Qual a quantidade recomendada de açúcar e sal na nossa alimentação?

Fonte: CBN | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet| Data: 11/04/2024 O consumo moderado está entre as recomendações da OMS. Entre as recomendações feitas pela Organização Mundial da Saúde estão: manter boa hidratação, consumo de fibras, não exagero no consumo de gordura e consumo moderado de sal e açúcar. Mas, qual seria o consumo ideal desses dois? De acordo com Márcio Atalla, o fundamental é sempre se atentar para a moderação. Nesse sentido, o sal não deve passar mais que 5 gramas por dia. Já o açúcar precisa representar, no máximo, 5% da alimentação diária, o que daria, em média, 100 calorias.

Saiba como evitar perda de equipamentos com picos de energia

Fonte: CBN | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/10/2024 Dispositivos que custam a partir de R$ 40 podem ajudar a evitar o transtorno. Dispositivos que custam a partir de R$ 40 podem ajudar a evitar a perda de eletrodomésticos na época de chuva, em que picos de energia são mais comuns. Afinal, quem não pensa no computador, na geladeira ou no micro-ondas quando começa a chuva forte acompanhada de raios? Isso se você já não teve um equipamento em casa que queimou por surto de energia. Em São Paulo, por exemplo, após o apagão, muita gente enfrentou esse problema. O Engenheiro Eletricista e Engenheiro de Segurança do Trabalho do Senai-DF, Shinnayder Veloso, explica que os DPSs – Dispositivos de Proteção Contra Surtos – podem ser encontrados em lojas de materiais de construção, de equipamentos elétricos ou lojas virtuais. Há três tipos. O mais comum é como se fosse um adaptador de tomada – e é o mais barato. “O dispositivo Classe 1 é colocado no padrão de entrada da residência. Ele é um equipamento mais parrudo, digamos assim, e aguentaria surtos de maior intensidade. O Classe 2 é colocado no quadro de distribuição, no quadro elétrico da casa. E tem também o DPS Classe 3, que é colocado pontualmente no dispositivo que você quer proteger. Ele é como se fosse um adaptador, que é colocado no plugue da tomada. Tem dentro dele um dos componentes, o varistor, que faz a função de desviar e proteger o surto”, explica. DPSs ajudam a evitar perda de equipamentos com picos de energia — Foto: Reprodução Os dispositivos de proteção podem chegar a R$ 300 reais. Enquanto um deles é de fácil manuseio, os outros dois demandam um profissional para instalação, já que é preciso fazer uma ligação mais trabalhosa com a rede elétrica. Quanto a esse de uso individual, o especialista chama atenção que quem não pode colocar na casa inteira, pode priorizar os equipamentos mais caros – como televisão, geladeira, e máquina de lavar. Ele também ressalta que hoje já existem réguas de energia que já vem como o DPS embutido. DPSs ajudam a evitar perda de equipamentos com picos de energia — Foto: Reprodução Outra dica para quem quer e pode gastar um pouco mais é o aterramento da rede elétrica, que ajuda a dissipar as cargas. Outra opção é a velha prática – e a mais barata – de tirar os equipamentos da tomada quando começar os temporais.

Vacina contra dengue pode ser produzida em larga escala no Brasil em um ano

Fonte: CBN | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 17/10/2024 Assim como fez com a astrazeneca, vacina contra covid, Fiocruz pediu ao Ministério da Saúde para produzir vacina contra a dengue no Brasil, por transferência de tecnologia em parceria com o laboratório japonês Takeda. Especialistas avaliam que em um ano é possível produzir a vacina contra a dengue em larga escala, havendo autorização do Ministério da Saúde para que a Fiocruz realize a produção. A Fundação Oswaldo Cruz formalizou o pedido ao governo nos últimos dias, para fazer um acordo de transferência de tecnologia com o laboratório japonês Takeda, e passar a produzir a vacina qdenga. Durante o pico de casos da doença, a ministra Nísia Trindade, mencionou algumas vezes em entrevistas, ainda em março, que acordo de parceria estava sendo fechado, e que levantamento da capacidade de produção nacional já estava sendo feito pela fundação. Fontes do setor avaliam que dependendo do tipo de modalidade do contrato, a produção aqui no país pode começar rapidamente, e a vacina estar disponível no Programa Nacional de Imunizações em um ano. Essa mesma parceria foi feita pela Fiocruz para produção da vacina Astrazeneca, contra a covid-19. O tipo de acordo com a Takeda, para produção da Qdenga, ainda não foi divulgado. Mas há acordos em que há transferência de IFA – que são os componentes da vacina – e a Fiocruz finalizaria o processo no país – ampliando a produção. Esse é o mais rápido. E há outro tipo em que a fundação receberia a tecnologia e formulação, mas teria que comprar e importar os componentes – o que pode demorar mais, devido a necessidade de certificação dos fornecedores. Hoje, todas as vacinas do Brasil são da japonesa Takeda, que para conseguir atender a demanda da rede pública até restringiu a venda à laboratórios privados. A notícia do pedido de produção agora é vista com bons olhos pelo setor privado. O consultor do mercado privado, Marcos Tendler, diz que a produção pode resultar em a volta da qdenga a laboratórios particulares. “É interessante para o Brasil, e tem também uma correlação entre o mercado público e o privado, porque a partir do momento que a Fiocruz recebe a tecnologia e se tornar autossuficiente na produção da vacina, o fabricante poderia manter todo o fornecimento para o mercado privado. E aí você teria os dois ambientes que são completamente complementares, o público e o privado, ofertando simultaneamente a vacina para a população, que foi uma questão muito debatida no último verão, de 23 para 24, porque quando o Ministério adquiriu as doses, isso levou um desabastecimento no mercado privado”, explica. Em nota, a fiocruz informou que mais informações sobre a produção, poderão ser detalhadas após a avaliação da proposta encaminhada.

Tempo seco e queimadas agravam alergias respiratórias

Fonte: CBN | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet| Data: 08/09/2024 Dr. Celso Taques Saldanha fala sobre os riscos e o que fazer para minimizar os impactos O clima seco e as queimadas são uma combinação perigosa que intensifica problemas respiratórios, como asma e rinite, alerta o Dr. Celso Taques Saldanha, membro da Comissão de Biodiversidade, Poluição e Clima da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Em entrevista ao Show da Notícia, o médico destacou os impactos das baixas umidades e da poluição atmosférica gerada pelas queimadas no Brasil, que contribuem para uma série de doenças respiratórias. Saldanha explicou que a umidade do ar, idealmente em torno de 60%, tem caído para níveis críticos em várias regiões, favorecendo desde sintomas leves, como irritação nasal e faringite, até quadros graves como bronquite e pneumonia. Além disso, o ar poluído pelas queimadas libera partículas que penetram no sistema respiratório e afetam até o sistema cardiovascular, aumentando o risco de tromboses e problemas cardíacos. O que fazer para minimizar os impactos? Entre as recomendações do especialista para minimizar os impactos, estão a hidratação constante, o uso de umidificadores de ar e sprays nasais, além de cuidados específicos com crianças e idosos, que são mais vulneráveis. Ele também destacou a importância de evitar ambientes secos e quentes, além de manter as vias nasais hidratadas com soro fisiológico ou géis específicos. Apesar de ser comum associar as alergias respiratórias ao pólen ou ácaros, Saldanha lembrou que os poluentes também são grandes vilões nesta época do ano, exacerbando rinites, asmas e outras doenças respiratórias crônicas. Para quem já sofre com esses problemas, o médico recomenda acompanhamento contínuo e a consulta a especialistas para ajustar o tratamento conforme necessário. Ele também chamou a atenção para a importância da manutenção e limpeza dos filtros de ar-condicionado, especialmente em ambientes fechados, como ônibus, para evitar a circulação de poluentes e outros agentes irritantes.

Purificador ou umidificador? Saiba diferença e como melhorar ar em casa

Fonte: CBN | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet| Data: 14/09/2024 Entenda o que é possível fazer para aliviar efeitos da seca e das queimadas no ar dentro de casa. Com a seca rigorosa e os reflexos das queimadas, muita gente tem recorrido aos umidificadores de ar para tentar aliviar os efeitos nocivos à saúde — a procura por esses equipamentos cresceu até 485% no comércio online. Além do umidificador, ainda existem o purificador e o climatizador no grupo de equipamentos para controle do ar dentro de casa. Saiba qual é a diferença entre eles e qual é o mais indicado para o momento de crise climática vivido no Brasil. Para que serve o umidificador? O equipamento pode aumentar a umidificação do ar entre 30% e 40%. Apesar de baixa, a porcentagem sinaliza um respiro, tendo em vista que algumas regiões registraram umidade relativa do ar abaixo de 20%, quando o recomendado pela OMS é que a umidade fique acima de 60%. Para que serve o purificador? Já o purificador funciona filtrando o ar, evitando a proliferação dos ácaros e bactérias. Em um momento em que a poluição está alta, ele pode ajudar a manter o ar mais limpo. Para que serve o climatizador? No grupo de equipamentos para controle do ar, existe ainda o climatizador, que ameniza a temperatura do ambiente, melhora a umidade (mas esse não é o foco) e faz o ar circular, com menos potência que um ventilador. Umidificador ou purificador: qual a melhor opção? Apesar de o umidificador funcionar aliviando a secura do ar, que está alta, se for preciso escolher entre um deles, especialistas recomendam os purificadores de ar. Isso porque, ainda que os aparelhos não adicionem umidade ao ambiente, ajudam a filtrar a poluição, que está alta por conta das queimadas no país. O pneumologista Paulo Correa explica que, diferente do umidificador, o purificador possui filtros que ajudam a deixar o ar mais limpo e fresco. Ele defende, no entanto, a necessidade de ações que minimizem os impactos dos efeitos climáticos, já que o equipamento apenas ajuda no momento, mas não pode ser usado como solução para o problema que está no ar. Dos mais simples aos mais complexos, os purificadores podem custar de 100 e 4.000 reais. Solução caseira da toalha com água ajuda? Uma opção econômica pode ser molhar uma toalha com água gelada e estendê-la na cabeceira da cama ou em uma cadeira no ambiente. Espalhar bacias com água pela casa também ajuda. Assim, a água vai evaporar com o efeito do calor, elevando a umidade do ar.

Anvisa autoriza início de testes de vacina inédita para hanseníase no Brasil

Fonte: CBN | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 14/10/2024 Imunizante será testado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A LepVax será a primeira vacina para a doença avaliada no país durante testes clínicos. Brasil é o segundo país com maior número de casos no mundo, atrás apenas da Índia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (14), o início de testes no Brasil da vacina inédita para hanseníase. O imunizante LepVax será testado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A vacina será a primeira para a doença avaliada no país durante testes clínicos. Podem participar pessoas entre 18 e 55 anos que nunca tiveram a doença. Com duração de cerca de 14 meses, o objetivo do estudo é confirmar a segurança da vacina. Chefe substituta do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e líder científica do ensaio clínico da LepVax, Verônica Schmitz, considera histórica o estudo no Brasil. Hanseníase O Brasil é o segundo país com maior número de casos da doença no mundo, atrás apenas da Índia. De 2014 a 2023, foram quase 245 mil novas infecções, segundo o Ministério da Saúde. Apenas em 2023, foram 22.773 novos casos. A hanseníase é uma doença negligenciada, que pode provocar lesões graves na pele e nos nervos. Com tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a doença tem cura. O projeto é financiado pela entidade filantrópica American Leprosy Missions (ALM), dos Estados Unidos, que lidera o desenvolvimento da vacina desde 2002. O estudo no Brasil também tem financiamento do Ministério da Saúde e do fundo japonês ‘Global Health Innovative Technology Fund’ (GHIT Fund). A Fundação de Saúde Sasakawa, do Japão, é parceira da pesquisa.

Quando o calor se torna perigoso à saúde e como se proteger

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 26/09/2024 Em meio à sétima onda de calor que o Brasil vive neste ano, o que acontece com o nosso corpo quando exposto a temperaturas extremas? Por que corremos mais riscos? E quais cuidados devemos tomar? Com temperaturas entre 5 e 10 graus acima da média, o cenário fez com que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitisse um alerta vermelho. Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, mesmo que algumas regiões do Brasil frequentemente experimentem altas temperaturas durante o mês de novembro, e os brasileiros estejam geralmente mais adaptados ao calor em comparação com populações de outros países, a situação é particularmente perigosa devido à sua intensidade. O que acontece Quando o ar fica mais quente que a temperatura da pele, que normalmente é de 36°C a 37°C, ou se o suor não evapora, começamos a ganhar calor, e a temperatura central do nosso corpo sobe gradativamente. No entanto, se esse aumento não for controlado e a temperatura corporal continuar subindo, respiração, pele, rins e coração podem ser afetados. As consequências podem variar desde um simples mal-estar ou dor de cabeça até a morte, nos casos mais graves (veja recomendações sobre como se proteger ao fim desta reportagem). Um estudo recente mostrou que países tropicais como o Brasil enfrentarão provavelmente condições “perigosamente” quentes quase diariamente até ao final do século. “Perigoso”, neste caso, refere-se à probabilidade de exaustão pelo calor, a perda excessiva de sais (eletrólitos) e líquidos devido ao calor. A exaustão pelo calor não vai causar sua morte se você conseguir pará-la e desacelerá-la — ela é caracterizada por fadiga, náusea, batimentos cardíacos lentos e possivelmente desmaios. Mas você já não pode trabalhar nessas condições. O índice de calor indica quando é provável que uma pessoa atinja esse limite. O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS, na sigla em inglês) define como “perigoso” um índice de calor de 39,4°C e “extremamente perigoso” de 51,7°C. Se uma pessoa atingir temperaturas “extremamente perigosas”, pode sofrer insolação, uma condição muito séria. Nesse nível, você tem algumas horas para procurar atendimento médico para esfriar seu corpo ou suas chances de morte aumentam consideravelmente. “À medida que a temperatura externa aumenta, cresce a pressão sobre o nosso organismo para manter a temperatura interna, que gira em torno de 36,5°C. A frequência cardíaca aumenta como um mecanismo compensatório, assim como a pressão arterial”, diz Lucas Albanaz, clínico geral, coordenador da clínica médica do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, e mestre em Ciências Médicas. “Dependendo da gravidade do caso, pode ocorrer até a morte, seja pela desidratação extrema, por enfarto ou até mesmo por Acidente Vascular Cerebral (AVC ou derrame)”, acrescenta ele. ‘Termorregulação’ Nosso corpo passa por uma série de ajustes para regular a temperatura interna quando está “em estresse térmico”, ou seja, quando fica exposto a temperaturas extremas. Quando exposto ao calor, a primeira reação do organismo é a transpiração e a dilatação dos vasos sanguíneos periféricos. No entanto, em temperaturas muito altas, especialmente quando também está úmido, o mecanismo de resfriamento do suor se torna menos eficaz, levando ao superaquecimento corporal, insolação e possíveis danos aos órgãos. Isso porque a umidade do ar influencia na transpiração — quando o nível da umidade relativa do ar (umidade atmosférica) está alto em um dia quente, o suor na nossa pele não consegue evaporar de forma eficiente no ar, sendo, portanto, mais difícil regular a temperatura corpórea. Por essa razão, os efeitos do calor extremo no corpo tendem a ser diferentes dependendo da área onde você estiver. “A atual onda de calor é bem ampla, vai atingir cerca de 15 estados. Se pensarmos numa característica básica, a onda de calor será mais seca, com baixos índices de umidade do ar, especialmente em áreas interioranas, longe do litoral, onde valores mais baixos de umidade predominam mais (interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Gross, por exemplo), já em áreas litorâneas, como na costa do Paraná, de São Paulo e no Rio de Janeiro, a umidade fica em bons níveis (acima de 60%)”, diz à BBC News Brasil Carine Gama, meteorologista da Climatempo. Ela ressalva, contudo, que “mesmo nas áreas interioranas, parte ou outra tem previsão de chuva mais isolada, o que aumenta a umidade. Vale lembrar que a mesma oscila muito ao longo do dia”. Crianças e idosos Albanaz também lembrou que os riscos são maiores para determinados grupos, especialmente crianças e idosos. Os bebês e as crianças são particularmente vulneráveis, em parte porque perdem líquidos mais rapidamente do que os adultos e dependem de cuidadores para os ajudar a se resfriar. Já as pessoas mais velhas tendem a ter maior probabilidade de ter problemas de saúde como a diabetes, o que as colocam em maior risco, e os seus corpos respondem ao calor de forma diferente do que os das pessoas mais jovens. Os idosos produzem menos suor por glândula e os vasos sanguíneos mudam à medida que envelhecemos, o que torna mais difícil o bombeamento do sangue para a pele e o resfriamento corporal. Mas pessoas com problemas de saúde pré-existentes, aquelas que fazem uso de medicações que, por algum motivo, as tornem mais vulneráveis ao calor e trabalhadores que estão expostos ao sol (como vendedores ambulantes) também precisam tomar cuidado extra. Alguns antidepressivos e antipsicóticos podem afetar a produção de suor, enquanto medicamentos para tratamento de doenças cardíacas, como remédios contra a hipertensão, podem causar desidratação e afetar os rins. Até atletas de alto nível, como jogadores de futebol profissionais, podem sofrer com o calor extremo — por essa razão, especialistas recomendam evitar qualquer exercício físico entre 12h e 16h. Pesquisas também sugerem que o calor extremo também pode afetar a saúde mental. Um estudo de 2018 publicado na revista científica Nature Climate Change constatou que o aumento da temperatura está ligado a taxas de suicídio mais elevadas: para cada aumento de 1° C na temperatura média mensal nos EUA, as taxas de mortalidade por suicídio aumentaram 0,7%. Segundo os autores da pesquisa, as altas temperaturas podem

Por que rir nos torna humanos, segundo a filosofia

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/10/2024 A capacidade humana de rir tem sido objeto de muitos debates filosóficos. Um dos grandes temas da filosofia é o questionamento sobre nós mesmos. O que nos torna humanos? Uma longa tradição filosófica, que abrange toda a Antiguidade ocidental até o brilhante erudito Isidoro de Sevilha (cerca de 560-636), responde a esta pergunta com a teoria antropofilosófica do homo risu capax. Segundo ela, a característica própria e exclusiva do ser humano é a nossa capacidade de rir. O filósofo espanhol expõe a teoria na sua principal obra, Etimologias. Isidoro afirma que “o homem é um animal racional, mortal, terrestre e bípede” – e conclui: “Incorporamos, por fim, algo que lhe é exclusivo: sua capacidade de rir, já que o riso só é próprio do homem.” A teoria na Antiguidade A teoria do homo risu capax tem sua origem filosófica em Pitágoras de Samos (570 a.C.-490 a.C.). Segundo o filósofo grego Jâmblico (245-325), o riso, para Pitágoras, “frente aos demais seres vivos, é próprio do homem; alguns o definem como um ser propenso ao riso”. Isso porque a capacidade de rir é o que marca sua “distinção e diferenciação”. No mesmo sentido, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) afirma na sua obra Das Partes dos Animais que “o motivo por que apenas o ser humano sente cócegas não é apenas a finura da sua pele, mas também porque o homem é o único animal capaz de rir”. Já o teólogo Clemente de Alexandria (cerca de 150-215), em sua obra O Pedagogo (Ed. Ecclesiae, 2014), afirma que “não é porque o homem é um animal que ri que as pessoas devem rir de tudo”. Ele aceita o ser humano como risu capax. E o filósofo sírio Porfírio (cerca de 234-305) afirma em Isagoge (Ed. Attar, 2015) que “ser capaz de rir é um predicado único do homem”. Segundo ele, o que é característico “é aquilo em que se unem para formar uma única [espécie], para todos e sempre, bem como, para o homem, ser capaz de rir; pois, embora não ria sempre, afirma-se que ele tem esta capacidade (…) de forma inata.” Da mesma forma, Agostinho de Hipona (354-430), em Sobre o Livre-Arbítrio (Ed. Ecclesiae, 2019), defende que brincar e rir são “atos próprios do homem”, embora sejam duas das “suas mais ínfimas perfeições”. Censura filosófica A capacidade de rir também foi analisada na Antiguidade do ponto de vista ético. Entre seus detratores, destacam-se os próprios pitagóricos, como defende o historiador Diógenes Laércio (180-240) no livro Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres (Ed. Camelot, 2024). Ele afirma que uma das prescrições pitagóricas era “não se deixar dominar pelo riso”. Jâmblico, mencionado acima, também afirma que um dos mandamentos pitagóricos mais secretos dizia “não se entregue a um riso irresistível”. Para Pitágoras, o riso “representa todas as paixões”. Já Platão (428 a.C.-347 a.C.), em A República (Ed. Edipro, 2019), sentencia: “É inaceitável que homens de valor se apresentem dominados pelo riso.” E Aristóteles, em Problemas, defende que “o riso é uma espécie de transtorno e fraude”. A filosofia desenvolvida pelos padres da Igreja Católica também se posicionou contrária ao riso. Autores como Basílio de Cesareia (cerca de 330-379), Ambrósio de Milão (cerca de 340-397) e João Crisóstomo (cerca de 347-407), além de Leandro de Sevilha (cerca de 534-600) e Agostinho de Hipona, são alguns exemplos. Este último, no livro Contra os Acadêmicos (Ed. Vozes de Bolso, 2014), afirmou que “não há nada mais humilhante do que o riso”. Já Leandro, no seu tratado Da Instituição das Virgens e do Desprezo do Mundo, comenta o “degradante espetáculo do riso”. Em um ponto intermediário, encontramos o filósofo judeu Fílon de Alexandria (cerca de 15 a.C.-50 d.C.), que defende que “Deus, sem dúvida, é o criador do riso virtuoso” e que “a finalidade da sabedoria é a diversão e o riso, não o praticado de forma imprudente pelos néscios, mas o de quem tenha se tornado sábio, não somente pela sua idade, mas também pelas suas boas reflexões”. Em defesa da gargalhada No terceiro grupo, encontramos os filósofos que defendem o riso. Epicuro (341 a.C.-270 a.C.), no livro Sentenças Vaticanas (Ed. Loyola, 2014), afirma que “é preciso rir ao mesmo tempo em que é preciso filosofar”. Ou seja, o riso não deve apenas deixar de ser censurado, mas também é tão necessário quanto a racionalidade. É possível escrever filosofia de forma humorística, buscando o riso do leitor? Do ponto de vista epicurista, sim. Eu também procurei fazer isso no meu livro El Filósofo Hispalense: Biografía Hiperbólica de San Isidoro de Sevilla (“O filósofo sevilhense: biografia hiperbólica de Santo Isidoro de Sevilha”, em tradução livre). Já Cícero (106 a.C.-43 a.C.), em Do Orador, afirma que o riso propicia a boa disposição da plateia. Por um lado, ele provoca a admiração sobre a perspicácia do orador, fazendo ver que ele é uma pessoa culta, educada e experiente. E, por outro, as brincadeiras e o riso desfazem situações desagradáveis ou de difícil resolução com argumentos. Mas, se existe um defensor do riso na filosofia antiga, este é Sêneca (cerca de 4 a.C.-65 d.C.). Em Cartas a Lucílio (Ed. Fund. Calouste Gulbenkian, 2014), ele defende que é forte e capaz de triunfar perante a dor aquele que “não deixou de rir, mesmo quando seus algozes, irritados por este fato, lançaram contra ele todos os recursos da sua crueldade”. Por isso, o riso é tão eficaz quanto a razão para superar a dor. “Não será vencida pela razão a dor derrotada pelo riso?”, pergunta-se ele. Em Da Tranquilidade da Alma (Ed. L&PM, 2009), Sêneca recomenda seguir o exemplo de Demócrito (cerca de 460 a.C.-370 a.C.) e não o de Heráclito (cerca de 500 a.C.-450 a.C.). Este último era conhecido por chorar, mas o primeiro, por rir – pela sua atitude risonha no fazer e no pensar. Para Sêneca, é mais humano rir da vida do que se lamentar – e merecem mais gratidão aqueles que riem da vida do que os que choram por ela. Existem outros animais capazes de rir? Nas últimas décadas, foram realizadas pesquisas para demonstrar que o riso não é exclusivamente humano, mas também próprio de outros animais. Mas, até

Cientistas apresentam medicamento inédito para tratar Alzheimer

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/10/2024 Cientistas deram o medicamento a moscas-das-frutas que tinham Tau patogênica e descobriram que ele suprimiu a neurodegeneração. Pela primeira vez, cientistas desenvolveram um medicamento para tratar a doença de Alzheimer, eficaz na prevenção do acúmulo de proteínas Tau — considerado um fator-chave da neurodegeneração. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (3/10), por uma equipe de pesquisadores internacionais. Anthony Aggidis, principal autor do artigo, disse que a pesquisa representa um passo importante em direção à criação de tratamentos que podem prevenir a progressão de doenças como o Alzheimer. O medicamento é um inibidor chamado RI-AG03. “Ao atingir ambas as áreas-chave da proteína Tau, essa abordagem única pode ajudar a lidar com o crescente impacto da demência na sociedade, fornecendo uma nova opção muito necessária para tratar essas doenças devastadoras”, explica Anthony. Segundo a pesquisa, as proteínas Tau desempenham um papel crucial na manutenção da estrutura e função dos neurônios. Mas no Alzheimer, elas não funcionam corretamente, se aglomeram para formar fibrilas (pequenas fibras) longas e retorcidas. À medida que as fibrilas se acumulam, elas criam emaranhados neurofibrilares, que são massas de proteínas Tau retorcidas que obstruem os neurônios, impedindo-os de obter os nutrientes e sinais necessários para sobreviver. Quanto mais neurônios morrem, a memória, o pensamento e o comportamento ficam prejudicados, levando ao declínio cognitivo observado no Alzheimer. “Existem duas regiões da proteína Tau que agem como um zíper para permitir que ela se agregue. Pela primeira vez, temos um medicamento que é eficaz na inibição de ambas as regiões. Esse mecanismo de direcionamento duplo é significativo porque aborda ambos os domínios que estimulam a agregação de Tau, potencialmente abrindo caminho para tratamentos mais eficazes para doenças neurodegenerativas“, pontua Amritpal Mudher, professor de Neurociência na Universidade de Southampton, no Reino Unido. Para obter o resultado da pesquisa, cientistas deram o medicamento a moscas-das-frutas que tinham Tau patogênica e descobriram que ele suprimiu a neurodegeneração e prolongou a vida das moscas em cerca de duas semanas. Depois, os cérebros das moscas-das-frutas foram analisados. “Quando não alimentamos as moscas com o inibidor de peptídeo, elas tinham muitas fibrilas patogênicas, que se agrupam para formar um emaranhado. Mas quando as alimentamos com o medicamento, as fibrilas patogênicas diminuíram significativamente em quantidade. Quanto maior a dosagem administrada, maior a melhora que observamos na expectativa de vida da mosca da fruta”, relata Shreyasi Chatterjee, professor Sênior na Nottingham Trent University. A equipe destacou que o estudo está em estágios iniciais. “Então ainda não sabemos se funcionará ou será seguro para humanos, mas é um desenvolvimento empolgante e estamos ansiosos para ver aonde ele nos levará”, diz. A pesquisa foi publicada no periódico Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association, e foi realizada pela Universidade de Southampton em colaboração com a Universidade de Lancaster, a Universidade de Nottingham Trent, o Instituto Metropolitano de Ciências Médicas de Tóquio e o Centro Médico UT Southwestern.

Exercício aeróbico à noite traz mais benefícios para idosos hipertensos

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 03/09/2024 Conclusão é de estudo conduzido na USP com 23 voluntários. Dados mostram que apenas treino noturno regulou a chamada sensibilidade barorreflexa – mecanismo que compensa mudanças bruscas da pressão arterial A prática de exercício aeróbico no período noturno trouxe mais benefícios para a regulação da pressão arterial de idosos hipertensos do que os treinos realizados pela manhã. Estudo conduzido na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) identificou que o motivo está relacionado à melhor regulação de um mecanismo que compensa mudanças bruscas da pressão arterial conhecido como sensibilidade barorreflexa. “Existem múltiplos mecanismos para regular a pressão arterial e, embora o treino matinal tenha trazido benefícios, foi apenas o noturno que conferiu avanço no controle da pressão arterial de curto prazo – melhorando a sensibilidade barorreflexa. Isso é importante, pois, além de o controle barorreflexo desencadear efeitos positivos no controle da pressão arterial, não existe medicamento disponível para a modulação desse mecanismo”, conta à Agência FAPESP Leandro Campos de Brito, autor do artigo publicado em The Journal of Physiology. O trabalho é fruto do projeto de pós-doutorado de Brito, apoiado pela FAPESP e supervisionado pela professora da EEFE-USP Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz. No experimento, 23 pacientes diagnosticados e medicados para hipertensão foram divididos em dois grupos: treinamento matutino ou noturno. Ao longo de dez semanas, ambos realizaram treinos de 45 minutos de bicicleta ergométrica na intensidade moderada, três vezes na semana. Foram analisados parâmetros cardiovasculares importantes, como as pressões arteriais sistólica e diastólica (pressão sanguínea nos vasos) e a frequência cardíaca (batimentos do coração), após dez minutos de repouso. Os dados foram coletados antes e pelo menos três dias depois de os voluntários completarem as dez semanas de treinamento. Além disso, os pesquisadores monitoraram mecanismos do sistema nervoso autonômico – que funciona de modo involuntário, controlando os batimentos cardíacos e a pressão arterial, por exemplo –, como a atividade nervosa simpática muscular (que regula o fluxo sanguíneo periférico por meio da contração ou relaxamento dos vasos no tecido muscular) e a sensibilidade barorreflexa simpática (avaliação do controle da pressão arterial via alterações da atividade simpática muscular). Aqueles que treinaram à noite apresentaram melhora nos quatro quesitos analisados: pressão arterial sistólica e diastólica, sensibilidade barorreflexa simpática e atividade nervosa simpática muscular. Já os que treinaram no período da manhã não tiveram redução na atividade nervosa simpática muscular, nem melhora na pressão arterial sistólica e tampouco na sensibilidade barorreflexa simpática. “O treinamento à noite foi mais efetivo em promover melhora autonômica cardiovascular e redução da pressão arterial. Isso pode ser parcialmente explicado por meio da melhora da sensibilidade barorreflexa e da redução da atividade nervosa simpática muscular, que foram maiores durante à noite. Por enquanto, sabemos apenas que o controle barorreflexo é definidor – pelo menos do ponto de vista cardiovascular – para os treinos noturnos serem mais benéficos que os matutinos, pois é ele que desencadeia os demais benefícios analisados. No entanto, ainda precisamos avançar muito nesse entendimento”, explica Brito, que atualmente é professor no Oregon Institute of Occupational Health Sciences da Oregon Health & Science University, nos Estados Unidos, e segue investigando a questão por meio de estudos sobre o ritmo circadiano. O pesquisador ressalta que o controle barorreflexo faz a regulação a cada batimento cardíaco e controla a atividade autonômica do organismo. “É um mecanismo que está atrelado a fibras sensíveis, a deformações das paredes das artérias, que ficam em locais específicos, como o arco aórtico e o corpo carotídeo. Dessa forma, quando a pressão cai, essa região manda uma informação para a área do cérebro que controla o sistema nervoso autonômico, que por sua vez manda uma informação de volta ao coração para que ele bata mais rápido e às artérias para que elas contraiam mais fortemente. Caso a pressão aumente, ele manda a informação para o coração bater de forma mais fraca e às artérias para contraírem menos, modulando assim a pressão arterial batimento por batimento”, explica. Em estudo anterior, o grupo de pesquisadores da USP demonstrou que o treinamento aeróbico realizado à noite induz maior diminuição da pressão arterial que o treinamento matinal em homens hipertensos. Em outro trabalho, a resposta mais efetiva do treinamento noturno na diminuição da pressão arterial também foi acompanhada por uma maior diminuição da resistência vascular sistêmica e da variabilidade da pressão arterial sistólica. “A replicação de resultados obtidos em estudos anteriores e em diferentes grupos de pacientes com hipertensão, associada ao emprego de técnicas mais precisas para avaliar os principais desfechos, fortalece nosso entendimento para um maior benefício autonômico do exercício aeróbico realizado à noite em pacientes com hipertensão. Isso pode ser particularmente importante para indivíduos resistentes ao tratamento medicamentoso”, diz. O artigo Evening but not morning aerobic training improves sympathetic activity and baroreflex sensitivity in elderly patients with treated hypertension pode ser lido em: https://physoc.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1113/JP285966#support-information-section.