Como será o novo museu de Bernardo Paz, fundador do Inhotim, em Brumadinho

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/canva| Data: 11/08/2026

Com 126 hectares e mais de 20 galerias e pavilhões, novo museu de arte contemporânea tem pré-inauguração prevista para o segundo semestre de 2027.

Fundador do Instituto Inhotim, o colecionador de arte e filantropo Bernardo Paz lidera a criação de um novo museu em Brumadinho (MG). Integrado à natureza, entre morros e vales, o Museu Bernardo Paz será dedicado à arte contemporânea e ocupará 126 hectares de uma área rural do município, vizinha à Reserva Particular do Patrimônio Natural Inhotim, onde está instalado o maior museu a céu aberto do mundo.

Já em construção, o projeto será aberto em fases, com a pré-inauguração dos primeiros pavilhões esperada para setembro de 2027. Assim como Inhotim, o novo museu terá mais de 20 galerias e pavilhões, além de instalações e esculturas ao ar livre encomendadas especialmente para o local.

Na entrada, o museu também abrigará um centro comunitário com biblioteca e ateliês de arte. O endereço terá ainda um parque dedicado à música e à dança, onde, no futuro, haverá um pavilhão.

Detentor de uma coleção particular com mais de três mil obras de arte, Bernardo pretende explorar no espaço o diálogo que mantém ao longo de décadas com artistas de diferentes gerações, origens, linguagens e práticas.

“O Museu Bernardo Paz está criando raízes e florescendo a partir da crença no potencial criativo dos encontros inesperados”, disse o idealizador em comunicado. Para viabilizar o projeto, ele tem investido recursos próprios no museu.

Pavilhões e natureza: a primeira fase do museu

A primeira fase do Museu Bernardo Paz terá pavilhões dedicados às obras de artistas do Brasil, do Peru e dos Estados Unidos.

Entre os brasileiros, estão: Sonia GomesPedro MoraleidaLaura Belém e Anna Maria Maiolino (radicada no país). Outros nomes são o norte-americano Michael Heizer e a peruana Sandra Gamarra, que até junho deste ano estava com a exposição panorâmica “Réplica” no Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand).

Esta fase inaugural também contará com esculturas de grande porte e ambientes artísticos de Frida Orupabo, da Noruega; Mario Garcia Torres, do México; Torkwase Dyson, dos EUA; e Giuseppe Penone, da Itália.

Atualmente, o pavilhão dedicado a Michael Heizer já está em fase de montagem. O artista é um dos nomes fundamentais da Land Art, movimento surgido nos Estados Unidos no fim dos anos 1960, que transforma a própria paisagem em espaço para a criação artística.

No Museu Bernardo Paz, o pavilhão abrigará duas de suas obras de grande escala, “Displaced Replaced Mass #3” (1993) e “Negative Wall Sculpture #1” (1993). Será a sua primeira instalação permanente na América Latina, com pavilhão projetado a partir das especificações elaboradas pelo próprio artista.

Além dos pavilhões e das obras, o terreno do museu tem recebido um amplo projeto paisagístico, com o plantio de 15 mil árvores e 1 milhão de arbustos, cactos e plantas floríferas. A iniciativa é inspirada na amizade e na antiga colaboração de Bernardo Paz com o paisagista Roberto Burle Marx.

Além de Inhotim: o novo projeto de Bernardo

Para Paulo Miyada, que trabalhou por mais de uma década no Instituto Tomie Ohtake e assume o papel de diretor artístico do Museu Bernardo Paz, o endereço nasce com a proposta de ampliar possibilidades e estimular novos imaginários diante de um cenário global de limitações. “Em uma paisagem repleta de conjunções que desafiam noções estabelecidas de museu e de paisagem, criam-se oportunidades intensas de criação, inspiração e transformação”, disse.

Antes do inédito museu, Bernardo Paz criou e financiou o Instituto Inhotim, inaugurado em 2006, que rapidamente ganhou reconhecimento internacional. Em 2022, Bernardo doou o patrimônio cultural à associação sem fins lucrativos responsável pela gestão do Inhotim. Hoje, a instituição atua de forma independente, com liderança executiva própria e um conselho deliberativo de 30 membros.

“Embora tenham o mesmo fundador, o Inhotim e esse novo empreendimento são organizações distintas, com programas, estruturas de gestão, modelos de governança e financiamentos próprios. Até o momento, não houve qualquer formalização entre as duas partes sobre possíveis colaborações”, informou o Instituto Inhotim ao CNN Viagem & Gastronomia por meio de nota.

Neste ano, Inhotim comemora 20 anos com uma agenda especial. Além disso, foi o único local brasileiro a entrar na lista de lugares para conhecer em 2026 do jornal The New York Times. Segundo a publicação, a combinação entre arte contemporânea e natureza exuberante transformou o museu em uma referência mundial para amantes de arte e ecoturismo.