Fala do presidente da Unidas, Mário Jorge, é um dos destaques do ANABB Debate, que também ouviu o conselheiro Deli Soares
Fonte: Anabb | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet/pexels | Data: 19/08/2026
Nesta semana, vamos dar sequência à série ANABB Debate, desta vez tratando da autogestão na CASSI, modelo de administração escolhido pela Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil para proporcionar saúde de qualidade para aproximadamente 1,08 milhão de vidas protegidas (somados os convênios de reciprocidade) em todo o território nacional.
Ao longo dos seus 82 anos de existência, a CASSI é considerada referência entre as operadoras de autogestão em saúde no Brasil. Para tratar do tema, conversamos com Deli Soares, membro do Conselho Deliberativo da ANABB, e Mário Jorge Vital, presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas).
Criada em 1944 por um grupo de trabalhadores do Banco do Brasil, a CASSI atende cerca de 954 mil pessoas em todo o país, considerando todos os seus planos. De acordo com Mário Jorge Vital, da Unidas, ao longo de oito décadas de existência, a CASSI tornou-se referência no segmento, tanto pela sua escala quanto pela história e pela governança associativa. Ele explicou que, considerando o setor como um todo, a autogestão representa 9% do total.
“A CASSI diz muito sobre a essência da autogestão”, destacou Mário Jorge.
Deli Soares acredita que o sucesso da autogestão na CASSI vem desde a criação da entidade, a partir da vontade de um grupo de funcionários do Banco do Brasil que queria um modelo de assistência que atendesse a todos os trabalhadores do Banco do Brasil.
“A CASSI é administrada por funcionários do Banco do Brasil, que são eleitos. Dessa forma, há uma participação muito grande dos funcionários, e essa participação qualifica a assistência”, explicou o conselheiro.
As autogestões em saúde têm um público que permanece, em média, entre nove e 11 anos, considerada a maior média do sistema de saúde suplementar. Na CASSI, alguns beneficiários estão no plano há 60 anos.
Para Mário Jorge, defender a autogestão é defender um modelo feito de pessoas para pessoas, que não nasce da lógica de venda de um produto ou de um plano, mas do compromisso de uma instituição com a saúde de uma determinada população.
A Unidas, por exemplo, foi criada há 24 anos para cuidar dos interesses das entidades de autogestão. A entidade conta hoje com mais de 110 filiadas, representando um universo de 4,3 milhões de beneficiários, o que corresponde a 80% de toda a modalidade.
“É bem relevante a nossa representação na saúde suplementar”, avaliou Mário Jorge Vital.
Para destacar a importância da autogestão, Deli Soares lembra que a CASSI tem quase um milhão de assistidos. Segundo ele, o diferencial do plano de autogestão é a possibilidade de a administração ser feita com a participação dos próprios beneficiários.
Dificuldades enfrentadas
Como a saúde é um produto caro sob todos os aspectos, mesmo os planos geridos pelo modelo de autogestão enfrentam problemas, como os altos custos.
“A inflação da saúde é muito maior do que o que vem nos salários. A cada três ou quatro anos, é necessário fazer novos aportes e repensar a forma de contribuir, mas a CASSI tem conseguido; tem sido possível. Acontecem falhas, há reclamações, o processo é construído assim. Quando acontecem falhas, elas são corrigidas. Há deficiências, mas a CASSI é, de longe, a melhor do mercado. Não tem comparação”, destacou Deli Soares.
Assim como as demais operadoras de saúde, que adotam modelos diversos, e até mesmo o Sistema Único de Saúde (SUS), as entidades de autogestão enfrentam problemas com os altos custos, tendo como uma das principais causas o envelhecimento da população.
Segundo Mário Jorge, oferecer uma assistência de boa qualidade é uma dificuldade em todo o mundo. O gestor destaca a dificuldade de financiar o envelhecimento da população.
“O envelhecimento se dá também porque a assistência à saúde, no caso do Brasil, é ampla e universal desde 1986, com a 8ª Conferência Nacional de Saúde e, posteriormente, com a criação do SUS. Mesmo havendo precariedade, é ampla. Para os planos de saúde, a questão é ainda mais séria, porque as despesas aumentam muito mais do que o aumento dos salários dos beneficiários, do que o aumento da remuneração”, explicou o presidente da Unidas.
As operadoras filiadas à Unidas, que utilizam o modelo de autogestão, além de desenvolverem estratégias para reduzir custos, mantendo a qualidade do serviço prestado e contando com gestores preparados, dispõem do apoio da entidade, que dialoga de forma permanente com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo e com os demais órgãos do setor, para levar as particularidades da autogestão aos espaços em que as decisões são construídas.
Entidades de autogestão como a CASSI, Postalis, GEAP e Saúde Caixa, entre outras, têm demonstrado, ao longo dos anos, boa qualidade nos serviços prestados. Mário Jorge Vital atribui o desempenho satisfatório ao fato de os gestores fazerem parte da comunidade assistida.
“É uma política de cuidado, de proteção e de valorização das pessoas. Quando uma entidade conhece a sua população, essa comunidade é beneficiada, principalmente quando a entidade desenvolve esse trabalho ao longo do tempo, porque acompanha a história da população e entende suas necessidades. A operadora tem melhores condições de construir programas de prevenção, gestão de doenças crônicas, atenção primária, saúde mental, envelhecimento saudável e cuidado coordenado”, explicou Deli Soares, conselheiro da ANABB.
Expansão de um modelo que dá certo
A expansão da autogestão é discutida pelas entidades que já adotaram o modelo. A adesão por parte de órgãos e empresas passa por ampliar o conhecimento sobre o que significa e como funciona a autogestão, mostrar que existem diferentes formas de organizar esse modelo e que ele pode ser adaptado a realidades distintas, sejam elas regionais ou nacionais.
“Muitas instituições ainda não conhecem suficientemente a autogestão ou a associam a uma estrutura complexa, difícil de implementar ou restrita a grandes organizações”, disse Mário Jorge.
A expansão também depende de segurança regulatória. Um marco importante para a autogestão foi a reforma da Resolução Normativa 137, que constitui o arcabouço regulatório das autogestões e culminou com a Resolução Normativa 649 da Agência Nacional de Saúde Suplementar, já aprovada e em vigor desde 1º de julho deste ano. O regramento altera a RN 137/2006, que trata das entidades de autogestão em saúde.
“Sinto-me motivado em participar de um sistema como esse, de autogestão, que é extremamente solidário, com todos trabalhando para um conjunto de pessoas que estão sendo assistidas, em que todos os envolvidos são associados e, mais do que associados, são, entre aspas, donos do plano. E o plano tem que funcionar bem para que eles sejam bem atendidos”, concluiu Deli Soares.






