Ter cães e gatos retarda declínio cognitivo na velhice, aponta estudo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 15/07/2025 Pesquisa mostra que pets estimulam memória e linguagem em adultos acima dos 50 anos, enquanto peixes e aves não produzem o mesmo efeito no cérebro. Muito além de carinho e companhia, os animais de estimação podem também ser aliados poderosos da saúde mental — especialmente à medida que envelhecemos. Uma pesquisa conduzida por pesquisadores das universidades de Genebra, Lausanne e Zurique, na Suíça, revela que a presença de um pet, em especial cães e gatos, pode ajudar a desacelerar o declínio das funções cognitivas em adultos acima dos 50 anos. O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, analisou dados de mais de 18 anos da Pesquisa de Saúde e Aposentadoria na Europa (SHARE), cruzando informações de milhares de europeus com a presença ou ausência de animais em casa. Foram avaliados os efeitos da convivência com cães, gatos, peixes e pássaros na preservação da memória, da fluência verbal e de outras capacidades mentais. Os resultados revelam que donos de cachorros apresentaram desempenho superior na retenção de memórias de curto e longo prazo. Já os que conviviam com gatos demonstraram uma desaceleração no declínio de habilidades como a fluência verbal. Por outro lado, peixes e aves não mostraram impacto significativo na saúde cognitiva. A razão, segundo Adriana Rostekova, principal autora do estudo, pode estar no tipo de vínculo emocional que cada animal proporciona. “A vida útil de um peixe ou de um pássaro pode limitar o grau de conexão afetiva que alguém desenvolve. Além disso, o barulho causado por aves pode afetar negativamente o sono, o que está associado ao declínio cognitivo”, explica. Outros estudos já haviam apontado que interações com cães e gatos ativam áreas cerebrais relacionadas à atenção e à socialização — elementos fundamentais para a preservação da saúde mental na velhice. Animais que exigem menos cuidado, como peixes e pássaros, tendem a gerar menos estímulos desse tipo. Ainda que os pesquisadores reconheçam a necessidade de novos estudos sobre o tema, a ideia de adotar um companheiro animal como forma de envelhecer com mais saúde cognitiva ganha força. Seja de quatro patas, com penas ou escamas, o importante parece ser o tipo de laço que se estabelece — e o quanto ele é capaz de manter o cérebro desperto para o mundo.

Como é a ‘dieta da Mente’, que promete melhorar a saúde cognitiva

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 12/07/2025 Há muito tempo existem evidências de que o que comemos pode afetar o risco de demência, Alzheimer e declínio cognitivo à medida que envelhecemos. Mas será que uma dieta específica pode realmente manter o cérebro forte e reduzir o risco de demência? As evidências sugerem que a chamada “dieta da mente” pode. A dieta Mind (abreviação em inglês para Intervenção Mediterrânea-Dash para Atraso Neurodegenerativo), que pode ser traduzida como “dieta da mente”, combina a consagrada dieta mediterrânea com a dieta Dash (abordagem alimentar para combater a hipertensão). Mas também inclui algumas modificações alimentares específicas com base em seus benefícios para a saúde cognitiva. Tanto a dieta mediterrânea quanto a Dash são baseadas em hábitos alimentares tradicionais de países que fazem fronteira com o Mar Mediterrâneo. Ambas enfatizam o consumo de muitos alimentos de origem vegetal (como frutas, legumes, verduras, nozes e sementes), laticínios com baixo teor de gordura (como leite e iogurte) e proteínas magras, como peixe e frango. As duas dietas incluem muito pouca carne vermelha e processada. Mas a dieta Dash coloca uma ênfase maior no consumo de alimentos com baixo teor de sódio, menos açúcar adicionado e menos gordura saturada e trans para reduzir a pressão arterial. Ambas as dietas são bastante estudadas, e demonstraram ser eficazes na prevenção de doenças relacionadas ao estilo de vida — incluindo doenças cardiovasculares e hipertensão. Elas também ajudam a proteger os neurônios do cérebro contra danos e beneficiam a saúde cognitiva. A “dieta da mente” segue muitos dos princípios básicos de ambas as dietas, mas dá maior ênfase ao consumo de alimentos que contenham nutrientes que promovam a saúde do cérebro e previnam o declínio cognitivo, incluindo: Vários estudos foram realizados sobre a “dieta da mente”, e as evidências dos benefícios desta abordagem alimentar para a saúde do cérebro são bastante convincentes. Por exemplo, um estudo perguntou a 906 idosos sobre sua dieta habitual — atribuindo a eles uma “pontuação Mind (ou da mente)” com base no número de alimentos e nutrientes que eles consumiam regularmente e que estão associados a um menor risco de demência. Os pesquisadores descobriram uma relação entre as pessoas que tinham uma pontuação mais alta na “dieta da mente” e um declínio cognitivo mais lento, quando foram acompanhadas quase cinco anos depois. Outro estudo com 581 participantes constatou que as pessoas que seguiram rigorosamente a “dieta da mente” ou a dieta mediterrânea por pelo menos uma década, apresentaram menos sinais de placas amiloides no cérebro quando examinadas post-mortem. As placas amiloides são uma das principais características do Alzheimer. A maior ingestão de verduras pareceu ser o componente alimentar mais importante. Uma revisão sistemática de 13 estudos sobre a “dieta da mente” também encontrou uma associação positiva entre a adesão à “dieta da mente” e o desempenho e a função cognitiva em idosos. Um artigo incluído na revisão chegou a mostrar uma redução de 53% no risco de Alzheimer naqueles que adotaram a dieta. É importante observar que a maior parte desta pesquisa é baseada em estudos observacionais e questionários de frequência alimentar, que apresentam suas limitações devido à confiabilidade e ao viés dos participantes. Apenas um ensaio clínico randomizado foi incluído na revisão. Ele constatou que as mulheres que foram aleatoriamente designadas para seguir a “dieta da mente”, em vez de uma dieta de controle por um curto período de tempo, apresentaram uma leve melhora na memória e na atenção. As pesquisas nesta área estão em andamento — então esperamos que, em breve, tenhamos uma melhor compreensão dos benefícios da dieta, e saibamos exatamente por que ela é tão benéfica. Cuidado com a alimentação As diretrizes de saúde pública do Reino Unido recomendam que as pessoas adotem uma dieta balanceada para manter uma boa saúde geral. No entanto, a “dieta da mente” oferece uma abordagem mais específica para aqueles que desejam cuidar da saúde cognitiva. Enquanto as diretrizes de saúde pública incentivam as pessoas a comer pelo menos cinco porções de frutas e legumes diariamente, a “dieta da mente” recomenda optar por verduras e hortaliças verdes (como espinafre e kale) e frutas vermelhas por conta dos benefícios cognitivos. Da mesma forma, enquanto as diretrizes do Reino Unido dizem para escolher gorduras insaturadas em vez de saturadas, a “dieta da mente” recomenda explicitamente que essas gorduras sejam provenientes do azeite de oliva. Isso se deve aos potenciais efeitos neuroprotetores das gorduras encontradas no azeite de oliva. Se você deseja proteger sua função cognitiva à medida que envelhece, aqui estão algumas pequenas trocas simples que você pode fazer diariamente para seguir mais de perto a “dieta da mente”: Essas pequenas mudanças podem ter um impacto significativo na sua saúde geral — inclusive na saúde do seu cérebro. Com cada vez mais evidências que vinculam a dieta à função cognitiva, até mesmo pequenas mudanças nos hábitos alimentares podem ajudar a proteger a mente à medida que você envelhece. *Aisling Pigott é professora de nutrição da Universidade Metropolitana de Cardiff, no País de Gales. Sophie Davies é professora de nutrição da Faculdade de Esporte e Ciências da Saúde de Cardiff, da Universidade Metropolitana de Cardiff. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

O que médico que investigou DNA dos ‘superidosos’ descobriu sobre o ‘segredo da longevidade’

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/07/2025 Eric Topol é um renomado pesquisador nos Estados Unidos que publicou diversos artigos científicos. Em seu último livro, ele se aprofunda na ciência de como envelhecer bem, e oferece uma abordagem otimista. Quando o cardiologista Eric Topol atendeu pela primeira vez L.R., de 98 anos, algo chamou sua atenção. Ao perceber que ela não estava acompanhada por nenhum parente, ele perguntou como ela havia chegado ao centro médico. “Ela havia dirigido sozinha. Em pouco tempo, aprenderia muito mais sobre essa senhora incrivelmente vibrante e saudável, que mora sozinha, tem uma ampla rede social e desfruta da sua solidão.” Topol, fundador e diretor da Scripps Research, um respeitado instituto de pesquisa na área de saúde nos Estados Unidos, tem uma longa carreira como cientista e escritor. Seu livro mais recente, Super Agers: An Evidence-Based Approach to Longevity (“Superidosos: uma abordagem baseada em evidências para a longevidade”, em tradução livre), foi elogiado por cientistas renomados, incluindo vários ganhadores do Prêmio Nobel. “Este livro revelador mostra que o segredo da longevidade não está no milagre das pílulas antienvelhecimento, mas em avanços científicos revolucionários”, escreveu a bioquímica Katalin Kariko, vencedora do Prêmio Nobel de medicina de 2023. Em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o médico de 71 anos adverte sobre mitos e pseudociências, sobre “muitas alegações falsas que circulam, suplementos antienvelhecimento para os quais não há evidências, e procedimentos e terapias vendidos sem nenhuma base científica”. “Talvez um dia tenhamos uma pílula mágica, mas a verdade é que não temos nenhuma, não chegamos nem sequer perto disso.” Seu objetivo é compartilhar o que a ciência provou, com fatos, dados e evidências, que “funciona” no processo de envelhecimento saudável. A seguir, está a entrevista com Eric Topol, que conversou com a BBC News Mundo nos Estados Unidos. BBC News Mundo – Você começa seu livro nos apresentando uma de suas pacientes, a senhora L.R. O que a história dela nos diz sobre os ‘superidosos’? Eric Topol – Ela é o protótipo porque tem 98 anos e está totalmente intacta em todos os aspectos, e isso não está em seus genes. Todos os seus familiares, seus pais e irmãos, morreram quando tinham cinquenta ou sessenta anos. Já havíamos aprendido isso em um estudo abrangente que fizemos: essas pessoas que alcançam um estado incrível e saudável de envelhecimento, em sua jornada até os 100 anos, em geral não fazem parte de um padrão familiar. Ela personifica isso porque durante toda a vida se cuidou, não apenas em termos de atividade física e alimentação, mas também tende a ter um comportamento muito alegre, o que anda de mãos dadas com as muitas interações sociais que ela construiu. Ela tem vários hobbies, como pintura a óleo, e ganhou prêmios. É uma pessoa incrível, calorosa e cheia de energia. Na semana passada (última semana de maio), eu a levei para uma grande conferência. Em seus 98 anos de vida, ela nunca havia subido em um palco antes. Deixou toda a plateia encantada. É isso que todos nós deveríamos almejar: um envelhecimento saudável. Esse é o objetivo, e acredito que, com o tempo, vamos chegar lá, em vez de nos tornarmos idosos, como acontece na maioria dos casos, com doenças crônicas e problemas graves relacionados à idade. BBC News Mundo – Que bela experiência para ela estar no palco, não é? Topol – Sim, ela foi maravilhosa, estava muito nervosa, mas você não teria notado. BBC News Mundo – Você mencionou o estudo (lançado em 2007) que fez com seus colegas. Vocês passaram mais de seis anos sequenciando os genomas de cerca de 1,4 mil octogenários, sem problemas de saúde graves. O que descobriram? Topol – Em primeiro lugar, [os participantes] são muito difíceis de encontrar: eles precisavam nunca ter ficado doentes [com condições crônicas ou graves], nem estar sob um regime de medicação [de longo prazo], e deveriam ter mais de 85 anos. Levamos anos para encontrá-los. Depois, demoramos um tempo para fazer todo o sequenciamento dos genomas, e encontramos pouca coisa que explicasse por que eles são do jeito que são. Talvez haja um componente genético, mas não é a explicação predominante. Pode haver um pouco de sorte, claro. Algumas pessoas podem ter muita sorte, mas não acho que isso seja o fundamental. Na verdade, acho que a principal explicação é o sistema imunológico, que está intacto nessas pessoas — e é assim que elas se protegem contra o câncer, as doenças neurodegenerativas e cardiovasculares. Elas têm o tipo certo de resposta imunológica para protegê-las, e não reagir de forma exagerada. Esta é a explicação mais provável. E, claro, todos nós podemos obter isso com nosso sistema imunológico, por meio de um estilo de vida saudável: evitando uma dieta que promova inflamação, e praticando exercícios, porque isso reduz [a inflamação], assim como dormir bem. Tudo se encaixa nesse modelo do sistema imunológico e da inflamação, o chamado inflammaging [termo que combina duas palavras em inglês: inflamm, de inflamação, e aging, de envelhecimento] e imunossenescência [como se denomina o processo de envelhecimento do sistema imunológico]. BBC News Mundo – Você disse que é “libertador” saber que os genes não determinam necessariamente o envelhecimento saudável. Como podemos adiar as doenças e nos tornar “superidosos”? Topol – É libertador para aqueles que, como eu, têm um histórico familiar terrível de morte prematura e doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento. O que temos agora são informações sobre fatores de estilo de vida das pessoas [que afetam a saúde], que chamo de fatores de estilo de vida +, mas em breve teremos perfis de risco muito específicos para cada indivíduo. Por exemplo, poder dizer que você não apenas corre o risco de sofrer de Alzheimer, mas também poder fornecer informações sobre quando. No passado, podíamos dizer “sim” ou “não” ao risco de um paciente desenvolver Alzheimer, mas em breve poderemos dizer: “Isso vai acontecer quando você tiver entre 74 e 76 anos, se não fizer nada. Veja o que podemos fazer a partir de agora, sabendo disso.” É uma avaliação muito específica do risco em relação ao tempo e à precisão — o que eu chamo de prognóstico médico

Veja as causas e os sintomas da alergia a camarão

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 08/07/2025 Os sinais podem variar de leves a graves, dependendo da sensibilidade individual. A alergia alimentar é uma resposta do sistema imunológico a determinadas proteínas presentes em alimentos que, normalmente, seriam inofensivas. Ela pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e está se tornando cada vez mais comum em todo o mundo. Entre as comidas que mais provocam esse tipo de reação, o camarão se destaca como uma das causas mais frequentes. A alergia a camarão pode se manifestar em qualquer fase da vida, mesmo em pessoas sem histórico familiar. Ela pode ser desencadeada não somente pela ingestão do crustáceo, mas também pelo contato com o alimento cru ou, em casos raros, pela inalação de partículas durante o preparo. “Trata-se de uma reação do sistema imunológico à proteína do camarão, como a tropomiosina, que são confundidas com agentes nocivos. O corpo responde produzindo anticorpos que liberam substâncias como a histamina, responsáveis pelos sintomas alérgicos”, explica o Dr. Gustavo Guida, geneticista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa. Alergia como herança genética A predisposição genética também tem um papel importante. Pessoas com pais alérgicos têm mais chances de desenvolver algum tipo de alergia, incluindo a frutos do mar. Esse quadro, chamado de atopia, está relacionado à maior sensibilidade do sistema imunológico a substâncias comuns no ambiente e na alimentação. “Além da herança genética, fatores ambientais e estilo de vida também influenciam. A exposição precoce a certos alimentos e até o excesso de higiene durante a infância podem impactar o desenvolvimento do sistema imune e aumentar o risco de alergias”, afirma o Dr. Roberto Giugliani, geneticista e head de doenças raras da Dasa Genômica. Sintomas da alergia a camarão Os sinais da alergia a camarão podem variar de leves a graves, dependendo da sensibilidade individual e da quantidade de proteína consumida. Entre os mais comuns, estão: Sintomas leves a moderados: Sintomas graves (anafilaxia): A anafilaxia é uma emergência médica e requer atendimento imediato. Ao menor sinal de suspeita, é fundamental buscar orientação profissional para diagnóstico e acompanhamento adequados. Cuidados com a alergia a camarão Abaixo, veja como se proteger de reações graves em casos de alergia a camarão: Alergia alimentar é coisa séria e precisa ser encarada com responsabilidade. Saber identificar os sintomas e agir rapidamente pode salvar vidas. Por Mariana Bego

Por que pessoas têm mau hálito? E como melhorar?

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 07/07/2025 Você evita se aproximar das pessoas porque tem medo de estar com mau hálito? Não se preocupe, essa é uma situação comum — e há soluções. Manter os dentes limpos é como uma batalha sem fim contra as bactérias que se instalam nos espaços entre os dentes e as gengivas e nas reentrâncias da língua. Se você não eliminar essas bactérias, elas podem se multiplicar e causar doenças graves na gengiva. Mas há maneiras de evitar isso. O que causa o mau hálito? Em todo o mundo, uma das principais causas do mau hálito é a periodontite, também conhecida como retração gengival. “Metade da população adulta vai ter algum tipo de doença gengival”, diz Praveen Sharma, professor de odontologia restauradora da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, ao programa What’s Up Docs?, da BBC. “Você pode pensar no mau hálito como proveniente da cavidade oral”, ele acrescenta, referindo-se à boca. “Isso provavelmente é responsável por 90% do mau hálito.” Os outros 10% têm outras causas. “Diabetes mal controlado vai ter um certo tipo de hálito”, diz Sharma. “Pacientes com problemas gastrointestinais, refluxo gástrico, vão ter um hálito meio azedo. Portanto, há doenças sistêmicas que se manifestam na cavidade oral.” Então, o que podemos fazer em relação a isso? Se você não limpar as bactérias que se instalam entre os dentes e as gengivas, isso pode causar microferidas e o consequente sangramento das gengivas. Isso é gengivite, o estágio inicial da doença gengival, mas a boa notícia é que ela é reversível. “A gengivite é a inflamação das gengivas. Você vai perceber que elas ficam vermelhas, inchadas e sangrando quando você escova os dentes”, explica Sharma. “Isso vai progredir para a periodontite.” Verifique se há vermelhidão, inchaço ou sangramento nas gengivas durante a escovação, mas não se preocupe muito, pois ainda há tempo para tomar uma atitude. “Uma das coisas que os pacientes fazem é evitar instintivamente escovar as gengivas que estão doloridas durante a escovação, porque eles pensam: ‘Ah, estou causando danos, estou fazendo algo errado, é por isso que está sangrando’”, diz Sharma. “É praticamente o inverso— você deve usar o sangramento das gengivas como um sinal para dizer: ‘Ah, preciso escovar um pouco melhor porque não fiz isso antes’.” Sharma afirma que você precisa encontrar tempo para escovar os dentes adequadamente. “Não é bom escovar ou limpar os dentes enquanto faz outras coisas”, diz ele. O ideal é que você esteja em frente ao espelho e se concentre na tarefa. Muitas pessoas destras inconscientemente escovam o lado esquerdo por mais tempo, e as pessoas canhotas escovam o lado direito por mais tempo, o que pode causar mais inflamação no lado que recebe menos atenção. Esteja ciente de qual mão você está usando, e tente escovar ambos os lados igualmente — e com cuidado. Shamra sugere começar com a limpeza interdental. “Em termos de remoção da placa bacteriana e de saúde da gengiva, é melhor usar escovas interdentais”, diz ele. Depois de usar as escovas interdentais, é bom ter um sistema para movimentar a escova de dentes na boca, e não ter pressa. Lembre-se de que cada dente tem três superfícies: a externa, a de mastigação e a interna. Todas elas precisam ser limpas cuidadosamente. Pode ser uma surpresa para muitos, mas o tempo mínimo para escovar os dentes é de dois minutos. Muitas pessoas escovam os dentes segurando a escova em um ângulo de 90 graus em relação ao dente, e pressionando para frente e para trás, mas esse método pode causar retração gengival. Segure a escova em um ângulo de aproximadamente 45 graus em relação ao dente, e escove suavemente. Escove direcionando as cerdas para a linha da gengiva nos dentes inferiores, e para cima, em direção à linha da gengiva, nos dentes superiores. Isso vai ajudar a remover as bactérias que podem estar se escondendo sob a linha da gengiva. Muitos de nós podemos ter aprendido que escovar os dentes após uma refeição é a coisa certa a se fazer. Mas pense novamente. “O ideal é escovar os dentes antes do café da manhã”, diz Sharma. “Você não deve escovar os dentes depois de comer algo ácido — isso vai ter um efeito prejudicial na substância mineral do dente, o esmalte e a dentina.” A acidez dos alimentos faz com que o esmalte protetor na superfície dos dentes e a dentina abaixo amoleçam — portanto, escovar os dentes logo após uma refeição pode danificar o esmalte. “Se você preferir escovar os dentes após o café da manhã, deve então esperar um tempo entre o café da manhã e a escovação dos dentes”, recomenda Sharma. Você deve enxaguar a boca e esperar um pouco. Além disso, embora o ideal seja escovar os dentes por dois minutos duas vezes por dia, algumas pessoas podem achar que é suficiente escovar adequadamente uma vez por dia. Quando você dorme, o fluxo de saliva diminui, permitindo que as bactérias causem mais danos aos dentes durante a noite. Portanto, se você for limpar bem os dentes uma vez por dia, o melhor horário é à noite. Use uma escova de dentes com cerdas de rigidez média. As pastas de dente não precisam ser caras. “Por incrível que pareça, desde que tenha flúor, estou satisfeito”, diz Sharma. O mineral fortalece o esmalte do dente, e o torna mais resistente a cáries. Após a escovação, cuspa, mas não enxágue, para permitir que a pasta de dente e o flúor permaneçam na boca e ajudem a prevenir a cárie. Também vale a pena usar enxaguante bucal se você estiver apresentando os primeiros sinais de doença gengival, pois ele ajuda a reduzir a placa bacteriana e o acúmulo de bactérias. Mas não use após a escovação, pois ele pode remover o flúor da pasta de dente. Se a retração da gengiva (periodontite) avançar, você vai notar que começam a se formar espaços entre os dentes — e, à medida que o osso que sustenta os dentes sofre erosão, eles podem ficar moles. Se essa condição não

Julho Verde e Amarelo: Prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço e às Hepatites Virais

Campanha Julho Verde e Amarelo_ Conscientização de Câncer de Cabeça e Pescoço e das Hepatites Virais Banner Blog

Julho é um mês de dupla conscientização no calendário da saúde, marcado pelas cores verde e amarela. A AAPBB abraça essas importantes campanhas para levar informação e reforçar a importância da prevenção entre nossos associados, aposentados, pensionistas e funcionários da ativa do Banco do Brasil. Entenda o que cada cor representa e como cuidar da sua saúde. Julho Verde: Um Alerta para o Câncer de Cabeça e Pescoço O Julho Verde é dedicado à conscientização e combate ao câncer de cabeça e pescoço, que inclui tumores na boca, laringe, faringe, tireoide e outras áreas. A detecção precoce é a chave para um tratamento bem-sucedido. Julho Amarelo: Combate às Hepatites Virais O Julho Amarelo chama a atenção para as hepatites virais, inflamações no fígado causadas por vírus (Hepatite A, B, C, D e E). As hepatites B e C são as mais preocupantes, pois podem se tornar crônicas e evoluir para cirrose ou câncer de fígado. A AAPBB com Você na Jornada pela Saúde A informação é nossa maior aliada. Neste Julho Verde e Amarelo, a AAPBB incentiva você a cuidar da sua saúde, realizar seus exames de rotina e conversar com seu médico sobre prevenção. Compartilhe essas informações com seus familiares e amigos. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre a orientação de um profissional de saúde. Sua saúde é seu bem mais valioso!

Como lidar com parente com demência: ‘Brigar, reclamar ou insistir só piora as coisas’

Fonte: BBC NEWS Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 21/06/2025 O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que “somos a nossa memória, esse museu imenso de formas inconstantes, esse monte de espelhos quebrados”. Mas, às vezes, como acontece com a demência, essa memória começa a se perder e, em muitos casos, desaparece por completo. Por isso, quando o diagnóstico chega, a dinâmica familiar costuma mudar completamente. As famílias podem ter dúvidas sobre como lidar com a pessoa afetada — que tem dificuldade de reconhecê-las — e qual é a melhor forma de manter sua qualidade de vida. É um período complexo. Ela decidiu reunir toda a sua experiência no livro ¿Qué le pasa a mi madre?, (“O que Está Acontecendo com a Minha Mãe?”, em tradução livre), em que traz, com uma linguagem simples e acolhedora, informações úteis sobre essa doença. A BBC News Mundo — serviço em espanhol da BBC — entrevistou García. Confira alguns trechos da entrevista a seguir. BBC News Mundo – Qual o primeiro conselho você daria a um familiar de uma pessoa com demência? Patricia Gracia García – É um diagnóstico que cai como um balde de água fria, porque você pensa: “Bom, essa é uma doença irreversível e não tem cura.” Mas eu diria que existem tantos tipos de demência quanto de pessoas com demência, e que cada evolução é diferente. Não haverá uma melhora dos sistemas, mas pode haver uma melhora na qualidade de vida, que depende dos cuidados. E, se certos sintomas psiquiátricos forem tratados, eles também podem melhorar. Eu também diria que a informação é poder, e que o melhor é entender o que está acontecendo. Não podemos tentar resolver algo que não tem solução, mas podemos sim enfrentar de uma forma mais saudável, tanto para a pessoa com demência quanto para nós mesmos. Devemos também permitir que elas mantenham a sua autonomia até onde for possível. Em estados avançados, elas não vão conseguir decidir sobre certas coisas, mas podem, por exemplo, escolher o que preferem comer ou o que querem vestir. É preciso ir passo a passo e adaptar o ambiente à pessoa conforme ela passa por cada etapa da doença. BBC News Mundo – Ao que temos que estar atentos? Quais são alguns sintomas prévios ao diagnóstico? García – Além das mudanças cognitivas na memória, podem surgir sintomas psiquiátricos como apatia ou depressão, mudanças na personalidade que tornam a pessoa mais irritável e intolerante à frustração, mais impaciente e sem disposição para ouvir os argumentos dos outros. Mas precisa ser uma mudança de comportamento, algo novo, e que persista ao longo do tempo. É comum também que, movidas pelo medo, as pessoas com histórico de demência na família se preocupem demais com os próprios esquecimentos, mesmo eles sendo normais em alguns casos. BBC News Mundo – Como distinguimos um esquecimento normal de algo que pode indicar uma demência? Patricia García – A chave está em como isso afeta o dia a dia. Com a idade, é normal que a memória ou a velocidade para processar informações diminua, mas isso é compensado com outras habilidades, como sabedoria e experiência. Também temos que pensar que, às vezes, falhas na memória podem acontecer por uma situação de estresse, porque estamos com muita coisa na cabeça. Ter esquecimentos é normal, mas vira um problema quando afeta a nossa capacidade de executar as tarefas do dia a dia. No geral, em casos de demência, quem mais se preocupa é quem está ao redor e não o próprio paciente. Já quando não é demência, é o contrário: a pessoa fica achando que ela tem algum sintoma e isso gera ainda mais nervosismo e ansiedade. Por isso, o mais importante é observar se há algum sinal real de deterioração ou não. BBC News Mundo – Fala-se muito sobre como um diagnóstico de demência afeta os adultos da família, mas e as crianças? Como explicar isso para elas? García – Não temos que esconder nada delas, afinal, a criança vai perceber que tem algo estranho acontecendo. É preciso explicar a elas de uma forma que possam entender, adaptando a linguagem à idade e à capacidade de compreensão, até ao interesse delas, porque algumas vão fazer perguntas. Eu explicaria que uma pessoa tem uma doença no cérebro que faz com que ela se comporte de uma maneira diferente, que para ela as coisas são mais difíceis e ela não se lembra do que fez ou não sabe como dizer o que está sentindo ou precisando. Ou ainda que, às vezes, não consegue reconhecer os lugares onde está e nem as pessoas com quem está conversando. Eu diria também que, apesar de ser uma doença sem cura, nós podemos ajudar quem está passando por isso. Pode ser muito impactante para os familiares, e ainda mais para as crianças, quando, por exemplo, uma pessoa com demência se olha no espelho, acha que está vendo outra pessoa e começa a conversar. Nesse caso, o melhor para as crianças é explicar da forma mais natural que, por causa da doença no cérebro, essa pessoa não reconhece mais a própria imagem. O problema é que, muitas vezes, nem mesmo os adultos compreendem a situação, e por isso é tão importante ter essa informação: para entender, explicar e evitar gerar medo. BBC News Mundo – No livro, você diz que, nesses casos, às vezes não vale a pena insistir na verdade, que ela é relativa. E que o melhor é não discutir. García – É muito comum na demência que a pessoa tenha dificuldade para reconhecer que precisa de ajuda, ou que esteja vendo e ouvindo coisas que não são reais, mas que ela está convencida de que são. Uma estratégia possível é tentar usar alguma pista, como fazer com que ela reconheça uma característica própria — uma pinta, uma cicatriz, um acessório — naquela imagem que vê no espelho, por exemplo. Mas se você perceber que ela não se reconhece e fica inquieta, pode ser melhor cobrir o espelho. Insistir pode não levar a lugar nenhum. Às vezes, a família usa respostas lógicas para explicar as coisas, discute com a pessoa

Ações simples, mas eficientes para viver mais e melhor

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 22/06/2025 Pesquisa com mais de 70 mil hipertensos constata que o controle de um conjunto de fatores de risco reduz significativamente a mortalidade precoce — menos de 80 anos — por todas as causas, enfatizando a importância de hábitos saudáveis. O controle de oito fatores de risco pode reduzir significativamente — e até eliminar — o risco de morte precoce em pessoas com hipertensão arterial. Segundo um estudo com mais de 70 mil hipertensos, adotar o conjunto de hábitos saudáveis e controlar os indicadores clínicos pode diminuir em até 53% a probabilidade de óbito antes dos 80 anos. A pesquisa, liderada pela Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, foi publicada na revista Precision Clinical Medicine.  Os cientistas usaram informações do UK Biobank, o maior banco de dados de saúde do mundo. Ao longo de 14 anos, foram acompanhadas 70 mil pessoas com hipertensão e 224 mil sem o problema. A ideia era entender como gerenciar os fatores de risco afetava a mortalidade precoce dos pacientes.  Com base em diretrizes de sociedades médicas bem estabelecidas, os pesquisadores definiram oito fatores de risco no estudo: pressão arterial, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, colesterol LDL (o “ruim”), glicemia, função renal, tabagismo e atividade física. Uma descoberta importante foi a de que pacientes hipertensos que haviam tratado pelo menos quatro dessas variáveis não apresentavam risco de morte precoce maior do que pessoas sem histórico de pressão alta.  “Nosso estudo mostra que controlar a pressão arterial não é a única maneira de tratar pacientes hipertensos, pois a pressão pode afetar esses outros fatores”, disse, em nota, o autor correspondente, Lu Qi, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública e Medicina Tropical Celia Scott Weatherhead, da Universidade Tulane. “Ao abordar os fatores de risco individuais, podemos ajudar a prevenir a morte precoce de pessoas com hipertensão.” Definida como pressão arterial acima igual ou acima de 130 mmHg, a hipertensão é o principal fator de risco evitável para morte prematura em todo o mundo. Globalmente, 1,3 bilhão de pessoas têm a condição — um em cada três adultos —, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o problema afeta cerca de 30% da população.   Adicional O estudo constatou que abordar cada fator de risco adicional foi associado a um risco 13% menor de morte precoce, sendo 12% menos mortes por câncer e redução de 21% dos óbitos por doença cardiovascular. Essa última é a principal causa de mortalidade prematura em todo o mundo. O controle ideal de risco — ter sete ou mais variáveis monitoradas — foi associado a 40% menos risco de morte precoce, sendo uma redução de 39% de óbito por câncer e 53% por doença cardiovascular. “É importante ressaltar que descobrimos que qualquer risco excessivo de morte precoce relacionado à hipertensão poderia ser totalmente eliminado com o controle desses fatores de risco”, observa Qi. Apenas 7% dos participantes hipertensos tinham sete ou mais fatores de risco monitorados, destacando, segundo os autores, uma grande oportunidade para a prevenção. No Brasil, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que menos de 25% dos pacientes controlam a pressão arterial.  Segundo o levantamento da Universidade de Tulane, mulheres e pessoas com mais de 60 anos tendem a monitorar melhor os fatores de risco. Esses grupos também relataram dietas mais saudáveis, maior adesão ao uso de medicamentos e à prática de atividades físicas. Por outro lado, homens mais jovens e não usuários de remédios anti-hipertensivos demonstraram menor grau de controle e maior risco de mortalidade. Os pesquisadores afirmam, também, que os resultados reforçam a importância de um atendimento personalizado e holístico — “não apenas prescrevendo medicamentos para pressão arterial, mas abordando uma gama mais ampla de comportamentos e condições de saúde”. “Não basta controlar a pressão. É preciso olhar o paciente como um todo: peso, colesterol, rim, glicemia, sedentarismo e cigarro. Cada fator importa”, enfatizou Lu Qi. Para Carlos Nascimento, cardiologista da Clínica Metasense, em Brasília, o resultado do estudo norte-americano é uma boa notícia para pessoas dispostas a mudar os hábitos e seguir as recomendações médicas. “Cada fator de risco controlado reduz a morte precoce em até 21% para doenças cardíacas. Quem controlou quatro ou mais fatores, como caminhar 150 minutos por semana ou parar de fumar, teve o mesmo risco de morte que pessoas sem hipertensão”, exemplifica. “Aqui no Brasil, onde 30% dos adultos são hipertensos, isso é um alerta. Ou seja, mexa-se, cuide da sua alimentação, abandone o cigarro, pequenas mudanças podem fazer você viver mais e melhor”, aconselha.  Perguntas para Nara Kobbaz, cardiologista e clínica geral  Pessoas com hipertensão que conseguiram controlar ao menos quatro desses fatores chegaram a ter risco igual ao de quem nem tinha pressão alta. Isso significa que é possível anular os perigos da hipertensão? Não diria anular, mas controlar e minimizar. Pessoas com hipertensão que conseguiram controlar pelo menos quatro fatores tiveram risco de morte precoce semelhante ao de pessoas sem pressão alta. Isso mostra que a hipertensão não precisa ser uma sentença definitiva, sendo possível neutralizar seus efeitos deletérios. Mas é fundamental entender que isso não significa abandonar o tratamento. Pelo contrário, significa alcançar um cuidado global e estruturado, que vai além do controle da pressão arterial. O que um paciente hipertenso precisa fazer para atingir esse nível de controle?  O remédio é uma parte importante do tratamento, mas não resolve tudo. É um aliado importante, mas para atingir um controle eficaz, é muito importante manter uso regular e correto das medicações prescritas, mudar hábitos alimentares (desembrulhar menos, e descascar mais), manter atividade física constante, não fumar (e lembrar que os cigarros eletrônicos são tão nocivos quanto ou até mais que o cigarro convencional), controlar o peso, a glicose e o colesterol periodicamente. Além disso, é essencial que o paciente entenda o porquê de cada recomendação.  Como fazer o paciente ter essa compreensão? Isso exige educação continuada e explicação clara por parte da equipe médica. Vivemos numa era de atalhos. É cada vez mais comum o uso desregulado de medicamentos para

Vitamina D pode ser aliada no tratamento do câncer de mama, sugere estudo

Fonte: Correio Braziliense | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 23/06/2025 Pesquisa brasileira encontra primeiras indicações de que a suplementação desse hormônio pode ajudar a lidar com esse tipo de tumor no futuro. Uma pesquisa realizada no Brasil indica que a suplementação de vitamina D pode, no futuro, reforçar o tratamento contra o câncer de mama. Ao avaliar um grupo de voluntárias diagnosticadas com a doença, os cientistas descobriram que tomar esse hormônio esteve relacionado a uma maior taxa de desaparecimento do tumor (entenda os detalhes ao longo da reportagem). Além de atuar na manutenção da saúde dos ossos e do sistema imunológico, a vitamina D teria o potencial de se ligar diretamente a receptores de células cancerosas e pode impedir a disseminação delas, apontam os especialistas. Os autores do trabalho se mostraram animados com os resultados e entendem que eles podem modificar a forma como essa enfermidade será tratada no futuro. Mas eles mesmos ponderam que são necessários novos estudos, com um número maior de pacientes, para confirmar esses achados iniciais. Como o estudo foi feito A investigação foi conduzida na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no interior de São Paulo. Foram recrutadas 80 mulheres com mais de 45 anos diagnosticadas com câncer de mama. Todas elas fariam o chamado tratamento neoadjuvante, que consiste em passar por sessões de quimioterapia durante seis meses antes de fazer uma cirurgia para a retirada do tumor. “Há um grupo de pacientes que apresenta um câncer de mama grande ou agressivo. Então, antes de remover o tumor com a cirurgia, precisamos começar com algum tipo de medicamento, como a quimioterapia na veia, para diminuir o tamanho dele e posteriormente fazer a operação em condições melhores”, contextualiza o cirurgião oncológico Renato Cagnacci Neto, do Centro de Referência de Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center, na capital paulista. O especialista, que não esteve envolvido com o estudo da Unesp, calcula que a taxa de mulheres com câncer de mama que necessita do tratamento neoadjuvante (químio antes da cirurgia) varia de 20% a 40%, a depender da realidade de cada país. No início do experimento, as voluntárias foram submetidas a exames de sangue para medir o nível de vitamina D que tinham. Na sequência, as pacientes foram divididas em dois grupos. O primeiro passaria a receber, durante o semestre de químio, uma suplementação de vitamina D numa dosagem de 2 mil unidades internacionais (UI). Já segunda turma tomou placebo, uma substância sem nenhum efeito terapêutico. Passados os seis meses, todas fizeram um novo exame de sangue, para ver como os níveis de vitamina D tinham se alterado no período. Os laudos mostraram que o primeiro grupo, que fez a suplementação, estava com uma quantidade maior desse hormônio no organismo. Mas o resultado mais importante veio na sequência: 43% das pacientes que suplementaram a vitamina D apresentaram uma resposta patológica completa (quando avaliações em laboratório dos tecidos removidos durante a cirurgia não encontram mais células tumorais). Já entre aquelas que tomaram apenas placebo, essa taxa ficou em 24%, quase vinte pontos percentuais abaixo. Resultado ‘surpreendente’ A mastologista Michelle Omodei, uma das autoras da pesquisa da Unesp, destaca “o excelente benefício que os resultados podem trazer no tratamento das mulheres com câncer de mama”. “O resultado é maravilhoso e surpreendente”, diz a especialista, que acaba de concluir um doutorado na universidade. Mas como a vitamina D pode atuar contra as células cancerosas? “Esse hormônio parece ter uma ação no microambiente tumoral. As células malignas têm um receptor específico onde a vitamina D se encaixa e pode regular a transcrição de genes específicos”, responde Omodei. “É possível que ela diminua, nesse ambiente tumoral, a inflamação, a invasão e a proliferação das células cancerosas”, especula a médica. A pesquisa brasileira é uma das primeiras a avaliar o papel da vitamina D como uma possível terapia contra os tumores mamários. Investigações anteriores, como um estudo feito na Turquia, até avaliavam essa possibilidade, mas apostavam em doses altíssimas da suplementação desse hormônio, que chegavam até a 50 mil UI por dia. Ao prescrever apenas 2 mil UI diários, o trabalho brasileiro buscou um balanço entre um efeito terapêutico sem aumento no risco de toxicidade, defendem os autores. “E ficamos muito esperançosos, porque a vitamina D é uma medicação de baixo custo, o que pode facilitar o acesso”, avalia Omodei. Ponderações e próximos passos Embora os resultados tenham sido comemorados e bem recebidos, isso não significa que a vitamina D já entre automaticamente no rol de opções terapêuticas contra o câncer de mama. Ela também não substitui outras terapias já consagradas, como a quimioterapia ou a cirurgia. E é importante que pacientes diagnosticadas com esse tumor sigam as recomendações médicas e sempre conversem com o profissional de saúde antes de incluir ou retirar qualquer suplemento ou remédio da rotina. “Até porque a vitamina D pode ser potencialmente tóxica se tomada em grandes quantidades”, alerta Cagnacci Neto. “Essa suplementação não é algo para a paciente fazer sozinha, sem nenhum acompanhamento”, sugere ele. O cirurgião oncológico reforça que “o uso da vitamina D no tratamento do câncer ainda é um tema bem controverso”. “Em linhas gerais, os resultados que temos são confusos. Há estudos que encontraram um papel positivo da suplementação, e outros que observaram o oposto”, complementa médico. Ele também lembra que a ciência é o campo das verdades transitórias. “Os dados que temos até hoje não são tão legais assim. Mas, às vezes, surgem evidências que apontam no caminho contrário. É o caso dessa pesquisa da Unesp, que foi muito bem feita”, elogia ele. Os responsáveis pelo estudo também entendem que o número de voluntárias precisa ser ampliado em futuros testes, para que os resultados sejam mais sólidos. Eles, inclusive, já planejam os próximos passos da pesquisa, que envolvem justamente ampliar o número de participantes e de centros de pesquisa numa rodada de testes clínicos mais robustos. “Os resultados são muito promissores, mas ainda precisamos de mais estudos”, admite Omodei. O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não

O que é a ‘caminhada japonesa’ – e ela realmente traz benefícios à saúde?

Fonte: BBC News Brasil | Seção: Notícias | Imagem: Reprodução Internet | Data: 11/06/2025 Uma tendência fitness conhecida como caminhada japonesa está chamando a atenção online, prometendo grandes benefícios à saúde com o mínimo de equipamento e tempo. Baseada em explosões intervaladas de marcha rápida e lenta, a caminhada japonesa foi desenvolvida por Hiroshi Nose e Shizue Masuki, professores na Universidade Shinshu em Matsumoto, no Japão. Ela consiste em alternar entre três minutos de caminhada em uma intensidade mais alta, e três minutos em uma intensidade mais baixa, repetindo essa sequência por pelo menos 30 minutos, quatro vezes por semana. A caminhada de intensidade mais alta deve ser feita em um nível que seja “um pouco difícil”. Neste nível, ainda é possível falar, mas manter uma conversa até o fim seria mais difícil. A caminhada de menor intensidade deve ser feita em um nível “leve”. Neste nível, o ato de conversar deve ser confortável, embora um pouco mais trabalhoso do que uma conversa sem esforço. A caminhada japonesa tem sido comparada ao treinamento intervalado de alta intensidade (Hiit), e tem sido chamada de “caminhada de alta intensidade”, embora seja menos desgastante do que o Hiit autêntico, e seja realizada em intensidades mais baixas. Também é fácil de executar e requer apenas um cronômetro e espaço para caminhar. Ela exige pouco planejamento e consome menos tempo do que outras metas de caminhada, como dar 10 mil passos por dia. Isso a torna adequada para a maioria das pessoas. O que as evidências mostram? A caminhada japonesa oferece benefícios significativos à saúde. Um estudo de 2007 realizado no Japão comparou este método com a caminhada contínua de baixa intensidade, com a meta de alcançar 8 mil passos por dia. Os participantes que seguiram a abordagem da caminhada japonesa apresentaram reduções notáveis no peso corporal. A pressão arterial deles também caiu — mais do que entre aqueles que seguiram a rotina de caminhada contínua de baixa intensidade. A força das pernas e o condicionamento físico também foram medidos neste estudo. Ambos apresentaram melhora significativamente maior nos participantes que seguiram o programa de caminhada japonesa, em comparação com aqueles que realizaram caminhada contínua de intensidade moderada. Um estudo de longo prazo também mostrou que a caminhada japonesa protege contra as reduções de força e condicionamento físico que ocorrem com o envelhecimento. Essas melhorias na saúde também sugerem que a caminhada japonesa pode ajudar as pessoas a viver mais, embora isso ainda não tenha sido estudado diretamente. Há alguns aspectos a serem levados em consideração em relação a esta nova tendência de caminhada. No estudo de 2007, cerca de 22% das pessoas não concluíram o programa de caminhada japonesa. No programa de menor intensidade, com meta de 8 mil passos por dia, aproximadamente 17% não concluíram. Isso significa que a caminhada japonesa pode não ser adequada para todos, e pode não ser mais fácil ou mais atraente do que as metas simples baseadas em passos. Também foi demonstrado que atingir um determinado número de passos por dia ajuda as pessoas a viverem mais. Para pessoas com 60 anos ou mais, a meta deve ser de cerca de 6 mil a 8 mil passos por dia, e de 8 mil a 10 mil para indivíduos com menos de 60 anos. Evidências semelhantes não parecem existir para a caminhada japonesa… ainda. Então, será que essa tendência de caminhar é realmente a solução definitiva? Ou será que importa menos o exercício que você faz, e mais a frequência e a intensidade com que você pratica? É provável que a resposta seja a segunda opção. As pesquisas nos dizem que as pessoas que realizam regularmente mais sessões de atividade física moderada a vigorosa vivem mais, independentemente da duração de cada sessão. Isso significa que devemos nos concentrar em garantir a prática regular de atividade física moderada a vigorosa — e torná-la habitual. Se esta atividade for a caminhada japonesa, então é uma escolha que vale a pena. * Sean Pymer é fisiologista acadêmico clínico de exercícios na Universidade de Hull, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).