Seu psicólogo é de carne e osso — mas pode estar usando IA na terapia: entenda os riscos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 12/12/2025 Fazer terapia com um chatbot pode não ser uma boa ideia por uma série de motivos, como muitos especialistas têm alertado. Mas e quando os próprios terapeutas passam a usar inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, para auxiliar em suas tarefas, seja para transcrição de sessões ou até discutir casos? Empresas já estão oferecendo esse serviço aos profissionais. Há ferramentas para transcrição de sessões, sugestões de análise técnica, evolução do paciente, supervisão e sugestões de abordagens. “Você ainda perde tempo escrevendo resumo de sessão?”, diz o anúncio de uma dessas ferramentas, no Instagram, a PsicoAI. Outra plataforma, a PsiDigital, promete automatização de relatórios e laudos, criação de página de divulgação personalizada e até “sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica.” (veja entrevista com criador da plataforma abaixo) As empresas dizem que essas tecnologias não devem substituir os profissionais, mas apoiá-los. A adesão profissional é uma realidade. A BBC News Brasil procurou 50 psicólogos nas redes sociais e questionou se eles fazem uso de algum tipo de IA no trabalho. Dos que responderam, dez confirmaram que fazem uso da tecnologia para tarefas como transcrições de sessões de terapia e resumos. O uso de IA entre estes profissionais não é proibido. Em julho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu que o uso “já vem sendo incorporado ao cotidiano em múltiplos contextos de atuação” e ressaltou a necessidade da supervisão crítica e discernimento ético, mas sem restrições específicas. E diz que cabe a cada profissional a avaliação de limites e riscos dessas ferramentas. Psicólogos testam usos com consentimento de paciente Maísa Brum é psicóloga especializada em avaliação neuropsicológica. Seu trabalho envolve realizar longas entrevistas com pacientes, coletar dados e depois produzir laudos técnicos com essas informações. Por algum tempo, ela terceirizou essa tarefa de transformar anotações em um documento técnico para um estagiário. Mas logo percebeu que os textos chegavam sempre com um mesmo padrão, “pouco humanizados” e, ao questioná-lo, descobriu que ele estava usando o ChatGPT para a tarefa. “O laudo tem sempre uma sequência, com descrição dos dados, objetivo da avaliação, testes que foram aplicados. É um esqueleto técnico”, explica. Foi aí que ela decidiu aprender mais sobre a tecnologia. Fez alguns cursos e então incorporou algumas dessas ferramentas em parte de suas tarefas. Hoje ela usa um gravador com IA embutida, que transcreve as entrevistas com os pacientes e devolve já com uma linha do tempo dos fatos e informações no formato necessário para escrever o laudo, que depois é revisado manualmente. Um formulário de consentimento é dado a cada paciente para que saibam que estão sendo gravados com a tecnologia. “Tem sido muito útil e facilitado bastante a minha vida de escrita”, afirmou, destacando que apaga os arquivos após uso para evitar armazenamento externo. Maísa diz que o recurso serve apenas como apoio, não como ferramenta diagnóstica. “Minha grande preocupação é no uso inadequado da IA para terceirizar o pensamento crítico e o raciocínio clínico”. Eduardo Araújo, psicólogo e professor universitário, diz que tem usado IA para análise e organização de dados, mas não diretamente com pacientes e sim em pesquisas, como fez em seu mestrado na área. Ele fez um experimento com o ChatGPT, quando analisava dados em uma tabela com centenas de pacientes. O objetivo do estudo era identificar a influência de experiências traumáticas em crianças e adolescentes, a partir de uma lista com dados de mais de 500 pacientes, de forma anonimizada. “Para esse tipo de tarefa, de análise de dados, acaba sendo muito útil.” Araújo avalia que é preciso ter cautela com ferramentas que prometem ajudar com diagnóstico. Ele diz que a tecnologia acelera tarefas burocráticas, mas nunca deve formular hipóteses diagnósticas no lugar do profissional. “Quando você pesquisa algum sintoma na internet, se levar a sério o que vem de resultado, você acha que vai morrer. Com a IA não é diferente: se você coloca algum sintoma, a resposta me dá uma gravidade diferente daquilo que se perceberia na clínica, em contato com a pessoa.” ‘A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar’ A psicóloga Patrícia Mourão De Biase disse à BBC News Brasil que entrou em contato com IA por curiosidade, principalmente com o boom de informação sobre o tema que recebeu neste ano. “Temos a opção de sermos atropelados ou entender o que está acontecendo e caminhar junto”, diz ela. De Biase diz que, desde a pandemia, tem havido mais flexibilização entre psicólogos no uso de tecnologias, principalmente em relação ao atendimento remoto de pacientes. “Ficamos mais flexíveis para entender esses movimentos da tecnologia. A categoria sempre foi mais quadradinha nesse sentido, mas precisou se adaptar. Vejo ainda muitos colegas se esquivando da IA.” De Biase, que presta serviço para empresas e também atende em consultório, diz que tem utilizado a ferramenta para automatizar tarefas burocráticas e também para criar novos conteúdos para suas sessões. “Crio enquetes e passo tarefas de casa para os pacientes. Isso refresca a conexão entre uma sessão e outra.” Ela diz que a IA também tem sido usar para “pensar junto” com os psicólogos. “Quando acaba a sessão, colocamos conteúdo e a própria IA diz: poderia abordar por aqui, por ali. Não tenho preconceito com isso, embora eu não use no dia a dia.” Outra tarefa que se tornou comum é a de transcrição e transformação das sessões em prontuário, que depois são revisados de forma manual. “É importante que os pacientes estejam de acordo, que assinem um documento. Mas até hoje ninguém recusou”, diz. A psicóloga avalia que a tecnologia não vai substituir a profissão. “Tem gente que não sabe nem o que perguntar ao ChatGPT. Ele é bom? Sim, pode ajudar em algo pontual, em um momento de ansiedade, de angústia. Mas se não aprendemos direito a perguntar, provavelmente ele não vai entregar. Nada precisa jogar fora. Pegue o que o chat disse e depois leve para a sessão, converse com o terapeuta sobe isso.” “Gerenciar o tempo é padrão ouro para todos. e a IA
O que é a pascalina, ‘primeira tentativa de substituir a mente humana por uma máquina’

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ Canva | Data: 14/12/2025 Que erro tão espantoso! Que triste desinteresse por nosso patrimônio científico! Que falta de compreensão de Pascal…” Com essas palavras contundentes, os membros do Institut de France, a principal instituição cultural e científica do país, manifestaram horror diante da iminente venda de uma pascalina, uma máquina de cálculo inventada pelo gigante intelectual do século 17 Blaise Pascal. Em artigo publicado pelo jornal francês Le Monde em 01/11, destacaram que “a pascalina, origem da informática moderna, transformou a França no berço da aventura informática: uma revolução que mudou nossa compreensão do mundo”. Eles afirmam ainda que “colocou o país na vanguarda da mudança epistemológica da era moderna e continua sendo uma das principais joias do patrimônio intelectual e tecnológico francês”. Os membros do Institut de France pediam ao governo francês que reconsiderasse a licença de exportação concedida à casa de leilões Christie’s, com a qual “o Estado renunciou à classificação desta pascalina como ‘tesouro nacional’”, o que teria assegurado que ela permanecesse no país. Dois meses antes, a Christie’s havia anunciado o leilão de uma coleção excepcional: a do francês de origem catalã Léon Parcé, cuja biblioteca privada continha quase uma centena de tesouros bibliográficos. Entre os itens estavam incunábulos — livros impressos nos primeiros tempos da imprensa com tipos móveis —, tratados científicos do Renascimento, manuscritos raríssimos e obras que traçam a evolução do pensamento europeu. E o destaque da coleção era justamente a pascalina, defendida com tanto entusiasmo pelos intelectuais franceses. A máquina estava avaliada entre US$ 2 milhões (cerca de R$ 7 milhões) e US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 12,25 milhões). A Christie’s a descreveu como “instrumento científico mais importante jamais oferecido em leilão”. “É muito mais do que uma simples máquina. É o emblema de todo um capítulo da história da humanidade”, afirma o matemático francês Cédric Villani em vídeo promocional da casa de leilões. Villani explicava nele o funcionamento da charmosa ferramenta, que pôde ser admirada pessoalmente por muitos interessados. Como costuma acontecer com lotes desse porte, a coleção percorreu uma turnê internacional: passou por Nova York, depois por Hong Kong e, por fim, chegou a Paris, nas vésperas do leilão marcado para 19/11. Mas qual é a história dessa caixa de madeira, adornada com hastes de ébano e com oito rodas visíveis que compõem um engenhoso sistema de engrenagens? Pascal: multifacetado e genial As histórias das invenções costumam começar com seus criadores. No caso da pascalina, o protagonista é Blaise Pascal, uma mente que parece destilar genialidade. Por isso, resumir Blaise Pascal (1623-1662) é uma tarefa difícil. Ele foi um dos grandes polímatas da história, com contribuições marcantes em matemática, física, filosofia e pensamento religioso. Hoje em dia, seu nome está presente em conceitos como a pressão de Pascal, uma unidade que homenageia seus estudos sobre gases, e no triângulo de Pascal, um padrão numérico em forma de triângulo que mostra relações surpreendentes entre os números e ajuda a resolver problemas matemáticos. Também é lembrado pela “aposta de Pascal”, um argumento filosófico que sugere ser mais racional acreditar em Deus. Nos experimentos com pressão e vácuo, demonstrou que o ar exerce força e que o vácuo realmente existe. E, em correspondência com o matemático Pierre de Fermat, estabeleceu os fundamentos da teoria moderna da probabilidade. Além de intelectual e matemático, Pascal foi escritor brilhante. Seu livro mais famoso, Pensées (Pensamentos, em tradução livre), é considerado uma das obras mais elegantes da literatura francesa. E se isso tudo soa muito intelectual, Pascal também dedicou tempo a projetos mais práticos. Para demonstrar sua famosa Lei de Pascal, criou dispositivos com tubos e êmbolos, a peça que empurra o líquido dentro de um cilindro, antecessores da seringa usada na medicina moderna. Em Paris, desenvolveu ainda o sistema de carruagens urbanas Carrosses à cinq sols (Carruagens a cinco soldos — moeda antiga de baixo valor), com rotas fixas, tarifas regulares e horários determinados, que começou a operar em 1662, e é considerado por alguns como o embrião do transporte público moderno. Isso foi duas décadas depois de Pascal criar uma “máquina aritmética” capaz de realizar cálculos com facilidade e sem risco de erro. Para o pai Pascal tinha uma relação próxima com o pai, pertencente à nobreza de serviço: um funcionário da administração financeira, mais ligado ao aparato do Estado do que à aristocracia tradicional. Dele recebeu uma educação extraordinária e pouco convencional. Étienne Pascal era um matemático competente, com ideias pedagógicas adiantadas ao seu tempo, e educou o filho em casa seguindo seus próprios métodos. Os resultados foram surpreendentes: aos 11 anos, Pascal escreveu um breve tratado sobre os sons de corpos vibrantes; aos 16 anos, publicou um tratado sobre geometria projetiva. E quando seu pai assumiu o cargo de coletor de impostos na Normandia (França), Pascal, aos 19 anos, inventou algo que o ajudasse na carga contábil. Nos anos seguintes, foi aprimorando seu projeto, com engrenagens e um corpo de madeira elegante que abrigava um sistema engenhoso. O maior desafio foi criar um mecanismo para levar os números adiante: a máquina tinha uma roda para as unidades, outra para as dezenas, outra para as centenas, e assim por diante. Imagine somar manualmente 19 + 11, 9 + 1 = 10, escreve-se 0 e “leva-se 1” para a coluna seguinte. Esse “leva 1” precisava de uma solução mecânica, que Pascal encontrou. Em 1645, Pascal mostrou a máquina aos seus contemporâneos, e publica o “Aviso necessário para quem tem curiosidade de ver a máquina aritmética e utilizá-la”, folheto que servia tanto como manual quanto como divulgação. No texto, elogia as virtudes da criação e fala diretamente ao leitor: “Você sabia que, ao trabalhar manualmente, é preciso constantemente lembrar ou ‘emprestar’ números, e quantos erros se cometem ao fazê-lo, a menos que se tenha muita prática, o que cansa a mente rapidamente”. “Esta máquina libera o usuário desse incômodo; basta bom senso, e ela o alivia da limitação da memória.” Pascal garantia que o risco de erro era nulo. Para proteger a invenção de falsificações, em 1649 Pascal
Celular mais seguro? Entenda a diferença entre o eSIM e o chip comum

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet / Design por Freepik | Data: 10/12/2025 Tecnologia de chip virtual oferece praticidade para quem viaja ou quer ter duas linhas no mesmo aparelho, mas apresenta desafios em caso de quebra ou perda do dispositivo. O eSIM, ou chip virtual, tem se tornado uma alternativa cada vez mais presente nos smartphones modernos, substituindo gradualmente os tradicionais chips físicos (SIM cards). A tecnologia representa uma evolução na forma como nos conectamos às redes móveis, mas traz consigo tanto benefícios quanto desafios para os usuários. Na prática, o eSIM nada mais é do que a versão digital do chip físico, armazenada diretamente na memória do aparelho. Para ativá-lo, basta escanear um QR code fornecido pela operadora ou usar o aplicativo da empresa para fazer a instalação virtual. Essa tecnologia está disponível na maioria dos smartphones recentes, sejam iPhones ou Android, explica Adriano Ponte, do Canaltech, durante o quadro CNN Tech. Uma das principais vantagens destacadas pelos defensores do eSIM é a segurança em casos de roubo ou perda do aparelho. Como o chip não pode ser removido fisicamente, teoricamente dificultaria o uso do dispositivo por terceiros. No entanto, Ponte esclarece que essa segurança é relativa. “Se eu tiver com o eSIM aqui dentro, não tem como remover, mas eu posso forçar ele a desligar”, explica. Além disso, para rastreamento, não é o chip que importa, mas as tags que continuam emitindo sinal mesmo com o aparelho desligado. A praticidade é outro ponto forte do eSIM, especialmente para quem viaja ou precisa de uma segunda linha. Com ele, é possível adicionar ou trocar de operadora sem a necessidade de um chip físico, simplificando a gestão de múltiplas linhas em um único aparelho. “Para muita gente, é mais prático numa viagem ou por alguma razão ter um segundo chip, baixar o aplicativo e cadastrar um eSIM”, destaca Adriano. Desvantagens do eSIM no dia a dia Apesar das vantagens, o eSIM também apresenta limitações significativas. Um dos principais problemas ocorre quando o aparelho quebra ou apresenta defeitos. Com o chip físico tradicional, é possível simplesmente removê-lo e inseri-lo em outro dispositivo para continuar usando a linha. Já com o eSIM, isso se torna impossível, deixando o usuário dependente de procedimentos junto à operadora para transferir a linha para outro aparelho. “Antes, o que eu fazia? Eu sempre tinha um celular velho na gaveta, eu tirava o chip, botava no outro antigo, até eu poder trocar o celular, mandar consertar o meu aparelho”, relata a apresentadora Clarissa Oliveira, já que a tendência é que os fabricantes eliminem completamente o slot para chips físicos, como acontece em alguns modelos vendidos nos Estados Unidos. Outra questão é a ativação do eSIM em novos dispositivos. Embora o processo seja simples, envolvendo o escaneamento de um QR code ou o uso do aplicativo da operadora, ele exige que o aparelho esteja funcionando para completar a transferência. Em caso de problemas com o smartphone atual, isso pode representar um obstáculo significativo. A tendência é que os fabricantes continuem oferecendo ambas as opções por algum tempo, permitindo que o usuário escolha entre o chip físico e o eSIM conforme sua preferência e necessidade. No entanto, alguns modelos já começam a abandonar completamente o suporte ao chip físico, sinalizando que o futuro pode ser totalmente digital nesse aspecto.
E se um robô cuidar de você ou dos seus pais na velhice?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 28/10/2025 Parece coisa de filme de ficção científica — mas alguns cientistas acreditam que essa tecnologia inovadora pode ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema de cuidados Escondidas em um laboratório no noroeste de Londres, três mãos robóticas de metal preto se movem lentamente sobre uma bancada de engenharia. Nada de garras ou pinças — cada uma tem quatro dedos e um polegar, articulados de forma quase humana. “Não estamos tentando criar um Exterminador do Futuro”, brinca Rich Walker, diretor da empresa que as desenvolveu. De aparência mais hippie do que o estereótipo de um engenheiro, Walker se orgulha de mostrar o que considera um passo importante na robótica. “Queríamos construir um robô que ajude as pessoas, que torne a vida melhor — um assistente capaz de fazer qualquer tarefa doméstica, de varrer o chão a preparar uma refeição.” Mas a ambição vai além das tarefas cotidianas: pesquisadores e empresas apostam que robôs desse tipo podem ajudar a enfrentar uma das maiores questões do futuro — como cuidar de uma população cada vez mais idosa, com menos profissionais disponíveis para prestar assistência. No Reino Unido, essa discussão vem ganhando força diante do envelhecimento rápido da população, mas o debate é global. A aposta em robôs de cuidado cresce em vários países, com governos e empresas investindo em tecnologias capazes de oferecer apoio físico, companhia e monitoramento a pessoas que vivem sozinhas ou têm limitações de mobilidade. No Reino Unido, isso vem sendo visto como uma possível resposta à escassez de cuidadores e ao envelhecimento acelerado da população — desafios que também se repetem em boa parte do mundo desenvolvido. A promessa é tentadora: máquinas que aliviam a sobrecarga dos sistemas de saúde e oferecem mais autonomia aos idosos. Mas também levanta dilemas éticos e emocionais: será que queremos — e podemos confiar — que uma máquina cuide de nós quando estivermos mais vulneráveis? Treinos com o robô Pepper O Japão oferece um vislumbre de um futuro em que robôs convivem entre nós. Há dez anos, o governo japonês começou a oferecer subsídios a fabricantes de robôs para desenvolver e popularizar o uso dessas máquinas em casas de repouso — uma iniciativa impulsionada pelo envelhecimento da população e pela escassez relativa de profissionais de cuidado. O professor James Wright, especialista em inteligência artificial e pesquisador visitante da Queen Mary University, em Londres, passou sete meses observando esse fenômeno — em especial, como esses robôs funcionavam no ambiente de uma casa de repouso japonesa. Ao todo, três tipos de robôs foram estudados. O primeiro, chamado **HUG**, foi desenvolvido pela Fuji Corporation, no Japão, e se parecia com um andador altamente sofisticado. Ele tinha apoios acolchoados que permitiam às pessoas se inclinar com segurança, ajudando cuidadores a transferi-las da cama para uma cadeira de rodas ou para o banheiro, por exemplo. O segundo robô, por sua vez, parecia uma pequena foca e se chamava Paro. Criado para estimular pacientes com demência, ele foi programado para responder a carinhos com movimentos e sons. O terceiro era um pequeno robô humanoide de aparência simpática chamado Pepper. Ele podia dar instruções e demonstrar exercícios movendo os braços — e chegou a conduzir aulas de ginástica na casa de repouso. Antes mesmo de começar suas observações, o professor Wright já havia se deixado levar um pouco pelo entusiasmo em torno dessas tecnologias. “Eu esperava que os robôs fossem facilmente adotados pelos cuidadores, que estão sobrecarregados e extremamente atarefados”, contou. “O que encontrei foi quase o oposto.” Ele descobriu que, na verdade, o que mais consumia o tempo da equipe das casas de repouso era limpar e recarregar os robôs — e, principalmente, resolver falhas quando algo dava errado. “Depois de algumas semanas, os cuidadores concluíram que os robôs davam mais trabalho do que ajuda e começaram a usá-los cada vez menos, porque simplesmente não tinham tempo para isso”, contou. “O HUG precisava ser movido o tempo todo para não atrapalhar os moradores. O Paro causou angústia em uma residente que acabou se apegando demais a ele. E os exercícios do Pepper eram difíceis de acompanhar — ele era baixo demais para ser visto por todos e sua voz aguda dificultava a compreensão.” As equipes responsáveis pelos robôs tiveram suas próprias respostas à pesquisa do professor Wright. Os desenvolvedores do HUG afirmam que, desde então, aprimoraram o design para torná-lo mais compacto e fácil de usar. Takanori Shibata, criador do Paro, disse que o robô vem sendo utilizado há 20 anos e apontou estudos que comprovariam “evidências clínicas de seus efeitos terapêuticos”. O Pepper agora pertence a outra empresa, e seu software foi significativamente atualizado. Ainda assim, o estudo não foi desprovido de valor. Walker, da Shadow Robot, é enfático ao afirmar que o uso de robôs em cuidados não deve ser descartado. Ele argumenta, entre outras coisas, que a próxima geração desses robôs será muito mais capaz. Dos laboratórios para o mundo real Praminda Caleb-Solly, professora da Universidade de Nottingham, está determinada a fazer com que esses robôs funcionem bem na prática. “Estamos tentando tirar esses robôs dos laboratórios e levá-los para o mundo real”, diz ela. Para isso, criou a rede ‘Emergence’, que conecta fabricantes de robôs a empresas e indivíduos que os utilizarão — e também para descobrir diretamente com os idosos o que eles esperam dessas máquinas. As respostas variam. Algumas pessoas disseram que querem robôs com interação por voz e, compreensivelmente, aparência não ameaçadora. Outras preferem um “design fofo”. Mas muitos pedidos se resumem à forma prática como o robô deve se adaptar às necessidades em mudança — e ao fato de que ele deve se carregar e se limpar sozinho. “Não queremos cuidar do robô — queremos que o robô cuide de nós”, disse uma pessoa entrevistada. Algumas empresas no Reino Unido também estão testando robôs. O provedor de cuidados domiciliares Caremark vem experimentando o Genie, um pequeno robô ativado por voz, com algumas pessoas que utilizam seus serviços em Cheltenham. Um homem com início precoce de demência explicou que gostava de pedir ao Genie
Como funciona a nova ferramenta do WhatsApp para resumir conversas com IA

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 14/10/2025 O WhatsApp liberou no Brasil na segunda-feira (13/10) uma nova ferramenta de inteligência artificial que promete poupar tempo e facilitar a leitura de conversas longas. O recurso, chamado de “resumo de mensagens”, é capaz de sintetizar automaticamente o conteúdo de grupos ou chats individuais, destacando apenas os pontos mais relevantes. A novidade chega primeiro aos usuários brasileiros, em português, antes de ser implementada em outros países e idiomas. Até o momento, nenhum outro país recebeu a função de forma pública e estável. Antes disso, havia apenas testes internos e versões experimentais limitadas em inglês, mas sem liberação ampla. A Meta confirmou que a ferramenta chegará “em breve” a outros idiomas e regiões, e a liberação, segundo a empresa, será gradual ao longo dos próximos dias. Mensagens seguem criptografadas, segundo a Meta A função utiliza uma tecnologia chamada processamento privado, que permite à Meta AI — o sistema de inteligência artificial da empresa — gerar os resumos sem que o WhatsApp ou a própria Meta tenham acesso às mensagens. A empresa garante que o conteúdo das conversas continua protegido pela criptografia de ponta a ponta, o mesmo sistema que impede qualquer outra pessoa, fora dos participantes, de ler o que foi trocado. O resumo produzido também permanece criptografado e visível apenas para o usuário que o solicitou. Segundo a Meta, nenhuma mensagem é armazenada durante o processo, e a tecnologia foi construída de maneira aberta e verificada por especialistas independentes. Além disso, o recurso é discreto: ninguém mais na conversa verá que o resumo foi gerado, preservando totalmente a privacidade do usuário. A proposta é ajudar quem se depara com dezenas ou centenas de mensagens acumuladas a se atualizar de forma rápida, sem precisar percorrer cada linha da conversa. Como ativar Por padrão, o uso da inteligência artificial vem desativado. Para ativá-lo, o usuário deve acessar as configurações de bate-papo e habilitar o processamento privado. Também é possível limitar o uso da IA nas próprias conversas, ativando a opção “privacidade avançada de conversas” em cada chat, o que impede que a ferramenta seja aplicada àquelas mensagens específicas. A Meta afirma que os recursos de inteligência artificial no WhatsApp seguirão três princípios: livre escolha, para garantir que o uso da IA seja sempre opcional; transparência, com informações claras sobre quando a tecnologia está em ação; e controle do usuário, permitindo ajustes adicionais de segurança em conversas consideradas mais sensíveis. A empresa pretende expandir gradualmente as funções baseadas em IA no aplicativo, mantendo o foco em privacidade e controle individual.
O que esperar da inteligência artificial em 2025

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 04/01/2025 A inteligência artificial está marcando um momento definidor na história da tecnologia — e o ano de 2025 trará ainda mais surpresas. Não é fácil fazer uma previsão do que esperar, mas é possível destacar tendências e desafios que definem o futuro imediato da IA para o próximo ano. Entre eles, o desafio dos chamados “médico centauro” ou “professor centauro”, fundamental para quem está desenvolvendo inteligência artificial. A explosão da ciência baseada em IA A IA virou uma ferramenta fundamental para se enfrentar grandes desafios científicos. Áreas como saúde, astronomia e exploração espacial, neurociência ou mudanças climáticas, entre outras, vão se beneficiar ainda mais no futuro. O programa AlphaFold — desenvolvido pelo grupo Alphabet, do Google, e que ganhou o Prêmio Nobel em 2024 — determinou a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas, praticamente todas as conhecidas. Seu desenvolvimento representa um avanço significativo na Biologia Molecular e na Medicina. Isso facilita a concepção de novos medicamentos e tratamentos. Em 2025, isso começará a acontecer — e com acesso gratuito ao AlphaFold para quem for desenvolver remédios e tratamentos. Já a rede ClimateNet utiliza redes neurais artificiais para realizar análises espaciais e temporais precisas de grandes volumes de dados climáticos, essenciais para compreender e mitigar o aquecimento global. A utilização do ClimateNet será essencial em 2025 para prever eventos climáticos extremos com maior precisão. Diagnósticos médicos e decisões jurídicas: o papel da IA A justiça e a Medicina são considerados campos de alto risco. Neles é mais urgente do que em qualquer outra área estabelecer sistemas para que os humanos tenham sempre a decisão final. Os especialistas em IA trabalham para garantir a confiança dos usuários, para que o sistema seja transparente, que proteja as pessoas e que os humanos estejam no centro das decisões. Aqui entra em jogo o desafio do “doutor centauro”. Centauros são modelos híbridos de algoritmo que combinam análise formal de máquina e intuição humana. Um “médico centauro + um sistema de IA” melhora as decisões que os humanos tomam por conta própria e que os sistemas de IA tomam por conta própria. O médico sempre será quem aperta o botão final; e o juiz quem determina se uma sentença é justa. A IA que tomará decisões no nosso lugar Agentes autônomos de IA baseados em modelos de linguagem são a meta para 2025 de grandes empresas de tecnologia como OpenAI (ChatGPT), Meta (LLaMA), Google (Gemini) ou Anthropic (Claude). Até agora, estes sistemas de IA fazem recomendações. Em 2025, no entanto, espera-se que eles tomem decisões por nós. Os agentes de IA realizarão ações personalizadas e precisas em tarefas que não sejam de alto risco, sempre ajustadas às necessidades e preferências do usuário. Por exemplo: comprar uma passagem de ônibus, atualizar a agenda, recomendar uma compra específica e executá-la. Eles também poderão responder nosso e-mail — tarefa que nos toma muito tempo diariamente. Nessa linha, a OpenAI lançou o AgentGPT, e o Google lançou o Gemini 2.0. Essas plataformas podem ser usadas para o desenvolvimento de agentes autônomos de IA. Por sua vez, a Anthropic propõe duas versões atualizadas de seu modelo de linguagem Claude: Haiku e Sonnet. O uso do nosso computador pela IA O programa Sonnet consegue usar um computador do mesmo jeito que uma pessoa. Isso significa que ele consegue mover o cursor, clicar em botões, digitar texto e navegar por telas. Ele também permite funcionalidade para automatizar a área de trabalho. Ele permite que os usuários concedam a Claude acesso e controle sobre certos aspectos de seus computadores pessoais. Esta capacidade apelidada de “uso do computador” poderá revolucionar a forma como automatizamos e gerimos as nossas tarefas diárias. No comércio eletrônico, agentes autônomos de IA poderão fazer uma compra no lugar do usuário. Eles prestarão assessoria na tomada de decisões de negócios, gerenciarão estoques automaticamente, trabalharão com fornecedores de todos os tipos, inclusive logísticos, para otimizar o processo de reabastecimento, atualizarão o status de envio até a geração de faturas, etc. No setor educacional, eles poderão customizar os planos de estudos dos alunos. Eles identificarão áreas para melhoria e sugerirão recursos de aprendizagem apropriados. Caminharemos em direção ao conceito de “professor centauro”, auxiliado por agentes de IA na educação. O botão ‘aprovar’ A noção de agentes autônomos levanta questões profundas sobre o conceito de “autonomia humana e controle humano”. O que significa realmente “autonomia”? Esses agentes de IA criarão a necessidade de pré-aprovação. Quais decisões permitiremos que estas entidades tomem sem a nossa aprovação direta (sem controle humano)? Enfrentamos um dilema crucial: saber quando é melhor ser “automático” na utilização de agentes autônomos de IA e quando é necessário tomar a decisão, ou seja, recorrer ao “controle humano” ou à “interação humano-IA”. O conceito de pré-aprovação vai ganhar grande relevância na utilização de agentes autônomos de IA. O pequeno ChatGPT no celular 2025 será o ano da expansão dos modelos de linguagem pequena e aberta (SLM). São modelos de linguagem que futuramente poderão ser instalados num dispositivo móvel, permitindo controlar o nosso telefone por voz de uma forma muito mais pessoal e inteligente do que com assistentes como a Siri. SLMs são compactos e mais eficientes, não requerem servidores massivos para serem usados. Estas são soluções de código aberto que podem ser treinadas para cenários específicos. Eles podem respeitar mais a privacidade do usuário e são perfeitos para uso em computadores e celulares de baixo custo. Eles têm potencial para adoção no nível empresarial. Isto será viável porque os SLMs terão um custo menor, mais transparência e, potencialmente, maior transparência e controle. Os SLMs permitirão integrar aplicações de recomendações médicas, de educação, de tradução automática, de resumo de textos ou de correção ortográfica e gramatical instantânea. Tudo isso em pequenos dispositivos sem a necessidade de conexão com a internet. Entre as suas importantes vantagens sociais, eles podem facilitar a utilização de modelos linguísticos na educação em áreas desfavorecidas. E podem melhorar o acesso a diagnósticos e recomendações com modelos de SLM de saúde especializados em áreas com recursos limitados. O
Reconhecimento facial, impressão digital, senha, PIN ou desenho: qual método de bloqueio deixa o celular mais seguro?

Fonte: G1 | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ G1 Data: 16/12/2024 Especialistas avaliam a segurança das principais formas de bloqueio e explicam como usá-las corretamente; confira. Senhas longas e complexas e autenticação facial com sensor 3D são os métodos individualmente mais seguros para bloquear o celular, de acordo com especialistas consultados pelo g1. Confira abaixo como funcionam as principais formas de bloqueio de celular e qual a sua avaliação de ⭐ a ⭐⭐⭐, com base em informações obtidas junto a esses profissionais. Vale destacar que, apesar de terem métodos de bloqueio mais seguros que outros, a melhor estratégia é combinar mais de um método (veja ao final da reportagem). ⭐⭐⭐Senha alfanumérica complexa e longa É uma mistura de letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos definida manualmente para desbloquear o celular. Se implementada da maneira correta, é considerada um dos métodos mais seguros de bloqueio. Para isso, a senha deve ser: ⭐⭐⭐Reconhecimento facial com sensor 3D Funciona a partir da captura e do armazenamento de um mapa único do rosto do usuário. O grau de segurança vai depender do tipo de sensor de captura de imagem usado pelo aparelho. ➡️Sensor 3D: é considerado muito seguro, porque capta não só a imagem, mas a profundidade do rosto. Isso faz com que ele consiga diferenciar uma pessoa de uma foto. ➡️Sensor 2D: só capta a imagem, por isso, é vulnerável a fraudes que usam fotos e vídeos. Como saber qual se o sensor da câmera do celular é 2D ou 3D? ➡️Consulte o site oficial do fabricante ou o manual do aparelho e procure por termos como “face ID” ou “sensor de profundidade”. “Esses são indícios de que a tecnologia 3D está presente”, explica Hiago Kin, presidente da Associação Brasileira De Segurança Cibernética (Abraseci). “Muitos modelos premium, como iPhones a partir do X e alguns Android de ponta (ex.: Samsung Galaxy S22) oferecem essa funcionalidade”. ➡️Teste o reconhecimento facial com a luz apagada; se funcionar, provavelmente, tem sensor 3D. “A tecnologia 3D geralmente utiliza sensores infravermelhos, por isso, se ele funcionar mesmo sem luz, deve ser 3D”, justifica Kin. ⭐⭐Impressão digital O celular usa um sensor para ler a digital e transformá-la em um código, assim, quando o usuário tentar desbloquear o aparelho, ele vê se a digital confere com o código armazenado. É uma estratégia segura, mas pode ser fraudada a partir de cópias de digitais, que ficam em superfícies, como copos e maçanetas, por exemplo. ⭐PIN Costuma ser uma sequência de 4 ou 6 números definida pelo usuário e armazenada no aparelho. É pouco segura, porque pode ser facialmente observada e copiada por fraudadores. ⭐Desenho Nesse método, o usuário liga pontos na tela e constrói um desenho, que deve ser repetido para desbloquear o aparelho. “É considerado pouco seguro, especialmente porque as pessoas costumam usar os mesmos padrões de desenho, como em formato de ‘L’ ou ‘zigue-zague’, que podem ser adivinhados ou copiados com facilidade”, segundo o presidente da Abraseci. ✅Combinar mais de um método de bloqueio É a melhor forma de deixar o seu celular seguro, segundo Márcio Teixeira, membro do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE) e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). “Você pode configurar uma senha alfanumérica [com letras e números] complexa como bloqueio padrão do seu celular e deixar a autenticação facial como método adicional para caso você esqueça a senha, por exemplo”, descreve. Segundo ele, também é importante usar métodos de bloqueio diferentes para o celular e os aplicativos de bancos. “Assim, fica ainda mais difícil acessar esses dados”, diz.
Apesar de menos poluente, bioplástico deve ser reciclado, diz estudo

Fonte: CNN Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/CNN Brasil Data: 25/11/2024 Pesquisa analisou impacto da produção de plástico a partir da cana-de-açúcar para suprir aumento da demanda global O Brasil tem potencial para substituir plásticos feitos a partir de derivados de combustíveis fósseis sem impactos relevantes no aumento de área cultivada, na perda de biodiversidade e sobre as reservas de água, desde que seja feita gestão cuidadosa da reciclagem. É o que mostra estudo pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), publicado na revista científica Nature. A pesquisa avaliou cenários possíveis até 2050, cruzando dados de áreas agricultáveis que podem receber a cana como cultura alternativa a usos atuais e que não têm condições de ser exploradas continuamente, pelo desgaste a que levam o solo, como o pasto para gado. O modelo de substituição apresentaria impactos positivos em estoques de carbono, recursos hídricos e biodiversidade quando priorizada a utilização de áreas de pastagem degradadas, e utilizaria a cana-de-açúcar e a estrutura já estabelecida de usinas como ponto de partida. O artigo que resume a pesquisa diz que o melhor cenário possível considera utilizar 3,55 milhões de hectares sem impacto ambiental, para uma demanda global que pode chegar aos 22 milhões de hectares. As principais áreas candidatas estão nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, região marcada por aumento das queimadas durante este ano, conforme levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Os pesquisadores consideraram a previsão de aumento de consumo de petróleo na produção de plásticos dos atuais 5% e 7% da produção total, com peso no patamar de 2% das emissões globais de GHG (gases de efeito estufa), para consumo de 20% do recurso e participação de 15% nas emissões de carbono global. Nessa situação há margem considerável para a ampliação da produção de polietileno de base biológica (bioPE). Esse componente existe hoje como insumo de laboratório a partir de algumas culturas, como a mandioca, a batata-doce e a fibra de coco, sendo a produção a partir da cana uma candidata forte, com pelo menos uma dúzia de universidades e empresas apresentando soluções. Há potencial para ser insumo chave em uma economia de baixo carbono, segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Thayse Hernandes, doutora em planejamento de Sistemas Energéticos pela Universidade de Campinas e pesquisadora líder da área de Biodiversidade e Ecossistemas no CNPEM. Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora detalhou algumas ressalvas necessárias nesse cenário. A principal diz respeito à necessidade de engajar governos locais no ciclo de reciclagem. O estudo usou o conceito de pegada de carbono para avaliar o potencial de redução de emissões, considerando o ciclo todo. As tecnologias de produção estão avançadas, segundo Hernandes, que ressalvou, porém, “o descarte desse plástico e o seu retorno a essa cadeia com o material reciclado. Por mais que seja de origem biológica, a principal vantagem dele vai ser estocar carbono e tirar carbono da atmosfera, mas o problema do plástico, lá no final do descarte, é que ele continua sendo o mesmo do plástico fóssil”, explicou. Ela lembrou que o bioPE, embora substitua o uso de petróleo com vantagens, não é biodegradável. “O grande gargalo é a coleta. É aquela tecnologia social mesmo, de organizar e evitar esse descarte irregular e irresponsável desse plástico, porque aí não tem jeito, ele vai chegar ao oceano e a gente não tem o que fazer com ele. Isso é uma questão de governança, por exemplo, das prefeituras, dos estados, do próprio governo federal. Por mais que se tenha um processo de reciclagem avançado, que o uso da terra esteja resolvido, vamos precisar desse esforço de coleta, ou a gente não conseguiria produzir de forma sustentável, teria que ter esses impactos negativos relacionados à produção”, explica a pesquisadora. Nos cenários em que essa questão da coleta não ganha eficiência, também considerados no estudo, a produção de bioPE disputa território com outras culturas, perde eficiência e pode levar a tensões em comunidades locais ou sobre áreas de proteção ambiental, além de impactos ainda mais severos ao clima.
Garantia de celular: qual é o prazo, o que cobre e como ela pode ser acionada

Fonte: G1| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/G1 Data: 11/11/2024 Código de Defesa do Consumidor prevê garantia legal de 90 dias em caso de defeitos em produtos como smartphones, mas fabricantes podem ampliar esse prazo por conta própria. Falhas na fabricação de produtos como celulares e outros eletrônicos permitem acionar a garantia, em que o cliente não precisa pagar para resolver o problema. Mas qual é o prazo dessa garantia? O que ela cobre? E o que pode ser feito nesse tipo de situação? As regras aparecem no Código de Defesa do Consumidor, que prevê uma garantia legal em casos de defeitos. Para celulares (e outros produtos e serviços duráveis), a garantia legal é de 90 dias – para itens não duráveis, o prazo é de 30 dias. 📌 O que a garantia legal cobre? É possível usar a garantia de 90 dias se o produto estiver deteriorado, adulterado ou falsificado, bem como se for nocivo à saúde ou se estiver em desacordo com normas de fabricação, distribuição ou apresentação. São os chamados vícios no aparelho. 👉 No caso de “vícios aparentes ou de fácil constatação”, a garantia começa a contar na entrega do produto ou no término da execução do serviço. Para vícios ocultos, ela só passa a valer quando o problema é identificado. “O vício oculto é exatamente quando não se percebe, quando não consegue constatar, verificar [logo após a compra]. Ele é silencioso até um determinado momento”, explica o diretor de assuntos jurídicos do Procon-SP, Robson Campos. Se você identificar um defeito de fabricação no celular, acione os fornecedores (loja ou fabricante), que, inicialmente, devem tentar sanar o problema no prazo de 30 dias. Se isso não for possível, você tem o direito de decidir: E o prazo de garantia de 1 ano? Além da garantia legal de 90 dias, algumas fabricantes ampliam esse prazo por conta própria. É a chamada garantia contratual, que, para celulares, costuma ser de um ano. Esta garantia costuma seguir os moldes do que está previsto no Código de Defesa do Consumidor, mas é importante verificar documentos que a fabricante envia junto ao aparelho para entender o que ela abrange. Em geral, as empresas usam esses termos para informar o que a garantia contratual cobre e não cobre, além de orientações sobre o que fazer para acioná-la. “A partir do momento em que o fornecedor disponibiliza uma garantia contratual, essa que vem no manual junto do produto, tem que haver informações claras, detalhadas”, diz Campos, do Procon-SP. Como funciona a garantia estendida? Antes da comprar ser finalizada, algumas lojas oferecem uma garantia estendida, que aumenta o período da assistência e as situações em que ela pode ser acionada. Esse tipo de serviço é oferecido em um contrato separado. “A garantia estendida não substitui a garantia legal e a garantia contratual. É um produto específico, em que há uma remuneração específica para o aparelho ter um reparo, uma rede de assistência”, diz Campos. Posso me arrepender da compra? 👍 A lei prevê o direito de arrependimento, em que é possível devolver o produto e ter o dinheiro de volta até sete dias após a compra, mas isso só vale quando ela acontece fora do estabelecimento, como em compras feitas por internet ou pelo telefone.
Lixo nos oceanos pode ser visto do espaço com satélites

Fonte: CNN Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/CNN Brasil Data: 05/11/2024 Nova ferramenta permite detectar plásticos no oceano a mais de 600 km de altura O lixo plástico espalhado nos oceanos pode ser visto do espaço depois que pesquisadores do Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT), na Austrália, desenvolveram uma nova ferramenta de imagens de satélite. A tecnologia consegue detectar diferenças em como a areia, a água e os plásticos refletem a luz, tornando possível avistar o plástico a mais de 600 km de altura. Ela já está sendo usada para localizar as enormes quantidades de plástico flutuando no oceano – desde pequenos depósitos até gigantescas ilhas de lixo, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, que tem três vezes o tamanho da França. O Índice de Resíduos Plásticos Encalhados, nome dado à fórmula matemática usada na ferramenta, permite detectar os locais que concentram plásticos nos oceanos, tornando mais fácil a elaboração de estratégias de remoção. No entanto, a tecnologia não funciona tão bem para detectar lixo na areia das praias, já que ele pode ficar escondido debaixo da terra. Atualmente, mais de 10 milhões de toneladas de lixo plástico vão parar nos oceanos todos os anos, podendo impactar severamente a vida selvagem e seus habitats. Se os plásticos não são removidos, eles se fragmentam ainda mais em micro e nanoplásticos, tornando sua retirada quase impossível. “Isso é incrivelmente emocionante, pois até agora não tínhamos uma ferramenta para detectar plásticos em ambientes costeiros do espaço”, disse Dra. Mariela Soto-Berelov, coautora do estudo. “A detecção é uma etapa fundamental necessária para entender onde os resíduos plásticos estão se acumulando e planejar operações de limpeza.”

