Novas diretrizes ampliam o tratamento de fibromialgia pelo SUS

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 28/02/2026 Medidas incluem atividade física e suporte psicológico Alice Rodrigues* A fibromialgia é uma síndrome clínica que atinge de 2,5% a 5% da população brasileira. Neste mês, o Governo Federal anunciou uma série de novas diretrizes que visam ampliar a visibilidade da doença e implementar novas oportunidades de tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, em entrevista concedida ao Tarde Nacional – Amazônia nesta terça-feira (24), a fibromialgia é uma doença que causa dores constantes por todo o corpo, sem qualquer ligação com lesões ou inflamações. “É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia”, conta. Segundo estudos revisados pela revista Rheumatology e o National Institutes of Health (NIH), as mulheres representam mais de 80% dos casos, principalmente na faixa de 30 e 50 anos. Não se sabe a origem da doença, mas questões hormonais e genéticas estão entre as possibilidades investigadas. Diagnóstico – A fibromialgia não é uma doença inflamatória, ela gera uma disfunção dos neurônios ligados à dor, que se tornam excessivamente sensibilizados. Dentre os sintomas mais comuns, estão: . Dor constante no corpo . Fadiga e falta de energia . Formigamento nas mãos e nos pés . Problemas no sono, incluindo crises de apneia e insônia . Sensibilidade ao toque e a estímulos ambientais, como cheiros e barulhos . Alterações de humor, como depressão e ansiedade . Dificuldades de memória, concentração e atenção Para José Eduardo Martinez, a identificação dos sintomas é uma questão complicada, e gera dificuldade no momento de fechar um diagnóstico. “O diagnóstico é puramente clínico, é o paciente contando para o seu médico o que ele sente e o médico reconhecendo os sintomas típicos da fibromialgia. Depois, é importante que se faça um bom exame físico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doenças”. Ele reforça que é importante que o médico verifique se essas possíveis outras doenças não podem estar contribuindo para a dor que o paciente sente. Por exemplo, que o médico saiba distinguir a fibromialgia de outras doenças que podem causar dor articular no corpo, como a artrose. O médico também explica que não existem exames específicos para fibromialgia. O ideal é que o paciente procure um reumatologista para investigar a possibilidade, ou busque atendimento primário onde for possível, como uma Unidade Básica de Saúde. Tratamento estruturado Em janeiro, através da Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fibromialgia passou a ser reconhecida como deficiência. A medida permite que pessoas com a doença possam acessar serviços garantidos por lei como: . Cotas em concursos públicos e seleções de emprego. . Isenção de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados. . Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, mediante avaliação pericial. . Benefício de Prestação Continuada (BPC), no caso de baixa renda. . Pensão por morte, em situações em que a incapacidade para o trabalho for comprovada. Outra medida foi implementada esse mês pelo Ministério da Saúde, um planejamento estruturado para o tratamento de fibromialgia pelo SUS, que visa ampliar o acesso a ajuda qualificada e melhorar a vida de quem convive com a síndrome. A cartilha prevê a capacitação de profissionais, e também um tratamento multidisciplinar, com fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional. A atividade física constante é também importante aliada, que pode ajudar a fortalecer o corpo e melhorar a qualidade de vida. Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tratamentos não fármacos – sem uso de remédios – são tão importantes para auxiliar o paciente quanto os fármacos, que ajudam a regular a percepção de dor. “Alguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressão, provavelmente o médico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicólogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remédios, para não haver interação”, completou o Martinez. *Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.
Doenças raras: nova tecnologia do SUS reduz tempo de diagnóstico

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/02/2026 Plataforma de sequenciamento de DNA deve atender 20 mil pessoas ao ano Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil O Sistema Único de Saúde (SUS) vai contar com uma tecnologia para agilizar e deixar mais preciso o diagnóstico de doenças raras. A estimativa é que nova plataforma de sequenciamento completo de DNA que vai ser ofertada na rede pública atenda até 20 mil demandas de todo o Brasil por ano e reduza o tempo de espera de um diagnóstico de sete anos para seis meses. O anúncio foi feito, nesta quinta (26), pelo Ministério da Saúde, em evento em Brasília. A estimativa é que pelo menos 13 milhões de pessoas tenham doenças raras no País. “Nós colocamos para o SUS o sequenciamento completo do exoma, que é um exame que custaria R$ 5 mil”, detalhou Padilha. A redução do tempo de diagnóstico é fundamental para o tratamento e para a qualidade de vida dos pacientes, conforme ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que assinou a habilitação de novos serviços para tratamento de doenças raras. Padilha lembrou que o próximo sábado é dia mundial para conscientização sobre doenças raras. Ampliação de serviços O ministro defendeu que o país tenha autonomia de pesquisa, produção e tratamento de doenças raras, inclusive prevendo transferências de tecnologias de outros centros de ponta nessa área. “Quando a gente amplia esses serviços para estados que não tinham nenhum serviço ainda, a gente está garantindo um acesso mais próximo onde as pessoas vivem e moram”, ponderou. O coordenador de doenças raras do ministério, Natan Monsores, explicou que todo paciente que for atendido em um serviço de referência ou for identificado dentro de um serviço de referência de triagem neonatal poderá ser encaminhado para os polos de sequenciamento. “Foi um investimento de R$ 26 milhões nesse primeiro ano. Nós conseguimos fazer a oferta desse exame, que em preços de mercado podem chegar até R$ 5 mil, por R$ 1,2 mil”. Monsores esclarece que a resolução diagnóstica é bastante precisa. “É um ganho enorme para a comunidade de pessoas com doenças raras. Fornecendo para os médicos geneticistas, para as equipes de neurologia e de pediatria, uma ferramenta essencial para fechar esse diagnóstico”. Início com um cotonete A coleta do material é feita com um cotonete na parte interna da bochecha, que colhe células a serem encaminhadas para os laboratórios. Esse teste também pode ser feito com sangue. “Permite avançar no diagnóstico de deficiências intelectuais, de condições que implicam no atraso do desenvolvimento global das crianças, e também uma enorme diversidade de condições genéticas que podem afetar essas crianças”, diz Monsores. O coordenador disse que existem 11 unidades da federação com serviços ativados. Em 90 dias após ação com a ferramenta, foi possível verificar 412 testes já com sequenciamento feito com 175 laudos. “A nossa perspectiva é fazer a expansão dessa rede para todas as unidades da federação até abril de 2026”. Outro anúncio do Ministério da Saúde foi o tratamento das crianças com uma terapia gênica inovadora para crianças com atrofia muscular espinhal (AME). “É uma doença que, se não tratada em tempo hábil, é letal. Todas as crianças que receberam essa terapia têm a interrupção da progressão dessa condição”. Avanços A presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências, Maria Cecília Oliveira, que estava no evento do anúncio, celebrou o que chamou de “avanços” nas políticas públicas relacionadas aos pacientes com doenças raras. “Eu espero que o programa Agora tem especialistas seja realmente um programa que possa impactar significativamente os pacientes com doenças raras, que é a nossa luta”, disse Maria Cecília. Outra representante de pacientes nesta condição, Lauda Santos, que é presidente da Associação Maria Vitoria de Doenças Raras e Crônicas (Amaviraras) e cofundadora e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas) destacou a importância da divulgação do serviço para o SUS. Lauda diz entender que um dos maiores desafios do governo é que essas informações cheguem até os pacientes. “As dificuldades continuam. A gente espera que isso mude porque tudo leva um tempo para poder entrar nos trilhos”. Ela ainda defendeu que deve haver o fortalecimento de entidades que defendam os pacientes e lamentou a carga de impostos para os medicamentos. Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
Como conviver com dor nas costas — e aliviar os sintomas

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 10/01/2026 A maioria das pessoas sofre de dores nas costas em algum momento da vida. Normalmente, o incômodo passa após algumas semanas. Mas episódios recorrentes podem debilitar as pessoas, fazendo da vida diária um duro esforço. A espinha dorsal humana está conectada à caixa torácica e aos ossos dos quadris, além de uma série de tendões, ligamentos, cartilagens, músculos e tecidos nervosos. Por isso, as dores nas costas podem surgir em virtude de qualquer problema em uma dessas regiões. Aqui estão cinco indicadores que pessoas de todas as idades podem considerar úteis para evitar e tratar de dores nas costas. Cervical ou lombar? A quantidade de pessoas que sofrem de dores na região lombar deve aumentar em mais de um terço entre 2020 e 2050, segundo a última edição do estudo Global Burden of Disease (GBD, “Carga global das doenças”, em tradução livre), produzido pelos pesquisadores do Instituto de Medidas e Avaliação da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Até 2050, mais de 10% da população mundial será afetada. Apenas os AVCs, doenças cardíacas e pulmonares, diabetes e condições que afligem os recém-nascidos causam mais prejuízo à saúde global do que as dores nas costas, segundo o GBD. A região lombar costuma ser uma fonte mais frequente de dores, pois esta parte do corpo sustenta mais movimentos e absorve mais tensões. Mas também pode haver incômodos na parte superior das costas, normalmente no pescoço e nos ombros. Diagnóstico antes do tratamento O princípio médico de obtenção de diagnóstico antes de iniciar o tratamento é particularmente pertinente para as dores nas costas, pois existem muitas causas possíveis para este tipo de dor. Mas isso também faz com que não haja um único exame para diagnosticar a condição. Os médicos normalmente começam descartando condições potencialmente mortais, como doenças renais ou da vesícula biliar, além de alguns tipos de câncer. E o diagnóstico normalmente requer exame físico, além da verificação do histórico médico do paciente. Exames de sangue conseguem detectar câncer ou inflamações, que podem prejudicar as cartilagens, causando artrite. Exames de imagens, como raio X, tomografia computadorizada, ultrassom ou ressonância magnética, podem ser necessários para examinar as juntas, ossos, discos, órgãos ou tecidos moles. A maioria das dores nas costas é persistente e marcada pela rigidez. Mas um ligamento ou músculo rompido pode causar dores agudas súbitas. Já a dor que irradia para as nádegas e as pernas, causando formigamento ou adormecimento nessas regiões, pode ser sinal de uma condição dos nervos. O eletrodiagnóstico (análise da atividade elétrica nos músculos) também pode diferenciar transtornos dos nervos e dos músculos. Estas técnicas de diagnóstico se aplicam a adultos e crianças. A cirurgiã Areena D’souza, especializada na espinha vertebral, trabalhou como pediatra na Índia e na Inglaterra. Atualmente na Alemanha, a médica conta ao Serviço Mundial da BBC o que ela procura quando os pais trazem seus filhos para o consultório. “As crianças pulam o tempo todo. Eu preciso descobrir: “E já soubemos de aumento das dores dos joelhos e das pernas, mas que ocasionalmente podem ocorrer nas costas”, destaca D’souza, “porque a espinha da criança, às vezes, cresce muito mais rápido que o restante dos ossos.” Mente saudável, corpo saudável A recuperação de alguns pacientes pode ser interrompida, simplesmente pelo medo de recorrência da dor nas costas, segundo especialistas. “O receio de se machucar novamente afeta sua confiança para usar as costas, mesmo que não haja problemas na espinha ou musculares”, conta à BBC Adam Siu, diretor da clínica Down2U Health and Wellbeing, na Inglaterra. “O medo faz com que eles fiquem muito menos ativos. Alguns chegam a suspender atividades de que eles gostam.” O professor de fisioterapia Mark Hancock, da Universidade Macquarie, na Austrália, afirma que “alguns pacientes têm tanto medo de machucar as costas que se retiram da sua vida social”. “Quando você reúne tudo isso — estresse social, preocupação com a dor, costas um pouco irritadas — de repente, você tem um enorme problema.” Tudo isso levou a uma abordagem mais holística. “Todas as orientações, em todo o mundo, falam agora da necessidade de abordar fatores físicos, psicológicos e sociais”, segundo Hancock. “A TCF [terapia cognitivo-funcional] permite que os pacientes interajam com terapeutas, para aprender sobre os diversos fatores que contribuem para a dor.” “Desta forma, pode ser elaborado um plano que inclua alternativas para que eles, gradualmente, voltem a fazer as atividades que adoram”, prossegue o professor. “E, se necessário, os terapeutas podem trabalhar com os pacientes para fazer mudanças de estilo de vida.” Continue a se movimentar Além de recearem que a dor recorrente se agrave, alguns pacientes esperam que o descanso ajude na recuperação. Mas a Associação Britânica de Cirurgiões da Espinha (BASS, na sigla em inglês) afirma que permanecer ativo é a chave para controlar a dor. E todas as pesquisas realizadas nos últimos 10 anos indicam que o descanso pode prolongar o tempo de recuperação. “A coluna espinhal é composta de ossos individuais chamados vértebras. Ela é naturalmente curva em diferentes seções”, explica Siu. “Estas curvas permitem que a coluna sustente o peso e os movimentos do corpo.” “As 24 vértebras superiores são flexíveis, com juntas que as conectam umas às outras, nas costas da coluna. Entre cada uma das vértebras, existe um disco intervertebral.” “Para evitar o enfraquecimento dessa estrutura natural e a função de absorção de choques do disco, é fundamental não permanecer em uma mesma posição por um período prolongado, seja sentado, dobrando as costas ou de pé”, prossegue ele. Mas a nossa vida moderna, muitas vezes, é sedentária e passamos muito tempo sentados trabalhando, jogando, lendo ou observando conteúdo online. Os profissionais que trabalham em escritórios podem descansar das telas ou usar as escadas, para se manterem em movimento. Mas muitos empregos não oferecem esta possibilidade. “Se você for motorista de caminhão, tente se esticar enquanto fica sentado no trânsito”, orienta Siu. “Para trabalhadores da construção civil, que carregam muito peso, é preciso seguir as instruções para evitar lesões e consultar o fisioterapeuta sobre exercícios específicos.” A gravidez
Butantan recruta idosos para ensaio clínico da vacina da dengue

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 13/01/2026 Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil O Instituto Butantan está recrutando, a partir desta terça-feira (13), 767 voluntários de 60 a 79 anos para ensaios clínicos com a sua vacina da dengue, a Butantan-D. Os testes serão realizados ao longo do ano em quatro centros de pesquisa em Porto Alegre e Pelotas (RS) e um em Curitiba (PR). Participam ainda, 230 adultos de 40 a 59 anos como grupo controle em cinco centros de pesquisa no RS e PR. Os 997 participantes do sexo masculino ou feminino, precisam estar saudáveis ou com comorbidades controladas. Será feito um sorteio entre os idosos para receber a vacina (690 participantes) ou o placebo (77 participantes), enquanto os 230 adultos (de 40 a 59 anos) receberão a vacina, sem sorteio para grupo placebo. Segundo o Instituto Butantan, o objetivo dessa fase do estudo é avaliar a segurança e comparar a resposta imunológica por meio de testes laboratoriais para entender se a produção de anticorpos dos participantes idosos é semelhante à do grupo adulto já acompanhado nos estudos anteriores da Butantan-DV. O recrutamento começa no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre (RS) e os interessados em participar podem se inscrever ao preencher um questionário. Em seguida, as inscrições ocorrerão nos outros quatro centros: o Hospital Moinhos de Vento e o Núcleo de Pesquisa Clínica do Rio Grande do Sul (PUCRS), ambos na capital gaúcha; o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh), em Pelotas (RS); e o Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de Curitiba (PR). “A faixa etária de maiores de 60 anos está entre as mais impactadas pela morbidade da dengue, por isso consideramos de suma importância que tal faixa etária tenha a oportunidade de se proteger através da vacinação. Este é o objetivo primordial deste estudo: garantir a segurança para que pessoas entre 60 e 79 anos possam receber a Butantan-DV”, afirmou a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos. De acordo com o gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan Érique Miranda, a maioria dos participantes da pesquisa terá que fazer apenas quatro visitas ao centro durante o estudo. A ideia é fazer um estudo ‘enxuto’ para facilitar a participação das pessoas. “A primeira visita já para tomar a vacina, com retorno em 22 dias; depois em 42 dias; e um ano depois da vacinação para coleta de sangue. Inicialmente 56 idosos terão que fazer mais visitas para coleta de exames de viremia. É um estudo enxuto para facilitar a participação das pessoas”, explicou. Miranda destacou que o Paraná e o Rio Grande do Sul foram escolhidos para o teste por serem centros de baixa prevalência de casos de dengue, com 5 a 10% de casos e que teria uma soroprevalência de até 20%, sendo um bom controle. Também foram avaliadas as possibilidades de incluir regiões com grande parte da população já expostas à dengue, como Recife (PE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN). Entretanto, os resultados poderiam influenciar os resultados pela presença de anticorpos da doença no sangue. A vacina A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de novembro de 2025 para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos. Com dose única, o imunizante foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o Ministério da Saúde já adquiriu as primeiras 1,3 milhão de doses fabricadas pelo Butantan. Elas serão destinadas a agentes de saúde e a pessoas com 59 anos, com expansão gradual para as demais faixas etárias até chegar ao público de 15 anos. Uma parte dessas doses será aplicada pelo SUS, a partir de 17 de janeiro, nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), e Botucatu (SP), na população entre 15 e 59 anos. A estratégia visa avaliar os resultados da vacinação em massa da população desses municípios. O objetivo é vacinar pelo menos 50% dos moradores. “Vários estudiosos apontam a possibilidade de uma alta capacidade de controle da infecção e do quadro epidêmico da dengue se a gente chegar entre 40% e 50% da população vacinada. Vamos começar a vacinação nessas cidades para acompanhar o impacto que isso tem nessas cidades. Vamos acompanhar isso por um período de anos para avaliar aquilo que pode ser uma parte importante da estratégia do resultado da aceleração da vacinação no país”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante cerimônia de assinatura de contrato para compra de vacina da dengue do Butantan, em dezembro do ano passado. Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram encerrados em junho de 2024, quando o último participante completou 5 anos de acompanhamento e os dados mostram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. Os resultados mostram uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme. A vacina mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme no público de 12 a 59 anos. Dengue A dengue é uma doença causada por um vírus que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, dor atrás dos olhos, dor no corpo, manchas avermelhadas na pele, coceira, náuseas e dores musculares e articulares. Uma das principais formas de prevenção da doença é o combate ao mosquito transmissor. Isso pode ser feito eliminando água parada ou objetos que acumulem água como pratos de plantas ou pneus usados.
Anvisa libera novo medicamento para fase inicial do Alzheimer

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 07/01/2026 Remédio é produzido com o anticorpo lecanemabe Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo medicamento, o Leqembi, para tratamento de pacientes diagnosticados na fase inicial da doença de Alzheimer. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 22 do mês passado. O remédio, produzido com o anticorpo lecanemabe, é indicado para retardar o declínio cognitivo das pessoas que já apresentam demência leve causada pela doença. Segundo o registro da Anvisa, o lecanemabe reduz as placas beta-amiloides no cérebro. O acúmulo dessas placas é uma característica definidora da doença de Alzheimer. O produto é uma solução para diluição para infusão. Estudo A Anvisa divulgou que o medicamento teve a eficácia clínica avaliada em um estudo principal que envolveu 1.795 pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas betaamiloides no cérebro e receberam o Leqembi ou placebo. “A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses”, apontou a Anvisa. A avaliação ocorreu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes. A escala inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pelo comprometimento cognitivo. Segundo o estudo, no subgrupo de 1.521 pessoas, os pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo.
Qual a fruta que pode regenerar o fígado?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/12/2025 Originária da Ásia, ela é rica em antioxidantes que protegem as células e aliviam dores crônicas; saiba como consumir a fruta e suas folhas. Conhecida pelo seu sabor doce e levemente ácido, a nêspera, também conhecida como ameixa amarela, é uma fruta de origem asiática que vai muito além da sobremesa. Seus compostos bioativos têm chamado a atenção por seus potentes benefícios à saúde, especialmente na proteção e regeneração do fígado e no combate a processos inflamatórios no corpo. Tanto a polpa da fruta quanto suas folhas e sementes concentram substâncias com ação antioxidante e anti-inflamatória. Por isso, a nêspera é estudada por sua capacidade de proteger as células contra danos, aliviar dores crônicas e fortalecer um dos órgãos mais importantes do nosso organismo. A nêspera é uma fonte de flavonoides, ácidos fenólicos e carotenoides. Esses compostos agem na defesa das células, neutralizando a ação dos radicais livres, que são moléculas instáveis responsáveis pelo estresse oxidativo e pelo envelhecimento precoce. Essa proteção celular ajuda a manter a saúde do corpo de forma geral. Estudos sobre os extratos da fruta também apontam um potencial na prevenção de doenças neurodegenerativas, reforçando seu valor terapêutico. Ação anti-inflamatória e alívio de dores As folhas da nespereira são especialmente valorizadas por suas propriedades anti-inflamatórias. Elas contêm triterpenos, como os ácidos ursólico e oleanólico, que ajudam a reduzir marcadores inflamatórios no organismo. Essa característica torna o chá de suas folhas um aliado natural para aliviar dores crônicas associadas a condições como a artrite e outros quadros inflamatórios de origem metabólica, proporcionando mais bem-estar. Como consumir a nêspera e suas folhas Além de proteger o fígado, a nêspera possui propriedades antibacterianas e pode auxiliar no controle do diabetes. Para aproveitar seus benefícios, o consumo pode ser feito de diferentes formas, sempre com moderação. O uso regular, principalmente das folhas, deve ser orientado por um profissional de saúde, pois a alta concentração de ativos naturais pode causar efeitos indesejados se consumida em excesso. Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana. *Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria
Estresse, insônia e fadiga: o impacto hormonal do calor extremo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/12/2025 Durante o verão, o aumento das temperaturas eleva o cortisol, interfere na tireoide e pode desregular o ciclo hormonal, afetando sono, humor, níveis de energia e até menstruação. Em dezembro, o Brasil entra em um período de temperaturas elevadas que anuncia oficialmente o início do verão. As ondas de calor cada vez mais intensas não provocam apenas desconforto físico imediato, mas também exercem uma pressão silenciosa sobre o sistema endócrino, afetando a produção e a regulação de hormônios fundamentais para o bem-estar. Embora pouco discutido, esse impacto tem se tornado mais perceptível à medida que o clima extremo se torna mais frequente. De acordo com a endocrinologista Fernanda Parra, o organismo precisa se esforçar muito mais para manter o equilíbrio interno durante períodos prolongados de calor intenso. “O calor excessivo ativa mecanismos de sobrevivência do corpo, elevando hormônios de estresse. A maior parte das pessoas sente isso como irritabilidade, cansaço ou dificuldade para dormir, mas raramente associa ao clima”, explica. Esse estado de alerta constante faz com que o corpo funcione como se estivesse diante de uma ameaça, acionando respostas hormonais que, quando persistem, acabam gerando sintomas desconfortáveis. Uma das principais reações do organismo ao estresse térmico é o aumento do cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Segundo Parra, trata-se de uma resposta natural. O problema é que essa adaptação fisiológica pode gerar sintomas persistentes. Além disso, o corpo também ajusta o funcionamento da tireoide, reduzindo a produção dos hormônios T3 e T4 como forma de diminuir a geração de calor interno. Essa adaptação pode resultar em sensação de lentidão, sonolência e queda no rendimento diário. Nas mulheres, os efeitos do calor sobre o sistema hormonal podem ser ainda mais evidentes. A combinação entre oscilações de cortisol e desidratação tende a interferir na regulação de estrogênio e progesterona. “Não é raro que, no alto verão, a menstruação atrase ou que sintomas pré-menstruais fiquem mais intensos”, observa a endocrinologista. A perda excessiva de líquidos pelo suor também compromete o volume sanguíneo, dificultando o transporte adequado de hormônios pelo corpo, o que pode provocar tonturas, redução da energia e sensação constante de esgotamento. Entre os sinais mais comuns de que o calor pode estar afetando o equilíbrio hormonal estão o sono fragmentado ou a dificuldade para adormecer, irritabilidade frequente, sensação permanente de estresse, alterações no apetite, cansaço desproporcional às atividades realizadas, irregularidades no ciclo menstrual e dores de cabeça mais recorrentes. Parra destaca que muitas pessoas procuram atendimento médico, realizam exames e recebem resultados dentro da normalidade, sem conseguir identificar a origem do mal-estar. “Pequenas flutuações hormonais, que não aparecem nos exames de rotina, podem gerar desconfortos reais. O calor é um gatilho poderoso para essas microalterações”, afirma. Para reduzir os impactos do calor sobre o sistema endócrino, algumas medidas simples podem fazer diferença, como manter hidratação constante — inclusive com reposição de eletrólitos —, evitar exposição ao sol nos horários mais críticos, entre as 10h e as 16h, priorizar ambientes ventilados, usar roupas leves e manter uma rotina regular de alimentação e descanso. Segundo a especialista, reconhecer a influência do clima extremo sobre o funcionamento hormonal é fundamental. “O sistema endócrino é sensível ao ambiente. Cuidar do corpo no calor é uma forma de proteger seu equilíbrio hormonal”, conclui.
OMS reconhece o fim da transmissão do HIV de mãe para filho no país

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 15/12/2025 Anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o maior país do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho, a chamada transmissão vertical, como problema de saúde pública. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, antecipou o anúncio durante o programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, na sexta-feira (15). Segundo Padilha, o Conselho da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) em conjunto com representantes da OMS visitará o Brasil esta semana para a entrega oficial da certificação ao governo brasileiro. “Significa que o Brasil conseguiu eliminar graças ao SUS [Sistema Único de Saúde], aos testes rápidos das unidades básicas de saúde, aos testes do pré-natal, às gestantes que têm HIV tomarem a medicação pelo SUS”, disse Padilha. O ministro lembrou que há algumas décadas o Brasil tinha iniciativas filantrópicas para manutenção de abrigos para órfãos com HIV, que haviam perdido os pais em decorrência da Aids. “Abrigavam aqueles bebês que tinham nascido com HIV e seus pais tinham morrido. A gente não tem mais isso no nosso país, felizmente, nem a transmissão do HIV da gestante para o bebê”, comemorou. Segundo o ministro, o Brasil apresentou um dossiê à organização mundial no mês julho com os dados do SUS no Brasil. Apostas eletrônicas Ao longo do programa, o ministro destacou ainda iniciativas promovidas pela pasta da Saúde como o Observatório Saúde de Apostas Eletrônicas, que reúne uma série de iniciativas de enfrentamento aos riscos à saúde mental associados às apostas eletrônicas. Entre as ações destacadas, Padilha reforçou a disponibilização de uma ferramenta que permite ao cidadão bloquear simultaneamente todas as contas em sites de apostas, por meio do aplicativo Meu SUS Digital. O serviço de teleatendimento psicossocial também será implantado como parte das iniciativas, informou. Segundo o ministro, estudos realizados pela pasta da Saúde apontam que as pessoas se sentem mais à vontade em consultas online com psicólogos e psiquiatras para tratar do assunto. “As pessoas não vão ao Centro de Atenção Psicossocial para isso. Eles têm um número pequeno de atendimentos dessa natureza. Devem chegar, este ano, a 5 mil”, explicou.
Seu psicólogo é de carne e osso — mas pode estar usando IA na terapia: entenda os riscos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 12/12/2025 Fazer terapia com um chatbot pode não ser uma boa ideia por uma série de motivos, como muitos especialistas têm alertado. Mas e quando os próprios terapeutas passam a usar inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, para auxiliar em suas tarefas, seja para transcrição de sessões ou até discutir casos? Empresas já estão oferecendo esse serviço aos profissionais. Há ferramentas para transcrição de sessões, sugestões de análise técnica, evolução do paciente, supervisão e sugestões de abordagens. “Você ainda perde tempo escrevendo resumo de sessão?”, diz o anúncio de uma dessas ferramentas, no Instagram, a PsicoAI. Outra plataforma, a PsiDigital, promete automatização de relatórios e laudos, criação de página de divulgação personalizada e até “sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica.” (veja entrevista com criador da plataforma abaixo) As empresas dizem que essas tecnologias não devem substituir os profissionais, mas apoiá-los. A adesão profissional é uma realidade. A BBC News Brasil procurou 50 psicólogos nas redes sociais e questionou se eles fazem uso de algum tipo de IA no trabalho. Dos que responderam, dez confirmaram que fazem uso da tecnologia para tarefas como transcrições de sessões de terapia e resumos. O uso de IA entre estes profissionais não é proibido. Em julho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu que o uso “já vem sendo incorporado ao cotidiano em múltiplos contextos de atuação” e ressaltou a necessidade da supervisão crítica e discernimento ético, mas sem restrições específicas. E diz que cabe a cada profissional a avaliação de limites e riscos dessas ferramentas. Psicólogos testam usos com consentimento de paciente Maísa Brum é psicóloga especializada em avaliação neuropsicológica. Seu trabalho envolve realizar longas entrevistas com pacientes, coletar dados e depois produzir laudos técnicos com essas informações. Por algum tempo, ela terceirizou essa tarefa de transformar anotações em um documento técnico para um estagiário. Mas logo percebeu que os textos chegavam sempre com um mesmo padrão, “pouco humanizados” e, ao questioná-lo, descobriu que ele estava usando o ChatGPT para a tarefa. “O laudo tem sempre uma sequência, com descrição dos dados, objetivo da avaliação, testes que foram aplicados. É um esqueleto técnico”, explica. Foi aí que ela decidiu aprender mais sobre a tecnologia. Fez alguns cursos e então incorporou algumas dessas ferramentas em parte de suas tarefas. Hoje ela usa um gravador com IA embutida, que transcreve as entrevistas com os pacientes e devolve já com uma linha do tempo dos fatos e informações no formato necessário para escrever o laudo, que depois é revisado manualmente. Um formulário de consentimento é dado a cada paciente para que saibam que estão sendo gravados com a tecnologia. “Tem sido muito útil e facilitado bastante a minha vida de escrita”, afirmou, destacando que apaga os arquivos após uso para evitar armazenamento externo. Maísa diz que o recurso serve apenas como apoio, não como ferramenta diagnóstica. “Minha grande preocupação é no uso inadequado da IA para terceirizar o pensamento crítico e o raciocínio clínico”. Eduardo Araújo, psicólogo e professor universitário, diz que tem usado IA para análise e organização de dados, mas não diretamente com pacientes e sim em pesquisas, como fez em seu mestrado na área. Ele fez um experimento com o ChatGPT, quando analisava dados em uma tabela com centenas de pacientes. O objetivo do estudo era identificar a influência de experiências traumáticas em crianças e adolescentes, a partir de uma lista com dados de mais de 500 pacientes, de forma anonimizada. “Para esse tipo de tarefa, de análise de dados, acaba sendo muito útil.” Araújo avalia que é preciso ter cautela com ferramentas que prometem ajudar com diagnóstico. Ele diz que a tecnologia acelera tarefas burocráticas, mas nunca deve formular hipóteses diagnósticas no lugar do profissional. “Quando você pesquisa algum sintoma na internet, se levar a sério o que vem de resultado, você acha que vai morrer. Com a IA não é diferente: se você coloca algum sintoma, a resposta me dá uma gravidade diferente daquilo que se perceberia na clínica, em contato com a pessoa.” ‘A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar’ A psicóloga Patrícia Mourão De Biase disse à BBC News Brasil que entrou em contato com IA por curiosidade, principalmente com o boom de informação sobre o tema que recebeu neste ano. “Temos a opção de sermos atropelados ou entender o que está acontecendo e caminhar junto”, diz ela. De Biase diz que, desde a pandemia, tem havido mais flexibilização entre psicólogos no uso de tecnologias, principalmente em relação ao atendimento remoto de pacientes. “Ficamos mais flexíveis para entender esses movimentos da tecnologia. A categoria sempre foi mais quadradinha nesse sentido, mas precisou se adaptar. Vejo ainda muitos colegas se esquivando da IA.” De Biase, que presta serviço para empresas e também atende em consultório, diz que tem utilizado a ferramenta para automatizar tarefas burocráticas e também para criar novos conteúdos para suas sessões. “Crio enquetes e passo tarefas de casa para os pacientes. Isso refresca a conexão entre uma sessão e outra.” Ela diz que a IA também tem sido usar para “pensar junto” com os psicólogos. “Quando acaba a sessão, colocamos conteúdo e a própria IA diz: poderia abordar por aqui, por ali. Não tenho preconceito com isso, embora eu não use no dia a dia.” Outra tarefa que se tornou comum é a de transcrição e transformação das sessões em prontuário, que depois são revisados de forma manual. “É importante que os pacientes estejam de acordo, que assinem um documento. Mas até hoje ninguém recusou”, diz. A psicóloga avalia que a tecnologia não vai substituir a profissão. “Tem gente que não sabe nem o que perguntar ao ChatGPT. Ele é bom? Sim, pode ajudar em algo pontual, em um momento de ansiedade, de angústia. Mas se não aprendemos direito a perguntar, provavelmente ele não vai entregar. Nada precisa jogar fora. Pegue o que o chat disse e depois leve para a sessão, converse com o terapeuta sobe isso.” “Gerenciar o tempo é padrão ouro para todos. e a IA
Gripe K é identificada no Brasil: como é a variante do influenza A que gerou alerta da OMS para 2026

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Freeík | Data: 15/12/2025 A Organização Mundial da Saúde emitiu um alerta para a próxima temporada de gripe, prevista para o fim de 2025 e início de 2026, após identificar um aumento da circulação do vírus influenza em várias partes do mundo. No Brasil, autoridades de saúde confirmaram recentemente a detecção da variante genética K do influenza A (H3N2) em amostras analisadas no estado do Pará, segundo o Informe de Vigilância das Síndromes Gripais referente à Semana Epidemiológica 49, divulgado em 12 de dezembro de 2025. O crescimento vem sendo impulsionado sobretudo por uma variante do influenza A (H3N2), que começou a se espalhar mais rapidamente a partir de agosto de 2025 e passou a chamar a atenção de autoridades de saúde. Segundo a OMS, trata-se do chamado subclado (ou variante genética) ‘K’ — também identificado como J.2.4.1 —, uma nova ramificação genética do vírus da gripe sazonal. Apesar do avanço em diferentes países, os dados disponíveis até agora não indicam que essa variante cause quadros mais graves da doença. Ainda assim, o momento preocupa porque coincide com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período em que aumentam os casos de gripe e de outras infecções respiratórias, o que pode pressionar os sistemas de saúde. O termo “gripe K” tem ganhado espaço em redes sociais e manchetes, mas a OMS ressalta que não se trata de um vírus novo. Na prática, trata-se da evolução esperada do influenza A, um vírus conhecido por sofrer mudanças constantes. A ramificação genética K tem algumas alterações genéticas em relação a variantes anteriores e vem sendo identificado com mais frequência em amostras analisadas ao redor do mundo. No comunicado, a OMS faz uma ressalva importante: a atividade global de gripe ainda está, em termos gerais, dentro do esperado para a estação. Ao mesmo tempo, porém, alguns países registraram aumentos mais cedo e mais intensos do que o habitual — um sinal de alerta num cenário em que hospitais já costumam operar sob maior pressão durante o inverno. O que a OMS confirma (e o que ainda não) A OMS descreve o cenário atual como o da gripe sazonal, uma infecção respiratória causada por vírus influenza que circulam globalmente e podem provocar desde sintomas leves até quadros graves, com risco de hospitalização e morte, sobretudo entre os mais vulneráveis. Segundo a organização, os dados epidemiológicos disponíveis até o momento não apontam aumento na gravidade dos casos ligados à variante K. Ainda assim, a OMS classifica o avanço dessa variante como uma “evolução notável”, já que ela vem se espalhando rapidamente em diferentes regiões. Esse tipo de mudança é acompanhado de perto porque o influenza A (H3N2), assim como outros vírus da gripe, passa por alterações genéticas frequentes. Essas transformações podem influenciar tanto como o vírus se espalha quanto o nível de proteção da população, construída a partir de infecções anteriores ou da vacinação. Como a variante K tem se espalhado pelo mundo O alerta da OMS se apoia, sobretudo, na velocidade com que a variante K passou a circular em diferentes regiões. Segundo a organização, desde agosto de 2025 houve um aumento rápido na detecção dessa ramificação genética em vários países, com base em dados de sequenciamento disponíveis. Esse avanço ocorre ao mesmo tempo em que o Hemisfério Norte entra no inverno, período em que tradicionalmente cresce o número de infecções respiratórias. O resultado, segundo a OMS, é um cenário em que a temporada de gripe começou mais cedo em alguns lugares e pode seguir pressionando hospitais na virada do ano — não como um evento futuro distante, mas como algo já em curso. Na América do Sul, até o momento, não há registro da circulação da variante K. Ainda assim, especialistas avaliam que a chegada ao Brasil é uma possibilidade concreta. “A gente só pode imaginar que esse subclado vá chegar ao país. Neste momento em que começam as férias e aumenta a circulação de pessoas entre continentes, a chance de esse clado entrar no Brasil e se espalhar rapidamente é muito grande”, afirma Rosana Richtmann, chefe do departamento de infectologia do Grupo Santa Joana. Na Europa, a OMS identificou um início antecipado da temporada de gripe em relação ao período em que essas infecções costumam ocorrer. O movimento foi medido pelo aumento da positividade dos testes e pela predominância do influenza A(H3N2) tanto na atenção primária quanto em hospitais — um cenário que ajudou a colocar o tema no radar das autoridades sanitárias. Em outras regiões do mundo, o padrão é mais heterogêneo. Em partes do Hemisfério Sul, algumas temporadas de gripe foram mais longas do que o habitual, enquanto em áreas tropicais a circulação do vírus tende a ocorrer de forma mais contínua ao longo do ano Grande parte desse acompanhamento só é possível graças ao Global Influenza Surveillance and Response System (GISRS), rede coordenada pela OMS que reúne mais de 160 instituições em 131 países. O sistema monitora a circulação do vírus influenza ao longo de todo o ano e funciona como um mecanismo global de alerta para mudanças relevantes nos vírus respiratórios. Esse trabalho combina dados clínicos e epidemiológicos com análises laboratoriais e sequenciamento genético, incluindo informações compartilhadas em bases internacionais como o GISAID. É a partir desse conjunto que a OMS consegue identificar padrões de expansão e avaliar riscos potenciais. Apesar da atenção voltada para a variante K, a OMS reforça que a vacinação continua sendo uma ferramenta central. Mesmo com incertezas sobre a proteção contra a doença clínica nesta temporada, estimativas iniciais indicam que a vacina segue reduzindo a necessidade de atendimento hospitalar, tanto entre crianças quanto entre adultos. A organização cita dados preliminares que apontam uma efetividade de cerca de 70% a 75% na prevenção de hospitalizações em crianças de 2 a 17 anos e de 30% a 40% em adultos, ainda que esses percentuais possam variar conforme o grupo e a região. A mensagem é direta: mesmo em um ano marcado por mudanças genéticas do vírus, a vacinação permanece como uma das medidas de saúde pública mais

