Mulheres podem ficar calvas? Entenda diagnóstico de Xuxa

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/03/2025 Ao Correio, especialista desmistifica alopecia androgenética, doença que acomete a apresentadora e milhões de homens e mulheres A apresentadora e cantora Xuxa Meneghel falou, durante conversa com Ana Maria Braga no programa Mais você, da Rede Globo nessa quinta-feira (27/3) sobre o próprio diagnóstico de alopecia androgenética, ou calvície, que provoca perda de cabelos no couro cabeludo tanto em homens quanto em mulheres. Em 2022, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) calculou que 42 milhões de pessoas são acometidas pela doença no país. De origem genética, a patologia, mais comum na população masculina, também afetou a mãe de Xuxa. Devido à perda de fios, a cantora resolveu raspar tolamente o cabelo e, atualmente, conforme revelou à Ana Maria, faz, há pouco mais de um mês, procedimento de transplante capilar. “Esses cabelinhos vão cair e depois vão nascer”, explicou. “A partir de agosto ou setembro, volto a usar minha ‘xuquinha’.” A artista, que nesta quinta (27/03) celebrou o aniversário de 62 anos, deixou um alerta para o público feminino. “Mulher tem medo, ou tem vergonha de falar, ou acha que não deveria”, disse. “Eu queria falar para muitas mulheres terem coragem, porque a alopecia existe.” O que é a alopecia androgenética Ao Correio, a dermatologista Rosicler Rocha Aiza Alvarez, da Clínica Aiza, explica que a “alopecia androgenética, também conhecida como calvície, é uma patologia muito frequente em homens, mas também em mulheres, que leva à queda gradativa dos cabelos da cabeça”. Segundo ela, a doença pode ser causada por alterações hormonais e por herança genética. A profissional esclarece que as manifestações da alopecia são diferentes nos diferentes gêneros. “Nos homens é mais frequente na parte anterior do couro cabeludo, laterais e frontais (as famosas entradas) e no vértice do couro cabeludo”, afirma. “Já nas mulheres, ocorre uma rarefação dos pelos, predominantemente no centro do couro cabeludo.” Na população do sexo feminino, o problema ocorre principalmente na pós-menopausa, devido a defeito na transformação de testosterona em outro hormônio que atua diretamente no crescimento de pelos: eles ficam cada vez mais finos até desaparecerem. “Vale lembrar que o pelo não cai de uma vez, mas aos poucos, pois fica enfraquecido”, reforça Rosicler. Fator genético Segundo a dermatologista, “a herança genética pode favorecer o início” da alopecia, mas não a determina. “Hoje sabemos (que) genética não é destino”, complementa. “Muito se sabe que escolhas alimentares, estilo de vida, como também o ambiente em que vivemos, são os principais gatilhos para a carga genética ser ativada.” Apesar disso, “se na família já existir o histórico da doença, é importante prevenir e procurar tratamento com médico dermatologista”. Por isso também, é preciso ficar atento ao início dos sintomas, que, de acordo com Rosicler, trata-se de processo individual e varia muito de pessoa para pessoa: “Em homens, ocorre com mais frequência após a adolescência, início da vida adulta; e em mulheres ocorre quando apresentam doenças endocrinológicas e após a menopausa, mas pode ocorrer em qualquer época da vida adulta”. Prevenção e tratamento A especialista garante que é possível prevenir e tratar a calvície, por meio de correção de causas e deficiências que provocam a doença. “Uso de medicações orais, tratamentos tópicos, uso de tecnologias para potencializar a absorção de substâncias que atuam diretamente no fortalecimento dos fios”, elenca algumas possibilidades. “Quanto antes iniciar o tratamento, melhor será a resposta, mas, se o tratamento for iniciado tardiamente, existe a possibilidade de fazer um transplante capilar.” Vale lembrar, porém, que, antes de qualquer coisa, a condição de saúde do paciente deve ser avaliada por um médico. Outras causas de queda de cabelo Nem toda perda de fios, porém, significa calvície. “Atualmente muito se fala sobre queda de cabelo, e muitas vezes não tem nada a ver com a alopecia androgenética”, tranquiliza Rosicler. “Vivenciamos com frequência, no consultório, pacientes que enfrentam uma queda de cabelo importante por alterações hormonais (por deficiências ou excessos) e deficiências nutricionais causadas por dietas muito restritivas e/ou uso de medicações para emagrecimento, como as ‘canetas emagrecedoras’ que estão na moda, e com uso indiscriminado, sem orientação médica”, alerta. “A alopecia androgenética é uma doença milenar, e pode ser confundida com outros tipos de alopecia, por isso é muito importante procurar um médico dermatologista clínico para fazer o diagnóstico e propor o tratamento adequado.”

Bruxismo não acontece só à noite: saiba tudo sobre o quadro

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 31/03/2025 Conheça o principal desencadeador da condição e outros sinais além da mandíbula apertada e do ranger de dentes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o hábito de ranger os dentes e apertá-los involuntariamente acomete cerca de 30% da população mundial. No Brasil, a taxa é ainda maior, podendo chegar a 40%. Denominada bruxismo, a condição está relacionada a diversos fatores e seus sintomas são variados. Entenda a seguir. Causas e sintomas do bruxismo De acordo com Rogério Penna, cirurgião-dentista do instituto de mesmo nome, o principal fator desencadeador do bruxismo é o estresse. “Ansiedade, tensão do dia a dia e noites mal dormidas também influenciam. O excesso de telas, especialmente o uso de celular antes de dormir, pode agravar o problema, pois mantém o cérebro em estado de alerta e prejudica o relaxamento necessário para um sono de qualidade”, explica o profissional de saúde. Rogério ainda cita alguns problemas dentários que podem levar ao desencadeamento do bruxismo. “Dentes desgastados, desalinhados ou sem equilíbrio na mordida fazem com que os músculos da mastigação trabalhem de forma descompensada, o que pode levar ao rangimento.” Embora a mandíbula apertada e o ranger de dentes sejam o principal sintoma relacionado ao bruxismo, existem outros sinais que podem acender a luz vermelha em relação à condição. São eles: Perigos para a saúde O grande problema do bruxismo são os efeitos ruins que ele gera para a saúde da pessoa como um todo. Isso porque a qualidade do sono acaba sendo prejudicada, impedindo que o indivíduo atinja o estado de sono profundo, impactando negativamente o descanso, a produtividade do dia seguinte e o bem-estar como um todo. Além disso, a saúde bucal também é afetada. Com o tempo, não é raro que pessoas com bruxismo desenvolvam disfunção articular na ATM, fraturas, fissuras, desgastes, inflamações na gengiva, entre outras complicações. Bruxismo não ocorre apenas durante o sono É isso mesmo. Engana-se quem pensa que o ranger de dentes e a mandíbula apertada estão restritos apenas ao momento de descanso. Penna explica que durante o dia, o chamado bruxismo em vigília pode ocorrer quando a pessoa está estressada, ansiosa ou muito focada em alguma atividade. Tratamentos e formas de prevenção Não existe uma cura definitiva para o bruxismo, mas é possível controlá-lo e amenizar seus efeitos para o organismo. Para isso, algumas técnicas podem ser usadas. O cirurgião-dentista destaca algumas: Por fim, Penna reforça a importância de se procurar ajuda profissional assim que sentir os primeiros sintomas. “Muita gente só descobre que tem bruxismo quando já está com os dentes desgastados ou sentindo dor. Por isso, se notar algum sintoma, procure um dentista. Quanto antes for tratado, melhor para evitar problemas mais sérios.”

Nozes reduzem risco cardiovascular, mostra estudo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 25/03/2025 O estudo incluiu 138 adultos com um ou mais critérios para síndrome metabólica, incluindo obesidade abdominal, triglicerídeos altos, HDL baixo, pressão alta e glicemia de jejum alta. Adultos em risco de síndrome metabólica que trocam o lanche habitual por um punhado de noz-pecã (Carya illinoinensis) melhoram os níveis de colesterol e a qualidade da dieta em geral, segundo pesquisadores do Departamento de Ciências Nutricionais da Penn State, nos Estados Unidos. O resultado do estudo foi publicado na revista American Journal of Clinical Nutrition. A condição é caracterizada por um conjunto de disfunções que elevam a chance de se desenvolver doenças crônicas, cuja base é a resistência à insulina.  O estudo incluiu 138 adultos com um ou mais critérios para síndrome metabólica, incluindo obesidade abdominal, triglicerídeos altos, HDL baixo, pressão alta e glicemia de jejum alta. Os participantes tinham de 25 a 70 anos e foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um deles trocou o lanche regular por 50g denoz-pecã por dia, enquanto o outro manteve a dieta habitual.  Exames de sangue e dados sobre a saúde vascular dos participantes foram coletados no início e na conclusão do estudo, de 12 semanas. Os voluntários também enviaram o diário alimentar nove vezes ao longo da pesquisa.  Colesterol Os resultados indicaram que, no grupo das castanhas, houve redução no colesterol total e nos triglicérides, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares. Com base na adesão às Diretrizes Dietéticas para Norte-Americanos, os cientistas calcularam uma melhora de 17% entre os que consumiram a noz-pecã no lugar do lanche tradicional.  “Esses resultados se somam à grande base de evidências que apoia os benefícios cardiovasculares das nozes e acrescentam informações sobre como os adultos podem incorporar nozes em sua dieta para melhorar a qualidade geral da alimentação”, disse Kristina Petersen, professora associada de ciências nutricionais na Penn State e coautora do estudo. Segundo a pesquisadora, estudos anteriores sugeriram os polifenóis das nozes-pecã — compostos químicos com propriedades anti-inflamatórias, podem auxiliar a função endotelial do organismo, um fator-chave na manutenção de vasos sanguíneos saudáveis.

Mastigar mais devagar os alimentos é um trunfo contra obesidade

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 25/03/2025 Pesquisa realizada no Japão aponta maneiras para aumentar o tempo da refeição e ajudar a prevenir o excesso de pesoUm estudo realizado pelo Departamento de Nutrição Clínica da Fujita Health University, no Japão, analisou fatores que influenciam a duração das refeições e o comportamento alimentar. O artigo, publicado no periódico Nutrients, explora fatores como diferenças sexuais, padrões de mastigação e estímulos rítmicos externos e a relação com a forma como as pessoas consomem as refeições.  “Embora a ciência nutricional esteja frequentemente preocupada com o metabolismo e a absorção dos alimentos e o conteúdo alimentar, há evidências limitadas no Japão sobre o comportamento alimentar que conecta os dois. Isso me intrigou a estudar o comportamento alimentar, que envolve diferenças de gênero”, explicou o professor Katsumi Iizuka.  A análise parte de pesquisas já realizadas anteriormente que sugerem que os comportamentos alimentares — incluindo duração da refeição, velocidade de mastigação e número de mordidas — podem ter um grande impacto na quantidade de comida consumida.  Os estudos indicam que quem mastiga mais devagar tende a consumir menos comida no geral. No entanto, faltavam evidências sobre como desacelerar a alimentação, principalmente no Japão, onde os hábitos alimentares são diferentes das normas ocidentais.  Foi por este motivo que Iizuka conduziu o novo estudo. Na pesquisa, o professor analisou 33 participantes saudáveis entre 20 e 65 anos. Eles foram convidados a comer fatias de pizza sob diferentes condições.  Durante a refeição, foram medidos os números de mastigações, quantidade de mordidas e o ritmo da mastigação, observando como as variações mudaram quando os participantes usaram fones de ouvido para medir diferentes ritmos de metrônomo (aparelho que indica um andamento musical por meio de pulsos de duração regular).  Segundo os resultados, existem diferenças entre homens e mulheres em relação aos comportamentos alimentares. As participantes do sexo feminino geralmente demoravam mais para comer (com média de 87 segundos), enquanto os homens demoravam menos (aproximadamente 63 segundos).  As mulheres também mastigam mais (107 vezes contra 80 dos homens) e davam mais mordidas (4,5, contra 2,1). No entanto, o ritmo de mastigação era semelhante entre ambos os sexos. O estudo observou que a duração da refeição foi positivamente associada ao número de mastigações e mordidas dadas, mas não ao índice de massa corporal ou ao ritmo médio de alimentação. Ainda conforme o artigo, quando os participantes foram expostos a um ritmo lento de metrônomo, de cerca de 40 batidas por minuto, a duração da refeição aumentou consideravelmente em comparação à alimentação sem estimulação rítmica.  Com os resultados, a pesquisa dá diversas estratégias para aumentar o tempo da refeição, que incluem: aumentar o número de mastigação por mordida, dar mordidas menores e criar um ambiente de alimentação mais lento, com uso de músicas calmantes.  “Essas são medidas fáceis e econômicas que podem ser iniciadas imediatamente para ajudar a prevenir a obesidade”, explica o professor Katsumi Iizuka. “Incorporar o comportamento alimentar proposto em almoços escolares e outros programas pode levar à prevenção de futuras doenças relacionadas à obesidade”, conclui. 

Teste simples é capaz de prever risco de queda de idosos 6 meses antes

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 14/01/2025 Estudo realizado com 153 pessoas entre 60 e 89 anos sugere alterações em teste clínico consagrado para avaliar equilíbrio de idosos, tornando-o mais eficiente, acessível e com capacidade preditiva O roteiro é comum. O idoso está aparentemente bem de saúde até que um dia sofre uma queda e, a partir daí, sua qualidade de vida começa a piorar. Isso acontece porque, mesmo quando não ocorrem consequências sérias, como ferimentos, fraturas ou traumatismo craniano, as quedas geralmente levam à diminuição da mobilidade e, por consequência, à perda de independência e autonomia. A questão é tão preocupante – as quedas são a segunda causa de morte relacionada a ferimentos entre adultos com 65 anos ou mais – que a recomendação é que pessoas idosas realizem anualmente testes de equilíbrio e mobilidade como parte de suas consultas de rotina, independentemente do profissional de saúde responsável. Um estudo, apoiado pela FAPESP e realizado com 153 pessoas entre 60 e 89 anos, conseguiu de uma tacada só apontar mudanças para tornar esse tipo de teste mais simples, efetivo e ainda demonstrou sua capacidade preditiva, ou seja, indicar o risco futuro de queda mesmo entre aqueles que apresentaram boas condições de equilíbrio e mobilidade. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista BMC Geriatrics. “O modelo vigente do teste de equilíbrio é simples e requer apenas que a pessoa idosa permaneça em cada uma das quatro posições – pés paralelos [bipodal], com um dos pés ligeiramente à frente do outro [semi-tandem], com um pé na frente do outro [tandem] e equilibrado em um pé só [unipodal] – por 10 segundos para assim verificar problemas de equilíbrio e mobilidade. No entanto, nosso estudo demonstrou algo que já desconfiávamos: 10 segundos em cada posição é pouco”, afirma Daniela Cristina Carvalho de Abreu, coordenadora do Laboratório de Avaliação e Reabilitação do Equilíbrio (Lare) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de são Paulo (FMRP-USP). O estudo com os 153 voluntários mostrou que a avaliação pode ser muito mais efetiva quando o teste é resumido em observar se o indivíduo consegue permanecer em apenas duas das posições mais desafiadoras (preferencialmente tandem e unipodal) e por 30 segundos em cada uma delas. “No trabalho descobrimos ainda que, para cada segundo a mais [dos 30 segundos] que a pessoa idosa conseguia ficar na posição de tandem ou unipodal, a chance de cair nos seis meses subsequentes diminuía 5%. Com isso é possível predizer qual o risco de queda para o período de seis meses, algo importante visto que o teste pode ser realizado na clínica, de forma rápida e sem a necessidade de equipamentos”, completou. Abreu ressalta que, tanto no modelo atual quanto no proposto pelo grupo de pesquisadores da USP, o teste segue sendo encarado prioritariamente como uma triagem. Isso porque, a partir do resultado do teste de equilíbrio em quatro posições, são recomendadas avaliações mais detalhadas e multifatoriais para entender se o desequilíbrio está relacionado à fraqueza muscular, alterações no alinhamento postural, comprometimentos sensoriais, problemas articulares ou outros fatores. “O que acontece é que com a realização do teste mantido por 30 segundos conseguimos não só identificar os indivíduos com problemas sutis de equilíbrio, mas também predizer qual o risco de o idoso cair nos próximos seis meses – o que torna a investigação posterior sobre a causa desse desequilíbrio ainda mais importante”, conta. Para chegar à nova abordagem de testagem, o grupo de pesquisadores avaliou os 153 voluntários por meio dos testes convencionais e com o tempo ampliado, acompanhando os participantes por seis meses. Quando os pesquisadores dividiram a amostra entre aqueles que caíram e os que não caíram, o grupo que sofreu uma queda nos seis meses subsequentes ao teste foi capaz de permanecer na posição unipodal por um tempo médio de 10,4 segundos e na posição tandem por 17,5 segundos. Já os que não caíram se mantiveram na posição unipodal por 17,2 segundos e na tandem por 24,8 segundos. “Nossos resultados mostram, portanto, que o teste com tempo de permanência de apenas 10 segundos só consegue detectar quem está com problemas muito graves de equilíbrio, deixando passar uma parcela importante de indivíduos com risco elevado de queda. Com isso, sugerimos que o limite de tempo para o teste de equilíbrio de quatro estágios deve ser definido para mais de 23 segundos”, disse Abreu. O trabalho também usou uma plataforma de força – equipamento utilizado para medir as oscilações do indivíduo sobre uma plataforma durante a manutenção das posições. O objetivo era verificar se era possível predizer o risco de queda somente pelo tempo que o indivíduo conseguia ficar em uma posição ou se a magnitude de oscilação corporal era um parâmetro essencial a ser considerado. Ainda em relação ao limite de tempo, os resultados mostraram que todos os participantes conseguiram manter a posição bipodal por 30 segundos, e a maioria dos idosos também conseguiu manter a posição semi-tandem por 30 segundos. “Na predição de quedas em seis meses, apenas a oscilação – amplitude medial-lateral do deslocamento do centro de pressão [medida na plataforma de força] – na posição unipodal e o tempo mantido em posições tandem e unipodal foram associados à ocorrência de quedas em idosos da amostra e, portanto, sem quaisquer condições neurológicas”, completou. Dessa forma, embora a oscilação corporal medida na plataforma de força tenha se mostrado um preditor para o risco de queda do idoso em seis meses, o problema também pode ser verificado pelo tempo de permanência nas posições mais desafiadoras (tandem e unipodal). “Isso é importante, porque simplifica o teste e garante acesso a ele em qualquer consultório ou posto de saúde, já que a plataforma é um equipamento caro”, diz. Os pesquisadores esperam agora que os resultados do estudo sirvam de base para a implementação da avaliação de risco de quedas em pessoas a partir de 60 anos, abrangendo desde a atenção básica até as consultas com especialistas. “Nosso estudo avançou muito, trazendo resultados importantes para a prática clínica. Apesar de as quedas serem a segunda causa de morte

Estilo de vida afeta mais o envelhecimento do que a genética, diz estudo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/02/2025 Segundo pesquisa, fatores ambientais explicaram 17% da variação no risco de morte, em comparação com menos de 2% explicados pela predisposição genética. Um novo estudo mostrou que o estilo de vida, como fumar ou manter uma rotina de atividade física, pode ter um impacto maior na saúde e no envelhecimento do que a genética. O trabalho, liderado por pesquisadores da Oxford Population Health, foi publicado nesta quarta-feira (19) na revista médica Nature Medicine. O estudo foi feito usando dados de quase meio milhão de participantes do UK Biobank, um grande banco de dados biológicos de longo prazo feito no Reino Unido. Os pesquisadores avaliaram a influência de 164 fatores ambientais e pontuações de risco genético para 22 doenças comuns no envelhecimento, além de doenças relacionadas à idade e à morte prematura. Segundo o estudo, fatores ambientais (incluindo o estilo de vida) explicaram 17% da variação no risco de morte, em comparação com menos de 2% explicados pela predisposição genética. Dos 24 fatores ambientais identificados, o tabagismo, status socioeconômico, atividade física e as condições de vida tiveram maior impacto na mortalidade e no envelhecimento biológico. O tabagismo foi associado a 21 doenças, enquanto fatores socioeconômicos, como renda familiar, propriedade de casa e situação de emprego, foram associados a 19 doenças. Já a falta de prática de atividade física foi associada a 17 doenças. Outra conclusão feita pelo estudo é que a exposição precoce a fatores de risco, como tabagismo durante a gravidez e sobrepeso aos 10 anos, podem influenciar no envelhecimento e no risco de morte prematura cerca de 30 a 80 anos depois. “Nossa pesquisa demonstra o profundo impacto na saúde das exposições que podem ser alteradas por indivíduos ou por meio de políticas para melhorar as condições socioeconômicas, reduzir o tabagismo ou promover a atividade física”, afirma Cornelia van Duijn, professora de epidemiologia da St. Cross na Oxford Population Health e autora sênior do artigo, em comunicado à imprensa. “Embora os genes desempenhem um papel fundamental nas condições cerebrais e em alguns tipos de câncer, nossas descobertas destacam oportunidades para mitigar os riscos de doenças crônicas do pulmão, coração e fígado, que são as principais causas de incapacidade e morte em todo o mundo”, completa. “As exposições no início da vida são particularmente importantes, pois mostram que os fatores ambientais aceleram o envelhecimento no início da vida, mas deixam ampla oportunidade para prevenir doenças duradouras e morte precoce.” Os pesquisadores utilizaram uma medida única de envelhecimento, com base nos níveis de proteína no sangue, para monitorar a rapidez com que as pessoas estão envelhecendo. Isso permitiu que eles vinculassem exposições ambientais que preveem mortalidade precoce com envelhecimento biológico. “Nossa abordagem nos permitiu quantificar as contribuições relativas do ambiente e da genética para o envelhecimento, fornecendo a visão geral mais abrangente até o momento dos fatores ambientais e de estilo de vida que impulsionam o envelhecimento e a morte prematura. Essas descobertas ressaltam os benefícios potenciais de focar intervenções em nossos ambientes, contextos socioeconômicos e comportamentos para a prevenção de muitas doenças relacionadas à idade e morte prematura”, avalia Austin Argentieri, autor principal do estudo na Oxford Population Health and Research Fellow no Massachusetts General Hospital. “Há muito tempo sabemos que fatores de risco como fumar impactam nossa saúde cardíaca e circulatória, mas esta nova pesquisa enfatiza o quão grande é a oportunidade de influenciar nossas chances de desenvolver problemas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, e morrer prematuramente. Precisamos urgentemente de uma ação ousada do Governo para atingir as barreiras superáveis ​​à boa saúde que muitas pessoas no Reino Unido estão enfrentando”, acrescenta Bryan Williams, diretor científico e médico da British Heart Foundation.

Prevenção colhida no pé: descobertas de benefícios das frutas à saúde

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 09/03/2025 Pesquisas descobrem mais benefícios das frutas, além dos conhecidos efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Controlam a glicose, reduzem risco de síndrome metabólica e até diminuem a perda muscular. Leves, saborosas e saudáveis, as frutas oferecem mais benefícios ao organismo do que se imaginava, sugerem estudos recentes. De melhora na sensibilidade à insulina à manutenção da massa muscular, as pesquisas revelam potenciais até então desconhecidos de alimentos como açaí, limão, abacate, uva, morango e laranja, que são fáceis de encontrar e, em alguns casos, podem ser colhidos nas ruas e parques de Brasília.  A manga fresca, por exemplo, revelou um potencial divisor de águas no incremento da saúde cardiometabólica, dizem pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos, em um estudo publicado na semana passada na revista Nutrients. Os cientistas descobriram que ingerir duas xícaras da fruta (cerca de 100 calorias) diariamente ajuda a reduzir a concentração da insulina em adultos com sobrepeso ou obesos, que também sofrem de inflamação crônica. Segundo os autores, a constatação ressalta “como escolhas alimentares simples podem contribuir para reduzir o risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2, que estão intimamente ligadas à saúde cardíaca”. Pesquisas anteriores verificaram que o consumo regular de manga fortalece o sistema imunológico, contribui para o bom funcionamento intestinal, combate inflamações e ajuda a proteger a visão. Agora, os cientistas norte-americanos investigaram se a fruta — cortada do cardápio de muita gente por ser rica em frutose, o açúcar natural — ajudaria a melhorar a sensibilidade à insulina.  Inflamação  O estudo, realizado com 48 adultos com idades entre 20 e 60 anos, comparou a inflamação e a sensibilidade à insulina quando o alimento ofertado era manga ou sorvete italiano, com a mesma quantidade de calorias. “A fruta escolhida foi justamente a manga, que tem altíssimo índice glicêmico, o que, teoricamente, pioraria o diabetes”, descreve Jamilly Drago, endocrinologista da clínica Metasense. “Após um teste de tolerância oral à glicose, foram analisados os efeitos da fruta na resistência insulínica e os pesquisadores viram uma melhora”, diz a médica.  Além disso, houve melhora na função pancreática de produzir e liberar insulina para gerenciar concentrações normais de glicose, o que foi medido pelo índice de disposição (DI), um marcador de quão efetivamente o corpo regula os níveis de açúcar no sangue. “Gerenciar a glicose no sangue não é apenas monitorar os níveis de açúcar no sangue — é melhorar a sensibilidade à insulina”, disse, em nota, Indika Edirisinghe, professora de Ciência Alimentar e Nutrição em Illinois e principal autora da pesquisa.  Estratégia Outra descoberta que surpreendeu os pesquisadores foi a de que o consumo de uvas a longo prazo impacta significativamente a saúde muscular, com benefícios notáveis para ambos os sexos. O artigo, publicado na revista Foods, sugere que uma dieta que inclua essa fruta pode modificar a expressão genética no tecido, oferecendo, segundo os autores, uma nova estratégia nutricional para manter a massa e a função muscular. É importante notar que o estudo foi realizado, inicialmente, em camundongos e precisa ser replicado em humanos para ter os resultados validados clinicamente. Porém, os autores estão animados com as descobertas e acreditam que elas serão confirmadas brevemente nos testes com pessoas. “O estudo fornece evidências convincentes de que as uvas têm o potencial de melhorar a saúde muscular no nível genético”, disse John Pezzuto, pesquisador senior e professor da Universidade Western New England, nos Estados Unidos.  A abordagem utilizada foi a nutrigenômica, campo que investiga como a dieta influencia o comportamento dos genes e de que forma a variação genética impacta nas respostas alimentares. “Os avanços na genética, especialmente na nutrigenômica — ciência que estuda a interação entre os nutrientes e os genes —, têm permitido uma compreensão mais aprofundada sobre como determinados compostos presentes nas frutas influenciam diretamente nossa saúde”, explica a nutricionista Juliana Bayeux, pós-graduada em nutrição funcional e fitoterapia.  Mulheres A equipe da Western New England analisou o impacto de duas porções de uva por dia nos padrões de expressão genética muscular. Os autores descobriram que o consumo diário da fruta altera significativamente a expressão dos genes nos tecidos, com um efeito mais pronunciado em mulheres.  Além disso, os genes associados à massa muscular magra foram elevados, enquanto aqueles ligados à degeneração sofreram redução. “Essas descobertas sugerem aplicações potenciais para perda muscular relacionada à idade, já que entre 10% a 16% dos idosos apresentam sarcopenia”, diz John Pezzuto. Ele ressalta que não basta comer uvas, mas aliar o consumo às estratégias tradicionais de manutenção dos músculos, como exercícios físicos. Compostos à brasileira A nutricionista Juliana Bayeux, pós-graduada em nutrição funcional e fitoterapia, recomenda frutas ricas em polifenóis, fáceis de serem encontradas no Brasil. “Esses compostos bioativos reduzem a síndrome metabólica porque combatem o estresse oxidativo e a inflamação crônica, fatores que contribuem para resistência à insulina, obesidade, hipertensão e dislipidemias. Além disso, modulam a microbiota intestinal, o que também impacta positivamente o metabolismo e a regulação do peso corporal”, ensina.  • Uva: rica em resveratrol, que melhora a função endotelial e reduz a inflamação, prevenindo doenças cardiovasculares. • Açaí: tem antocianinas, que ajudam a reduzir o “colesterol ruim” (LDL) e a inflamação sistêmica. • Cacau (presente no chocolate amargo): fonte de flavonoides, que melhoram a sensibilidade à insulina e a saúde vascular. • Jabuticaba: contém elagitaninos e antocianinas, que protegem contra o acúmulo de gordura no fígado e na região abdominal. • Morango e frutas vermelhas: ricas em quercetina e ácido elágico, compostos associados à melhora da glicemia e redução do risco de hipertensão. Combinação complexa “As frutas oferecem uma matriz alimentar complexa, combinando fibras, antioxidantes, minerais e outros nutrientes que atuam de forma sinérgica para proporcionar benefícios à saúde”, destaca a nutricionista Juliana Bayeux, especialista em nutrição funcional. Algumas das substâncias mais estudadas nesses alimentos são os polifenóis, compostos bioativos com conhecidas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.  Um novo estudo com 6 mil brasileiros constatou os efeitos cardioprotetor dos polifenóis, abundantes em uva, morango, açaí, laranja, chocolate, vinho e café. Segundo os pesquisadores, que publicaram o resultado no Journal of Nutrition, esses alimentos podem reduzir o risco

O cérebro preserva um complexo e seletivo sistema de memórias e emoções

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/02/2025 Cientistas descobrem que há uma área específica que conecta o córtex entorrinal (CE) ao hipocampo (HC), numa rota de comunicação que classifica os estímulos, com um fluxo mais rápido, e estabelece o que deve ser lembrado Um novo circuito cerebral que mistura informações sensoriais, memórias e emoções para distinguir o que é importante foi descoberto por cientistas da Universidade de Nova York (NYU), nos Estados Unidos. O estudo, publicado ontem na revista Nature Neuroscience, mostra que há uma área cerebral, que conecta o córtex entorrinal (CE) ao hipocampo (HC), que tem uma rota de comunicação que, até então, não havia sido reconhecida. Essa nova via é crucial na classificação de estímulos e determina o que é relevante para ser lembrado. O circuito estudado pelos pesquisadores conecta diretamente o CE, uma região do cérebro responsável pelo processamento sensorial, ao hipocampo, centro de armazenamento de memória. Antes, acreditava-se que as mensagens fluíam por um caminho indireto, o que causava pequenos atrasos na comunicação. A descoberta, no entanto, revela uma via direta entre essas áreas, o que permite um fluxo mais rápido de informações, facilitando a incorporação imediata de experiências sensoriais, como imagens e sons, com memórias e emoções associadas. Nova compreensão Segundo Jayeeta Basu, professora assistente NYU Grossman School of Medicine e autora principal do estudo, a análise anatômica e funcional dos circuitos cerebrais revela uma perspectiva inovadora sobre como o cérebro processa e organiza informações complexas. Basu detalhou que as diferenças observadas entre os circuitos de resposta direto e indireto sugerem que essas vias têm funções distintas, mas complementares, na codificação de informações e na formação de memórias. Para ela, a combinação dos dois permite o processamento de estímulos sensoriais de maneira mais eficiente. A equipe de pesquisa sugere que compreender melhor a interação entre o hipocampo e o córtex entorrinal pode abrir portas para tratamentos mais eficazes para condições clínicas que envolvem disfunções desses circuitos, como pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Segundo a publicação, muitas vezes pacientes com TEPT não conseguem distinguir entre memórias de traumas passados e estímulos sensoriais do presente, o que pode provocar respostas emocionais excessivas a ruídos ou situações cotidianas. Tradicionalmente, o modelo de comunicação entre o hipocampo e o córtex entorrinal indica que o hipocampo recebe informações do mundo externo por meio das camadas superficiais numeradas 2 e 3 do córtex entorrinal. No entanto, essas informações eram enviadas de volta ao córtex por meio de um circuito indireto que envolvia a camada 5 do córtex, mais profunda, provocando um atraso nos sinais de retorno. Essa demora pode modificar a forma como as informações são processadas e afetar a precisão das memórias. Usando técnicas de mapeamento neuronal, descobriu o caminho de feedback direto que conecta diretamente o hipocampo às camadas 2 e 3 do córtex entorrinal, sem a necessidade de passar por camadas intermediárias. Isso significa que, quando o hipocampo “acessa” uma memória ou uma emoção armazenada, ele pode enviar rapidamente sinais para as camadas do córtex entorrinal. Marta Rodrigues de Carvalho, neurologista do Hospital Anchieta, detalhou que o hipocampo, crucial para a memória, recebe diversas entradas do córtex por meio do córtex entorrinal. “Esse circuito está ligado ao reconhecimento de objetos e ao aprendizado espacial, coordena projeções e sincroniza oscilações neurais entre regiões cerebrais. As principais características neuroquímicas do transtorno do estresse pós-traumático incluem a regulação anormal de neurotransmissores em circuitos cerebrais que regulam/integram o estresse e as respostas de medo.” “Logo, a descoberta de uma via que pode influenciar mais rapidamente a percepção do estímulo pode ajudar os pacientes a filtrar estímulos danosos. Esse mesmo raciocínio pode aplicar-se a doenças degenerativas”, destacou a especialista. Para a equipe, um dos aspectos mais fascinantes da descoberta é a diferença na forma como ambas vias operam. Enquanto o circuito indireto, já conhecido, provoca respostas neurais vigorosas, o direto, ao invés de causar respostas fortes e abruptas, ativa uma forte inibição nas células do córtex entorrinal, enviando sinais mais sutis e delicados modificando rapidamente o processamento de informações sensoriais. De acordo com Silvio Pessanha Neto, doutor em neurologia e neurociência pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e diretor de medicina do Instituto de Educação Médica (IDOMED). “A prova intuitiva de que tal circuito modulador existe é que cada pessoa reage de maneira diferente aos mesmos estímulos e vivências. Certamente, essa diferença está associada à capacidade de modulação do córtex pré-frontal, ao medo processado na amígdala, entre outros fatores.” “Essa combinação pode ser essencial para o aprendizado rápido, a tomada de decisões e a plasticidade cerebral, pois permite que o cérebro ajuste dinamicamente a importância das informações sem sobrecarga”, reforçou. O futuro Os autores planejam novos ensaios para investigar como o mecanismo influencia a tomada de decisão no córtex pré-frontal e como esses processos podem ser alterados em condições, como o Alzheimer. O próximo trabalho também irá avaliar os efeitos do envelhecimento sobre esses mecanismos.  Hipótese para o deja vù “A existência dessas vias alternativas sinaliza que é um sistema com o ajuste muito fino, ajustado conforme as necessidades. Esse novo circuito pode ser mais uma ferramenta que a nossa biologia, o nosso cérebro foi desenvolvendo ao longo do tempo para privilegiar informações associadas ao emocional. Algo que me chamou a atenção sobre o assunto é a existência dessas duas conexões que trabalham em tempos um pouco diferentes, talvez possa levantar alguma hipótese sobre um efeito que é conhecido como déjà vu, a sensação de estar vivenciando novamente uma situação. Isso pode ser um duplo sinal que está chegando em tempos diferentes. Mas é uma hipótese, existem várias outras para explicar esse tipo de fenômeno.” Genética da linguagem falada A origem da linguagem falada ainda é incompreendida. Os Neandertais provavelmente tinham características anatômicas na garganta e nos ouvidos que poderiam ter facilitado a produção e a percepção da fala. No entanto, apenas humanos modernos têm as regiões cerebrais expandidas essenciais para a produção e compreensão da linguagem. Recentemente, pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, descobriram uma variante de

Por que infecções respiratórias são mais graves em idosos?

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/02/2025 Vaticano revela que Papa Francisco, de 88 anos, enfrenta “quadro clínico complexo” com infecção polimicrobiana e pneumonia bilateral; especialista explica os riscos Katia Hetter da CNN Após o Papa Francisco ter sido hospitalizado na semana passada com bronquite, o Vaticano anunciou na terça-feira (18) que ele está com pneumonia bilateral, ou seja, em ambos os pulmões, com exames continuando a indicar um “quadro clínico complexo”. No início da semana, o Vaticano havia informado que o pontífice de 88 anos apresentava uma “infecção polimicrobiana do trato respiratório”. Estes são os mais recentes de uma série de problemas de saúde pulmonares que têm afligido Francisco, e serve como um lembrete para adultos mais velhos levarem as infecções respiratórias a sério — mesmo que não sejam tão idosos quanto o pontífice. A especialista em bem-estar da CNN, Dra. Leana Wen, fala sobre os diferentes tipos de infecções respiratórias:  como são diagnosticadas e tratadas? Por que os idosos estão especialmente em risco de desenvolver doenças graves devido a infecções respiratórias? E como todos podem reduzir suas chances de contrair pneumonia e outras infecções respiratórias? Wen é médica de emergência e professora associada clínica na Universidade George Washington. Anteriormente, foi comissária de saúde de Baltimore. CNN: Quais são os diferentes tipos de infecções respiratórias comuns e quais são seus sintomas? Dra. Leana Wen: Uma forma de pensar sobre infecções respiratórias é onde elas afetam o trato respiratório. Infecções do trato respiratório superior afetam os seios nasais e garganta e incluiriam infecções como resfriado comum e sinusite. Infecções do trato respiratório inferior afetam as vias aéreas e pulmões. Incluem bronquite, que é uma inflamação das passagens das vias aéreas que levam aos pulmões. Pessoas com bronquite aguda podem tossir muito, mas geralmente não têm febre ou dificuldade para respirar; se tiverem, a preocupação seria que também tenham outra condição. A pneumonia também é uma infecção do trato respiratório inferior e é uma infecção dos próprios pulmões. Existem vários organismos que podem causar pneumonia, incluindo vírus, bactérias, fungos e parasitas. Indivíduos com pneumonia podem experimentar uma variedade de sintomas — os mais comuns sendo febre, falta de ar, tosse, dores no corpo e fadiga. Alguns pacientes também podem experimentar náusea, vômito, diarreia, dor no peito ao respirar e estado mental alterado ou confusão. CNN: O que significa que o Papa Francisco tem uma “infecção polimicrobiana do trato respiratório”? Wen: A palavra polimicrobiana significa que mais de um organismo está envolvido em sua doença. Então, mais de um tipo de vírus, bactéria, fungo ou parasita foi detectado e acredita-se ser a causa de seus sintomas. Como o Papa Francisco permanece hospitalizado e sua infecção é descrita como complexa, não é surpresa que ele tenha sido diagnosticado com pneumonia. Em 2023, ele também precisou de hospitalização por pneumonia. Ele também é conhecido por ter tido pneumonia grave no passado e ter removido uma parte de um pulmão. CNN: Como infecções do trato respiratório inferior, como pneumonia, são diagnosticadas e tratadas? Wen: O diagnóstico é feito através de uma combinação do histórico médico da pessoa, exame físico e testes diagnósticos. Os testes podem incluir raio-X do tórax ou tomografia computadorizada. Também podem incluir swabs virais através do nariz e faringe e cultura de escarro em que o material é expelido pela tosse e testado. Às vezes, os pacientes são submetidos a uma broncoscopia, na qual um tubo flexível entra nas vias aéreas para coletar amostras para teste. Pacientes que requerem hospitalização também receberão exames de sangue, inclusive para avaliar se a infecção se espalhou pela corrente sanguínea. O tratamento depende do tipo de organismo envolvido. Causas comuns de pneumonia bacteriana incluem Mycoplasma pneumoniae e Streptococcus pneumoniae. Estas seriam tratadas com antibióticos. Alguém com pneumonia fúngica receberia tratamento antifúngico. Muitos vírus também podem levar à pneumonia, incluindo Covid-19, influenza, metapneumovírus humano, ou HMPV, e o vírus sincicial respiratório, ou VSR. Alguns desses vírus têm antivirais específicos que podem ser administrados. CNN: Por que as infecções respiratórias são especialmente preocupantes em adultos mais velhos? Wen: Não há dúvida de que as infecções respiratórias representam uma séria ameaça para adultos mais velhos. De acordo com um estudo de 2020, quase 1 milhão de idosos são hospitalizados por pneumonia todos os anos. Mais de um terço dos hospitalizados morrem no ano seguinte, descobriu o estudo. Existem várias razões pelas quais os adultos mais velhos são mais vulneráveis a resultados graves dessas infecções. Primeiro, eles têm maior probabilidade de apresentar outras condições médicas crônicas que aumentam a chance de complicações, como doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema, doença cardíaca, doença renal e diabetes. Segundo, são mais propensos a ter fraqueza muscular, o que dificulta a tosse. Terceiro, a fraqueza muscular pode levar a problemas de deglutição. Idosos têm maior probabilidade de inalar alimentos ou líquidos para os pulmões, causando pneumonia por aspiração. Quarto, o sistema imunológico enfraquece com a idade, o que significa que pessoas mais velhas teriam capacidade reduzida de combater infecções. Quinto, alguns idosos podem apresentar sintomas atípicos — por exemplo, em vez de febre alta e tosse, apresentam confusão mental agravada ou diarreia. Isso pode levar a um atraso no diagnóstico até que a infecção se torne mais grave. É importante acrescentar que os idosos não são o único grupo para quem as infecções respiratórias podem ser especialmente graves. Bebês e crianças pequenas também são muito suscetíveis; globalmente, a pneumonia mata mais crianças menores de 5 anos do que qualquer outra doença infecciosa. Outros grupos vulneráveis incluem pessoas imunocomprometidas ou com outras condições médicas subjacentes graves CNN: Que tipos de complicações podem ocorrer em pessoas com infecções do trato respiratório? Wen: As pessoas podem experimentar tanta dificuldade para respirar que precisam de suporte respiratório adicional, incluindo intubação, onde uma máquina ajuda a respirar pelo paciente e a pessoa precisa estar sob forte sedação. A pneumonia bacteriana pode se espalhar para a corrente sanguínea e causar sepse, que é extremamente perigosa e pode ser rapidamente fatal. E bolsas de pus podem se formar dentro ou ao redor dos pulmões, podendo necessitar de drenagem cirúrgica. CNN:

Pirâmide demográfica achata e vira obelisco: envelhecimento global traz desafios

Fonte: InfoMoney | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 18/02/2025 Com maior número de idosos e as quedas de nascimentos, o que muda não é só o desenho demográfico, mas toda a economia mundial, diz estudo Anna França O envelhecimento da população associado às quedas da fertilidade na maior parte do mundo estão invertendo as estruturas etárias tradicionais. Com o surgimento de uma nova ordem populacional, de contrastes demográficos extraordinários, caem por terra as tradicionais pirâmides populacionais para surgir uma nova forma, mais parecida com um obelisco, bem mais achatada no piso. No entanto, mais do que uma mudança no desenho dos gráficos, esse novo momento ela traz uma profunda alteração na dinâmica mundial, impondo desafios para economia e para toda a humanidade. A primeira onda dessa mudança demográfica está atingindo economias mais desenvolvidas e até a própria China, onde a parcela de pessoas em idade produtiva cairá dos atuais 67% para 59% em 2050. Ondas posteriores atingirão até mesmo regiões mais jovens em uma ou duas gerações, como a América Latina e Ásia. A única exceção é a África Subsaariana, como mostram os dados da pesquisa “Enfrentando as Consequências de Uma Nova Realidade Demográfica”, feito pela consultoria McKinsey. A reformulação da estrutura etária das sociedades resulta em uma força de trabalho menor e em uma proporção crescente de idosos, que utilizam mais as estruturas previdenciárias e de saúde. “Nosso sistema econômico enfrenta um ponto de virada: sem aumento expressivo da produtividade ou mais horas trabalhadas, o crescimento do PIB global per capita pode desacelerar em até 0,8% ao ano”, explica a sócia-diretora do escritório da McKinsey no Brasil, Heloisa Callegaro. E no Brasil? Essa preocupação também é relevante para o Brasil, uma vez que, entre 1997 e 2023, a demografia contribuiu positivamente para o PIB per capita, com um incremento de 0,4 pontos percentuais ao ano. Entretanto, projeções indicam que, de 2023 a 2050, a transição demográfica poderá reduzir o PIB per capita em 0,3 pontos percentuais anuais, representando uma inversão preocupante. “É essencial que adotemos medidas para reverter essa tendência e assegurar um crescimento econômico sustentável.” No caso do envelhecimento da população, o Brasil está envelhecendo mais rápido do que muitos imaginavam. Com uma taxa de fecundidade de 1,62 filhos por mulher, já estamos num patamar abaixo da chamada taxa de reposição, de 2,1 filhos. O País deverá atingir o pico populacional em algumas décadas e, até 2100, projeta-se uma redução de 22% em sua população atual, de acordo com o estudo. “A redução da população em idade ativa está aumentando a pressão sobre a força de trabalho existente. O único caminho para manter o crescimento econômico será baseado em investimento em tecnologia e no aumento da produtividade”,  afirma Heloisa, acrescentando que o Brasil terá apenas 16 anos até atingir o nível de envelhecimento das economias avançadas. Desse modo, em 2050 o índice de suporte (trabalhadores por idoso) será equivalente ao das economias ricas hoje. Entretanto nossa produtividade ainda é considerada baixa, ficando em média em US$ 18 por hora por trabalhador enquanto a média nos países de economias maduras é de US$ 60. Essa constatação traz de volta uma frase muito citada no passado recente, que dava conta que o Brasil iria ficar velho antes de ficar rico, ao contrários de grandes potências desenvolvidas. Nos últimos 25 anos houve um ‘milagre’ produtivo em várias partes do mundo, com uma média global de produtividade multiplicando-se por seis. Mas o mesmo não ocorreu na América Latina, onde o avanço foi tímido, não alcançando os 20%, segundo relatório do McKinsey Global Institute. “Além do aumento de produtividade, vamos precisar  ampliar a participação da população no mercado produtivo, especialmente entre mulheres”, disse a diretora da McKinsey. A participação feminina na força de trabalho no Brasil chega a 66%, ficando abaixo da média dos países ricos, que é de 74%. Pressão na Previdência Com o esgotamento do chamado bônus demográfico, quando há mais pessoas para trabalhar do que aposentados, os desafios já são sentidos por toda a sociedade. A proporção de pessoas em idade ativa por idoso cairá de 6,5 para 2,8, elevando a pressão sobre famílias e a Previdência. A expectativa de vida global aumentou em sete anos, em média, desde 1997, chegando a 73 anos em 2023 e deve chegar a 77 anos em 2050. Aqueles com 100 anos ou mais são a faixa etária de crescimento mais rápido em termos percentuais, de acordo com as Nações Unidas. Esse aumento da longevidade pressiona como nunca os sistemas previdenciários devido, principalmente, à redução da proporção de trabalhadores na ativa em relação aos aposentados. Apesar de toda a atenção dada ao aumento da longevidade, o declínio da fertilidade determina de forma mais poderosa a demografia global. Dessa forma, sem reformas significativas, esses sistemas podem se tornar insustentáveis. Hoje, o Brasil tem 6,5 trabalhadores por aposentado, número que já foi 13,1, em 1997. Em 2050, esse número cairá para apenas 2,8 trabalhadores por aposentado. Sem o trabalhador jovem para financiar o idoso inativo, será preciso encontrar novas formas de refinanciar os sistemas previdenciário, na avaliação do professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri. “Além disso, o estado precisará destinar mais recursos para a saúde, porque as pessoas que vivem mais precisam de cuidados. Mas acima de tudo, com menos jovens, será preciso investir mais e melhor em educação para que, com melhor formação, estes jovens sejam mais produtivos”, afirma o professor. Herança difícil Ao confrontar as consequências da mudança demográfica, as sociedades entram em águas desconhecidas. Na ausência de ação, os mais jovens herdarão menor crescimento econômico e arcarão com o custo de mais aposentados, enquanto o fluxo tradicional de riqueza entre gerações se corrói. Práticas de trabalho de longa data devem mudar. Mas, fundamentalmente, os países precisarão aumentar as taxas de fertilidade para evitar o despovoamento, uma mudança social sem precedentes na história moderna. Queda de nascimentos Famílias em todo o mundo estão tendo cada vez menos filhos. Em grande parte do mundo, as taxas de fecundidade caíram abaixo da taxa de reposição necessária para