Nova mostra no Itaú Cultural dedica três andares à mineira Solange Pessoa

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/gemini | Data: 06/08/2026 Com entrada gratuita, exposição apresenta instalação, 150 desenhos e 10 filmes experimentais que revelam o olhar da artista sobre a natureza e a transformação da matéria. Em plena Avenida Paulista, o Itaú Cultural dedica três andares de seu espaço expositivo à mostra “Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação“, em cartaz até 1º de novembro, com entrada gratuita. Estão reunidos cerca de 150 desenhos, 10 filmes experimentais e uma instalação que mescla materiais naturais com peças em bronze e cerâmica, revelando diferentes dimensões da produção da artista mineira. O público pode conferir os pilares de sua trajetória, marcada pela observação da natureza, do corpo, dos ciclos da vida e da transformação da matéria. As obras dialogam com materiais naturais e carregam referências à paisagem mineira, ligando-se a temas como nascimento, crescimento e morte. Com mais de 40 anos de carreira, a artista ganha uma exposição marcada por “primeiras vezes”, mostrando um lado mais íntimo de seu percurso artístico. É a primeira vez, por exemplo, que sua produção audiovisual é reunida em uma mostra, que também exibe desenhos inéditos. “O que está oculto tende a se revelar”, comentou a artista durante a abertura da exposição, em 4 de agosto. Nascida em 1961 em Ferros (MG), município na região do Vale do Rio Doce, a artista tem uma presença no circuito mineiro de arte desde os anos 1980, com participações mais discretas na ponte-aérea Rio-São Paulo. Seu trabalho, porém, tem viajado além das fronteiras nacionais: desde 2017, realizou mostras individuais em Los Angeles, Nova York, Bruxelas, Bregenz (Áustria) e em Aspen. No ano passado, a instalação “Campos peregrinos”, que pode ser vista de forma reduzida no Itaú Cultural, foi apresentada em Glasgow, na Escócia. Projetos futuros incluem trabalhos para a Fundación Botín, na Espanha, que deverão ser apresentados ainda em 2026, e para a Fondation Cartier, na França, em 2027. “Sou distante da artista profissional, sou uma artista mais ‘primital’. Essa exposição tem várias camadas. Quando a vemos pronta, sempre é uma satisfação”, disse na abertura da exposição na capital paulista, em referência ao processo criativo mais intuitivo, ligado à natureza e à matéria. Circuito expositivo Um dos destaques da mostra ocupa quase todo o primeiro andar. Espalhada pelo chão e pelas paredes, a instalação “Campos peregrinos” reúne peças em bronze e cerâmica, combinando-as a materiais como capim, flores secas, algodão, folhas e fubá. Logo que o visitante adentra o local, nota-se o cheiro de camomila. Ali, o público é convidado a perceber cheiros, texturas, dimensões e sons que emergem dos materiais, esticando a percepção para além da visão. Na entrada, um aviso alerta para que a interação aconteça com delicadeza, a fim de se preservar a integridade das obras. No mesmo andar, o filme “Desjardim”, criado especialmente para a mostra, integra imagem, som e performance, investigando transformações provocadas pela passagem do tempo sobre elementos naturais e arquitetônicos em diferentes locais históricos. Descendo as escadas, no piso -1, estão expostos 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores, realizados desde os anos 1990. Eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários com ajuda de materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, gordura e até Merthiolate. Além dos materiais empregados, o próprio tempo é incorporado às obras como um elemento fundamental. Nesses desenhos, a transformação da matéria ao longo dos anos passou a integrar o processo criativo, remetendo aos ciclos da vida e da natureza. “Há um pensamento animista que perpassa tudo, como se cada linha integrasse um corpo maior – a natureza inteira respirando na ponta do lápis”, escreve o curador da mostra, Franklin Espath Pedroso, no texto curatorial. Mais abaixo, o último espaço expositivo é como um labirinto de salas, onde são projetados 10 filmes experimentais de Solange. Neles, a artista investiga as relações entre matéria e temporalidade em formato audiovisual, a exemplo de “Líticas”, de 2017, com duração de oito minutos. Os filmes apresentam elementos minerais, metais, água e fogo, que mudam de forma, de cor e até de estado físico. A graça é ser atravessado por temas como permanência e mudança. “Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação”Itaú Cultural; Avenida Paulista, 149 – próximo à estação de metrô Brigadeiro / Até 1º de novembro de 2026; de terça-feira a sábado, das 11h às 20h; domingo e feriados, das 11h às 19h; pisos 1, 1SS e 2SS / Entrada gratuita.
Neto de Joan Miró revela o homem por trás do “mestre das formas”

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/canva| Data: 08/08/2026 Com a exposição “Miró: Mestre das Formas” em cartaz em São Paulo, Joan Punyet Miró compartilha memórias ao lado do avô e revela facetas pouco conhecidas do artista catalão. O que a arte de Joan Miró e o Brasil têm em comum? Além de ganhar uma ampla mostra com mais de 100 obras, algumas inéditas no país, no MAB FAAP (Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado) até 12 de outubro, o artista catalão já ilustrou um livro do poeta João Cabral de Melo Neto e se inspirava em elementos que o Brasil tem de sobra, como a reunião de diversas culturas e a força expressiva das artes primitiva e tribal. Quem afere isso é Joan Punyet Miró, que carrega o nome e o sobrenome do avô. Artista e curador, ele é um dos netos do “mestre das formas” e um dos principais divulgadores do legado de Miró no mundo da arte. “Falar do meu avô é falar de como trabalhar uma linguagem universal. Entre suas inspirações, ele buscava a força expressiva da poesia, do surrealismo, da arte primitiva e da música. Buscava ser um cidadão universal”, disse Punyet em conversa com jornalistas e convidados no Rosewood São Paulo, após desembarcar em solo nacional para a abertura de “Miró: Mestre das Formas”, no MAB FAAP. Para Punyet, o Brasil é um exemplo perfeito do universo de Miró. A convivência entre diferentes culturas e a riqueza das expressões artísticas ancestrais aproximam o país do primitivismo expressivo e de uma criação que não passa pelo controle rígido da razão, o chamado automatismo cromático, que marcaram a produção do catalão. O Miró que poucos conheciam Em consonância com a abertura da mostra, Punyet trouxe a São Paulo algumas memórias do avô. Uma das lembranças mais poderosas é, também, bastante quieta: Miró gostava de andar com o neto de mãos dadas em silêncio na natureza. Diz ele que também era muito metódico no dia a dia. Tirava uma “siesta” após o almoço, com o dia de trabalho permeado de poesia e música. Todos os dias. “Ele também trabalhava o gesto. Tinha muitas canetas e papéis espalhados na casa. Ele dizia que um boxeador deveria trabalhar os músculos, então, ele deveria trabalhar a alma. Era um exercício de liberar mão do intelectualismo e buscar a introspecção”. Para nutrir a criatividade, o neto conta que Miró se cercava de artistas mais jovens, alargando as trocas além da pintura na presença de literatos, poetas e músicos. “E qual seria o conselho para jovens artistas de hoje num momento em que estamos inundados de imagens?”, perguntou o artista colombiano Leo Macias no encontro com jornalistas. “Para começar, o conselho do meu avô seria viajar longe de casa. Depois, fazer um detox de telas e dispositivos eletrônicos, pelo menos uma vez na semana, e passear pela natureza, com os pés descalços” Linguagem universal: entendendo Miró Quando pequeno, Joan Punyet Miró começou a entender a força das cores por meio das obras do avô. Ele lembra especificamente de um quadro verde com um sol vermelho, que o impactou muito na infância. Buscar o movimento fortuito e livre junto com a força expressiva da cor são definições que se encaixam bem na obra do catalão. “Por isso ele fala com crianças do mundo todo. É universal. Para expressar essa maneira de trabalhar, deve haver depuração. Limpar a parte tóxica e se afastar do trabalho mais intelectual. Liberar a arte primitiva e desovar o coração”. Para o neto, essa busca pela expressão artística passa pela arte rupestre e pelas manifestações ancestrais de povos incas, maias e astecas, estabelecendo também um paralelo com as tradições indígenas da Amazônia. Nas palavras de Punyet, entender Miró é entender a seguinte combinação: a magia surrealista da França; o arcabouço psicanalítico de Freud, mais notadamente com a leitura de “A Interpretação dos Sonhos”; o automatismo poético, para “liberar a alma da razão”; o automatismo dos japoneses budistas e de Jackson Pollock; e, por fim, até mesmo a música flamenca. Antes de Miró ser Miró, foi Francesc Galí, professor de Belas Artes em Barcelona, que despertou a instrospecção do artista. Segundo Punyet, o começo foi mais ou menos assim: propôs que Miró trabalhasse de olhos fechados, pintando sem olhar para o que estava ao redor, recorrendo às cores primárias como ponto de partida. A ideia era deixar de lado a realidade exterior para voltar o olhar para dentro de si. No Met (Metropolitan Museum of Art), em Nova York, está uma das obras que mais sintetiza Joan Miró, “Esta é a cor dos meus sonhos“, de 1925. É uma tela quase inteiramente branca que traz apenas uma mancha azul, feita em um gesto automático, que acompanha a frase em francês: “Ceci est la couleur de mes rêves”. Para Joan Punyet Miró, trata-se de uma das pinturas surrealistas mais importantes do mundo, já que também representa um desafio direto à fotografia, então associada à capacidade da tecnologia de registrar e congelar um instante. Em vez de reproduzir aquilo que está diante dos olhos, Miró propõe o contrário: voltar-se para dentro. O caminho até a consagração O tema central que rege a nova mostra, que tem curadoria do espanhol Jordi J. Clavero,é a liberdade criativa de Miró, descascando suas facetas além da pintura, que incluem escultura e tapeçaria. “Eu tinha muitos brinquedos que desapareciam, como bonecos e bolas. 50 anos depois, notei que todos estavam em diferentes esculturas”, comentou Punyet. Na FAAP, estão à mostra cerca de 10 toneladas de tapeçarias, como lembrou Roberto Souza Leão, CEO do Instituto Totex, realizador da exposição. “Creio que Miró foi capaz de criar tudo o que desejou. Ele sempre falava de deixar um legado para a criança do amanhã. Esse foi o grande enigma do meu avô, de não ver o impacto que hoje sua obra tem em todo o universo”, relembrou Punyet. Mais de 40 anos se passaram desde a morte do artista catalão, mas sua assinatura visual continua reconhecida quase que instantaneamente. O começo da carreira, porém, parecia trilhar o caminho contrário. “Era um fracasso total. Os críticos riam.
Como será o novo museu de Bernardo Paz, fundador do Inhotim, em Brumadinho

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/canva| Data: 11/08/2026 Com 126 hectares e mais de 20 galerias e pavilhões, novo museu de arte contemporânea tem pré-inauguração prevista para o segundo semestre de 2027. Fundador do Instituto Inhotim, o colecionador de arte e filantropo Bernardo Paz lidera a criação de um novo museu em Brumadinho (MG). Integrado à natureza, entre morros e vales, o Museu Bernardo Paz será dedicado à arte contemporânea e ocupará 126 hectares de uma área rural do município, vizinha à Reserva Particular do Patrimônio Natural Inhotim, onde está instalado o maior museu a céu aberto do mundo. Já em construção, o projeto será aberto em fases, com a pré-inauguração dos primeiros pavilhões esperada para setembro de 2027. Assim como Inhotim, o novo museu terá mais de 20 galerias e pavilhões, além de instalações e esculturas ao ar livre encomendadas especialmente para o local. Na entrada, o museu também abrigará um centro comunitário com biblioteca e ateliês de arte. O endereço terá ainda um parque dedicado à música e à dança, onde, no futuro, haverá um pavilhão. Detentor de uma coleção particular com mais de três mil obras de arte, Bernardo pretende explorar no espaço o diálogo que mantém ao longo de décadas com artistas de diferentes gerações, origens, linguagens e práticas. “O Museu Bernardo Paz está criando raízes e florescendo a partir da crença no potencial criativo dos encontros inesperados”, disse o idealizador em comunicado. Para viabilizar o projeto, ele tem investido recursos próprios no museu. Pavilhões e natureza: a primeira fase do museu A primeira fase do Museu Bernardo Paz terá pavilhões dedicados às obras de artistas do Brasil, do Peru e dos Estados Unidos. Entre os brasileiros, estão: Sonia Gomes, Pedro Moraleida, Laura Belém e Anna Maria Maiolino (radicada no país). Outros nomes são o norte-americano Michael Heizer e a peruana Sandra Gamarra, que até junho deste ano estava com a exposição panorâmica “Réplica” no Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand). Esta fase inaugural também contará com esculturas de grande porte e ambientes artísticos de Frida Orupabo, da Noruega; Mario Garcia Torres, do México; Torkwase Dyson, dos EUA; e Giuseppe Penone, da Itália. Atualmente, o pavilhão dedicado a Michael Heizer já está em fase de montagem. O artista é um dos nomes fundamentais da Land Art, movimento surgido nos Estados Unidos no fim dos anos 1960, que transforma a própria paisagem em espaço para a criação artística. No Museu Bernardo Paz, o pavilhão abrigará duas de suas obras de grande escala, “Displaced Replaced Mass #3” (1993) e “Negative Wall Sculpture #1” (1993). Será a sua primeira instalação permanente na América Latina, com pavilhão projetado a partir das especificações elaboradas pelo próprio artista. Além dos pavilhões e das obras, o terreno do museu tem recebido um amplo projeto paisagístico, com o plantio de 15 mil árvores e 1 milhão de arbustos, cactos e plantas floríferas. A iniciativa é inspirada na amizade e na antiga colaboração de Bernardo Paz com o paisagista Roberto Burle Marx. Além de Inhotim: o novo projeto de Bernardo Para Paulo Miyada, que trabalhou por mais de uma década no Instituto Tomie Ohtake e assume o papel de diretor artístico do Museu Bernardo Paz, o endereço nasce com a proposta de ampliar possibilidades e estimular novos imaginários diante de um cenário global de limitações. “Em uma paisagem repleta de conjunções que desafiam noções estabelecidas de museu e de paisagem, criam-se oportunidades intensas de criação, inspiração e transformação”, disse. Antes do inédito museu, Bernardo Paz criou e financiou o Instituto Inhotim, inaugurado em 2006, que rapidamente ganhou reconhecimento internacional. Em 2022, Bernardo doou o patrimônio cultural à associação sem fins lucrativos responsável pela gestão do Inhotim. Hoje, a instituição atua de forma independente, com liderança executiva própria e um conselho deliberativo de 30 membros. “Embora tenham o mesmo fundador, o Inhotim e esse novo empreendimento são organizações distintas, com programas, estruturas de gestão, modelos de governança e financiamentos próprios. Até o momento, não houve qualquer formalização entre as duas partes sobre possíveis colaborações”, informou o Instituto Inhotim ao CNN Viagem & Gastronomia por meio de nota. Neste ano, Inhotim comemora 20 anos com uma agenda especial. Além disso, foi o único local brasileiro a entrar na lista de lugares para conhecer em 2026 do jornal The New York Times. Segundo a publicação, a combinação entre arte contemporânea e natureza exuberante transformou o museu em uma referência mundial para amantes de arte e ecoturismo.
Tarsila do Amaral ganha exposição imersiva em espaço inédito em São Paulo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/canva | Data: 10/08/2026 Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab em 15 de agosto, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional. Figura central do modernismo brasileiro, Tarsila do Amaral ganha uma exposição imersiva na capital paulista aos moldes das mostras de Monet e Van Gogh, que fizeram sucesso em anos recentes. A partir de 15 de agosto, “O Brasil de Tarsila” não só toma conta como inaugura o espaço expositivo Nubank Arte Lab, dentro do Conjunto Nacional, em São Paulo. O universo visual da artista, que completa 140 anos de nascimento em 2026, se espalha por 10 salas por meio de projeções de 360 graus aliadas à trilha sonora e até dispositivos que soltam aromas. A organização garante que o conteúdo foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial. Cerca de 40 obras serão projetadas em grande escala, incluindo “Abaporu” (1928), “Antropofagia” (1929), “Operários” (1933), “A Cuca” (1924) e “O Sono” (1928), que estão entre as obras mais reconhecíveis da artista brasileira. Também estarão presentes entre as projeções obras como “São Paulo” (1924), que retrata a modernização e a arquitetura urbana da capital paulista; “Religião Brasileira” (1927), com cores vivas e formas geométricas que revelam o sincretismo e a fé do Brasil, inspirando-se em altares domésticos e oratórios; e “Autorretrato (Le manteau rouge)” (1923), em que Tarsila se retrata com o casaco vermelho que usou em uma recepção em homenagem a Santos Dumont, no Hotel Claridge, em Paris. Além das famosas pinturas, também serão projetados desenhos e registros de viagens, permitindo ao público ver minúcias das obras e, metaforicamente, mergulhar no mundo da artista. A mostra segue até 31 de outubro. Trajetória de Tarsila Aberta a todos os públicos, a exposição também foi pensada para receber famílias e despertar a curiosidade das crianças, aproximando novas gerações da produção de um dos maiores nomes da arte nacional. A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila e gestora da empresa que cuida de licenciamentos e exposições das obras da artista. Ao lado dela está a pesquisadora e curadora Juliana Miraldi. Nascida em 1886 em Capivari, no interior de São Paulo, Tarsila estudou arte na capital paulista, em Barcelona e em Paris, onde entrou em contato com o cubismo e artistas como Fernand Léger. Não esteve presencialmente na Semana de Arte Moderna de 1922, embora seu nome já circulasse entre os artistas ligados ao movimento. Após o retorno ao Brasil, aproximou-se de nomes como Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Morreu em 1973, aos 83 anos, em São Paulo. Entre os museus da capital paulista que possuem obras da artista em seus acervos estão o Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), o Mac-Usp (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) e a Pinacoteca. Nubank Arte Lab Dentro do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, o endereço nasce como o maior espaço permanente de arte imersiva no Brasil, ocupando uma área de 2.700 m². A ideia veio do crescimento de exposições do gênero na Europa e nos Estados Unidos. Três ambientes compõem o local: uma sala multiuso de quase 780 m², que pode receber instalações, mostras, eventos e palestras; e duas salas imersivas para projeções digitais. Uma das salas tem uma parede de Led com 10 metros de comprimento e teto espelhado. Também é prometido um bistrô. A idealização é das empresas Aventura e DeepLab, com o direito do uso de nome do Nubank. “O Brasil de Tarsila” De 15 de agosto a 31 de outubro, no Nubank Arte Lab; Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2.073 – São Paulo, SP / Horário de funcionamento: de quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h / Ingressos entre R$ 50 e R$ 100 de sexta a domingo e feriados; e entre R$ 40 e R$ 80 de segundas, quarta e quinta.
Tradicional Teatro Princesa Isabel vai reabrir as portas em Copacabana.

Fonte: Diário do Rio | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/canva| Data: 08/08/2026 Espaço cultural histórico passará por obras e voltará à ativa após anúncio feito durante homenagem à atriz Nathalia Timberg. O cenário cultural do Rio de Janeiro ganhou um importante motivo para celebrar. O tradicional Teatro Princesa Isabel, localizado na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, próximo ao Leme, vai reabrir as portas após anos com as atividades suspensas. O anúncio da retomada foi feito por Gilmar Araújo, gestor responsável pelo Teatro Fashion Mall, durante uma noite de celebração especial em homenagem aos 97 anos de vida e 90 anos de trajetória artística da atriz Nathalia Timberg. Preservação do Patrimônio Cultural do Rio A volta do Princesa Isabel representa um marco relevante para a cena teatral carioca, em um momento em que diversas salas históricas da cidade enfrentam desafios financeiros ou encerramento de atividades:
Luta abolicionista de Luiz Gama pode virar Patrimônio da Humanidade

Fonte: Agência Brasil EBC | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 14/06/2026 Documentos de sua defesa aos escravizados foram submetidos à Unesco Cristina Indio do Brasil – repórter da Agência Brasil Documentos, manuscritos e textos publicados na imprensa pelo abolicionista Luiz Gama foram submetidos à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para obter o reconhecimento como Patrimônio Documental da Humanidade. A candidatura ao edital 2026-2027 do Programa Memória do Mundo foi oficializada em 26 de novembro de 2025 pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Arquivo Nacional. O resultado deverá ser revelado no final de 2027, durante a Conferência Geral da Unesco. Figura histórica inscrita no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, Luiz Gama libertou mais de 500 pessoas escravizadas com sua atuação jurídica em defesa da população negra brasileira. Nascido livre e vendido pelo pai como escravo, Gama aprendeu a ler e escrever aos 17 anos, mas foi impedido pelo preconceito racial de se formar em Direito. Mesmo assim, ele assistiu às aulas do curso como ouvinte e se tornou rábula, pessoa com direito de atuar nos tribunais. A partir daí, se destacou na defesa da libertação de negros escravizados e na concessão de registros de identidade para ex-escravizados. Defensor da liberdade Pesquisadora e professora da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Lígia Fonseca Ferreira disse, em entrevista à Agência Brasil, que Luiz Gama também se destaca entre os abolicionistas por ter vivenciado a escravização. “Tudo que escreveu e a maneira como, depois, se voltou para a libertação de indivíduos tem um olhar particular, quase de caso a caso, entendendo aqueles com quem tratou”, acrescentou. Lígia Ferreira é pesquisadora da trajetória de Luiz Gama e autora dos livros Com a palavra, Luiz Gama e Lições de resistência: Artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, que reúnem textos, cartas e poemas do abolicionista. Por ser negro, Gama foi impedido de frequentar o curso da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, no qual tinha tentado ingressar em 1850. Segundo a professora, ele começou a atuar em meados dos anos 1860, após receber autorização para advogar em primeira instância. Em reconhecimento ao trabalho que desenvolveu, Luiz Gama foi homenageado, em 2015, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com um título póstumo de advogado e carteirinha com registro profissional da instituição. Luiz Gama nasceu liberto, filho da africana Luiza Mahin, que foi trazida à força da região africana atualmente pertencente ao Benim. Aos 10 anos, no entanto, foi vendido em Salvador, como escravizado, pelo próprio pai, o fidalgo português branco Antônio Agostinho Carlos Pinto da Gama, em troca de dinheiro para saldar uma dívida. O menino foi levado para São Paulo, onde vivenciou a escravidão. “Nos seus escritos jornalísticos em primeira pessoa, em que fala das origens, ele se refere aos escravizados não como os outros, ele diz meus irmãos de infortúnio. Ele fala em nós”, completou Lígia Fonseca Ferreira. Só aos 18 anos, Gama conseguiu provar que tinha direito à liberdade e saiu do cativeiro. Patrimônio documental O título da candidatura apresentada à Unesco é Presença Negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade (1830-1882). O material foi organizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo (Apesp), responsável pelo acervo, que já foi inscrito no Programa Memória do Mundo pelo Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) da Unesco. Conforme os critérios estabelecidos pela organização das Nações Unidas, o Brasil pôde inscrever na organização internacional uma segunda candidatura, Coleção Documental: Passaportes de Pessoas Escravizadas, Libertas, Pessoas Livres e Africanos Repatriados (1821-1889), produzida pelo Arquivo Público do Estado da Bahia. Entre os mais importantes documentos do acervo de Luiz Gama, estão as cartas de alforria guardadas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Segundo o pesquisador do Apesp Marcelo Quintanilha, o material foi produzido na época em que Gama era escrivão de uma delegacia de São Paulo. De acordo com Quintanilha, a equipe do APESP envolvida na produção do dossiê de candidatura levou entre sete e oito meses para juntar os documentos. O diretor do arquivo público paulista, Thiago Nicodemo, contou que, após o envio da candidatura, o Apesp conseguiu, por meio da inteligência artificial, dar rostos às pessoas que Gama libertou. “É uma questão de reparação importante, mas também de alcance público importante”, pontuou. “É como se estivéssemos devolvendo para elas a sua condição de gente”. Criatividade na luta Mesmo liberto e alfabetizado, Gama teve dificuldade em encontrar emprego por ser negro e ex-escravizado no Brasil do Século 19. Ele acabou aceitando uma vaga no chamado corpo policial, primeiro como porteiro da delegacia e, depois, como escrivão e amanuense, função dada à pessoa que escreve os documentos à mão. “Um escravo liberto e novo como ele, apesar de alfabetizado, não tinha emprego. Então, ele entrou para o corpo policial e ganhava bem pouco”, contou Marcelo Quintanilha. Foi nesse cargo, considerado de confiança, que sua luta a favor do abolicionismo ganhou força. Com acesso aos passaportes de negros escravizados, Gama pôde constatar que muitos deles eram africanos trazidos ilegalmente para o Brasil. Na época, o tráfico de pessoas escravizadas já havia sido proibido. “Quando vinha o dono dos escravizados pedir o passaporte [na delegacia], ele notava que o escravizado era muito novo e não falava nem português. Ele perguntava de onde [o escravizado] era e, então, [Gama entendia que] era um escravo ilegal, contrabandeado”, afirmou. Nesses casos, Gama não entregava o passaporte e apreendia a pessoa escravizada, para que não permanecesse com quem se intitulava dono de forma ilegal. “Como o delegado, o chefe dele, era permissivo, esses escravizados acabaram se tornando libertos. Aí, ele foi criando inimizades, pegando [escravizados] de gente poderosa”, explicou. A partir desse trabalho, o abolicionista começou a fazer os registros dessas pessoas, e elas passaram a ter uma identidade no país. Essa atuação resultou em sua expulsão da polícia, em 1869. Segundo o pesquisador, tudo está documentado em um livro escrito por Luiz Gama, com a lista de 123 africanos livres. O livro é um
Luz, câmera, algoritmo: o país onde o cinema já está tomado por imagens produzidas por IA

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 11/01/2026 Quando o diretor e roteirista Vivek Anchalia apresentou seu próximo filme, os produtores não se entusiasmaram. Seu projeto só começou a ganhar força quando ele trouxe um novo tipo de colaborador. Com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT e Midjourney, Anchalia encontrou uma forma de produzir o filme sozinho. O Midjourney forneceu os visuais e o ChatGPT serviu de placa de som. Em pouco mais de um ano, ele conseguiu adaptar a linha de produção amplificada por IA, um quadro de cada vez. “Acho que o Midjourney já me conhece intimamente”, brinca ele. Anchalia também é letrista. Ele tinha diversas canções românticas aguardando um pano de fundo no estilo de Bollywood para serem lançadas. “Logo começou a surgir uma história”, ele conta. E o resultado foi o filme romântico Naisha. “Por que esperar pela aprovação de um estúdio, se a IA me permite produzir o filme como eu desejo?” Na diversificada indústria cinematográfica indiana, a IA não é apenas uma curiosidade adotada por cineastas emergentes. Ela também se infiltrou no dia a dia da produção de filmes com grandes orçamentos. Do rejuvenescimento de atores veteranos até a clonagem de vozes e visualização de cenas antes da filmagem, a IA já está presente em todos os campos da cinematografia indiana. Alguns estúdios se apaixonaram rapidamente pela tecnologia, mas ela traz consigo novos riscos e dilemas éticos. O cinema indiano adotou a IA no processo de criação e produção de filmes de forma totalmente oposta aos seus primos americanos de Hollywood. Nos Estados Unidos, atores e roteiristas resistem firmemente ao uso da IA. Houve greves generalizadas dois anos atrás, que paralisaram programas de TV e grandes produções. Mas, para Anchalia, a IA impulsionou sua produção. O orçamento do seu filme foi de menos de 15% de uma produção tradicional de Bollywood e 95% do longa metragem de 75 minutos foram gerados por IA. Depois da divulgação do trailer, sua heroína Naisha, gerada por computador, chegou a conseguir um contrato publicitário com uma joalheria de Hyderabad, no sul da Índia. Anchalia conta que pode ter precisado repetir mil vezes o mesmo processo até encontrar o visual desejado. Mas, ainda assim, foi muito menos estressante do que montar uma grande produção. “A IA democratizou a cinematografia”, afirma ele. “Hoje em dia, qualquer jovem aspirante a cineasta, sem recursos, pode produzir um filme usando a IA.” Diretores já estabelecidos também adotaram a inteligência artificial. Jithin Laal usou a IA nas primeiras etapas de criação do sucesso de bilheteria Ajayante Randam Moshanam (ARM), produzido em língua malaiala, falada no sul da Índia. O diretor gerou a visualização de um complexo sistema de travas que ele tentava, com dificuldade, explicar para sua equipe de efeitos visuais. A pré-visualização dirigida por IA, agora, está incorporada ao processo de Laal para contar histórias. “Para o meu próximo filme, estamos testando cenas antes de comprometer recursos financeiros com a produção em larga escala”, ele conta. Já o cineasta Arun Chandu produziu uma sátira de ficção científica com um orçamento muito limitado, de 20 milhões de rúpias indianas (cerca de US$ 240 mil, ou R$ 1,3 milhão). “É menos que o custo de um casamento indiano”, exclama Chandu, rindo. Ele usou Photoshop, programas gráficos e uma ferramenta de aprendizado profundo chamada Stable Diffusion para criar uma sequência militar no seu filme pós-apocalíptico, Gaganachari, também falado em idioma malaiala. Paralelamente, os designers de som Sankaran AS e KC Sidharthan adotaram ferramentas alimentadas por IA, como Soundly (uma biblioteca de sons em nuvem) e Reformer, do Krotos Studio, uma ferramenta de design de som que permite aos artistas editar de forma lúdica os efeitos sonoros, usando indicações como sua própria voz. “Antigamente, se um cineasta tivesse uma ideia radical de última hora, era preciso alugar um estúdio”, explica Sankaran. “Hoje, nosso enfoque é ‘podemos fazer isso imediatamente’.” Mas, enquanto o cinema indiano adota a IA sem restrições, surge uma grande preocupação: estarão os cineastas indianos prejudicando a criatividade humana e gerando riscos desnecessários para os seus projetos? Cineastas como Laal defendem que, ao contrário dos artistas humanos, a inteligência artificial não tem a profundidade emocional, nuances culturais e a intuição humana, que são fundamentais para a criação de grandes roteiros. Uma versão do filme Raanjhanaa (2013) em idioma tâmil (falado no sul da Índia, entre outros países) foi relançada em agosto de 2025. Seu trágico final foi substituído por um final feliz, criado por IA. A nova versão foi idealizada pela mesma companhia que produziu o filme, sem o consentimento do diretor original. Paralelamente, cineastas indianos expressaram ceticismo sobre a real possibilidade de que a IA ajude os filmes de baixo orçamento. Outros criticaram a falta de profundidade emocional da tecnologia. “Ela não consegue criar mistério, sentir medo ou amor”, declarou o diretor Shekhar Kapur à BBC, em 2023. No cinema ocidental, o rejuvenescimento digital de atores chegou a causar controvérsia. Um caso foi o da versão rejuvenescida de Tom Hanks no drama Aqui (2024). Mas, quando os cineastas da Índia usaram IA para inserir uma versão rejuvenescida do veterano ator indiano Mammootty, no filme em malaiala Rekhachithram (2025), as redes sociais ficaram repletas de elogios. Alguns fãs aclamaram o rejuvenescimento como “a melhor recriação por IA do cinema indiano”. A obra se tornou um dos filmes malaialas de maior bilheteria do ano. Em Rekhachithram, Mammootty, que tem 73 anos de idade, aparece como se tivesse pouco mais de 30. Andrew Jacob D’Crus, um dos fundadores e supervisor de efeitos visuais da Mindstein Studios, conduziu o processo. Ele e sua equipe alimentaram inicialmente modelos de IA com dados visuais de Mammootty, retirados do filme Kathodu Kathoram (1985). Mas a filmagem resultante ficou granulada. “O material usado para alimentar a IA não era bom”, explica D’Crus. A equipe tentou, então, usar cenas de Mammootty no filme Manu Uncle (1988), que foi remasterizado em 4k. O veterano ator Sathyaraj, mundialmente conhecido pela franquia Baahubali, tem sua própria opinião a respeito. “Se a IA puder estender minha vida útil, permitindo que eu interprete protagonistas em filmes de ação, em uma indústria marcada pelo etarismo como a nossa, por que não
Como inteligência artificial está ressuscitando estrelas de cinema

Fonte: BBC Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/Freepik | Data: 27/08/2023 A maioria dos atores sonha em construir uma carreira que sobreviva mesmo após a morte. Poucos conseguem – o show business pode ser um lugar difícil para obter sucesso. Mas aqueles que conquistam seu objetivo podem alcançar uma espécie de imortalidade nas telas e além delas. Um dos ícones que conseguiu o feito é o ator de cinema americano James Dean, que morreu em 1955 em um acidente de carro depois de estrelar apenas três filmes, todos muito aclamados. No entanto, agora, quase sete décadas depois de sua morte, Dean foi escalado como estrela de um novo filme chamado Back to Eden (De volta ao Éden, em tradução livre). Um clone digital do ator – criado com tecnologia de inteligência artificial semelhante à usada para gerar deepfakes – caminhará, falará e interagirá na tela com outros atores do filme. A tecnologia está na vanguarda das imagens geradas por computador (CGI) de Hollywood. Mas também é fonte de preocupação para atores e roteiristas que entraram em greve em Hollywood pela primeira vez em 43 anos. Eles temem ser substituídos por algoritmos de IA – algo que eles argumentam que sacrificará a criatividade em prol do lucro. A atriz Susan Sarandon está entre aqueles que falaram sobre suas preocupações publicamente, alertando que a IA poderia fazê-la “dizer e fazer coisas sobre as quais não tenho escolha”. A ressurreição digital de Dean não é o primeiro episódio em que atores falecidos aparentemente voltaram à vida na tela com a ajuda de tecnologia digital avançada e uma pitada da magia de Hollywood. Carrie Fisher, Harold Ramis e Paul Walker são apenas algumas das celebridades notáveis que reprisaram papéis icônicos no cinema postumamente. A cantora brasileira Elis Regina também ressuscitou recentemente para um anúncio da Volkswagen, no qual apareceu fazendo dueto com a filha Maria Rita. Essas aparições na tela representam o que Travis Cloyd, executivo-chefe da agência de mídia imersiva WorldwideXR (WXR), chama de representações de “tela plana passiva, 2D”, semelhantes a deepfakes. Esta é a segunda vez que o clone digital de Dean é escalado para um filme. Em 2019, foi anunciado que ele seria ressuscitado em CGI para um filme chamado Finding Jack (À Procura de Jack, em português), que foi posteriormente cancelado. Cloyd confirmou à BBC, no entanto, que Dean estrelará Back to Eden, um filme de ficção científica em que “uma visita fora deste mundo para encontrar a verdade leva a uma viagem pela América com a lenda James Dean”. A clonagem digital de Dean também representa uma mudança significativa no que é possível. Seu avatar de IA não apenas poderá desempenhar um papel de tela plana em Back to Eden e em uma série de filmes subsequentes, mas também interagir com o público em plataformas interativas, incluindo realidade aumentada, realidade virtual e jogos. A tecnologia vai muito além da reconstrução digital passiva ou da tecnologia deepfake que sobrepõe o rosto de uma pessoa ao corpo de outra. Levanta a perspectiva de os atores – ou qualquer outra pessoa – alcançarem uma espécie de imortalidade que de outra forma teria sido impossível, com carreiras que continuam muito depois de as suas vidas terem terminado. Mas ela também traz à tona alguns pontos controversos. Quem detém os direitos sobre o rosto, a voz e a personalidade de alguém após sua morte? Que controle eles podem ter sobre a direção de sua carreira após a morte – um ator que fez seu nome estrelando dramas corajosos poderia de repente aparecer em uma comédia boba ou mesmo em pornografia? E a imagem pode ser usada para anúncios? E indo ainda além, por que não deixar as celebridades descansarem em paz? O primo de Dean, Marc Winslow, que passou a infância em uma fazenda em Illinois com o ator, a quem ele carinhosamente chama de Jimmy, afirma que é o inegável apelo de seu primo, que transcende gerações, que o tornam uma escolha atraente para um papel grande no cinema moderno. “Se há duas ou três pessoas em uma cena, seus olhos vão direto para ele”, diz ele. “Sabe, não acho que alguém será capaz de substituí-los, mas é possível que eles consigam fazer isso na tela e tornar muito realista.” Clones digitais A imagem de Dean é uma das centenas representadas pela WRX e sua empresa parceira CMG Worldwide – incluindo Amelia Earhart, Bettie Page, Malcolm X e Rosa Parks. Quando Dean morreu, há 68 anos, ele deixou para trás uma coleção robusta de sua imagem em filmes, fotografias e áudio – o que Cloyd do WRX chama de “material de origem”. Cloyd diz que para obter uma representação realista de Dean, inúmeras imagens são digitalizadas, sintonizadas em alta resolução e processadas por uma equipe de especialistas digitais utilizando tecnologias avançadas. Adicione áudio, vídeo e IA e, de repente, esses materiais se tornam os blocos de construção de um clone digital que parece, soa, se move e até responde a comandos como Dean. O que Dean não deixou para trás foi uma pegada digital, ao contrário das celebridades de hoje que se envolvem nas redes sociais, tiram selfies privadas, enviam textos e e-mails, utilizam motores de busca, fazem compras online e compram receitas médicas online. Essas atividades fornecem enormes quantidades de dados sobre como pensamos e agimos que poderiam ser potencialmente utilizados para transformar um clone digital superficial em um inteligente que pode conversar de forma convincente com os vivos. Agora existem até empresas que permitem aos usuários fazer upload de dados digitais de entes queridos falecidos para criar “deadbots” que conversam com os vivos do mundo da morte. Quanto mais material de origem, mais preciso e inteligente será o deadbot, o que significa que os herdeiros das celebridades modernas podem potencialmente permitir que clones convincentes e realistas de seus parentes falecidos continuem trabalhando na indústria cinematográfica – e interagindo de forma quase autônoma – para sempre. Prevendo uma realidade assim para seu futuro, o ator Tom Hanks falou sobre o tema recentemente em um podcast, chamado Adam Buxton Podcast. “Eu poderia ser atropelado por um ônibus amanhã e pronto, mas minhas performances
A fascinante história do alho (e quais são suas propriedades medicinais)

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/11/2025 O alho é apreciado há milhares de anos, não só pelo seu sabor intenso e inconfundível, mas pelas suas propriedades medicinais. Conhecido pelos seus efeitos antimicrobianos e antivirais, o alho, há muito tempo, é um produto fundamental na cozinha e nos remédios tradicionais. Originário da Ásia central, o alho foi levado ao longo do tempo, pelas populações migrantes, para a Europa e os Estados Unidos. Atualmente, o maior produtor mundial de alho é a China. O programa de rádio The Food Chain, do Serviço Mundial da BBC, explorou recentemente a rica história do alho e seu significado cultural. E apresentou uma questão importante: o alho é realmente benéfico para nós? Imprescindível na cozinha O alho é um ingrediente essencial na cozinha de inúmeros países. O chef dinamarquês Poul Erik Jenson recebe estudantes do Reino Unido, Austrália, Ásia e Estados Unidos na sua Escola de Gastronomia Francesa, no noroeste da França. Ele garante que nunca teve um aluno que não conhecesse o alho. Para Jenson, o alho enaltece imensamente os alimentos e se pergunta o que seria da cozinha francesa sem ele. “Não acredito que os franceses consigam imaginar um prato salgado sem alho”, afirma ele. “Dos caldos às sopas, em saladas ou pratos com carne, certamente existe um dente de alho em alguma parte. Deixar de usá-lo é inimaginável.” Mas, quando ele era criança em uma região rural da Dinamarca, no início da década de 1970, o alho era virtualmente desconhecido. Jenson recorda que o alho era conhecido principalmente pelo seu odor forte. Mas, quando trabalhadores turcos começaram a imigrar para a Dinamarca, a preparação de alimentos com alho passou a ser uma experiência mais comum. O atual chef de cozinha também se acostumou com o alho nas pizzas italianas. E, hoje em dia, ele também se beneficia do condimento como remédio no inverno. “Minha esposa e eu tomamos um copo de caldo pela manhã, com uma cabeça de alho inteira, espremida”, ele conta. “Não tivemos uma única gripe ou resfriado sério e tenho certeza de que foi graças ao alho.” Longa jornada O significado cultural e espiritual do alho se expandiu já dura milênios. Os gregos antigos deixavam alho nas encruzilhadas, como oferenda a Hécate, a deusa dos feitiços e protetora dos lares. No Egito, os arqueólogos encontraram alho na tumba de Tutancâmon (c.1341 a.C.-c.1323 a.C.), para proteger o famoso faraó na vida após a morte. E, no folclore chinês e filipino, existem lendas de pessoas usando alho para afugentar vampiros. “A receita mais antiga do mundo é um guisado mesopotâmico, de cerca de 3,5 mil anos, contendo dois dentes de alho”, segundo Robin Cherry, autora do livro Garlic: An Edible Biography (“Alho: uma biografia comestível”, em tradução livre). “A menção mais antiga do alho também tem cerca de 3,5 mil anos. Trata-se do papiro de Ebers”, prossegue a escritora. “Ele inclui muitas instruções sobre como usar o alho para curar de tudo, desde mal-estar até parasitas e problemas cardíacos ou respiratórios.” Cherry destaca que o médico e filósofo grego Hipócrates (c.460 a.C. – c.370 a.C.) usava alho em uma série de tratamentos medicinais. Além dele, pensadores e escritores de destaque, como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Aristófanes (c.446 a.C.-c. 386 a.C.), também fizeram referência às propriedades medicinais do alho. Da comida dos escravos para os pratos da realeza O alho foi muito popular em civilizações antigas como a Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, China e Índia. Os soldados romanos acreditavam que o alho trazia força e coragem e o espalharam pela Europa durante suas conquistas. O alho era usado como alimento e como remédio, mas houve época em que seu uso culinário estava restrito às classes baixas. “De fato, era um alimento para as pessoas pobres”, segundo Cherry. “Acreditava-se que ele fortalecia as pessoas escravizadas que construíram as pirâmides do Egito e os marinheiros romanos. Era barato e podia disfarçar o sabor desagradável dos alimentos rançosos. Por isso, era considerado algo que só os pobres comiam.” A reputação do alho começou a mudar durante o Renascimento europeu — um período fundamental da história do continente entre os séculos 14 e 16, marcado pelo ressurgimento dos ensinos clássicos e pelo florescimento das artes e das ciências. “O rei Henrique 4° da França (1553-1610) foi batizado com alho e se alimentava muito com o condimento”, prossegue a escritora. “Isso fez com que o alho se tornasse popular.” Cherry destaca ainda que o condimento também ganhou popularidade na Inglaterra vitoriana, no século 19. O alho chegou aos Estados Unidos muito depois, nos anos 1950 e 1960. Levado pelos imigrantes, ele ajudou a reverter estereótipos. “Na verdade, o alho era usado em um sentido muito depreciativo contra judeus, italianos e coreanos”, explica Cherry. “Eles eram chamados de ‘comedores de alho’, o que tinha conotação negativa.” O alho na Medicina Existem atualmente cerca de 600 variedades de alho. Algumas delas só recentemente ficaram disponíveis em todo mundo, como o alho do Uzbequistão, na Ásia Central, e da Geórgia, na região do Cáucaso. Além do seu papel de destaque na cozinha moderna, o alho é usado regularmente para tratar ou reduzir os sintomas do resfriado. Testes clínicos examinaram seus efeitos sobre a pressão arterial, o colesterol e até o câncer, mas com resultados contraditórios. Um pequeno estudo no Irã concluiu que alho com suco de limão ajudou a reduzir o colesterol e a pressão arterial dos participantes em seis meses. Mas um estudo maior, realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, envolveu 200 indivíduos saudáveis durante seis meses e não encontrou reduções significativas dos níveis de colesterol. Um estudo de 2014, realizado na Universidade de Sydney, na Austrália, confirmou as fortes propriedades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas do alho. “O alho contém altos níveis de potássio, fósforo, zinco e enxofre, além de quantidades moderadas de magnésio, manganês e ferro. É como um vegetal milagroso”, afirma a nutricionista pediátrica e porta-voz da Associação Alimentar Britânica, Bahee Van de Bor. “O alho possui compostos encantadores que contêm enxofre, chamados alicinas”, prossegue ela. “Ele é rico em fibras prebióticas, que
A incrível história do garoto que inventou o sistema Braille

Fonte: BBC Brasil| Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 19/11/2025 Num dia de 1812, na comuna de Coupvray, perto de Paris, na França, Louis Braille estava brincando na oficina do pai, que fabricava arreios para cavalos. Aos 3 anos, não era raro que se sentisse atraído por ferramentas de marcenaria e, imitando o que havia visto, pegou uma das mais pontiagudas para “brincar de papai”. Talvez não tenha sido a primeira vez que ele fez isso, e provavelmente haviam dito a ele para não fazer — mas, nesta idade, não se medem as consequências. E, nesta ocasião, aconteceu um acidente que mudaria para sempre sua vida e, alguns anos mais tarde, a de muitas outras pessoas. Enquanto tentava fazer um buraco no couro, a sovela escorregou das mãos dele e perfurou seu olho. O olho ficou infeccionado, e a infecção não apenas evoluiu, como também passou para o outro olho. Aos 5 anos, Louis Braille estava completamente cego. Embora a escola local não oferecesse nenhum programa especial para pessoas com deficiência visual, seus pais tinham clareza que não deviam negar a ele a oportunidade de estudar. Eles o matricularam então e, aos 7 anos, Braille começou a ir para a escola. Como a maior parte do ensino era feita de forma oral, ele acabou sendo um aluno apto. Mas, sem saber ler ou escrever, estava sempre em desvantagem. Finalmente, aconteceu a melhor coisa que poderia acontecer: ele ganhou uma bolsa para estudar no Instituto Nacional para Jovens Cegos (Inja, na sigla em francês), em Paris. Rumo a Paris Braille chegou à capital francesa e ao Inja quando tinha 10 anos. Naquela época, o sistema de leitura usado até mesmo no instituto era muito básico: os poucos livros que haviam eram impressos com letras em relevo, sistema inventado pelo fundador da escola, Valentin Haüy. Isso significava que os alunos tinham que passar os dedos sobre cada letra lentamente, do começo ao fim, para formar palavras e, depois de muito esforço, frases. Em 1821, Charles Barbier, capitão do exército francês, foi ao instituto compartilhar um sistema de leitura tátil desenvolvido para que os soldados pudessem ler mensagens no campo de batalha na escuridão, sem alertar o inimigo com lanternas. Ele se deu conta de que sua “escrita noturna”, como a chamava, poderia beneficiar os cegos. Pontos e linhas, em vez de letras Em vez de usar letras impressas em relevo, a escrita noturna utilizava pontos e traços em relevo. Os alunos experimentaram, mas logo perderam o interesse, uma vez que o sistema não apenas não incluía letras maiúsculas ou pontuação, como as palavras eram escritas como eram pronunciadas, e não na ortografia francesa padrão. Louis Braille, no entanto, persistiu. Pegou o código como base e foi aperfeiçoando. Três anos depois, quando tinha 15 anos, havia completado seu novo sistema. As mudanças A primeira versão de seu novo sistema de escrita foi publicada em 1829. O que ele fez foi simplificar o sistema de Barbier, reduzindo os pontos em relevo. A ideia era que ficassem do tamanho certo para senti-los com a ponta do dedo com um único toque. Para criar os pontos em relevo na folha de papel, ele usou uma sovela, a mesma ferramenta pontiaguda que havia causado sua cegueira. E, para garantir que as linhas ficassem retas e legíveis, usou uma grade plana. Como Braille adorava música, também inventou um sistema para escrever notas. O tempo passou… O mundo da medicina era muito conservador e demorou a adotar a inovação de Braille. Tanto que ele morreu 2 anos antes de finalmente começarem a ensinar seu sistema no instituto em que havia estudado. Faleceu de tuberculose aos 43 anos. Com o passar do tempo, o sistema começou a ser usado em todo o mundo francófono. Em 1882, já estava em uso na Europa. Em 1916, chegou à América do Norte e depois ao resto do mundo. Um sistema adaptável O sistema braille mudou a vida de muitas pessoas cegas ao redor do mundo. Lê-se da esquerda para a direita como outras escritas europeias, e não é uma língua: é um sistema de escrita, o que significa que pode ser adaptado para diferentes línguas. Foram desenvolvidos ainda códigos braille para fórmulas matemáticas e científicas. No entanto, com o advento de novas tecnologias, incluindo leitores de tela para computador, as taxas de alfabetização neste sistema estão diminuindo. Homenagem póstuma Em 1952, em homenagem ao seu legado, os restos mortais de Louis Braille foram desenterrados e transferidos para o Panteão de Paris, onde estão localizados os túmulos de alguns dos mais célebres líderes intelectuais da França. No entanto, Coupvray, sua terra natal, insistiu em ficar com as mãos dele, que estão sepultadas em uma urna simples no cemitério da igreja. A Nasa, agência espacial americana, deu, por sua vez, o nome de “9969 Braille” a um tipo raro de asteroide, um eterno tributo a um grande ser humano. *Este artigo é baseado no vídeo The incredible story of the boy who invented Braille (“A incrível história do menino que inventou o Braille”), da BBC Ideas. Você pode assistir aqui ao vídeo (em inglês). **Este texto foi publicado originalmente em abril de 2022 e republicado em 19 de novembro de 2025

