto na redução de casos de dengue, Zika e chikungunya. Entenda A Técnica do Inseto Estéril utiliza a própria espécie para reduzir a população de Aedes aegypti. Em laboratório, os mosquitos machos são esterilizados por radiação ionizante, tornando-se incapazes de gerar descendentes, e são posteriormente liberados em grande quantidade nas chamadas áreas-alvo. Ao acasalarem com as fêmeas, os machos não produzem filhotes, levando à diminuição progressiva da população de vetores de arboviroses. “Por não empregar inseticidas e não oferecer riscos à saúde ou ao meio ambiente, a técnica é indicada para territórios indígenas situados em áreas de preservação e florestas, onde o uso de produtos químicos é restrito ou proibido”, destacou o ministério.
A nova gripe que gerou alerta da OMS para 2026

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Freeík | Data: 15/12/2025 A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta para a próxima temporada de gripe, prevista para o fim de 2025 e começo de 2026, após identificar um aumento da circulação do vírus influenza em várias partes do mundo. O crescimento vem sendo impulsionado sobretudo por uma variante do influenza A (H3N2), que começou a se espalhar mais rapidamente a partir de agosto de 2025 e passou a chamar a atenção de autoridades de saúde. Segundo a OMS, trata-se do chamado subclado (ou variante genética) ‘K’ — também identificado como J.2.4.1 —, uma nova ramificação genética do vírus da gripe sazonal. Apesar do avanço em diferentes países, os dados disponíveis até agora não indicam que essa variante cause quadros mais graves da doença. Ainda assim, o momento preocupa porque coincide com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período em que aumentam os casos de gripe e de outras infecções respiratórias, o que pode pressionar os sistemas de saúde. O termo “gripe K” tem ganhado espaço em redes sociais e manchetes, mas a OMS ressalta que não se trata de um vírus novo. Na prática, trata-se da evolução esperada do influenza A, um vírus conhecido por sofrer mudanças constantes. A ramificação genética K tem algumas alterações genéticas em relação a variantes anteriores e vem sendo identificado com mais frequência em amostras analisadas ao redor do mundo. No comunicado, a OMS faz uma ressalva importante: a atividade global de gripe ainda está, em termos gerais, dentro do esperado para a estação. Ao mesmo tempo, porém, alguns países registraram aumentos mais cedo e mais intensos do que o habitual — um sinal de alerta num cenário em que hospitais já costumam operar sob maior pressão durante o inverno. O que a OMS confirma (e o que ainda não) A OMS descreve o cenário atual como o da gripe sazonal, uma infecção respiratória causada por vírus influenza que circulam globalmente e podem provocar desde sintomas leves até quadros graves, com risco de hospitalização e morte, sobretudo entre os mais vulneráveis. Segundo a organização, os dados epidemiológicos disponíveis até o momento não apontam aumento na gravidade dos casos ligados à variante K. Ainda assim, a OMS classifica o avanço dessa variante como uma “evolução notável”, já que ela vem se espalhando rapidamente em diferentes regiões. Esse tipo de mudança é acompanhado de perto porque o influenza A (H3N2), assim como outros vírus da gripe, passa por alterações genéticas frequentes. Essas transformações podem influenciar tanto como o vírus se espalha quanto o nível de proteção da população, construída a partir de infecções anteriores ou da vacinação. Como a variante K tem se espalhado pelo mundo O alerta da OMS se apoia, sobretudo, na velocidade com que a variante K passou a circular em diferentes regiões. Segundo a organização, desde agosto de 2025 houve um aumento rápido na detecção dessa ramificação genética em vários países, com base em dados de sequenciamento disponíveis. Esse avanço ocorre ao mesmo tempo em que o Hemisfério Norte entra no inverno, período em que tradicionalmente cresce o número de infecções respiratórias. O resultado, segundo a OMS, é um cenário em que a temporada de gripe começou mais cedo em alguns lugares e pode seguir pressionando hospitais na virada do ano — não como um evento futuro distante, mas como algo já em curso. Na América do Sul, até o momento, não há registro da circulação da variante K. Ainda assim, especialistas avaliam que a chegada ao Brasil é uma possibilidade concreta. “A gente só pode imaginar que esse subclado vá chegar ao país. Neste momento em que começam as férias e aumenta a circulação de pessoas entre continentes, a chance de esse clado entrar no Brasil e se espalhar rapidamente é muito grande”, afirma Rosana Richtmann, chefe do departamento de infectologia do Grupo Santa Joana. Na Europa, a OMS identificou um início antecipado da temporada de gripe em relação ao período em que essas infecções costumam ocorrer. O movimento foi medido pelo aumento da positividade dos testes e pela predominância do influenza A(H3N2) tanto na atenção primária quanto em hospitais — um cenário que ajudou a colocar o tema no radar das autoridades sanitárias. Em outras regiões do mundo, o padrão é mais heterogêneo. Em partes do Hemisfério Sul, algumas temporadas de gripe foram mais longas do que o habitual, enquanto em áreas tropicais a circulação do vírus tende a ocorrer de forma mais contínua ao longo do ano Grande parte desse acompanhamento só é possível graças ao Global Influenza Surveillance and Response System (GISRS), rede coordenada pela OMS que reúne mais de 160 instituições em 131 países. O sistema monitora a circulação do vírus influenza ao longo de todo o ano e funciona como um mecanismo global de alerta para mudanças relevantes nos vírus respiratórios. Esse trabalho combina dados clínicos e epidemiológicos com análises laboratoriais e sequenciamento genético, incluindo informações compartilhadas em bases internacionais como o GISAID. É a partir desse conjunto que a OMS consegue identificar padrões de expansão e avaliar riscos potenciais. Apesar da atenção voltada para a variante K, a OMS reforça que a vacinação continua sendo uma ferramenta central. Mesmo com incertezas sobre a proteção contra a doença clínica nesta temporada, estimativas iniciais indicam que a vacina segue reduzindo a necessidade de atendimento hospitalar, tanto entre crianças quanto entre adultos. A organização cita dados preliminares que apontam uma efetividade de cerca de 70% a 75% na prevenção de hospitalizações em crianças de 2 a 17 anos e de 30% a 40% em adultos, ainda que esses percentuais possam variar conforme o grupo e a região. A mensagem é direta: mesmo em um ano marcado por mudanças genéticas do vírus, a vacinação permanece como uma das medidas de saúde pública mais eficazes, especialmente para pessoas com maior risco de complicações e para quem cuida delas. Quem está em maior risco A OMS lembra que a maioria das pessoas se recupera em cerca de uma semana sem necessidade de atendimento médico, mas que influenza pode levar
Chip em estudo restaura a visão de pessoas com degeneração por idade

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Design por Freepik | Data: 11/12/2025 Dispositivo que combina implante colocado embaixo da retina e óculos inteligentes devolveu parte da visão a pacientes com degeneração macular avançada. A combinação de um microchip implantado sob a retina e um par de óculos inteligentes conectados foi capaz de devolver parte da visão a pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI) avançada. O estudo, feito por pesquisadores de cinco países, permitiu que 81% dos voluntários melhorassem a capacidade de leitura após 12 meses. Publicada no The New England Journal of Medicine no final de outubro, a pesquisa detalha como a conexão entre os dispositivos tecnológicos devolveu ao organismo a capacidade de decodificar os estímulos luminosos sem depender diretamente das células danificadas pela doença. “Apesar desse implante não estar disponível imediatamente para os pacientes, ele é realmente um avanço muito importante na oftalmologia”, afirma o oftalmologista e retinólogo Diego Monteiro Verginassi, do Einstein Hospital Israelita. A tecnologia utiliza um implante fotovoltaico colocado por baixo da retina, a parede interna do olho que recebe os sinais da luz. Esses sinais são enviados por uma câmera acoplada aos óculos inteligentes. A câmera capta imagens e as transforma em feixes de luz infravermelha, projetados sobre o chip. Este, por sua vez, converte a luz em estímulos elétricos, assim como faria a retina se não estivesse doente, enviando sinais visuais ao cérebro. Dos 32 voluntários que completaram o acompanhamento de um ano da pesquisa, 27 tiveram avanços no teste de leitura. “Nesse estudo, a maioria dos pacientes conseguiu melhorar o que chamamos de linhas de visão. Quando vamos a um oftalmologista, nós projetamos linhas de letras maiores que progressivamente vão ficando cada vez menores. Nesses casos, os pacientes conseguiram ler de cinco a 12 linhas menores do que aquilo que eles conseguiam ler antes do implante do microchip”, explica Verginassi. O implante se carrega com a luz infravermelha projetada pelos óculos, portanto, não precisa de fios ou baterias para funcionar. Além disso, o dispositivo não prejudicou o funcionamento da visão periférica natural dos pacientes que ainda a preservavam, com as duas formas (a artificial e a orgânica) atuando simultaneamente. Mas a cirurgia para colocar o pequeno chip de 2 milímetros sob a retina não é simples. “Hoje já é um tipo de cirurgia que fazemos na prática, para tratar hemorragias ou até transplantes de epitélio pigmentar, porém é um procedimento complexo”, relata o oftalmologista. Foram registrados 26 eventos adversos graves em 19 participantes, sendo que quase todos estavam relacionados ao aumento de pressão no olho e a pequenas hemorragias nas primeiras oito semanas após a cirurgia. Nenhum caso resultou em perda total de visão ou risco sistêmico. Os pesquisadores agora trabalham em protótipos que possam dar maior nitidez à visão e planejam aumentar o número de voluntários submetidos aos testes, mas ainda deve demorar até que essa alternativa possa ser usada pelo público geral. Perda da visão central A DMRI é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A doença destrói progressivamente as células receptoras de luz na retina, afetando especialmente o centro da visão. “Nessa região temos uma estrutura chamada mácula, que tem uma alta concentração de células que fazem a tradução da luz em impulso nervoso. Na DMRI, essas células sofrem alterações e param de funcionar, causando a perda da visão central que vai aumentando progressivamente em uma cegueira irreversível”, detalha o médico do Einstein. A doença se apresenta de duas formas principais: a seca e a úmida. A seca representa a maioria dos casos e ainda carece de terapias eficazes. “As opções se limitam ao uso de vitaminas e terapias com luz, mas os resultados são pouco animadores”, afirma Verginassi. Já a forma úmida, também chamada neovascular, é tratada com injeções intraoculares de medicamentos que evitam sangramentos responsáveis por danificar as células receptoras de luz. Mesmo com esse tratamento, só é possível conter a progressão da doença, e não restaurar a visão. E isso é justamente o que promete o chip em estudo. “Obviamente, ainda não falamos em recuperar a leitura plena, mas é um avanço importante ao desbravar um tipo de tecnologia até então inatingível”, conclui Diego Verginassi.
O novo alerta sobre perigos da harmonização facial e outros preenchimentos — e como se proteger

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Design por Freepik | Data: 03/12/2025 Michelle Roberts Especialistas afirmam que pessoas que fazem preenchimento no rosto devem ser alertadas sobre o risco de uma complicação grave: o bloqueio de artérias, que pode à perda de pele e até mesmo à cegueira, por causa da redução do fluxo sanguíneo. Pesquisadores usaram um ultrassom para estudar 100 casos de preenchimento que deram errado. Clínicas estão sendo aconselhadas a fazer uma ultrassonografia antes de iniciar o procedimento no rosto, para evitar dandos a artérias próximas. A pesquisadora principal do estudo, Rosa Sigrist, diz que, apesar de incomum, esses eventos de “oclusão vascular” — em que o preenchimento é injetado dentro ou muito próximo de vasos sanguíneos — podem ser devastadores porque eles podem causar a morte de tecidos e deformidades faciais quando não tratados. Os preenchimentos ou harmonizações faciais injetam substâncias geralmente usadas para tratar rugas e suavizar ou “rejuvenescer” a pele. Às vezes elas são usadas para dar contorno ou modelar o nariz e os lábios As áreas ao redor do nariz são particularmente arriscadas para esse tipo de procedimento, afirma Sigrist, porque os vasos sanguíneos nasais se comunicam com partes muito importantes da cabeça. Danos a esses vasos podem causar complicações sérias, incluindo problemas de pele, cegueira e até mesmo AVC. A equipe de Sigrist, da Universidade de São Paulo (USP), estudou complicações vasculares relacionadas a preenchimentos em 100 pacientes em quatro centros de radiologia (dois no Brasil, um na Colômbia e um no Chile), um centro de dermatologia na Holanda e um centro de cirurgia plástica nos Estados Unidos entre maio de 2022 e abril de 2025. O trabalho vai ser apresentado esta semana no encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte. Em quase metade dos casos avaliados, ultrassonografias mostraram ausência de fluxo sanguíneo em vasos pequenos que conectam artérias superficiais àquelas mais profundas do rosto. E em um terço dos pacientes, fluxo sanguíneo estava ausente nos principais vasos sanguíneos. Para evitar complicações, ela aconselha que as clínicas realizem ultrassonografias para planejar onde o produto vai ser injetado. Se complicações aparecerem, a ultrassonografia pode guiar o tratamento. “Se os preenchimentos não forem guiados por ultrassonografias, o tratamento é feito apenas com base nos sinais clínicos e o produto é injetado às cegas”, afirma Sigrist. “Mas se nós temos o ultrassom, podemos tratar o local exato onde as obstruções ocorrem.” Assim, em vez de inundar a área com um medicamento chamado hialuronidase para dissolver o preenchimento, os médicos podem realizar injeções guiadas que utilizam menos hialuronidase e proporcionam melhores resultados de tratamento, afirma. A Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos diz que o uso de ultrassons está aumentando, mas ainda não faz parte da rotina ou é um padrão nos cuidados médicos. Os ultrassons são métodos não invasivos, não usam radiação inonizante e não apresentam efeitos nocivos conhecidos. Nora Nugent, presidente do BAAPS, disse que o ultrassom está se mostrando muito útil em muitas áreas de cirurgias e procedimentos médicos estéticos. “Mapear a localização dos vasos sanguíneos, sem dúvida, fornece informações valiosas antes do tratamento. Riscos como esses, decorrentes de preenchimentos, são um dos muitos motivos pelos quais temos feito campanha há muito tempo por maior regulamentação dos procedimentos estéticos e pela restrição da aplicação desses tratamentos injetáveis àqueles que possuem formação médica.” O governo do Reino Unido, por exemplo, planeja introduzir restrições para procedimentos. De acordo com as propostas já apresentadas, apenas profissionais de saúde “devidamente qualificados” poderão realizar procedimentos de alto risco, como o lifting de bumbum. Clínicas que aplicam preenchimentos e botox precisarão atender a padrões rigorosos para obter uma licença. Uma consulta pública será feita no início de 2026, com opiniões sobre a diversidade de procedimentos que devem ser abrangidos pelas novas restrições. O Parlamento decidirá então o que será introduzido.
Especialistas alertam contra uso indiscriminado de zolpidem e estabelecem diretrizes

Fonte: Info Money | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/11/2025 Consumo do sedativo cresceu 139% entre 2014 e 2021 e já preocupa médicos por risco de dependência e uso irregular Estadão Conteúdo Especialistas das áreas de neurologia, psiquiatria, psicobiologia e medicina do sono publicaram neste mês um consenso sobre o uso de medicamentos como o zolpidem, sedativo-hipnótico indicado para casos de insônia. Encabeçado pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e divulgado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, o documento classifica o crescente uso das chamadas “drogas Z”, como zolpidem e zaleplon, como um problema de saúde pública. A diretriz aponta que o zolpidem é o terceiro hipnótico mais vendido do País, atrás apenas de clonazepam e alprazolam, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre 2014 e 2021, o medicamento registrou um aumento de 139% no volume de vendas, passando de 338.367 para 810.353 caixas. A venda irregular do fármaco foi um dos fatores que impulsionaram a elaboração do documento. De acordo com os autores, o zolpidem está entre os medicamentos mais frequentemente comercializados sem receita ou de forma ilegal no Brasil. Coordenador do Departamento Científico de Sono da ABN e um dos autores da diretriz, Paulo Afonso Mei afirma que a pandemia também contribuiu para o aumento do consumo do medicamento, especialmente devido ao crescimento dos diagnósticos de transtornos relacionados à saúde mental. “Essa é uma percepção muito clara na comunidade médica, houve uma explosão desses diagnósticos. Em estudos próprios, também constatei um aumento de cerca de 40% na proporção de pacientes com queixas relacionadas a problemas do sono”, diz Mei. Outro fator apontado pelo especialista que pode ter impulsionado o consumo do medicamento no período foi a ampliação das prescrições digitais, adotadas especialmente durante as medidas de distanciamento e isolamento social. Diante da alta no consumo, a Anvisa implementou no último ano um controle mais rígido para a venda do zolpidem, com maior fiscalização das prescrições e notificação com receita azul. Segundo Mei, a medida ajudou a frear o avanço. “Foi a única ação de maior impacto que realmente se mostrou eficaz para conter um pouco as prescrições”, afirma. O zolpidem começou a ser comercializado nos anos 1990 e ganhou popularidade por apresentar efeitos colaterais considerados mais leves do que os de outros psicotrópicos, como clonazepam e alprazolam. No entanto, à medida que se popularizou, também aumentaram os casos de dependência. Nas redes sociais, não é difícil encontrar relatos de pessoas que dizem depender do medicamento para conseguir dormir. Mei explica que, desde o lançamento, o zolpidem traz na bula a orientação de que deve ser utilizado por, no máximo, quatro semanas consecutivas. “Mas isso raramente é respeitado”, lamenta. “Ao prescrever, precisamos ter a preocupação de não permitir que o paciente faça uso por longos períodos.” Outros vídeos relatam efeitos colaterais como sonambulismo. O especialista explica que isso ocorre porque o medicamento pode provocar um comportamento amnésico, levando a ações das quais o usuário não se recorda e que podem resultar até em ferimentos. Há relatos, inclusive, de pacientes que cometeram ilegalidades sob efeito da substância, o que reforça a gravidade do problema, afirma. Apesar de antigo, o medicamento continua sendo eficaz para casos de insônia aguda, mas não é indicado para uso crônico, como tem ocorrido com frequência, diz o especialista. Ele acrescenta que os pacientes que buscam ajuda médica geralmente apresentam insônia crônica, com dificuldade para iniciar ou manter o sono e insatisfação com a qualidade do descanso por mais de três meses. Já a insônia aguda costuma ser pontual e surgir em situações que provocam tensão ou nervosismo. Como ter uma noite de sono de qualidade Embora ainda seja indicado para o tratamento pontual da insônia, o zolpidem não é a única estratégia para garantir uma noite de sono adequada e tranquila. A diretriz aponta que o tratamento de primeira linha para pacientes com insônia é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), também eficaz no desmame das “drogas Z” em adultos e idosos. Segundo Mei, o acompanhamento costuma ser breve e, em muitos casos, de seis a dez sessões já é possível observar melhora significativa. Além da terapia, ele recomenda a adoção da chamada higiene do sono, que envolve ajustar a rotina e o ambiente para favorecer um descanso de qualidade. O passo a passo da higiene do sono inclui:

