Demência: por que há aumento de casos no Brasil e outros países emergentes?

Fonte: Drauzio Varella | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/08/2024 Por Beatriz Zolin Em algumas partes do globo, o rápido envelhecimento da população exige esforços mais urgentes no cuidado de pacientes com demência. Entenda o fenômeno. O risco de uma pessoa com 65 anos ter demência é de 3%. Conforme os anos passam, esse risco aumenta. Ao chegar aos 90 anos, portanto, ele já está na casa dos 33%. Ou seja, uma em cada três pessoas nessa faixa etária estará sujeita a desenvolver doenças como o Alzheimer.  A demência é um conjunto de síndromes que prejudicam as habilidades mentais de uma pessoa, comprometendo a memória e a tomada de decisões. Ela é mais frequente em idosos, porque está associada a outras condições de saúde que costumam aparecer nessa faixa etária. Como resultado do envelhecimento populacional, o aumento dos casos de demência já é uma realidade no mundo todo. Mas em países em desenvolvimento, como o Brasil, esse crescimento é ainda mais acelerado — e preocupante. Por que os países emergentes estão tendo mais casos de demência? O envelhecimento da população mundial (ou seja, quando as taxas de natalidade e mortalidade diminuem) acontece desde o século 19. No entanto, o fenômeno ocorre de modo diferente em cada região do globo. Nos países em desenvolvimento, esse processo, além de ter começado mais tarde, também se dá de forma acelerada. É o caso, por exemplo, das nações africanas, latinoamericanas e do Sudeste Asiático. Para se ter uma ideia, enquanto a França demorou cerca de cem anos para passar de 7% para 14% da população com mais de 65 anos, o Brasil chegou à mesma marca em apenas 20 anos, de acordo com as últimas edições do Censo IBGE. Segundo um artigo publicado na revista “The Lancet”, a estimativa é que o mundo passe de 57,4 milhões de pessoas vivendo com demência em 2019 para 152,8 milhões em 2050. No Brasil, é possível que esse número chegue a 5,5 milhões, de acordo com o estudo ELSI-Brazil. “As pessoas estão vivendo mais e, como as demências são doenças relacionadas ao envelhecimento, agora a gente vê cada vez mais casos. E isso tem uma sobrecarga muito grande, não só do ponto de vista individual, mas também para o sistema de saúde”, destaca a geriatra Claudia Suemoto. A médica e pesquisadora chamou a atenção para o tema durante a sua palestra “Prevenção de demência na América Latina: a mesma estratégia funcionará para todos?” no Congresso Brain, Behavior and Emotions 2024, evento que reúne diversos especialistas da área de neurociências. Impactos da demência para quem convive com ela O Relatório Nacional sobre a Demência no Brasil (ReNaDe) calcula que a demência tenha custado ao mundo cerca de 1 trilhão de dólares em 2019. Outro artigo, publicado na revista “PLOS ONE”, demonstrou que o custo chega a 1,37 mil dólares por mês para a família, o que representa mais que o dobro da renda média mensal do brasileiro. A situação fica ainda pior quando pensamos que a pessoa que se dedica ao cuidado do paciente, muitas vezes, precisa deixar de trabalhar total ou parcialmente, tendo um prejuízo de cerca de 40% desse valor. Isso porque, com o avançar da doença, a pessoa com demência se torna incapaz de se cuidar sozinha. Inicialmente, ela precisa de ajuda para tomar os medicamentos. Depois, para tomar banho, levantar da cama ou trocar de roupa. Por fim, ela não consegue mais se locomover nem tomar decisões de forma coerente e segura. Em casos mais graves, faz-se necessário a presença de cuidadores 24 horas por dia, sete dias por semana. “E aí tem o impacto psicológico também. De você ter uma pessoa da sua família doente a ponto de precisar de cuidados com essa intensidade. Não te reconhece mais, não é capaz de cuidar de si próprio. Toda vez que você tem um paciente com demência, você tem normalmente um familiar que também está envolvido com a doença”, afirma a dra. Claudia. Especialistas estimam que quase 40% dos cuidadores desenvolvem quadros de depressão em até um ano após começarem a tomar conta de pacientes com demência. Dados do relatório Global status report on the public health response to dementia informam que, nos países de baixa renda, 65% desses cuidadores são membros da família e, entre eles, 70% são mulheres. Quais são as iniciativas do Brasil no cuidado com a demência? No entanto, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento para demência ainda são incipientes no Brasil. Além do estigma associado à doença, há também o despreparo dos profissionais de saúde e das unidades de atendimento para a investigação e manejo adequado do quadro. Em junho de 2024, foi aprovada a lei que institui a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências. As novas diretrizes para o tratamento incluem: “Isso é uma vitória, mas é uma coisa muito recente, que precisa ser bastante trabalhada. O que a gente faz desde o momento que a pessoa tem a queixa? Qual é o plano para fazer o atendimento inicial e o diagnóstico? A partir do momento que a gente tem o diagnóstico de diferentes fases da demência, qual é o cuidado que essa pessoa vai receber? Não existe isso. Tem muita coisa para ser feita”, alerta a dra. Claudia. O que o resto do mundo está fazendo? O atraso destacado pela geriatra não é exclusividade do Brasil. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que, até 2025, pelo menos 75% dos países deveriam ter um plano nacional de demência. Em 2021, apenas um quarto deles havia cumprido a meta. Metade está na Europa e, ainda assim, muitos dos planos estão expirando ou já expiraram. No mesmo ano, na América Latina, apenas México, Cuba, Costa Rica e Chile ofereciam um apoio elaborado ao paciente com demência e seus familiares. “Existem várias diferenças tanto entre países, ricos e pobres, quanto dentro de uma mesma cidade. São muitas as disparidades socioeconômicas. Mas realmente é importante que a gente tenha políticas públicas que olhem para essa população. E que isso seja pensado para ontem, né? Porque o envelhecimento populacional está acelerado e

Ministério da Saúde amplia idade para receber vacina contra a dengue

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Paulo Pinto/Agência Brasil | Data: 14/02/2025 Novas regras valem para vacinas próximas à data de vencimento Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil As vacinas contra a dengue que estiverem próximas às datas de vencimento poderão ser aplicadas em pessoas com idades fora da faixa etária estipulada para o Sistema Único de Saúde (SUS) e poderão ser remanejadas para municípios ainda não contemplados pela vacinação. A recomendação está em nota técnica para todos os estados e o Distrito Federal publicada nesta sexta-feira (14). O objetivo, segundo a pasta, é garantir que todos os imunizantes adquiridos cheguem à população, ampliando a proteção contra a doença. Agora as doses com um prazo de 2 meses de validade poderão ser remanejadas para municípios ainda não contemplados pela vacinação contra dengue ou ser aplicadas em faixa etária ampliada, contemplando pessoas de 6 anos a 16 anos de idade. Já para as vacinas que completarem 1 mês de validade, a estratégia poderá ser expandida até o limite etário especificado na bula da vacina, abrangendo a faixa etária de 4 anos a 59 anos, 11 meses e 29 dias de idade. O imunizante, no âmbito do SUS, é voltado para aqueles com idade entre 10 anos e 14 anos.  De acordo com o Ministério, a expansão do público-alvo deve considerar a disponibilidade de doses e a situação epidemiológica de cada estado e município. Além disso, a pasta deve ser devidamente informada pelas unidades federativas sobre a implementação da estratégia temporária de ampliação da vacinação. Todas as doses administradas devem ser registradas na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) de forma a garantir a segunda dose e o monitoramento completo do processo de imunização. Busca ativa Para completar o esquema vacinal, é preciso tomar duas doses da vacina, o que garante a imunização oferecida pela vacina. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024, 6,5 milhões de doses foram enviadas aos estados e municípios, mas apenas 3,8 milhões foram aplicadas. A situação é ainda mais preocupante entre os adolescentes. Aproximadamente 1,3 milhão de jovens que iniciaram o esquema vacinal não retornaram para a segunda dose. O ministério recomenda que estados e municípios intensifiquem as estratégias de busca ativa, identificando e mobilizando aqueles que ainda não completaram o esquema vacinal. Vacina O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. A vacinação no país teve início em fevereiro de 2024 em 315 municípios e, desde então, vem sendo ampliada, chegando atualmente a 1.921 municípios, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 2024, a vacina da dengue foi incorporada ao SUS para o público de 10 anos a 14 anos de idade que reside em localidades prioritárias, conforme critérios definidos a partir do cenário epidemiológico da doença no país e decisão pactuada com estados e municípios na Comissão Intergestores Tripartite (CIT). 

Sensação térmica de 70 graus? O fenômeno por trás de onda de calor escaldante no Brasil

Fonte: BBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 12/02/2025 A região Sul do Brasil vive a primeira grande onda de calor de 2025. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e algumas áreas do Paraná estão sob alerta vermelho de grande perigo por causa dos recordes registrados nos termômetros nos últimos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (InMet), “as temperaturas máximas estão elevadas em grande parte do país, uma característica típica do verão”. Num alerta publicado em seu site, a empresa de meteorologia Climatempo prevê que a onda de calor vai se expandir para as regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, além de se prolongar no Sul por mais alguns dias. No entanto, para o Sudeste e o Nordeste, as condições climáticas atuais ainda não caracterizam uma onda de calor — algo que pode mudar nos próximos dias. De acordo com as definições da Organização Meteorológica Mundial, esse evento extremo acontece quando as temperaturas máximas diárias ultrapassam em 5°C ou mais a média mensal durante, no mínimo, cinco dias consecutivos. Segundo o relatório da Climatempo, o aumento acima das médias de temperatura deve acontecer entre 12 e 18 de fevereiro — e poderá ultrapassar os 40°C em áreas de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Piauí. Já nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte, os termômetros devem bater os 35°C. “A onda de calor que já provocou temperaturas de quase 44°C no Rio Grande do Sul se estende até 12 de fevereiro fazendo a temperatura novamente superar a marca dos 40°C em vários locais do Estado”, detalha a Climatempo. A agência aponta que o recorde de 43,8°C, registrado na cidade gaúcha de Quaraí no dia 4 de fevereiro, pode ser quebrado. No Norte e no Centro-Oeste, o InMet prevê chuvas e ventos fortes. Massa de ar quente A pesquisadora Marina Hirota, professora associada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que há uma massa de ar quente instalada na região que compreende o Sul do Brasil, o norte da Argentina e partes do Paraguai. “Essa massa de ar quente acompanha a subida de um ciclone extratropical, que passa muito longe do Brasil nessa época do ano”, contextualiza ela. A especialista pontua que as frentes quentes associadas ao ciclone extratropical não costuma chamar muita atenção no nosso país — seus efeitos são mais sentidos e comentados em locais como Estados Unidos e Canadá, onde eles causam nevascas e chuvas intensas em determinadas épocas do ano. Hirota entende que a onda de calor atual possui duas particularidades, além da maior intensidade da massa de ar quente. “Aliada à intensidade da massa de ar quente, nós temos os chamados jatos de baixos níveis”, diz ela. Esse fenômeno é popularmente conhecido como “rios voadores”, que descreve os grandes fluxos de umidade que vêm da Amazônia, passam por Centro-Oeste e Sudeste, e desembocam na região do rio da Prata. “Aliado às altas temperaturas, temos poucos ventos e uma grande umidade. Essa é uma receita para nosso corpo não conseguir suar adequadamente”, acrescenta ela. A junção de todas essas coisas faz com que a sensação térmica suba ainda mais — falaremos mais sobre essa questão a seguir. Uma segunda particularidade da onda de calor, especialmente no Rio Grande do Sul, é a topografia da região. “Especialmente no litoral gaúcho, temos um vento que sopra de oeste para leste. Ele sobe a serra e, ao descer novamente, causa seca e aquecimento”, detalha a pesquisadora. “Esse movimento do ar deixa as temperaturas ainda mais altas em alguns lugares”, complementa ela. Sensação de 70 graus? Nos últimos dias, também começaram a circular na internet projeções de que a sensação térmica pode chegar aos 70°C em algumas partes do país. Essa estimativa se baseia numa tabela do Grupo de Climatologia Aplicada ao Meio Ambiente da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). A ferramenta cruza duas informações: a temperatura e a umidade do ar. Se os termômetros baterem 41°C e a umidade estiver em 80%, por exemplo, a sensação térmica de fato beira os 70°C, segundo essa tabela. Mas outros órgãos de meteorologia, como o InMet e o MetSul, estimam que a sensação térmica pode chegar a até 50°C em alguns locais. Hirota pondera que a sensação térmica é uma medida muito variável. “As sensações térmicas previstas nesses modelos levam em conta um padrão de medida, com condições específicas”, diz ela. “É por isso que relógios de rua, aqueles que medem a temperatura, podem dar diferentes valores. Isso vai depender se o sol bate diretamente ali, a sensibilidade dos dispositivos, os ventos…” E essa variabilidade toda acontece também com os seres humanos. “Temos fatores externos que influenciam na sensação térmica, como umidade, vento, sombra e temperatura”, diz a pesquisadora. “Mas cada pessoa pode ter uma sensação individual, que depende da idade, do nível de desidratação, entre outros fatores”, complementa ela. Isso acontece porque possuímos uma série de “termostatos”, que sentem a temperatura do ambiente e tentam regular para que o corpo fique sempre mais ou menos em 37 °C. Em dias muito quentes, uma maneira de fazer isso é através do suor: a liberação de líquidos literalmente resfria a pele para mantê-la dentro dos limites aceitáveis para nossa própria sobrevivência. Porém, como explicado mais acima, esse processo de transpiração é influenciado por uma série de fatores externos — uma umidade elevada, por exemplo, dificulta a liberação de líquidos pelo organismo, o que faz a sensação térmica subir. O mesmo acontece com um indivíduo que não está hidratado o suficiente (ele não tem um estoque de água a ser liberado) ou com os mais velhos (cujo “termostato” fica um pouco mais impreciso pelo processo natural do envelhecimento). Por isso, nesses dias de muito calor, é ainda mais importante fazer uma boa hidratação com água e frutas, usar roupas leves, arejar ambientes fechados e buscar o abrigo de sombras sempre que possível. Todos esses cuidados ajudam o corpo a lidar melhor com a temperatura extrema e aliviam a sensação térmica individual. E essas ações serão cada vez mais necessárias num cenário de mudanças climáticas. “Os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas

Por que as pessoas tendem a comer mais doces e comidas gordurosas ao parar de fumar?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 10/02/2025 O início do ano é a época mais popular para parar de fumar, de acordo com a organização britânica de combate ao tabagismo Action on Smoking and Health (ASH). Parar de fumar cigarro comum ou eletrônico (vape) não é uma tarefa fácil. A vontade pode ser avassaladora, e não apenas de consumir nicotina. Muita gente sente mais fome, e acaba recorrendo à chamada junk food (alimentos com má qualidade nutritiva) depois de parar de fumar. Eu sou nutricionista, e vou explicar a seguir por que esses desejos podem aumentar, e sugerir estratégias para ajudar você a controlá-los. Benefícios para a saúde de parar de fumar Se você está lendo este artigo porque parou de fumar ou usar vape, parabéns! A maioria dos fumantes (e usuários de vape) quer parar — e você está fazendo isso. Você fez uma escolha incrível para sua saúde, pois os benefícios começam 20 minutos depois de parar de fumar. Em 48 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue vão ter caído para os de um não fumante, e você vai estar no caminho certo para ter mais energia. A longo prazo, parar de fumar reduz o risco de 50 doenças e condições diferentes. Seu condicionamento físico vai melhorar, você vai respirar melhor, e os alimentos vão começar a ficar mais saborosos. Mas colher os benefícios de parar de fumar é, sem dúvida, difícil. A nicotina é seriamente viciante, e os sintomas de abstinência — como desejos intensos, irritação, inquietação e dificuldade para dormir — não são nada divertidos. Parar de fumar também está associado ao aumento do apetite e, por causa disso, para alguns, ao ganho de peso. Antes de falarmos sobre por que parar de fumar pode levar a comer mais (especialmente alimentos ricos em gordura e açúcar) e o que você pode fazer a respeito disso, é muito importante lembrar o seguinte: fumar é um risco muito maior para a sua saúde do que ganhar um pouco de peso. E as pesquisas mostram que o ganho de peso após parar de fumar não elimina os benefícios de parar de fumar que salvam vidas. Saber que o ganho de peso pode acontecer — e adotar algumas estratégias simples para controlá-lo — pode ajudar você a se adaptar. Apetite e nicotina Mas, afinal, por que parar de fumar provoca um aumento na ingestão de alimentos? Há alguns fatores em jogo. Foi demonstrado que a nicotina suprime o apetite e a ingestão de alimentos. Estudos realizados em animais, por exemplo, mostram que quando os ratos recebem nicotina, eles comem menos e esperam mais tempo entre as refeições. Mas quando a nicotina é retirada, acontece o oposto — os ratos começam a comer mais e a ganhar peso. Efeitos semelhantes foram observados em seres humanos. Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Loughborough, em Londres, comparando os hábitos alimentares de fumantes e não fumantes do Reino Unido, constatou que os fumantes tinham duas vezes mais chance de pular refeições. Eles também eram 50% mais propensos a ficar mais de três horas sem comer, e 35% menos propensos a fazer lanches entre as refeições. Pesquisas também mostram que a abstinência de nicotina tende a aumentar o desejo de comer junk food — alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal. Não está totalmente claro por que isso acontece, mas há evidências de que a sensação de prazer que se tem ao usar nicotina ou comer junk food se sobrepõem em várias partes do cérebro. Faz sentido, portanto, que as pessoas acabem usando os alimentos como uma forma de lidar com o desejo de nicotina ao parar de fumar. Outro fator é que os alimentos simplesmente ficam mais saborosos depois de parar de fumar, à medida que o paladar e o olfato se recuperam. Alguns fumantes também sofrem com a fixação oral, ou seja, o desejo de manter algo na boca, como chicletes, vapes ou cigarros. Petiscar pode ajudar a satisfazer essa necessidade, e é por isso que pode acabar substituindo o hábito da nicotina. Maneiras de controlar o desejo por alimentos não saudáveis Então, como será que você pode controlar os desejos e o aumento da fome que surgem ao parar de fumar? Lembre-se de que essa fome é um efeito colateral comum da abstinência de nicotina, e não está totalmente sob seu controle. Em vez disso, concentre-se em se apoiar em escolhas saudáveis. A seguir, está meu conselho: 1. Foque em comer refeições equilibradas regularmente Isso não apenas vai oferecer ao seu corpo mais nutrição à medida que você se torna livre da nicotina, como também vai ajudar você a controlar sua fome e seus níveis de energia — vou compartilhar mais adiante dicas sobre os tipos de alimentos nos quais você deve se concentrar. 2. Faça um plano do tipo ‘se/então’ Pode parecer óbvio, mas criar uma estratégia para lidar previamente com os desejos aumenta suas chances de manter as metas de alimentação saudável. Os especialistas em mudança comportamental chamam esses tipos de planos de “intenções de implementação”, que seguem um padrão do tipo “se/então”: Se X acontecer, então farei Y. Por exemplo: se eu estiver com desejo de comer chocolate, vou comer uma barrinha energética ou vou preparar uma torrada com pasta de amendoim. Ao decidir antecipadamente como reagir, é menos provável que você aja por impulso, especialmente quando estiver estressado ou cansado — sensações comuns durante a abstinência de nicotina. Um plano sólido ajuda você a evitar essas armadilhas, e a se manter no caminho certo. 3. Prepare lanches saudáveis ​​com antecedência Se antecipe à fome, preparando lanches saudáveis e deixando-os prontos para comer na geladeira ou na marmita. Escolha lanches ricos em proteínas (como ovos, iogurte grego, tofu, edamame) ou fibras (frutas, legumes, bolinhos de aveia, nozes, sementes), ou uma mistura de ambos, uma vez que ajudam você a se manter saciado por mais tempo. Muffins de ovo são uma ótima opção. Ou que tal combinar homus de pimentão vermelho com legumes fatiados, como cenoura ou pepino em palitos? Se você tiver uma air fryer, o grão-de-bico crocante é uma ótima pedida. Ideias de lanches saudáveis ricos em

Como ioga modifica o seu cérebro e até aumenta o volume de massa cinzenta

Fonte: BBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 02/02/2025 Meu braço direito está tremendo. O suor escorre da minha testa enquanto giro meu corpo, saindo da posição de prancha lateral para uma postura de ioga conhecida como “Coisa Selvagem” ou “Camatkarasana”. É um contorcionismo e tanto — arqueio as costas, esticando o braço esquerdo sobre a cabeça. Meu pé direito está apoiado no chão, e olho para o céu. Uma das traduções da palavra em sânscrito camatkarasana é “desdobramento extático do coração extasiado”, e diz-se que ela desperta confiança. Apesar do esforço, me sinto invencível. Quando comecei a praticar ioga, eu queria suar e ganhar força. Eu a via apenas como uma forma de exercício, mas descobri que era muito mais do que isso. A prática da ioga remonta a mais de 2 mil anos, na antiga Índia. E embora hoje existam muitos tipos diferentes de ioga — da meditativa Yin Yoga à fluida Vinyasa — por meio de exercícios de movimento, meditação e respiração, todas as formas se concentram em uma conexão entre a mente e o corpo. E há cada vez mais evidências de que a ioga pode não oferecer apenas benefícios físicos, mas também fazer bem à mente. Alguns pesquisadores até esperam que ela possa ser uma forma promissora de ajudar pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) a lidar com seus sintomas. Sem dúvida, as pesquisas sobre os benefícios físicos da ioga são extensas. A primeira coisa que qualquer pessoa que ainda não tenha praticado ioga deve saber é que ela pode ser surpreendentemente extenuante. Ela melhora a força, a flexibilidade e o condicionamento cardiorrespiratório. Estudos mostram que a ioga pode melhorar a resistência e a agilidade. Também pode evitar lesões (embora também possa ser uma causa de lesão se não for praticada corretamente) e ajudar a melhorar o desempenho em outros esportes —, o que é defendido por jogadores de futebol de alto nível e jogadores de basquete. E há um número cada vez maior de pesquisas mostrando que a ioga pode ser benéfica para uma ampla variedade de problemas de saúde. Em pessoas que sofrem de epilepsia, por exemplo, a prática da ioga reduz significativamente o número de convulsões, ou chega até mesmo a evitá-las completamente. A ioga tem sido usada como uma ferramenta para ajudar a controlar o diabetes tipo 2, reduzir a dor crônica e auxiliar na reabilitação de derrames. Também foi demonstrado que é mais eficaz do que a fisioterapia para melhorar a qualidade de vida de pessoas com esclerose múltipla, e um estudo até sugere que poderia ser benéfica para sobreviventes de câncer. Efeitos no cérebro A ioga também pode ajudar a ter uma vida saudável por mais tempo, diz Claudia Metzler-Baddeley, neurocientista cognitiva do Centro de Pesquisa de Imagens do Cérebro (Cubric) da Universidade de Cardiff, no País de Gales. Mas também descobriu-se que a ioga altera a composição do seu cérebro. Estudos mostram que a prática de ioga afeta positivamente a estrutura e a função de partes do cérebro, incluindo o hipocampo, a amígdala, o córtex pré-frontal, o córtex cingulado e as redes cerebrais, incluindo a rede de modo padrão, parte do cérebro envolvida na introspecção e no pensamento autodirigido. Alguns pesquisadores afirmam que isso pode significar que ela tem potencial para mitigar os declínios neurodegenerativos e relacionados à idade. A pesquisa de Metzler-Baddeley se concentra nos mecanismos cognitivos e neurais do envelhecimento e da neurodegeneração. “Acreditamos que a inflamação acelera o envelhecimento, que pode ser causado pelo estresse crônico”, diz ela. “Os hormônios do estresse, como o cortisol, causam inflamação, que pode provocar aumento da pressão arterial. Estes são, obviamente, fatores de risco para um envelhecimento não saudável.” De acordo com ela, a meditação e a atenção plena (mindfulness) são parte integrante da prática de ioga — e “parecem induzir mudanças nas redes cerebrais que são importantes para a metacognição, a metaconsciência e a regulação das respostas emocionais ao estresse”. “Sabemos que há potencial [para que a ioga] nos mantenha saudáveis à medida que envelhecemos”, diz ela. “Há estudos que descobriram uma série de diferenças estruturais [no cérebro de pessoas que praticam ioga], e que certas áreas importantes para a metacognição e a resolução de problemas parecem ser maiores.” Estudos de neuroimagem revelaram que a ioga pode levar a um aumento no volume da massa cinzenta no cérebro. A massa cinzenta — ou o córtex cerebral — é importante para os processos mentais, incluindo linguagem, memória, aprendizado e tomada de decisões. Na doença de Alzheimer, há uma perda de volume de massa cinzenta, e um estudo de 2023 descobriu que a ioga pode retardar a perda de memória entre mulheres com risco de sofrer da condição. Um antidepressivo eficaz Todos os exercícios são conhecidos por melhorar o humor ao reduzir os níveis de hormônios do estresse e aumentar a produção de endorfinas, muitas vezes chamadas de “substâncias químicas do bem-estar”. Mas as posturas combinadas, a respiração e os exercícios de meditação da ioga podem oferecer benefícios adicionais, reduzindo a ansiedade, o estresse, a depressão e melhorando a saúde mental em geral. Estudos mostram que a ioga pode melhorar os sintomas de curto prazo da depressão, por exemplo. “Eu não queria seguir adiante. A vida era difícil demais”, diz Heather Mason, fundadora da escola de formação em iogaterapia The Minded Institute. “A ioga transformou minha vida, me ajudando a controlar a depressão, a ansiedade e o transtorno de estresse pós-traumático.” Depois de experimentar os efeitos profundos da ioga, Mason se formou nesta prática, assim como em psicoterapia e neurociência, antes de fundar sua escola de formação em iogaterapia em 2009. “Senti que havia muitas alegações [sobre a ioga] que não tinham evidências fundamentadas. E quando você passou a maior parte da sua vida sem esperança, não quer que te vendam algo que poderia funcionar”, diz ela. Mason agora treina profissionais de saúde e de ioga em iogaterapia. “Percebi que havia um problema de acessibilidade”, revela. “A ioga é comercializada para mulheres jovens, brancas e magras. Se você não se vê refletido nesta prática, pode achar que ela não é para você.” Também pode custar caro, ela acrescenta. “É por isso que estou tão determinada a integrá-la ao NHS [sistema público de saúde do Reino Unido]”.

Fevereiro Roxo & Laranja: AAPBB Alerta para a Conscientização sobre Lúpus, Fibromialgia, Alzheimer e Leucemia

Fevereiro se veste de roxo e laranja para conscientizar a população sobre quatro importantes doenças: lúpus, fibromialgia, Alzheimer e leucemia. A AAPBB, sempre atenta à saúde e ao bem-estar de seus associados e da comunidade, une-se a esta campanha para disseminar informações relevantes e promover a prevenção e o diagnóstico precoce. Fevereiro Roxo: Conscientização sobre Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer: A cor roxa representa a luta contra essas três doenças, buscando aumentar a conscientização sobre seus sintomas, diagnóstico e tratamento. Fevereiro Laranja: Conscientização sobre Leucemia:A leucemia é um tipo de câncer que afeta as células do sangue. A cor laranja foi escolhida para representar a luta contra essa doença, buscando incentivar a doação de medula óssea e o diagnóstico precoce. A Importância da Informação e do Diagnóstico Precoce:O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento de todas essas doenças. A informação é uma ferramenta poderosa para conscientizar a população sobre os sintomas e a importância de procurar um médico ao surgirem os primeiros sinais. O Papel da AAPBB:A AAPBB apoia as campanhas Fevereiro Roxo e Laranja, reconhecendo a importância da conscientização e da informação para a promoção da saúde. Conclusão:Neste Fevereiro Roxo e Laranja, a AAPBB reforça seu compromisso com a saúde e o bem-estar da comunidade, disseminando informações relevantes sobre lúpus, fibromialgia, Alzheimer e leucemia. Acreditamos que a informação e a prevenção são as melhores armas contra essas doenças. Acompanhe nosso blog para mais notícias e informações relevantes sobre saúde, bem-estar e os direitos dos aposentados, funcionários e pensionistas do Banco do Brasil.

Cientistas do Inca alertam para desinformação sobre câncer

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Inca/Divulgação | Data: 04/02/2025 Infodemia inclui mitos sobre causas e tratamentos sem comprovação Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil No Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta terça-feira (4), pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (Inca) alertam para o grande fluxo de desinformações sobre a doença que circulam em redes sociais. Um artigo publicado na edição mais recente da Revista Brasileira de Cancerologia mostra os riscos de uma infodemia do câncer, ou seja, a circulação rápida e ampla de informações falsas sobre a enfermidade. “Infodemia é um conceito criado por especialistas internacionalmente, validado pela OMS [Organização Mundial da Saúde], que ganhou muita força durante a pandemia de Covid-19. Infodemia é um olhar sobre os momentos em que informações sobre saúde ganham uma grande relevância e começam a aumentar de uma forma muito abrupta essas informações, sejam verdadeiras, ou não”, explicou o pesquisador Fernando Lima, um dos autores do artigo. De acordo com o pesquisador, as redes sociais não facilitam a distinção entre informação, baseadas em evidências científicas, e desinformação. “Isso pode atrapalhar as tomadas de decisão do indivíduo sobre o seu próprio cuidado e acabar, ou atrasando tratamentos ou atrasando diagnósticos, e complicando os próprios casos”. O artigo destaca que a infodemia do câncer abrange desde mitos sobre as causas da doença até a promoção de medidas preventivas e tratamentos não comprovados. Essas informações podem incentivar ações sem base em evidências. “Uma informação falsa que tem sido muito propagada em redes sociais tem relação com vacina contra HPV, que tem como objetivo a prevenção do câncer de colo de útero. Existe inclusive a desinformação de que isso [a vacinação] poderia estar associado a um aumento dos casos do câncer de colo de útero”, afirmou Lima. “Há também desinformação sobre a segurança do uso de cigarros eletrônicos. Eles não são seguros. Não há comprovação nenhuma de sua segurança. E há também notícias de substituição de tratamentos convencionais por tratamentos alternativos. Isso gera um grande risco para a sociedade”. Outra autora do artigo, Telma de Almeida Souza, lembra o caso recente da circulação de desinformações acerca do uso da graviola como uma suposta forma de matar células cancerígenas. “O tempo para o paciente com câncer é primordial. Isso faz com que ele perca tempo no seu tratamento. Esse combate à desinformação é importantíssimo para salvar vidas.” Segundo o artigo, a disseminação e amplificação das desinformações são potencializadas, de forma intencional, pelas redes sociais, por meio oo chamado “capitalismo de vigilância”. Por esse conceito, as empresas de tecnologia ganham dinheiro mantendo as pessoas conectadas, coletando seus dados e moldando seus comportamentos. Os algoritmos usados por tais redes sociais amplificam narrativas, que “criam câmaras de eco e privilegiam conteúdos sensacionalistas com o objetivo de aumentar o engajamento dos usuários, impulsionando a todos para a era da infodemia”, diz o artigo. “O aumento abrupto [da circulação dessas informações] dificulta muito para o cidadão comum compreender entender ali, diferenciar o que seria informação ou desinformação. A informação em saúde, hoje em dia, na internet, pode ter picos, o que se chama de viralização, e esse pico pode ser um momento que pode gerar muitas dúvidas na sociedade”, ressaltou Fernando Lima. De acordo com Lima, é preciso haver monitoramento permanente dessas informações e dar uma resposta rápida e eficiente, para que a sociedade saiba diferenciar informação e desinformação. Ações como regulamentar e responsabilizar as empresas que controlam as redes sociais e fortalecer respostas institucionais às informações falsas são medidas sugeridas pelos pesquisadores.

A mandioca faz bem para saúde do intestino, diz estudo feito por pesquisadores brasileiros

Fonte: Extra | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/02/2025 Muito comum no cardápio diário de milhões de brasileiros, a mandioca, também chamada de aipim ou macaxeira, mostrou que é benéfica para a saúde do intestino em um estudo realizado por pesquisadores brasileiros. “Os resultados mostram que as cultivares de mandioca causaram mudanças benéficas na composição e na atividade metabólica da microbiota intestinal humana de celíacos. As cultivares OUR e UPI (tipos de mandioca) do Nordeste e Sul do Brasil podem ser consideradas potenciais ingredientes prebióticos para uso na formulação de alimentos funcionais e suplementos alimentares”, escreveram os autores do estudo. De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica “Food Research International”, a raiz tem potencial prebiótico, o que significa que ela estimula o crescimento e a atividade de bactérias favoráveis ao intestino. O alimento também se mostrou uma opção vantajosa para pessoas celíacas, isto é, aquelas que apresentam intolerância ao glúten (proteína presente na aveia, no trigo, no centeio e seus derivados) podem incluí-la na rotina alimentar. A equipe de cientistas analisou amostras de diferentes tipos de cultivos de mandioca. A partir deles, estudaram a composição química de forma detalhada e também avaliaram os efeitos do consumo da raiz no organismo através de testes feitos no decorrer do processo de digestão. Segundo a nutricionista Viviana Navarro, pós-graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — que não participou do estudo, mas é especialista no assunto —, as descobertas representam uma boa notícia, já que a macaxeira é um ingrediente comum no país e de custo relativamente baixo. Aliado a isso, o fato de que ela favorece o equilíbrio da microbiota, melhorando a atividade intestinal, influencia diretamente nas nossas emoções. — O intestino é considerado o nosso segundo cérebro. Boa parte das nossas emoções são reguladas pela microbiota intestinal. Inclusive, a maior parte da serotonina (conhecida como hormônio do bem-estar), de 70% a 90%, é produzida no intestino — explica Viviana. Outro aspecto destacado pela nutricionista é que a pesquisa também aborda o fato de a raiz ser naturalmente isenta de glúten: — O que oferece uma alternativa segura e nutritiva para que pessoas com doença celíaca consigam substituir alimentos como o pão no café da manhã. Receita com a mandioca O escondidinho de frango com mandioca, recomendado por Viviana Navarro, é rico em carboidratos complexos, proteínas magras e fibras. A nutricionista afirma que é uma opção para almoço ou jantar com alto valor nutricional que rende até 4 porções. Ingredientes: Modo de preparo:

Congelamento de câncer de mama tem 100% de eficácia em estudo nacional

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/01/2025 O procedimento, chamado crioablação, usa temperaturas extremamente baixas para congelar e destruir células cancerígenas; pesquisa é de professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Gabriela Maraccini Uma técnica inovadora para tratamento de câncer de mama apresentou 100% de eficácia em um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O procedimento, chamado crioablação, é minimamente invasivo e usa temperaturas extremamente baixas para congelar e destruir células cancerígenas ou tecidos-alvos. Em estudo inicial, a crioablação foi realizada após a cirurgia. Esta etapa da pesquisa contou com 60 pacientes e obteve eficácia de 100% para tumores menores do que 2 centímetros. Agora, o trabalho está comparando um grupo de pacientes que passou pelo procedimento sem a necessidade de uma operação com outro grupo em que é feita a cirurgia tradicional. Nesta fase, mais de 700 pacientes participam da pesquisa em 15 centros de saúde do Estado de São Paulo, segundo Vanessa Sanvido, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp. Procedimento inédito foi feito em janeiro no Hospital São Paulo No último dia 13, professores da EPM/Unifesp realizaram, pela primeira vez em um hospital público brasileiro, a criablação para tratamento de câncer de mama. O procedimento foi realizado na Unidade Diagnóstica do ambulatório de Mastologia do Hospital São Paulo (HSP/HU Unifesp). Foi o primeiro protocolo de pesquisa na América Latina que utilizou a técnica para o tratamento da doença. Durante o procedimento, foram realizados três ciclos de 10 minutos, alternando o congelamento e o descongelamento do tumor mamário. “Inserimos, por meio de uma agulha, o nitrogênio líquido a uma temperatura de cerca de -140ºC na região afetada, o que forma uma esfera de gelo, destruindo o tumor. A incisão deixada pela agulha é igual ou até menor à própria biópsia realizada pela paciente”, explica Afonso Nazário, professor da EPM/Unifesp. O procedimento pode ser realizado em ambulatório, sem necessidade de internação hospitalar, com uso de anestesia local. Segundo os professores, é uma técnica indolor, com alta precisão e relativamente rápida. No Brasil, a técnica já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para o tratamento do câncer de mama. Em outros países, como Israel, Estados Unidos, Japão e Itália, a técnica já é utilizada para o tratamento do câncer de mama. O procedimento realizado no HSP/HU Unifesp tem caráter experimental e marca a continuidade da pesquisa de pós-doutorado da professora Sanvido. “As agulhas utilizadas no procedimento têm um valor alto. Nós estamos otimistas de que vai dar certo e de que poderemos, futuramente, contar com o procedimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a expansão do uso da crioablação, acreditamos que o custo da agulha vai cair e se tornar mais acessível. Nosso objetivo é tirar da fila do SUS de 20 a 30% das pacientes”, afirma Nazário.

Qualquer nível de atividade física ajuda a combater depressão, diz estudo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 27/01/2025 Pesquisa nacional mostra que mesmo atividades como deslocamento a pé até o trabalho e subir escadas pode ser benéfico para saúde mental Gabriela Maraccini Manter uma rotina de atividade física, mesmo em nível leve, pode ser benéfico para a saúde mental e para combater sintomas de depressão. É o que diz um novo estudo nacional realizado por pesquisadores do Instituto Israelita Ensino & Pesquisa de São Paulo, do Hospital Israelita Albert Einstein, e da Universidade Nove de Julho. Os resultados do estudo, publicado no Journal of Affective Disorders, mostram que qualquer nível de atividade física foi associado à redução do risco de sintomas depressivos. O trabalho usou dados de 58.445 adultos brasileiros (68,6% homens e 31,4% mulheres), com 18 anos ou mais, que participaram de iniciativas de triagem de saúde entre 2008 e 2022 no Centro de Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein ao longo de 14 anos. Todos os participantes do estudo passaram por avaliações completas de saúde com profissionais treinados, incluindo análises clínicas. Além disso, foram aplicados questionários sobre atividade física e sobre sintomas depressivos. A partir desses dados, os pesquisadores aplicaram alguns critérios de exclusão até chegar na amostra analisada. Posteriormente, a equipe comparou os dados das análises com a presença de depressão e o nível de atividade física. Isso foi feito usando de um método estatístico chamado regressão logística, e foi verificado se os níveis de atividade física — inativo, insuficiente ativo, ativo e muito ativo — foram associados à presença de sintomas depressivos. O trabalho aponta que pacientes com índice de massa corporal (IMC) alto, com hipertensão, diabetes, tabagismo e maior nível de estresse foram associados a maiores chances de sintomas depressivos. No entanto, os níveis de atividade física foram relacionados ao menor risco de depressão. “Estudos anteriores já apontaram para a relação entre atividade física e o menor risco de depressão, entretanto, os mesmos, em sua grande maioria, estudam apenas o papel da atividade física no lazer e através de questões não padronizadas”, afirma Luana Queiroga, autora do estudo, profissional de educação física e pesquisadora do Einstein, à CNN. “Esse novo estudo tem a maior casuística brasileira na temática e engloba diferentes contextos da atividade física, além do lazer e esporte, tais como a locomoção, ocupação e atividades diárias”, completa. Na visão de Queiroga, estudar apenas o papel da atividade física no lazer “restringe e elitiza o entendimento dessa variável e os desfechos de saúde”. “Grande parte da população realiza atividade físicas nos domínios ocupacionais, locomoção e atividades diárias, que são avaliadas no Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), utilizado nesse estudo”, completa. Atividade física é qualquer movimento corporal que aumente o gasto calórico Outro ponto diferencial do estudo foi considerar “atividade física” como qualquer movimento corporal que aumente o gasto calórico em relação ao repouso. “Outros estudos mostram a relação do exercício físico com a depressão. O que nossos achados trazem de informação diferenciada é que a atividade física tem essa associação no risco do indivíduo de desenvolver depressão. E por que falamos de atividade física, e não exercício, agora? Porque é qualquer movimento corporal que tenha gasto calórico. Não necessariamente, essa atividade física vai ser um exercício físico”, explica Rafael Mathias Pitta, coordenador de análise da pesquisa, à CNN. Diante disso, entre os exemplos de atividade física considerados pelos pesquisadores estava o deslocamento de casa até o trabalho. “O que o nosso estudo demonstra é que, independentemente do domínio da atividade física, seja atividade física de lazer, atividade física ocupacional, atividade física de deslocamento ou da vida diária, o nível dessa atividade, mesmo baixo — realizados de 11 minutos acumulados na semana até 149 minutos semanais — já demonstrou um fator de proteção da depressão”, afirma. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que adultos façam, pelo menos, 150 minutos de atividade física de intensidade moderada pela semana. A entidade reforça que esse valor pode ser alcançado, muitas vezes, durante a realização de tarefas diárias, incluindo caminhar até o trabalho ou até o ponto de ônibus, se deslocar de bicicleta e, também, atividades recreativas e esportivas. Efeitos da atividade física na saúde mental De acordo com Queiroga, existem vários mecanismos que podem explicar o efeito da atividade física na redução dos sintomas depressivos. Entre eles, é a própria contração muscular, responsável por melhorar as respostas neuroendócrinas e inflamatórias, relacionadas a melhorias na arquitetura dos neurônios do cérebro. “Além disso, indivíduos que desenvolve sintomas depressivos, apresentam baixos níveis de BDNF, uma proteína importante para a sobrevivência dos neurônios e com a realização da atividade física esses níveis aumentam”, explica a pesquisadora. Além disso, a atividade física é um fator para outras variáveis comportamentais. “Alguns estudos já revelam que a prática de uma sessão de atividade física já é o suficiente para promover melhores escolhas, seja na hidratação, na alimentação ou no sono”, explica Pitta. Tudo isso pode levar a melhora do humor e redução do nível de ansiedade, consequentemente, o que também atua na diminuição de sintomas depressivos. “Então, isso sendo feito de maneira crônica, ao longo do tempo, pode gerar uma possível explicação para gerar diminuição de sintomas depressivos”, completa. Como começar a praticar mais atividade física? Um dos sintomas da depressão é a falta de motivação para tarefas diárias. Isso pode dificultar o paciente a iniciar uma rotina de atividade física. “O que reforçamos no nosso estudo é que pequenas ações no dia podem gerar esse efeito de proteção e um efeito subjetivo na melhora de aspectos de sintomas depressivos, de ansiedade e de humor”, explica Pitta. “Estratégias básicas como subir e descer escadas, seja no trabalho ou na casas, pode gerar um gasto calórico importante e inteligente”, exemplifica. Outra estratégia é o deslocamento ativo. Isso pode ser feito no caminho para o trabalho. Se for uma distância curta, pode ser possível ir a pé, por exemplo, ou de bicicleta. Caso o deslocamento seja feito com carro, uma opção é estacionar o carro em um local mais distante do destino, para acrescentar uma pequena caminhada ao dia. Além disso, ficar mais tempo em