Doenças raras: cartilha reúne orientações sobre direitos dos pacientes

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 13/06/2026 Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Guia da OAB-RJ explica garantias legais e formas de buscar apoio Com o objetivo de informar, orientar e promover o acesso às garantias fundamentais aos cidadãos que convivem com doenças raras, a Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) lançou a Cartilha de Direitos das Pessoas com Doenças Raras. Segundo a entidade, estima-se que mais de 13 milhões de pessoas tenham algum tipo de doença rara no Brasil. Como enfrentam jornadas complexas, que envolvem diagnósticos tardios e tratamentos de longa duração, o desconhecimento das leis torna-se uma barreira adicional. Destinada a pacientes, familiares, cuidadores, advogados, profissionais de saúde e gestores públicos, o guia detalha os direitos garantidos pelo ordenamento jurídico brasileiro em diversas áreas fundamentais para a subsistência e para a inclusão do paciente.  Por exemplo, na área da saúde, são apresentadas orientações sobre: atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), acesso aos exames genéticos e aos diagnósticos complexos, fornecimento gratuito de medicamentos de alto custo e direito ao tratamento fora do domicílio. Na educação, o documento aborda a consolidação do modelo de educação inclusiva; a obrigatoriedade de oferta de recursos de acessibilidade e as adaptações curriculares; a proibição de cobrança de valores adicionais em mensalidades de instituições privadas e a implementação do Plano Educacional Individualizado, entre outros. No âmbito previdenciário, a cartilha apresenta os caminhos para a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de benefícios aos segurados do INSS, como aposentadoria por incapacidade permanente e o auxílio por incapacidade temporária. Além das garantias federais, como a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), o manual aborda legislações estaduais e municipais fluminenses relevantes, mas ainda pouco difundidas entre a população em geral. A cartilha também detalha os canais práticos para a denúncia de violações e a defesa ativa de direitos, orientando o cidadão sobre como acionar a Defensoria Pública, o Ministério Público, as Ouvidorias do SUS e a própria Câmara de Resolução de Litígios em Saúde (CRLS/RJ). A presidente da Comissão da Pessoa com Doença Rara, da OAB-RJ, Sybelle Drumond, diz que o diagnóstico de uma condição rara costuma vir acompanhado de isolamento e muitas dúvidas. “Um dos grandes obstáculos para pacientes e seus familiares é o desconhecimento. Esse guia é um chamado para que a sociedade e as instituições vejam o paciente raro não com invisibilidade, mas com plenos direitos”, afirmou a advogada. Para o coordenador do Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal (Iname), Gabriel Guimarães, entidade que representa pacientes e familiares de pessoas que vivem com Atrofia Muscular Espinhal (AME), a cartilha é importante tanto para pacientes e familiares quanto para instituições e governo. “A maior dificuldade das famílias é a informação. Na AME, muitas pessoas não conhecem a doença e falta diagnóstico. Essa iniciativa da OAB se junta a uma série de iniciativas da associações para disseminar informações sobre doenças que afetam uma parcela significativa da população”, disse Guimarães. A AME é uma doença rara e degenerativa que afeta os neurônios motores na medula espinhal. Pode causar fraqueza muscular progressiva, atrofia e pode comprometer funções básicas como locomoção, deglutição e respiração.

Anvisa aprova novo registro de genérico para diabetes tipo 2

Fonte: EBC Agência Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 26/05/2026 Genérico é equivalente ao medicamento de referência Xigduo XR Ana Lúcia Caldas – repórter da Rádio Nacional Um novo registro de genérico foi concedido pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O medicamento vai ampliar o acesso ao tratamento de diabetes tipo 2. Produzido pela Eurofarma, o remédio contém dapagliflozina e cloridrato de metformina, dois princípios ativos para controlar o nível de açúcar no sangue. O genérico é equivalente ao medicamento de referência Xigduo XR, indicado para pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2. A chegada do genérico ao mercado é considerada um avanço importante para os pacientes. E isso, porque ele chega com preço mais acessível, pelo menos 35% mais barato como prevê a Lei de Genéricos. Além disso, ele mantém os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia exigidos para o produto de referência.  A tendência é ampliar o acesso ao tratamento, especialmente para pessoas que necessitam do uso contínuo da medicação. O novo produto passou por avaliação técnica rigorosa. E foi comprovada sua equivalência terapêutica em relação ao produto de referência.  Edição: Leila dos Santos/ Marizete Cardoso

Mobilização cobra tratamento e direitos de pacientes com fibromialgia

Fonte: EBC Agência Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 17/05/2026 Síndrome é mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil A fibromialgia foi tema de uma série de atividades em diferentes cidades neste domingo (17) para chamar a atenção sobre a natureza da síndrome e cobrar ações para a garantia de direitos e de tratamento adequado no Sistema Único de Saúde (SUS).  Em Brasília, o evento ocorreu no Parque da Cidade. Foram oferecidas sessões de acupuntura, liberação miofascial, orientações sobre fisioterapia, abordagem psicológica e conversas para conscientização sobre a síndrome. A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares e articulares difusas em várias partes do corpo, frequentemente acompanhadas de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e alterações de humor. Embora não provoque inflamações visíveis ou deformações físicas, a condição afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes e pode dificultar atividades cotidianas e desenvolvimento profissional. A servidora pública Ana Dantas, uma das organizadoras da atividade, explica que a mobilização nacional busca dar mais visibilidade para a doença e cobrar os direitos de quem convive com ela. “É uma doença que não é visível, ela existe no nosso corpo, mas não ninguém vê”. No Brasil, pessoas com fibromialgia passaram a contar, nos últimos anos, com maior reconhecimento do Estado. Isso porque uma lei federal de 2023 estabeleceu diretrizes para o SUS  no atendimento às pessoas com a doença. A legislação prevê atendimento multidisciplinar, incentivo à divulgação de informações sobre a doença e estímulo à capacitação de profissionais de saúde. Apesar disso, ainda não há acesso ao diagnóstico e tratamento especializado pelo SUS. O enquadramento legal garante acesso aos mesmos direitos de Pessoa com Deficiência (PcD), mas exige a aprovação em avaliação biopsicossocial. Também prevê possibilidade de acessar auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). “A nossa mobilização é no intuito de buscar políticas públicas, adequar a demanda da comunidade fibriomiálgica no SUS”, acrescenta Ana Dantas. A servidora pública de 45 anos descobriu a doença há pouco mais de um ano e relata as limitações impostas. “Coisas que a gente fazia ali durante 20 minutos se gasta umas três ou quatro horas para poder finalizar. É tudo muito lento, tem a questão do esquecimento, a gente esquece as coisas fácil, além da dor que afeta todo o corpo”, relata. A fibromialgia é mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos, mas pode atingir pessoas de qualquer idade e gênero. As causas exatas ainda não são totalmente conhecidas, porém especialistas apontam que a síndrome está relacionada a alterações no funcionamento do sistema nervoso central, que passa a amplificar a percepção da dor. Fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais, ansiedade, depressão e predisposição genética podem contribuir para o surgimento da doença.  Sintomas e tratamento Entre os principais sintomas estão dores persistentes por mais de três meses, sensibilidade ao toque, sensação constante de cansaço, sono não reparador, rigidez muscular e episódios de “névoa mental” — dificuldade de memória e atenção. Também podem ocorrer dores de cabeça, síndrome do intestino irritável e maior sensibilidade a ruídos, luzes e temperatura. O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação médica e na exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes. O tratamento da fibromialgia costuma envolver uma combinação de medidas. Medicamentos podem ser usados para controlar a dor, melhorar o sono e tratar sintomas associados, como ansiedade e depressão. Além disso, exercícios físicos regulares — especialmente caminhadas, hidroginástica e alongamentos — são considerados fundamentais para reduzir os sintomas. Terapias psicológicas, fisioterapia, técnicas de relaxamento e mudanças no estilo de vida também fazem parte das estratégias mais recomendadas. Apesar de não ter cura definitiva, a fibromialgia pode ser controlada, permitindo que muitos pacientes mantenham rotina ativa e qualidade de vida. “Nesse processo de abordagem da doença, a gente desenvolve a consciência, é o que a gente chama de psicoeducação, sobre tudo o que envolve essa condição, as limitações. Porque afeta a autoestima de muitas mulheres, justamente porque elas ficam muito limitadas, então é muito importante saber como lidar e receber acolhimento”, aponta a psicóloga Mariana Avelar, que trabalhar com pacientes com fibromialgia. A pouca visibilidade da doença também se expressa na escassez de dados sobre o número de pessoas com fibromialgia no país.   “Na prática, apesar da lei, o acesso a benefícios e direitos ainda é muito burocrático. E muitos profissionais ainda não sabem inclusive dessa lei e como abordar o problema. A lei precisa pegar de verdade”, destaca a enfermeira Flávia Lacerda, que participou da atividade e também já trabalhou com pacientes nessa situação.

Julho Neon vai conscientizar população sobre saúde bucal

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 18/05/2026 Data entra no calendário oficial com campanhas durante todo o mês A partir deste ano, os meses de julho serão marcados por campanhas e ações de conscientização sobre a importância da saúde bucal.  As medidas fazem parte do Julho Neon, instituído pela Lei 15.408/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A norma reforça a prioridade do Executivo em relação ao tema. Em maio de 2023, criou a Política Nacional de Saúde Bucal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).  A iniciativa fortaleceu o Brasil Sorridente, programa de assistência odontológica criado em 2004, com os principais objetivos: >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Unidades odontológicas Em agosto de 2025, foram entregues 400 Unidades Odontológicas Móveis, a partir do investimento de R$ 152 milhões do Novo PAC Saúde.  Esses veículos itinerantes servem para ampliar o acesso da população, especialmente em áreas remotas ou de difícil acesso, por meio do atendimento direto às comunidades.

A dieta nórdica tem muitos benefícios: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

Fonte: National Geographic Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 19/02/2026 A prima da dieta mediterrânea, originária de clima mais frio, oferece os mesmos benefícios para a saúde graças à combinação de alimentos ricos em propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Por Stacey Colino Publicado 19 de fev. de 2026, 16:05 BRT Quando se pensa em regiões geográficas conhecidas por suas dietas saudáveis, logo os países mediterrâneos provavelmente vêm à mente. Mas a dieta nórdica é outra forte candidata ao título de melhor dieta do planeta, já que os padrões alimentares tradicionais dos povos da Dinamarca, Islândia, Finlândia, Noruega e Suécia oferecem muitos dos mesmos benefícios para a saúde. “É basicamente a prima da dieta mediterrânea, adaptada a climas mais frios”, afirma Dawn Jackson Blatner, nutricionista e autora do livro “The Superfood Swap“, de Chicago, Estados Unidos. “É muito semelhante, mas inclui mais alimentos que crescem em climas frios.” Criada por um grupo de nutricionistas, cientistas e chefs em 2004, a “nova dieta nórdica” baseia-se em alimentos locais e sazonais, com forte ênfase em saúde, sabor e sustentabilidade. “A dieta nórdica não é uma revelação sobre alimentação saudável — ela tem muito em comum com outros planos alimentares que promovem a saúde”, afirma David L. Katz, especialista em medicina preventiva, ex-presidente do American College of Lifestyle Medicine e coautor do livro “How to Eat” (“Como Comer”, em tradução livre).  “Todas as boas dietas são compostas de comida de verdade, principalmente de origem vegetal. A dieta nórdica é uma variação desse mesmo tema. Seus benefícios para a saúde se traduzem em vitalidade e longevidade em geral.” De fato, em uma edição de outubro de 2025 do European Journal of Nutrition, pesquisadores analisaram 47 estudos sobre os resultados de saúde associados à adesão à dieta nórdica. Pessoas que seguiram rigorosamente o estilo alimentar nórdico apresentaram um risco 22% menor de morte prematura por qualquer causa, um risco 16% menor de morte por doença cardiovascular e um risco 14% menor de morte por câncer, em comparação com aquelas com menor adesão. O que torna a dieta nórdica tão protetora para a saúde é a combinação de seus alimentos ricos em anti-inflamatórios e antioxidantes, juntamente com seu alto teor de fibras e óleos saudáveis. “É uma dieta de alta qualidade que funciona em todos os aspectos”, diz Katz. (Você pode se interessar também: Como ter um consumo consciente de álcool para não prejudicar a saúde) O que inclui a dieta nórdica? A dieta nórdica também inclui laticínios com baixo teor de gordura, como o skyr, um iogurte islandês rico em proteínas, e também o kefir, uma bebida láctea fermentada. Em contrapartida, ovos e carnes magras, como bisão, veado e rena, são consumidos com moderação, por outro lado, os alimentos açucarados e ultraprocessados ​​são desencorajados, mas não excluídos. Assim como a dieta mediterrânea, a dieta nórdica não proíbe certos alimentos. Ela se assemelha mais a um estilo alimentar flexível do que a uma dieta estruturada. Benefícios da dieta nórdica para a saúde A dieta nórdica não é tão estudada quanto a dieta mediterrânea, mas as evidências científicas que comprovam seus benefícios estão aumentando. De fato, pesquisas descobriram que a alta adesão à dieta nórdica está associada à redução do risco de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e diabetes tipo 2, bem como à redução do colesterol LDL, da apolipoproteína B e da pressão arterial sistólica. Por exemplo, um estudo de 2017 publicado no European Journal of Clinical Nutrition constatou que pessoas de meia-idade na Dinamarca que seguiam rigorosamente a dieta nórdica apresentavam um risco significativamente menor de ataque cardíaco durante um período de acompanhamento de 13,5 anos.  Um estudo publicado em 2024 na revista Scientific Reports revelou que as pessoas que seguiam a dieta nórdica com maior rigor apresentavam um risco 58% menor de desenvolver doença hepática gordurosa não alcoólica, em comparação com aquelas com menor adesão.  Já um estudo publicado em 2025 na revista científica Frontiers in Endocrinology constatou que as pessoas que seguiam rigorosamente a dieta nórdica apresentavam um risco 58% menor de desenvolver diabetes tipo 2. E a dieta também apresenta benefícios para o dia a dia. Um estudo de 2022 descobriu que seguir uma dieta nórdica melhorou a qualidade do sono, enquanto outro estudo constatou que mulheres idosas que seguem uma dieta nórdica apresentam melhores resultados em testes de desempenho físico — incluindo o teste de caminhada de seis minutos, flexões de braço e levantar-se de uma cadeira. Essas descobertas levaram os pesquisadores a concluir que esse estilo alimentar pode ajudar a reduzir o risco de incapacidade na terceira idade. Embora não seja uma dieta específica para perda de peso, ela pode ter esse efeito. Uma revisão de sete estudos sobre o assunto constatou que pessoas que seguiram a dieta nórdica apresentaram melhorias no peso corporal. Um benefício adicional: assim como outras dietas à base de plantas, a dieta nórdica pode ser também especialmente saudável para o planeta. “Um ponto positivo da dieta nórdica é que ela prioriza a saúde ambiental com alimentos de origem local e da estação“, afirma Laura Chiavaroli, professora assistente do departamento de ciências nutricionais da Universidade de Toronto, no Canadá. Alimentos de origem local exigem menos transporte e, portanto, produzem menos emissões de gases de efeito estufa. E “leguminosas e vegetais têm uma pegada ambiental menor”, acrescenta ela. (Você pode se interessar: Ir à praia faz bem ao cérebro, segundo a ciência. Há vários benefícios de momentos junto ao mar) Efeitos anti-inflamatórios e outros motivos pelos quais a dieta nórdica funciona O que torna a dieta nórdica benéfica para tantas condições de saúde diferentes são os alimentos anti-inflamatórios e ricos em antioxidantes que ela contém. Isso é significativo porque a inflamação é a principal via de acesso a todas as principais doenças crônicas, observa Katz. “Os componentes da dieta nórdica, especialmente as frutas e os vegetais, são fontes ricas em antioxidantes”, afirma Chiavaroli. Além disso, os grãos integrais, frutas, vegetais e leguminosas presentes na dieta são boas fontes de fibras, que podem ajudar a aumentar a sensação de saciedade e promover o crescimento de bactérias saudáveis ​​no intestino, acrescenta Chiavaroli. Além disso, grãos integrais como centeio e cevada têm um índice glicêmico mais baixo, o que ajuda na regulação do açúcar no sangue, observa Andrea Glenn, nutricionista e professora assistente de nutrição da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos. E os ácidos graxos ômega-3 presentes em peixes oleosos são benéficos para a saúde do coração e do cérebro, afirma Blatner. Além disso, a dieta nórdica “ajuda a equilibrar os níveis hormonais, principalmente de insulina, hormônios do estresse como epinefrina, norepinefrina e cortisol, e [hormônios reguladores do apetite como] grelina e leptina”, explica Katz. De fato, essa dieta é um exemplo de como a soma de seus ingredientes é maior do que a soma das partes individuais. “O que torna a dieta nórdica tão saudável é que há muitos fatores trabalhando juntos — provavelmente uma combinação de alimentos que reduzem

Os surpreendentes alimentos que ajudam a dormir melhor

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 26/08/2025 Quando acordamos pela manhã, depois de uma grande refeição no final da noite, sempre nos sentimos cansados. O excesso de energia necessário para digerir grandes porções de ricos nutrientes pode perturbar o nosso sono, gerando uma noite agitada. Felizmente, existem formas de tentar melhorar o nosso sono pela alimentação, evitando certas comidas e bebidas que sabemos que irão nos manter acordados, como as que contêm cafeína. Mas será que outros alimentos, particularmente se consumirmos antes de irmos para a cama, podem nos ajudar a melhorar a qualidade do sono? Alimentos específicos ou a dieta como um todo? Diversos estudos selecionaram certos alimentos no jantar que podem melhorar o nosso sono. Estudos pequenos concluíram, por exemplo, que o suco de cereja-amarena pode ajudar as pessoas a dormir melhor. Outros descobriram que comer kiwi antes de deitar também é bom . Existem também pesquisas que demonstram que leite quente pode nos ajudar a dormir. Acredita-se que os altos níveis de triptofano presentes no leite possam ajudar a induzir o início do sono. Ele é usado pelo corpo para sintetizar melatonina, o “hormônio do sono”. A melatonina regula nosso ciclo de sono e vigília. O nosso corpo produz a substância em maior quantidade no final do dia, quando começa a escurecer. Diversos estudos concluíram que comer alimentos ricos em melatonina pode melhorar a qualidade do sono e nos ajudar a dormir por mais tempo. Mas existem também muitas pesquisas que indicam que nenhuma comida ou bebida específica é suficiente para melhorar o sono. O que importa é a nossa alimentação como um todo. “Você não pode comer mal o dia inteiro e achar que é suficiente tomar um copo de suco de cereja amarena antes da hora de dormir”, alerta a professora de Medicina Nutricional Marie-Pierre St-Onge, do Instituto de Nutrição Humana da Universidade Columbia em Nova York, nos Estados Unidos. Isso ocorre porque o corpo leva pelo menos duas horas para extrair dos alimentos os nutrientes necessários para produzir as substâncias neuroquímicas que promovem o sono, segundo ela. Por isso, o que comemos ao longo do dia é que pode melhorar a qualidade do sono. Que tipo de alimentação melhora o sono? Pesquisas demonstram que a alimentação mais benéfica para o sono aparentemente é uma dieta baseada em plantas, que inclua muitos grãos integrais, além de laticínios e proteínas magras, incluindo peixe, segundo a professora de Ciências da Nutrição Erica Jansen, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. No seu estudo de 2021 para examinar a relação entre o sono e a alimentação, Jansen concluiu que as pessoas que começarem a comer mais frutas e verduras todos os dias por um período de três meses podem melhorar drasticamente o seu sono. O estudo solicitou a mais de 1 mil participantes que aumentassem sua ingestão diária de frutas e verduras. O aumento se destinava a destacar a relação de duas vias entre o sono e a alimentação, que domina as pesquisas nesta área. Estudos populacionais demonstraram que as pessoas com dieta mais saudável têm melhor sono, mas sempre existe a possibilidade de que elas tomem melhores decisões alimentares porque estão mais descansadas. Jansen concluiu que as mulheres apresentaram mais que o dobro da probabilidade de vivenciar melhoria dos sintomas da insônia depois de comer três ou mais porções adicionais de frutas e verduras por dia. Um dos motivos é que as frutas e verduras (ao lado da carne, laticínios, nozes, sementes, grãos integrais e legumes) geralmente contêm alto teor do aminoácido essencial triptofano. Um estudo realizado na Espanha em 2024 perguntou a mais de 11 mil estudantes quais eram seus hábitos de sono e alimentação. A pesquisa descobriu que o quartil que consumia menos triptofano diariamente apresentou qualidade de sono significativamente inferior. Os pesquisadores concluíram que a baixa ingestão de triptofano está relacionada ao maior risco de curta duração do sono e insônia. E que comer alimentos com maior teor de triptofano pode melhorar a qualidade do sono. Jansen explica que o triptofano é importante porque é precursor da serotonina, que é transformada em melatonina. “Se não houver triptofano no corpo, nem fontes diretas de melatonina na alimentação, os níveis de melatonina produzidos pelo corpo serão reduzidos”, afirma a professora. Mas não é apenas questão de comer alimentos ricos em triptofano, segundo ela. A ingestão precisa ser feita com um carboidrato com alto teor de fibras, como grãos integrais ou legumes. Isso permite a digestão adequada e o encaminhamento da substância para o cérebro, de onde ela pode melhorar o sono. A alimentação rica em vegetais também pode melhorar o sono de muitas outras formas. Sabe-se, por exemplo, que dietas com alto teor de alimentos vegetais reduzem as inflamações do corpo. E pesquisas indicam que o baixo nível de inflamação é associado à melhor qualidade do sono. Na sua pesquisa, St-Onge concluiu que a melhoria do sono é associada à alimentação com alto teor de fibras, que desempenha papel fundamental na fermentação bacteriana no intestino. Estudos demonstram que existem possíveis mecanismos benéficos que podem explicar por que o intestino saudável pode melhorar o sono, por meio do eixo intestino-cérebro. Existem também estudos com animais que mostram a conexão entre a melhoria do sono e a ingestão dos compostos vegetais benéficos chamados polifenóis. Mas St-Onge afirma que é difícil avaliar este ponto em estudos com seres humanos, pois os bancos de dados que mostram o teor de polifenóis de diferentes alimentos (que poderiam ser empregados para medir a quantidade de consumo por uma pessoa) podem não ser totalmente precisos. Isso ocorre porque a quantidade de polifenóis nos alimentos varia de uma safra para outra, ano após ano, dependendo do tipo de solo, das condições do tempo e dos processos agrícolas. O mesmo ocorre com o teor de melatonina em alimentos de origem vegetal, que também pode ser diferente, dependendo do local e da forma de cultivo. Qual o valor do magnésio? O magnésio é outro nutriente encontrado em dietas ricas em plantas que pode levar a uma boa noite de sono. O mineral pode ajudar a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, o que acalma o sistema nervoso. A recomendação é que a maioria dos adultos com mais de 30 anos

Março Azul: exames para rastrear câncer de intestino triplicam no SUS

Fonte: Agência EBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 23/03/2026 O maior volume de pesquisas de sangue oculto nas fezes ocorreu em SP Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Publicado em 23/03/2026 – Brasília O número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados via Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou ao longo da última década. Os dados fazem parte de levantamento feito no âmbito da campanha Março Azul e mostram que tanto a pesquisa de sangue oculto nas fezes quanto as colonoscopias registraram expansão significativa na rede pública de saúde. De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes passou de 1.146.998 para 3.336.561 exames realizados no SUS – crescimento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias aumentaram de 261.214 para 639.924 procedimentos no mesmo período – avanço de cerca de 145%. Em 2025, o maior volume de pesquisas de sangue oculto nas fezes foi registrado no estado de São Paulo, com 1.174.403 exames, seguido por Minas Gerais, com 693.289, e Santa Catarina, com 310.391. Na outra ponta, os menores números ocorreram no Amapá, com 1.356 exames, no Acre, com 1.558, e em Roraima, com 2.984. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Análise Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux, o cenário está associado ao avanço de estratégias de conscientização e à maior mobilização promovida por entidades médicas no país. “A campanha Março Azul tem transformado o medo em atitude e esperança”. “A cada ano, mais pessoas deixam de adiar o cuidado com a saúde do intestino e procuram os serviços de saúde para realizar exames, o que se reflete em um aumento expressivo de colonoscopias e testes de rastreamento justamente durante o mês de março.” Segundo ele, esse movimento não acontece por acaso: “É fruto do compromisso de autoridades municipais, estaduais e federais, que abraçaram a causa, iluminaram prédios, organizaram mutirões e levaram a mensagem de prevenção para as ruas, escolas e unidades de saúde”. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Casos recentes O médico lembra que fatos públicos, como o adoecimento e a morte de pessoas públicas em decorrência da doença, trazem o assunto para conversas diárias e ajudam a levantar dúvidas nas pessoas a partir de sinais e sintomas que devem ser avaliados em exames. Numa análise preliminar feita pela campanha, é possível perceber, por exemplo, que a trajetória da doença enfrentada pela cantora Preta Gil coincide com uma evolução nos números dos exames de diagnóstico. Entre a divulgação do diagnóstico da artista, em 2023, e a morte dela, dois anos depois, o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes cresceu 18% no SUS, enquanto o volume de colonoscopias cresceu 23%. “Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman, Roberto Dinamite e outros passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem”, disse. Ele destaca que cada entrevista, postagem ou depoimento dessas personalidades funciona como lembrete poderoso de que o câncer de intestino pode atingir qualquer pessoa, mas que a chance de cura é muito maior quando a doença é descoberta cedo. Campanha Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Este ano, a iniciativa conta ainda com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), além de outras sociedades de especialidades médicas. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é que as mortes prematuras (antes dos 70 anos) por câncer de intestino devem aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. A projeção cita não apenas o envelhecimento populacional, mas também ao crescimento da incidência da doença entre jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento.

O que são os ‘cristais de memória’ que desafiam leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 11/03/2026 Durante uma visita ao Japão em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso. Agora, ele acredita que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados. No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundos. Eles emitem um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo. Mas eles observaram algo incomum na forma em que a luz trafegava através do vidro tratado com laser. A dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul. Mas, neste caso, a luz não se refletia conforme o esperado. “Foi difícil explicar”, afirma Kazansky, professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Ele trabalhava em colaboração com os pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão. “Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física.” A desconcertante observação acabou provocando “um autêntico momento Eureka”, segundo Kazansky. Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham esta mesma propriedade. Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses “redemoinhos” de luz são tão minúsculos que acabam sendo imperceptíveis para o olho humano. Mas logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador. “Esta foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz”, explica Kazansky. Agora, 27 anos depois, espera-se que aquela descoberta possa ajudar a resolver um dos problemas mais graves da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados. O nosso problema com dados Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados. A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes). Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço. A ideia de que os dados “pesam pouco” é enganosa. Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente “na nuvem”. Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável. Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais. E seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais. Este dilema vem impulsionando soluções inovadoras. E uma delas é a proposta de Kazansky de gravar dados por meio de lasers. Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft. Os dados são processados e alojados em centros de dados — estruturas gigantescas, quase alienígenas, repletas de filas de servidores de mais de dois metros de altura, que piscam sem intervalos. Essas caixas vibrantes de hardware e cabos devoram energia, tanto para alimentar sua capacidade de computação quanto para os enormes sistemas de refrigeração necessários para evitar que elas se incendeiem. Aliás, um centro de dados não é um lugar agradável para se trabalhar. Quente e ensurdecedor, ele só é adequado para pessoas que conseguem “suportar muitas dores”, segundo uma pesquisa da revista americana The New Yorker em 2025. Em escala global, os centros de dados representam cerca de 1,5% da demanda mundial de eletricidade. Projeções indicam que seu consumo irá duplicar até 2030, quando também poderão gerar 2,5 bilhões de toneladas de emissões de CO₂. Este número equivale a cerca de 40% de todas as emissões anuais dos Estados Unidos. A recente expansão da IA generativa agravou a situação. Ela aumentou drasticamente a demanda por sistemas de computação de alto rendimento, que consomem quantidades colossais de energia e emitem nuvens intensas de calor. A maior parte da energia consumida pelos centros de dados é gasta com “dados quentes”: informações que devem estar disponíveis instantaneamente para acesso rápido e atualizações frequentes. Exemplos são transferências de dinheiro entre contas bancárias e documentos online editados regularmente. Mas a maioria dos dados do mundo não é deste tipo. Até cerca de 80%, na verdade, são “dados frios”: informações de que ninguém necessita imediatamente e que, quando são necessárias, as pessoas estão dispostas a esperar minutos ou até dias para obtê-las. Eles incluem dados de conformidade, como registros financeiros ou processos de auditoria, que bancos e outras empresas devem conservar indefinidamente. Também entram nesta categoria as cópias de segurança dos e-mails ou fotos antigas, além de dados de arquivo. Mas a armazenagem destes dados apresenta problemas. A maior parte deles é atualmente armazenada em discos rígidos, dentro de centros de dados. Eles devem permanecer ligados para que as informações possam ser recuperadas, o que exige energia e sistemas de refrigeração. Outra solução cada vez mais popular é a fita magnética. Ela é armazenada nas próprias instalações do centro de dados ou em bibliotecas de fitas especializadas. As fitas devem ser mantidas sob temperaturas de 16 a 25 °C, o que também implica consumo de energia para manter suas condições ideais. Além disso, elas precisam ser substituídas a cada 10 a 20 anos devido à sua degradação. Neste momento, a fita antiga é descartada como resíduo. O enorme aumento da produção de dados impulsionou forte demanda por fitas magnéticas nos últimos anos. ‘Cristais de memória’ Tudo isso faz com que a busca de soluções alternativas seja cada vez mais urgente. E Kazansky está adotando um enfoque inovador sobre este problema. Nos anos que se seguiram àquela primeira revelação na Universidade de Kyoto, ele descobriu que os

Robôs cuidadores e roupas com GPS: as apostas do Japão contra crise de demência entre idosos

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet / Design por Freepik | Data: 08/12/2025 Em 2024, mais de 18 mil idosos com demência deixaram suas casas e desapareceram no Japão. Quase 500 foram encontrados mortos. Segundo a polícia, o número de casos dobrou desde 2012. Pessoas com 65 anos ou mais respondem hoje por quase 30% da população japonesa (do total de quase 124 milhões) — a segunda maior proporção do mundo, atrás de Mônaco, segundo o Banco Mundial. A crise se aprofunda com a queda da força de trabalho e as restrições à entrada de estrangeiros para atuar nos cuidados. O governo japonês trata a demência como uma de suas prioridades. O Ministério da Saúde estima que os gastos de saúde e assistência social ligados à condição chegarão a 14 trilhões de ienes (cerca de R$ 490 bilhões) até 2030, acima dos 9 trilhões de ienes (cerca de R$ 315 bilhões) previstos para 2025. A estratégia mais recente do governo aponta para maior aposta em tecnologia para aliviar a pressão sobre o sistema. Pelo país, multiplicam-se sistemas baseados em GPS para rastrear pessoas que se perdem. Algumas regiões distribuem dispositivos vestíveis que alertam as autoridades assim que alguém ultrapassa uma área delimitada. Em algumas cidades, os funcionários de lojas de conveniência recebem alertas em tempo real, criando uma rede comunitária de proteção que permite encontrar desaparecidos em poucas horas. Robôs cuidadores e IA Outras tecnologias buscam detectar a demência mais cedo. O aiGait, da empresa japonesa Fujitsu, usa inteligência artificial para analisar a postura e os padrões de marcha, identificando sinais precoces de demência, como arrastar os pés ao caminhar, giros mais lentos ou dificuldade em manter-se em pé. O sistema gera esboços esqueléticos que os médicos podem analisar durante exames de rotina. “A detecção precoce de doenças relacionadas à idade é fundamental”, diz Hidenori Fujiwara, porta-voz da Fujitsu. “Se os médicos puderem usar dados de captura de movimento, poderão intervir mais cedo e ajudar as pessoas a se manterem ativas por mais tempo.” Enquanto isso, pesquisadores da Universidade Waseda (Japão) desenvolvem o AIREC, um robô humanoide de 150 kg projetado para ser um cuidador “do futuro”. Ele pode ajudar a calçar as meias, mexer os ovos e dobrar as roupas. Os cientistas esperam que, no futuro, o AIREC possa trocar fraldas geriátricas e prevenir escaras — lesão na pele causada por pressão contínua em pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida. Robôs semelhantes já são usados em casas de repouso para tocar músicas para os residentes ou orientá-los em exercícios de alongamentos simples. Eles também monitoram os pacientes à noite — instalados sob os colchões para acompanhar o sono e as condições de saúde — e reduzir a necessidade de rondas humanas. Embora robôs humanoides estejam previstos para o futuro próximo, o professor assistente Tamon Miyake afirma que o nível de precisão e inteligência necessário para interagir com segurança com pessoas ainda exige ao menos cinco anos de desenvolvimento. “É preciso captação completa do corpo e compreensão adaptativa — e como saber se ajustar para cada pessoa e situação”, diz. A inovação também avança no apoio emocional. O Poketomo, um robô de 12 cm, pode ser transportado em uma bolsa ou caber no bolso. Ele lembra os usuários a hora do medicamento, dá instruções sobre o clima em tempo real e conversa com pessoas que vivem sozinhas, o que, segundo seus criadores, ajuda a reduzir o isolamento social. “Estamos focados em questões sociais… e em usar novas tecnologias para ajudar a resolver esses problemas”, afirma Miho Kagei, gerente de desenvolvimento da Sharp, à BBC. Apesar do avanço dos dispositivos, o vínculo humano continua insubstituível. “Os robôs devem complementar, e não substituir, os cuidadores humanos”, diz Miyake. “Embora possam assumir algumas tarefas, seu papel principal é auxiliar tanto os cuidadores quanto os pacientes.” No restaurante Restaurant of Mistaken Orders, em Sengawa, Tóquio, os clientes chegam para ser atendidos por pessoas com demência. O espaço foi fundado por Akiko Kanna. Inspirada pela experiência do seu pai com a doença, Kanna queria criar um lugar onde as pessoas pudessem se manter ativas e ter propósito. Toshio Morita, um dos atendentes do café, usa flores para lembrar quais mesas fizeram cada pedido. Apesar do declínio cognitivo, ele aprecia a interação. Para a esposa, o café oferece alívio e ajuda a manter Morita engajado. O café de Kanna mostra por que intervenções sociais e apoio comunitário continuam essenciais. A tecnologia pode fornecer ferramentas e aliviar a rotina, mas é o engajamento significativo e a conexão humana que sustentam, de fato, quem vive com demência. “Honestamente? Eu queria um dinheirinho extra. Gosto de conhecer pessoas diferentes”, diz Morita. “Cada um é diferente e é isso que torna divertido.” Reportagem adicional de Jaltson Akkanath Chummar

A fascinante história do alho (e quais são suas propriedades medicinais)

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/11/2025 O alho é apreciado há milhares de anos, não só pelo seu sabor intenso e inconfundível, mas pelas suas propriedades medicinais. Conhecido pelos seus efeitos antimicrobianos e antivirais, o alho, há muito tempo, é um produto fundamental na cozinha e nos remédios tradicionais. Originário da Ásia central, o alho foi levado ao longo do tempo, pelas populações migrantes, para a Europa e os Estados Unidos. Atualmente, o maior produtor mundial de alho é a China. O programa de rádio The Food Chain, do Serviço Mundial da BBC, explorou recentemente a rica história do alho e seu significado cultural. E apresentou uma questão importante: o alho é realmente benéfico para nós? Imprescindível na cozinha O alho é um ingrediente essencial na cozinha de inúmeros países. O chef dinamarquês Poul Erik Jenson recebe estudantes do Reino Unido, Austrália, Ásia e Estados Unidos na sua Escola de Gastronomia Francesa, no noroeste da França. Ele garante que nunca teve um aluno que não conhecesse o alho. Para Jenson, o alho enaltece imensamente os alimentos e se pergunta o que seria da cozinha francesa sem ele. “Não acredito que os franceses consigam imaginar um prato salgado sem alho”, afirma ele. “Dos caldos às sopas, em saladas ou pratos com carne, certamente existe um dente de alho em alguma parte. Deixar de usá-lo é inimaginável.” Mas, quando ele era criança em uma região rural da Dinamarca, no início da década de 1970, o alho era virtualmente desconhecido. Jenson recorda que o alho era conhecido principalmente pelo seu odor forte. Mas, quando trabalhadores turcos começaram a imigrar para a Dinamarca, a preparação de alimentos com alho passou a ser uma experiência mais comum. O atual chef de cozinha também se acostumou com o alho nas pizzas italianas. E, hoje em dia, ele também se beneficia do condimento como remédio no inverno. “Minha esposa e eu tomamos um copo de caldo pela manhã, com uma cabeça de alho inteira, espremida”, ele conta. “Não tivemos uma única gripe ou resfriado sério e tenho certeza de que foi graças ao alho.” Longa jornada O significado cultural e espiritual do alho se expandiu já dura milênios. Os gregos antigos deixavam alho nas encruzilhadas, como oferenda a Hécate, a deusa dos feitiços e protetora dos lares. No Egito, os arqueólogos encontraram alho na tumba de Tutancâmon (c.1341 a.C.-c.1323 a.C.), para proteger o famoso faraó na vida após a morte. E, no folclore chinês e filipino, existem lendas de pessoas usando alho para afugentar vampiros. “A receita mais antiga do mundo é um guisado mesopotâmico, de cerca de 3,5 mil anos, contendo dois dentes de alho”, segundo Robin Cherry, autora do livro Garlic: An Edible Biography (“Alho: uma biografia comestível”, em tradução livre). “A menção mais antiga do alho também tem cerca de 3,5 mil anos. Trata-se do papiro de Ebers”, prossegue a escritora. “Ele inclui muitas instruções sobre como usar o alho para curar de tudo, desde mal-estar até parasitas e problemas cardíacos ou respiratórios.” Cherry destaca que o médico e filósofo grego Hipócrates (c.460 a.C. – c.370 a.C.) usava alho em uma série de tratamentos medicinais. Além dele, pensadores e escritores de destaque, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Aristófanes (c.446 a.C.-c. 386 a.C.), também fizeram referência às propriedades medicinais do alho. Da comida dos escravos para os pratos da realeza O alho foi muito popular em civilizações antigas como a Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, China e Índia. Os soldados romanos acreditavam que o alho trazia força e coragem e o espalharam pela Europa durante suas conquistas. O alho era usado como alimento e como remédio, mas houve época em que seu uso culinário estava restrito às classes baixas. “De fato, era um alimento para as pessoas pobres”, segundo Cherry. “Acreditava-se que ele fortalecia as pessoas escravizadas que construíram as pirâmides do Egito e os marinheiros romanos. Era barato e podia disfarçar o sabor desagradável dos alimentos rançosos. Por isso, era considerado algo que só os pobres comiam.” A reputação do alho começou a mudar durante o Renascimento europeu — um período fundamental da história do continente entre os séculos 14 e 16, marcado pelo ressurgimento dos ensinos clássicos e pelo florescimento das artes e das ciências. “O rei Henrique 4° da França (1553-1610) foi batizado com alho e se alimentava muito com o condimento”, prossegue a escritora. “Isso fez com que o alho se tornasse popular.” Cherry destaca ainda que o condimento também ganhou popularidade na Inglaterra vitoriana, no século 19. O alho chegou aos Estados Unidos muito depois, nos anos 1950 e 1960. Levado pelos imigrantes, ele ajudou a reverter estereótipos. “Na verdade, o alho era usado em um sentido muito depreciativo contra judeus, italianos e coreanos”, explica Cherry. “Eles eram chamados de ‘comedores de alho’, o que tinha conotação negativa.” O alho na Medicina Existem atualmente cerca de 600 variedades de alho. Algumas delas só recentemente ficaram disponíveis em todo mundo, como o alho do Uzbequistão, na Ásia Central, e da Geórgia, na região do Cáucaso. Além do seu papel de destaque na cozinha moderna, o alho é usado regularmente para tratar ou reduzir os sintomas do resfriado. Testes clínicos examinaram seus efeitos sobre a pressão arterial, o colesterol e até o câncer, mas com resultados contraditórios. Um pequeno estudo no Irã concluiu que alho com suco de limão ajudou a reduzir o colesterol e a pressão arterial dos participantes em seis meses. Mas um estudo maior, realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, envolveu 200 indivíduos saudáveis durante seis meses e não encontrou reduções significativas dos níveis de colesterol. Um estudo de 2014, realizado na Universidade de Sydney, na Austrália, confirmou as fortes propriedades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas do alho. “O alho contém altos níveis de potássio, fósforo, zinco e enxofre, além de quantidades moderadas de magnésio, manganês e ferro. É como um vegetal milagroso”, afirma a nutricionista pediátrica e porta-voz da Associação Alimentar Britânica, Bahee Van de Bor. “O alho possui compostos encantadores que contêm enxofre, chamados alicinas”, prossegue ela. “Ele é rico em fibras prebióticas, que