Estilo de vida afeta mais o envelhecimento do que a genética, diz estudo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/02/2025 Segundo pesquisa, fatores ambientais explicaram 17% da variação no risco de morte, em comparação com menos de 2% explicados pela predisposição genética. Um novo estudo mostrou que o estilo de vida, como fumar ou manter uma rotina de atividade física, pode ter um impacto maior na saúde e no envelhecimento do que a genética. O trabalho, liderado por pesquisadores da Oxford Population Health, foi publicado nesta quarta-feira (19) na revista médica Nature Medicine. O estudo foi feito usando dados de quase meio milhão de participantes do UK Biobank, um grande banco de dados biológicos de longo prazo feito no Reino Unido. Os pesquisadores avaliaram a influência de 164 fatores ambientais e pontuações de risco genético para 22 doenças comuns no envelhecimento, além de doenças relacionadas à idade e à morte prematura. Segundo o estudo, fatores ambientais (incluindo o estilo de vida) explicaram 17% da variação no risco de morte, em comparação com menos de 2% explicados pela predisposição genética. Dos 24 fatores ambientais identificados, o tabagismo, status socioeconômico, atividade física e as condições de vida tiveram maior impacto na mortalidade e no envelhecimento biológico. O tabagismo foi associado a 21 doenças, enquanto fatores socioeconômicos, como renda familiar, propriedade de casa e situação de emprego, foram associados a 19 doenças. Já a falta de prática de atividade física foi associada a 17 doenças. Outra conclusão feita pelo estudo é que a exposição precoce a fatores de risco, como tabagismo durante a gravidez e sobrepeso aos 10 anos, podem influenciar no envelhecimento e no risco de morte prematura cerca de 30 a 80 anos depois. “Nossa pesquisa demonstra o profundo impacto na saúde das exposições que podem ser alteradas por indivíduos ou por meio de políticas para melhorar as condições socioeconômicas, reduzir o tabagismo ou promover a atividade física”, afirma Cornelia van Duijn, professora de epidemiologia da St. Cross na Oxford Population Health e autora sênior do artigo, em comunicado à imprensa. “Embora os genes desempenhem um papel fundamental nas condições cerebrais e em alguns tipos de câncer, nossas descobertas destacam oportunidades para mitigar os riscos de doenças crônicas do pulmão, coração e fígado, que são as principais causas de incapacidade e morte em todo o mundo”, completa. “As exposições no início da vida são particularmente importantes, pois mostram que os fatores ambientais aceleram o envelhecimento no início da vida, mas deixam ampla oportunidade para prevenir doenças duradouras e morte precoce.” Os pesquisadores utilizaram uma medida única de envelhecimento, com base nos níveis de proteína no sangue, para monitorar a rapidez com que as pessoas estão envelhecendo. Isso permitiu que eles vinculassem exposições ambientais que preveem mortalidade precoce com envelhecimento biológico. “Nossa abordagem nos permitiu quantificar as contribuições relativas do ambiente e da genética para o envelhecimento, fornecendo a visão geral mais abrangente até o momento dos fatores ambientais e de estilo de vida que impulsionam o envelhecimento e a morte prematura. Essas descobertas ressaltam os benefícios potenciais de focar intervenções em nossos ambientes, contextos socioeconômicos e comportamentos para a prevenção de muitas doenças relacionadas à idade e morte prematura”, avalia Austin Argentieri, autor principal do estudo na Oxford Population Health and Research Fellow no Massachusetts General Hospital. “Há muito tempo sabemos que fatores de risco como fumar impactam nossa saúde cardíaca e circulatória, mas esta nova pesquisa enfatiza o quão grande é a oportunidade de influenciar nossas chances de desenvolver problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, e morrer prematuramente. Precisamos urgentemente de uma ação ousada do Governo para atingir as barreiras superáveis à boa saúde que muitas pessoas no Reino Unido estão enfrentando”, acrescenta Bryan Williams, diretor científico e médico da British Heart Foundation.
Prevenção colhida no pé: descobertas de benefícios das frutas à saúde

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/03/2025 Pesquisas descobrem mais benefícios das frutas, além dos conhecidos efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Controlam a glicose, reduzem risco de síndrome metabólica e até diminuem a perda muscular. Leves, saborosas e saudáveis, as frutas oferecem mais benefícios ao organismo do que se imaginava, sugerem estudos recentes. De melhora na sensibilidade à insulina à manutenção da massa muscular, as pesquisas revelam potenciais até então desconhecidos de alimentos como açaí, limão, abacate, uva, morango e laranja, que são fáceis de encontrar e, em alguns casos, podem ser colhidos nas ruas e parques de Brasília. A manga fresca, por exemplo, revelou um potencial divisor de águas no incremento da saúde cardiometabólica, dizem pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos, em um estudo publicado na semana passada na revista Nutrients. Os cientistas descobriram que ingerir duas xícaras da fruta (cerca de 100 calorias) diariamente ajuda a reduzir a concentração da insulina em adultos com sobrepeso ou obesos, que também sofrem de inflamação crônica. Segundo os autores, a constatação ressalta “como escolhas alimentares simples podem contribuir para reduzir o risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2, que estão intimamente ligadas à saúde cardíaca”. Pesquisas anteriores verificaram que o consumo regular de manga fortalece o sistema imunológico, contribui para o bom funcionamento intestinal, combate inflamações e ajuda a proteger a visão. Agora, os cientistas norte-americanos investigaram se a fruta — cortada do cardápio de muita gente por ser rica em frutose, o açúcar natural — ajudaria a melhorar a sensibilidade à insulina. Inflamação O estudo, realizado com 48 adultos com idades entre 20 e 60 anos, comparou a inflamação e a sensibilidade à insulina quando o alimento ofertado era manga ou sorvete italiano, com a mesma quantidade de calorias. “A fruta escolhida foi justamente a manga, que tem altíssimo índice glicêmico, o que, teoricamente, pioraria o diabetes”, descreve Jamilly Drago, endocrinologista da clínica Metasense. “Após um teste de tolerância oral à glicose, foram analisados os efeitos da fruta na resistência insulínica e os pesquisadores viram uma melhora”, diz a médica. Além disso, houve melhora na função pancreática de produzir e liberar insulina para gerenciar concentrações normais de glicose, o que foi medido pelo índice de disposição (DI), um marcador de quão efetivamente o corpo regula os níveis de açúcar no sangue. “Gerenciar a glicose no sangue não é apenas monitorar os níveis de açúcar no sangue — é melhorar a sensibilidade à insulina”, disse, em nota, Indika Edirisinghe, professora de Ciência Alimentar e Nutrição em Illinois e principal autora da pesquisa. Estratégia Outra descoberta que surpreendeu os pesquisadores foi a de que o consumo de uvas a longo prazo impacta significativamente a saúde muscular, com benefícios notáveis para ambos os sexos. O artigo, publicado na revista Foods, sugere que uma dieta que inclua essa fruta pode modificar a expressão genética no tecido, oferecendo, segundo os autores, uma nova estratégia nutricional para manter a massa e a função muscular. É importante notar que o estudo foi realizado, inicialmente, em camundongos e precisa ser replicado em humanos para ter os resultados validados clinicamente. Porém, os autores estão animados com as descobertas e acreditam que elas serão confirmadas brevemente nos testes com pessoas. “O estudo fornece evidências convincentes de que as uvas têm o potencial de melhorar a saúde muscular no nível genético”, disse John Pezzuto, pesquisador senior e professor da Universidade Western New England, nos Estados Unidos. A abordagem utilizada foi a nutrigenômica, campo que investiga como a dieta influencia o comportamento dos genes e de que forma a variação genética impacta nas respostas alimentares. “Os avanços na genética, especialmente na nutrigenômica — ciência que estuda a interação entre os nutrientes e os genes —, têm permitido uma compreensão mais aprofundada sobre como determinados compostos presentes nas frutas influenciam diretamente nossa saúde”, explica a nutricionista Juliana Bayeux, pós-graduada em nutrição funcional e fitoterapia. Mulheres A equipe da Western New England analisou o impacto de duas porções de uva por dia nos padrões de expressão genética muscular. Os autores descobriram que o consumo diário da fruta altera significativamente a expressão dos genes nos tecidos, com um efeito mais pronunciado em mulheres. Além disso, os genes associados à massa muscular magra foram elevados, enquanto aqueles ligados à degeneração sofreram redução. “Essas descobertas sugerem aplicações potenciais para perda muscular relacionada à idade, já que entre 10% a 16% dos idosos apresentam sarcopenia”, diz John Pezzuto. Ele ressalta que não basta comer uvas, mas aliar o consumo às estratégias tradicionais de manutenção dos músculos, como exercícios físicos. Compostos à brasileira A nutricionista Juliana Bayeux, pós-graduada em nutrição funcional e fitoterapia, recomenda frutas ricas em polifenóis, fáceis de serem encontradas no Brasil. “Esses compostos bioativos reduzem a síndrome metabólica porque combatem o estresse oxidativo e a inflamação crônica, fatores que contribuem para resistência à insulina, obesidade, hipertensão e dislipidemias. Além disso, modulam a microbiota intestinal, o que também impacta positivamente o metabolismo e a regulação do peso corporal”, ensina. • Uva: rica em resveratrol, que melhora a função endotelial e reduz a inflamação, prevenindo doenças cardiovasculares. • Açaí: tem antocianinas, que ajudam a reduzir o “colesterol ruim” (LDL) e a inflamação sistêmica. • Cacau (presente no chocolate amargo): fonte de flavonoides, que melhoram a sensibilidade à insulina e a saúde vascular. • Jabuticaba: contém elagitaninos e antocianinas, que protegem contra o acúmulo de gordura no fígado e na região abdominal. • Morango e frutas vermelhas: ricas em quercetina e ácido elágico, compostos associados à melhora da glicemia e redução do risco de hipertensão. Combinação complexa “As frutas oferecem uma matriz alimentar complexa, combinando fibras, antioxidantes, minerais e outros nutrientes que atuam de forma sinérgica para proporcionar benefícios à saúde”, destaca a nutricionista Juliana Bayeux, especialista em nutrição funcional. Algumas das substâncias mais estudadas nesses alimentos são os polifenóis, compostos bioativos com conhecidas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Um novo estudo com 6 mil brasileiros constatou os efeitos cardioprotetor dos polifenóis, abundantes em uva, morango, açaí, laranja, chocolate, vinho e café. Segundo os pesquisadores, que publicaram o resultado no Journal of Nutrition, esses alimentos podem reduzir o risco
O cérebro preserva um complexo e seletivo sistema de memórias e emoções

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/02/2025 Cientistas descobrem que há uma área específica que conecta o córtex entorrinal (CE) ao hipocampo (HC), numa rota de comunicação que classifica os estímulos, com um fluxo mais rápido, e estabelece o que deve ser lembrado Um novo circuito cerebral que mistura informações sensoriais, memórias e emoções para distinguir o que é importante foi descoberto por cientistas da Universidade de Nova York (NYU), nos Estados Unidos. O estudo, publicado ontem na revista Nature Neuroscience, mostra que há uma área cerebral, que conecta o córtex entorrinal (CE) ao hipocampo (HC), que tem uma rota de comunicação que, até então, não havia sido reconhecida. Essa nova via é crucial na classificação de estímulos e determina o que é relevante para ser lembrado. O circuito estudado pelos pesquisadores conecta diretamente o CE, uma região do cérebro responsável pelo processamento sensorial, ao hipocampo, centro de armazenamento de memória. Antes, acreditava-se que as mensagens fluíam por um caminho indireto, o que causava pequenos atrasos na comunicação. A descoberta, no entanto, revela uma via direta entre essas áreas, o que permite um fluxo mais rápido de informações, facilitando a incorporação imediata de experiências sensoriais, como imagens e sons, com memórias e emoções associadas. Nova compreensão Segundo Jayeeta Basu, professora assistente NYU Grossman School of Medicine e autora principal do estudo, a análise anatômica e funcional dos circuitos cerebrais revela uma perspectiva inovadora sobre como o cérebro processa e organiza informações complexas. Basu detalhou que as diferenças observadas entre os circuitos de resposta direto e indireto sugerem que essas vias têm funções distintas, mas complementares, na codificação de informações e na formação de memórias. Para ela, a combinação dos dois permite o processamento de estímulos sensoriais de maneira mais eficiente. A equipe de pesquisa sugere que compreender melhor a interação entre o hipocampo e o córtex entorrinal pode abrir portas para tratamentos mais eficazes para condições clínicas que envolvem disfunções desses circuitos, como pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Segundo a publicação, muitas vezes pacientes com TEPT não conseguem distinguir entre memórias de traumas passados e estímulos sensoriais do presente, o que pode provocar respostas emocionais excessivas a ruídos ou situações cotidianas. Tradicionalmente, o modelo de comunicação entre o hipocampo e o córtex entorrinal indica que o hipocampo recebe informações do mundo externo por meio das camadas superficiais numeradas 2 e 3 do córtex entorrinal. No entanto, essas informações eram enviadas de volta ao córtex por meio de um circuito indireto que envolvia a camada 5 do córtex, mais profunda, provocando um atraso nos sinais de retorno. Essa demora pode modificar a forma como as informações são processadas e afetar a precisão das memórias. Usando técnicas de mapeamento neuronal, descobriu o caminho de feedback direto que conecta diretamente o hipocampo às camadas 2 e 3 do córtex entorrinal, sem a necessidade de passar por camadas intermediárias. Isso significa que, quando o hipocampo “acessa” uma memória ou uma emoção armazenada, ele pode enviar rapidamente sinais para as camadas do córtex entorrinal. Marta Rodrigues de Carvalho, neurologista do Hospital Anchieta, detalhou que o hipocampo, crucial para a memória, recebe diversas entradas do córtex por meio do córtex entorrinal. “Esse circuito está ligado ao reconhecimento de objetos e ao aprendizado espacial, coordena projeções e sincroniza oscilações neurais entre regiões cerebrais. As principais características neuroquímicas do transtorno do estresse pós-traumático incluem a regulação anormal de neurotransmissores em circuitos cerebrais que regulam/integram o estresse e as respostas de medo.” “Logo, a descoberta de uma via que pode influenciar mais rapidamente a percepção do estímulo pode ajudar os pacientes a filtrar estímulos danosos. Esse mesmo raciocínio pode aplicar-se a doenças degenerativas”, destacou a especialista. Para a equipe, um dos aspectos mais fascinantes da descoberta é a diferença na forma como ambas vias operam. Enquanto o circuito indireto, já conhecido, provoca respostas neurais vigorosas, o direto, ao invés de causar respostas fortes e abruptas, ativa uma forte inibição nas células do córtex entorrinal, enviando sinais mais sutis e delicados modificando rapidamente o processamento de informações sensoriais. De acordo com Silvio Pessanha Neto, doutor em neurologia e neurociência pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e diretor de medicina do Instituto de Educação Médica (IDOMED). “A prova intuitiva de que tal circuito modulador existe é que cada pessoa reage de maneira diferente aos mesmos estímulos e vivências. Certamente, essa diferença está associada à capacidade de modulação do córtex pré-frontal, ao medo processado na amígdala, entre outros fatores.” “Essa combinação pode ser essencial para o aprendizado rápido, a tomada de decisões e a plasticidade cerebral, pois permite que o cérebro ajuste dinamicamente a importância das informações sem sobrecarga”, reforçou. O futuro Os autores planejam novos ensaios para investigar como o mecanismo influencia a tomada de decisão no córtex pré-frontal e como esses processos podem ser alterados em condições, como o Alzheimer. O próximo trabalho também irá avaliar os efeitos do envelhecimento sobre esses mecanismos. Hipótese para o deja vù “A existência dessas vias alternativas sinaliza que é um sistema com o ajuste muito fino, ajustado conforme as necessidades. Esse novo circuito pode ser mais uma ferramenta que a nossa biologia, o nosso cérebro foi desenvolvendo ao longo do tempo para privilegiar informações associadas ao emocional. Algo que me chamou a atenção sobre o assunto é a existência dessas duas conexões que trabalham em tempos um pouco diferentes, talvez possa levantar alguma hipótese sobre um efeito que é conhecido como déjà vu, a sensação de estar vivenciando novamente uma situação. Isso pode ser um duplo sinal que está chegando em tempos diferentes. Mas é uma hipótese, existem várias outras para explicar esse tipo de fenômeno.” Genética da linguagem falada A origem da linguagem falada ainda é incompreendida. Os Neandertais provavelmente tinham características anatômicas na garganta e nos ouvidos que poderiam ter facilitado a produção e a percepção da fala. No entanto, apenas humanos modernos têm as regiões cerebrais expandidas essenciais para a produção e compreensão da linguagem. Recentemente, pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, descobriram uma variante de
Por que infecções respiratórias são mais graves em idosos?

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/02/2025 Vaticano revela que Papa Francisco, de 88 anos, enfrenta “quadro clínico complexo” com infecção polimicrobiana e pneumonia bilateral; especialista explica os riscos Katia Hetter da CNN Após o Papa Francisco ter sido hospitalizado na semana passada com bronquite, o Vaticano anunciou na terça-feira (18) que ele está com pneumonia bilateral, ou seja, em ambos os pulmões, com exames continuando a indicar um “quadro clínico complexo”. No início da semana, o Vaticano havia informado que o pontífice de 88 anos apresentava uma “infecção polimicrobiana do trato respiratório”. Estes são os mais recentes de uma série de problemas de saúde pulmonares que têm afligido Francisco, e serve como um lembrete para adultos mais velhos levarem as infecções respiratórias a sério — mesmo que não sejam tão idosos quanto o pontífice. A especialista em bem-estar da CNN, Dra. Leana Wen, fala sobre os diferentes tipos de infecções respiratórias: como são diagnosticadas e tratadas? Por que os idosos estão especialmente em risco de desenvolver doenças graves devido a infecções respiratórias? E como todos podem reduzir suas chances de contrair pneumonia e outras infecções respiratórias? Wen é médica de emergência e professora associada clínica na Universidade George Washington. Anteriormente, foi comissária de saúde de Baltimore. CNN: Quais são os diferentes tipos de infecções respiratórias comuns e quais são seus sintomas? Dra. Leana Wen: Uma forma de pensar sobre infecções respiratórias é onde elas afetam o trato respiratório. Infecções do trato respiratório superior afetam os seios nasais e garganta e incluiriam infecções como resfriado comum e sinusite. Infecções do trato respiratório inferior afetam as vias aéreas e pulmões. Incluem bronquite, que é uma inflamação das passagens das vias aéreas que levam aos pulmões. Pessoas com bronquite aguda podem tossir muito, mas geralmente não têm febre ou dificuldade para respirar; se tiverem, a preocupação seria que também tenham outra condição. A pneumonia também é uma infecção do trato respiratório inferior e é uma infecção dos próprios pulmões. Existem vários organismos que podem causar pneumonia, incluindo vírus, bactérias, fungos e parasitas. Indivíduos com pneumonia podem experimentar uma variedade de sintomas — os mais comuns sendo febre, falta de ar, tosse, dores no corpo e fadiga. Alguns pacientes também podem experimentar náusea, vômito, diarreia, dor no peito ao respirar e estado mental alterado ou confusão. CNN: O que significa que o Papa Francisco tem uma “infecção polimicrobiana do trato respiratório”? Wen: A palavra polimicrobiana significa que mais de um organismo está envolvido em sua doença. Então, mais de um tipo de vírus, bactéria, fungo ou parasita foi detectado e acredita-se ser a causa de seus sintomas. Como o Papa Francisco permanece hospitalizado e sua infecção é descrita como complexa, não é surpresa que ele tenha sido diagnosticado com pneumonia. Em 2023, ele também precisou de hospitalização por pneumonia. Ele também é conhecido por ter tido pneumonia grave no passado e ter removido uma parte de um pulmão. CNN: Como infecções do trato respiratório inferior, como pneumonia, são diagnosticadas e tratadas? Wen: O diagnóstico é feito através de uma combinação do histórico médico da pessoa, exame físico e testes diagnósticos. Os testes podem incluir raio-X do tórax ou tomografia computadorizada. Também podem incluir swabs virais através do nariz e faringe e cultura de escarro em que o material é expelido pela tosse e testado. Às vezes, os pacientes são submetidos a uma broncoscopia, na qual um tubo flexível entra nas vias aéreas para coletar amostras para teste. Pacientes que requerem hospitalização também receberão exames de sangue, inclusive para avaliar se a infecção se espalhou pela corrente sanguínea. O tratamento depende do tipo de organismo envolvido. Causas comuns de pneumonia bacteriana incluem Mycoplasma pneumoniae e Streptococcus pneumoniae. Estas seriam tratadas com antibióticos. Alguém com pneumonia fúngica receberia tratamento antifúngico. Muitos vírus também podem levar à pneumonia, incluindo Covid-19, influenza, metapneumovírus humano, ou HMPV, e o vírus sincicial respiratório, ou VSR. Alguns desses vírus têm antivirais específicos que podem ser administrados. CNN: Por que as infecções respiratórias são especialmente preocupantes em adultos mais velhos? Wen: Não há dúvida de que as infecções respiratórias representam uma séria ameaça para adultos mais velhos. De acordo com um estudo de 2020, quase 1 milhão de idosos são hospitalizados por pneumonia todos os anos. Mais de um terço dos hospitalizados morrem no ano seguinte, descobriu o estudo. Existem várias razões pelas quais os adultos mais velhos são mais vulneráveis a resultados graves dessas infecções. Primeiro, eles têm maior probabilidade de apresentar outras condições médicas crônicas que aumentam a chance de complicações, como doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema, doença cardíaca, doença renal e diabetes. Segundo, são mais propensos a ter fraqueza muscular, o que dificulta a tosse. Terceiro, a fraqueza muscular pode levar a problemas de deglutição. Idosos têm maior probabilidade de inalar alimentos ou líquidos para os pulmões, causando pneumonia por aspiração. Quarto, o sistema imunológico enfraquece com a idade, o que significa que pessoas mais velhas teriam capacidade reduzida de combater infecções. Quinto, alguns idosos podem apresentar sintomas atípicos — por exemplo, em vez de febre alta e tosse, apresentam confusão mental agravada ou diarreia. Isso pode levar a um atraso no diagnóstico até que a infecção se torne mais grave. É importante acrescentar que os idosos não são o único grupo para quem as infecções respiratórias podem ser especialmente graves. Bebês e crianças pequenas também são muito suscetíveis; globalmente, a pneumonia mata mais crianças menores de 5 anos do que qualquer outra doença infecciosa. Outros grupos vulneráveis incluem pessoas imunocomprometidas ou com outras condições médicas subjacentes graves CNN: Que tipos de complicações podem ocorrer em pessoas com infecções do trato respiratório? Wen: As pessoas podem experimentar tanta dificuldade para respirar que precisam de suporte respiratório adicional, incluindo intubação, onde uma máquina ajuda a respirar pelo paciente e a pessoa precisa estar sob forte sedação. A pneumonia bacteriana pode se espalhar para a corrente sanguínea e causar sepse, que é extremamente perigosa e pode ser rapidamente fatal. E bolsas de pus podem se formar dentro ou ao redor dos pulmões, podendo necessitar de drenagem cirúrgica. CNN:
Pirâmide demográfica achata e vira obelisco: envelhecimento global traz desafios

Fonte: InfoMoney | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 18/02/2025 Com maior número de idosos e as quedas de nascimentos, o que muda não é só o desenho demográfico, mas toda a economia mundial, diz estudo Anna França O envelhecimento da população associado às quedas da fertilidade na maior parte do mundo estão invertendo as estruturas etárias tradicionais. Com o surgimento de uma nova ordem populacional, de contrastes demográficos extraordinários, caem por terra as tradicionais pirâmides populacionais para surgir uma nova forma, mais parecida com um obelisco, bem mais achatada no piso. No entanto, mais do que uma mudança no desenho dos gráficos, esse novo momento ela traz uma profunda alteração na dinâmica mundial, impondo desafios para economia e para toda a humanidade. A primeira onda dessa mudança demográfica está atingindo economias mais desenvolvidas e até a própria China, onde a parcela de pessoas em idade produtiva cairá dos atuais 67% para 59% em 2050. Ondas posteriores atingirão até mesmo regiões mais jovens em uma ou duas gerações, como a América Latina e Ásia. A única exceção é a África Subsaariana, como mostram os dados da pesquisa “Enfrentando as Consequências de Uma Nova Realidade Demográfica”, feito pela consultoria McKinsey. A reformulação da estrutura etária das sociedades resulta em uma força de trabalho menor e em uma proporção crescente de idosos, que utilizam mais as estruturas previdenciárias e de saúde. “Nosso sistema econômico enfrenta um ponto de virada: sem aumento expressivo da produtividade ou mais horas trabalhadas, o crescimento do PIB global per capita pode desacelerar em até 0,8% ao ano”, explica a sócia-diretora do escritório da McKinsey no Brasil, Heloisa Callegaro. E no Brasil? Essa preocupação também é relevante para o Brasil, uma vez que, entre 1997 e 2023, a demografia contribuiu positivamente para o PIB per capita, com um incremento de 0,4 pontos percentuais ao ano. Entretanto, projeções indicam que, de 2023 a 2050, a transição demográfica poderá reduzir o PIB per capita em 0,3 pontos percentuais anuais, representando uma inversão preocupante. “É essencial que adotemos medidas para reverter essa tendência e assegurar um crescimento econômico sustentável.” No caso do envelhecimento da população, o Brasil está envelhecendo mais rápido do que muitos imaginavam. Com uma taxa de fecundidade de 1,62 filhos por mulher, já estamos num patamar abaixo da chamada taxa de reposição, de 2,1 filhos. O País deverá atingir o pico populacional em algumas décadas e, até 2100, projeta-se uma redução de 22% em sua população atual, de acordo com o estudo. “A redução da população em idade ativa está aumentando a pressão sobre a força de trabalho existente. O único caminho para manter o crescimento econômico será baseado em investimento em tecnologia e no aumento da produtividade”, afirma Heloisa, acrescentando que o Brasil terá apenas 16 anos até atingir o nível de envelhecimento das economias avançadas. Desse modo, em 2050 o índice de suporte (trabalhadores por idoso) será equivalente ao das economias ricas hoje. Entretanto nossa produtividade ainda é considerada baixa, ficando em média em US$ 18 por hora por trabalhador enquanto a média nos países de economias maduras é de US$ 60. Essa constatação traz de volta uma frase muito citada no passado recente, que dava conta que o Brasil iria ficar velho antes de ficar rico, ao contrários de grandes potências desenvolvidas. Nos últimos 25 anos houve um ‘milagre’ produtivo em várias partes do mundo, com uma média global de produtividade multiplicando-se por seis. Mas o mesmo não ocorreu na América Latina, onde o avanço foi tímido, não alcançando os 20%, segundo relatório do McKinsey Global Institute. “Além do aumento de produtividade, vamos precisar ampliar a participação da população no mercado produtivo, especialmente entre mulheres”, disse a diretora da McKinsey. A participação feminina na força de trabalho no Brasil chega a 66%, ficando abaixo da média dos países ricos, que é de 74%. Pressão na Previdência Com o esgotamento do chamado bônus demográfico, quando há mais pessoas para trabalhar do que aposentados, os desafios já são sentidos por toda a sociedade. A proporção de pessoas em idade ativa por idoso cairá de 6,5 para 2,8, elevando a pressão sobre famílias e a Previdência. A expectativa de vida global aumentou em sete anos, em média, desde 1997, chegando a 73 anos em 2023 e deve chegar a 77 anos em 2050. Aqueles com 100 anos ou mais são a faixa etária de crescimento mais rápido em termos percentuais, de acordo com as Nações Unidas. Esse aumento da longevidade pressiona como nunca os sistemas previdenciários devido, principalmente, à redução da proporção de trabalhadores na ativa em relação aos aposentados. Apesar de toda a atenção dada ao aumento da longevidade, o declínio da fertilidade determina de forma mais poderosa a demografia global. Dessa forma, sem reformas significativas, esses sistemas podem se tornar insustentáveis. Hoje, o Brasil tem 6,5 trabalhadores por aposentado, número que já foi 13,1, em 1997. Em 2050, esse número cairá para apenas 2,8 trabalhadores por aposentado. Sem o trabalhador jovem para financiar o idoso inativo, será preciso encontrar novas formas de refinanciar os sistemas previdenciário, na avaliação do professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri. “Além disso, o estado precisará destinar mais recursos para a saúde, porque as pessoas que vivem mais precisam de cuidados. Mas acima de tudo, com menos jovens, será preciso investir mais e melhor em educação para que, com melhor formação, estes jovens sejam mais produtivos”, afirma o professor. Herança difícil Ao confrontar as consequências da mudança demográfica, as sociedades entram em águas desconhecidas. Na ausência de ação, os mais jovens herdarão menor crescimento econômico e arcarão com o custo de mais aposentados, enquanto o fluxo tradicional de riqueza entre gerações se corrói. Práticas de trabalho de longa data devem mudar. Mas, fundamentalmente, os países precisarão aumentar as taxas de fertilidade para evitar o despovoamento, uma mudança social sem precedentes na história moderna. Queda de nascimentos Famílias em todo o mundo estão tendo cada vez menos filhos. Em grande parte do mundo, as taxas de fecundidade caíram abaixo da taxa de reposição necessária para
Demência: por que há aumento de casos no Brasil e outros países emergentes?

Fonte: Drauzio Varella | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/08/2024 Por Beatriz Zolin Em algumas partes do globo, o rápido envelhecimento da população exige esforços mais urgentes no cuidado de pacientes com demência. Entenda o fenômeno. O risco de uma pessoa com 65 anos ter demência é de 3%. Conforme os anos passam, esse risco aumenta. Ao chegar aos 90 anos, portanto, ele já está na casa dos 33%. Ou seja, uma em cada três pessoas nessa faixa etária estará sujeita a desenvolver doenças como o Alzheimer. A demência é um conjunto de síndromes que prejudicam as habilidades mentais de uma pessoa, comprometendo a memória e a tomada de decisões. Ela é mais frequente em idosos, porque está associada a outras condições de saúde que costumam aparecer nessa faixa etária. Como resultado do envelhecimento populacional, o aumento dos casos de demência já é uma realidade no mundo todo. Mas em países em desenvolvimento, como o Brasil, esse crescimento é ainda mais acelerado — e preocupante. Por que os países emergentes estão tendo mais casos de demência? O envelhecimento da população mundial (ou seja, quando as taxas de natalidade e mortalidade diminuem) acontece desde o século 19. No entanto, o fenômeno ocorre de modo diferente em cada região do globo. Nos países em desenvolvimento, esse processo, além de ter começado mais tarde, também se dá de forma acelerada. É o caso, por exemplo, das nações africanas, latinoamericanas e do Sudeste Asiático. Para se ter uma ideia, enquanto a França demorou cerca de cem anos para passar de 7% para 14% da população com mais de 65 anos, o Brasil chegou à mesma marca em apenas 20 anos, de acordo com as últimas edições do Censo IBGE. Segundo um artigo publicado na revista “The Lancet”, a estimativa é que o mundo passe de 57,4 milhões de pessoas vivendo com demência em 2019 para 152,8 milhões em 2050. No Brasil, é possível que esse número chegue a 5,5 milhões, de acordo com o estudo ELSI-Brazil. “As pessoas estão vivendo mais e, como as demências são doenças relacionadas ao envelhecimento, agora a gente vê cada vez mais casos. E isso tem uma sobrecarga muito grande, não só do ponto de vista individual, mas também para o sistema de saúde”, destaca a geriatra Claudia Suemoto. A médica e pesquisadora chamou a atenção para o tema durante a sua palestra “Prevenção de demência na América Latina: a mesma estratégia funcionará para todos?” no Congresso Brain, Behavior and Emotions 2024, evento que reúne diversos especialistas da área de neurociências. Impactos da demência para quem convive com ela O Relatório Nacional sobre a Demência no Brasil (ReNaDe) calcula que a demência tenha custado ao mundo cerca de 1 trilhão de dólares em 2019. Outro artigo, publicado na revista “PLOS ONE”, demonstrou que o custo chega a 1,37 mil dólares por mês para a família, o que representa mais que o dobro da renda média mensal do brasileiro. A situação fica ainda pior quando pensamos que a pessoa que se dedica ao cuidado do paciente, muitas vezes, precisa deixar de trabalhar total ou parcialmente, tendo um prejuízo de cerca de 40% desse valor. Isso porque, com o avançar da doença, a pessoa com demência se torna incapaz de se cuidar sozinha. Inicialmente, ela precisa de ajuda para tomar os medicamentos. Depois, para tomar banho, levantar da cama ou trocar de roupa. Por fim, ela não consegue mais se locomover nem tomar decisões de forma coerente e segura. Em casos mais graves, faz-se necessário a presença de cuidadores 24 horas por dia, sete dias por semana. “E aí tem o impacto psicológico também. De você ter uma pessoa da sua família doente a ponto de precisar de cuidados com essa intensidade. Não te reconhece mais, não é capaz de cuidar de si próprio. Toda vez que você tem um paciente com demência, você tem normalmente um familiar que também está envolvido com a doença”, afirma a dra. Claudia. Especialistas estimam que quase 40% dos cuidadores desenvolvem quadros de depressão em até um ano após começarem a tomar conta de pacientes com demência. Dados do relatório Global status report on the public health response to dementia informam que, nos países de baixa renda, 65% desses cuidadores são membros da família e, entre eles, 70% são mulheres. Quais são as iniciativas do Brasil no cuidado com a demência? No entanto, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento para demência ainda são incipientes no Brasil. Além do estigma associado à doença, há também o despreparo dos profissionais de saúde e das unidades de atendimento para a investigação e manejo adequado do quadro. Em junho de 2024, foi aprovada a lei que institui a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências. As novas diretrizes para o tratamento incluem: “Isso é uma vitória, mas é uma coisa muito recente, que precisa ser bastante trabalhada. O que a gente faz desde o momento que a pessoa tem a queixa? Qual é o plano para fazer o atendimento inicial e o diagnóstico? A partir do momento que a gente tem o diagnóstico de diferentes fases da demência, qual é o cuidado que essa pessoa vai receber? Não existe isso. Tem muita coisa para ser feita”, alerta a dra. Claudia. O que o resto do mundo está fazendo? O atraso destacado pela geriatra não é exclusividade do Brasil. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que, até 2025, pelo menos 75% dos países deveriam ter um plano nacional de demência. Em 2021, apenas um quarto deles havia cumprido a meta. Metade está na Europa e, ainda assim, muitos dos planos estão expirando ou já expiraram. No mesmo ano, na América Latina, apenas México, Cuba, Costa Rica e Chile ofereciam um apoio elaborado ao paciente com demência e seus familiares. “Existem várias diferenças tanto entre países, ricos e pobres, quanto dentro de uma mesma cidade. São muitas as disparidades socioeconômicas. Mas realmente é importante que a gente tenha políticas públicas que olhem para essa população. E que isso seja pensado para ontem, né? Porque o envelhecimento populacional está acelerado e
Ministério da Saúde amplia idade para receber vacina contra a dengue

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Paulo Pinto/Agência Brasil | Data: 14/02/2025 Novas regras valem para vacinas próximas à data de vencimento Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil As vacinas contra a dengue que estiverem próximas às datas de vencimento poderão ser aplicadas em pessoas com idades fora da faixa etária estipulada para o Sistema Único de Saúde (SUS) e poderão ser remanejadas para municípios ainda não contemplados pela vacinação. A recomendação está em nota técnica para todos os estados e o Distrito Federal publicada nesta sexta-feira (14). O objetivo, segundo a pasta, é garantir que todos os imunizantes adquiridos cheguem à população, ampliando a proteção contra a doença. Agora as doses com um prazo de 2 meses de validade poderão ser remanejadas para municípios ainda não contemplados pela vacinação contra dengue ou ser aplicadas em faixa etária ampliada, contemplando pessoas de 6 anos a 16 anos de idade. Já para as vacinas que completarem 1 mês de validade, a estratégia poderá ser expandida até o limite etário especificado na bula da vacina, abrangendo a faixa etária de 4 anos a 59 anos, 11 meses e 29 dias de idade. O imunizante, no âmbito do SUS, é voltado para aqueles com idade entre 10 anos e 14 anos. De acordo com o Ministério, a expansão do público-alvo deve considerar a disponibilidade de doses e a situação epidemiológica de cada estado e município. Além disso, a pasta deve ser devidamente informada pelas unidades federativas sobre a implementação da estratégia temporária de ampliação da vacinação. Todas as doses administradas devem ser registradas na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) de forma a garantir a segunda dose e o monitoramento completo do processo de imunização. Busca ativa Para completar o esquema vacinal, é preciso tomar duas doses da vacina, o que garante a imunização oferecida pela vacina. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024, 6,5 milhões de doses foram enviadas aos estados e municípios, mas apenas 3,8 milhões foram aplicadas. A situação é ainda mais preocupante entre os adolescentes. Aproximadamente 1,3 milhão de jovens que iniciaram o esquema vacinal não retornaram para a segunda dose. O ministério recomenda que estados e municípios intensifiquem as estratégias de busca ativa, identificando e mobilizando aqueles que ainda não completaram o esquema vacinal. Vacina O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. A vacinação no país teve início em fevereiro de 2024 em 315 municípios e, desde então, vem sendo ampliada, chegando atualmente a 1.921 municípios, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 2024, a vacina da dengue foi incorporada ao SUS para o público de 10 anos a 14 anos de idade que reside em localidades prioritárias, conforme critérios definidos a partir do cenário epidemiológico da doença no país e decisão pactuada com estados e municípios na Comissão Intergestores Tripartite (CIT).
Sensação térmica de 70 graus? O fenômeno por trás de onda de calor escaldante no Brasil

Fonte: BBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 12/02/2025 A região Sul do Brasil vive a primeira grande onda de calor de 2025. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e algumas áreas do Paraná estão sob alerta vermelho de grande perigo por causa dos recordes registrados nos termômetros nos últimos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (InMet), “as temperaturas máximas estão elevadas em grande parte do país, uma característica típica do verão”. Num alerta publicado em seu site, a empresa de meteorologia Climatempo prevê que a onda de calor vai se expandir para as regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, além de se prolongar no Sul por mais alguns dias. No entanto, para o Sudeste e o Nordeste, as condições climáticas atuais ainda não caracterizam uma onda de calor — algo que pode mudar nos próximos dias. De acordo com as definições da Organização Meteorológica Mundial, esse evento extremo acontece quando as temperaturas máximas diárias ultrapassam em 5°C ou mais a média mensal durante, no mínimo, cinco dias consecutivos. Segundo o relatório da Climatempo, o aumento acima das médias de temperatura deve acontecer entre 12 e 18 de fevereiro — e poderá ultrapassar os 40°C em áreas de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Piauí. Já nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte, os termômetros devem bater os 35°C. “A onda de calor que já provocou temperaturas de quase 44°C no Rio Grande do Sul se estende até 12 de fevereiro fazendo a temperatura novamente superar a marca dos 40°C em vários locais do Estado”, detalha a Climatempo. A agência aponta que o recorde de 43,8°C, registrado na cidade gaúcha de Quaraí no dia 4 de fevereiro, pode ser quebrado. No Norte e no Centro-Oeste, o InMet prevê chuvas e ventos fortes. Massa de ar quente A pesquisadora Marina Hirota, professora associada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que há uma massa de ar quente instalada na região que compreende o Sul do Brasil, o norte da Argentina e partes do Paraguai. “Essa massa de ar quente acompanha a subida de um ciclone extratropical, que passa muito longe do Brasil nessa época do ano”, contextualiza ela. A especialista pontua que as frentes quentes associadas ao ciclone extratropical não costuma chamar muita atenção no nosso país — seus efeitos são mais sentidos e comentados em locais como Estados Unidos e Canadá, onde eles causam nevascas e chuvas intensas em determinadas épocas do ano. Hirota entende que a onda de calor atual possui duas particularidades, além da maior intensidade da massa de ar quente. “Aliada à intensidade da massa de ar quente, nós temos os chamados jatos de baixos níveis”, diz ela. Esse fenômeno é popularmente conhecido como “rios voadores”, que descreve os grandes fluxos de umidade que vêm da Amazônia, passam por Centro-Oeste e Sudeste, e desembocam na região do rio da Prata. “Aliado às altas temperaturas, temos poucos ventos e uma grande umidade. Essa é uma receita para nosso corpo não conseguir suar adequadamente”, acrescenta ela. A junção de todas essas coisas faz com que a sensação térmica suba ainda mais — falaremos mais sobre essa questão a seguir. Uma segunda particularidade da onda de calor, especialmente no Rio Grande do Sul, é a topografia da região. “Especialmente no litoral gaúcho, temos um vento que sopra de oeste para leste. Ele sobe a serra e, ao descer novamente, causa seca e aquecimento”, detalha a pesquisadora. “Esse movimento do ar deixa as temperaturas ainda mais altas em alguns lugares”, complementa ela. Sensação de 70 graus? Nos últimos dias, também começaram a circular na internet projeções de que a sensação térmica pode chegar aos 70°C em algumas partes do país. Essa estimativa se baseia numa tabela do Grupo de Climatologia Aplicada ao Meio Ambiente da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). A ferramenta cruza duas informações: a temperatura e a umidade do ar. Se os termômetros baterem 41°C e a umidade estiver em 80%, por exemplo, a sensação térmica de fato beira os 70°C, segundo essa tabela. Mas outros órgãos de meteorologia, como o InMet e o MetSul, estimam que a sensação térmica pode chegar a até 50°C em alguns locais. Hirota pondera que a sensação térmica é uma medida muito variável. “As sensações térmicas previstas nesses modelos levam em conta um padrão de medida, com condições específicas”, diz ela. “É por isso que relógios de rua, aqueles que medem a temperatura, podem dar diferentes valores. Isso vai depender se o sol bate diretamente ali, a sensibilidade dos dispositivos, os ventos…” E essa variabilidade toda acontece também com os seres humanos. “Temos fatores externos que influenciam na sensação térmica, como umidade, vento, sombra e temperatura”, diz a pesquisadora. “Mas cada pessoa pode ter uma sensação individual, que depende da idade, do nível de desidratação, entre outros fatores”, complementa ela. Isso acontece porque possuímos uma série de “termostatos”, que sentem a temperatura do ambiente e tentam regular para que o corpo fique sempre mais ou menos em 37 °C. Em dias muito quentes, uma maneira de fazer isso é através do suor: a liberação de líquidos literalmente resfria a pele para mantê-la dentro dos limites aceitáveis para nossa própria sobrevivência. Porém, como explicado mais acima, esse processo de transpiração é influenciado por uma série de fatores externos — uma umidade elevada, por exemplo, dificulta a liberação de líquidos pelo organismo, o que faz a sensação térmica subir. O mesmo acontece com um indivíduo que não está hidratado o suficiente (ele não tem um estoque de água a ser liberado) ou com os mais velhos (cujo “termostato” fica um pouco mais impreciso pelo processo natural do envelhecimento). Por isso, nesses dias de muito calor, é ainda mais importante fazer uma boa hidratação com água e frutas, usar roupas leves, arejar ambientes fechados e buscar o abrigo de sombras sempre que possível. Todos esses cuidados ajudam o corpo a lidar melhor com a temperatura extrema e aliviam a sensação térmica individual. E essas ações serão cada vez mais necessárias num cenário de mudanças climáticas. “Os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
Por que as pessoas tendem a comer mais doces e comidas gordurosas ao parar de fumar?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 10/02/2025 O início do ano é a época mais popular para parar de fumar, de acordo com a organização britânica de combate ao tabagismo Action on Smoking and Health (ASH). Parar de fumar cigarro comum ou eletrônico (vape) não é uma tarefa fácil. A vontade pode ser avassaladora, e não apenas de consumir nicotina. Muita gente sente mais fome, e acaba recorrendo à chamada junk food (alimentos com má qualidade nutritiva) depois de parar de fumar. Eu sou nutricionista, e vou explicar a seguir por que esses desejos podem aumentar, e sugerir estratégias para ajudar você a controlá-los. Benefícios para a saúde de parar de fumar Se você está lendo este artigo porque parou de fumar ou usar vape, parabéns! A maioria dos fumantes (e usuários de vape) quer parar — e você está fazendo isso. Você fez uma escolha incrível para sua saúde, pois os benefícios começam 20 minutos depois de parar de fumar. Em 48 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue vão ter caído para os de um não fumante, e você vai estar no caminho certo para ter mais energia. A longo prazo, parar de fumar reduz o risco de 50 doenças e condições diferentes. Seu condicionamento físico vai melhorar, você vai respirar melhor, e os alimentos vão começar a ficar mais saborosos. Mas colher os benefícios de parar de fumar é, sem dúvida, difícil. A nicotina é seriamente viciante, e os sintomas de abstinência — como desejos intensos, irritação, inquietação e dificuldade para dormir — não são nada divertidos. Parar de fumar também está associado ao aumento do apetite e, por causa disso, para alguns, ao ganho de peso. Antes de falarmos sobre por que parar de fumar pode levar a comer mais (especialmente alimentos ricos em gordura e açúcar) e o que você pode fazer a respeito disso, é muito importante lembrar o seguinte: fumar é um risco muito maior para a sua saúde do que ganhar um pouco de peso. E as pesquisas mostram que o ganho de peso após parar de fumar não elimina os benefícios de parar de fumar que salvam vidas. Saber que o ganho de peso pode acontecer — e adotar algumas estratégias simples para controlá-lo — pode ajudar você a se adaptar. Apetite e nicotina Mas, afinal, por que parar de fumar provoca um aumento na ingestão de alimentos? Há alguns fatores em jogo. Foi demonstrado que a nicotina suprime o apetite e a ingestão de alimentos. Estudos realizados em animais, por exemplo, mostram que quando os ratos recebem nicotina, eles comem menos e esperam mais tempo entre as refeições. Mas quando a nicotina é retirada, acontece o oposto — os ratos começam a comer mais e a ganhar peso. Efeitos semelhantes foram observados em seres humanos. Um estudo publicado recentemente pela Universidade de Loughborough, em Londres, comparando os hábitos alimentares de fumantes e não fumantes do Reino Unido, constatou que os fumantes tinham duas vezes mais chance de pular refeições. Eles também eram 50% mais propensos a ficar mais de três horas sem comer, e 35% menos propensos a fazer lanches entre as refeições. Pesquisas também mostram que a abstinência de nicotina tende a aumentar o desejo de comer junk food — alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal. Não está totalmente claro por que isso acontece, mas há evidências de que a sensação de prazer que se tem ao usar nicotina ou comer junk food se sobrepõem em várias partes do cérebro. Faz sentido, portanto, que as pessoas acabem usando os alimentos como uma forma de lidar com o desejo de nicotina ao parar de fumar. Outro fator é que os alimentos simplesmente ficam mais saborosos depois de parar de fumar, à medida que o paladar e o olfato se recuperam. Alguns fumantes também sofrem com a fixação oral, ou seja, o desejo de manter algo na boca, como chicletes, vapes ou cigarros. Petiscar pode ajudar a satisfazer essa necessidade, e é por isso que pode acabar substituindo o hábito da nicotina. Maneiras de controlar o desejo por alimentos não saudáveis Então, como será que você pode controlar os desejos e o aumento da fome que surgem ao parar de fumar? Lembre-se de que essa fome é um efeito colateral comum da abstinência de nicotina, e não está totalmente sob seu controle. Em vez disso, concentre-se em se apoiar em escolhas saudáveis. A seguir, está meu conselho: 1. Foque em comer refeições equilibradas regularmente Isso não apenas vai oferecer ao seu corpo mais nutrição à medida que você se torna livre da nicotina, como também vai ajudar você a controlar sua fome e seus níveis de energia — vou compartilhar mais adiante dicas sobre os tipos de alimentos nos quais você deve se concentrar. 2. Faça um plano do tipo ‘se/então’ Pode parecer óbvio, mas criar uma estratégia para lidar previamente com os desejos aumenta suas chances de manter as metas de alimentação saudável. Os especialistas em mudança comportamental chamam esses tipos de planos de “intenções de implementação”, que seguem um padrão do tipo “se/então”: Se X acontecer, então farei Y. Por exemplo: se eu estiver com desejo de comer chocolate, vou comer uma barrinha energética ou vou preparar uma torrada com pasta de amendoim. Ao decidir antecipadamente como reagir, é menos provável que você aja por impulso, especialmente quando estiver estressado ou cansado — sensações comuns durante a abstinência de nicotina. Um plano sólido ajuda você a evitar essas armadilhas, e a se manter no caminho certo. 3. Prepare lanches saudáveis com antecedência Se antecipe à fome, preparando lanches saudáveis e deixando-os prontos para comer na geladeira ou na marmita. Escolha lanches ricos em proteínas (como ovos, iogurte grego, tofu, edamame) ou fibras (frutas, legumes, bolinhos de aveia, nozes, sementes), ou uma mistura de ambos, uma vez que ajudam você a se manter saciado por mais tempo. Muffins de ovo são uma ótima opção. Ou que tal combinar homus de pimentão vermelho com legumes fatiados, como cenoura ou pepino em palitos? Se você tiver uma air fryer, o grão-de-bico crocante é uma ótima pedida. Ideias de lanches saudáveis ricos em
Como ioga modifica o seu cérebro e até aumenta o volume de massa cinzenta

Fonte: BBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 02/02/2025 Meu braço direito está tremendo. O suor escorre da minha testa enquanto giro meu corpo, saindo da posição de prancha lateral para uma postura de ioga conhecida como “Coisa Selvagem” ou “Camatkarasana”. É um contorcionismo e tanto — arqueio as costas, esticando o braço esquerdo sobre a cabeça. Meu pé direito está apoiado no chão, e olho para o céu. Uma das traduções da palavra em sânscrito camatkarasana é “desdobramento extático do coração extasiado”, e diz-se que ela desperta confiança. Apesar do esforço, me sinto invencível. Quando comecei a praticar ioga, eu queria suar e ganhar força. Eu a via apenas como uma forma de exercício, mas descobri que era muito mais do que isso. A prática da ioga remonta a mais de 2 mil anos, na antiga Índia. E embora hoje existam muitos tipos diferentes de ioga — da meditativa Yin Yoga à fluida Vinyasa — por meio de exercícios de movimento, meditação e respiração, todas as formas se concentram em uma conexão entre a mente e o corpo. E há cada vez mais evidências de que a ioga pode não oferecer apenas benefícios físicos, mas também fazer bem à mente. Alguns pesquisadores até esperam que ela possa ser uma forma promissora de ajudar pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) a lidar com seus sintomas. Sem dúvida, as pesquisas sobre os benefícios físicos da ioga são extensas. A primeira coisa que qualquer pessoa que ainda não tenha praticado ioga deve saber é que ela pode ser surpreendentemente extenuante. Ela melhora a força, a flexibilidade e o condicionamento cardiorrespiratório. Estudos mostram que a ioga pode melhorar a resistência e a agilidade. Também pode evitar lesões (embora também possa ser uma causa de lesão se não for praticada corretamente) e ajudar a melhorar o desempenho em outros esportes —, o que é defendido por jogadores de futebol de alto nível e jogadores de basquete. E há um número cada vez maior de pesquisas mostrando que a ioga pode ser benéfica para uma ampla variedade de problemas de saúde. Em pessoas que sofrem de epilepsia, por exemplo, a prática da ioga reduz significativamente o número de convulsões, ou chega até mesmo a evitá-las completamente. A ioga tem sido usada como uma ferramenta para ajudar a controlar o diabetes tipo 2, reduzir a dor crônica e auxiliar na reabilitação de derrames. Também foi demonstrado que é mais eficaz do que a fisioterapia para melhorar a qualidade de vida de pessoas com esclerose múltipla, e um estudo até sugere que poderia ser benéfica para sobreviventes de câncer. Efeitos no cérebro A ioga também pode ajudar a ter uma vida saudável por mais tempo, diz Claudia Metzler-Baddeley, neurocientista cognitiva do Centro de Pesquisa de Imagens do Cérebro (Cubric) da Universidade de Cardiff, no País de Gales. Mas também descobriu-se que a ioga altera a composição do seu cérebro. Estudos mostram que a prática de ioga afeta positivamente a estrutura e a função de partes do cérebro, incluindo o hipocampo, a amígdala, o córtex pré-frontal, o córtex cingulado e as redes cerebrais, incluindo a rede de modo padrão, parte do cérebro envolvida na introspecção e no pensamento autodirigido. Alguns pesquisadores afirmam que isso pode significar que ela tem potencial para mitigar os declínios neurodegenerativos e relacionados à idade. A pesquisa de Metzler-Baddeley se concentra nos mecanismos cognitivos e neurais do envelhecimento e da neurodegeneração. “Acreditamos que a inflamação acelera o envelhecimento, que pode ser causado pelo estresse crônico”, diz ela. “Os hormônios do estresse, como o cortisol, causam inflamação, que pode provocar aumento da pressão arterial. Estes são, obviamente, fatores de risco para um envelhecimento não saudável.” De acordo com ela, a meditação e a atenção plena (mindfulness) são parte integrante da prática de ioga — e “parecem induzir mudanças nas redes cerebrais que são importantes para a metacognição, a metaconsciência e a regulação das respostas emocionais ao estresse”. “Sabemos que há potencial [para que a ioga] nos mantenha saudáveis à medida que envelhecemos”, diz ela. “Há estudos que descobriram uma série de diferenças estruturais [no cérebro de pessoas que praticam ioga], e que certas áreas importantes para a metacognição e a resolução de problemas parecem ser maiores.” Estudos de neuroimagem revelaram que a ioga pode levar a um aumento no volume da massa cinzenta no cérebro. A massa cinzenta — ou o córtex cerebral — é importante para os processos mentais, incluindo linguagem, memória, aprendizado e tomada de decisões. Na doença de Alzheimer, há uma perda de volume de massa cinzenta, e um estudo de 2023 descobriu que a ioga pode retardar a perda de memória entre mulheres com risco de sofrer da condição. Um antidepressivo eficaz Todos os exercícios são conhecidos por melhorar o humor ao reduzir os níveis de hormônios do estresse e aumentar a produção de endorfinas, muitas vezes chamadas de “substâncias químicas do bem-estar”. Mas as posturas combinadas, a respiração e os exercícios de meditação da ioga podem oferecer benefícios adicionais, reduzindo a ansiedade, o estresse, a depressão e melhorando a saúde mental em geral. Estudos mostram que a ioga pode melhorar os sintomas de curto prazo da depressão, por exemplo. “Eu não queria seguir adiante. A vida era difícil demais”, diz Heather Mason, fundadora da escola de formação em iogaterapia The Minded Institute. “A ioga transformou minha vida, me ajudando a controlar a depressão, a ansiedade e o transtorno de estresse pós-traumático.” Depois de experimentar os efeitos profundos da ioga, Mason se formou nesta prática, assim como em psicoterapia e neurociência, antes de fundar sua escola de formação em iogaterapia em 2009. “Senti que havia muitas alegações [sobre a ioga] que não tinham evidências fundamentadas. E quando você passou a maior parte da sua vida sem esperança, não quer que te vendam algo que poderia funcionar”, diz ela. Mason agora treina profissionais de saúde e de ioga em iogaterapia. “Percebi que havia um problema de acessibilidade”, revela. “A ioga é comercializada para mulheres jovens, brancas e magras. Se você não se vê refletido nesta prática, pode achar que ela não é para você.” Também pode custar caro, ela acrescenta. “É por isso que estou tão determinada a integrá-la ao NHS [sistema público de saúde do Reino Unido]”.

