Faz mal tomar café durante as refeições?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 02/05/2025 Se você já ouviu falar que tomar café durante ou logo após as refeições pode ser uma má ideia, pode ter um fundo de verdade nisso. Há mais de 1.000 compostos químicos no café, e alguns deles, como a cafeína, os polifenóis e os taninos, podem interferir na forma como você absorve os nutrientes dos alimentos. A boa notícia é que, para a maioria das pessoas, estes efeitos são mínimos — ou seja, não significativos o suficiente para causar deficiências. Os nutrientes são substâncias encontradas em alimentos e bebidas que realizam determinadas funções vitais no organismo. Precisamos de diferentes nutrientes para nos manter saudáveis. O impacto depende da intensidade do café; da quantidade de nutrientes consumidos; e de fatores de risco individuais, como idade, metabolismo, estado de saúde e genética, explica Ruani. Os nutrientes de que estamos falando incluem cálcio, ferro e vitaminas do complexo B. Não há necessidade de se preocupar se seus “níveis de nutrientes já são adequados, mas para aqueles que estão à beira da deficiência ou com níveis baixos, a ingestão excessiva de café pode contribuir para uma perda maior”, afirma Emily Ho, diretora do Instituto Linus Pauling e professora da Faculdade de Saúde da Universidade Estadual do Oregon, nos EUA. Quem deve ter cautela com o cappuccino? Desde a década de 1980, estudos têm associado o café a uma menor absorção de ferro. “Quando você toma café com uma refeição, os polifenóis presentes nele podem se ligar a determinados minerais no seu sistema digestivo”, diz Ho. Ela explica que esse processo de ligação pode dificultar a absorção de ferro pelo organismo — uma vez que os minerais precisam passar pelas células intestinais para entrar na corrente sanguínea. “Se ficarem presos aos polifenóis, eles simplesmente passam pelo corpo, e são excretados.” Isso é especialmente importante no caso do ferro, principalmente o tipo encontrado em alimentos de origem vegetal, chamado de “ferro não heme”. O ferro não heme de alimentos como frutas, legumes e verduras é mais difícil de ser absorvido pelo corpo. Os polifenóis do café — especialmente o ácido clorogênico — podem se ligar a este tipo de ferro, impedindo que ele seja absorvido adequadamente pela corrente sanguínea. Como resultado, o ferro permanece preso a estes compostos à medida que passa pelo sistema digestivo. Ele acaba sendo excretado, em vez de ser usado pelo organismo. Tudo isso significa que as pessoas com anemia por deficiência de ferro (anemia ferropriva) devem ser cautelosas ao tomar café muito perto de refeições ricas em ferro. “Talvez seja melhor tomar o café pelo menos uma hora antes ou duas horas depois de consumir alimentos ricos em ferro para que eles não se misturem no estômago”, sugere Alex Ruani. Mulheres grávidas e que estão menstruando frequentemente se enquadram nesta categoria de pessoas que precisam ficar de olho nos níveis de ferro. Em geral, elas precisam de mais ferro e são mais propensas a desenvolver anemia ferropriva, portanto, devem ficar atentas à ingestão de café. Cálcio O cálcio é essencial para a saúde óssea, mas 9% das pessoas entre 16 e 49 anos no Reino Unido consomem menos do que a ingestão mínima de referência de nutrientes (LRNI, na sigla em inglês) de cálcio por meio da alimentação. Este déficit as coloca em risco de ter ossos fracos em uma idade mais avançada. Nossos rins removem resíduos e excesso de água do sangue (como urina) e ajudam a manter o equilíbrio de substâncias químicas (como sódio, potássio e cálcio) no corpo. Eles também produzem hormônios. Estudos sugerem que a cafeína pode dificultar a retenção de cálcio pelo organismo ao interferir na forma como ele é processado nos rins e absorvido no intestino. Mais uma vez, estes efeitos são mínimos e mais significativos para pessoas que já adotam uma dieta pobre em cálcio ou que apresentam maior risco de problemas de saúde relacionados aos ossos. “Um estudo popular publicado na revista científica Osteoporosis International propõe que a cafeína pode contribuir para a perda óssea ao interferir no metabolismo ósseo”, diz Ruani. “Mas são necessários mais estudos para determinar o verdadeiro impacto da cafeína no risco de osteoporose.” O cálcio pode ser armazenado pelo corpo, então não é necessário consumir a quantidade recomendada diariamente — mas ao longo de um período de meses, adultos de 19 a 64 anos devem ingerir, em média, cerca de 700 mg de cálcio por dia. Também vale a pena lembrar que a cafeína tem um efeito diurético, ou seja, aumenta a frequência com que você precisa urinar. “Isso pode levar à perda de vitaminas hidrossolúveis (solúveis em água, como algumas vitaminas do complexo B) e minerais (como ferro e cálcio), já que a excreção desempenha um papel na regulação de seus níveis no corpo”, acrescenta Ho. Vitaminas do complexo B “Devido à influência do café na função renal e no metabolismo dos nutrientes, tomar grandes quantidades de café (como quatro xícaras por dia ou mais) pode levar ao aumento da excreção e, com isso, à perda de vitaminas solúveis em água, incluindo as vitaminas B”, explica Ruani. As vitaminas do complexo B se dissolvem na água, então não são armazenadas no corpo. Em vez disso, o excesso é excretado pela urina. Probióticos Os probióticos são bactérias e leveduras vivas promovidas como tendo vários benefícios à saúde. Eles podem ser úteis para restaurar o equilíbrio natural das bactérias no intestino em alguns casos, de acordo com o site do NHS, o sistema público de saúde britânico, mas há poucas evidências para sustentar muitas alegações de saúde feitas sobre eles. No entanto, se você quiser experimentar suplementos probióticos ou alimentos ricos em probióticos, como iogurte e kimchi, é melhor evitar consumi-los com bebidas quentes, como o café. “As bactérias vivas dos probióticos são altamente sensíveis ao calor, e a exposição a altas temperaturas — como o calor do café — pode reduzir sua taxa de sobrevivência no trato gastrointestinal, tornando-os menos eficazes”, explica Ruani. Às vezes, eles são receitados por médicos para ajudar a aliviar a diarreia causada por antibióticos. Para obter o máximo benefício, recomenda-se esperar de 30 a 60

‘Banho de floresta’: como passar mais tempo na natureza pode ajudar a curar a solidão

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 04/05/2025 Kye Aziz nunca se considerou um amante da natureza. Solicitante de asilo vindo da Indonésia e atualmente morando em Melbourne, na Austrália, ele já tinha passado bastante tempo no interior e em regiões montanhosas. Mas foi só depois de participar de um piquenique e uma atividade de jardinagem – prescritos como parte de um tratamento social – que ele passou a ver a natureza de um outro jeito. “Você sente como se tivesse sido transportado para outro lugar”, conta Aziz. “Morar na Austrália e viver a cultura ocidental pode ser algo muito solitário e individualista, mas quando estou sentado ao ar livre, rindo com os outros, me sinto em casa.” Existe uma ciência por trás dessa sensação. Nos anos 80, como parte de uma estratégia de saúde pública para ajudar trabalhadores urbanos estressados a se curar por meio da natureza, o governo japonês investiu em uma campanha chamada “shinrinyoku”, ou banho de floresta. Mas nas últimas décadas, Li e outros pesquisadores descobriram que o banho de floresta está associado à redução da pressão arterial, à estabilização do sistema nervoso, redução de hormônios do estresse, fortalecimento da imunidade e redução da ansiedade, depressão, raiva e fadiga. O naturalista Edward Wilson costumava dizer que esses benefícios são resultado da “biofilia”, um amor inato pela natureza que explica nossa tendência natural de interagir com plantas, animais e outros humanos. Ao nos deixar mais calmos e presentes, a natureza pode nos ajudar a superar padrões de pensamentos autodestrutivos que podem aumentar a solidão – uma experiência subjetiva, não um estado objetivo. Estudos já haviam indicado que o contato com a natureza reduz a atividade neural no córtex pré-frontal subgenual, uma área do cérebro ligada à ruminação – padrões de pensamentos negativos e repetitivos associados à solidão. Agora, os primeiros resultados de um experimento inédito de prescrição social baseada na natureza – com alcance global, que vai do Equador à Austrália – sugerem que passar tempo com outras pessoas ao ar livre pode mudar drasticamente a forma como vemos a nossa saúde, cuidados médicos e a solidão. “Quando as pessoas estão ao ar livre, elas falam sobre estarem relaxadas, longe de tudo, e como aquilo faz com que elas se sintam bem”, afirma Jill Litt, pesquisadora em estudos ambientais e saúde pública da Universidade do Colorado Boulder, nos Estados Unidos. “A natureza tem o poder de fazer com que as pessoas se sintam prontas para mudanças, mais vulneráveis e abertas a novas experiências.” Um experimento global inédito de combate à solidão Em 2019, pouco antes da pandemia de Covid-19 tornar a solidão um problema de saúde global, Litt teve um palpite sobre uma possível solução. Enquanto observava os benefícios da jardinagem comunitária para a saúde, ela percebeu como “sujar as mãos e estar com outras pessoas parecia importante”. Litt começou a pensar em outras atividades em grupo baseadas na natureza, como observação de pássaros e caminhadas em trilhas. E após ler um artigo coescrito por Laura Coll-Planas, médica e pesquisadora de saúde pública na Universidade de Vic- Universidade Central na Catalunha, em Barcelona, ela se questionou sobre o potencial dessas atividades para combater a solidão. “O que aconteceria se nós misturássemos esses três ingredientes: envolvimento com a natureza, participação em atividades ao ar livre e conexão social com um grupo?” Foi assim que nasceu o Recetas, uma investigação de cinco anos, envolvendo seis países, sobre a prescrição social baseada na natureza como uma forma de aliviar solidão, melhorar a saúde, e reduzir a pressão sobre os sistemas de saúde. O estudo tem a participação de pesquisadores em Barcelona, Praga, Marselha, Helsinki, Melbourne e Cuenca (no Equador). Agora, no quarto ano da pesquisa, o Recetas já está em fase de testes e conta com o apoio de sistemas de saúde locais. “Se for bem-sucedido, esse estudo pode mudar o modelo de cuidado, tornando-o mais centrado nas pessoas, com menos dependência de medicamentos, e utilizando as comunidades como parte ativa na gestão da saúde”, pontua Litt, que lidera o grupo junto à Coll-Planas. O Recetas se baseia em dois conjuntos de evidências crescentes: que diversos tipos de prescrições sociais, desde aulas de culinária até oficinas de artes, podem diminuir a sensação de solidão, e que o contato com a natureza traz inúmeros benefícios para saúde. Um estudo recente da Universidade de Exeter, no Reino Unido, por exemplo, mostrou que prescrições naturais não apenas aumentam significativamente a felicidade dos participantes e a satisfação com a vida, mas também ajudaram a reduzir os custos com cuidados médicos. Já as análises de pesquisadores na Austrália mostraram que esse tipo de prescrição também contribui para reduzir da pressão arterial. Mas o Recetas é um dos maiores estudos a focar, especificamente, nos efeitos das prescrições sociais baseadas na natureza sobre a solidão. “No mundo acelerado que vivemos, estar duas horas frente a frente com outras pessoas é revolucionário e poderoso para nossa saúde”, afirma Coll-Planas. “Mas esta é a primeira vez que nós estamos fazendo esse tipo de pesquisa ao ar livre, e nós já vimos a forma como a natureza traz um tipo diferente de conexão social.” Alguns desses efeitos parecem até programados. Um estudo mostrou que pessoas que vivem próximas a áreas verdes relatam menos episódios de solidão. Por outro lado, pessoas vivendo em ambientes “solitários”, marcados por fatores como dependência de carros e pouca vegetação, tendem a reduzir conexões sociais. Outra perspectiva sugere que a natureza restaura nossa atenção. Nesse sentido, ambientes naturais podem nos preparar para ter mais interações sociais positivas no presente, em vez de nos prender a interações negativas do passado. “Algumas pessoas nos dizem que elas se sentem muito bem quando estão ao ar livre, mas quando voltam para a casa, elas voltam ao estado negativo que sentiam”, explica Coll-Planas. Boas memórias e sensação de pertencimento Além disso, os pesquisadores concordam que a natureza tem um papel poderoso em nos conectar com memórias afetivas. “Nós temos visto pessoas falando sobre a natureza de uma forma nostálgica, que as remete

5 cuidados para quem deseja fazer uma cirurgia bariátrica

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 06/05/2025 Acompanhamento multidisciplinar antes e depois do procedimento é essencial para garantir a saúde A cirurgia bariátrica voltou ao centro das atenções após a influenciadora Thais Carla anunciar que passou pelo procedimento. Embora o tipo exato da cirurgia não tenha sido divulgado, o caso reacendeu debates importantes sobre os cuidados, os riscos e os mitos que ainda cercam o tratamento cirúrgico da obesidade severa.  O número de casos de obesidade tem crescido significativamente nos últimos anos. Segundo um estudo feito pela Federação Mundial da Obesidade, 68% dos brasileiros poderão estar com sobrepeso até 2030. Com isso, aumenta o risco de doenças graves, como diabetes, infarto, derrame e alguns tipos de câncer.  A nutróloga Dra. Bruna Durelli, especialista em obesidade e fundadora da clínica LevSer Saúde, lista 5 cuidados essenciais para quem está considerando a cirurgia bariátrica ou já passou pela operação. Confira!  1. Entenda que a cirurgia é apenas o começo A maioria dos procedimentos bariátricos hoje é feita por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva, mas isso não significa que o processo seja simples. A recuperação exige cuidados rigorosos, como dieta líquida nas primeiras semanas, suplementação de vitaminas e minerais, acompanhamento médico contínuo e inclusão de exercícios físicos na rotina.  2. Fique atento aos riscos no pós-operatório Pacientes com obesidade severa apresentam riscos aumentados de complicações respiratórias, cardiovasculares e infecciosas. Problemas como apneia do sono, hipertensão e dificuldade de cicatrização são comuns e podem ser agravados pela falta de acompanhamento adequado. Além disso, procedimentos como o bypass gástrico podem gerar deficiências nutricionais importantes.  3. O apoio psicológico e nutricional é indispensável A perda de peso mais intensa ocorre nos primeiros 12 a 18 meses após a cirurgia, com uma média de redução de mais de 50% do excesso de peso no primeiro ano. Mas essa transformação física precisa ser acompanhada de suporte emocional e nutricional constante para garantir saúde a longo prazo e prevenir recaídas.  4. É possível voltar a ganhar peso Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que cerca de 92% dos pacientes que fazem a cirurgia bariátrica reganham pelo menos 20% do peso perdido após dois anos do procedimento. A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Sem mudanças permanentes de estilo de vida, o reganho de peso é uma realidade.  5. Desconfie dos mitos Entre os equívocos mais comuns, estão as ideias de que a cirurgia elimina a necessidade de mudar a alimentação, que garante perda de peso definitiva e que impede a gravidez. Outro mito perigoso é acreditar que o acompanhamento médico não é necessário após a cirurgia, o que pode levar a deficiências graves como anemia, queda de cabelo e perda muscular. Por Maria Fernanda Benedet

5 mitos e verdades sobre as fibras alimentares

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 07/05/2025 Veja como elas podem contribuir para a saúde e a prevenção de doenças As fibras alimentares desempenham um papel essencial na manutenção da saúde, atuando na regulação do intestino, no controle do colesterol, na prevenção de doenças crônicas e na promoção de uma microbiota intestinal equilibrada. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário recomendado para adultos é de, no mínimo, 25 g de fibras. No entanto, a maioria das pessoas consome menos da metade dessa quantidade. “De acordo com um estudo publicado no The Lancet, dietas ricas em fibras estão associadas a uma redução de até 30% no risco de mortalidade por doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer colorretal”, comenta a nutricionista Fabiana Cremer García, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.  A seguir, veja os principais mitos e verdades sobre as fibras alimentares e como incluí-las na dieta!  1. Toda fibra é igual Mito. As fibras solúveis se dissolvem em água e formam um gel no estômago, o que ajuda a retardar a digestão. Esse tipo contribui para o controle da glicose e do colesterol no sangue. Está presente em alimentos como aveia, maçã e leguminosas, como o feijão. As fibras insolúveis, por outro lado, não se dissolvem em água e estimulam o trânsito intestinal, pois aumentam o volume das fezes. São encontradas no farelo de trigo, arroz integral, folhas verdes e cascas de frutas. “A escolha do tipo de fibra depende do objetivo: se a ideia é aliviar a constipação, controlar a glicose, aumentar a saciedade ou melhorar a saúde metabólica como um todo. O ideal é consumir os dois tipos”, explica a nutricionista. 2. Fibras auxiliam na saciedade Verdade. Alimentos ricos em fibras promovem maior sensação de saciedade, pois retardam o esvaziamento gástrico. Um estudo publicado no Journal of the American College of Nutrition mostrou que dietas com maior teor de fibras estavam associadas a menor ingestão calórica ao longo do dia, sendo aliadas importantes no controle de peso. 3. Quanto mais fibra, melhor Mito. O consumo excessivo de fibras pode causar efeitos adversos como gases, distensão abdominal e até prisão de ventre. “A recomendação da OMS é de 25 g de fibras por dia, com aumento gradual para evitar desconfortos”, orienta Fabiana Cremer García. 4. Fibras precisam de água para funcionar bem Verdade. Consumir fibras sem água suficiente pode ter o efeito contrário: endurecer o bolo fecal e dificultar o trânsito intestinal. “Se você aumenta a ingestão de fibras, também precisa aumentar o consumo de água. Recomenda-se beber pelo menos 2 litros por dia”, orienta Fabiana Cremer García. A hidratação adequada é essencial para a fibra exercer seus efeitos benéficos no sistema digestivo. 5. Fibras ajudam a controlar o colesterol e a glicose Verdade. As fibras solúveis, como as encontradas na aveia e na cevada, têm um efeito comprovado na redução do colesterol LDL (“ruim”) e no controle da glicose no sangue. Uma revisão publicada no The American Journal of Clinical Nutrition concluiu que o consumo diário de 3 gramas de betaglucano de aveia pode reduzir o colesterol LDL e o colesterol total.  Além disso, a fibra pode desempenhar um papel importante na redução do risco de diabetes tipo 2, a forma mais comum de diabetes. Ao retardar a absorção de açúcar no intestino, a fibra ajuda a prevenir picos nos níveis de glicose no sangue, contribuindo assim para um melhor controle glicêmico. Por Yasmin Berlezi

As pessoas que ‘enxergam’ línguas estrangeiras

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 13/04/2025 O nome da minha mãe é da cor do leite. As cordas de uma guitarra acústica, quando dedilhadas, tocam o amarelo forte do favo de mel. O som é plano, duro ou macio. E segunda-feira é cor-de-rosa. Estas sensações são sempre as mesmas e estão sempre presentes. Trata-se da sinestesia – no meu caso, sinestesia grafema-cor, sinestesia som-cor e sinestesia auditiva-tátil. Como ocorre com muitas pessoas sinestésicas, descobri ainda jovem que eu tinha talento para a música e os idiomas. Na música, eu não me destacava no ato físico de me apresentar, mas sim na composição. Eu me tornei compositora para filmes curtos e dança teatral, além de editora de sons para televisão. Para mim, escrever música se parecia muito com um idioma, já que eu “via” as cores dos sons de forma parecida. Também estudei francês, alemão, espanhol e linguística – e a cor dos idiomas me ajuda a lembrar as palavras e os padrões gramaticais. A sinestesia é um fenômeno neurológico que faz com que cerca de 4,4% das pessoas vivenciem o mundo como uma cacofonia de sensações. Foram identificados cerca de 60 tipos diferentes de sinestesia, mas pode haver mais de 100 e alguns tipos são vivenciados de forma conjunta. Acredita-se que esta condição seja causada por características genéticas hereditárias que afetam o desenvolvimento estrutural e funcional do cérebro. O aumento da comunicação entre regiões sensoriais do cérebro significa, por exemplo, que as palavras podem estimular o paladar, sequências de números podem ser percebidas em disposições espaciais ou a sensação das texturas pode desencadear emoções. A sinestesia não é considerada um distúrbio neurológico. Ela está relacionada a condições de saúde mental e desenvolvimento neurológico, incluindo autismo, ansiedade e esquizofrenia. Mas ela é descrita como “realidade perceptiva alternativa”, geralmente considerada benéfica. “Quando eu era mais jovem, sabia que observava o mundo de um jeito diferente e minha forma de descrever aquilo para os outros era ‘colorida’”, conta Smadar Frisch. Frisch tem sinestesia grafema-cor, sinestesia som-cor e sinestesia léxico-gustativa, que faz as palavras terem sabor. Ela explora o mundo dos sentidos no seu podcast, Chromatic Minds (“Mentes cromáticas”, em tradução livre). E, no momento, está escrevendo seu primeiro livro sobre o tema. “Aprender na escola era demais para mim, em termos sensoriais”, ela conta. “É muito difícil tentar solucionar uma equação quando toda a coloração de uma série de números era uma explosão psicodélica.” Este jato de cores, segundo Frisch, pode fazer com que ela perca o foco e esqueça o que está fazendo. “[Era o] mesmo com a linguagem”, ela conta. “As cores, músicas e sensações de paladar das palavras me inflamavam e eu queria tanto me expressar, que perdia o foco.” Somente quando havia quase terminado o ensino médio, ela conheceu o livro de Richard Cytowic e David Eagleman, Wednesday is Indigo Blue (“Quarta-feira é azul índigo”, em tradução livre). “Minha ideia inicial era que quarta-feira, na verdade, é laranja”, conta Frisch. “E eu precisava conseguir este livro.” Para ela, foi uma reviravolta. “Finalmente compreendi como o meu cérebro sinestésico é ligado e conectado. E pensei comigo mesma como este fenômeno é incrível. Posso usar as cores para me ajudar a aprender, em vez de me confundir.” Frisch desenvolveu um sistema de codificação por cores para ajudá-la a aprender novos idiomas de forma rápida e fluente. Estudar idiomas não parecia mais algo confuso, mas sim “organizado”, segundo ela. “E funcionou! Meu mundo inteiro mudou. Fui aprender aquilo em que o meu cérebro estava destinado a se destacar: idiomas.” Frisch conta que conseguiu aprender francês e espanhol até chegar ao nível avançado em apenas dois meses. “Tive nota 90+ em cada exame [de francês e espanhol]”, afirma ela. Estes exames fizeram parte do seu Te’udat Bagrut, a qualificação obtida em Israel ao término do ensino médio. Frisch conta que, atualmente, sabe falar sete idiomas com fluência – e que pode aprender qualquer idioma que quiser, “sem dificuldade e em pouco tempo”. Julia Simner é diretora do laboratório de Pesquisa sobre Sinestesia Multissensorial da Universidade de Sussex, no Reino Unido. Ela e sua equipe examinaram cerca de 6 mil crianças com seis a 10 anos de idade. “Selecionamos cada um individualmente para determinar a sinestesia e, em seguida, oferecemos [a eles] uma bateria de testes para determinar quais técnicas são favorecidas por esta particularidade”, explica ela. O estudo concluiu que as crianças com sinestesia obtiveram melhores resultados em uma série de técnicas do que as crianças que não vivenciam o fenômeno. E estas técnicas, segundo Simner, “certamente auxiliam o aprendizado do primeiro e segundo idiomas”. “Especificamente, elas apresentaram desempenho significativamente melhor em vocabulário receptivo (quantas palavras elas conseguiam entender), vocabulário produtivo (quantas palavras elas sabiam dizer), armazenamento de memória de curto prazo, atenção aos detalhes e criatividade”, afirma ela. “Estas técnicas relacionadas à sinestesia indicam que podemos esperar que o aprendizado de um segundo idioma seja mais fácil para alguém com sinestesia.” Simner explica que ter cores sinestésicas torna as letras mais fáceis de serem memorizadas. E as cores da sinestesia podem passar de um idioma para outro, fazendo com que as palavras no segundo idioma também sejam memorizadas com mais facilidade. “Essas cores podem migrar entre os idiomas pela aparência ou pelo som das letras”, explica Simner. “É como se a cor se transferisse de um idioma para outro.” Caleidoscópio de palavras Em 2019, outro experimento liderado pelos psicólogos da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriu a sinestesia grafema-cor. Nela, cada letra ou número possui sua própria cor distinta, fornecendo uma vantagem significativa de aprendizado estatístico – a possibilidade de que a pessoa “veja” padrões, o que é uma capacidade fundamental para o aprendizado de idiomas. Os pesquisadores pediram aos participantes que ouvissem um conjunto de palavras sem sentido, como “mucá” e “beô”. Elas representavam um idioma “artificial”. Em seguida, eles ouviram um segundo conjunto de palavras, que incluía as palavras artificiais originais e novas palavras artificiais que representavam um idioma “estrangeiro”. E foi pedido aos participantes que diferenciassem as “palavras” de cada um dos dois idiomas artificiais. “Não havia significado”, explica a psicóloga Amy Finn, diretora

Como nossos cães se conectam emocionalmente conosco (e como melhorar essa sintonia)

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/03/2025 Cães de estimação conseguem entrar em sintonia com humanos para criar conexões emocionais e melhorar vínculos de amor Sincronização é uma habilidade fundamental nos nossos relacionamentos porque ajuda a fortalecer os laços sociais e manter a sensação de pertencimento. Observamos sincronização especialmente nas interações entre pessoas emocionalmente próximas. Ela pode ser notada em coisas como balançar a cabeça ao mesmo tempo durante um bate-papo ou refletir o mesmo tom de voz. Outros exemplos de sincronização são casais ou amigos caminhando juntos ou dançando em pares. Mesmo que inconscientemente, muitas vezes refletimos os comportamentos uns dos outros durante interações: rimos ao mesmo tempo, imitamos gestos e posturas, e sincronizamos nossos estados emocionais. Sabe quando aquele amigo está animado e você sente que essa energia é contagiante? Essa sensação de sentir o que o outro sente ajuda a criar um clima de harmonia e indica empatia na interação. Os cães também têm essa habilidade. Assim como nós humanos, eles conseguem entrar na nossa sintonia em várias situações do dia a dia. Isso não é mera imitação. É uma habilidade fundamental para criar conexão emocional e melhorar os vínculos que temos com eles. Sincronia na relação com os cães Nas relações entre pessoas e cães a sincronização é um alicerce do processo de domesticação. Ela é observada mesmo entre filhotes de um mês de idade. Pesquisas sobre sincronia entre cães e humanos, sugerem que a sincronização comportamental na relação com cães é influenciada por vários fatores, incluindo o tipo de relacionamento e os estados emocionais das pessoas envolvidos na interação. Além disso, a sincronização pode estar relacionada à ativação de neurônios-espelho em humanos e cães. Uma possível explicação para comportamentos sincronizados entre humanos e cães é que com a convivência os cães aprenderam a adaptar seus padrões de movimento e sincronizar com seus companheiros humanos. Por exemplo, eles ajustam seus níveis de atividade comportamental com base no fato de seus donos estarem parados ou em movimento, destacando sua atenção aos humanos. Alguns estudos afirmam que os cães podem sincronizar comportamentos e estados emocionais de forma mais eficaz com os humanos com quem compartilham relacionamentos fortes, principalmente se houver um histórico de interações positivas, como brincar ou acariciar. Embora a teoria da sincronização comportamental ou motora entre duas espécies esteja bem documentada, seus mecanismos subjacentes ainda são debatidos e precisam de mais exploração. Entender como e em que situações essa habilidade é observada, pode nos ajudar a nos comunicar melhor com nossos companheiros caninos. Alguns exemplos de sincronização entre cães e humanos são: Como criar mais sincronia com os cães e por que isso importa Compreender a sincronização entre cães e seus tutores é mais do que uma curiosidade cientifica. Entender como isso funciona, têm aplicações práticas para melhorar a cooperação entre tutores e cães e os protocolos de treinamento, auxiliar na seleção de cães de serviço e promover o bem-estar, promovendo uma melhor comunicação entre cães e tutores. Além disso, examinar a sincronização em ambientes familiares e considerar fatores como estresse e diferenças individuais pode oferecer uma visão mais abrangente dos fatores que podem moldar os níveis de sincronização no relacionamento entre cães e tutores. Se você quer promover mais sintonia no relacionamento com seu companheiro canino, é importante se envolver em atividades agradáveis, como acariciar, brincar ou criar uma rotina de sessões de treinamento positivo. Isso pode ajudar a aumentar o foco do cão em quem está interagindo com ele porque esse tipo de atividade é percebido como gratificante. O contato visual com o cão é outra coisa que aumenta a sincronização com ele pois isso ajuda a criar uma sincronização neural. Ao mesmo tempo, evitar interações que possam ser percebidas como aversivas para o cão, como abraçar o seu pet pode ajudar a evitar conflitos e estresse. Portanto, da próxima vez que ficar na dúvida se dever ir passear com seu cão, fazer carinho nele enquanto assistem aquele filme juntos, ou se levantar para brincar quando ele traz a bolinha todo animado te chamando, lembre-se que se envolver nessas atividades pode ser uma boa maneira de melhorar a sintonia emocional com seu companheiro e tornar a relação mais feliz para ambos. * Renata Roma é pós-doutoranda no Centro de Ciências Comportamentais e Estudos de Justiça e no Pawsitive Connections Lab da Universidade de Saskatchewan, no Canadá. Esse texto foi originalmente publicado no site The Conversation.

Felicidade vem depois dos 60? Por que idosos são mais felizes do que jovens no Brasil e no mundo, segundo pesquisa

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/03/2025 Nível de felicidade flutua ao longo da vida e chega na terceira idade ao seu maior patamar, aponta estudo da Ipsos com quase 24 mil pessoas em 30 países. O trabalho e as relações pessoais ajudam a explicar por quê. Se você ainda não chegou aos 60 anos, uma nova pesquisa que mede o nível de felicidade das pessoas traz duas notícias, uma ruim e uma boa. A ruim é que há uma estrada de mais insatisfação na sua frente. Mas a boa é que, uma vez nos 60 anos, seu nível de felicidade pode chegar a um patamar que você não vivenciou antes. A pesquisa inédita Ipsos Happiness Index 2025, que entrevistou quase 24 mil pessoas com até 75 anos em 30 países, aponta os 60 anos como a idade mais provável de se ter uma virada no nível de satisfação com a vida. Os resultados corroboram com a chamada “curva em U” que costuma aparecer em índices que medem a felicidade da população no mundo. Isso é: começamos a vida adulta mais felizes, ficamos mais insatisfeitos à medida que envelhecemos, mas voltamos a ser mais felizes ao nos tornarmos idosos. “Você chega aos 60 hoje em dia muito diferente do que você chegava 30 anos atrás”, diz o estatístico Rafael Lindemeyer, diretor de clientes na Ipsos. “Sua capacidade de levantar da cadeira, de viver a vida aos 60 anos é muito maior do que era. Com isso, você tem ainda uma plenitude para poder viver bem por muito tempo bem.” A pesquisa mundial considerou, no Brasil e em outros países com nível de renda semelhante, apenas pessoas a partir da classe média. Ou seja, entre os brasileiros, apenas pessoas a partir da classe C, com renda familiar de R$ 3,4 mil ou mais. As classes A, B e C hoje representam mais da metade (50,1%) da população do Brasil, segundo uma pesquisa recente da Tendências Consultoria. Como mostra a própria pesquisa Ipsos, a falta de dinheiro é o principal motivo que contribui para a infelicidade das pessoas. Isso quer dizer, segundo especialistas com quem a BBC News Brasil conversou, que, caso as pessoas mais pobres fossem incluídas, provavelmente os índices de felicidade seriam menores em todas as faixas. “Para quem não tem as necessidades básicas atendidas, é muito mais difícil falar de felicidade”, avalia a palestrante e consultora Renata Rivetti, que se especializou nos últimos anos em estudos da felicidade. “A gente tem que falar como incluir uma camada da sociedade que está sendo excluída de algo que deveria ser um direito básico, que é a felicidade.” No ranking global da Ipsos, os países em que mais pessoas entrevistadas se disseram felizes são: Índia, Países Baixos (Holanda), México, Indonésia e Brasil. Já os mais infelizes estão na Hungria, Turquia, Coreia do Sul, Japão e Alemanha. Mas, diante do grupo pesquisado e das pesquisas que já se debruçaram sobre o tema, o que explica essa felicidade “tardia” na vida? A felicidade depois dos 60 Nos corredores e no palco da Cúpula Mundial da Felicidade (Wohasu), encontro de especialista no assunto que aconteceu neste mês de março, em Miami, nos EUA, os palestrantes insistiram que a felicidade está principalmente relacionada a uma “vida com sentido”, relata Renata Rivetti, após participar do evento. E esse sentido é mais encontrado em sua plenitude após superada a chamada “crise da meia-idade”, após os 40 anos, diz a especialista. “É um momento em que a gente conquista muitos sonhos, coisas materiais e, mesmo assim, seguimos na busca, não nos sentimos felizes”, conta Rivetti. “Quando a gente chega numa maturidade, a gente começa a encontrar o que de fato faz a gente feliz, começa a ter clareza do que a gente é, não quer mais impressionar tanto os outros e cria mais senso de pertencimento e de conexão.” Na resposta à pergunta “você diz que está: muito feliz, feliz, não muito feliz ou nada feliz?” feita pela Ipsos, 75% dos maiores de 60 responderam que está muito feliz ou feliz, sete pontos percentuais a mais do que as pessoas na faixa dos 50 e três pontos a mais do que os na casa dos 20. Estudos no Reino Unido com mais de 300 mil pessoas também já apontaram que o grupo acima dos 65 é o mais feliz. Há um declínio nessa satisfação, porém, após os 80. Entre os “felizes”, os principais motivos para esse estado de humor (e para os bons resultados dos 60+), segundo a Ipsos, foram o “meu relacionamento com a família”, “sentir-se amado” e “estar em controle da própria vida”. Entre os “infelizes”, contam mais, além da situação financeira, a saúde mental e física. Nessa equação, o economista Daniel Duque, pesquisador no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) explica que a pressão do mercado de trabalho sobre os maiores de 60 anos costuma diminuir, o que abre espaço para os outros fatores que levam à felicidade. “Quando você entra na terceira idade e está no fim da fase laboral, o trabalho passa a não ter uma centralidade tão grande na vida”, diz Duque, que pesquisa a área de mercado de trabalho. Na idade adulta, entretanto, a pressão econômica para “subir na vida” e pagar as contas faz o emprego e suas instabilidades serem muito mais central, levando a uma perda de bem-estar. Na visão de Rafael Lindemeyer, do Ipsos, essa menor “pressão econômica” sobre os idosos não quer dizer que eles vivem confortavelmente, financeiramente falando. Mas é um fator que tem menos importância. “A pessoa com mais de 60 anos têm um combo de variáveis de felicidade muito maior. Isso é: apesar de ter uma situação financeira que sempre é uma dificuldade, há outros componentes que têm a ver com os seus relacionamentos”, explica Lindemeyer. “Além da minha própria felicidade, o que está em torno de mim faz com que eu me sinta feliz. Quando tenho 30 anos, minha felicidade é mais individual do que uma felicidade aos 60 anos.” Segundo a pesquisa Ipsos, o momento de mais

De quanto em quanto tempo se deve trocar a bucha da cozinha?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/03/2025 Se fosse possível perguntar às bactérias onde elas gostariam de viver, a esponja de cozinha possivelmente estaria no topo da lista. Pesquisadores explicam se esses micro-organismos podem fazer mal à saúde e qual a melhor prática quando se trata da bucha de lavar louça. Ela é usada para deixar a louça limpa, mas, no processo, acaba se tornando um ambiente perfeito para bactérias se desenvolverem. Muitas espécies de micro-organismos se desenvolvem nas profundezas da crosta terrestre, dentro de fontes hidrotermais ferventes e até na tundra congelada. Se fosse possível perguntar às bactérias onde elas realmente gostariam de viver, contudo, a esponja de cozinha provavelmente estaria no topo da lista. Sim, a ferramenta que usamos para limpar nossos pratos e copos está repleta de vida microbiana. As esponjas são o paraíso das bactérias. Elas são quentes, úmidas e cheias de restos de alimentos nutritivos para os micróbios se banquetearem. Em 2017, Markus Egert, microbiologista da Universidade de Furtwangen, na Alemanha, publicou novos dados sobre o microbioma bacteriano de esponjas de cozinha usadas. Ele descobriu impressionantes 362 espécies de micróbios nessas esponjas. Em alguns lugares, a densidade de bactérias chegou a 54 bilhões de indivíduos por centímetro quadrado. “Essa é uma quantidade muito grande, é semelhante ao número de bactérias que você encontraria em uma amostra de fezes humanas”, diz Egert. As esponjas são cheias de buracos e bolsões, cada um fornecendo um nicho para uma comunidade de micróbios se estabelecer. Lingchong You, biólogo da Duke University, e sua equipe, usaram computadores para modelar o ambiente complexo de uma esponja para um estudo de 2022. Ele descobriu que esponjas com reentrâncias de tamanhos variados encorajavam maior crescimento microbiano. Sua equipe então replicou esses resultados cultivando diferentes cepas de E.coli em esponjas de celulose. “Eles descobriram que ter uma variedade de tamanhos de poros diferentes em esponjas de cozinha é algo que realmente importa [para o crescimento bacteriano]”, diz Egert. “Isso faz sentido porque, para micróbios, você tem individualistas, [como] bactérias que gostam de crescer por conta própria, e você tem bactérias que precisam da companhia de outras. Dentro de uma esponja, você tem tantas estruturas ou nichos diferentes que todas ficam felizes.” As esponjas definitivamente são bons lares para bactérias. No entanto, isso não significa necessariamente que esses utensílios também sejam um risco à saúde humana. Bactérias existem em todos os lugares – na nossa pele, no solo e no ar ao nosso redor. Nem todas são prejudiciais. Na verdade, muitas desempenham trabalhos vitais. A questão importante é, portanto, se vale a pena se preocupar com as bactérias encontradas nas esponjas? No estudo de Egert de 2017, ele sequenciou o DNA das espécies mais comuns. Embora não tenha sido possível identificar as espécies exatas de cada bactéria, cinco em cada dez das espécies mais prevalentes estavam intimamente relacionadas a bactérias conhecidas por causar infecções em pessoas com sistemas imunológicos comprometidos. Medidas especiais de limpeza, como aquecimento em micro-ondas ou enxágue com água quente e sabão também não ajudaram muito, pois, embora eliminassem algumas bactérias, permitiam que outras cepas mais resistentes prosperassem. “Nossa hipótese é que as medidas de limpeza podem levar a um tipo de processo de seleção, onde os poucos sobreviventes podem crescer em grandes números novamente”, diz Egert. “Se você fizer isso algumas vezes, isso pode levar a uma seleção de bactérias que são mais bem adaptadas à limpeza.” É importante observar que nenhuma das bactérias encontradas por Egert está relacionada a intoxicação alimentar ou doenças graves. Na verdade, 90% das hospitalizações por doenças transmitidas por alimentos podem ser atribuídas a apenas cinco patógenos, três dos quais são bactérias – Escherichia coli, Salmonella e Campylobacter. Felizmente, elas são bem raras em esponjas. “Nós só encontramos bactérias potencialmente patogênicas, ou seja, bactérias que podem ser perigosas para pessoas com sistemas imunológicos fracos, idosos ou crianças”, diz Egert. “Normalmente, para uma pessoa saudável, as bactérias dentro da esponja de cozinha não são prejudiciais.” Em 2017, Jennifer Quinlan, professora de segurança alimentar na Prairie View A&M University, nos EUA, e seus colegas coletaram esponjas de cozinha de 100 lares na Filadélfia. Ela descobriu que somente 1% a 2% dessas esponjas continham bactérias ligadas à intoxicação alimentar em humanos. E as que continham eram apenas pequenas quantidades de bactérias prejudiciais. Essa descoberta foi reiterada por um estudo de 2022 no qual Solveig Langsrud, cientista do instituto norueguês de pesquisa de alimentos Nofima, comparou as bactérias encontradas em esponjas e escovas de lavar louça. Ela encontrou um conjunto comum de bactérias não patogênicas inofensivas em ambos os tipos de utensílios, incluindo:  Acinetobacter, Chryseobacterium, Enhydrobacter, Enterobacteriaceae e Pseudomonas. No entanto, as escovas continham muito menos bactérias no geral. “A grande maioria das bactérias em esponjas não causam doenças, elas apenas causarão um mau odor, ficando desagradável seu uso com o tempo”, diz Quinlan. “Dito isso, há uma possibilidade de que se você usar uma esponja para limpar carne crua ou frango cru, você possa ter algumas dessas bactérias patogênicas ali, e estudos descobriram que patógenos podem ser isolados de esponjas de cozinha.” Então, embora as bactérias que crescem na sua esponja não sejam geralmente prejudiciais, se bactérias perigosas como a Salmonella entrarem em cena, a estrutura da esponja a torna um lugar ideal para esse patógeno crescer. Há evidências de que esse é o caso. No estudo de Langsrud, quando os pesquisadores introduziram a Salmonella em esponjas de cozinha, elas prosperaram, mas quando adicionaram essa bactéria às escovas, elas morreram. Isso pode ser porque as escovas geralmente secam mais efetivamente, matando a bactéria Salmonella, enquanto as esponjas ainda podem permanecer úmidas por dentro se forem usadas diariamente. Essas bactérias potencialmente patogênicas também podem ser transferidas da esponja para os pratos, utensílios ou superfícies. Então, com que frequência devemos trocar nossa esponja de cozinha? Quinlan argumenta que, de uma perspectiva de higiene, o ideal é substituí-la semanalmente, mas há coisas que você pode fazer para prolongar seu tempo de uso. “Há duas maneiras fáceis de limpá-las. Você pode colocá-los na máquina de lavar louça no fim da noite ou pode colocá-las no micro-ondas por um minuto até que consiga ver

Pirâmide demográfica achata e vira obelisco: envelhecimento global traz desafios

Fonte: InfoMoney | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 18/02/2025 Com maior número de idosos e as quedas de nascimentos, o que muda não é só o desenho demográfico, mas toda a economia mundial, diz estudo Anna França O envelhecimento da população associado às quedas da fertilidade na maior parte do mundo estão invertendo as estruturas etárias tradicionais. Com o surgimento de uma nova ordem populacional, de contrastes demográficos extraordinários, caem por terra as tradicionais pirâmides populacionais para surgir uma nova forma, mais parecida com um obelisco, bem mais achatada no piso. No entanto, mais do que uma mudança no desenho dos gráficos, esse novo momento ela traz uma profunda alteração na dinâmica mundial, impondo desafios para economia e para toda a humanidade. A primeira onda dessa mudança demográfica está atingindo economias mais desenvolvidas e até a própria China, onde a parcela de pessoas em idade produtiva cairá dos atuais 67% para 59% em 2050. Ondas posteriores atingirão até mesmo regiões mais jovens em uma ou duas gerações, como a América Latina e Ásia. A única exceção é a África Subsaariana, como mostram os dados da pesquisa “Enfrentando as Consequências de Uma Nova Realidade Demográfica”, feito pela consultoria McKinsey. A reformulação da estrutura etária das sociedades resulta em uma força de trabalho menor e em uma proporção crescente de idosos, que utilizam mais as estruturas previdenciárias e de saúde. “Nosso sistema econômico enfrenta um ponto de virada: sem aumento expressivo da produtividade ou mais horas trabalhadas, o crescimento do PIB global per capita pode desacelerar em até 0,8% ao ano”, explica a sócia-diretora do escritório da McKinsey no Brasil, Heloisa Callegaro. E no Brasil? Essa preocupação também é relevante para o Brasil, uma vez que, entre 1997 e 2023, a demografia contribuiu positivamente para o PIB per capita, com um incremento de 0,4 pontos percentuais ao ano. Entretanto, projeções indicam que, de 2023 a 2050, a transição demográfica poderá reduzir o PIB per capita em 0,3 pontos percentuais anuais, representando uma inversão preocupante. “É essencial que adotemos medidas para reverter essa tendência e assegurar um crescimento econômico sustentável.” No caso do envelhecimento da população, o Brasil está envelhecendo mais rápido do que muitos imaginavam. Com uma taxa de fecundidade de 1,62 filhos por mulher, já estamos num patamar abaixo da chamada taxa de reposição, de 2,1 filhos. O País deverá atingir o pico populacional em algumas décadas e, até 2100, projeta-se uma redução de 22% em sua população atual, de acordo com o estudo. “A redução da população em idade ativa está aumentando a pressão sobre a força de trabalho existente. O único caminho para manter o crescimento econômico será baseado em investimento em tecnologia e no aumento da produtividade”,  afirma Heloisa, acrescentando que o Brasil terá apenas 16 anos até atingir o nível de envelhecimento das economias avançadas. Desse modo, em 2050 o índice de suporte (trabalhadores por idoso) será equivalente ao das economias ricas hoje. Entretanto nossa produtividade ainda é considerada baixa, ficando em média em US$ 18 por hora por trabalhador enquanto a média nos países de economias maduras é de US$ 60. Essa constatação traz de volta uma frase muito citada no passado recente, que dava conta que o Brasil iria ficar velho antes de ficar rico, ao contrários de grandes potências desenvolvidas. Nos últimos 25 anos houve um ‘milagre’ produtivo em várias partes do mundo, com uma média global de produtividade multiplicando-se por seis. Mas o mesmo não ocorreu na América Latina, onde o avanço foi tímido, não alcançando os 20%, segundo relatório do McKinsey Global Institute. “Além do aumento de produtividade, vamos precisar  ampliar a participação da população no mercado produtivo, especialmente entre mulheres”, disse a diretora da McKinsey. A participação feminina na força de trabalho no Brasil chega a 66%, ficando abaixo da média dos países ricos, que é de 74%. Pressão na Previdência Com o esgotamento do chamado bônus demográfico, quando há mais pessoas para trabalhar do que aposentados, os desafios já são sentidos por toda a sociedade. A proporção de pessoas em idade ativa por idoso cairá de 6,5 para 2,8, elevando a pressão sobre famílias e a Previdência. A expectativa de vida global aumentou em sete anos, em média, desde 1997, chegando a 73 anos em 2023 e deve chegar a 77 anos em 2050. Aqueles com 100 anos ou mais são a faixa etária de crescimento mais rápido em termos percentuais, de acordo com as Nações Unidas. Esse aumento da longevidade pressiona como nunca os sistemas previdenciários devido, principalmente, à redução da proporção de trabalhadores na ativa em relação aos aposentados. Apesar de toda a atenção dada ao aumento da longevidade, o declínio da fertilidade determina de forma mais poderosa a demografia global. Dessa forma, sem reformas significativas, esses sistemas podem se tornar insustentáveis. Hoje, o Brasil tem 6,5 trabalhadores por aposentado, número que já foi 13,1, em 1997. Em 2050, esse número cairá para apenas 2,8 trabalhadores por aposentado. Sem o trabalhador jovem para financiar o idoso inativo, será preciso encontrar novas formas de refinanciar os sistemas previdenciário, na avaliação do professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri. “Além disso, o estado precisará destinar mais recursos para a saúde, porque as pessoas que vivem mais precisam de cuidados. Mas acima de tudo, com menos jovens, será preciso investir mais e melhor em educação para que, com melhor formação, estes jovens sejam mais produtivos”, afirma o professor. Herança difícil Ao confrontar as consequências da mudança demográfica, as sociedades entram em águas desconhecidas. Na ausência de ação, os mais jovens herdarão menor crescimento econômico e arcarão com o custo de mais aposentados, enquanto o fluxo tradicional de riqueza entre gerações se corrói. Práticas de trabalho de longa data devem mudar. Mas, fundamentalmente, os países precisarão aumentar as taxas de fertilidade para evitar o despovoamento, uma mudança social sem precedentes na história moderna. Queda de nascimentos Famílias em todo o mundo estão tendo cada vez menos filhos. Em grande parte do mundo, as taxas de fecundidade caíram abaixo da taxa de reposição necessária para

Por que produtos naturais nem sempre são melhores que sintéticos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/02/2025 Antes de escrever esta reportagem, marquei horário na cabeleireira. Enquanto ajustava a capa de corte em torno do meu pescoço, ela apontava para o xampu que iria usar. “É uma linha nova, feita com 90% de ingredientes naturais”, explicou ela. O folheto anexo continha descrições resumidas de cada um dos produtos da linha. Um dos xampus continha extrato de figo-da-índia e outro usava frutos de açaí. Um terceiro incluía sementes de chia. Assim que entrei em casa, peguei os frascos de xampu que comprei e olhei mais detalhadamente a lista de ingredientes: álcool cetearílico, glicerina, cloreto de behentrimônio e miristato de isopropila. Todos são substâncias comuns, feitas em laboratório. Nenhum desses ingredientes me preocupava. Mas, mesmo sendo empregados em quantidades muito maiores do que qualquer um dos extratos de frutas, nenhum deles é destacado nos anúncios da marca. A tática empregada – aparentemente com sucesso, no meu caso – existe há séculos. Ela é adotada com frequência nas redes sociais, por marcas e influenciadores, e por políticos de todo o planeta. O chamado “apelo à natureza”, ou “falácia naturalista”, é um dos tipos mais comumente observados de falácias lógicas – falhas de raciocínio que podem fazer uma afirmação parecer surpreendentemente convincente. Sempre que você ouvir alguém afirmar que um produto ou prática é superior porque é “natural”, ou que outra é inferior (ou até prejudicial) porque não é “natural”, é porque a falácia naturalista está em andamento. Dela surgem os argumentos que defendem que determinado produto segue “os padrões da natureza”, ou que outra substância é ruim especificamente porque é “química” ou “sintética”. A natureza é maravilhosa em muitos aspectos e tem muito a nos ensinar. Mas por que algo não é necessariamente melhor apenas porque vem da natureza? A resposta é porque a natureza não tem intenções, pelo menos em sentido consciente. Ou seja, ela não tem a intenção de fazer o bem, ou de ajudar os seres humanos, especificamente falando. Não precisamos filosofar muito para chegar a esta conclusão. Basta considerar algumas das criações da natureza. O arsênio, por exemplo, é um produto natural que pode matar um ser humano adulto com uma dose de até 70 mg. Outro produto natural é o amianto, que é cancerígeno. O cianeto pode matar com até 1,5 mg por kg de peso do corpo, se for ingerido. Ele é uma fitotoxina, produzida naturalmente por mais de 2 mil espécies de plantas, incluindo as amêndoas, damascos e pêssegos. Por isso, alguns remédios “naturais” frequentemente comercializados podem, na verdade, ser perigosos para o consumo, como sementes de damasco moídas. Esta é a questão do uso da palavra “natural”, tão comum nos anúncios de diversos produtos. Trata-se de um termo mal definido, que não significa necessariamente que o produto será melhor, ou até mais seguro, do que outras opções. Uma pesquisa sobre produtos para a dentição dos bebês rotulados como “naturais” descobriu, por exemplo, que mais de 370 crianças sofreram efeitos adversos, como convulsões ou delírios. Os produtos continham níveis inconsistentes, às vezes elevados, de beladona. É claro que também podemos observar fenômenos naturais, além dos ingredientes empregados nos produtos. A varíola, por exemplo, chegou a matar uma em cada três pessoas infectadas pela doença. Este vírus de ocorrência natural foi responsável pela morte de uma quantidade surpreendente de pessoas – 300 a 500 milhões, somente no século 20 – até que foi erradicado graças à vacinação. A hera venenosa, a poliomielite, os tornados, as picadas de insetos e a eventual e inevitável morte do Sol que, um dia, irá pôr fim a toda a vida na Terra também são eventos naturais. No seu ensaio sobre a natureza, de 1874, o filósofo britânico John Stuart Mill (1806-1873) indicou que este é um dos principais problemas dos chamados “apelos à natureza”: Para ele, “ou será certo matar, porque a natureza mata; torturar, pois a natureza tortura; arruinar e devastar, porque a natureza assim o faz; ou não devemos considerar o que a natureza faz, mas sim fazer aquilo que é bom fazer”. Em outras palavras, se a premissa do apelo à natureza for correta e tudo o que for “natural” deve ser melhor, apenas porque é natural, precisaremos também estar dispostos a aceitar tudo o que a natureza traz. Caso contrário, provavelmente não acreditamos, na realidade, que tudo é inerentemente melhor quando é natural. Paralelamente, existem centenas de coisas que podemos considerar não naturais e que, na verdade, melhoraram muito a vida de muitas pessoas. Antes da medicina moderna, mais de uma a cada 100 mulheres morria ao dar à luz. Atualmente, nos países ricos e industrializados como o Reino Unido, morre uma mulher a cada 10 mil. Antes da difusão global das vacinas, a coqueluche matava uma a cada 10 crianças infectadas. Depois da vacinação, as mortes caíram para uma fração – mais especificamente, 1/157 – dos números anteriores. Até aqui, falamos apenas da medicina. Mas basta olhar em volta para observar dezenas de outros exemplos. Usar óculos, refrigerar os alimentos ou ligar o aquecimento no inverno, por exemplo, podem não ser ações “naturais”. Mas, para muitos de nós, é uma alternativa melhor do que andar por aí sem enxergar direito, deixar a carne estragar ou ter arrepios de frio no inverno. Grande parte dos alimentos que consumimos não chega até nós na mesma forma em que a natureza os apresenta. Nós os processamos e cozinhamos. A colheita, moagem e o processamento dos grãos ajudaram na transição que fez com que a nossa espécie deixasse de ser nômade, caçadora e coletora, passando a ser formada por agricultores estabelecidos, capazes de construir sofisticadas civilizações. O mesmo ocorreu com o nosso cultivo e cruzamento das plantas. Eles fizeram com que muitos dos alimentos nutritivos que consideramos “naturais” hoje em dia, desde a cenoura até a banana moderna, tenham aparência e sabor muito diferentes dos seus antepassagens silvestres. É claro que não estaria certo sugerir que os produtos fabricados pelo homem não nos causam problemas, como no caso da poluição gerada pelos plásticos sintéticos ou do uso