Saúde libera mosquitos estéreis para frear reprodução do Aedes

Fonte: Agência EBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Freeík | Data: 13/12/2025 Imunização é feita na aldeia Cimbres em Pernambuco Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil O Ministério da Saúde iniciou a liberação de mosquitos Aedes aegypti machos e estéreis na aldeia Cimbres, no município de Pesqueira (PE). Em nota, a pasta informou que já foram soltos 50 mil insetos com o objetivo de fortalecer o controle de arboviroses na região. “A estratégia impede que os mosquitos, ao acasalarem com as fêmeas, produzam descendentes, contribuindo para a redução gradual da população do vetor e da transmissão de vírus”, detalhou o comunicado. De acordo com o ministério, a ação marca o início da aplicação da Técnica do Inseto Estéril por Irradiação (TIE) em territórios indígenas. Para as próximas fases, está prevista a liberação semanal de mais de 200 mil mosquitos estéreis. Além da aldeia Cimbres, a tecnologia será implantada também no território Guarita, em Tenente Portela (RS), e em áreas indígenas de Porto Seguro (BA) e de Itamaraju (BA). O investimento inicial é de R$ 1,5 milhão, contemplando produção, logística e monitoramento da estratégia. Ainda segundo a pasta, a continuidade e a expansão das ações vão depender dos resultados alcançados e da avaliação técnica das equipes envolvidas. Os dados vão permitir analisar o impacto na redução de casos de dengue, Zika e chikungunya. Entenda A Técnica do Inseto Estéril utiliza a própria espécie para reduzir a população de Aedes aegypti. Em laboratório, os mosquitos machos são esterilizados por radiação ionizante, tornando-se incapazes de gerar descendentes, e são posteriormente liberados em grande quantidade nas chamadas áreas-alvo. Ao acasalarem com as fêmeas, os machos não produzem filhotes, levando à diminuição progressiva da população de vetores de arboviroses. “Por não empregar inseticidas e não oferecer riscos à saúde ou ao meio ambiente, a técnica é indicada para territórios indígenas situados em áreas de preservação e florestas, onde o uso de produtos químicos é restrito ou proibido”, destacou o ministério.

A nova gripe que gerou alerta da OMS para 2026

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Freeík | Data: 15/12/2025 A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta para a próxima temporada de gripe, prevista para o fim de 2025 e começo de 2026, após identificar um aumento da circulação do vírus influenza em várias partes do mundo. O crescimento vem sendo impulsionado sobretudo por uma variante do influenza A (H3N2), que começou a se espalhar mais rapidamente a partir de agosto de 2025 e passou a chamar a atenção de autoridades de saúde. Segundo a OMS, trata-se do chamado subclado (ou variante genética) ‘K’ — também identificado como J.2.4.1 —, uma nova ramificação genética do vírus da gripe sazonal. Apesar do avanço em diferentes países, os dados disponíveis até agora não indicam que essa variante cause quadros mais graves da doença. Ainda assim, o momento preocupa porque coincide com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período em que aumentam os casos de gripe e de outras infecções respiratórias, o que pode pressionar os sistemas de saúde. O termo “gripe K” tem ganhado espaço em redes sociais e manchetes, mas a OMS ressalta que não se trata de um vírus novo. Na prática, trata-se da evolução esperada do influenza A, um vírus conhecido por sofrer mudanças constantes. A ramificação genética K tem algumas alterações genéticas em relação a variantes anteriores e vem sendo identificado com mais frequência em amostras analisadas ao redor do mundo. No comunicado, a OMS faz uma ressalva importante: a atividade global de gripe ainda está, em termos gerais, dentro do esperado para a estação. Ao mesmo tempo, porém, alguns países registraram aumentos mais cedo e mais intensos do que o habitual — um sinal de alerta num cenário em que hospitais já costumam operar sob maior pressão durante o inverno. O que a OMS confirma (e o que ainda não) A OMS descreve o cenário atual como o da gripe sazonal, uma infecção respiratória causada por vírus influenza que circulam globalmente e podem provocar desde sintomas leves até quadros graves, com risco de hospitalização e morte, sobretudo entre os mais vulneráveis. Segundo a organização, os dados epidemiológicos disponíveis até o momento não apontam aumento na gravidade dos casos ligados à variante K. Ainda assim, a OMS classifica o avanço dessa variante como uma “evolução notável”, já que ela vem se espalhando rapidamente em diferentes regiões. Esse tipo de mudança é acompanhado de perto porque o influenza A (H3N2), assim como outros vírus da gripe, passa por alterações genéticas frequentes. Essas transformações podem influenciar tanto como o vírus se espalha quanto o nível de proteção da população, construída a partir de infecções anteriores ou da vacinação. Como a variante K tem se espalhado pelo mundo O alerta da OMS se apoia, sobretudo, na velocidade com que a variante K passou a circular em diferentes regiões. Segundo a organização, desde agosto de 2025 houve um aumento rápido na detecção dessa ramificação genética em vários países, com base em dados de sequenciamento disponíveis. Esse avanço ocorre ao mesmo tempo em que o Hemisfério Norte entra no inverno, período em que tradicionalmente cresce o número de infecções respiratórias. O resultado, segundo a OMS, é um cenário em que a temporada de gripe começou mais cedo em alguns lugares e pode seguir pressionando hospitais na virada do ano — não como um evento futuro distante, mas como algo já em curso. Na América do Sul, até o momento, não há registro da circulação da variante K. Ainda assim, especialistas avaliam que a chegada ao Brasil é uma possibilidade concreta. “A gente só pode imaginar que esse subclado vá chegar ao país. Neste momento em que começam as férias e aumenta a circulação de pessoas entre continentes, a chance de esse clado entrar no Brasil e se espalhar rapidamente é muito grande”, afirma Rosana Richtmann, chefe do departamento de infectologia do Grupo Santa Joana. Na Europa, a OMS identificou um início antecipado da temporada de gripe em relação ao período em que essas infecções costumam ocorrer. O movimento foi medido pelo aumento da positividade dos testes e pela predominância do influenza A(H3N2) tanto na atenção primária quanto em hospitais — um cenário que ajudou a colocar o tema no radar das autoridades sanitárias. Em outras regiões do mundo, o padrão é mais heterogêneo. Em partes do Hemisfério Sul, algumas temporadas de gripe foram mais longas do que o habitual, enquanto em áreas tropicais a circulação do vírus tende a ocorrer de forma mais contínua ao longo do ano Grande parte desse acompanhamento só é possível graças ao Global Influenza Surveillance and Response System (GISRS), rede coordenada pela OMS que reúne mais de 160 instituições em 131 países. O sistema monitora a circulação do vírus influenza ao longo de todo o ano e funciona como um mecanismo global de alerta para mudanças relevantes nos vírus respiratórios. Esse trabalho combina dados clínicos e epidemiológicos com análises laboratoriais e sequenciamento genético, incluindo informações compartilhadas em bases internacionais como o GISAID. É a partir desse conjunto que a OMS consegue identificar padrões de expansão e avaliar riscos potenciais. Apesar da atenção voltada para a variante K, a OMS reforça que a vacinação continua sendo uma ferramenta central. Mesmo com incertezas sobre a proteção contra a doença clínica nesta temporada, estimativas iniciais indicam que a vacina segue reduzindo a necessidade de atendimento hospitalar, tanto entre crianças quanto entre adultos. A organização cita dados preliminares que apontam uma efetividade de cerca de 70% a 75% na prevenção de hospitalizações em crianças de 2 a 17 anos e de 30% a 40% em adultos, ainda que esses percentuais possam variar conforme o grupo e a região. A mensagem é direta: mesmo em um ano marcado por mudanças genéticas do vírus, a vacinação permanece como uma das medidas de saúde pública mais eficazes, especialmente para pessoas com maior risco de complicações e para quem cuida delas. Quem está em maior risco A OMS lembra que a maioria das pessoas se recupera em cerca de uma semana sem necessidade de atendimento médico, mas que influenza pode levar

Chip em estudo restaura a visão de pessoas com degeneração por idade

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Design por Freepik | Data: 11/12/2025 Dispositivo que combina implante colocado embaixo da retina e óculos inteligentes devolveu parte da visão a pacientes com degeneração macular avançada. A combinação de um microchip implantado sob a retina e um par de óculos inteligentes conectados foi capaz de devolver parte da visão a pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI) avançada. O estudo, feito por pesquisadores de cinco países, permitiu que 81% dos voluntários melhorassem a capacidade de leitura após 12 meses. Publicada no The New England Journal of Medicine no final de outubro, a pesquisa detalha como a conexão entre os dispositivos tecnológicos devolveu ao organismo a capacidade de decodificar os estímulos luminosos sem depender diretamente das células danificadas pela doença. “Apesar desse implante não estar disponível imediatamente para os pacientes, ele é realmente um avanço muito importante na oftalmologia”, afirma o oftalmologista e retinólogo Diego Monteiro Verginassi, do Einstein Hospital Israelita. A tecnologia utiliza um implante fotovoltaico colocado por baixo da retina, a parede interna do olho que recebe os sinais da luz. Esses sinais são enviados por uma câmera acoplada aos óculos inteligentes. A câmera capta imagens e as transforma em feixes de luz infravermelha, projetados sobre o chip. Este, por sua vez, converte a luz em estímulos elétricos, assim como faria a retina se não estivesse doente, enviando sinais visuais ao cérebro. Dos 32 voluntários que completaram o acompanhamento de um ano da pesquisa, 27 tiveram avanços no teste de leitura. “Nesse estudo, a maioria dos pacientes conseguiu melhorar o que chamamos de linhas de visão. Quando vamos a um oftalmologista, nós projetamos linhas de letras maiores que progressivamente vão ficando cada vez menores. Nesses casos, os pacientes conseguiram ler de cinco a 12 linhas menores do que aquilo que eles conseguiam ler antes do implante do microchip”, explica Verginassi. O implante se carrega com a luz infravermelha projetada pelos óculos, portanto, não precisa de fios ou baterias para funcionar. Além disso, o dispositivo não prejudicou o funcionamento da visão periférica natural dos pacientes que ainda a preservavam, com as duas formas (a artificial e a orgânica) atuando simultaneamente. Mas a cirurgia para colocar o pequeno chip de 2 milímetros sob a retina não é simples. “Hoje já é um tipo de cirurgia que fazemos na prática, para tratar hemorragias ou até transplantes de epitélio pigmentar, porém é um procedimento complexo”, relata o oftalmologista. Foram registrados 26 eventos adversos graves em 19 participantes, sendo que quase todos estavam relacionados ao aumento de pressão no olho e a pequenas hemorragias nas primeiras oito semanas após a cirurgia. Nenhum caso resultou em perda total de visão ou risco sistêmico. Os pesquisadores agora trabalham em protótipos que possam dar maior nitidez à visão e planejam aumentar o número de voluntários submetidos aos testes, mas ainda deve demorar até que essa alternativa possa ser usada pelo público geral. Perda da visão central A DMRI é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A doença destrói progressivamente as células receptoras de luz na retina, afetando especialmente o centro da visão. “Nessa região temos uma estrutura chamada mácula, que tem uma alta concentração de células que fazem a tradução da luz em impulso nervoso. Na DMRI, essas células sofrem alterações e param de funcionar, causando a perda da visão central que vai aumentando progressivamente em uma cegueira irreversível”, detalha o médico do Einstein. A doença se apresenta de duas formas principais: a seca e a úmida. A seca representa a maioria dos casos e ainda carece de terapias eficazes. “As opções se limitam ao uso de vitaminas e terapias com luz, mas os resultados são pouco animadores”, afirma Verginassi. Já a forma úmida, também chamada neovascular, é tratada com injeções intraoculares de medicamentos que evitam sangramentos responsáveis por danificar as células receptoras de luz. Mesmo com esse tratamento, só é possível conter a progressão da doença, e não restaurar a visão. E isso é justamente o que promete o chip em estudo. “Obviamente, ainda não falamos em recuperar a leitura plena, mas é um avanço importante ao desbravar um tipo de tecnologia até então inatingível”, conclui Diego Verginassi.

O novo alerta sobre perigos da harmonização facial e outros preenchimentos — e como se proteger

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Design por Freepik | Data: 03/12/2025 Michelle Roberts Especialistas afirmam que pessoas que fazem preenchimento no rosto devem ser alertadas sobre o risco de uma complicação grave: o bloqueio de artérias, que pode à perda de pele e até mesmo à cegueira, por causa da redução do fluxo sanguíneo. Pesquisadores usaram um ultrassom para estudar 100 casos de preenchimento que deram errado. Clínicas estão sendo aconselhadas a fazer uma ultrassonografia antes de iniciar o procedimento no rosto, para evitar dandos a artérias próximas. A pesquisadora principal do estudo, Rosa Sigrist, diz que, apesar de incomum, esses eventos de “oclusão vascular” — em que o preenchimento é injetado dentro ou muito próximo de vasos sanguíneos — podem ser devastadores porque eles podem causar a morte de tecidos e deformidades faciais quando não tratados. Os preenchimentos ou harmonizações faciais injetam substâncias geralmente usadas para tratar rugas e suavizar ou “rejuvenescer” a pele. Às vezes elas são usadas para dar contorno ou modelar o nariz e os lábios As áreas ao redor do nariz são particularmente arriscadas para esse tipo de procedimento, afirma Sigrist, porque os vasos sanguíneos nasais se comunicam com partes muito importantes da cabeça. Danos a esses vasos podem causar complicações sérias, incluindo problemas de pele, cegueira e até mesmo AVC. A equipe de Sigrist, da Universidade de São Paulo (USP), estudou complicações vasculares relacionadas a preenchimentos em 100 pacientes em quatro centros de radiologia (dois no Brasil, um na Colômbia e um no Chile), um centro de dermatologia na Holanda e um centro de cirurgia plástica nos Estados Unidos entre maio de 2022 e abril de 2025. O trabalho vai ser apresentado esta semana no encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte. Em quase metade dos casos avaliados, ultrassonografias mostraram ausência de fluxo sanguíneo em vasos pequenos que conectam artérias superficiais àquelas mais profundas do rosto. E em um terço dos pacientes, fluxo sanguíneo estava ausente nos principais vasos sanguíneos. Para evitar complicações, ela aconselha que as clínicas realizem ultrassonografias para planejar onde o produto vai ser injetado. Se complicações aparecerem, a ultrassonografia pode guiar o tratamento. “Se os preenchimentos não forem guiados por ultrassonografias, o tratamento é feito apenas com base nos sinais clínicos e o produto é injetado às cegas”, afirma Sigrist. “Mas se nós temos o ultrassom, podemos tratar o local exato onde as obstruções ocorrem.” Assim, em vez de inundar a área com um medicamento chamado hialuronidase para dissolver o preenchimento, os médicos podem realizar injeções guiadas que utilizam menos hialuronidase e proporcionam melhores resultados de tratamento, afirma. A Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos diz que o uso de ultrassons está aumentando, mas ainda não faz parte da rotina ou é um padrão nos cuidados médicos. Os ultrassons são métodos não invasivos, não usam radiação inonizante e não apresentam efeitos nocivos conhecidos. Nora Nugent, presidente do BAAPS, disse que o ultrassom está se mostrando muito útil em muitas áreas de cirurgias e procedimentos médicos estéticos. “Mapear a localização dos vasos sanguíneos, sem dúvida, fornece informações valiosas antes do tratamento. Riscos como esses, decorrentes de preenchimentos, são um dos muitos motivos pelos quais temos feito campanha há muito tempo por maior regulamentação dos procedimentos estéticos e pela restrição da aplicação desses tratamentos injetáveis àqueles que possuem formação médica.” O governo do Reino Unido, por exemplo, planeja introduzir restrições para procedimentos. De acordo com as propostas já apresentadas, apenas profissionais de saúde “devidamente qualificados” poderão realizar procedimentos de alto risco, como o lifting de bumbum. Clínicas que aplicam preenchimentos e botox precisarão atender a padrões rigorosos para obter uma licença. Uma consulta pública será feita no início de 2026, com opiniões sobre a diversidade de procedimentos que devem ser abrangidos pelas novas restrições. O Parlamento decidirá então o que será introduzido.

Especialistas alertam contra uso indiscriminado de zolpidem e estabelecem diretrizes

Fonte: Info Money | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/11/2025 Consumo do sedativo cresceu 139% entre 2014 e 2021 e já preocupa médicos por risco de dependência e uso irregular Estadão Conteúdo Especialistas das áreas de neurologia, psiquiatria, psicobiologia e medicina do sono publicaram neste mês um consenso sobre o uso de medicamentos como o zolpidem, sedativo-hipnótico indicado para casos de insônia. Encabeçado pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e divulgado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, o documento classifica o crescente uso das chamadas “drogas Z”, como zolpidem e zaleplon, como um problema de saúde pública. A diretriz aponta que o zolpidem é o terceiro hipnótico mais vendido do País, atrás apenas de clonazepam e alprazolam, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre 2014 e 2021, o medicamento registrou um aumento de 139% no volume de vendas, passando de 338.367 para 810.353 caixas. A venda irregular do fármaco foi um dos fatores que impulsionaram a elaboração do documento. De acordo com os autores, o zolpidem está entre os medicamentos mais frequentemente comercializados sem receita ou de forma ilegal no Brasil. Coordenador do Departamento Científico de Sono da ABN e um dos autores da diretriz, Paulo Afonso Mei afirma que a pandemia também contribuiu para o aumento do consumo do medicamento, especialmente devido ao crescimento dos diagnósticos de transtornos relacionados à saúde mental. “Essa é uma percepção muito clara na comunidade médica, houve uma explosão desses diagnósticos. Em estudos próprios, também constatei um aumento de cerca de 40% na proporção de pacientes com queixas relacionadas a problemas do sono”, diz Mei. Outro fator apontado pelo especialista que pode ter impulsionado o consumo do medicamento no período foi a ampliação das prescrições digitais, adotadas especialmente durante as medidas de distanciamento e isolamento social. Diante da alta no consumo, a Anvisa implementou no último ano um controle mais rígido para a venda do zolpidem, com maior fiscalização das prescrições e notificação com receita azul. Segundo Mei, a medida ajudou a frear o avanço. “Foi a única ação de maior impacto que realmente se mostrou eficaz para conter um pouco as prescrições”, afirma. O zolpidem começou a ser comercializado nos anos 1990 e ganhou popularidade por apresentar efeitos colaterais considerados mais leves do que os de outros psicotrópicos, como clonazepam e alprazolam. No entanto, à medida que se popularizou, também aumentaram os casos de dependência. Nas redes sociais, não é difícil encontrar relatos de pessoas que dizem depender do medicamento para conseguir dormir. Mei explica que, desde o lançamento, o zolpidem traz na bula a orientação de que deve ser utilizado por, no máximo, quatro semanas consecutivas. “Mas isso raramente é respeitado”, lamenta. “Ao prescrever, precisamos ter a preocupação de não permitir que o paciente faça uso por longos períodos.” Outros vídeos relatam efeitos colaterais como sonambulismo. O especialista explica que isso ocorre porque o medicamento pode provocar um comportamento amnésico, levando a ações das quais o usuário não se recorda e que podem resultar até em ferimentos. Há relatos, inclusive, de pacientes que cometeram ilegalidades sob efeito da substância, o que reforça a gravidade do problema, afirma. Apesar de antigo, o medicamento continua sendo eficaz para casos de insônia aguda, mas não é indicado para uso crônico, como tem ocorrido com frequência, diz o especialista. Ele acrescenta que os pacientes que buscam ajuda médica geralmente apresentam insônia crônica, com dificuldade para iniciar ou manter o sono e insatisfação com a qualidade do descanso por mais de três meses. Já a insônia aguda costuma ser pontual e surgir em situações que provocam tensão ou nervosismo. Como ter uma noite de sono de qualidade Embora ainda seja indicado para o tratamento pontual da insônia, o zolpidem não é a única estratégia para garantir uma noite de sono adequada e tranquila. A diretriz aponta que o tratamento de primeira linha para pacientes com insônia é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), também eficaz no desmame das “drogas Z” em adultos e idosos. Segundo Mei, o acompanhamento costuma ser breve e, em muitos casos, de seis a dez sessões já é possível observar melhora significativa. Além da terapia, ele recomenda a adoção da chamada higiene do sono, que envolve ajustar a rotina e o ambiente para favorecer um descanso de qualidade. O passo a passo da higiene do sono inclui:

A fascinante história do alho (e quais são suas propriedades medicinais)

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/11/2025 O alho é apreciado há milhares de anos, não só pelo seu sabor intenso e inconfundível, mas pelas suas propriedades medicinais. Conhecido pelos seus efeitos antimicrobianos e antivirais, o alho, há muito tempo, é um produto fundamental na cozinha e nos remédios tradicionais. Originário da Ásia central, o alho foi levado ao longo do tempo, pelas populações migrantes, para a Europa e os Estados Unidos. Atualmente, o maior produtor mundial de alho é a China. O programa de rádio The Food Chain, do Serviço Mundial da BBC, explorou recentemente a rica história do alho e seu significado cultural. E apresentou uma questão importante: o alho é realmente benéfico para nós? Imprescindível na cozinha O alho é um ingrediente essencial na cozinha de inúmeros países. O chef dinamarquês Poul Erik Jenson recebe estudantes do Reino Unido, Austrália, Ásia e Estados Unidos na sua Escola de Gastronomia Francesa, no noroeste da França. Ele garante que nunca teve um aluno que não conhecesse o alho. Para Jenson, o alho enaltece imensamente os alimentos e se pergunta o que seria da cozinha francesa sem ele. “Não acredito que os franceses consigam imaginar um prato salgado sem alho”, afirma ele. “Dos caldos às sopas, em saladas ou pratos com carne, certamente existe um dente de alho em alguma parte. Deixar de usá-lo é inimaginável.” Mas, quando ele era criança em uma região rural da Dinamarca, no início da década de 1970, o alho era virtualmente desconhecido. Jenson recorda que o alho era conhecido principalmente pelo seu odor forte. Mas, quando trabalhadores turcos começaram a imigrar para a Dinamarca, a preparação de alimentos com alho passou a ser uma experiência mais comum. O atual chef de cozinha também se acostumou com o alho nas pizzas italianas. E, hoje em dia, ele também se beneficia do condimento como remédio no inverno. “Minha esposa e eu tomamos um copo de caldo pela manhã, com uma cabeça de alho inteira, espremida”, ele conta. “Não tivemos uma única gripe ou resfriado sério e tenho certeza de que foi graças ao alho.” Longa jornada O significado cultural e espiritual do alho se expandiu já dura milênios. Os gregos antigos deixavam alho nas encruzilhadas, como oferenda a Hécate, a deusa dos feitiços e protetora dos lares. No Egito, os arqueólogos encontraram alho na tumba de Tutancâmon (c.1341 a.C.-c.1323 a.C.), para proteger o famoso faraó na vida após a morte. E, no folclore chinês e filipino, existem lendas de pessoas usando alho para afugentar vampiros. “A receita mais antiga do mundo é um guisado mesopotâmico, de cerca de 3,5 mil anos, contendo dois dentes de alho”, segundo Robin Cherry, autora do livro Garlic: An Edible Biography (“Alho: uma biografia comestível”, em tradução livre). “A menção mais antiga do alho também tem cerca de 3,5 mil anos. Trata-se do papiro de Ebers”, prossegue a escritora. “Ele inclui muitas instruções sobre como usar o alho para curar de tudo, desde mal-estar até parasitas e problemas cardíacos ou respiratórios.” Cherry destaca que o médico e filósofo grego Hipócrates (c.460 a.C. – c.370 a.C.) usava alho em uma série de tratamentos medicinais. Além dele, pensadores e escritores de destaque, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Aristófanes (c.446 a.C.-c. 386 a.C.), também fizeram referência às propriedades medicinais do alho. Da comida dos escravos para os pratos da realeza O alho foi muito popular em civilizações antigas como a Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, China e Índia. Os soldados romanos acreditavam que o alho trazia força e coragem e o espalharam pela Europa durante suas conquistas. O alho era usado como alimento e como remédio, mas houve época em que seu uso culinário estava restrito às classes baixas. “De fato, era um alimento para as pessoas pobres”, segundo Cherry. “Acreditava-se que ele fortalecia as pessoas escravizadas que construíram as pirâmides do Egito e os marinheiros romanos. Era barato e podia disfarçar o sabor desagradável dos alimentos rançosos. Por isso, era considerado algo que só os pobres comiam.” A reputação do alho começou a mudar durante o Renascimento europeu — um período fundamental da história do continente entre os séculos 14 e 16, marcado pelo ressurgimento dos ensinos clássicos e pelo florescimento das artes e das ciências. “O rei Henrique 4° da França (1553-1610) foi batizado com alho e se alimentava muito com o condimento”, prossegue a escritora. “Isso fez com que o alho se tornasse popular.” Cherry destaca ainda que o condimento também ganhou popularidade na Inglaterra vitoriana, no século 19. O alho chegou aos Estados Unidos muito depois, nos anos 1950 e 1960. Levado pelos imigrantes, ele ajudou a reverter estereótipos. “Na verdade, o alho era usado em um sentido muito depreciativo contra judeus, italianos e coreanos”, explica Cherry. “Eles eram chamados de ‘comedores de alho’, o que tinha conotação negativa.” O alho na Medicina Existem atualmente cerca de 600 variedades de alho. Algumas delas só recentemente ficaram disponíveis em todo mundo, como o alho do Uzbequistão, na Ásia Central, e da Geórgia, na região do Cáucaso. Além do seu papel de destaque na cozinha moderna, o alho é usado regularmente para tratar ou reduzir os sintomas do resfriado. Testes clínicos examinaram seus efeitos sobre a pressão arterial, o colesterol e até o câncer, mas com resultados contraditórios. Um pequeno estudo no Irã concluiu que alho com suco de limão ajudou a reduzir o colesterol e a pressão arterial dos participantes em seis meses. Mas um estudo maior, realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, envolveu 200 indivíduos saudáveis durante seis meses e não encontrou reduções significativas dos níveis de colesterol. Um estudo de 2014, realizado na Universidade de Sydney, na Austrália, confirmou as fortes propriedades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas do alho. “O alho contém altos níveis de potássio, fósforo, zinco e enxofre, além de quantidades moderadas de magnésio, manganês e ferro. É como um vegetal milagroso”, afirma a nutricionista pediátrica e porta-voz da Associação Alimentar Britânica, Bahee Van de Bor. “O alho possui compostos encantadores que contêm enxofre, chamados alicinas”, prossegue ela. “Ele é rico em fibras prebióticas, que

Escovar os dentes antes (e não depois) do café da manhã: essa e outras 3 dicas para uma higiene bucal correta

Fonte: Correio Braziliense| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/11/2025 Até as pessoas mais esforçadas podem cometer erros grandes na hora de escovar os dentes. Todos nós achamos que sabemos escovar os dentes. Uma boa lavagem de manhã e à noite, um bom enxágue e, talvez, um enxaguante bucal mentolado, se for o caso. Mas especialistas do setor afirmam que até as pessoas mais esforçadas podem cometer certos erros que destroem todo o seu trabalho. Praveen Sharma, da Faculdade de Odontologia da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, estima que a metade dos adultos britânicos irá desenvolver doenças periodontais em algum momento da vida. E um dos primeiros sinais é o sangramento gengival. “Se as suas gengivas estão sangrando ou inflamadas, é sinal de que você precisa escovar melhor os dentes”, orienta ele. Além das visitas regulares ao dentista, Sharma e os apresentadores do programa What’s Up Docs?, da BBC Rádio 4 (os médicos Xand e Chris van Tulleken), destacam quatro medidas que podemos tomar para melhorar nossa saúde bucal. 1. Escovar bem os dentes uma vez é melhor do que duas vezes rapidamente Um dos grandes mandamentos dentários é escovar os dentes duas vezes por dia. É a recomendação do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês). Mas Sharma destaca que o importante é a qualidade, não a quantidade. “Se você tiver tempo, tudo bem, escove corretamente duas vezes por dia”, explica ele. “Mas é melhor escovar bem uma vez e outra rapidamente, por dois minutos, todos os dias.” Se você só tiver tempo para uma escovação adequada por dia, ele recomenda que seja à noite e que você também use fio dental. É claro que ninguém gosta de usar fio dental. Mas Sharma sugere que o uso de escovas interdentais pode ser mais fácil e menos doloroso. Em relação ao método, cada dente possui três superfícies: a externa, a interna e a oclusal, que usamos para mastigar. É preciso escovar todas elas. Sharma aconselha fazer pequenos movimentos circulares sobre cada superfície, sem aplicar muita pressão. Ele também recomenda atenção especial à união entre o dente e a gengiva, onde podem ocorrer as doenças periodontais. Xand van Tulleken destaca que é importante “se concentrar na sensação das cerdas” e escovar os dentes conscientemente, sem olhar o celular ao mesmo tempo. 2. Escovar os dentes antes do café da manhã, não depois Muitas pessoas escovam os dentes imediatamente depois de comer, o que pode danificar o esmalte. “O ideal é escovar os dentes antes do café da manhã”, segundo Sharma. “Você não irá querer escovar depois de comer algo ácido.” “Se você escovar os dentes depois de comer, é preciso esperar algum tempo entre a refeição e a escovação.” O motivo da espera é que os ácidos dos alimentos e bebidas, especialmente do suco de frutas e do café, podem amolecer o esmalte dos dentes. Escová-los em seguida pode desgastar o esmalte. Chris Van Tulleken recomenda enxaguar a boca com água depois de comer, para retirar parte do ácido, e esperar pelo menos 30 minutos para escovar os dentes após o café da manhã. 3. Não enxaguar depois de escovar Se você cospe, enxágua e faz gargarejos depois de escovar os dentes, talvez seja melhor repensar este processo. “Você deve cuspir sem enxaguar”, recomenda Sharma. O enxágue da boca elimina o flúor concentrado no creme dental restante. Ou seja, você pode simplesmente cuspir o excesso de creme dental, mas deixar a fina camada de flúor dentro da boca, para que ela continue protegendo seus dentes. Se você quiser enxaguar sua boca após a escovação, use um enxaguante bucal. 4. Os cremes dentais mais caros não são melhores Com as gôndolas dos supermercados repletas de cremes dentais branqueadores, com carvão e de regeneração de esmalte, fica fácil imaginar que os cremes mais caros darão um sorriso mais saudável. Mas, segundo Sharma, na verdade não importa qual marca de produto você escolher, desde que ela contenha um ingrediente chave. “Contanto que seu creme dental contenha flúor, realmente não faz muita diferença”, explica ele. Sharma destaca que ele costuma comprar a marca mais barata ou a que estiver em oferta. O flúor ajuda a proteger o esmalte dos dentes e prevenir as cáries e isso é o que realmente importa. Mas o seu dentista poderá recomendar cremes dentais para condições específicas, como gengivas sensíveis.

É sempre necessário tratar a febre? O sintoma que intrigou os médicos durante milênios

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/10/2025 Incômoda e potencialmente prejudicial, a febre é um mecanismo do corpo que auxilia no combate às infecções. Tratar o sintoma, dependendo do caso, pode retardar a recuperação e facilitar a transmissão de doenças. Suores e calafrios comprovam que algo não está bem. Um calor infernal avança até a cabeça, enquanto os calafrios percorrem a sua espinha. Você se sente indefeso, exausto e confuso. “É apenas uma febre”, você pensa. Característica evolutiva de mais de 600 milhões de anos, a febre é companheira habitual de uma enorme variedade de infecções por vírus, bactérias e fungos. Muitos de nós já vivenciamos a febre durante um episódio de gripe, por exemplo. A febre também é um sinal de enfermidades sérias, muitas vezes mortais, ao longo da história humana. E incorporamos seu nome a muitas doenças, como a febre amarela, febre maculosa, febre tifoide, febre oropouche, febre de Lassa e outras. Ainda assim, os seres humanos só conseguiram compreender totalmente como o nosso corpo produz a febre no século 20. Mas por que temos febre? Devemos sempre tratar dela? E quando ela deixa de ser um simples desconforto para se tornar um problema mais sério? Uma pequena sangria Nossos ancestrais tinham total consciência dos perigos da febre e criaram interessantes ideias sobre o funcionamento do nosso corpo, segundo a pesquisadora de ciências humanas e assistência médica Sally Frampton, historiadora da medicina da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Hoje, nós sabemos: ‘Oh, você tem febre, alguma coisa está acontecendo’”, explica ela. “Mas, para muitas pessoas do início do mundo moderno, até o século 19, a sensação era que a febre fosse a doença.” Os gregos antigos tratavam a febre de todas as formas, desde a suspensão da alimentação até a sangria. Estes dois métodos foram usados até o século 19 para tentar baixar a febre. A grande mudança do nosso conhecimento sobre a febre, segundo Frampton, surgiu com a teoria dos germes, que nos trouxe maior conhecimento sobre as infecções. A febre, então, começou a ser considerada um sintoma, não uma doença em si. A teoria dos germes Louis Pasteur (1822-1895) foi o primeiro a publicar a teoria dos germes, em 1861, identificando micro-organismos que invadem o nosso corpo como sendo a causa de doenças. O cientista francês abriu o caminho para que pudéssemos compreender as infecções microbianas como algo que podemos evitar com a higiene. Em 1875, houve um surto de mortes de mães durante o parto em um hospital de Paris, na França, devido à “febre puerperal” (hoje conhecida como infecção pós-parto). Pasteur, então, propôs que a infecção era transmitida pelos médicos e atendentes do hospital. Ele rapidamente orientou os médicos a lavar as mãos e esterilizar seus instrumentos com o uso de calor. Sabemos atualmente que a febre faz parte da reação inata do corpo à infecção. Todo o mundo animal, tanto vertebrados de sangue quente quanto de sangue frio, sofre calafrios causados pela febre, seguidos por suores pegajosos e incessantes. É o sistema de alarme e ataque contra intrusos do nosso corpo. A febre sinaliza que patógenos e outros personagens hostis invadiram nosso corpo e que estamos começando a lutar contra eles. Por mais desagradável que possa ser, a febre ajuda a nos livrarmos desses intrusos. Mas, quando não é examinada, ela pode ser prejudicial. O que é a febre? A febre é geralmente caracterizada por temperatura corporal de cerca de 38 °C ou mais. Ela pode ocorrer quando o nosso corpo reage a infecções, mas também pode ser gerada por doenças autoimunes, doenças inflamatórias ou após a vacinação. Quando o nosso corpo reage à ameaça de um vírus ou micro-organismo patogênico, como infecções fúngicas ou bacterianas, a nossa temperatura corporal aumenta. Este é um mecanismo importante para a nossa reação imunológica, pois faz com que o corpo fique menos acolhedor para os patógenos nocivos. Eles têm dificuldade de se reproduzir e desenvolver dentro de nós a essas temperaturas mais altas. “O corpo detecta algo estranho, como um vírus ou bactéria. O termostato, então, sofre um pequeno ajuste para aumentar a temperatura até o nível em que a resposta a essa ameaça seja mais eficiente”, explica o professor de imunofarmacologia Mauro Perretti, especialista em inflamações da Universidade Queen Mary, em Londres. Com isso, “as células trabalharão melhor; as enzimas funcionarão melhor. É uma reinicialização que, é claro, será transitória.” No nosso corpo, existem janelas minúsculas entre o muito frio, o ideal e o muito quente. Quando a nossa temperatura interna cai abaixo de 35 °C (o que é conhecido como hipotermia), surgem calafrios, desarticulação da fala e respiração lenta. No lado oposto da escala, o aumento da temperatura corporal acima da faixa normal por um período prolongado (hipertermia) pode ser perigoso e prejudicial para os nossos sistemas internos, incluindo o sistema nervoso central, especialmente quando ultrapassa 40 °C, podendo gerar alucinações, convulsões e até a morte. O lado bom da febre A febre envolve o aumento controlado do nosso termostato interno. Mas a hipertermia faz com que a temperatura corporal aumente descontroladamente, sem o ajuste termorregulador. Se a ameaça percebida pelo corpo for vencida, a febre abaixa. O fim de um período de febre surge quando o corpo eliminou a infecção com sucesso, seja isoladamente ou com o apoio da medicina moderna, como antibióticos para infecções bacterianas. O lado positivo da febre é que ela perdura por curto período, já que os muitos sistemas do nosso corpo exigem o retorno ao nível adequado de cerca de 37 °C para sua operação ideal. A febre é uma das bases da inflamação, que é a reação natural do nosso corpo a ameaças como lesões ou infecções. Ao lado da dor, vermelhidão e edema (o acúmulo de fluido caracterizado por inchaço) e da perda das funções normais, a febre ocorre nos sistemas e partes do corpo afetadas, quando o corpo reage a essas ameaças. Juntas, essas reações garantem que o nosso corpo reaja adequadamente ao perigo, seja ele um risco infeccioso ou não infeccioso, segundo Perretti. As crianças têm febre pelas mesmas razões dos adultos. Muitas vezes, elas estão relacionadas a infecções virais ou bacterianas. Mas elas são mais susceptíveis à febre, em grande parte, porque levam mais tempo para calibrar seu termostato interno. Além disso, nas crianças, o hipotálamo (a região do cérebro que produz os

Cogumelos alucinógenos no tratamento contra compulsão

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/10/2025 Revisão de 13 estudos com humanos e animais, financiada pelo governo australiano, mostra potencial da psilocibina, composto alucinógeno encontrado em alguns fungos, para tratar de forma duradoura transtornos como TOC e dismorfia corporal. Composto alucinógeno presente em alguns tipos de cogumelos, a psilocibina tem potencial para tratar transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e condições associadas. Uma revisão de 13 estudos clínicos e pré-clínicos, financiada pelo Conselho Nacional de Saúde da Austrália, constatou que doses únicas da substância reduziram de forma rápida e duradoura os sintomas de compulsão, tanto em pacientes humanos quanto em modelos animais geneticamente modificados. A pesquisa foi publicada na revista Psychedelics. Estima-se que cerca de 3% da população mundial sofra de TOC, e até 40% dos pacientes não respondem adequadamente aos tratamentos atuais — baseados, principalmente, em antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental. O transtorno está entre as 10 principais causas de incapacidade psiquiátrica global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).  “Os resultados convergem para um mesmo ponto: a psilocibina exerce efeitos anticompulsivos robustos e sustentados, muitas vezes após uma única administração”, resume o neurocientista James Gattuso, autor principal do estudo e pesquisador do Instituto Florey de Neurociência e Saúde Mental da Universidade de Melbourne. A revisão inclui tanto experimentos clínicos com pacientes diagnosticados com TOC e transtorno dismórfico corporal quanto estudos em camundongos com comportamentos compulsivos validados em laboratório. Consistência Entre os quatro ensaios clínicos incluídos na revisão, os resultados foram consistentes: melhora expressiva dos sintomas obsessivo-compulsivos em poucos dias, dizem os autores. O primeiro estudo tem quase duas décadas: conduzido em 2006 por Francisco Moreno, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, aplicou doses orais crescentes de psilocibina em nove pacientes com TOC resistente ao tratamento. As reduções nos escores da Escala Yale-Brown — padrão para medir a gravidade do transtorno — variaram de 23% a 100% nas horas seguintes à administração. Pesquisas mais recentes reforçam o potencial terapêutico. Em 2024, o psiquiatra Frank Schneier, da Universidade Columbia, também nos Estados Unidos, investigou 12 adultos com transtorno dismórfico corporal, condição do mesmo espectro diagnóstico que o TOC. Pessoas que sofrem do problema têm uma visão distorcida da imagem do próprio corpo.  Uma dose única de 25mg de psilocibina levou à redução significativa e duradoura dos sintomas por até 12 semanas. Sete dos 12 participantes responderam ao tratamento, e quatro entraram em remissão completa. “O padrão de melhora sugere que o efeito da psilocibina não se restringe a um diagnóstico específico, mas pode beneficiar todo o espectro obsessivo-compulsivo”, comenta Frank Schneier. Em outro estudo, de base populacional, 135 pessoas diagnosticadas com TOC relataram melhora subjetiva após consumir cogumelos contendo psilocibina. Cerca de 30% afirmaram que os benefícios persistiram por mais de três meses, especialmente entre os que haviam feito uso repetido da substância. Para os autores da revisão, os relatos indicam que esquemas de microdosagem ou doses repetidas merecem mais investigações, pois parecem promissores.  Mecanismo Se nos pacientes humanos os resultados já são animadores, nos laboratórios as descobertas são ainda mais intrigantes, disseram os autores. A revisão destaca experimentos com camundongos geneticamente modificados, conhecidos como SAPAP3 knockout, modelo validado para o estudo do TOC. Esses animais exibem comportamentos de autolimpeza excessiva, chegando a causar ferimentos na pele — um paralelo à compulsão em humanos. Nos experimentos, conduzidos em 2024 por dois grupos independentes, uma dose única de psilocibina reduziu o comportamento compulsivo nos camundongos por até seis semanas. Em alguns casos, o efeito persistiu por mais de 40 dias. “Essa replicação independente em diferentes laboratórios é o que torna os resultados tão convincentes”, explica Thibault Renoir, coautor da revisão e pesquisador do Instituto Florey. “Vemos uma resposta duradoura após apenas uma exposição, o que contrasta com os antidepressivos tradicionais, que precisam de uso diário contínuo.” O efeito não se limitou à redução de comportamentos compulsivos. Em alguns estudos, observou-se também aumento da densidade de espinhas dendríticas — pequenas projeções neuronais que formam conexões sinápticas — e elevação na expressão de proteínas associadas à neuroplasticidade, sugerindo que a psilocibina pode remodelar circuitos cerebrais anormais ligados ao TOC. Bloqueio Embora a psilocibina atue principalmente como agonista do receptor 5-HT2A da serotonina — o mesmo responsável por seus efeitos psicodélicos —, a revisão aponta que os efeitos anticompulsivos podem ocorrer mesmo quando esse receptor é bloqueado. Em modelos animais, o uso de antagonistas seletivos não impediu a melhora comportamental. Isso sugere que a substância pode agir por vias neuroplásticas alternativas, talvez modulando outros receptores de serotonina (como 5-HT2C) ou ativando cascatas moleculares associadas ao fator neurotrófico BDNF. Essa descoberta abre um campo de pesquisa promissor, diz o líder do estudo, pois análogos não alucinógenos da psilocibina, como a 1-metilpsilocina, reduziram comportamentos repetitivos em roedores sem induzir efeitos psicodélicos. “Se conseguirmos separar a experiência alucinógena do efeito terapêutico, será possível desenvolver medicamentos seguros, eficazes e acessíveis”, afirma Gattuso. Caminho da substância A aposta dos pesquisadores é que a psilocibina “destrava” o cérebro rígido do TOC ao induzir uma janela de neuroplasticidade: o circuito que antes estava preso em rituais repetitivos fica temporariamente maleável — e essa flexibilidade pode consolidar um novo padrão comportamental com menos compulsão. • Do cogumelo ao cérebro A psilocibina é convertida no organismo na substância psilocina, que se liga a receptores de serotonina no cérebro — especialmente o 5-HT2A, associado a percepção, humor e flexibilidade cognitiva. • Alívio rápido da compulsão Em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno dismórfico corporal, uma única dose reduziu sintomas obsessivos e comportamentos repetitivos em horas ou dias, com efeitos que em alguns casos duraram até 12 semanas. • Circuitos hiperativos O TOC está ligado a uma hiperativação do circuito frontoestriatal (córtex orbitofrontal, cíngulo anterior, núcleo caudado), que fica “preso” em padrões de verificação, medo e ritual. A hipótese dos autores é que a psilocibina ajuda a normalizar esse circuito — soltando o cérebro de loops rígidos. • Neuroplasticidade Em modelos animais que exibem comportamentos compulsivos severos, uma única dose diminuiu a limpeza compulsiva por semanas e foi acompanhada de sinais de reorganização sináptica: ou seja, a substância parece

Saúde Bucal: check-up odontológico é essencial para o bem-estar geral

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 25/10/2025 Descobertas recentes reforçam a importância da saúde bucal para prevenir doenças em todo o corpo. Em um cenário em que a administração da saúde se tornou um diferencial, o Dia Nacional da Saúde Bucal, celebrado no último domingo de outubro, nos convida a uma reflexão importante. A Brazil Health reafirma seu compromisso em oferecer informações confiáveis, levando a excelência médica a um público que busca conhecimento relevante. Na visão da doutora Debora Ayala, profissional com décadas de experiência em odontologia, uma abordagem integrada da saúde revela que a boca vai muito além de sua função básica: é um portal essencial para o equilíbrio do organismo e para uma vida com mais qualidade. Check-up não é luxo, é estratégia Com base em uma vasta experiência clínica e no profundo conhecimento sobre avanços científicos, é fundamental compreender que descuidar da saúde bucal pode trazer consequências sérias. Muito além da higiene diária — indispensável, porém não suficiente —, a proteção e o cuidado com o sorriso, e consequentemente com a saúde geral, dependem principalmente do check-up odontológico regular. Na prática clínica e em pesquisas, a prevenção se mostra o caminho mais eficaz para manter a saúde. O check-up odontológico, portanto, não é um procedimento opcional, mas uma necessidade estratégica que garante o equilíbrio e o bem-estar completo. Diagnóstico precoce evita problemas maiores A detecção precoce e a intervenção eficaz são possíveis graças ao exame clínico feito por um especialista, capaz de identificar problemas antes mesmo que apareçam sintomas. Com essa atenção, é possível evitar tratamentos longos e complicados, garantindo mais qualidade de vida e evitando prejuízos ao tempo e à saúde do paciente. A limpeza profissional realizada no consultório vai além do que conseguimos em casa. Ela remove resíduos que a escova e o fio dental não alcançam, prevenindo inflamações e o avanço de problemas bucais mais graves. Saúde bucal reflete no corpo todo O exame odontológico é abrangente e analisa toda a boca: mucosas, língua, céu da boca e garganta. Essa avaliação completa permite ao dentista identificar, além de problemas dentários, sinais que podem indicar doenças em outras partes do corpo ou até câncer bucal. Assim, manter a saúde da boca se transforma em um passo relevante para o cuidado do corpo como um todo e para garantir disposição e lucidez no dia a dia. Cada paciente possui características anatômicas e hábitos únicos, por isso o check-up é o momento ideal para receber orientações individualizadas. Essa consulta inclui dicas personalizadas de escovação, indicação dos melhores produtos e avaliação do que pode ser ajustado na rotina para aprimorar a higiene bucal. Vale lembrar que a saúde da boca influencia todo o organismo. Problemas bucais podem provocar ou agravar doenças em outros sistemas do corpo, como o coração, quadros de diabetes, o sistema respiratório e até a saúde durante a gestação. Assim, visitar o dentista com frequência é um investimento em sua longevidade, bem-estar físico e mental, autoconfiança e qualidade de vida. Neste Dia Nacional da Saúde Bucal, a Brazil Health, apoiada na experiência da doutora Debora Ayala e no rigor científico, convida você a transformar o check-up odontológico em prioridade. Esse cuidado é o pilar fundamental para um sorriso saudável, que reflete não apenas saúde, mas também bem-estar e plenitude. Cuidar do seu sorriso é o primeiro passo para cuidar de todo o seu corpo. *Texto escrito pela doutora Débora Ayala (CRO/SP 41974), membro da Academia Europeia de Odontologia Estética e da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética