Luz, câmera, algoritmo: o país onde o cinema já está tomado por imagens produzidas por IA

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 11/01/2026 Quando o diretor e roteirista Vivek Anchalia apresentou seu próximo filme, os produtores não se entusiasmaram. Seu projeto só começou a ganhar força quando ele trouxe um novo tipo de colaborador. Com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT e Midjourney, Anchalia encontrou uma forma de produzir o filme sozinho. O Midjourney forneceu os visuais e o ChatGPT serviu de placa de som. Em pouco mais de um ano, ele conseguiu adaptar a linha de produção amplificada por IA, um quadro de cada vez. “Acho que o Midjourney já me conhece intimamente”, brinca ele. Anchalia também é letrista. Ele tinha diversas canções românticas aguardando um pano de fundo no estilo de Bollywood para serem lançadas. “Logo começou a surgir uma história”, ele conta. E o resultado foi o filme romântico Naisha. “Por que esperar pela aprovação de um estúdio, se a IA me permite produzir o filme como eu desejo?” Na diversificada indústria cinematográfica indiana, a IA não é apenas uma curiosidade adotada por cineastas emergentes. Ela também se infiltrou no dia a dia da produção de filmes com grandes orçamentos. Do rejuvenescimento de atores veteranos até a clonagem de vozes e visualização de cenas antes da filmagem, a IA já está presente em todos os campos da cinematografia indiana. Alguns estúdios se apaixonaram rapidamente pela tecnologia, mas ela traz consigo novos riscos e dilemas éticos. O cinema indiano adotou a IA no processo de criação e produção de filmes de forma totalmente oposta aos seus primos americanos de Hollywood. Nos Estados Unidos, atores e roteiristas resistem firmemente ao uso da IA. Houve greves generalizadas dois anos atrás, que paralisaram programas de TV e grandes produções. Mas, para Anchalia, a IA impulsionou sua produção. O orçamento do seu filme foi de menos de 15% de uma produção tradicional de Bollywood e 95% do longa metragem de 75 minutos foram gerados por IA. Depois da divulgação do trailer, sua heroína Naisha, gerada por computador, chegou a conseguir um contrato publicitário com uma joalheria de Hyderabad, no sul da Índia. Anchalia conta que pode ter precisado repetir mil vezes o mesmo processo até encontrar o visual desejado. Mas, ainda assim, foi muito menos estressante do que montar uma grande produção. “A IA democratizou a cinematografia”, afirma ele. “Hoje em dia, qualquer jovem aspirante a cineasta, sem recursos, pode produzir um filme usando a IA.” Diretores já estabelecidos também adotaram a inteligência artificial. Jithin Laal usou a IA nas primeiras etapas de criação do sucesso de bilheteria Ajayante Randam Moshanam (ARM), produzido em língua malaiala, falada no sul da Índia. O diretor gerou a visualização de um complexo sistema de travas que ele tentava, com dificuldade, explicar para sua equipe de efeitos visuais. A pré-visualização dirigida por IA, agora, está incorporada ao processo de Laal para contar histórias. “Para o meu próximo filme, estamos testando cenas antes de comprometer recursos financeiros com a produção em larga escala”, ele conta. Já o cineasta Arun Chandu produziu uma sátira de ficção científica com um orçamento muito limitado, de 20 milhões de rúpias indianas (cerca de US$ 240 mil, ou R$ 1,3 milhão). “É menos que o custo de um casamento indiano”, exclama Chandu, rindo. Ele usou Photoshop, programas gráficos e uma ferramenta de aprendizado profundo chamada Stable Diffusion para criar uma sequência militar no seu filme pós-apocalíptico, Gaganachari, também falado em idioma malaiala. Paralelamente, os designers de som Sankaran AS e KC Sidharthan adotaram ferramentas alimentadas por IA, como Soundly (uma biblioteca de sons em nuvem) e Reformer, do Krotos Studio, uma ferramenta de design de som que permite aos artistas editar de forma lúdica os efeitos sonoros, usando indicações como sua própria voz. “Antigamente, se um cineasta tivesse uma ideia radical de última hora, era preciso alugar um estúdio”, explica Sankaran. “Hoje, nosso enfoque é ‘podemos fazer isso imediatamente’.” Mas, enquanto o cinema indiano adota a IA sem restrições, surge uma grande preocupação: estarão os cineastas indianos prejudicando a criatividade humana e gerando riscos desnecessários para os seus projetos? Cineastas como Laal defendem que, ao contrário dos artistas humanos, a inteligência artificial não tem a profundidade emocional, nuances culturais e a intuição humana, que são fundamentais para a criação de grandes roteiros. Uma versão do filme Raanjhanaa (2013) em idioma tâmil (falado no sul da Índia, entre outros países) foi relançada em agosto de 2025. Seu trágico final foi substituído por um final feliz, criado por IA. A nova versão foi idealizada pela mesma companhia que produziu o filme, sem o consentimento do diretor original. Paralelamente, cineastas indianos expressaram ceticismo sobre a real possibilidade de que a IA ajude os filmes de baixo orçamento. Outros criticaram a falta de profundidade emocional da tecnologia. “Ela não consegue criar mistério, sentir medo ou amor”, declarou o diretor Shekhar Kapur à BBC, em 2023. No cinema ocidental, o rejuvenescimento digital de atores chegou a causar controvérsia. Um caso foi o da versão rejuvenescida de Tom Hanks no drama Aqui (2024). Mas, quando os cineastas da Índia usaram IA para inserir uma versão rejuvenescida do veterano ator indiano Mammootty, no filme em malaiala Rekhachithram (2025), as redes sociais ficaram repletas de elogios. Alguns fãs aclamaram o rejuvenescimento como “a melhor recriação por IA do cinema indiano”. A obra se tornou um dos filmes malaialas de maior bilheteria do ano. Em Rekhachithram, Mammootty, que tem 73 anos de idade, aparece como se tivesse pouco mais de 30. Andrew Jacob D’Crus, um dos fundadores e supervisor de efeitos visuais da Mindstein Studios, conduziu o processo. Ele e sua equipe alimentaram inicialmente modelos de IA com dados visuais de Mammootty, retirados do filme Kathodu Kathoram (1985). Mas a filmagem resultante ficou granulada. “O material usado para alimentar a IA não era bom”, explica D’Crus. A equipe tentou, então, usar cenas de Mammootty no filme Manu Uncle (1988), que foi remasterizado em 4k. O veterano ator Sathyaraj, mundialmente conhecido pela franquia Baahubali, tem sua própria opinião a respeito. “Se a IA puder estender minha vida útil, permitindo que eu interprete protagonistas em filmes de ação, em uma indústria marcada pelo etarismo como a nossa, por que não
Como inteligência artificial está ressuscitando estrelas de cinema

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/08/2023 A maioria dos atores sonha em construir uma carreira que sobreviva mesmo após a morte. Poucos conseguem – o show business pode ser um lugar difícil para obter sucesso. Mas aqueles que conquistam seu objetivo podem alcançar uma espécie de imortalidade nas telas e além delas. Um dos ícones que conseguiu o feito é o ator de cinema americano James Dean, que morreu em 1955 em um acidente de carro depois de estrelar apenas três filmes, todos muito aclamados. No entanto, agora, quase sete décadas depois de sua morte, Dean foi escalado como estrela de um novo filme chamado Back to Eden (De volta ao Éden, em tradução livre). Um clone digital do ator – criado com tecnologia de inteligência artificial semelhante à usada para gerar deepfakes – caminhará, falará e interagirá na tela com outros atores do filme. A tecnologia está na vanguarda das imagens geradas por computador (CGI) de Hollywood. Mas também é fonte de preocupação para atores e roteiristas que entraram em greve em Hollywood pela primeira vez em 43 anos. Eles temem ser substituídos por algoritmos de IA – algo que eles argumentam que sacrificará a criatividade em prol do lucro. A atriz Susan Sarandon está entre aqueles que falaram sobre suas preocupações publicamente, alertando que a IA poderia fazê-la “dizer e fazer coisas sobre as quais não tenho escolha”. A ressurreição digital de Dean não é o primeiro episódio em que atores falecidos aparentemente voltaram à vida na tela com a ajuda de tecnologia digital avançada e uma pitada da magia de Hollywood. Carrie Fisher, Harold Ramis e Paul Walker são apenas algumas das celebridades notáveis que reprisaram papéis icônicos no cinema postumamente. A cantora brasileira Elis Regina também ressuscitou recentemente para um anúncio da Volkswagen, no qual apareceu fazendo dueto com a filha Maria Rita. Essas aparições na tela representam o que Travis Cloyd, executivo-chefe da agência de mídia imersiva WorldwideXR (WXR), chama de representações de “tela plana passiva, 2D”, semelhantes a deepfakes. Esta é a segunda vez que o clone digital de Dean é escalado para um filme. Em 2019, foi anunciado que ele seria ressuscitado em CGI para um filme chamado Finding Jack (À Procura de Jack, em português), que foi posteriormente cancelado. Cloyd confirmou à BBC, no entanto, que Dean estrelará Back to Eden, um filme de ficção científica em que “uma visita fora deste mundo para encontrar a verdade leva a uma viagem pela América com a lenda James Dean”. A clonagem digital de Dean também representa uma mudança significativa no que é possível. Seu avatar de IA não apenas poderá desempenhar um papel de tela plana em Back to Eden e em uma série de filmes subsequentes, mas também interagir com o público em plataformas interativas, incluindo realidade aumentada, realidade virtual e jogos. A tecnologia vai muito além da reconstrução digital passiva ou da tecnologia deepfake que sobrepõe o rosto de uma pessoa ao corpo de outra. Levanta a perspectiva de os atores – ou qualquer outra pessoa – alcançarem uma espécie de imortalidade que de outra forma teria sido impossível, com carreiras que continuam muito depois de as suas vidas terem terminado. Mas ela também traz à tona alguns pontos controversos. Quem detém os direitos sobre o rosto, a voz e a personalidade de alguém após sua morte? Que controle eles podem ter sobre a direção de sua carreira após a morte – um ator que fez seu nome estrelando dramas corajosos poderia de repente aparecer em uma comédia boba ou mesmo em pornografia? E a imagem pode ser usada para anúncios? E indo ainda além, por que não deixar as celebridades descansarem em paz? O primo de Dean, Marc Winslow, que passou a infância em uma fazenda em Illinois com o ator, a quem ele carinhosamente chama de Jimmy, afirma que é o inegável apelo de seu primo, que transcende gerações, que o tornam uma escolha atraente para um papel grande no cinema moderno. “Se há duas ou três pessoas em uma cena, seus olhos vão direto para ele”, diz ele. “Sabe, não acho que alguém será capaz de substituí-los, mas é possível que eles consigam fazer isso na tela e tornar muito realista.” Clones digitais A imagem de Dean é uma das centenas representadas pela WRX e sua empresa parceira CMG Worldwide – incluindo Amelia Earhart, Bettie Page, Malcolm X e Rosa Parks. Quando Dean morreu, há 68 anos, ele deixou para trás uma coleção robusta de sua imagem em filmes, fotografias e áudio – o que Cloyd do WRX chama de “material de origem”. Cloyd diz que para obter uma representação realista de Dean, inúmeras imagens são digitalizadas, sintonizadas em alta resolução e processadas por uma equipe de especialistas digitais utilizando tecnologias avançadas. Adicione áudio, vídeo e IA e, de repente, esses materiais se tornam os blocos de construção de um clone digital que parece, soa, se move e até responde a comandos como Dean. O que Dean não deixou para trás foi uma pegada digital, ao contrário das celebridades de hoje que se envolvem nas redes sociais, tiram selfies privadas, enviam textos e e-mails, utilizam motores de busca, fazem compras online e compram receitas médicas online. Essas atividades fornecem enormes quantidades de dados sobre como pensamos e agimos que poderiam ser potencialmente utilizados para transformar um clone digital superficial em um inteligente que pode conversar de forma convincente com os vivos. Agora existem até empresas que permitem aos usuários fazer upload de dados digitais de entes queridos falecidos para criar “deadbots” que conversam com os vivos do mundo da morte. Quanto mais material de origem, mais preciso e inteligente será o deadbot, o que significa que os herdeiros das celebridades modernas podem potencialmente permitir que clones convincentes e realistas de seus parentes falecidos continuem trabalhando na indústria cinematográfica – e interagindo de forma quase autônoma – para sempre. Prevendo uma realidade assim para seu futuro, o ator Tom Hanks falou sobre o tema recentemente em um podcast, chamado Adam Buxton Podcast. “Eu poderia ser atropelado por um ônibus amanhã e pronto, mas minhas performances
A fascinante história do alho (e quais são suas propriedades medicinais)

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/11/2025 O alho é apreciado há milhares de anos, não só pelo seu sabor intenso e inconfundível, mas pelas suas propriedades medicinais. Conhecido pelos seus efeitos antimicrobianos e antivirais, o alho, há muito tempo, é um produto fundamental na cozinha e nos remédios tradicionais. Originário da Ásia central, o alho foi levado ao longo do tempo, pelas populações migrantes, para a Europa e os Estados Unidos. Atualmente, o maior produtor mundial de alho é a China. O programa de rádio The Food Chain, do Serviço Mundial da BBC, explorou recentemente a rica história do alho e seu significado cultural. E apresentou uma questão importante: o alho é realmente benéfico para nós? Imprescindível na cozinha O alho é um ingrediente essencial na cozinha de inúmeros países. O chef dinamarquês Poul Erik Jenson recebe estudantes do Reino Unido, Austrália, Ásia e Estados Unidos na sua Escola de Gastronomia Francesa, no noroeste da França. Ele garante que nunca teve um aluno que não conhecesse o alho. Para Jenson, o alho enaltece imensamente os alimentos e se pergunta o que seria da cozinha francesa sem ele. “Não acredito que os franceses consigam imaginar um prato salgado sem alho”, afirma ele. “Dos caldos às sopas, em saladas ou pratos com carne, certamente existe um dente de alho em alguma parte. Deixar de usá-lo é inimaginável.” Mas, quando ele era criança em uma região rural da Dinamarca, no início da década de 1970, o alho era virtualmente desconhecido. Jenson recorda que o alho era conhecido principalmente pelo seu odor forte. Mas, quando trabalhadores turcos começaram a imigrar para a Dinamarca, a preparação de alimentos com alho passou a ser uma experiência mais comum. O atual chef de cozinha também se acostumou com o alho nas pizzas italianas. E, hoje em dia, ele também se beneficia do condimento como remédio no inverno. “Minha esposa e eu tomamos um copo de caldo pela manhã, com uma cabeça de alho inteira, espremida”, ele conta. “Não tivemos uma única gripe ou resfriado sério e tenho certeza de que foi graças ao alho.” Longa jornada O significado cultural e espiritual do alho se expandiu já dura milênios. Os gregos antigos deixavam alho nas encruzilhadas, como oferenda a Hécate, a deusa dos feitiços e protetora dos lares. No Egito, os arqueólogos encontraram alho na tumba de Tutancâmon (c.1341 a.C.-c.1323 a.C.), para proteger o famoso faraó na vida após a morte. E, no folclore chinês e filipino, existem lendas de pessoas usando alho para afugentar vampiros. “A receita mais antiga do mundo é um guisado mesopotâmico, de cerca de 3,5 mil anos, contendo dois dentes de alho”, segundo Robin Cherry, autora do livro Garlic: An Edible Biography (“Alho: uma biografia comestível”, em tradução livre). “A menção mais antiga do alho também tem cerca de 3,5 mil anos. Trata-se do papiro de Ebers”, prossegue a escritora. “Ele inclui muitas instruções sobre como usar o alho para curar de tudo, desde mal-estar até parasitas e problemas cardíacos ou respiratórios.” Cherry destaca que o médico e filósofo grego Hipócrates (c.460 a.C. – c.370 a.C.) usava alho em uma série de tratamentos medicinais. Além dele, pensadores e escritores de destaque, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Aristófanes (c.446 a.C.-c. 386 a.C.), também fizeram referência às propriedades medicinais do alho. Da comida dos escravos para os pratos da realeza O alho foi muito popular em civilizações antigas como a Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, China e Índia. Os soldados romanos acreditavam que o alho trazia força e coragem e o espalharam pela Europa durante suas conquistas. O alho era usado como alimento e como remédio, mas houve época em que seu uso culinário estava restrito às classes baixas. “De fato, era um alimento para as pessoas pobres”, segundo Cherry. “Acreditava-se que ele fortalecia as pessoas escravizadas que construíram as pirâmides do Egito e os marinheiros romanos. Era barato e podia disfarçar o sabor desagradável dos alimentos rançosos. Por isso, era considerado algo que só os pobres comiam.” A reputação do alho começou a mudar durante o Renascimento europeu — um período fundamental da história do continente entre os séculos 14 e 16, marcado pelo ressurgimento dos ensinos clássicos e pelo florescimento das artes e das ciências. “O rei Henrique 4° da França (1553-1610) foi batizado com alho e se alimentava muito com o condimento”, prossegue a escritora. “Isso fez com que o alho se tornasse popular.” Cherry destaca ainda que o condimento também ganhou popularidade na Inglaterra vitoriana, no século 19. O alho chegou aos Estados Unidos muito depois, nos anos 1950 e 1960. Levado pelos imigrantes, ele ajudou a reverter estereótipos. “Na verdade, o alho era usado em um sentido muito depreciativo contra judeus, italianos e coreanos”, explica Cherry. “Eles eram chamados de ‘comedores de alho’, o que tinha conotação negativa.” O alho na Medicina Existem atualmente cerca de 600 variedades de alho. Algumas delas só recentemente ficaram disponíveis em todo mundo, como o alho do Uzbequistão, na Ásia Central, e da Geórgia, na região do Cáucaso. Além do seu papel de destaque na cozinha moderna, o alho é usado regularmente para tratar ou reduzir os sintomas do resfriado. Testes clínicos examinaram seus efeitos sobre a pressão arterial, o colesterol e até o câncer, mas com resultados contraditórios. Um pequeno estudo no Irã concluiu que alho com suco de limão ajudou a reduzir o colesterol e a pressão arterial dos participantes em seis meses. Mas um estudo maior, realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, envolveu 200 indivíduos saudáveis durante seis meses e não encontrou reduções significativas dos níveis de colesterol. Um estudo de 2014, realizado na Universidade de Sydney, na Austrália, confirmou as fortes propriedades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas do alho. “O alho contém altos níveis de potássio, fósforo, zinco e enxofre, além de quantidades moderadas de magnésio, manganês e ferro. É como um vegetal milagroso”, afirma a nutricionista pediátrica e porta-voz da Associação Alimentar Britânica, Bahee Van de Bor. “O alho possui compostos encantadores que contêm enxofre, chamados alicinas”, prossegue ela. “Ele é rico em fibras prebióticas, que
A incrível história do garoto que inventou o sistema Braille

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/11/2025 Num dia de 1812, na comuna de Coupvray, perto de Paris, na França, Louis Braille estava brincando na oficina do pai, que fabricava arreios para cavalos. Aos 3 anos, não era raro que se sentisse atraído por ferramentas de marcenaria e, imitando o que havia visto, pegou uma das mais pontiagudas para “brincar de papai”. Talvez não tenha sido a primeira vez que ele fez isso, e provavelmente haviam dito a ele para não fazer — mas, nesta idade, não se medem as consequências. E, nesta ocasião, aconteceu um acidente que mudaria para sempre sua vida e, alguns anos mais tarde, a de muitas outras pessoas. Enquanto tentava fazer um buraco no couro, a sovela escorregou das mãos dele e perfurou seu olho. O olho ficou infeccionado, e a infecção não apenas evoluiu, como também passou para o outro olho. Aos 5 anos, Louis Braille estava completamente cego. Embora a escola local não oferecesse nenhum programa especial para pessoas com deficiência visual, seus pais tinham clareza que não deviam negar a ele a oportunidade de estudar. Eles o matricularam então e, aos 7 anos, Braille começou a ir para a escola. Como a maior parte do ensino era feita de forma oral, ele acabou sendo um aluno apto. Mas, sem saber ler ou escrever, estava sempre em desvantagem. Finalmente, aconteceu a melhor coisa que poderia acontecer: ele ganhou uma bolsa para estudar no Instituto Nacional para Jovens Cegos (Inja, na sigla em francês), em Paris. Rumo a Paris Braille chegou à capital francesa e ao Inja quando tinha 10 anos. Naquela época, o sistema de leitura usado até mesmo no instituto era muito básico: os poucos livros que haviam eram impressos com letras em relevo, sistema inventado pelo fundador da escola, Valentin Haüy. Isso significava que os alunos tinham que passar os dedos sobre cada letra lentamente, do começo ao fim, para formar palavras e, depois de muito esforço, frases. Em 1821, Charles Barbier, capitão do exército francês, foi ao instituto compartilhar um sistema de leitura tátil desenvolvido para que os soldados pudessem ler mensagens no campo de batalha na escuridão, sem alertar o inimigo com lanternas. Ele se deu conta de que sua “escrita noturna”, como a chamava, poderia beneficiar os cegos. Pontos e linhas, em vez de letras Em vez de usar letras impressas em relevo, a escrita noturna utilizava pontos e traços em relevo. Os alunos experimentaram, mas logo perderam o interesse, uma vez que o sistema não apenas não incluía letras maiúsculas ou pontuação, como as palavras eram escritas como eram pronunciadas, e não na ortografia francesa padrão. Louis Braille, no entanto, persistiu. Pegou o código como base e foi aperfeiçoando. Três anos depois, quando tinha 15 anos, havia completado seu novo sistema. As mudanças A primeira versão de seu novo sistema de escrita foi publicada em 1829. O que ele fez foi simplificar o sistema de Barbier, reduzindo os pontos em relevo. A ideia era que ficassem do tamanho certo para senti-los com a ponta do dedo com um único toque. Para criar os pontos em relevo na folha de papel, ele usou uma sovela, a mesma ferramenta pontiaguda que havia causado sua cegueira. E, para garantir que as linhas ficassem retas e legíveis, usou uma grade plana. Como Braille adorava música, também inventou um sistema para escrever notas. O tempo passou… O mundo da medicina era muito conservador e demorou a adotar a inovação de Braille. Tanto que ele morreu 2 anos antes de finalmente começarem a ensinar seu sistema no instituto em que havia estudado. Faleceu de tuberculose aos 43 anos. Com o passar do tempo, o sistema começou a ser usado em todo o mundo francófono. Em 1882, já estava em uso na Europa. Em 1916, chegou à América do Norte e depois ao resto do mundo. Um sistema adaptável O sistema braille mudou a vida de muitas pessoas cegas ao redor do mundo. Lê-se da esquerda para a direita como outras escritas europeias, e não é uma língua: é um sistema de escrita, o que significa que pode ser adaptado para diferentes línguas. Foram desenvolvidos ainda códigos braille para fórmulas matemáticas e científicas. No entanto, com o advento de novas tecnologias, incluindo leitores de tela para computador, as taxas de alfabetização neste sistema estão diminuindo. Homenagem póstuma Em 1952, em homenagem ao seu legado, os restos mortais de Louis Braille foram desenterrados e transferidos para o Panteão de Paris, onde estão localizados os túmulos de alguns dos mais célebres líderes intelectuais da França. No entanto, Coupvray, sua terra natal, insistiu em ficar com as mãos dele, que estão sepultadas em uma urna simples no cemitério da igreja. A Nasa, agência espacial americana, deu, por sua vez, o nome de “9969 Braille” a um tipo raro de asteroide, um eterno tributo a um grande ser humano. *Este artigo é baseado no vídeo The incredible story of the boy who invented Braille (“A incrível história do menino que inventou o Braille”), da BBC Ideas. Você pode assistir aqui ao vídeo (em inglês). **Este texto foi publicado originalmente em abril de 2022 e republicado em 19 de novembro de 2025
O significado secreto dos guarda-chuvas no Japão

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 17/08/2025 Na maior parte do mundo, os guarda-chuvas são simplesmente empregados para proteger as pessoas da chuva ou do sol. No Japão, também é possível observar muitos moradores locais usando esses objetos com o mesmo fim. Mas eles também têm uma função muito mais poderosa na cultura japonesa: eles são veículos espirituais. O professor emérito de Ciências Humanas Tatsuo Danjyo, da Universidade de Beppu, na província de Ōita, no Japão, explica que, segundo a tradição japonesa, certos objetos podem servir de yorishiro (que atrai deuses ou espíritos). E um deles é o guarda-chuva. Esta crença está profundamente enraizada na história do país. Os guarda-chuvas surgiram no Japão entre os séculos 9 e 11. Mas, em vez de proteger as pessoas contra o mau tempo, eles serviam de símbolos de poder político ou espiritual. Os primeiros guarda-chuvas, como os sashikake-gasa de cabos longos, eram reservados para autoridades políticas e religiosas — e os criados os seguravam para proteger a elite. “Os japoneses costumam ter uma forma de pensar animista”, contou Danjyo à BBC. “O formato circular [do guarda-chuva] relembra a forma de uma alma e o cabo parece um pilar… acreditava-se que ele fosse um lugar acessível para que uma alma pudesse descer.” Danjyo afirma que, no século 12, os guarda-chuvas passaram a ser muito mais usados pelo público em geral. E, ao longo dos séculos seguintes, seu significado espiritual se manteve. Este significado espiritual é relembrado atualmente em festivais por todo o país. No Yasurai Matsuri realizado anualmente na cidade de Kyoto, na segunda semana de abril, acredita-se que guarda-chuvas decorados com flores retiram os males e as doenças das pessoas. No festival Hakata Donkatu, promovido todos os anos em 3 e 4 de maio na cidade de Fukuoka, no norte do Japão, inúmeros kasaboko suspensos desfilam pelas ruas. Acredita-se que passar sob um deles traz as bênçãos da boa saúde e da boa fortuna. Já na ilha de Okinoshima, na província de Kōchi, os moradores criam estruturas de guarda-chuvas vivamente decoradas, todos os dias 13 a 16 de agosto, para abrigar os espíritos das pessoas recentemente falecidas, no festival anual de Obon. Na noite de 16 de agosto, em anos alternados, os guarda-chuvas são carregados em uma dança ritual em torno de uma plataforma central. Eles orientam simbolicamente os espíritos, para que retornem ao mundo espiritual em segurança. Os guarda-chuvas chegaram a inspirar uma das figuras sobrenaturais mais conhecidas do Japão: o kasa yokai (“espírito do guarda-chuva”). Estes espíritos sobrenaturais aparecem em obras de arte históricas, como as pinturas antigas do Desfile Noturno dos 100 Demônios, que mostram objetos domésticos abandonados voltando à vida. Frequentemente ilustrados com um só olho e aparência singular, os kasa yokai refletem a crença animista do Japão de que até os objetos podem ter espírito, especialmente os que foram empregados, usados e, eventualmente, descartados. Os turistas interessados na história e no artesanato dos guarda-chuvas tradicionais japoneses podem conhecê-los pessoalmente nas oficinas e museus espalhados pelo país. Por isso, na próxima vez em que você abrir um guarda-chuva no Japão, especialmente se for um wagasa (um guarda-chuva de papel tradicional), lembre-se de que ele pode estar fazendo muito mais do que simplesmente impedir que você se molhe. Quer aprender mais? Museu do Folclore do Guarda-Chuva de Yodoe: este museu, na cidade de Tottori, no sudoeste do Japão, mostra os wagasa da região e sua ligação com as crenças locais. Os visitantes também podem participar de oficinas de produção de guarda-chuvas. Kyoto Tsujikura: fundado em 1690, é considerado o mais antigo fabricante de guarda-chuvas tradicionais do Japão. Seu ateliê em Kyoto oferece aos visitantes a possibilidade de produzir seus próprios wagasa em miniatura, entre uma seleção de cores e desenhos. Matsuda Wagasa: em Kanazawa, no sudoeste do Japão, a chuva e a neve são frequentes o ano todo. Matsuda Wagasa (fundada em 1896) é a última loja de guarda-chuvas tradicionais da cidade. Para resistir ao clima úmido de Kanazawa, a fabricação artesanal dos wagasa leva mais de dois meses, empregando o grosso papel washi, bambu resistente e técnicas exclusivas de reforço. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.
As pessoas que ‘enxergam’ línguas estrangeiras

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 13/04/2025 O nome da minha mãe é da cor do leite. As cordas de uma guitarra acústica, quando dedilhadas, tocam o amarelo forte do favo de mel. O som é plano, duro ou macio. E segunda-feira é cor-de-rosa. Estas sensações são sempre as mesmas e estão sempre presentes. Trata-se da sinestesia – no meu caso, sinestesia grafema-cor, sinestesia som-cor e sinestesia auditiva-tátil. Como ocorre com muitas pessoas sinestésicas, descobri ainda jovem que eu tinha talento para a música e os idiomas. Na música, eu não me destacava no ato físico de me apresentar, mas sim na composição. Eu me tornei compositora para filmes curtos e dança teatral, além de editora de sons para televisão. Para mim, escrever música se parecia muito com um idioma, já que eu “via” as cores dos sons de forma parecida. Também estudei francês, alemão, espanhol e linguística – e a cor dos idiomas me ajuda a lembrar as palavras e os padrões gramaticais. A sinestesia é um fenômeno neurológico que faz com que cerca de 4,4% das pessoas vivenciem o mundo como uma cacofonia de sensações. Foram identificados cerca de 60 tipos diferentes de sinestesia, mas pode haver mais de 100 e alguns tipos são vivenciados de forma conjunta. Acredita-se que esta condição seja causada por características genéticas hereditárias que afetam o desenvolvimento estrutural e funcional do cérebro. O aumento da comunicação entre regiões sensoriais do cérebro significa, por exemplo, que as palavras podem estimular o paladar, sequências de números podem ser percebidas em disposições espaciais ou a sensação das texturas pode desencadear emoções. A sinestesia não é considerada um distúrbio neurológico. Ela está relacionada a condições de saúde mental e desenvolvimento neurológico, incluindo autismo, ansiedade e esquizofrenia. Mas ela é descrita como “realidade perceptiva alternativa”, geralmente considerada benéfica. “Quando eu era mais jovem, sabia que observava o mundo de um jeito diferente e minha forma de descrever aquilo para os outros era ‘colorida’”, conta Smadar Frisch. Frisch tem sinestesia grafema-cor, sinestesia som-cor e sinestesia léxico-gustativa, que faz as palavras terem sabor. Ela explora o mundo dos sentidos no seu podcast, Chromatic Minds (“Mentes cromáticas”, em tradução livre). E, no momento, está escrevendo seu primeiro livro sobre o tema. “Aprender na escola era demais para mim, em termos sensoriais”, ela conta. “É muito difícil tentar solucionar uma equação quando toda a coloração de uma série de números era uma explosão psicodélica.” Este jato de cores, segundo Frisch, pode fazer com que ela perca o foco e esqueça o que está fazendo. “[Era o] mesmo com a linguagem”, ela conta. “As cores, músicas e sensações de paladar das palavras me inflamavam e eu queria tanto me expressar, que perdia o foco.” Somente quando havia quase terminado o ensino médio, ela conheceu o livro de Richard Cytowic e David Eagleman, Wednesday is Indigo Blue (“Quarta-feira é azul índigo”, em tradução livre). “Minha ideia inicial era que quarta-feira, na verdade, é laranja”, conta Frisch. “E eu precisava conseguir este livro.” Para ela, foi uma reviravolta. “Finalmente compreendi como o meu cérebro sinestésico é ligado e conectado. E pensei comigo mesma como este fenômeno é incrível. Posso usar as cores para me ajudar a aprender, em vez de me confundir.” Frisch desenvolveu um sistema de codificação por cores para ajudá-la a aprender novos idiomas de forma rápida e fluente. Estudar idiomas não parecia mais algo confuso, mas sim “organizado”, segundo ela. “E funcionou! Meu mundo inteiro mudou. Fui aprender aquilo em que o meu cérebro estava destinado a se destacar: idiomas.” Frisch conta que conseguiu aprender francês e espanhol até chegar ao nível avançado em apenas dois meses. “Tive nota 90+ em cada exame [de francês e espanhol]”, afirma ela. Estes exames fizeram parte do seu Te’udat Bagrut, a qualificação obtida em Israel ao término do ensino médio. Frisch conta que, atualmente, sabe falar sete idiomas com fluência – e que pode aprender qualquer idioma que quiser, “sem dificuldade e em pouco tempo”. Julia Simner é diretora do laboratório de Pesquisa sobre Sinestesia Multissensorial da Universidade de Sussex, no Reino Unido. Ela e sua equipe examinaram cerca de 6 mil crianças com seis a 10 anos de idade. “Selecionamos cada um individualmente para determinar a sinestesia e, em seguida, oferecemos [a eles] uma bateria de testes para determinar quais técnicas são favorecidas por esta particularidade”, explica ela. O estudo concluiu que as crianças com sinestesia obtiveram melhores resultados em uma série de técnicas do que as crianças que não vivenciam o fenômeno. E estas técnicas, segundo Simner, “certamente auxiliam o aprendizado do primeiro e segundo idiomas”. “Especificamente, elas apresentaram desempenho significativamente melhor em vocabulário receptivo (quantas palavras elas conseguiam entender), vocabulário produtivo (quantas palavras elas sabiam dizer), armazenamento de memória de curto prazo, atenção aos detalhes e criatividade”, afirma ela. “Estas técnicas relacionadas à sinestesia indicam que podemos esperar que o aprendizado de um segundo idioma seja mais fácil para alguém com sinestesia.” Simner explica que ter cores sinestésicas torna as letras mais fáceis de serem memorizadas. E as cores da sinestesia podem passar de um idioma para outro, fazendo com que as palavras no segundo idioma também sejam memorizadas com mais facilidade. “Essas cores podem migrar entre os idiomas pela aparência ou pelo som das letras”, explica Simner. “É como se a cor se transferisse de um idioma para outro.” Caleidoscópio de palavras Em 2019, outro experimento liderado pelos psicólogos da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriu a sinestesia grafema-cor. Nela, cada letra ou número possui sua própria cor distinta, fornecendo uma vantagem significativa de aprendizado estatístico – a possibilidade de que a pessoa “veja” padrões, o que é uma capacidade fundamental para o aprendizado de idiomas. Os pesquisadores pediram aos participantes que ouvissem um conjunto de palavras sem sentido, como “mucá” e “beô”. Elas representavam um idioma “artificial”. Em seguida, eles ouviram um segundo conjunto de palavras, que incluía as palavras artificiais originais e novas palavras artificiais que representavam um idioma “estrangeiro”. E foi pedido aos participantes que diferenciassem as “palavras” de cada um dos dois idiomas artificiais. “Não havia significado”, explica a psicóloga Amy Finn, diretora
O que esperar da inteligência artificial em 2025

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 04/01/2025 A inteligência artificial está marcando um momento definidor na história da tecnologia — e o ano de 2025 trará ainda mais surpresas. Não é fácil fazer uma previsão do que esperar, mas é possível destacar tendências e desafios que definem o futuro imediato da IA para o próximo ano. Entre eles, o desafio dos chamados “médico centauro” ou “professor centauro”, fundamental para quem está desenvolvendo inteligência artificial. A explosão da ciência baseada em IA A IA virou uma ferramenta fundamental para se enfrentar grandes desafios científicos. Áreas como saúde, astronomia e exploração espacial, neurociência ou mudanças climáticas, entre outras, vão se beneficiar ainda mais no futuro. O programa AlphaFold — desenvolvido pelo grupo Alphabet, do Google, e que ganhou o Prêmio Nobel em 2024 — determinou a estrutura tridimensional de 200 milhões de proteínas, praticamente todas as conhecidas. Seu desenvolvimento representa um avanço significativo na Biologia Molecular e na Medicina. Isso facilita a concepção de novos medicamentos e tratamentos. Em 2025, isso começará a acontecer — e com acesso gratuito ao AlphaFold para quem for desenvolver remédios e tratamentos. Já a rede ClimateNet utiliza redes neurais artificiais para realizar análises espaciais e temporais precisas de grandes volumes de dados climáticos, essenciais para compreender e mitigar o aquecimento global. A utilização do ClimateNet será essencial em 2025 para prever eventos climáticos extremos com maior precisão. Diagnósticos médicos e decisões jurídicas: o papel da IA A justiça e a Medicina são considerados campos de alto risco. Neles é mais urgente do que em qualquer outra área estabelecer sistemas para que os humanos tenham sempre a decisão final. Os especialistas em IA trabalham para garantir a confiança dos usuários, para que o sistema seja transparente, que proteja as pessoas e que os humanos estejam no centro das decisões. Aqui entra em jogo o desafio do “doutor centauro”. Centauros são modelos híbridos de algoritmo que combinam análise formal de máquina e intuição humana. Um “médico centauro + um sistema de IA” melhora as decisões que os humanos tomam por conta própria e que os sistemas de IA tomam por conta própria. O médico sempre será quem aperta o botão final; e o juiz quem determina se uma sentença é justa. A IA que tomará decisões no nosso lugar Agentes autônomos de IA baseados em modelos de linguagem são a meta para 2025 de grandes empresas de tecnologia como OpenAI (ChatGPT), Meta (LLaMA), Google (Gemini) ou Anthropic (Claude). Até agora, estes sistemas de IA fazem recomendações. Em 2025, no entanto, espera-se que eles tomem decisões por nós. Os agentes de IA realizarão ações personalizadas e precisas em tarefas que não sejam de alto risco, sempre ajustadas às necessidades e preferências do usuário. Por exemplo: comprar uma passagem de ônibus, atualizar a agenda, recomendar uma compra específica e executá-la. Eles também poderão responder nosso e-mail — tarefa que nos toma muito tempo diariamente. Nessa linha, a OpenAI lançou o AgentGPT, e o Google lançou o Gemini 2.0. Essas plataformas podem ser usadas para o desenvolvimento de agentes autônomos de IA. Por sua vez, a Anthropic propõe duas versões atualizadas de seu modelo de linguagem Claude: Haiku e Sonnet. O uso do nosso computador pela IA O programa Sonnet consegue usar um computador do mesmo jeito que uma pessoa. Isso significa que ele consegue mover o cursor, clicar em botões, digitar texto e navegar por telas. Ele também permite funcionalidade para automatizar a área de trabalho. Ele permite que os usuários concedam a Claude acesso e controle sobre certos aspectos de seus computadores pessoais. Esta capacidade apelidada de “uso do computador” poderá revolucionar a forma como automatizamos e gerimos as nossas tarefas diárias. No comércio eletrônico, agentes autônomos de IA poderão fazer uma compra no lugar do usuário. Eles prestarão assessoria na tomada de decisões de negócios, gerenciarão estoques automaticamente, trabalharão com fornecedores de todos os tipos, inclusive logísticos, para otimizar o processo de reabastecimento, atualizarão o status de envio até a geração de faturas, etc. No setor educacional, eles poderão customizar os planos de estudos dos alunos. Eles identificarão áreas para melhoria e sugerirão recursos de aprendizagem apropriados. Caminharemos em direção ao conceito de “professor centauro”, auxiliado por agentes de IA na educação. O botão ‘aprovar’ A noção de agentes autônomos levanta questões profundas sobre o conceito de “autonomia humana e controle humano”. O que significa realmente “autonomia”? Esses agentes de IA criarão a necessidade de pré-aprovação. Quais decisões permitiremos que estas entidades tomem sem a nossa aprovação direta (sem controle humano)? Enfrentamos um dilema crucial: saber quando é melhor ser “automático” na utilização de agentes autônomos de IA e quando é necessário tomar a decisão, ou seja, recorrer ao “controle humano” ou à “interação humano-IA”. O conceito de pré-aprovação vai ganhar grande relevância na utilização de agentes autônomos de IA. O pequeno ChatGPT no celular 2025 será o ano da expansão dos modelos de linguagem pequena e aberta (SLM). São modelos de linguagem que futuramente poderão ser instalados num dispositivo móvel, permitindo controlar o nosso telefone por voz de uma forma muito mais pessoal e inteligente do que com assistentes como a Siri. SLMs são compactos e mais eficientes, não requerem servidores massivos para serem usados. Estas são soluções de código aberto que podem ser treinadas para cenários específicos. Eles podem respeitar mais a privacidade do usuário e são perfeitos para uso em computadores e celulares de baixo custo. Eles têm potencial para adoção no nível empresarial. Isto será viável porque os SLMs terão um custo menor, mais transparência e, potencialmente, maior transparência e controle. Os SLMs permitirão integrar aplicações de recomendações médicas, de educação, de tradução automática, de resumo de textos ou de correção ortográfica e gramatical instantânea. Tudo isso em pequenos dispositivos sem a necessidade de conexão com a internet. Entre as suas importantes vantagens sociais, eles podem facilitar a utilização de modelos linguísticos na educação em áreas desfavorecidas. E podem melhorar o acesso a diagnósticos e recomendações com modelos de SLM de saúde especializados em áreas com recursos limitados. O
Temporada de prêmios 2025: veja as datas do Oscar, Globo de Ouro e mais

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 16/12/2024 A temporada de prêmios foi oficialmente iniciada. Nas últimas semanas, foram anunciados os indicados a diversos prêmios, como o Globo de Ouro, o Critics’ Choice e outras importantes associações. Considerando os diferentes prêmios e associações, a CNN reuniu as principais datas dos eventos de premiação e anúncios de indicações, que ocorrerão até o domingo, 2 de março de 2025. Nessa data, será transmitida a 97ª edição do Oscar. Antes do Oscar, é importante ficar atento a outras datas, como a cerimônia do Globo de Ouro, em 5 de janeiro, o BAFTA (conhecido como o Oscar britânico), em 16 de fevereiro, e o Screen Actors Guild Awards (prêmio do sindicato dos atores), em 23 de fevereiro. Confira as principais datas da temporada de prêmios 2025: 16/12 17/12 03/01 05/01 06/01 07/01 08/01 09/01 10/01 12/01 14/01 15/01 17/01 18/01 26/01 02/02 05/02 06/02 08/02 10/02 11/02 12/02 15/02 16/02 22/02 23/02 02/03 Globo de Ouro 2025: confira a lista completa dos indicados
Fiocruz volta a oferecer passeio de trenzinho a visitantes do Museu da Vida

Fonte: O Dia | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/ O Dia Data: 30/11/2024 Sustentável e com teto panorâmico, novo equipamento foi trazido de Portugal Rio – Os visitantes do Museu da Vida, que fica dentro da Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, já podem realizar novamente o tradicional passeio de trenzinho pelo campus da instituição. O serviço estava interrompido para troca do modelo da locomotiva. O novo equipamento, além de sustentável, por ser elétrico, é adequado para circular em espaços como o núcleo arquitetônico histórico da Fiocruz, onde há edificações tombadas. Para substituir o anterior, movido a diesel, menor e já no fim de sua vida útil, representantes da instituição foram a Portugal, de acordo com o site oficial do órgão, que é vinculado ao Ministério da Saúde. “Foi uma operação de imenso porte para que fosse possível realizar o nosso grande desejo de ter o trenzinho de volta. Temos muito orgulho de voltar com o nosso símbolo de uma forma sustentável, sem agredir o meio ambiente, acompanhando o compromisso da Fiocruz com as questões ambientais”, destaca a chefe do Museu da Vida Fiocruz, Ana Carolina Gonzalez. Foi dentro de um trem, aliás, que Oswaldo Cruz (1872-1917) conheceu Luiz Moraes Júnior (1868-1955), no início do século passado. No percurso para o trabalho, os dois seguiam a mesma direção. O cientista descia em Manguinhos, mas o arquiteto português seguia até a Penha, onde era responsável pelas obras de restauração da fachada da igreja mais famosa do bairro. Surgiu daí o convite para que Moraes Júnior projetasse o Pavilhão Mourisco, edifício que virou símbolo da instituição, hoje conhecido como Castelo da Fiocruz. Rotas mais extensas Presente desde o surgimento do Museu da Vida Fiocruz, há 25 anos, o Trenzinho da Ciência, em sua nova versão, tem teto panorâmico. Além disso, possui articulações que permitem que as curvas sejam feitas de forma mais suave, reduzindo o impacto no terreno. Segundo Gonzalez, além do circuito tradicional, que liga os espaços de visitação do Museu da Vida, como o trajeto entre o Castelo e o Borboletário, está em elaboração uma rota mais extensa, que vai ampliar as possibilidades de atividades culturais e educacionais do local. “Quem vê o campus de fora acha que a Fiocruz é exclusivamente o Castelo. Com o Trenzinho da Ciência, vamos fazer um novo circuito para que os nossos visitantes tenham uma ideia da variedade e da riqueza do que a nossa instituição faz. Vamos mostrar os diferentes prédios e o que eles significam, a unidade de produção de vacina, a escola, o hospital criado durante a pandemia de Covid-19. O trenzinho é um veículo real e simbólico para abrir cada vez mais a nossa instituição à população”, destaca a representante do espaço cultural. A entrada para o Museu da Vida é gratuito. O funcionamento é terça a sexta, das 9h às 16h30, e sábado, das 10h às 16h. Ao entrar na Fiocruz, é necessário apresentar um documento com foto na portaria. Após a etapa de identificação, basta dirijir-se ao Centro de Recepção, uma construção que lembra uma estação de trem e que fica bem próximo da portaria principal da Avenida Brasil. Mais informações estão disponíveis através do e-mail museudavida@fiocruz.br e do (21) 3865-2128. A Fiocruz fica na Avenida Brasil, 4365, em Manguinhos.
Cinema, circo e espetáculo de Natal são os destaques do final de semana no Rio

Fonte: R7| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/R7 Data: 08/11/2024 O espetáculo “Conto do Natal – um Ballet de Dalal Alchcar” abre a temporada natalina na Cidade de Artes A décima edição do festival Varilux de Cinema Francês, tem exibição de filmes, palestras e obras em realidade virtual gratuitos, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (08), sábado (09), e domingo (10). A partir deste final de semana, o Circo Vistok estará com o espetáculo “Magia do Cinema”, no Caxias Shopping, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com atrações nacionais e internacionais. O evento estará no local pela primeira vez. O espetáculo “Conto do Natal – um Ballet de Dalal Alchcar” abre a temporada natalina na Cidade de Artes, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, entre os dias 7 e 17 de novembro. Os ingressos são a partir de R$ 18.

