Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer de forma menos invasiva

Para os pesquisadores, a principal vantagem está na possibilidade de transformar um mecanismo complexo da doença em um biomarcador acessível por meio de uma simples coleta de sangue Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 26/08/2026 A doença de Alzheimer pode estar mais próxima de um diagnóstico simples e menos invasivo. Pesquisadores do Hospital Xuanwu, da Universidade de Medicina da Capital, na China, desenvolveram um exame de sangue capaz de detectar a atividade de proteínas amiloides (A) associadas à condição. Os resultados foram publicados ontem no Chinese Medical Journal. O estudo, liderado pelo professor Jianping Jia, utiliza uma tecnologia conhecida como amplificação cíclica de proteínas mal enoveladas por ultrassom em tempo real (PMCA). O método identifica no plasma a chamada “atividade de semeadura” da A, um processo em que proteínas malformadas estimulam outras a assumir a mesma configuração e formar agregados. Esse mecanismo é considerado um dos processos centrais relacionados à progressão da doença de Alzheimer. Hoje, a confirmação biológica da doença depende principalmente da análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar, ou de exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Embora eficazes, essas técnicas podem ser invasivas, caras ou pouco disponíveis. Os exames sanguíneos surgiram como alternativa promissora, mas ainda são limitados os estudos capazes de medir diretamente a atividade de agregação das proteínas A. Combinação A nova técnica combina ultrassom e fluorescência para acompanhar, em tempo real, a formação e a amplificação dos agregados. Segundo os pesquisadores, o ultrassom cria condições físicas que favorecem a formação de fibrilas e, ao mesmo tempo, promove alterações estruturais nas proteínas A normais. Com isso, a reação de amplificação se torna mais eficiente. O processo pode ser concluído em aproximadamente 24 horas e é capaz de detectar concentrações extremamente baixas de aglomerados de A. Para avaliar a eficácia do método, os pesquisadores dividiram o trabalho em duas etapas. A fase inicial contou com 120 participantes. Depois, o exame foi testado em uma população independente de 429 pessoas, incluindo indivíduos cognitivamente saudáveis, pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL) causado pelo Alzheimer, pessoas com Alzheimer e pacientes com outros tipos de demência. Os resultados mostraram diferenças significativas entre os grupos. Pessoas com Alzheimer apresentaram atividade de semeadura de A no plasma muito maior do que indivíduos cognitivamente normais e pacientes com demências não relacionadas à doença. O mesmo padrão foi observado em pessoas com CCL devido ao Alzheimer, indicando que o teste pode detectar alterações associadas à doença ainda em uma fase inicial. Para os pesquisadores, a principal vantagem está na possibilidade de transformar um mecanismo complexo da doença em um biomarcador acessível por meio de uma simples coleta de sangue. A tecnologia poderá, no futuro, facilitar a triagem em larga escala, inclusive em serviços de atenção básica, além de contribuir para a identificação precoce e o acompanhamento da evolução da doença.

O pequeno mamífero que pode guardar o segredo da longevidade

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 03/08/2026 Eles são roedores subterrâneos estranhos e sem pelos, que parecem linguiças com dentes. Mas acabaram de revelar um segredo genético para a longevidade. Um estudo do bizarro rato-toupeira-pelado concluiu que estes animais evoluíram para criar um mecanismo de reparo de DNA que pode explicar por que eles vivem tanto tempo. Esta espécie de mamífero mora em tocas e tem um período de vida máximo de cerca de 40 anos. Trata-se do roedor com maior expectativa de vida longa do planeta. As descobertas foram publicadas pela revista Science em outubro do ano passado. Elas podem também esclarecer por que o rato-toupeira-pelado é resistente a uma vasta série de doenças relativas à idade avançada. Estes animais são resistentes ao câncer, à artrite e à deterioração do cérebro e da medula espinhal. Por isso, muitos cientistas querem saber como o corpo deles funciona. O estudo foi liderado por uma equipe da Universidade Tonji em Xangai, na China. O foco foi o reparo do DNA, um processo natural nas células do corpo. Quando fitas de DNA (os nosso blocos de construção genética) são danificados, o corpo aciona um mecanismo que faz com que outra fita de DNA que não sofreu danos seja usada como modelo para reparar o estrago. A pesquisa se concentrou em uma proteína específica, envolvida nesse sistema de detecção e reparo de danos. Quando uma célula identifica o dano, ela produz uma proteína chamada c-GAS, que desempenha diversas funções. Mas o interessante para os cientistas é que, nos seres humanos, esta substância interrompe o processo de reparo do DNA. Os cientistas acreditam que esta interferência pode promover o câncer e reduzir nosso tempo de vida. Mas, no rato-toupeira-pelado, os pesquisadores descobriram que a mesma proteína faz exatamente o contrário. Ela ajuda o corpo a corrigir fitas de DNA e mantém intacto o código genético em cada célula. O professor Gabriel Balmus estuda o reparo de DNA e envelhecimento na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Ele declarou que a descoberta é animadora. Para ele, esta é “a ponta do iceberg” para compreendermos por que esses animais vivem por períodos tão longos. “Você pode pensar no cGAS como uma peça de Lego biológica”, compara ele, “o mesmo formato básico em seres humanos e ratos-toupeiras-pelados. Mas, no rato-toupeira, alguns conectores são invertidos, o que permite que eles montem uma estrutura e função completamente diferentes.” Balmus explica que, depois de milhões de anos de evolução, o rato-toupeira-pelado aparentemente reprogramou o mesmo processo e “o usou em seu benefício”. “Esta descoberta levanta questões fundamentais: como a evolução reprogramou a mesma proteína para agir de forma contrária? O que mudou? Este é um caso isolado ou faz parte de um padrão evolutivo maior? E, o mais importante, os cientistas querem saber o que eles podem aprender com estes roedores para melhorar a saúde humana e ampliar a nossa qualidade de vida com o avanço da idade. “Acho que, se pudermos aplicar a engenharia reversa à biologia do rato-toupeira-pelado, podemos criar muitas terapias necessárias para uma sociedade que está envelhecendo”, conclui o professor.

Como a paternidade muda o cérebro masculino

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 04/08/2026 Nos meses antes do nascimento do meu filho, minha parceira e eu participamos de um workshop sobre parto ativo, de uma sessão sobre amamentação e do curso pré-natal oferecido pelo hospital, lemos uma pilha de livros sobre gravidez e bebês e navegamos por inúmeros sites. Nossos blocos de notas rapidamente ficaram cheios. Entre minhas anotações daquela época estão detalhes das muitas formas como o corpo das mulheres se prepara para o parto e a maternidade: os hormônios aumentam e diminuem, os órgãos mudam de posição, o cérebro se remodela. Ninguém, porém, me disse que meu cérebro e meu corpo também estavam se preparando para a paternidade. Meu filho tinha mais de um ano quando me deparei pela primeira vez com essa ideia em Father Time, um livro da antropóloga Sarah Blaffer Hrdy no qual ela argumenta que os homens possuem toda a estrutura biológica necessária para serem “tão protetores e cuidadosos quanto a mãe mais dedicada”. Isso despertou minha curiosidade. Sou um defensor convicto da paternidade ativa (em que homens têm grande participação na rotina de criar os filhos), mas imaginava que isso fosse uma decisão cultural da minha geração de homens. O livro de Hrdy, no entanto, me apresentou a todo um campo acadêmico que afirma que nossa abordagem tem raízes na biologia, apenas adormecidas e à espera de serem ativadas. Depois de entrevistar Hrdy e outros especialistas e analisar os estudos, cheguei a uma conclusão simples: a paternidade muda os homens de formas que refletem a maneira como a maternidade transforma as mulheres. Quanto mais envolvido um pai estiver nos cuidados com seu bebê, mais profunda se torna essa transição. Essas mudanças em nosso sistema endócrino e neural mostram que o pai cuidador não é uma aberração moderna, mas uma característica biológica profundamente enraizada. Queda da testosterona As primeiras pesquisas sobre como os pais são fisicamente transformados pelos bebês surgiram a partir de observações de outros animais. Esses estudos do final do século 20 descobriram que muitos machos de mamíferos, incluindo outros primatas, apresentam alterações hormonais claras, incluindo aumentos e quedas em hormônios como testosterona, vasopressina e prolactina, normalmente associados à maternidade, à medida que passam a se envolver ativamente nos cuidados parentais. Quando o antropólogo americano Lee Gettler, então estudante universitário, ouviu falar dessas descobertas no início dos anos 2000, ficou fascinado. “Perguntei [ao meu professor] se alguém estava estudando essas questões em pais humanos, e a resposta naquela época era, em grande parte, não”, diz Gettler, hoje diretor do Laboratório de Hormônios, Saúde e Comportamento Humano da Universidade de Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos. O primeiro estudo a demonstrar alterações hormonais em homens acabara de ser publicado, em 2000, por duas pesquisadoras canadenses, Katherine Wynne-Edwards e Anne Storey. Quando Gettler começou a investigar essa área, já era um fato estabelecido que os pais tinham níveis mais baixos de testosterona do que homens sem filhos. “Mas aí existe o problema do ovo e da galinha, certo?”, explicou Gettler. “Homens com baixos níveis de testosterona têm mais probabilidade de se tornar pais? Ou é a transição para a paternidade que leva a essa cascata de mudanças biológicas nos homens?” Para responder a essa questão e a outras, Gettler se uniu aos cientistas que coordenavam um projeto de décadas na cidade de Cebu, nas Filipinas. Em 2005, essa equipe coletou amostras de saliva de 624 homens, com idade média de 21 anos e sem parceiras, e analisou seus níveis de testosterona. Quatro anos depois, voltou a testá-los. Eles queriam responder a duas perguntas: os homens que se tornaram pais nesse intervalo teriam níveis mais baixos de testosterona? E esses níveis seriam ainda mais baixos nos pais que passavam mais horas cuidando dos filhos? Quando os resultados chegaram, a resposta para ambas as perguntas foi “sim”. Os homens que tiveram bebês apresentaram níveis significativamente mais baixos de testosterona em comparação com os que não se tornaram pais. E os homens que passaram mais tempo cuidando dos bebês apresentaram as maiores quedas de testosterona. Aqueles que dividiam a cama com seus filhos pequenos também tinham níveis mais baixos. “Acho que foi a primeira mensagem clara na literatura científica de que os homens têm essa capacidade de se preparar para a paternidade”, disse Gettler. De certa forma, explica ele, trata-se da biologia deles se preparando para o cuidado com os filhos. As conclusões deles não são únicas. Outras equipes também descobriram que quedas nos níveis de testosterona durante a gravidez da parceira estão associadas a maior envolvimento, comprometimento e satisfação após o nascimento do bebê, e que o nível desse hormônio estava até mesmo ligado à reação dos homens ao choro dos bebês: eles se tornavam mais atentos e responsivos. Em 2018, uma equipe do laboratório de Gettler também concluiu que pais com níveis mais baixos de testosterona tendem a se envolver mais nos cuidados com bebês e crianças pequenas. Mas quando isso acontece? A questão de saber se ocorre antes ou depois do nascimento estava ocupando os pensamentos de James K. Rilling, diretor do Laboratório de Neurociência Social Humana da Universidade Emory, nos EUA. “Minha suposição”, disse Rilling, “era que isso acontecia no período pós-natal, depois que os pais passavam algum tempo interagindo com seus bebês.” O que descobriram os surpreendeu. Quando testaram pais apenas quatro meses após a concepção, dois hormônios já apresentavam níveis mais baixos do que no grupo de controle: testosterona e vasopressina. “E o interessante é que, quanto menor a testosterona, mais eles se envolvem com a mãe e o bebê após o nascimento”, afirma Rilling, que em 2024 publicou Father Nature, um livro que explora a ciência da paternidade. Segundo ele, a vasopressina teve um efeito semelhante. Rilling se mostra intrigado com a razão de isso acontecer. Existe algum sinal químico que os futuros pais recebem de suas parceiras grávidas? Trata-se de uma mudança psicológica que ocorre quando eles descobrem que estão esperando um bebê? Como acontece com muitas descobertas surpreendentes nesse campo de pesquisa relativamente jovem, ainda não sabemos. O que é certo é que

Estudo propõe alternativa mais segura para reposição hormonal na menopausa

Pesquisa da USP revela estratégia que equilibra o metabolismo sem estimular tecidos sensíveis a tumores, abrindo caminho para tratamentos mais seguros Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 27/08/2026 Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) testaram uma estratégia alternativa à terapia hormonal convencional para a menopausa. A abordagem ativa apenas um tipo de receptor de estrogênio nas células, resultando em um efeito metabólico benéfico sem estimular o crescimento de tecidos reprodutivos, como útero e mamas. Essa característica é importante para mulheres com predisposição genética a tumores. “É uma estratégia mais pontual. Ao agir apenas nesse receptor, conseguimos reequilibrar os efeitos metabólicos da queda do estrogênio durante a menopausa sem afetar áreas possivelmente sensíveis do organismo”, explica a pesquisadora Débora Santos Rocha, primeira autora do artigo. O estudo, publicado na revista “Comprehensive Physiology”, foi realizado em ratas com ovários removidos para simular a menopausa. Os cientistas usaram uma droga experimental para ativar o receptor de estrogênio beta (ER?), um regulador metabólico que não está associado ao risco de tumores sensíveis a hormônios. A queda de estrogênio na menopausa desorganiza o metabolismo, favorecendo o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina e o risco cardiovascular. A terapia de reposição hormonal tradicional, ao ativar todos os receptores, pode acelerar o crescimento de células tumorais em mulheres predispostas. Resultados da nova abordagem A ativação isolada do ER? promoveu uma reprogramação metabólica profunda no estudo. Os principais benefícios observados foram: “Tudo isso sem qualquer efeito sobre o útero, o que indica a segurança da abordagem”, comenta Alicia Kowaltowski, coordenadora da pesquisa. O fígado foi um dos focos principais. Com a ativação do ER?, o órgão passou a oxidar totalmente os ácidos graxos, convertendo a gordura em CO?, o que melhora o perfil lipídico do organismo. Esse efeito de “oxidação completa” foi um achado importante do trabalho. Embora o tratamento não tenha impedido o ganho de peso, melhorou a qualidade do metabolismo e o funcionamento do fígado, pâncreas e sangue. “Se pudermos modular vias específicas, abrimos caminho para tratamentos mais personalizados”, ressalta Kowaltowski. As investigações continuam em um novo projeto, agora focado na transição para a menopausa (perimenopausa). Em vez da remoção abrupta dos ovários, o novo estudo usará um modelo de queda gradual da reserva ovariana, mais próximo da realidade humana. “Queremos entender essa transição e identificar novos alvos terapêuticos que possam servir como alternativas”, conclui Rocha.

Células-tronco do nariz abrem caminho para tratar lesões na medula espinhal

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 21/08/2026 Estudo da USP utiliza células da mucosa olfativa e apresenta resultados positivos na recuperação de funções motoras em testes com animais. Pesquisadores de diferentes centros da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram uma terapia experimental que utiliza células-tronco da mucosa olfativa para tratar lesões na medula espinhal. Os testes, realizados em modelos animais, demonstraram uma recuperação significativa das funções motoras nas cobaias. A pesquisa focou nas células ectomesenquimais, que são responsáveis pela regeneração contínua do sistema olfativo. De acordo com os cientistas, essas células são obtidas por meio de procedimentos pouco invasivos, superando limitações associadas ao isolamento de células-tronco de cordão umbilical ou de medula óssea. Experimento e mecanismo de regeneração neurológica No modelo experimental com ratos Wistar, o grupo que recebeu a injeção dessas células associada a um composto biológico gelatinoso (Matrigel) voltou a andar na terceira semana após a contusão medular. O estudo revelou que, ao contrário das teorias anteriores, as células-tronco transplantadas não preenchem fisicamente o local lesionado para criar uma nova via de condução nervosa. Em vez disso, elas atuam recrutando e gerando substâncias que estimulam a regeneração neuronal na própria região afetada. Próximos passos e testes clínicos Embora os resultados sejam preliminares e restritos a testes laboratoriais em animais, o avanço abre perspectivas para o desenvolvimento de futuros tratamentos em humanos. A pesquisa foi conduzida pelo médico Brian Coimbra, em sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), sob orientação do professor Alexandre Fogaça. O grupo agora busca aprofundar a compreensão dos mecanismos moleculares para viabilizar a transição da terapia para ensaios clínicos e o possível desenvolvimento de fármacos.

Aumentar passos é tão eficaz para a asma quanto aeróbico, diz estudo

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 25/08/2026 Pesquisa aponta que mais de mil passos extras por dia, alcançados com caminhada ou treino aeróbico, reduzem sintomas e melhoram a qualidade de vida de pacientes. Pessoas com asma moderada a grave podem obter resultados tão eficazes contra a doença ao aumentar o número de passos diários quanto ao realizar sessões estruturadas de treinamento aeróbico, segundo um estudo liderado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo). A pesquisa aponta que as duas abordagens melhoram a qualidade de vida, aliviam sintomas de ansiedade e depressão e mantêm a asma sob controle a médio prazo, oferecendo aos médicos e pacientes alternativas mais flexíveis e acessíveis de tratamento não farmacológico. O artigo é fruto do doutorado do fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, atualmente pós-doutorando do Laboratório de Investigação em Fisioterapia e Exercício (Liffe) do Hospital das Clínicas da FM-USP (Faculdade de Medicina da USP), com bolsa da FAPESP. O pesquisador explica que em um estudo anterior, foi constatado que, se um paciente caminha 7.500 passos por dia, ele já tem um melhor controle clínico da asma. Participantes do estudo No total, 480 pacientes foram convidados a fazer parte do novo estudo e 52 ingressaram no programa após triagem. As intervenções realizadas nos participantes duraram dois meses, contando com uma reavaliação feita quatro meses depois. Os voluntários selecionados tinham diagnóstico de asma moderada a grave não controlada e deveriam estar inativos até o momento de início da pesquisa –– praticando menos de 150 minutos de atividade física por semana. Além disso, deveriam estar recebendo tratamento médico por ao menos seis meses, clinicamente estáveis (sem piora repentina nos sintomas nos últimos 30 dias) e não serem fumantes. Os participantes assistiram a uma aula educacional presencial antes do início do programa, com tópicos como fisiopatologia da asma, uso correto da medicação e benefícios da prática de atividade física. Eles foram divididos em dois grupos por meio de sorteio, ambos com intervenções que duraram oito semanas: Os voluntários tinham entre 18 e 65 anos. A maioria eram mulheres com sobrepeso ou obesidade grau 1 e apresentavam sintomas de ansiedade e depressão, além de baixa qualidade de vida. Análise Os parâmetros de atividade física, controle clínico da asma, qualidade de vida e sintomas de depressão e ansiedade foram medidas antes do início da pesquisa (basal), logo após concluídas as oito semanas de intervenção (pós-intervenção) e quatro meses depois. As três etapas de avaliação duraram sete dias e sete noites e, nelas, os voluntários usaram um acelerômetro na cintura durante o dia, para medir os passos, e outro no punho à noite, para verificar a qualidade do sono. Os voluntários dos dois grupos tiveram menos sintomas respiratórios e mantiveram o benefício quatro meses após o término. “Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra. Entretanto, o treinamento aeróbio requer um aparato maior e precisa ser supervisionado. Já com uma simples caminhada, ao aumentar o número diário de passos, o paciente tende também a controlar a doença e obter outros benefícios, como, por exemplo, a melhora da qualidade de vida e a redução dos sintomas de ansiedade e depressão.” David Halen Araújo Pinheiro, fisioterapeuta e autor do estudo. Após concluídos os dois meses de uma intervenção ou de outra, os pesquisadores ficavam quatro meses sem entrar em contato com os pacientes e só então os chamavam para follow-up. Isso ocorria, segundo David, para não influenciar e “deixar que seguissem a vida cotidiana”. Depois dos quatro meses, muitos pacientes do grupo do treinamento aeróbio contaram que entraram na academia para fazer esteira e os pacientes do grupo da intervenção comportamental mantiveram a caminhada no dia a dia. Porém, nem todos fizeram isso, e a variação climática foi apontada como o principal motivo para a interrupção das atividades. No grupo de treinamento aeróbio, o número de passos aumentou em comparação com o momento basal e decaiu no follow-up. O mesmo ocorreu no grupo de intervenção comportamental, embora nos dois casos os números tenham ficado acima do registrado antes da intervenção. No pós-intervenção do treinamento aeróbio, houve um aumento em média de 1.537 passos por dia, em relação ao momento inicial. No folow-up desse grupo, o aumento foi menor: ficou em 983 passos. Já no grupo da intervenção comportamental, o número de passos diários logo após os dois meses de programa teve aumento de 1.126. Quatro meses depois, o número foi para 996. “Isso foi uma curiosidade que notamos. Depois de quatro meses, o número de passos registrados pelo grupo da intervenção comportamental foi um pouco maior do que o do treinamento aeróbio”, afirma o autor.

Eclipse lunar quase total poderá ser visto do Brasil: que horas começa e como observar

Fonte: BBC News | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/pexels | Data: 10/08/2026 Após o eclipse solar total que encantou a Europa em 12 de agosto, mas não pôde ser visto do Brasil, um segundo eclipse acontecerá neste mês. Trata-se desta vez de um eclipse lunar parcial, que poderá ser observado em todo o Brasil na noite de quinta-feira (27/8) para sexta-feira (28/8). O fenômeno terá início às 22h24 de quinta-feira e continuará durante a madrugada. O ápice ocorrerá às 1h13 de sexta-feira, quando a Lua estará mais encoberta pela sombra da Terra. Durante um eclipse lunar, a Terra passa entre o Sol e a Lua e projeta sua sombra sobre o satélite. Desde que as condições meteorológicas sejam favoráveis, o fenômeno poderá ser visto em todas as regiões do Brasil. Ao contrário do eclipse solar, o fenômeno lunar não exige óculos especiais e pode ser visto a olho nu. Apesar de quase toda a Lua ficar escurecida, o eclipse é classificado como parcial, porque uma pequena parte do satélite permanecerá fora da chamada umbra, a região mais escura da sombra projetada pela Terra. Eclipse lunar, visto do Brasil O fenômeno também será visível a partir da África e partes da Europa. A previsão é de que até 95% da Lua fique com um tom avermelhado. O eclipse lunar só pode acontecer durante a Lua cheia e pode vir de três formas diferentes: total, parcial e penumbral. Quando a luz do Sol bate na Terra, cria dois tipos de sombras, a umbra (sombra mais escura) e a penumbra (uma sombra mais branda). Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, afirma que o eclipse que será visto no Brasil será apenas parcial. “A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total, porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, disse Nascimento à Agência Brasil. Segundo a astrônoma, para assistir ao eclipse lunar não é preciso nenhum tipo de óculos ou técnica especial: basta escolher um lugar aberto, com uma visão limpa para a lua e de preferência com pouca interferência de luz artificial. O Observatório Nacional vai transmitir o eclipse lunar de maneira gratuita pelo seu canal no YouTube. Eclipse solar Em um eclipse solar total, a Lua passa entre o Sol e a Terra, cobrindo inteiramente a face do Sol ao longo de uma estreita faixa da superfície do nosso planeta. Essa faixa é chamada de “caminho da totalidade”. O céu se escurece em pleno dia, semelhante a um crepúsculo. Alguns animais chegam a alterar seu comportamento por causa do fenômeno. Durante a totalidade, a mudança na luz pode ser acompanhada por uma queda na temperatura. O horizonte pode ganhar cores semelhantes às do pôr do sol, enquanto estrelas e planetas mais brilhantes podem ficar visíveis. Nos últimos instantes antes da totalidade, também pode ocorrer o chamado “efeito de anel de diamante”, quando pequenos pontos de luz do Sol aparecem através dos vales da Lua. Com o Sol completamente encoberto, sua coroa — a camada mais externa de sua atmosfera — também fica visível. Normalmente, ela é difícil de observar por causa do intenso brilho do Sol. Cientistas aproveitam justamente esses poucos minutos de escuridão para estudar essa região e o campo magnético do Sol. No eclipse solar, a Lua consegue cobrir o Sol apenas devido à grande proximidade do satélite em relação ao nosso planeta. A Lua é muito menor que o Sol: seu diâmetro é de 3.476 km, em comparação com os 1,4 milhão de km de diâmetro do Sol. O eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 pôde ser visto em partes da Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Oceano Atlântico, Espanha e em uma pequena área de Portugal, de acordo com a Nasa. Já um eclipse parcial pôde ser visto em partes do Hemisfério Norte, incluindo áreas do norte dos Estados Unidos, a maior parte do Canadá, grande parte da Europa e o noroeste da África.

Tratamento para rastrear câncer colorretal será aplicado no SUS

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/pexels | Data: 11/08/2026 Medida foi incluída pelo Ministério da Saúdes e será destinada a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos. O Ministério da Saúde incluiu na tabela de procedimentos do SUS (Sistema Único de Saúde) o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) para rastreamento de câncer colorretal. O exame será destinado a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos, ampliando o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e ao diagnóstico oportuno. De acordo com o órgão, o FIT geralmente é feito com fitas rápidas, semelhante a um teste de gravidez. O método detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. O exame vai ser usado como triagem para definir quais pacientes vão precisar de colonoscopia, que confirma o diagnóstico com precisão. A testagem dispensa restrições alimentares prévias e pode ser feita a partir de uma única amostra, detectando até 92% de câncer colorretal. Entre as vantagens estão resultado rápido, custo mais barato, praticidade e simplicidade em realizar, pois não exige equipamentos automatizados complexos, além de maior desempenho no rastreamento. Câncer de intestino O câncer de intestino é o segundo tipo mais incidente no Brasil, desconsiderando os casos de pele não melanoma. A estimativa é de 53,8 mil novos casos por ano no país a cada ano do triênio 2026-2028, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença foi enfrentada pela cantora Preta Gil, cuja trajetória ajudou a ampliar o debate sobre a importância da prevenção e agilidade no tratamento.

Estudo: reprogramação de células de defesa podem combater o Alzheimer

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 13/08/2026 Pesquisa mostra que a utilização de mecanismos biológicos ajudam a limpar proteínas tóxicas no cérebro. Uma reprogramação da microglia, célula de defesa do sistema nervoso central, pode ser capaz de combater a doença do Alzheimer, conforme concluiu um estudo de pesquisadores da Espanha e da Suíça. Isso ocorre graças à gestão de mecanismos biológicos que atua diretamente na limpeza de proteínas tóxicas no cérebro. O estudo publicado em abril deste ano mostra que a gestão do eixo ligado pela enzima PM20D1(Peptidase M20 Domain Containing 1) e pela molécula metabólica OLE (N-oleoil-Leucina) consegue transformar o estado das células que possuem um perfil patológico, que acaba desencadeando diversas doenças neurais, em um perfil protetor. Segundo o Ministério da Saúde, o Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória. Isso ocorre porque há uma falha no processamento de algumas proteínas do sistema nervoso central, provocando, inclusive, toxicidade nas proteínas. Por causa desse comprometimento, muitos neurônios morrem por não terem a produção ocorrida corretamente, causando perda de informações. A principal função da PM20D1 é regular o metabolismo e realizar a proteção de doenças neurodegenerativas por meio da síntese da OLE, “instruindo” as células da microglia a combater a doença. Já a OLE ativa um conjunto de genes chamados de PIGs (Genes Induzidos por Placas). Eles se expressam na alteração e no fortalecimento da microglia quando estão ao redor das placas amiloides, que são acúmulos de proteínas nocivas nos espaços entre os neurônios – principal característica biológica do Alzheimer. A gestão dessa molécula para combater a patologia ocorre principalmente na limpeza das placas amiloides, desintoxicando o cérebro. Especificamente nos neurônios, a reprogramação foca principalmente na neuroproteção e na melhora na forma de lidar com o estresse oxidativo que geralmente enfraquece a comunicação neural. Essas duas alterações são capazes de restaurar a capacidade cognitiva. Os testes foram realizados em camundongos, com o tratamento oral da OLE, em que foi possível identificar a recuperação de funções cognitivas e redução das placas no cérebro. Outros dois métodos foram utilizados, como a a aplicação da dose em vermes e em culturas de células no formato in vitro. Não foi possível determinar uma dosagem para uso clínico saudável para humanos, mas, segundo a pesquisa, ainda é um passo futuro.

Anvisa aprova novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne

Fonte: CNN Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/magnific | Data: 13/08/2026 Duvyzat é indicado para crianças a partir dos 6 anos e demonstrou retardar a perda da capacidade motora associada à doença rara. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quinta-feira (13), o registro do Duvyzat (givinostate), novo medicamento indicado para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara e grave que provoca perda progressiva da força muscular. O medicamento é indicado para crianças a partir dos 6 anos, em tratamento concomitante com corticosteroides. Segundo a Anvisa, estudos clínicos apresentados para o registro mostraram que o remédio é capaz de retardar a progressão da doença. O principal benefício observado foi uma desaceleração da perda da capacidade motora, avaliada pelo tempo necessário para o paciente subir quatro degraus, com preservação da função muscular. Os pacientes que receberam Duvyzat tiveram perda de função significativamente menor em comparação com aqueles que receberam somente o tratamento padrão à base de corticoide. O medicamento é líquido, administrado por via oral duas vezes ao dia. A indicação e a quantidade utilizada dependem da avaliação médica de cada paciente e levam em consideração o peso corporal. O que é a distrofia muscular de Duchenne? A DMD é uma doença genética que afeta principalmente meninos e costuma apresentar os primeiros sinais ainda na primeira infância. Segundo a Anvisa, estima-se que cerca de 700 pessoas sejam diagnosticadas com a doença por ano no Brasil. Os primeiros sintomas geralmente aparecem entre os 2 e 5 anos, com dificuldades para correr, pular ou se levantar do chão. Com a progressão da doença, a força muscular diminui gradualmente. A maioria dos pacientes perde a capacidade de andar por volta dos 12 anos. Isso acontece porque o organismo das pessoas com DMD não consegue produzir adequadamente uma proteína chamada distrofina, fundamental para proteger as células musculares. A Anvisa compara a função da proteína à de um “amortecedor” ou “escudo”. Sem ela, as fibras musculares ficam mais frágeis e podem se romper com os movimentos. Ao longo do tempo, o músculo lesionado perde a capacidade de se regenerar e passa a ser progressivamente substituído por tecidos gorduroso e fibroso, provocando a perda de força. A progressão da DMD também pode atingir os músculos respiratórios e cardíacos, comprometendo funções essenciais do organismo. Segundo as informações divulgadas pela agência, a expectativa de vida dos pacientes geralmente não ultrapassa os 30 anos. A doença também pode levar à dependência para atividades cotidianas e à necessidade de equipamentos como cadeiras de rodas e aparelhos de ventilação, além de acompanhamento contínuo de diferentes profissionais de saúde. Medicamento ainda será acompanhado Apesar dos resultados que levaram à aprovação, a Anvisa ressalta que ainda existem incertezas sobre a eficácia clínica do Duvyzat no longo prazo. Por esse motivo, o registro foi acompanhado de um Termo de Compromisso firmado entre a agência e a Multicare Pharmaceuticals Ltda. O mecanismo permite que o medicamento chegue ao mercado enquanto novos estudos continuam produzindo evidências sobre seus benefícios e riscos no longo prazo. Segundo a Anvisa, esse tipo de recurso é utilizado em situações envolvendo doenças graves e sem alternativas terapêuticas adequadas. O Duvyzat já recebeu aprovação para o tratamento da doença nos Estados Unidos, Reino Unido e em países da União Europeia. A análise brasileira recebeu prioridade com base na RDC 205/2017, que estabelece procedimentos especiais para medicamentos destinados ao tratamento, diagnóstico ou prevenção de doenças raras.